terça-feira, 20 de julho de 2021

⏳ As Dores que Marcam o Tempo

 


As Dores que Marcam o Tempo

Há anos que doem diferente.
Alguns apenas arranham — outros, cravam cicatrizes na alma.
Na minha história, 1983, 2013 e 2019 foram esses marcos:
anos que carregaram tragédias tão densas que alteraram o próprio tecido da minha psique.

Outros tempos foram difíceis, sim — mas esses três...
Esses três deixaram marcas fundas, tectônicas,
que redefiniram meu modo de sentir o mundo.

Curioso como, olhando pra trás, percebemos que certas dores que pareciam o fim do mundo, com o tempo, tornam-se quase nada —
enquanto outras, que julgávamos bobas, crescem sorrateiras e se revelam bombas-relógio emocionais, prontas para implodir tudo o que construímos depois.

E ainda assim, gosto de lembrar.
Gosto de olhar para o passado e enxergar, sem filtro, o que vivi.

Se existisse uma máquina do tempo, confesso:
eu não mudaria nada.
Alterar um “se”, por menor que fosse,
seria riscar uma linha nova no espaço-tempo —
um desvio que apagaria pessoas, eventos, encontros e dores que, mesmo cruéis, me moldaram no que sou.



Minhas dores são minhas cicatrizes,
meus troféus silenciosos,
as marcas que contam minha jornada sem precisar de palavras.

Mas, às vezes, é doce revisitar o passado —
sentir de novo aquele olhar perdido,
o gosto esquecido de uma tarde qualquer,
o som longínquo de uma risada que o tempo levou.



Viver é isso: caminhar entre memórias,
guardando o que dói e o que cura na mesma mochila.
Porque sem lembrança, não há quem sobreviva.
E sem cicatriz…
ninguém vira guerreiro.



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