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quinta-feira, 30 de junho de 2016

A alegria da torcia durante o jogo

Bellacosa Mainframe assistindo o jogo do Palmeiras versus o Figueirense

Um Café no Bellacosa Mainframe

🟢 A Primeira Vez no Allianz Parque — Uma História Verde que Vem de Longe

Do velho Palestra Italia ao estádio moderno: quando entrei no Allianz Parque pela primeira vez e encontrei mais de um século de histórias da família e do Palmeiras

Essa não foi simplesmente mais uma partida de futebol.

Foi minha primeira visita ao novo Parque Antarctica depois da grande reforma, agora transformado no imponente Allianz Parque.

E para um palmeirense isso já seria especial.

Para um Bellacosa, havia algo a mais.

O Palmeiras está presente na história da família há muitas gerações. Antes mesmo de existir o nome Sociedade Esportiva Palmeiras, havia o Palestra Italia, e entre os jogadores que vestiram aquela camisa esteve Arthur Bellacosa, o Dudu.

Sim: muito antes do Dudu que se tornaria ídolo das gerações modernas do Palmeiras, já havia um Bellacosa conhecido pelo mesmo apelido defendendo o Palestra Italia.

Arthur jogou pelo clube entre 1937 e 1939 e antes dele Alfonso, vulgo Afonsinho jogou durante a década de 1920. A família de imigrantes napolitanos teve grande presença no Futebol Paulista no século XX.

Décadas depois, outro Dudu transformaria aquele apelido em um dos nomes imediatamente associados ao Palmeiras.

Coincidências que o futebol adora criar.



🏟️ O velho Parque Antarctica havia mudado

Eu conhecia toda a história daquele lugar, mas entrar no Allianz Parque pela primeira vez provocava uma sensação completamente diferente.

O velho estádio havia dado lugar a uma arena moderna.

Lojas, corredores amplos, escadas rolantes, estrutura organizada, arquibancadas enormes...

Aquilo realmente parecia um estádio de primeiro mundo.

Era o mesmo endereço carregado de história, mas reconstruído para outra época.

E então veio aquilo que nenhuma fotografia consegue registrar direito:

o som.

O adversário daquele dia não atraía uma torcida visitante numerosa. Na prática, olhando ao redor, parecia existir apenas uma gigantesca massa verde.

Quando a torcida começava a cantar, a própria arquitetura participava da festa.

O grito subia das arquibancadas, encontrava a cobertura, voltava para o campo e parecia multiplicar milhares de vozes.

PALMEIRAS!

O estádio respondia.

Era possível sentir o brado no corpo.

Talvez seja justamente isso que aquele pequeno vídeo de 2016 tenha conseguido preservar melhor do que minhas palavras daquela época.

Não era apenas uma partida.

Era a acústica de milhares de pessoas transformando concreto e aço em uma enorme caixa de ressonância verde.



⚽ Quatro gols e uma tarde tranquila

E ainda tivemos quatro gols para comemorar.

Foi daqueles jogos gostosos para quem estava na arquibancada: poucas confusões, muita festa e uma torcida com bastante motivo para cantar.

Até o intervalo tinha atração.

Lá estava o famoso porcogível passeando pelo estádio.

Tentei filmá-lo, mas estava longe demais. Hoje isso também virou parte da graça do registro. Em uma época na qual praticamente qualquer celular consegue aproximar uma imagem com qualidade razoável, aquela tentativa de capturar um dirigível distante também denuncia quando o vídeo foi feito.

São pequenos fósseis tecnológicos escondidos dentro das nossas memórias.



🌭 O jogo terminava, o ritual continuava

Mas quem conhece futebol sabe:

a experiência não acaba quando o juiz apita.

Saímos junto daquela multidão verde para as ruas próximas ao estádio.

E começou o segundo tempo gastronômico.

O famoso lanche de pernil fazia parte do programa.

Ao mesmo tempo havia um espetáculo paralelo que sempre achei divertidíssimo: vendedores improvisando verdadeiras operações de alimentação no meio daquela multidão.

Tinha até pizza sendo vendida na rua para os torcedores famintos que deixavam o estádio.

Imagine milhares de pessoas saindo simultaneamente, comentando os gols, discutindo jogadas, procurando amigos, tentando chegar ao carro ou ao transporte público — enquanto vendedores atravessavam aquela maré humana oferecendo comida.

Aquilo também era Palmeiras.

O estádio moderno podia ter lojas, escadas rolantes e toda a infraestrutura de uma arena do século XXI.

Mas do lado de fora continuava existindo aquele futebol brasileiro maravilhoso e caótico:

gente, barulho, pernil, pizza, vendedores e histórias sendo contadas sobre a partida que acabara de terminar.

💚 Muito antes de mim

Hoje, olhando novamente para aquele registro, percebo uma dimensão que provavelmente não estava pensando enquanto segurava a câmera.

Um Bellacosa já havia vestido aquela camisa quando o clube ainda se chamava Palestra Italia.

Arthur Bellacosa, o Dudu, jogou entre 1937 e 1939.

Eu estava ali quase oitenta anos depois.

Não dentro do campo.

Na arquibancada.

Mas vestindo as mesmas cores.

O velho Parque Antarctica havia se transformado no Allianz Parque. O Palestra Italia havia se tornado Palmeiras. Os jogadores eram outros. As arquibancadas eram outras. Até a maneira de registrar aquele momento havia mudado.

Mas alguma coisa permanecia.

Quando milhares de palmeirenses começaram a gritar juntos e aquele som bateu na cobertura do novo estádio e voltou sobre nós, talvez houvesse ali ecos muito mais antigos do que imaginávamos.

E foi assim que minha primeira visita ao Allianz Parque terminou.

Quatro gols.

Uma multidão verde.

Um porcogível.

Um lanche de pernil.

Pizza sendo vendida no meio da rua.

E quase um século de histórias separando um Bellacosa dentro do campo de outro Bellacosa sentado na arquibancada.

Às vezes pensamos que estamos simplesmente indo assistir a um jogo.

Décadas depois descobrimos que estávamos fazendo mais uma pequena anotação na história da família.

Easter egg: procure por Dudu na história do Palmeiras. Talvez você encontre um muito antes daquele que estava esperando. 🐷💚

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Palmeiras X Figueirense


A torcida canta e vibra, o jogo estava muito fácil, mais para uma exibição amistosa do que um jogo de campeonato.



Casa cheia e uma bela exibição com quatro gols e poucas faltas graves, apenas uns aconchegos entre os jogadores, inclusive no intervalo vimos o porcogivel voando pelo gramado. Pena que a distancia a filmagem nao ficou  legal.

Agora sintam o clima, ouvindo a torcida vibrar e o estadio tremer.

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

🟢 Palmeiras, Palestra Italia e Memórias Bellacosa

Uma pequena viagem por histórias de família, futebol, arquibancadas, Palestra Italia, Allianz Parque e pelo mar verde da torcida palmeirense.

01

A alegria da torcida durante o jogo

Palmeiras x Figueirense no Allianz Parque: torcida cantando, estádio vibrando, quatro gols e a experiência de acompanhar o Verdão no meio de milhares de palmeirenses.

02

Palmeiras e o Brado de Guerra

Milhares de torcedores cantando juntos no Allianz Parque: por alguns minutos o indivíduo desaparece e surge uma única voz, um único corpo e um verdadeiro mar verde.

03

Tio Queijo e o Reino da Fartura

Uma crônica familiar que resgata memórias, infância, parentes e fragmentos da história dos Bellacosa em São Paulo.

04

Os Bellacosa do Palestra Italia e Futebol Paulista

Uma viagem pelas conexões entre a família Bellacosa, o antigo Palestra Italia, o Palmeiras e a história do futebol paulista.

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☕ Bellacosa Mainframe — histórias reais preservadas em tempos digitais.

Palmeiras e o brado de guerra

Bellacosa Mainframe e o brado de guerra da torcida do Palmeiras

Um Café no Bellacosa Mainframe

🟢 Palmeiras e o Brado de Guerra — Quando 35 Mil Vozes Viraram Uma

Por alguns minutos, ninguém estava sozinho. Éramos um mar verde, e cada torcedor era apenas uma gota ajudando a formar uma onda gigantesca de vozes.

Este pequeno vídeo é mais um fragmento daquela nossa visita ao Allianz Parque para assistir a um jogo do Palmeiras.

E talvez seja justamente por ser apenas um fragmento que ele conseguiu guardar algo que uma fotografia dificilmente conseguiria preservar.

O som.

Não apenas o barulho de um estádio.

O brado.

Milhares de palmeirenses reunidos, felizes, cantando, gritando e glorificando juntos o seu time de futebol.

Eu estava no meio daquela multidão e, olhando agora para essas imagens tantos anos depois, percebo que havia algo muito maior acontecendo ali.

⚔️ Como vikings avançando sobre uma aldeia

A comparação pode parecer exagerada.

Mas quem já esteve dentro de um estádio lotado provavelmente entende.

Imagine milhares de pessoas começando a cantar praticamente ao mesmo tempo.

Uma voz começa.

Outra acompanha.

Uma arquibancada responde.

Outra aumenta o volume.

E de repente já não conseguimos distinguir quem está cantando ao nosso lado.

Existe apenas uma enorme voz coletiva.

PALMEIRAS!

O concreto parece responder.

O som atravessa as arquibancadas, bate nas estruturas do estádio e retorna.

É quase físico.

Arrepia.

Naquele instante lembrei daqueles filmes em que centenas de vikings avançam gritando contra uma pobre aldeia que provavelmente estava muito tranquila cinco minutos antes.

Só faltavam os escudos, os machados e alguém chamado Ragnar.

😄

Mas existe alguma coisa curiosamente ancestral naquela experiência.


🧠 O indivíduo desaparece por alguns minutos

Passamos praticamente toda a nossa vida sendo indivíduos.

Meu nome.

Minha profissão.

Minha casa.

Meus problemas.

Minhas preocupações.

Minha conta para pagar.

Meu relógio.

Meu telefone.

Minha vida.

Mas existem determinados ambientes onde essa percepção muda.

Um estádio de futebol lotado é um deles.

Durante alguns minutos, o indivíduo deixa de ser solo e passa a fazer parte de um organismo muito maior.

Você não está simplesmente ao lado da torcida.

Você é a torcida.

Uma pessoa levanta os braços.

Milhares levantam.

Uma pessoa começa um canto.

Outras acompanham.

A bola aproxima-se do gol e milhares de corpos inclinam-se quase simultaneamente.

Sai o gol.

E então acontece aquela explosão.

Pessoas que nunca se viram se abraçam.

Gritam juntas.

Pulam juntas.

Durante alguns segundos desaparecem profissões, bairros, idades e histórias pessoais.

Existe somente aquele momento.



🌊 Um mar de pessoas

Talvez essa seja a imagem que melhor descreva aquilo que vi.

Um mar.

Cada pessoa isoladamente é pequena.

Como uma gota.

Mas coloque dezenas de milhares delas juntas e aparecem ondas.

O canto começa em algum ponto da arquibancada.

Cresce.

Viaja.

Outra parte do estádio responde.

A massa se movimenta.

Braços levantam.

Bandeiras balançam.

Corpos pulam.

E uma nova onda atravessa o estádio.

Vista de longe, a torcida parece realmente possuir movimento próprio.

Talvez seja por isso que usamos espontaneamente a expressão:

"mar de gente".

Porque uma multidão possui algo que lembra um oceano.

Existem correntes.

Ondas.

Movimentos.

Ruído.

Momentos de calmaria.

E tempestades.

Naquele dia, dentro do Allianz Parque, o oceano era verde.



🔥 Há alguma coisa muito antiga nisso

E aqui aparece a parte que mais me fascina olhando novamente para o vídeo.

Talvez aquilo não seja simplesmente futebol.

Talvez o futebol esteja apenas acionando alguma coisa muito mais antiga que existe dentro de nós.

Muito antes de existirem estádios, campeonatos, televisão ou Palmeiras, seres humanos já se reuniam ao redor do fogo.

Cantavam juntos.

Dançavam juntos.

Celebravam juntos.

Partiam para caçadas juntos.

Defendiam seus grupos juntos.

Provavelmente nossos antepassados já conheciam perfeitamente a sensação provocada por dezenas ou centenas de vozes produzindo o mesmo som.

O mundo mudou completamente.

O fogo virou refletores.

A clareira virou estádio.

Os guerreiros trocaram escudos por camisas.

O tambor ganhou caixas de som.

E a aldeia adversária agora possui onze jogadores do outro lado do campo.

😂

Mas talvez alguma coisa tenha permanecido exatamente igual.

A necessidade humana de pertencer.

🟢 Não estou assistindo ao Palmeiras. Estou dentro do Palmeiras.

Existe uma diferença gigantesca entre assistir a uma partida pela televisão e estar dentro de um estádio.

Na televisão observamos o evento.

No estádio fazemos parte dele.

A televisão consegue mostrar melhor o lance.

Tem replay.

Close.

Estatísticas.

Comentaristas.

Diferentes câmeras.

Talvez consigamos compreender muito melhor o jogo ficando no sofá.

Mas existe algo que a televisão dificilmente consegue transmitir:

a pressão sonora de milhares de pessoas gritando ao seu redor.

A vibração.

O concreto devolvendo o canto.

A pessoa desconhecida pulando ao seu lado.

O sujeito algumas fileiras abaixo gesticulando para um jogador que jamais conseguirá ouvi-lo.

😂

E principalmente aquela estranha transformação psicológica:

por alguns minutos deixamos de dizer:

"eles estão cantando".

Porque percebemos:

"nós estamos cantando".

Essa pequena mudança de pronome explica muita coisa.

🧬 Talvez nossos ancestrais reconhecessem aquilo

Imagine trazer para aquele estádio um ser humano de milhares de anos atrás.

Ele certamente não entenderia o telão.

Não entenderia os refletores.

Não entenderia por que 22 homens estavam perseguindo uma esfera.

Provavelmente ficaria completamente confuso com os celulares.

Mas quando dezenas de milhares de pessoas começassem a cantar juntas...

Talvez aquilo ele entendesse.

O grupo.

O ritmo.

O brado.

A celebração.

O pertencimento.

Talvez olhasse ao redor e pensasse:

"Ah... isso eu conheço."

💚 A felicidade também pode ser coletiva

Existe outro detalhe importante naquele vídeo.

As pessoas estavam felizes.

Não era apenas barulho.

Era celebração.

Milhares de pessoas tinham deixado suas casas, atravessado a cidade e vestido as mesmas cores para participar daquele ritual moderno.

E quando o canto começava, aquela felicidade individual parecia somar-se às outras.

Uma espécie de processamento paralelo emocional.

Se eu estivesse escrevendo isso como programador de mainframe, diria que milhares de pequenos processos independentes entraram temporariamente em sincronismo.

😁

Cada torcedor continuava sendo uma pessoa.

Mas naquele instante todos executavam aproximadamente o mesmo JOB:

//TORCIDA JOB PALMEIRAS
//STEP01 EXEC PGM=GRITAR
//SYSIN DD *
PALMEIRAS!
PALMEIRAS!
PALMEIRAS!
/*

E aparentemente ninguém queria cancelar aquele batch.

🥚 Easter egg — o mainframe humano

Décadas trabalhando com computadores talvez tenham estragado definitivamente meu cérebro, porque hoje olho para aquela torcida e enxergo algo curiosamente familiar.

Milhares de unidades independentes.

Cada uma com sua própria história.

Cada uma processando informações individualmente.

Mas todas temporariamente coordenadas em torno de uma tarefa comum.

Quase um gigantesco sistema distribuído biológico.

Só existe uma diferença importante.

Na informática passamos décadas tentando eliminar ruído.

Na arquibancada...

o objetivo era justamente produzir o máximo possível.

😂

🎥 E então sobra este pequeno vídeo

Talvez seja por isso que gosto tanto desses fragmentos antigos.

Naquele momento eu provavelmente apenas saquei a câmera e gravei.

Sem imaginar grandes significados.

Era somente:

"Olha que legal a torcida."

Dez anos depois, porém, encontro outra coisa escondida ali.

Não vejo apenas um estádio.

Vejo milhares de indivíduos experimentando durante alguns minutos uma das sensações mais antigas da humanidade:

pertencer a alguma coisa maior que nós mesmos.

Uma voz sozinha pode desaparecer no ambiente.

Trinta mil vozes juntas fazem concreto vibrar.

Uma pessoa é uma gota.

Uma arquibancada é uma onda.

Um estádio inteiro...

é um oceano.

E naquele dia o Allianz Parque estava em maré alta.

🟢⚪


☕ Epílogo — Quando voltamos a ser indivíduos

Então o jogo termina.

As pessoas começam a sair.

A grande criatura verde lentamente se desmonta.

Cada torcedor recupera sua própria direção.

Um vai procurar o metrô.

Outro procura o carro.

Alguém pensa no jantar.

Outro verifica o celular.

Outro comenta o gol.

A multidão vai desaparecendo pelas ruas.

E aqueles milhares de componentes daquele enorme organismo coletivo voltam novamente às suas pequenas vidas individuais.

Até o próximo jogo.

Até o próximo gol.

Até alguém começar novamente um canto em algum canto da arquibancada.

E milhares de desconhecidos responderem.

Naquele instante, por alguns minutos...

o mar volta a existir.

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A torcida alvi-verde expressa seu triunfo.


Imagine uma turba feliz e contente, após seu time assumir a liderança do campeonato com um diferença de 3 pontos e ainda golear um adversário numa partida.



A alegria corria solta pelos corredores do Arena Parque, a casa do Palmeiras toda reformada, na saída do jogo os quase 35000 torcedores gritavam e bradavam.

Seus gritos vibravam e ecoavam pelos corredores, o eco amplificava e a acústica perfeita aumentava ainda mais a emoção dos gritos.



☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

🟢 Palmeiras, Palestra Italia e Memórias Bellacosa

Uma pequena viagem por histórias de família, futebol, arquibancadas, Palestra Italia, Allianz Parque e pelo mar verde da torcida palmeirense.

01

A alegria da torcida durante o jogo

Palmeiras x Figueirense no Allianz Parque: torcida cantando, estádio vibrando, quatro gols e a experiência de acompanhar o Verdão no meio de milhares de palmeirenses.

02

Palmeiras e o Brado de Guerra

Milhares de torcedores cantando juntos no Allianz Parque: por alguns minutos o indivíduo desaparece e surge uma única voz, um único corpo e um verdadeiro mar verde.

03

Tio Queijo e o Reino da Fartura

Uma crônica familiar que resgata memórias, infância, parentes e fragmentos da história dos Bellacosa em São Paulo.

04

Os Bellacosa do Palestra Italia e Futebol Paulista

Uma viagem pelas conexões entre a família Bellacosa, o antigo Palestra Italia, o Palmeiras e a história do futebol paulista.

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segunda-feira, 27 de junho de 2016

Transformers no game

Bellacosa Mainframe e o Transofrmers no Game

🤖 Transformers no Game

Formiga e Ju entram em combate para salvar a humanidade

Era um fim de tarde de 2016, em Jundiaí, daqueles passeios tranquilos que aparentemente não prometem grandes acontecimentos. Tudo seguia normalmente até que surgiu uma emergência de proporções interplanetárias: a humanidade estava em perigo!

E quando o planeta precisa de heróis, alguém precisa assumir a missão.

Foi assim que Formiga e Ju entraram em ação.

Diante de um game dos Transformers, não havia mais shopping, passeio ou tranquilidade. Naquele momento existia apenas uma batalha gigantesca entre máquinas, explosões, inimigos e dois jogadores tentando descobrir como sobreviver no meio daquela confusão.

🎮 Armas preparadas.

🤖 Transformers posicionados.

💥 Inimigos chegando.

A missão começou!



O game rapidamente virou uma pequena guerra eletrônica. Tiros apareciam de todos os lados, robôs gigantes dominavam a tela e os reflexos precisavam funcionar rapidamente.

A grande questão, porém, não era exatamente salvar o planeta.

Era descobrir se Formiga e Ju conseguiriam permanecer vivos por mais de dois minutos!

E talvez esteja justamente aí a graça desses jogos de shopping e fliperama. Durante alguns minutos deixamos de ser simples espectadores. Seguramos os controles e entramos naquele universo.

De repente somos pilotos, soldados, aventureiros ou parceiros de Optimus Prime.

Dez anos depois, esse pequeno vídeo de 2016 acabou se transformando também em uma cápsula do tempo.

O jogo envelheceu. Os gráficos que pareciam incríveis ganharam sucessores muito mais sofisticados. Os Transformers continuaram recebendo filmes, desenhos, brinquedos e novos games.

Mas aquele momento permaneceu registrado.

Formiga e Ju estavam ali, diante da tela, tentando salvar a humanidade entre tiros, explosões e muitas risadas.

Talvez não tenham conseguido salvar o planeta inteiro.

Mas conseguiram algo igualmente importante:

salvar alguns minutos daquele fim de tarde para o futuro. 🤖🎮💥



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Final de tarde e a humanidade esta em perigo.


Somente o formiga e a Ju podem salvar a terra dos autobots, cada um pega sua arma e com a ajuda dos Transformers iniciam uma luta sem precedentes.



Tiros e explosoes para todos os lados, a duvida q persiste sera que estes dois iram sobreviver por mais que dois 2 minutos?

Trenzinho e mini ferrovia no Iguatemi

Bellacosa Mainframe e as aventuras do formiga no trenzinho do shopping

Um Café no Bellacosa Mainframe

Uma tarde na fazendinha do Shopping Iguatemi de Jundiai e seu trenzinho.

Aquele era um daqueles programas simples e divertidos que fazíamos juntos: eu, Juliana e o Formiga.

Juliana adorava inventar programas para quando estávamos com ele. Não precisava ser uma grande viagem, um parque gigantesco ou alguma aventura cuidadosamente planejada com semanas de antecedência. Bastava descobrir alguma coisa diferente acontecendo por perto e pronto: lá íamos nós.

E o Iguatemi Jundiaí proporcionava algumas dessas pequenas aventuras.

Naquele dia havia uma espécie de fazendinha montada dentro do shopping. Para um adulto passando apressado pelo corredor, talvez fosse apenas mais uma atração temporária: algumas cercas decorativas, bichinhos cenográficos, um moinho de vento e um pequeno trem circulando pelo cenário.

Mas tente olhar aquilo com os olhos de uma criança.

🐄 Havia vaquinhas.

🐑 Ovelhinhas.

🌾 Uma pequena fazenda.

🌬️ Um moinho de vento.

🚂 E, principalmente, havia um trem.

Pronto.

O shopping desapareceu.



🚂 Quando o trenzinho virou uma ferrovia de verdade

Para o Formiga, aquilo não era simplesmente um brinquedo dando voltas dentro de um shopping.

Era uma ferrovia.

E ferrovia precisa ser explorada.

Entrar naquele pequeno trem significava atravessar a fronteira invisível entre o mundo dos adultos e o território da imaginação.

O moinho já não era decoração.

A vaca não era apenas uma representação de plástico.

As ovelhas não estavam simplesmente colocadas ali para compor o cenário.

Tudo fazia parte daquele novo mundo.

Talvez essa seja uma das coisas mais interessantes de observar numa criança: ela não precisa que a ilusão seja perfeita para acreditar na aventura.

Nós, adultos, enxergamos os fios, as estruturas, as placas, os funcionários e os limites da atração.

Uma criança enxerga outra coisa.

Ela completa aquilo que está faltando.

Onde existe um metro de trilho, imagina quilômetros.

Onde existe uma pequena casinha cenográfica, surge uma fazenda inteira.

Onde existe um moinho de vento artificial, provavelmente existe algum lugar distante que precisa ser descoberto.

E onde existe um trenzinho...

existe uma viagem.



🐜 O Formiga atravessa o portal

Era justamente isso que tornava aqueles passeios tão divertidos.

O Formiga tinha aquela capacidade maravilhosa de entrar na brincadeira.

A atração podia ocupar apenas alguns metros quadrados do shopping, mas o território imaginário era praticamente infinito.

Ele embarcava.

O trem começava a andar.

E naquele instante acontecia alguma coisa que nenhum ingresso explicava.

O brinquedo transformava-se em portal.

Do lado de fora estávamos eu e Juliana, provavelmente enxergando um menino feliz andando num trenzinho.

Do lado de dentro, porém, quem sabe onde ele estava?

Talvez atravessando uma fazenda.

Talvez conduzindo uma locomotiva.

Talvez explorando algum lugar que somente ele conseguia enxergar.

Essa é uma diferença enorme entre a memória de um adulto e a memória de uma criança.

Eu consigo lembrar da estrutura.

Do shopping.

Da decoração.

Do moinho.

Dos animais.

Do pequeno circuito ferroviário.

Mas talvez o Formiga tenha guardado algo completamente diferente.

Ele pode ter guardado a aventura.



❤️ Juliana tinha entendido uma coisa importante

Olhando essas imagens tantos anos depois, percebo também outra personagem importante daquela história.

Juliana.

Ela gostava de criar esses programas.

Descobria uma atração, uma festa, um parque, um espetáculo ou alguma novidade e queria levar o Formiga.

Talvez porque tivesse entendido intuitivamente uma coisa que nós adultos frequentemente esquecemos:

infância não precisa necessariamente de grandes acontecimentos.

Ela precisa de acontecimentos.

Um passeio.

Uma pescaria de quermesse.

Um circo.

Um parque.

Um videogame.

Um brinquedo diferente.

Um trenzinho montado dentro de um shopping.

Separadamente, parecem coisas pequenas.

Quando colocadas umas ao lado das outras, porém, começam a formar algo gigantesco:

uma infância cheia de histórias.

🚂 Para alguns, apenas uma atração

E talvez seja justamente por isso que resolvi recuperar esta pequena postagem de 2016.

Porque alguém poderia olhar para aquelas fotografias e dizer:

— Ah, era um trenzinho no shopping.

Sim.

Era.

Para quem estava passando pelo corredor, talvez fosse exatamente isso.

Uma atração infantil.

Alguns minutos de diversão.

Um cenário desmontável que provavelmente desapareceria alguns dias depois para dar lugar a outra coisa.

Mas memória funciona de maneira diferente.

O cenário desaparece.

O shopping muda.

A atração é desmontada.

As crianças crescem.

E então, dez anos depois, alguém encontra algumas fotografias antigas e percebe que aquele pequeno trem continua circulando.

Não mais sobre os trilhos da fazendinha.

Agora ele circula dentro da memória.

🥚 Easter egg — talvez o trem nunca tenha sido pequeno

Existe ainda uma ironia maravilhosa escondida nesta história.

Quem acompanha estas páginas sabe da minha antiga paixão por ferrovias, locomotivas, estações e trilhos.

Passei boa parte da vida procurando estações abandonadas, observando trens, estudando antigas ferrovias e transformando viagens em desculpas para encontrar mais um pedaço de trilho perdido.

E naquele dia lá estava eu...

vendo o Formiga embarcar numa ferrovia em miniatura.

Talvez por isso eu tenha fotografado.

Talvez por isso aquela atração aparentemente banal tenha chamado minha atenção.

Ou talvez existisse uma inversão muito mais divertida acontecendo diante de nós.

Eu poderia enxergar perfeitamente que aquele trem era pequeno.

O Formiga provavelmente não.

Para ele, durante aqueles poucos minutos, o mundo é que havia ficado maior.

E talvez seja essa uma das definições mais bonitas da infância.

Para alguns adultos que passavam pelo Iguatemi naquele dia, aquilo era somente uma atração.

Para Juliana, era mais um programa divertido que havia encontrado para fazermos juntos.

Para mim, tornou-se uma fotografia, uma postagem e, anos depois, uma memória recuperada.

Mas para o Formiga?

🚂 Aquilo era um portal mágico para a próxima aventura.

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Um  programa em família no shopping Iguatemi de Jundiai.


Este shopping tem investido pesado nas atraçoes culturais. Desta vez foi uma fazendinha com diversos atractivos para as crianças.



Inicia-se com uma carroça para tirar foto, posteriormente tem uma mini ferrovia que circula por um campo repleto de surpresas, que vai instigar a imaginação dos pequeninos.

Esquilos peraltas, vaquinhas simpáticas, moinho de vento e diversas peças saídas directo da fazenda.

Na outra parte da atracção com jogos interactivos, temos jogos de argolas e pescaria.

Trenzinho no shopping Iguatemi de Jundiai

Bellacosa Mainframe e o formiga fazendo seu primeiro filme 

Trenzinho no shopping Iguatemi de Jundiai

O Formiga era quase um mini eu.

E talvez uma das coisas mais divertidas daquela época fosse justamente observá-lo me imitando. Ele prestava atenção nas coisas que eu fazia, repetia meus gestos, minhas brincadeiras e até aquela mania de querer registrar nossas aventuras. Naquele dia, durante mais um passeio pelo então Shopping Iguatemi de Jundiaí, chegou a vez dele assumir a câmera.

O Formiga estava fazendo seu primeiro filme!

Embarcou no pequeno trenzinho que circulava por uma divertida fazendinha cenográfica, passando por animais, uma ponte de ferro e até um daqueles clássicos moinhos de vento americanos. E lá foi ele, câmera na mão, registrando o mundo a partir de sua própria perspectiva.

Era impossível não me divertir vendo aquele pequeno cinegrafista trabalhando.

Passear pelo shopping de Jundiaí naquela época sempre reservava alguma aventura. Às vezes encontrávamos exposições e atrações temporárias; em outras ocasiões, aparecia um trenzinho como aquele. Mas havia também um destino praticamente obrigatório: a lendária casa de jogos.




Arcades piscando, pinballs, máquinas eletrônicas e aquelas maravilhosas engenhocas que entregavam tickets conforme conseguíamos fazer pontos. Jogávamos, acumulávamos uma montanha de papelzinhos e depois vinha a importantíssima missão de escolher no balcão algum prêmio absolutamente fantástico — que normalmente era uma bela quinquilharia. 😄

Mas quem se importava?

O verdadeiro prêmio estava em jogar juntos.


Depois de tanta atividade, ainda havia espaço para passar no McDonald's, fazer um lanche e recuperar as energias antes de continuar o passeio.

E o Formiga?

O garoto se acabava!

Corria, jogava, filmava, brincava e aproveitava cada minuto.

Hoje, olhando novamente para aquele pequeno vídeo de 2016, percebo que a câmera registrou muito mais do que uma simples volta de trenzinho.

Registrou uma época.

E, principalmente, aquele delicioso período em que eu olhava para o Formiga e encontrava, diante de mim, um pequeno reflexo das minhas próprias aventuras.


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O formiga faz seu primeiro filme.


Neste passeio ate o shopping Iguatemi, o formiga fez sua primeira filmagem, a bordo do trenzinho divertido da fazenda.



Ele filmou o cenário, enquanto o trenzinho dava suas voltas. prestou bem atenção nos detalhes todos.

Realmente este centro comercial tem investido bem em atraçoes,  cada visita uma surpresa. Vejam esta pequena fazenda, tem animais espalhados pelo cenário, ponte de ferro, moinho de vento americano.

domingo, 26 de junho de 2016

Uma bolinha de pelo timida

Bellacosa Mainframe e uma doce bolinha de pelo timida dormindo no sofa

🐶 Uma Bolinha de Pelo Tímida

Quando tudo o que você quer depois da festa é um sofá e um pouco de sossego

Era junho de 2016, em Sorocaba, e a festa já tinha deixado suas marcas. Gente andando de um lado para outro, conversas, risadas, movimento e aquela agitação que parece não incomodar ninguém — exceto quem tem quatro patas, muito pelo e um enorme desejo de tirar uma soneca.

No meio de tudo isso estava nossa pequena bolinha de pelo.

Depois de acompanhar toda aquela movimentação, o cachorrinho finalmente encontrou aquilo que provavelmente considerava o melhor lugar do mundo naquele momento: o sofá.

Missão cumprida.

Ou quase.

Porque apareceu uma câmera.

🐶 “Sério? Agora?”



A pequena criatura, que aparentemente não tinha qualquer interesse em iniciar uma carreira cinematográfica, tentou escapar discretamente das filmagens. Nada de poses, performances ou entusiasmo diante das lentes. Seu plano parecia muito mais simples: encontrar um cantinho confortável, enrolar-se e descansar.

Mas quem consegue resistir por muito tempo quando começam os carinhos?

Pouco a pouco, a timidez foi dando lugar à confiança. A tentativa de fuga perdeu importância e aquela bolinha de pelo acabou aceitando a atenção.

Talvez até tenha gostado.

É justamente por isso que pequenos vídeos como este ficam tão interessantes quando revisitados anos depois.

Naquele momento era apenas um cachorrinho cansado depois de uma festa.

Hoje é uma pequena cápsula do tempo.

Um pedacinho de uma tarde de 2016 que permaneceu guardado enquanto os anos passaram, as câmeras mudaram, os computadores ficaram mais rápidos e nossas vidas seguiram adiante.

E lá continua ele.

Tímido.

Peludo.

Tentando escapar da câmera.

Até descobrir que, às vezes, ser encontrado significa ganhar carinho.

Sorocaba, junho de 2016.

🐾 E aparentemente algumas coisas importantes da vida continuam muito simples: um sofá confortável, alguém por perto e um bom cafuné.




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Este cachorrinho é uma graça.


Final de festa e o caozinho esta cansado de tanta bagunça, nada como relaxar no sofa, mas como sempre aparece o chato da camera.



O pobrezinho quer fugir,  mas nao tem jeito foi apanhado e então vamos participar da farra...  claro q ele adora um carinho e fica todo derretido com o carinho.

domingo, 19 de junho de 2016

SP 70 e seu longo tunel

Bellacosa Mainframe e os tuneis da Carvalho Pinto

Um Café no Bellacosa Mainframe

🚗 SP-070 e seu longo túnel — Do Fusquinha Vermelho ao Pretinho

Uma viagem pela Carvalho Pinto, os túneis rumo ao Vale do Paraíba, o Pretinho da Juliana e uma buzina que, décadas antes, transformava o Fusquinha vermelho do meu pai numa pequena locomotiva dentro da montanha.

Quando publiquei este pequeno vídeo em 2016, escrevi poucas linhas.

Era apenas mais um daqueles fragmentos de viagem que eu gostava — e continuo gostando — de guardar.

Estávamos percorrendo a SP-070, Rodovia Governador Carvalho Pinto, seguindo em direção ao Vale do Paraíba. No volante estava Juliana e conosco estava seu famoso Pretinho, o Ford New Fiesta 2013 que durante anos nos levou para mil e uma aventuras.

Naquele momento, entretanto, minha preocupação cinematográfica era bastante simples:

Quero gravar o barulho do motor dentro do túnel.

Naturalmente, o vento resolveu participar da produção e praticamente destruiu minha sofisticadíssima engenharia de áudio.

😂

Mas hoje, dez anos depois daquela publicação, percebo que existe muito mais dentro desse pequeno vídeo.

Porque atravessar aqueles túneis também significa atravessar várias décadas das minhas próprias memórias.


🛣️ Antes da Carvalho Pinto existia outro Vale do Paraíba

Para minhas memórias pessoais, a SP-070 é uma estrada relativamente nova.

Quando eu era garoto, durante os anos 1970 e 1980, viajar para o Vale do Paraíba significava conhecer outro mapa rodoviário.

Íamos visitar meus tios Santiago e Deise e meus primos Andreia e Marcelo.

E havia basicamente dois mundos possíveis.

Um deles era a famosa — e naquela época bastante temida — Via Dutra.

O outro era formado pelas estradas antigas que atravessavam as cidades do Vale.

Entre elas estava a SP-066, uma daquelas rotas que faziam a viagem parecer muito menos uma ligação entre dois pontos e muito mais uma sucessão de pequenas descobertas.

Cidade.

Estrada.

Outra cidade.

Curva.

Comércio.

Posto.

Igreja.

Casas.

Mais estrada.

Hoje entramos numa rodovia expressa e pensamos principalmente no destino.

Naquelas viagens, entretanto, a própria estrada fazia parte da aventura.



🚗 E naturalmente havia o Fusquinha vermelho

Quem acompanha estas histórias já conhece outro personagem recorrente do Bellacosa Mainframe.

O velho Fusquinha vermelho do meu pai.

Aquele Volkswagen não era apenas um automóvel.

Era praticamente nosso módulo de transporte familiar.

E meu pai possuía alguns algoritmos próprios de economia de combustível.

Um deles provavelmente faria qualquer instrutor moderno de direção defensiva arrancar os poucos cabelos restantes da cabeça:

nas descidas, colocava o Fusquinha na banguela.

😱

O motor diminuía o giro.

O carro descia embalado.

E dentro daquele Fusquinha estava uma família inteira acreditando que aquilo fazia parte da mais avançada tecnologia automobilística disponível.

Era outra época.


📯 Então aparecia um túnel

E túnel possuía uma regra.

Não uma regra escrita.

Muito menos uma regra do Código de Trânsito.

Era uma espécie de protocolo distribuído entre motoristas brasileiros:

ENTROU NO TÚNEL?

BUZINA!

Meu pai afundava o dedo na buzina.

FÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓM!

O som batia nas paredes.

Voltava.

Multiplicava-se.

E imediatamente outros motoristas percebiam o chamado.

FÓÓÓM!

FOM-FOM!

FÓÓÓÓÓÓÓÓM!

Em poucos segundos o túnel inteiro transformava-se numa sinfonia absolutamente caótica de buzinas.

Ninguém havia combinado nada.

Não existia WhatsApp.

Não existia grupo de motoristas.

Não havia aplicativo.

Bastava alguém buzinar.

Outro respondia.

Depois outro.

Era praticamente um protocolo de comunicação veicular analógico.

TCP/IP?

Nada disso.

TÚNEL/IP.

🤣



🔊 O túnel era nosso amplificador

Para uma criança aquilo era fantástico.

A buzina que normalmente produzia um som relativamente banal de repente parecia gigantesca.

O túnel funcionava como uma enorme caixa acústica.

O som refletia nas paredes, no teto e no pavimento e retornava aos nossos ouvidos.

Talvez ninguém dentro daqueles carros estivesse pensando em acústica, reflexão de ondas ou reverberação.

Nós simplesmente sabíamos uma coisa:

dentro do túnel a buzina ficava muito mais legal.

E isso bastava.



🛣️ Então chegou a Carvalho Pinto

Décadas depois, o mapa mudou.

Durante os anos 1990 surgiu a Rodovia Governador Carvalho Pinto.

Uma estrada moderna, larga, planejada como via expressa e conectada à Ayrton Senna, antigamente conhecida como Rodovia dos Trabalhadores, mas após o acidente com nosso querido piloto de Formula 1 foi rebatizada.

Para quem havia conhecido as antigas viagens pelo Vale do Paraíba, aquilo representava uma transformação gigantesca.

A Carvalho Pinto criou uma nova alternativa à congestionada Via Dutra.

De repente o Vale parecia diferente.

São José dos Campos.

Taubaté.

Quiririm.

E, seguindo adiante, nosso destino naquela aventura:

🏔️ Campos do Jordão.

Mas existe uma coisa curiosa sobre estradas.

Podemos construir novas pistas.

Novos viadutos.

Novos túneis.

Novos sistemas de segurança.

Mas não conseguimos construir uma estrada sem que nossas antigas estradas apareçam dentro dela.


🚘 Agora quem dirigia era Juliana

E chegamos novamente ao pequeno vídeo de 2016.

Desta vez não havia Fusquinha vermelho.

Havia o Pretinho.

O Ford New Fiesta 2013 da Juliana.

E quem estava ao volante também não era meu pai.

Era ela.

O Pretinho acabou tornando-se outro personagem das nossas histórias.

Campos do Jordão.

Taubaté.

Quiririm.

Piracicaba.

Passeios.

Estradas.

Finais de semana.

Pequenas viagens que talvez naquele momento parecessem absolutamente comuns, mas que hoje constituem uma espécie de arquivo distribuído das nossas vidas.

E naquele dia estávamos novamente entrando em um túnel.


🎥 “Vou gravar o ronco do motor!”

Minha ideia parecia excelente.

O carro entra no túnel.

O motor produz aquele ronco.

As paredes refletem o som.

Bellacosa registra tudo para a posteridade.

Hollywood poderia começar a ficar preocupada.

Só havia um pequeno problema.

O vento.

😂

O microfone da câmera captou muito mais vento do que motor.

Minha sofisticada produção audiovisual transformou-se praticamente num teste aerodinâmico.

Mas o vídeo permaneceu.

E ainda bem.

Porque dez anos depois percebo que o verdadeiro áudio daquela gravação não estava no microfone.

Estava na minha memória.


📯 Faltava uma buzina

Ao atravessar aquele túnel moderno da Carvalho Pinto, alguma parte do cérebro inevitavelmente voltava para décadas antes.

Para o Fusquinha vermelho.

Para meu pai.

Para aquelas viagens familiares.

E principalmente para aquela mão descendo sobre a buzina.

FÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓM!

Hoje aquele comportamento não combina exatamente com as regras modernas de trânsito.

O Código de Trânsito permite essencialmente o toque breve da buzina como advertência. Usá-la prolongada e sucessivamente simplesmente para produzir uma sinfonia dentro do túnel pode resultar em infração.

Portanto:

crianças, não reproduzam o experimento do velho Bellacosa. 😂

Mas existe uma diferença importante entre repetir uma prática antiga e preservar sua memória.

E aquela memória merece continuar existindo.


🕰️ Duas estradas, dois carros, duas épocas

Talvez seja isso que mais me fascine neste pequeno vídeo.

Na superfície temos simplesmente:

um Ford entrando num túnel.

Mas quando faço um DISPLAY MEMORY, aparece outra coisa.

Anos 1970/80

🚗 Fusquinha vermelho
👨 Meu pai dirigindo
🛣️ Dutra e velhas estradas do Vale
📯 Buzina dentro do túnel
👨‍👩‍👧‍👦 Família viajando

Depois:

2016

🚘 Ford New Fiesta 2013 — o Pretinho
👩 Juliana dirigindo
🛣️ Carvalho Pinto
🏔️ Destino: Campos do Jordão
📍 Taubaté e Quiririm pelo caminho
🎥 Bellacosa tentando gravar o ronco do motor

Os equipamentos mudaram.

As estradas mudaram.

Os carros mudaram.

Os motoristas mudaram.

Mas existe uma linha invisível ligando as duas viagens.


💾 Talvez seja para isso que servem esses pequenos vídeos

Quando gravei aquilo, certamente não estava pensando:

“Estou produzindo um documento histórico para meu eu do futuro.”

Eu estava apenas filmando uma viagem.

Mas talvez seja justamente assim que construímos nossos arquivos mais importantes.

Sem perceber.

Uma fotografia.

Trinta segundos de vídeo.

Um carro passando.

Uma pessoa rindo.

Uma estrada.

Um túnel.

Naquele momento parece banal.

Dez anos depois é memória.

Trinta anos depois talvez seja história.


🥚 Easter egg — o verdadeiro túnel não estava na Carvalho Pinto

Talvez exista ainda outro túnel escondido nesta história.

Não aquele feito de concreto atravessando uma montanha.

Mas aquele existente dentro da memória.

Em 2016, o Pretinho entrou no túnel da Carvalho Pinto.

Por alguns segundos tudo ficou escuro.

Depois apareceu novamente a luz na saída.

Mas dentro da minha cabeça outro veículo entrou junto.

Um pequeno Fusquinha vermelho.

Meu pai estava ao volante.

Nós estávamos novamente indo visitar Santiago, Deise, Andreia e Marcelo.

E justamente quando os dois carros — separados por décadas — pareciam ocupar o mesmo túnel...

meu pai colocou o dedo na buzina.

FÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓM!

Talvez o eco que eu estivesse tentando gravar em 2016 já estivesse reverberando havia quarenta anos.

Bellacosa Mainframe

Algumas estradas levam até uma cidade.

Outras levam de volta para casa.

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Indo para Taubate pela Carvalho Pinto.


Para aqueles que curtem viajar... não existe prazer maior que entrar num túnel. Eu ainda sou da época em que a rapaziada buzinava só para fazer eco.

Este túnel moderno e longo na SP 70 torna a viagem mais divertida, pois permite visualizar coisas diferentes entrando no coração da montanha.



Pena que o audio ficou horrível, mas queria ter gravado o som dos motores no túnel e no fim foi apenas o vento.

sábado, 18 de junho de 2016

Uma volta pelo centro de Campos de Jordao

Bellacosa Mainframe passeando por Campos do Jordão

Um belo dia de inverno

Uma volta pelo centro de Campos de Jordao

Acompanhando os caminhos de ferro, eu observava a paisagem passar lentamente pela janela.

As casinhas típicas apareciam uma depois da outra, quase acompanhando os trilhos. Pelas ruas, havia um movimento anormal de turistas. Muitas motos cortavam o trânsito, surgindo entre carros, esquinas e pequenas multidões.

Era inverno.

Do lado de fora, a cidade parecia especialmente viva.

O roncar dos motores misturava-se a uma música disco que tocava no rádio. Uma combinação estranha, mas perfeita para aquele momento. Eu não tinha pressa. Apenas apreciava a paisagem urbana enquanto o carro avançava lentamente.

Ou tentava avançar.

O trânsito estava um verdadeiro fuá.

Carros por todos os lados, motos passando pelos espaços impossíveis, turistas atravessando, gente procurando onde estacionar, gente olhando mapas, gente simplesmente parada admirando aquilo que para os moradores provavelmente já fazia parte da rotina.

E nós seguíamos devagar.

Metro após metro.

O rádio tocando.

Os motores roncando.

Os trilhos aparecendo de vez em quando ao nosso lado.

E aquela paisagem de inverno passando lentamente pela janela.

Naquele momento, o congestionamento não parecia exatamente um problema.

Era parte da viagem.



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Um belo dia de inverno.


Acompanhando os caminhos de ferro e vendo a paisagem com as casinhas típicas, o movimento anormal de turistas, muitas motos pelas ruas.



Ouvindo o roncar dos motores e uma musica disco na radio e apreciando a paisagem urbana.

O carro lentamente avançando naquele fua de transito, confusao de turistas.
Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

IBM Champion IBM Z COBOL CICS Db2 z/OS Mainframe desde 1988
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