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quinta-feira, 29 de abril de 2010

Kiss×Sis (キス×シス) : Quando um Programador COBOL Descobre que Nem Todo Sistema Herdado é Técnico

 

Bellacosa Mainframe apresenta kiss x sis

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Kiss×Sis (キス×シス)

Quando um Programador COBOL Descobre que Nem Todo Sistema Herdado é Técnico — Alguns São Familiares


Ficha Técnica

  • Título original: キス×シス (Kiss×Sis)

  • Título internacional: Kiss×Sis

  • Autor: Bow Ditama (ぢたま某)

  • Mangá: 2004–2021

  • Anime TV: 5 de abril a 21 de junho de 2010

  • OVA: 22 de dezembro de 2008 a 6 de abril de 2015

  • Estúdio: feel.

  • Diretor: Munenori Nawa

  • Mangá: 25 volumes

  • TV: 12 episódios

  • OVA: 12 episódios

  • Gênero: Comédia romântica, Ecchi, Harém, Slice of Life, Seinen

  • Classificação indicativa: Adulto (+18 em muitos mercados devido ao forte conteúdo sugestivo)  


Introdução

Se existe um anime que virou sinônimo da chamada "era de ouro do ecchi", esse anime é Kiss×Sis.

Durante os anos de 2008 a 2015, poucos títulos ficaram tão famosos por testar continuamente os limites do fanservice quanto esta obra do mangaká Bow Ditama.

Mas reduzir Kiss×Sis apenas a "ecchi" seria ignorar um aspecto interessante: ele é uma enorme sátira sobre adolescência, desejos, tabus sociais e a dificuldade de separar fantasia da realidade.

No universo Bellacosa Mainframe, Kiss×Sis parece um gigantesco ambiente legado onde as regras de negócio são deliberadamente conflitantes para provocar situações inesperadas.


Sinopse

Keita Suminoe perdeu os pais ainda criança.

Seu pai casou-se novamente, fazendo com que ele passasse a viver com duas irmãs gêmeas por afinidade:

  • Ako

  • Riko

Embora não tenham laços de sangue, as duas desenvolvem um amor romântico por Keita.

A partir daí nasce uma competição permanente para conquistar seu coração.

Quase todos os episódios exploram situações cotidianas que rapidamente se transformam em grandes mal-entendidos e humor exagerado.  


História

A narrativa não possui um grande antagonista.

O conflito é totalmente emocional.

Cada episódio funciona como uma pequena aventura envolvendo:

  • provas escolares;

  • festivais;

  • praia;

  • estudos;

  • banhos;

  • visitas;

  • encontros;

  • enfermaria;

  • ciúmes;

  • rivalidades amorosas.

É praticamente um "slice of life" movido por caos romântico.


Personagens

Keita Suminoe

O protagonista.

Estuda para ingressar em um bom colégio e tenta agir com maturidade, mas acaba envolvido em situações absurdas.

Na visão Bellacosa:

É como um programa COBOL em produção que apenas queria executar normalmente, mas recebe centenas de chamados inesperados todos os dias.


Ako Suminoe

A mais romântica.

Carinhosa.

Persistente.

Acredita que conquistar Keita exige demonstrações sinceras de afeto.


Riko Suminoe

Mais impulsiva.

Provocadora.

Competitiva.

Costuma desafiar Ako diretamente.

É responsável por boa parte do humor físico da série.


Mikuni

Colega de escola.

Mais tímida e reservada, representa um contraponto ao comportamento exagerado das irmãs.


Kiryu-sensei

Professora que frequentemente entra nas situações cômicas, ampliando o humor adulto da série.


O Studio feel.

O estúdio feel. ficou conhecido por produzir obras visualmente caprichadas com forte foco em personagens.

Entre seus trabalhos conhecidos estão:

  • Kiss×Sis

  • Oregairu

  • Mayo Chiki!

  • Dagashi Kashi

Em Kiss×Sis, o estúdio apostou em:

  • animação fluida;

  • boa expressão facial;

  • excelente timing cômico;

  • direção dinâmica nas cenas de humor;

  • OVAs com qualidade superior à versão de TV.  


O que torna Kiss×Sis diferente?

Sua proposta era levar o ecchi ao extremo sem deixar de ser uma comédia.

Enquanto muitos animes usam fanservice como complemento, Kiss×Sis faz dele o motor principal da narrativa.

Outro diferencial é a escolha de um tema deliberadamente controverso: o romance entre irmãos por afinidade, explorado de forma exagerada e cômica.


Temáticas

Apesar da aparência superficial, a obra aborda:

  • adolescência;

  • descoberta da sexualidade;

  • amadurecimento;

  • ciúmes;

  • competição;

  • amor não correspondido;

  • limites sociais;

  • construção familiar;

  • vergonha;

  • identidade.


TV x OVA

Uma curiosidade importante:

A série de TV e as OVAs não contam exatamente a mesma sequência de acontecimentos.

As OVAs começaram antes da série televisiva e continuaram sendo lançadas por vários anos. Elas trazem histórias próprias e um nível de fanservice bem mais elevado. Muitos fãs recomendam assistir às duas versões, pois elas se complementam.  


Aventuras

Cada episódio gira em torno de situações comuns transformadas em caos:

  • estudar para provas;

  • cozinhar;

  • visitar templos;

  • brincar na praia;

  • acampamentos;

  • enfermaria escolar;

  • chuva;

  • compras;

  • festivais;

  • encontros românticos.

Como em um sistema legado, qualquer pequena alteração gera uma sequência de eventos inesperados.


As mensagens ocultas

No estilo Bellacosa Mainframe, Kiss×Sis fala menos sobre romance proibido e mais sobre como a adolescência amplifica emoções.

Algumas leituras possíveis:

1. O exagero como humor

Nada é realista.

Tudo é deliberadamente absurdo para provocar risadas.


2. A quebra de tabus

A obra usa situações desconfortáveis para questionar convenções sociais, sem defendê-las como modelo de comportamento.


3. O despertar da vida adulta

Quase todos os personagens estão aprendendo a lidar com sentimentos, limites e responsabilidade.


4. Família reconstruída

Mesmo com a premissa incomum, há uma reflexão sobre famílias recompostas e os novos vínculos afetivos.


Bellacosa Mainframe — A analogia

Imagine um sistema COBOL.

Ele recebe uma alteração simples.

INPUT
 ↓
Pequeno evento cotidiano
 ↓
Mal-entendido
 ↓
Competição entre Ako e Riko
 ↓
Fanservice
 ↓
Interrupção
 ↓
Reset do status
 ↓
Novo episódio

É praticamente um loop de processamento.

Cada episódio termina deixando tudo pronto para a próxima execução.


Curiosidades

  • O mangá permaneceu em publicação por cerca de 17 anos.

  • As OVAs foram lançadas junto com volumes do mangá.

  • A série de TV sofreu censura na transmissão, enquanto DVDs e Blu-rays trouxeram versões sem cortes.  

  • O anime ajudou a consolidar o estúdio feel. como referência em comédias românticas.


Impacto cultural

Entre 2010 e 2015, Kiss×Sis tornou-se um dos títulos mais comentados do ecchi. Para muitos fãs, marcou uma época em que produções televisivas exploravam fanservice de forma muito mais ousada do que hoje.

Também influenciou a percepção do gênero ao mostrar que uma série podia combinar humor pastelão, romance adolescente e situações provocativas em uma única fórmula. Ainda hoje é lembrado como um clássico cult do ecchi e frequentemente aparece em discussões sobre a evolução do gênero. 


Vale a pena assistir?

Se você gosta de:

  • comédia romântica exagerada;

  • ecchi clássico dos anos 2000–2015;

  • humor baseado em mal-entendidos;

  • personagens carismáticos;

  • animação leve e descontraída,

Kiss×Sis continua sendo um dos representantes mais emblemáticos desse estilo.

Já quem procura uma trama complexa ou drama profundo provavelmente encontrará um foco maior nas situações cômicas e no fanservice do que no desenvolvimento narrativo.


quarta-feira, 28 de abril de 2010

Seikon no Qwaser (聖痕のクェイサー)

Bellacosa Mainframe apresenta seikon no owaser

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Seikon no Qwaser (聖痕のクェイサー)

Quando um Programador COBOL Descobre que Até um Sistema Extremamente Controverso Pode Esconder uma Arquitetura Surpreendentemente Elaborada

À primeira vista, Seikon no Qwaser parece apenas um anime criado para chocar. A fama veio principalmente pelo enorme nível de ecchi e pelo inusitado conceito do Soma, elemento central da história. Entretanto, assim como acontece com muitos sistemas legados, quem observa apenas a superfície perde uma arquitetura muito mais rica.

É exatamente o tipo de obra que costuma dividir opiniões. Há quem a abandone após o primeiro episódio, enquanto outros descobrem um universo relativamente complexo envolvendo química, alquimia, religião, organizações secretas e batalhas estratégicas. 


Ficha Técnica

ItemInformação
Título original聖痕のクェイサー (Seikon no Qwaser)
Título internacionalThe Qwaser of Stigmata
HistóriaHiroyuki Yoshino
ArteKenetsu Satō
Mangá2006–2016
Volumes24
RevistaChampion Red
EstúdioHoods Entertainment
DiretorHiraku Kaneko
Primeira temporada9 de janeiro de 2010
Segunda temporadaabril de 2011
OVAPortrait of the Empress
Total36 episódios + OVA

Sinopse

A história gira em torno da Academia Ortodoxa São Mihailov, onde antigas relíquias religiosas escondem segredos capazes de alterar o equilíbrio entre diversas organizações.

Nesse cenário surge Alexander "Sasha" Nikolaevich Hell, um misterioso jovem russo pertencente aos Qwasers, indivíduos capazes de controlar um único elemento químico da tabela periódica.

Sasha domina o ferro.

Outros personagens manipulam:

  • Magnésio

  • Titânio

  • Cobre

  • Zinco

  • Ouro

  • Mercúrio

  • Silício

  • diversos outros elementos.

Cada batalha transforma conceitos de química em poderes sobrenaturais. 


O que é um Qwaser?

O nome deriva de Quasar, objeto astronômico extremamente energético.

No anime, um Qwaser é alguém marcado por um estigma sagrado ("Seikon") que consegue controlar perfeitamente determinado elemento químico.

Pense nele como um programa COBOL especializado.

Um programa processa folha.

Outro processa cartões.

Outro processa VSAM.

Cada um domina apenas sua especialidade.

O mesmo acontece com os Qwasers.


Os principais personagens

Alexander "Sasha" Hell

O protagonista.

Controla ferro.

Extremamente frio.

Calculista.

Seu estilo lembra um operador de produção que nunca entra em pânico durante um ABEND.


Mafuyu Oribe

Representa o lado humano da narrativa.

É quem aproxima Sasha das pessoas.

Funciona como a interface entre o mundo comum e o universo dos Qwasers.


Tomo Yamanobe

Filha do antigo diretor.

Grande parte da investigação sobre os mistérios começa através dela.


Teresa Beria

Uma das personagens mais populares.

Mistura autoridade religiosa com enorme força de combate.


Ekaterina Kurae

Talvez a personagem mais divertida.

Possui enorme carisma.

Seu humor quebra a tensão da série.


A alquimia como linguagem de programação

Aqui aparece uma ideia extremamente interessante.

Os poderes não são "mágica".

Eles obedecem regras.

Cada elemento possui propriedades próprias.

O ferro reage diferente do cobre.

O magnésio diferente do titânio.

Isso cria um sistema relativamente consistente.

É parecido com programação.

Cada linguagem possui suas características.

COBOL resolve negócios.

Assembler resolve baixo nível.

Python resolve automação.

Cada tecnologia possui sua "química".


Religião, ciência e política

Um dos pontos mais curiosos é como o anime mistura:

  • Igreja Ortodoxa

  • alquimia medieval

  • física

  • química

  • organizações militares

  • espionagem

  • símbolos cristãos

  • relíquias históricas

Em vários momentos parece assistir uma mistura entre:

  • Fullmetal Alchemist

  • Index

  • Hellsing

  • Code Geass

com muito mais ecchi.


O elemento mais controverso

É impossível falar da série ignorando seu maior diferencial.

Os Qwasers recuperam energia através do chamado Soma, representado de forma altamente sexualizada.

Esse recurso fez o anime ganhar enorme notoriedade.

Para alguns espectadores, isso prejudica completamente a narrativa.

Para outros, trata-se apenas de um elemento exagerado dentro de uma obra que nunca pretendeu ser realista. 


O que diferencia Seikon no Qwaser?

Enquanto muitos battle shounen utilizam:

  • fogo

  • gelo

  • vento

  • raios

Seikon utiliza literalmente a Tabela Periódica.

Isso torna vários confrontos interessantes.

Um personagem pensa como químico.

Outro como metalurgista.

Outro como físico.

Há batalhas vencidas muito mais pelo conhecimento do elemento do que pela força bruta.


Estilo Bellacosa Mainframe

Imagine um datacenter IBM Z.

Cada LPAR executa uma função.

Cada subsistema domina um serviço.

CICS.

Db2.

MQ.

JES2.

RACF.

Todos trabalham juntos.

Os Qwasers funcionam da mesma maneira.

Cada um domina apenas um recurso especializado.

Nenhum controla "tudo".

Isso lembra bastante a filosofia UNIX:

Faça uma coisa.

Faça muito bem.

Ou ainda a arquitetura dos grandes bancos.

Cada aplicação resolve apenas um domínio do negócio.


As aventuras

Durante a série encontramos:

  • conspirações religiosas

  • artefatos antigos

  • experimentos científicos

  • guerras entre facções

  • investigações

  • duelos entre Qwasers

  • espionagem

  • perseguições

  • proteção de relíquias

A história mistura ação quase o tempo inteiro.


Mensagens ocultas

Apesar do exagero visual, alguns temas aparecem repetidamente.

Conhecimento é poder

Quem domina seu elemento vence.

No mainframe:

quem domina VSAM resolve problemas de VSAM.

Quem domina CICS resolve problemas de CICS.

Especialização continua sendo uma vantagem enorme.


Limitações geram criatividade

Nenhum personagem controla todos os elementos.

Essa limitação obriga estratégias inteligentes.

O mesmo vale para software.

Nem sempre a linguagem mais poderosa é a melhor.


Aparência engana

Quem olha apenas o fan service conclui que a série não possui história.

Mas existe um universo relativamente consistente por trás do exagero.

Isso lembra COBOL.

Muitos dizem:

"é linguagem velha."

Depois descobrem que ela movimenta bilhões diariamente.


Gênero

  • Ação

  • Sobrenatural

  • Ecchi

  • Seinen

  • Fantasia

  • Drama

  • Elementos religiosos

  • Ficção científica leve  


Classificação

Destina-se claramente ao público adulto devido a:

  • violência;

  • nudez frequente;

  • forte erotização;

  • temas religiosos;

  • linguagem sexualizada.

Embora frequentemente confundido com hentai, trata-se de um anime ecchi, ainda que em um nível muito acima da média do gênero. 


Impacto cultural

Quando estreou em 2010, Seikon no Qwaser rapidamente virou assunto em fóruns e comunidades de anime por sua premissa incomum e pelo contraste entre um sistema de poderes criativo e um fan service extremamente exagerado. Até hoje ele é lembrado como um dos títulos mais controversos do ecchi moderno. 

Ao mesmo tempo, muitos fãs apontam que, se o elemento sexual fosse reduzido, a obra teria potencial para ser reconhecida principalmente por seu universo baseado em química, alquimia e estratégia.


Conclusão — A lição para um Padawan COBOL

No universo Bellacosa Mainframe, Seikon no Qwaser ensina uma lição curiosa: não julgue um sistema apenas pela interface.

Assim como um programa COBOL de tela verde pode esconder décadas de engenharia refinada, esse anime esconde uma arquitetura de poderes baseada em elementos químicos, regras bem definidas e conflitos estratégicos sob uma camada de fan service que domina sua reputação.

Para o programador iniciante, a analogia é valiosa: um bom engenheiro de software aprende a enxergar além da aparência. Em produção, importa menos a embalagem e mais a consistência da arquitetura, a clareza das regras e a capacidade do sistema de resolver problemas reais. Essa talvez seja a mensagem mais interessante que um veterano de mainframe pode extrair de uma obra tão peculiar quanto Seikon no Qwaser.


terça-feira, 27 de abril de 2010

☕💀 O que é DISTOPIA — O DIA EM QUE A HUMANIDADE DESCOBRIU QUE O SISTEMA PODIA VIRAR CONTRA O OPERADOR 🖥️🌍

 

Bellacosa Mainframe o que é distopia

☕💀 DISTOPIA — O DIA EM QUE A HUMANIDADE DESCOBRIU QUE O SISTEMA PODIA VIRAR CONTRA O OPERADOR 🖥️🌍

Existe um momento na história da humanidade em que alguém olha para o futuro e pensa:

“Isso aqui vai dar ABEND.”

É exatamente daí que nasce a distopia.

A distopia é o contrário da utopia.
Enquanto a utopia imagina um mundo perfeito, organizado e harmonioso…
a distopia imagina um futuro onde o sistema saiu do controle.

É o cenário onde:

  • governos monitoram tudo,

  • corporações dominam a sociedade,

  • inteligência artificial decide quem vive,

  • pessoas viram números,

  • liberdade vira privilégio,

  • e o operador humano perde acesso ROOT da própria existência.

No fundo…

Distopia é quando a humanidade cria um sistema tão poderoso que acaba virando escrava dele.


🧠 A ORIGEM DA PALAVRA “DISTOPIA”

A palavra vem do grego:

  • “dys” = ruim, defeituoso

  • “topos” = lugar

Ou seja:

“Lugar ruim.”

O termo começou a ganhar força no século XIX, mas explodiu mesmo no século XX, quando guerras mundiais, regimes autoritários e avanços tecnológicos fizeram o mundo perceber uma verdade assustadora:

O progresso também pode destruir.

A humanidade criou:

  • bombas nucleares,

  • vigilância em massa,

  • propaganda estatal,

  • manipulação psicológica,

  • automação social,

  • e sistemas capazes de controlar milhões de pessoas.

Foi aí que escritores começaram a imaginar:

“E se o futuro for um datacenter autoritário gigantesco?”


🖥️ DISTOPIA AO ESTILO MAINFRAME

Imagine um z/OS planetário.

Tudo centralizado.
Tudo auditado.
Tudo logado.

Cada ser humano possui:

  • USERID,

  • privilégios RACF,

  • limite de CPU social,

  • score comportamental,

  • autorização para existir.

Agora imagine:

  • o sistema nunca cai,

  • não existe logout,

  • e o SYSADMIN do planeta não é humano.

Pronto.

Você acabou de entender uma distopia.


🔥 TIPOS DE DISTOPIA

☠️ 1. DISTOPIA AUTORITÁRIA

O Estado controla tudo.

Liberdade?
Cancelada pelo operador.

Características:

  • censura,

  • vigilância,

  • polícia secreta,

  • manipulação da mídia,

  • punição por pensamento divergente.

O exemplo máximo:
1984, de George Orwell.

É o famoso:

“BIG BROTHER ESTÁ MONITORANDO SEU TERMINAL.”


🤖 2. DISTOPIA TECNOLÓGICA

A tecnologia domina a humanidade.

IA controla decisões.
Algoritmos substituem emoções.
Humanos viram periféricos biológicos.

É quando:

  • redes sociais manipulam massas,

  • sistemas preveem comportamento,

  • máquinas tomam decisões éticas,

  • pessoas vivem mais online do que no mundo real.

Aqui nasce o medo:

“O sistema ficou inteligente demais.”


🏢 3. DISTOPIA CORPORATIVA

Empresas substituem governos.

O planeta vira um gigantesco contrato de SLA.

Tudo é privatizado:

  • saúde,

  • água,

  • informação,

  • segurança,

  • identidade.

O cidadão vira cliente vitalício.

É o mundo onde:

o CEO tem mais poder que presidentes.

Cyberpunk ama isso.


☣️ 4. DISTOPIA PÓS-APOCALÍPTICA

O sistema colapsou.

Guerra nuclear.
Pandemia.
Mudança climática.
IA rebelde.
Experimentos biológicos.

Agora sobrou:

  • fome,

  • ruínas,

  • sobreviventes,

  • milícias,

  • cidades destruídas.

É o modo:

“RECOVERY DISASTER FAILED.”


🧬 5. DISTOPIA BIOLÓGICA

A humanidade modifica a própria espécie.

Manipulação genética.
Clonagem.
Eugenia.
Controle reprodutivo.

Pessoas deixam de nascer naturalmente.

O governo ou corporação decide:

  • quem pode existir,

  • quem é “perfeito”,

  • quem será descartado.

Aqui o medo é:

“A humanidade virou produto.”


🌐 6. DISTOPIA SOCIAL

A sociedade parece normal…

Mas algo está profundamente errado.

As pessoas:

  • vivem alienadas,

  • emocionalmente vazias,

  • controladas por entretenimento,

  • anestesiadas por consumo.

Ninguém questiona o sistema.

É o tipo mais assustador porque:

parece muito próximo da realidade.


🧠 POR QUE DISTOPIAS FASCINAM TANTO?

Porque elas são:

  • aviso,

  • crítica,

  • reflexão,

  • medo coletivo,

  • previsão social.

A distopia pega tendências reais e pergunta:

“E se isso continuar sem controle?”

Ela transforma:

  • tecnologia,

  • política,

  • religião,

  • capitalismo,

  • redes sociais,

  • ciência,

  • IA,
    em monstros possíveis.

No fundo…

Distopia é o espelho sombrio da humanidade.


💀 O JAPÃO AMA DISTOPIAS — E EXISTE UM MOTIVO

O Japão viveu:

  • bombas nucleares,

  • trauma tecnológico,

  • colapso econômico,

  • pressão social extrema,

  • hiperurbanização,

  • isolamento humano.

Por isso os animes japoneses criaram algumas das distopias mais pesadas da ficção.

Muitos deles parecem:

um relatório de incidente do futuro.


🔥 10 ANIMES DISTÓPICOS BOM PRA CARAMBA

1. AKIRA

Neo Tokyo virou um caos tecnológico pós-guerra.

Cyberpunk puro.
Explosivo.
Influenciou o mundo inteiro.


2. PSYCHO-PASS

Um sistema mede o nível criminoso da mente humana.

RACF psicológico em tempo real.


3. SHINSEKAI YORI

Humanidade geneticamente modificada tentando controlar a própria evolução.

Uma das distopias mais perturbadoras já feitas.


4. ERGO PROXY

IA, existencialismo e colapso humano.

Pesado, filosófico e lindamente sombrio.


5. SERIAL EXPERIMENTS LAIN

Internet, consciência e identidade.

Esse anime parecia ficção… até virar previsão.


6. TEXHNOLYZE

O fundo do poço da humanidade.

Cyberpunk depressivo e brutal.


7. GHOST IN THE SHELL

Onde termina o humano e começa a máquina?

Clássico absoluto.


8. ATTACK ON TITAN

Sociedade isolada, militarização, manipulação histórica e horror político.

Muito além de “gigantes”.


9. BLAME!

Megaestruturas infinitas controladas por IA fora de controle.

Parece um datacenter cósmico abandonado.


10. CYBERPUNK: EDGERUNNERS

Corporações esmagando humanos em Night City.

Brilhante. Violento. Trágico.


☕ CONCLUSÃO — DISTOPIA É O ABEND DA CIVILIZAÇÃO

Toda distopia nasce da mesma pergunta:

“E se o sistema criado para ajudar a humanidade decidir controlá-la?”

E talvez seja por isso que distopias assustam tanto.

Porque no fundo…
elas não parecem impossíveis.

Algumas já começaram.

🖥️💀

segunda-feira, 26 de abril de 2010

SMP/E for z/OS Workshop – Execution Requirements

 

Bellacosa Mainframe apresenta SMP/E Execition Requirements

SMP/E for z/OS Workshop – Execution Requirements

O dia em que o SMP/E acorda para trabalhar ☕🖥️

Quem já administrou SMP/E sabe: ele não roda sozinho. Antes de qualquer RECEIVE, APPLY ou ACCEPT, existe um ritual sagrado chamado Execution Requirements. É aqui que muita gente tropeça, cria JCL quilométrico ou passa a madrugada brigando com DD statement faltando.

Neste post, vamos destrinchar como o SMP/E é executado, quais datasets ele exige, e por que a alocação dinâmica é um divisor de águas, tudo no melhor estilo Bellacosa Mainframe: prático, direto e com dicas que salvam produção.


🧭 Formas de invocar o SMP/E

O SMP/E pode ser iniciado de duas formas clássicas:

1️⃣ Diálogos ISPF

  • Painéis interativos

  • Geram JCL automaticamente

  • Ideais para aprendizado e tarefas pontuais

2️⃣ Batch (JCL direto)

  • Total controle do ambiente

  • Essencial para automação e produção

  • Base para procedures catalogadas

💡 Dica Bellacosa: ISPF ensina, batch sustenta produção.


⚙️ O coração da execução: GIMSMP

Toda execução do SMP/E passa por ele:

//EXEC PGM=GIMSMP

Ou por uma procedure catalogada que, no fundo, também chama o GIMSMP.

Parâmetros importantes no EXEC

ParâmetroFunção
CSIDataset do Global Zone
DATETimestamp das entradas no CSI
LANGUAGEIdioma das mensagens (default EN)
PROCESSWAIT ou END quando recurso não está disponível

📌 Erro comum: esquecer o CSI e confiar que o SMP/E vai “adivinhar”. Ele não adivinha.


📦 Os datasets primários do SMP/E

O SMP/E trabalha com 10 datasets primários, variando conforme o comando:

DDNAMEFunção
SMPPTSTemporary storage de SYSMOD
SMPMTSTemporary storage de macros
SMPSTSTemporary storage de source
SMPLTSTemporary storage de load modules
SMPSCDSSave control datasets
SMPLOGLog do SMP/E
SMPCSIVSAM cluster do Global Zone
Target ZonesControle do target
DLIB ZonesControle de distribuição

🚨 SMPPTS: pequeno no físico, gigante no impacto

  • SMPPTS é PDS

  • PDS = um único volume físico

  • Limitação real em ambientes grandes

A solução moderna: SMPPTS Spill

SMPPTS
SMPPTS1
SMPPTS2
...
SMPPTS99

🔧 Pode ser definido via:

  • DD statements

  • DDDEFs em todas as zones (GZONE, TZONE, DZONE)

💡 Dica Bellacosa: Se esquecer de definir spill em uma zone, o erro aparece só quando dói.


🗂️ Zones e alocação automática

  • SMPCSI aponta para o Global Zone

  • Zone Index no GZONE permite alocação dinâmica de:

    • Target Zones

    • Distribution Zones

📌 Se não houver DD explícito, o SMP/E consulta o Zone Index.


📥 RECEIVE: datasets clássicos

DDNAMEConteúdo
SMPPTFINSYSMOD input (CBPDO, ESO, CUM)
SMPHOLD++HOLD / ++RELEASE

📼 Curiosidade raiz:

  • CBPDO: SMPPTFIN costuma ser o 5º file

  • HOLDDATA geralmente o 3º file


🔧 APPLY / ACCEPT: quem entra em cena

  • TXLIB / LKLIB → texto de modificação

  • SYSLIB → concatenação de macros, objetos e loads

  • SMPJCLIN → leitura estrutural de SYSGEN / GENERATE

📌 Sem SMPJCLIN bem definido, o SMP/E fica cego para a estrutura do sistema.


🧾 Controle, parâmetros e saída

Comando SMP/E

  • SMPCNTL → comandos

  • SMPPARM → customização

Saídas principais

DDNAMEConteúdo
SMPLISTLIST output
SMPRPTReports
SMPOUTMensagens SMP/E
SYSPRINTSaída de utilities
SMPSNAPDump em erro severo
SMPPUNCHUnload, BUILDMCS

🌐 SMP/E e HFS (Network Install)

  • SMPDIR define diretórios HFS

  • Necessário para RECEIVE FROMNETWORK

  • DDDEF não define arquivo, apenas diretório

📌 Use DD para arquivos, DDDEF para diretórios.


🎯 O problema: DD demais

Resultado clássico:

  • Procedures enormes

  • Duplicadas por zone

  • Difíceis de manter

A solução profissional: Alocação Dinâmica


🔄 Dynamic Allocation: o pulo do gato

O SMP/E busca informações nesta ordem:

1️⃣ DD statements no JCL
2️⃣ Parâmetros EXEC (CSI)
3️⃣ Zone Index do Global Zone
4️⃣ DDDEFs da zone atual
5️⃣ GIMDDALC (SMPPARM)
6️⃣ Defaults

Quando encontra, para a busca.


🏆 Vantagens reais da alocação dinâmica

1️⃣ Override fácil

  • Precisa mudar algo pontual?

  • Basta um DD no JCL

2️⃣ Mesmo DDNAME, datasets diferentes por zone

  • Teste ≠ Produção

  • Sem procedures duplicadas

3️⃣ Menos enqueue, mais controle

  • Dataset liberado a cada SET

  • Não fica preso ao JOB STEP inteiro

💡 Bellacosa Truth: Uma boa estratégia de DDDEF reduz 80% da dor operacional.


📊 File Allocation Report

  • Gerado para todo comando exceto SET

  • Gravado no SMPRPT

  • Lista DDNAME → dataset físico

  • Inclui HFS e links simbólicos

📌 Ferramenta essencial para auditoria e troubleshooting.


🧠 Conclusão Bellacosa

SMP/E não é difícil. Difícil é entender quem manda em quem.

Quando você domina:

  • execução via GIMSMP

  • papel de cada dataset

  • alocação dinâmica

…o SMP/E deixa de ser um monstro e vira um mordomo extremamente exigente.

No próximo capítulo do workshop, entramos no RECEIVE e REJECT, o primeiro passo real da cadeia de instalação.

🚀 Continue firme. Mainframe não perdoa, mas recompensa quem estuda.


domingo, 25 de abril de 2010

📦 Lei do Acúmulo

 

Bellacosa Mainframe e a lei do acumulo

📦 Lei do Acúmulo

Ou: nada surge do nada — tudo é soma, batch após batch

Tem uma coisa que a vida, o mainframe e a filosofia me ensinaram muito bem:

👉 ninguém acorda bom em algo do dia pra noite.

Tudo é acúmulo.
De erros.
De tentativas.
De pequenas vitórias.

E isso tem nome: Lei do Acúmulo.


🧱 O que é a Lei do Acúmulo?

A Lei do Acúmulo diz que:

grandes resultados são consequência de pequenas ações repetidas ao longo do tempo.

Nada explode do zero.
Nada floresce instantaneamente.

É o oposto do imediatismo moderno.


🏛️ Origem do conceito (não oficial, mas ancestral)

Essa lei não nasce num livro só.
Ela aparece em várias tradições:

  • Filosofia oriental (disciplina diária)

  • Budismo (prática constante)

  • Confucionismo (aperfeiçoamento contínuo)

  • Estoicismo (hábitos moldam o caráter)

E no Japão, isso se traduz em conceitos como:

  • Kaizen (melhoria contínua)

  • Shugyō (treino austero)

  • Gambaru (persistir até o fim)


🖥️ Lei do Acúmulo explicada para mainframeiro raiz

Mainframe é a própria encarnação do acúmulo:

  • sistemas construídos ao longo de décadas

  • código escrito, corrigido, remendado

  • conhecimento passado de boca em boca

  • comentários em COBOL mais velhos que o programador

Nada ali nasceu pronto.

Cada:

  • IF

  • PERFORM

  • JCL

  • PROC

é um tijolinho acumulado.


⏳ Vida real: ninguém vira mestre sem acúmulo

✔️ você não aprende COBOL em um fim de semana
✔️ você não cria memória afetiva em um dia
✔️ você não constrói confiança com um ato só

Tudo vem da soma.

E o problema?
Vivemos na era do “resultado imediato”.


🧠 Como praticar a Lei do Acúmulo

🛠️ faça um pouco todo dia
📚 estude mesmo quando não dá vontade
📝 escreva, erre, corrija
👣 aceite progresso lento

Dica Bellacosa:

Melhor um passo diário do que uma corrida anual.


🎌 Curiosidades culturais japonesas

  • Mestres artesãos treinam 30, 40, 50 anos

  • Sushi-chefs passam anos só lavando arroz

  • Calígrafos repetem o mesmo kanji milhares de vezes

Nada disso é glamour.
É acúmulo silencioso.


🥚 Easter eggs do cotidiano

  • Amizades verdadeiras são acúmulo de convivência

  • Sabedoria vem de erros repetidos

  • Memória afetiva nasce de pequenas cenas

É por isso que lembramos:

  • de um cheiro

  • de uma frase

  • de um gesto simples


🤭 Fofoquices filosóficas

  • Quem busca atalho, geralmente se perde

  • Quem ignora o processo, não sustenta o resultado

  • Quem respeita o tempo, chega mais longe


🌱 Importância da Lei do Acúmulo

Ela nos ensina:

  • paciência

  • constância

  • humildade

A Lei do Acúmulo é o antídoto contra:

  • ansiedade

  • imediatismo

  • frustração moderna


📌 Conclusão (modo batch encerrado)

Nada do que importa vem rápido.

Tudo o que vale a pena:

  • se constrói

  • se soma

  • se acumula

No fim, a vida é isso:

um grande processamento em lote, onde cada passo conta.

E quem entende a Lei do Acúmulo…
aprende a respeitar o tempo —
e a si mesmo.

sábado, 24 de abril de 2010

Lisboa Show na Baia dos Golfinhos no zoologico

Um dia especial no Zoo


O Barbinha esta quase completando 2 anos, com um feriado as portas resolvemos tirar o dia em diversão. Levamos ele num lugar magico que desde pequenino ele gosta de ir.



O Zoológico de Lisboa acreditem ou não com meses de idade trazíamos ele para passear nos jardins, ver animais. Pegar ar fresco e tomar um solzinho gostoso.

E neste dia de festa no Zoo, fomos com ele na Baía dos Golfinhos um tanque imenso onde temos shows com leões marinhos e golfinhos.

Ele amou o show, batia palma, ficava encantado vendo os golfinhos, ganhou beijinho do leão marinho foi demais e essas carinha laroca, toda feliz não tem preço.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

A ESCOLA MARECHAL – O PRIMÁRIO EM QUE NASCEU UM PEQUENO NINJA

 

E.M.P.G. Marechal Juarez Tavola na ponte rasa


A ESCOLA MARECHAL – O PRIMÁRIO EM QUE NASCEU UM PEQUENO NINJA

Um poste estilo Bellacosa Mainframe para o blog El Jefe Midnight Lunch

Existem lugares que a gente não apenas frequenta — a gente sobrevive a eles.
E quando cresce, descobre que ali se forjou todo um jeitão de ser, pensar, sorrir, aprontar e… pular muro.
Para mim, esse lugar atende por um nome pomposo, quase militar, quase burocrático, mas cheio de magia:

EMPG Marechal Juarez Távora.
Vila Rio Branco. Ponte Rasa. 1981–1983.

Se você me conhece hoje — Bellacosa, notívago, escritor de madrugada, professor de mainframe, contador de causos, parkurista aposentado e ninja de Taubaté — saiba que metade disso começou ali.


A rigida professora Cecilia


CAPÍTULO 1 — 1981: O MENINO, A PROFESSORA E O CADERNO DE CALIGRAFIA

Primeira série.
Primeiro ano.
Primeiro choque da vida escolar.

A escola era moderna, enorme, com ambulatório médico, sala odontológica, biblioteca, banda, quadra, refeitório… um luxo educacional para os anos 70/80.
Um verdadeiro data center pedagógico com latas de tinta guache no lugar dos mainframes.

Mas minha professora, dona Cecília, tinha outra visão:
para ela, eu era um menino inteligente demais para o próprio bem.

tarefas e mais tarefas no duro caderno de caligrafia


Eu terminava tudo rápido.
Como castigo?
Me jogava num inferno chamado caderno de caligrafia.

E mais: como sou canhoto, ela implicava com a letra “torta” e me obrigava a escrever como destro.
Imagina a cena: um Bellacosa mirim, lutando contra a própria natureza, escrevendo torto com a mão errada, caligrafia virando uma pista de autorama.

amizades e boas lembranças do primario


Mas nos intervalos, renascia o guerreirinho:
eu e meu amigo Fábio desenhávamos monstros, heróis tokusatsu, ciborgues e robôs no verso das folhas.

Aqui vai um adendo, além dos versos de folhas, usávamos envelopes de laboratórios fotográficos, onde meu pai e o avô do Fabio, traziam os frutos de seus trabalhos como fotógrafos, reaproveitando folhas e criando mundos imaginários.

Ninguém segurava a criatividade.

assistindo antigos seriados japoneses


Até que veio o primeiro ato falho da minha carreira criminosa infantil:
um belo dia, cansado da professora, eu disse à minha avó Anna:

Vó, amanhã não tem aula!

E miraculosamente ganhei uma manhã deliciosa, vendo TV, vadiando, feliz da vida.

Mas a verdade é como JCL:
se tiver erro, alguém vai achar.

Apareceu a dona Cida, amiga da minha avó, perguntando por que eu não estava indo com o neto dela.
Game over.
Castigo.
Sermão.
E um Bellacosa devolvido ao Marechal.


uma breve passagem pela banda escolar

CAPÍTULO 2 — 1982: A BANDA, A NÊMESIS DA BIBLIOTECA E O SURDO NO SOL DO MEIO-DIA

Segundo ano.
Agora a máquina estava “aquecida”.

Educação física na quadra.
Banda da escola, a famosa FANFARRA.
Amigos.
Aventuras.

A banda durou pouco — ninguém explica por que alguém achou boa ideia dar um surdo gigante para uma criança de 8 anos carregar meio-dia, no sol de rachar.
Foi meu breve período como aprendiz de músico e roadie mirim.

Mas a biblioteca…
Ah, a biblioteca foi o campo de batalha.

Memorias nao agradaveis da aula na biblioteca


A professora responsável encasquetou comigo.

No dia em que ela ordenou para contar sobre a leitura do livro preferido, falei — na maior inocência — A Roupa Nova do Rei, e ainda fiz o resumo do desaventurado rei.

Num Brasil ainda com cheiro de ditadura militar e paranóia ideológica, elogiar um livro sobre um governante, sendo enganado por larápios, e humilhado em sua soberba e que anda pelado, pode ter soado… digamos… “subversivo”.

A professora me fuzilou com os olhos.
Me expôs na frente da classe.
E eu, ferido no ego e no orgulho, comecei a fugir das aulas de leitura por semanas.

Claro que a fuga acabou em outra reunião de pais.
Outro sermão.
Outro castigo.

A vida escolar é um loop: INPUT → PROCESS → ERROR → MSG → REPROCESS.


Ninja fugitivo pulando o muro da escola


CAPÍTULO 3 — OS RUFÍAS, O MAIORIAL E O NINJA DE MURO

Também havia os rufias da escola — toda escola tem seus mini-vilões.

E eu abusado e expansivo, entrei em conflito com uns rufias.
A diferença é que eu tinha um trunfo, ou melhor meu pai:
Que comentou com um amigo o problema do pequeno Vagner. Claro que socorrido pelo filho deste amigo, um veterano do quinto ano, que resolveu o problema rapidinho.
Eu ganhei o status de intocável. e eu sendo eu mesmo: virei “maiorial”.

Mas nada — absolutamente nada — marcou tanto quanto o muro.

Houve um tempo em que eu morava colado ao Marechal.
Muro compartilhado, porta da fantasia sempre aberta.

brigas e desafenças na saida da escola


E eu…
ah, eu entrava e saía da escola pulando o muro como um ninja.
Parkour puro.
Desde pequenino gostei das alturas e já era expert em escaladas e andar por muros, os orixás que me perdoem...

Velocidade, impulso, aterrissagem limpa.

Em poucos minutos estava em casa assistindo desenho, como um passe de magica, magia de teletransporte,  ou somente um travesso escalando e pulando o grande muro da escola.

Se o Naruto tivesse nascido na Ponte Rasa, o jutsu dele teria minha assinatura.


um anjo da guarda durão e bom de briga


CAPÍTULO 4 — O ANO DA TRANSMUTAÇÃO (1983)

1983 foi rajada de vento que virou a prancheta da minha vida de ponta-cabeça.

Mudamos para Pirassununga. 

Houve o caos.

Houve incêndio.

Voltamos para São Paulo.

doces e memoraveis lembranças da infancia


Houve a separação e a primeira deportação a Guaianazes.

Morei com meus bisavós Francisco e Isabel.
Voltei para o Marechal.
Fiquei um bimestre.
Fui para Taubaté.

Fim da linha.
O Marechal virou memória.
Mas que memória…

uma deliciosa merenda deliciosa


As merendas quentes.
Os amigos.
As aventuras.
A banda, a quadra, a biblioteca, o surdo gigante, o muro.
Três séries de caos, magia e infância.

sonhando em longas viagens pelo mundo

Ali eu aprendi:
• que caligrafia não define ninguém,
• que bibliotecas podem ser selvas,
• que amigos do quinto ano são firewall,
• que mentiras infantis têm monitoramento ativo,
• que o menino Bellacosa já treinava parkour sem saber,
• que crescer é sobreviver,
• e que toda escola é um pequeno mainframe:
roda programas, grava memórias, causa erros, corrige caminhos.

E, no meu core dump da vida,
a EMPG Marechal Juarez Távora ocupa uma das áreas mais quentinhas da storage.

Esta escola foi o pontapé inicial, me mostrou que o mundo não tinha limites, que bastava sonhar e correr atrás desses sonhos, se arriscar, levar nãos, quebrar a cara, mas mesmo assim, levantar-se e recompor-se.

Ser o ISEKAI que o pequeno Vagner Renato Bellacosa se tornaria o homem dos dois continentes, atravessador de oceanos, com altos e baixos, coração partido e partindo corações, vivendo, sorrindo e chorando, às vezes ambos ao mesmo tempo.

Mas sem medo de Viver, às vezes se expondo a risco, trocando o certo pelo duvidoso, sempre naquela ânsia de viver o dia de hoje, como se fosse o último, sem arrependimentos.

olhar para o passado cheio de nostalgia e satisfação




Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

IBM Champion IBM Z COBOL CICS Db2 z/OS Mainframe desde 1988
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