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sábado, 29 de dezembro de 2018

Brasil 2018: quando o sistema foi reiniciado à força e ninguém leu o README

 

Bellacosa Mainframe e o caos brasileiro em 2018

Brasil 2018: quando o sistema foi reiniciado à força e ninguém leu o README

Meu quinto ano de volta ao Brasil foi 2018. Se 2017 tinha sido o ano do cansaço, 2018 foi o ano do susto. Aquele momento em que alguém, exausto de ver o sistema falhar, decide reiniciar tudo no grito — sem diagnóstico completo, sem plano de contingência, sem saber exatamente o que será perdido no processo.

Depois de doze anos na Europa, eu já reconhecia esse padrão. Vi versões parecidas em outros lugares: quando a política falha por tempo demais, o medo vira argumento, e o argumento vira arma.

Economia: estabilidade de papel, insegurança real

Economicamente, 2018 parecia estável apenas nos relatórios. O chão continuava irregular. Empregos mais frágeis, renda achatada, informalidade disfarçada de empreendedorismo. Era como rodar um sistema que não cai mais, mas também não entrega desempenho.

Para quem viveu fora, o contraste seguia brutal: na Europa, crise vem com proteção mínima. No Brasil, a lógica parecia outra — o sistema se preserva, o usuário se adapta. A economia seguia deixando rastros, não caminhos.

O brasileiro já não planejava. Administrava danos.

Sociedade: medo como política pública informal

Socialmente, 2018 foi dominado pelo medo. Medo do outro, medo do colapso, medo de perder o pouco que restava. As eleições amplificaram isso. A política deixou de ser espaço de projeto coletivo e virou campo de batalha emocional.

Bolsonaro emergiu não apenas como candidato, mas como sintoma. Para quem voltou da Europa, o padrão era reconhecível: discurso simples, soluções duras, nostalgia de ordem, promessa de força. O “terror da direita” não era só retórico — era a normalização do autoritarismo como resposta ao caos.

Quando o sistema falha demais, alguém sempre promete apertar o botão vermelho.

Cultura: o fim da nuance

Culturalmente, 2018 matou a nuance. Tudo virou rótulo. Ou você estava “dentro” ou “fora”. A complexidade foi tratada como defeito moral. O diálogo virou fraqueza. A dúvida virou crime.

Para quem passou anos em sociedades onde discordar não rompe laços automaticamente, foi doloroso assistir à dissolução do espaço comum. Arte, humor, conversa de bar — tudo contaminado por tensão política constante. O país parecia rodar em high availability, mas com latência emocional altíssima.

População: sobrevivendo em modo defensivo

O povo em 2018 já não reagia — se defendia. As pessoas se fecharam em bolhas, em narrativas próprias, em pequenos círculos de confiança. Vi gente boa se calar para evitar conflito. Vi outras gritarem para não desaparecer.

O brasileiro, resiliente como sempre, seguiu em frente. Mas agora com armadura. E armadura pesa.

Eleições: quando o sistema escolhe o risco

As novas eleições não foram um debate sobre futuro — foram um plebiscito sobre frustração. Bolsonaro venceu não porque apresentou um projeto consistente, mas porque encarnou a negação de tudo que estava aí. Foi um voto de ruptura, não de construção.

Como ex-imigrante, a sensação foi clara: o Brasil escolheu rodar uma versão experimental do sistema em produção. Sem testes suficientes. Sem rollback confiável.

Veteranos de mainframe sabem: isso nunca termina bem.

Vida pessoal: o colapso e o recomeço

E enquanto o país passava por sua própria ruptura, minha vida pessoal também atravessava um cutover. 2018 marcou o fim da Juliana e o início da Ana Paula. Não como metáfora política barata, mas como sincronia estranha entre o macro e o micro.

O fim de um ciclo longo, conhecido, já desgastado. O início de algo novo, incerto, mas necessário. Assim como o país, eu estava cansado de remendos. Precisava de verdade, não de estabilidade artificial.

Às vezes, o sistema pessoal também precisa cair para ser reconstruído com mais honestidade.

Quinto ano pós-retorno: sem ilusões

Em 2018, já não havia ilusão alguma. Nem sobre o Brasil, nem sobre mim mesmo. Eu já não esperava normalidade europeia nem redenção automática brasileira. Entendi que tinha voltado para um país em disputa profunda — de narrativa, de valores, de futuro.

O sistema seguia ligado, sim. Mas agora sob nova administração, com operadores dispostos a sacrificar segurança em nome de controle, e usuários divididos entre esperança desesperada e medo resignado.

Epílogo: lição dura de sistemas críticos

2018 ensinou uma das lições mais antigas de qualquer ambiente complexo:
quando a frustração substitui o projeto,
qualquer solução parece aceitável —
até que o custo aparece.

O Brasil de 2018 não escolheu um caminho claro.
Escolheu um risco.

E todo operador experiente sabe:
reiniciar um sistema sem entender por que ele falhou
é a forma mais rápida de repetir o erro —
só que com consequências maiores.


domingo, 23 de dezembro de 2018

🍖 O Grande Mistério do Osso Gigante dos Animes!

 

Bellacosa Mainframe e o grande misterio da carne no osso de animes

🍖 O Grande Mistério do Osso Gigante dos Animes!

O Dia em que um Programador COBOL Descobriu que Todo Herói de Isekai Come a Mesma Carne... e Ela Nem Existe Desse Jeito!

"Padawan... você já reparou que não importa se o protagonista está numa taverna medieval, num reino demoníaco, numa guilda de aventureiros ou derrotando o Rei Demônio... sempre aparece alguém segurando um pedaço colossal de carne no osso?"

É quase um protocolo.

Chega a comida...

🍺 caneca de cerveja.

🍞 pão rústico.

🥔 batata.

E...

🍖 O OSSÃO DA FELICIDADE™.

Bellacosa Mainframe e a marcante carne

O protagonista pega aquilo com uma mão só e...

NHAC! NHAC! NHAC!

...

Como bom programador COBOL, você olha para aquilo e pensa:

"Que corte bovino é esse?"

A resposta é maravilhosa.

Na maioria das vezes... não é corte nenhum.


A Carne Oficial dos Animes

Ela possui propriedades curiosíssimas.

✔ cabe numa mão

✔ pesa uns 3 kg

✔ cozinha em cinco minutos

✔ nunca tem gordura

✔ nunca tem nervo

✔ o osso fica perfeitamente limpo

✔ parece uma coxa de dinossauro

É praticamente um...

01  MEAT-ON-BONE.
    05 TASTE         PIC X(100).
       VALUE "ABSURDAMENTE DELICIOSA".

A origem da inspiração

Curiosamente...

Ela vem muito mais da cultura ocidental do que da japonesa.

Durante décadas, filmes americanos mostravam banquetes medievais.

Reis.

Cavaleiros.

Vikings.

Piratas.

Todos segurando enormes pedaços de carne.

Hollywood exagerava.

Os ilustradores japoneses copiaram essa linguagem visual porque...

ela comunica imediatamente uma ideia.

Sem escrever uma palavra, você entende:

"Essa comida é farta."


Bellacosa Mainframe anime que é anime tem banquete tem carne no osso 

É um ícone visual

Mangá é economia.

Anime também.

Imagine desenhar isto:

🥩 Contra-filé

ou

🍖 um pedaço gigante no osso.

Qual chama mais atenção?

O segundo.

O leitor bate o olho e pensa:

"Nossa... que banquete!"


O verdadeiro culpado é...

Os Flintstones.

Sim.

Fred Flintstone praticamente inventou esse clichê moderno.

Aquele famoso bife gigantesco que fazia o carro de pedra tombar virou um dos maiores símbolos da cultura pop.

Depois vieram:

  • Asterix

  • filmes medievais

  • cartoons

  • RPGs

  • videogames

  • mangás

  • animes

Hoje virou patrimônio cultural dos isekais.


Mas existe isso na vida real?

Existe.

Só que...

Não daquele tamanho.

As inspirações mais comuns são:

🍖 Costela bovina

A campeã.

A costela possui bastante carne entre os ossos.

Depois de muitas horas no fogo...

fica exatamente com aquele aspecto suculento.

Só que...

ninguém segura uma costela inteira com uma mão.


🍖 Prime Rib

Também chamado de:

  • Bisteca bovina

  • Chuleta

  • Rib Steak

É um corte bonito.

Possui um osso grande.

Visualmente lembra bastante alguns animes.


🍖 Tomahawk Steak

Esse é provavelmente o campeão da inspiração moderna.

Image

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Quando você vê um Tomahawk...

você entende imediatamente de onde vieram vários desenhos modernos.

A diferença é que...

O Tomahawk pesa facilmente mais de 1 kg.

O protagonista do anime parece comer três deles no café da manhã.


🍖 Ossobuco

Outro candidato.

Só que normalmente vem cortado em fatias.

Não tem aquele formato de "clava" gigante.


🍖 Pernil

Muitos artistas misturam carne bovina com pernil suíno.

Na prática...

o desenho parece uma mistura de:

  • costela

  • pernil

  • coxa de peru

  • carne de javali

Tudo ao mesmo tempo.


E por que sempre tem osso?

Porque o osso comunica poder.

Observe a diferença.

🥩 Bife

Parece almoço.

🍖 Carne no osso

Parece recompensa após derrotar um dragão.

É praticamente um item lendário.


A Física Não Fecha

Vamos analisar como um engenheiro faria.

INPUT:
- Osso enorme
- Carne enorme

OUTPUT:
- Herói feliz

BUG:

Peso estimado:
4 kg

Consumo:

15 segundos

ABEND.

Nem o Hulk faz isso.


O Programador COBOL faz diferente

Enquanto o aventureiro diz:

"Finalmente uma refeição!"

o COBOL pensa:

IF MEAT-SIZE > MOUTH-SIZE
    PERFORM CUT-INTO-SMALLER-PIECES
ELSE
    PERFORM EAT
END-IF.

Muito mais seguro.


Existe um significado escondido?

Existe.

Na narrativa japonesa, comida representa muito mais do que alimentação.

Ela representa:

🍖 paz

🍖 amizade

🍖 recompensa

🍖 prosperidade

🍖 pertencimento

Depois de vários episódios sofrendo...

o herói finalmente pode relaxar.

Por isso quase sempre aparece:

  • fogueira

  • carne

  • cerveja

  • risadas

É um momento de descanso antes da próxima batalha.


Em isekais isso virou tradição

Observe quantos fazem isso:

  • Konosuba

  • Overlord

  • Campfire Cooking

  • Goblin Slayer

  • Log Horizon

  • Tsukimichi

  • Re:Monster

  • Farming Life

  • Mushoku Tensei

  • Black Summoner

É quase obrigatório.

Se apareceu uma taverna...

apareceu o ossão.


A verdadeira explicação Bellacosa Mainframe

Imagine um restaurante dentro do CPD.

O cozinheiro anuncia:

"Hoje temos picanha."

O operador de mainframe responde:

— Pequena?

— Não.

— Contra-filé?

— Não.

— Costela?

— Também não.

O cozinheiro sorri misteriosamente e abre uma tampa metálica.

Lá dentro está...

🍖 O MEAT FILE VERSION 7.3

Compilado diretamente no Reino Fantástico.

Características técnicas:

  • Compatível com humanos, elfos, anões e dragões.

  • Nunca esfria durante o diálogo.

  • Possui sabor +999.

  • Remove fadiga instantaneamente.

  • Aumenta a amizade entre os personagens em 300%.

  • Gera felicidade com complexidade O(1).

  • Nunca causa colesterol, indigestão ou necessidade de escovar os dentes.

No mundo real, porém, o "primo" mais próximo desse ícone dos animes seria um Tomahawk Steak ou uma costela bovina assada lentamente, com algumas ilustrações também lembrando uma prime rib. O restante é licença artística pura — afinal, desenhar uma carne gigantesca no osso é uma maneira instantânea de dizer ao espectador: "esse banquete é digno de um herói que acabou de salvar o reino".

Porque no universo dos animes existe uma lei que nunca falha:

Quanto maior o osso, maior foi o chefe final derrotado antes do jantar. 🍖😆

sábado, 15 de dezembro de 2018

IBM Mainframe Discovery : Capítulo XII — A Biblioteca Infinita da Galáxia

 

Bellacosa Mainframe apresenta ibm mainframe parte xii

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Capítulo XII — A Biblioteca Infinita da Galáxia

Db2 for z/OS: Onde Bilhões de Histórias São Guardadas Sem Que Uma Única Página se Perca


NONA REGRA DOS GRANDES ARQUIVISTAS CÓSMICOS

Nunca pergunte:

"Onde está o dado?"

Pergunte:

"Como encontrá-lo antes que o Universo envelheça?"

Porque encontrar uma informação em uma tabela com dez registros é fácil.

Encontrar uma única linha entre:

  • cinquenta bilhões de registros;

  • milhares de tabelas;

  • centenas de aplicações;

  • milhões de usuários;

...é outra história completamente diferente.

Hoje visitaremos um dos lugares mais fascinantes de toda a Federação IBM Z.

A gigantesca Biblioteca Universal.

Seu nome é:

Db2 for z/OS.


A Biblioteca Que Nunca Fecha

Imagine uma biblioteca.

Não uma biblioteca comum.

Uma biblioteca planetária.

Ela possui:

  • todos os livros já escritos;

  • todos os jornais;

  • todos os registros médicos;

  • todos os contratos;

  • todas as contas bancárias;

  • todas as reservas de voos;

  • todas as apólices de seguro.

Agora imagine que milhões de leitores entram ao mesmo tempo.

Todos procuram livros diferentes.

Nenhum pode receber o livro errado.

Nenhum livro pode desaparecer.

Nenhuma página pode ser rasgada.

Esse é exatamente o problema que o Db2 resolve.


Antes dos Bancos de Dados

Voltemos algumas décadas.

Imagine um enorme arquivo de aço.

Milhões de pastas.

Um funcionário recebe um pedido.

Começa a procurar.

Corredor.

Prateleira.

Caixa.

Pasta.

Documento.

Enquanto isso...

cem outras pessoas aguardam.

Não escalava.


Então Surgiu Uma Pergunta

"E se existisse um bibliotecário capaz de encontrar qualquer livro em poucos milissegundos?"

Essa pergunta mudou a história da computação corporativa.


O Grande Bibliotecário

Imagine um senhor muito elegante.

Ele conhece absolutamente todos os livros.

Todas as estantes.

Todos os corredores.

Todos os atalhos.

Você apenas pergunta:

"Preciso deste documento."

Ele responde imediatamente:

"Corredor 217.

Estante 14.

Prateleira 3.

Livro 928."

Esse bibliotecário chama-se:

Otimizador SQL.


SQL Não É Mágica

Existe um mito curioso.

As pessoas acreditam que SQL conversa diretamente com o disco.

Na realidade...

SQL faz um pedido.

O Db2 decide como atendê-lo.

É uma diferença enorme.

Você diz:

SELECT *
FROM CLIENTES
WHERE CPF='12345678900'

Você nunca diz:

"Leia exatamente esta trilha do disco."

Quem escolhe isso é o Db2.


A Cidade das Tabelas

Imagine uma gigantesca cidade.

Cada prédio representa uma:

Tabela.

Dentro dela vivem milhões de moradores.

Cada apartamento representa um:

Registro.

Cada morador possui:

nome.

CPF.

telefone.

saldo.

endereço.

Tudo cuidadosamente organizado.


As Ruas da Cidade

Agora imagine tentar encontrar:

João da Silva.

Sem ruas.

Sem números.

Sem mapas.

Levaria dias.

Então alguém inventou:

Índices.


Os Índices — O Índice Remissivo da Galáxia

Pegue qualquer enciclopédia.

Ela possui um índice.

Você procura:

Saturno.

Vai diretamente à página.

Sem precisar ler mil páginas.

Os índices do Db2 fazem exatamente isso.

Segundo Wilhelm G. Spruth, os mecanismos de indexação são fundamentais para que o Db2 consiga localizar informações rapidamente sem percorrer tabelas inteiras sempre que isso não é necessário.


Nem Todo Livro Precisa Ser Aberto

Imagine um bibliotecário.

Alguém pergunta:

— Existe um livro chamado "COBOL"?

Ele consulta apenas o catálogo.

Nem precisa andar até a estante.

O Db2 faz isso milhares de vezes por segundo.


Pages — As Páginas do Livro

Agora chegamos a um conceito importante.

O Db2 não lê registros individualmente.

Ele trabalha com:

Pages.

Imagine um livro.

Você nunca pega apenas uma palavra.

Abre uma página inteira.

Depois outra.

Depois outra.

O banco faz exatamente isso.


Buffer Pool — A Mesa do Pesquisador

Imagine um pesquisador consultando livros.

Ele não devolve imediatamente cada volume.

Primeiro coloca tudo sobre sua mesa.

Assim evita caminhar até a biblioteca repetidamente.

Essa mesa chama-se:

Buffer Pool.

Quando uma página é utilizada frequentemente...

permanece ali.

Resultado?

Muito menos acesso ao disco.

Muito mais velocidade.


O Grande Armazém

Imagine um depósito gigantesco.

Ali ficam guardados milhões de livros.

Esse depósito representa os discos.

O Buffer Pool evita viagens desnecessárias.

Quanto melhor organizado...

mais rápido o pesquisador trabalha.


O Catálogo da Biblioteca

Agora imagine que existe um livro especial.

Ele contém informações sobre:

todos os livros.

todas as estantes.

todos os autores.

Esse livro chama-se:

Catálogo do Db2.

Ele descreve toda a estrutura do banco.

Sem ele...

o bibliotecário ficaria completamente perdido.


O Otimizador — O Mestre dos Caminhos

Agora imagine três rotas até o mesmo destino.

Uma possui trânsito.

Outra está interditada.

Outra está completamente livre.

Quem escolhe?

O GPS.

No Db2 esse GPS chama-se:

Optimizer.

Ele analisa dezenas de possibilidades antes de executar uma consulta.

Seu objetivo é encontrar o caminho mais eficiente.


RUNSTATS — O Recenseamento Galáctico

Mas como o GPS sabe qual estrada está congestionada?

Porque alguém faz estatísticas.

No Db2 esse trabalho chama-se:

RUNSTATS.

Imagine pesquisadores visitando cada bairro.

Eles contam:

moradores.

prédios.

ruas.

movimento.

Essas informações alimentam o Otimizador.

Sem estatísticas...

até o melhor GPS toma decisões ruins.


EXPLAIN — O Mapa da Expedição

Imagine pedir ao bibliotecário:

"Mostre exatamente como pretende encontrar meu livro."

Ele desenha um mapa.

Esse mapa chama-se:

EXPLAIN PLAN.

Todo Programador COBOL Padawan deveria aprender a lê-lo.

Porque ali está escondida boa parte da performance do sistema.


Locks — O Livro Não Pode Ser Rasgado

Agora imagine dois pesquisadores.

Ambos querem editar exatamente a mesma página.

Ao mesmo tempo.

O resultado seria um desastre.

Então surge outro personagem.

O:

Lock Manager.

Ele organiza quem pode modificar determinado dado.

Enquanto um escreve...

os demais aguardam.


Commit — O Carimbo Oficial

Imagine um cartório.

Você assina um documento.

Mas ele só passa a existir oficialmente depois do carimbo.

No Db2 esse carimbo chama-se:

COMMIT.

Até esse momento...

a transação ainda pode voltar atrás.


Rollback — A Máquina do Tempo

Agora imagine que alguém percebe um erro.

Antes do carimbo.

Tudo pode ser desfeito.

Esse mecanismo chama-se:

ROLLBACK.

É como voltar alguns minutos no tempo.


O Diário da Biblioteca

Imagine um bibliotecário anotando absolutamente tudo.

Quem entrou.

Quem saiu.

Quem retirou livros.

Quem devolveu.

Esse diário chama-se:

Log.

Ele registra todas as alterações.

Graças a ele...

o Db2 consegue recuperar informações após falhas.


Recovery — Reconstruindo a Biblioteca

Imagine um meteoro atingindo parte da biblioteca.

Os livros desapareceram.

Fim da história?

Não.

Graças aos Logs e aos Backups, o Db2 pode reconstruir o estado correto dos dados, preservando a integridade das transações.

É um dos pilares da confiabilidade da plataforma.


Data Sharing — Vários Bibliotecários, Uma Biblioteca

Lembra do Parallel Sysplex?

Agora imagine cinco bibliotecários.

Todos consultam exatamente os mesmos livros.

Sem discutir.

Sem criar cópias diferentes.

Esse recurso chama-se:

Db2 Data Sharing.

Ele permite que múltiplas instâncias do Db2 compartilhem os mesmos dados em um ambiente Parallel Sysplex, aumentando escalabilidade e disponibilidade.


O Db2 Nunca Trabalha Sozinho

Curiosamente...

o Db2 raramente aparece sozinho.

Ele conversa continuamente com:

CICS.

IMS.

MQ.

COBOL.

Java.

Python.

REST APIs.

z/OS Connect.

Linux.

OpenShift.

É como a grande biblioteca central da Federação.

Todos passam por ela.


O Que Mudou Desde 2010?

Desde que Spruth publicou seu relatório...

o Db2 evoluiu extraordinariamente.

Hoje encontramos:

  • SQL muito mais inteligente;

  • Compressão avançada;

  • Criptografia transparente;

  • Aceleração analítica;

  • Machine Learning para otimização;

  • Integração com Apache Spark;

  • Hybrid Transaction & Analytics;

  • Pesquisa Vetorial;

  • Busca Híbrida com OpenSearch;

  • IA Generativa utilizando dados corporativos.

O curioso?

A filosofia continua idêntica.

Guardar conhecimento.

Encontrá-lo rapidamente.

Nunca perdê-lo.


Uma Lição Para Além da Tecnologia

Existe uma reflexão escondida neste capítulo.

Conhecimento não vale apenas porque existe.

Vale porque conseguimos encontrá-lo quando precisamos.

O mesmo acontece conosco.

Livros esquecidos em uma estante ajudam pouco.

Conhecimento organizado transforma civilizações.

Talvez seja por isso que bancos de dados e bibliotecas tenham algo em comum.

Ambos preservam a memória coletiva.


Curiosidades do Diário de Bordo

📚 O Db2 for z/OS processa diariamente bilhões de transações em algumas das maiores instituições financeiras do planeta.

🚀 O Otimizador SQL pode analisar inúmeras estratégias diferentes antes de escolher o plano de execução mais eficiente.

🛰️ Buffer Pools reduzem drasticamente o acesso ao disco, mantendo páginas frequentemente utilizadas em memória.

🌌 O Data Sharing permite que múltiplos sistemas IBM Z compartilhem a mesma base de dados mantendo consistência e alta disponibilidade.


Diário de Bordo do Padawan COBOL

Antes de deixar a Biblioteca Infinita da Federação, registre estas coordenadas no seu Holocron Técnico:

✅ O Db2 é muito mais do que um banco de dados; ele é o guardião da memória corporativa.

✅ Índices, Buffer Pools e o Otimizador trabalham juntos para transformar bilhões de registros em respostas obtidas em milissegundos.

✅ COMMIT, ROLLBACK e Logs garantem que a integridade dos dados seja preservada mesmo diante de falhas.

✅ O verdadeiro poder do Db2 não está apenas em armazenar informações, mas em permitir que toda a galáxia corporativa encontre exatamente o dado certo, no instante certo, com absoluta confiança.


Missão Seguinte

No próximo capítulo deixaremos a Biblioteca Galáctica para explorar uma vasta Rede de Comunicações Interestelares: IBM MQ e os sistemas de mensageria.

Descobriremos por que mensagens viajam com muito mais segurança do que chamadas diretas, como filas evitam o caos entre civilizações digitais e por que o IBM MQ se tornou o serviço postal da galáxia corporativa, entregando bilhões de mensagens por dia sem perder uma única encomenda.

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

O Guia Galáctico do IBM Z

Dezoito capítulos e uma conclusão reunidos em um painel interativo. Escolha uma missão, abra no visor e continue explorando diretamente no artigo original.

Não entre em pânico: se o Blogger impedir a exibição dentro do iframe, use “Abrir artigo”. Os links diretos continuam visíveis para leitores e motores de busca.
01

Capítulo I — Não Entre em Pânico!

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02

Capítulo II — A Planta da Nave Mais Duradoura da Galáxia

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03

Capítulo III — A Nave Que Se Recusa a Explodir

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04

Capítulo IV — A Sala dos Cofres Cósmicos

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05

Capítulo V — A Frota Invisível do Transporte Interestelar

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06

Capítulo VI — O Grande Maestro Invisível

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07

Capítulo VII — O Grande Terminal de Embarque da Galáxia

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08

Capítulo VIII — A Metrópole das Transações Infinitas

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09

Capítulo IX — A Federação das Naves Invisíveis

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10

Capítulo X — A Consciência Coletiva da Galáxia

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11

Capítulo XI — O Almirante Invisível da Frota

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12

Capítulo XII — A Biblioteca Infinita da Galáxia

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13

Capítulo XIII — O Serviço Postal Mais Confiável da Galáxia

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14

Capítulo XIV — O Jardim Secreto da Nave

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15

Capítulo XV — O Tradutor Universal da Federação

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16

Capítulo XVI — A Fábrica Automática da Federação

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17

Capítulo XVII — A Última Fronteira Nunca Foi o Espaço

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18

Capítulo XVIII — O Guia Nunca Terminou

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19

Conclusão — Não Entre em Pânico... A Jornada Está Apenas Começando

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sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

🔥 CICS TS 5.5 — O CICS que Chegou para Misturar Linguagens, Node.js e APIs Modernas

 

Bellacosa Mainframe anuncia o CICS 5.5

🔥 CICS TS 5.5 — O CICS que Chegou para Misturar Linguagens, Node.js e APIs Modernas



☕ Midnight Lunch em dezembro de 2018 — a versão que virou referência

Se o CICS TS 5.4 trouxe suporte sólido a Java EE e APIs assíncronas, o CICS TS 5.5 fez algo maior: converteu o CICS em uma plataforma verdadeiramente mixed-language, oficialmente abrindo as portas não só para Java, mas também para Node.js, GraphQL, segurança forte, melhores ferramentas de gestão e integração com o mundo moderno.

📌 Em 2018, o CICS deixou de ser “servidor transacional legado” e virou hub de aplicações corporativas modernas.


📅 Datas de marca

📌 Data de Lançamento (GA): dezembro de 2018
📌 Fim de Vida (EOS): CICS TS 5.5 já passou por ciclos de suporte padrão e hoje muitos sites operam em versões posteriores (5.6, 6.x).

💬 Bellacosa comenta:

“5.5 é o release que diz ‘vem com tudo’ para linguagens que não sejam só COBOL e Java — e ele não disse isso timidamente.”


CICS 5.5

🆕 O que há de novo nas entranhas do CICS 5.5

🟡 Suporte oficial a Node.js

Agora o CICS pode hospedar aplicações Node.js diretamente — sem encanação, sem plugin extra — abrindo caminho para arquiteturas full stack modernas rodando no mainframe.
💬 Bellacosa:

“Antes era Java, depois era JSON… agora é asynchronous JavaScript you can call from TN3270 to Web.”


🟡 Enhancements no CICS Explorer

O CICS Explorer ficou ainda mais capaz e produtivo, com visualizações ampliadas, melhores gráficos de dependências e interfaces que facilitam desde a configuração até a análise de métricas.
📌 Uma IDE CICS amigável que reduz aquele medo clássico do terminal 3270.


🟡 GraphQL API integrado

Uma API moderna que permite consultar relações de recursos CICS — ícones, vínculos de workload, Estados de containers, topologia — com consultas expressivas e instantâneas.
🐣 Easteregg: GraphQL no mainframe? Parece coisa da nuvem… mas é real e é útil aqui!


🟡 Segurança reforçada

✔ Default mínimo TLS elevado para 1.2
✔ Keyrings compartilháveis entre regiões
✔ Novos parâmetros de senha e phrases
✔ Suporte SNI em conexões HTTP
💬 Bellacosa:

“Segurança hoje não é detalhe — é exigência regulatória e 5.5 entendeu isso.”


🟡 Desempenho e Performance

✔ Acesso threadsafe às tabelas de coupling facility
✔ Buffers 64-bit para clientes web
✔ CICS-MQ bridge e trigger monitor melhorados
📌 Performance não é só mais rápido — é mais estável, resiliente e observável.


🟡 Linguagens & Runtime Modernos

✔ Node.js
✔ Java EE 8 / Jakarta EE
✔ Spring Boot chamável via LINK
✔ Mapas e containers exploráveis por EXCI
💬 Bellacosa comenta:

“Aqui o mainframe diz: ‘Scripts também têm lugar na festa’.”


🧠 Melhoria contínua e APARs

O CICS TS 5.5 também coleta APARs de entrega contínua, incluindo melhorias em:

  • JWT e OpenID Connect (OIDC) no Liberty JVM server

  • XML e JSON mapping levels avançados

  • Enhanced policy rule types

  • Db2 thread management

  • GraphQL, enhanced inter-resource relationships

Esses ajustes mostram uma filosofia de evolução sem precisar esperar uma nova major release.


🧠 Curiosidades e Eastereggs Bellacosa

🍺 Compuware e suporte Day One — ferramentas como CAFC deram suporte já no dia do lançamento, o que é sinal claro de parceria e maturidade do ecossistema.
🍺 Node.js e CICS — você pode ter aplicações JS servindo dados corporativos direto do mainframe.
🍺 GraphQL — no universo tradicional, consultas eram pesadas e verbosas; aqui são expressivas e rápidas.


🧪 Exemplo prático — “O Portal que Nasceu no Mainframe”

Uma empresa de seguros tinha:

  • Back-end em COBOL + DB2

  • APIs REST servindo clientes móveis

  • Uma camada Web pesada em Linux

Trasnformação com CICS TS 5.5:

  1. Subiram serviços Node.js rodando em CICS

  2. Configuraram GraphQL para consultar recursos e estados

  3. Integraram APIs modernas com JSON direto dos programas tradicionais

  4. Liberaram dashboards internos sem precisar de middlewares extras

💬 Bellacosa resume:

“De servidor transacional para hub de APIs e serviços mistos — tudo em uma só plataforma.”


🧠 Dicas Bellacosa para Explorar o 5.5

✔ Aproveite Node.js para novas aplicações sem descartar legado.
✔ Amarre GraphQL para inspeções profundas de recursos.
✔ Reforçe TLS, criptografia e keyrings compartilháveis para segurança corporativa.
✔ Use CICS Explorer e atualize para as versões mais novas para visualizar métricas completas.


🎯 Conclusão Bellacosa

CICS TS 5.5 não foi apenas um release.
Foi o ponto onde o mainframe se rebelou contra a estagnação e gritou: “Eu sou moderno, escalável, seguro e ágil!”

✔ Node.js prático
✔ GraphQL explorável
✔ JVM / Java EE atualizado
✔ Segurança reforçada
✔ APIs modernas

🔥 5.5 é o CICS que prova — transacional e moderno podem andar de mãos dadas.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

O Caso do Registro que Não Podia Ser Tocando : Quando um Jovem Programador COBOL Descobriu que Dois Usuários Podiam Roubar Dinheiro Sem Serem Ladrões

 

Bellacosa Mainframe e o caso do registro que nao podia ser tocando

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

O Caso do Registro que Não Podia Ser Tocando

Quando um Jovem Programador COBOL Descobriu que Dois Usuários Podiam Roubar Dinheiro Sem Serem Ladrões

"Existem crimes que deixam impressões digitais. Outros deixam apenas inconsistências no VSAM."


A chuva caía sobre o Centro de Processamento de Dados.

As luzes verdes do IBM Z piscavam lentamente, como se respirassem na escuridão.

Era quase meia-noite.

No monitor 3270, uma única mensagem chamava a atenção do jovem programador COBOL.

RESP = 14

Nenhum ABEND.

Nenhum dump.

Nenhum S0C7.

Nenhum S0C4.

Apenas um simples código de retorno.

Mas, como todo bom investigador sabe, às vezes o menor detalhe esconde o maior dos mistérios.

Foi então que o velho administrador de CICS aproximou-se segurando uma caneca de café.

Sem olhar para o monitor, apenas perguntou:

— Você tentou fazer REWRITE sem entender quem estava segurando a chave do cofre?

O rapaz respondeu:

— Eu só queria alterar um telefone...

O veterano sorriu.

— É exatamente assim que começam todos os grandes mistérios do CICS.

Hoje vamos investigar um dos mecanismos mais importantes de toda a arquitetura CICS: READ UPDATE e REWRITE, dois comandos aparentemente simples, mas responsáveis por proteger bilhões de registros VSAM diariamente em bancos, seguradoras, bolsas de valores, companhias aéreas e órgãos governamentais.

Prepare seu café.

Acenda a luminária verde da mesa.

Porque esta investigação vai muito além de um simples comando COBOL.


O verdadeiro problema nunca foi gravar um registro

Todo programador iniciante pensa assim:

"Quero alterar um cliente."

Então imagina algo parecido com:

Ler

↓

Modificar

↓

Gravar

Parece simples.

E realmente seria...

...se apenas uma pessoa utilizasse o sistema.

Mas o CICS nasceu para outro mundo.

Um mundo onde milhares de pessoas utilizam o mesmo arquivo ao mesmo tempo.

Imagine um banco.

Enquanto você lê este artigo...

Milhares de clientes estão:

  • pagando boletos;

  • transferindo PIX;

  • alterando endereço;

  • consultando saldo;

  • contratando empréstimos;

  • desbloqueando cartão.

Tudo isso pode atingir exatamente o mesmo registro VSAM.

Agora surge a pergunta que assombra arquitetos desde os anos 1970:

Quem ganha quando duas pessoas querem alterar o mesmo registro ao mesmo tempo?


O nascimento do maior vilão dos sistemas online

Seu nome é:

Lost Update

Ele não gera ABEND.

Não trava o CICS.

Não derruba o sistema.

Pior.

Ele produz dados errados.

Imagine o seguinte registro.

Cliente

Saldo

R$ 1.000,00

Agora entram dois caixas.

Caixa A deposita:

+R$ 100,00

Caixa B faz um saque.

-R$ 200,00

Os dois executam:

READ

Ambos recebem:

R$ 1.000,00

Caixa A calcula:

1.100

Grava.

Logo depois...

Caixa B calcula:

800

Também grava.

Resultado final:

R$ 800,00

Mas espere.

O correto seria:

R$ 900,00

Onde desapareceram os R$ 100,00?

Ninguém roubou.

Ninguém fraudou.

Nenhum operador errou.

Foi apenas um clássico caso de Lost Update, um problema de concorrência em que uma atualização sobrescreve a outra por ambas terem partido de uma mesma versão antiga do registro.

É exatamente para impedir esse tipo de situação que o CICS criou um dos mecanismos mais elegantes da computação transacional.


A filosofia do READ UPDATE

Muitos iniciantes acreditam que UPDATE significa:

"Atualize o registro."

Na verdade...

Não.

O UPDATE não grava absolutamente nada.

Ele apenas comunica ao CICS:

"Vou precisar modificar este registro. Reserve-o para mim."

É quase como chegar à biblioteca e colocar um marcador sobre um livro dizendo:

"Estou usando."

Enquanto esse marcador existir...

Ninguém mais pode pegar aquele livro.

No CICS acontece exatamente isso.

EXEC CICS READ
     FILE('CLIENTE')
     RIDFLD(WS-CHAVE)
     INTO(WS-REGISTRO)
     UPDATE
END-EXEC

Observe.

Não houve alteração alguma.

O registro continua exatamente igual.

A única diferença é invisível.

Agora existe um cadeado.

Registro Cliente

──────────────

Saldo

Telefone

Endereço

──────────────

🔒

Esse pequeno cadeado é um dos maiores responsáveis pela confiabilidade dos sistemas bancários modernos.


O cadeado invisível

Esse bloqueio é chamado de lock exclusivo.

Enquanto ele existir:

✔ outro programa pode consultar outros registros;

✔ outras transações continuam funcionando normalmente;

✔ outros clientes continuam utilizando o banco.

Mas aquele registro...

Aquele especificamente...

Pertence temporariamente à sua transação.

É como um investigador isolando a cena do crime.

Até que a perícia termine...

Ninguém entra.


O segundo investigador chega

Imagine agora.

Programa A faz:

READ UPDATE

Registro bloqueado.

Cinco milissegundos depois...

Programa B também tenta atualizar o mesmo cliente.

READ UPDATE

O que acontece?

O CICS responde algo semelhante a:

RESP = 14

Registro bloqueado.

Dependendo da configuração da aplicação, a segunda transação poderá:

  • aguardar a liberação do lock;

  • receber imediatamente a indicação de bloqueio;

  • ou seguir outra estratégia definida pelo sistema.

Perceba a genialidade.

O CICS prefere atrasar uma operação por alguns milissegundos a permitir corrupção dos dados.


REWRITE: a hora da verdade

Depois de alterar a Working-Storage...

Chega o momento mais importante.

EXEC CICS REWRITE
     FILE('CLIENTE')
     FROM(WS-REG)
END-EXEC

Agora sim.

O VSAM grava novamente o registro.

Muitos iniciantes perguntam:

"Ele grava somente o telefone?"

Não.

O REWRITE grava o registro inteiro.

Mesmo que apenas um campo tenha mudado.

Imagine um cadastro.

Nome

CPF

Telefone

Cidade

Saldo

Limite

Nascimento

Endereço

Estado Civil

Você modifica somente:

Telefone

Mesmo assim...

Todo o registro volta ao disco.

Isso acontece porque o VSAM trabalha com registros completos, e o REWRITE substitui a imagem inteira do registro originalmente lido.


O segredo da chave imutável

Existe uma regra quase sagrada.

O REWRITE mantém a mesma chave do registro.

Você pode alterar:

  • telefone;

  • saldo;

  • limite;

  • endereço;

  • e-mail;

  • profissão.

Mas não pode alterar a chave primária.

Se precisar mudar a chave...

O caminho normalmente envolve excluir o registro antigo e gravar outro com a nova chave.

É uma mudança de identidade.

E identidades novas exigem um novo registro.


A importância do COMMIT

Um detalhe frequentemente esquecido pelos iniciantes é imaginar que o REWRITE já libera o registro.

Nem sempre.

Enquanto a unidade lógica de trabalho não termina, o lock pode continuar ativo.

É por isso que o fluxo clássico é:

READ UPDATE

↓

Modificar memória

↓

REWRITE

↓

SYNCPOINT (COMMIT)

↓

Lock liberado

O COMMIT confirma a alteração e encerra aquela etapa da transação.

Se ocorrer um erro antes disso, o sistema pode desfazer a operação, preservando a consistência dos dados.


O perigo dos formulários longos

Imagine esta situação.

Você faz:

READ UPDATE

Depois envia uma tela.

O usuário vai atender o telefone.

Conversar.

Tomar café.

Voltar vinte minutos depois.

Só então pressiona ENTER.

Durante todo esse tempo...

O registro permaneceu bloqueado.

Resultado?

Filas.

Esperas.

Outros usuários impedidos de alterar aquele mesmo cliente.

Por isso existe uma regra de ouro no desenvolvimento CICS:

Nunca mantenha um lock por mais tempo do que o estritamente necessário.

Uma estratégia comum é:

  1. Fazer um READ simples para exibir os dados.

  2. Receber as alterações do usuário.

  3. Executar um READ UPDATE pouco antes da gravação.

  4. Validar novamente.

  5. Fazer o REWRITE.

  6. Finalizar a unidade de trabalho.

Assim, o bloqueio dura apenas alguns milissegundos.


RESP e RESP2: os investigadores silenciosos

Nunca ignore os códigos de retorno.

Um programa robusto verifica cuidadosamente o resultado de cada comando CICS.

Alguns exemplos comuns:

RESPSignificado
00Operação realizada com sucesso
02Registro não encontrado
14Registro bloqueado
20Arquivo ou recurso não encontrado
30Requisição inválida
91Atualização não concluída; investigar a causa

Quando disponível, RESP2 complementa o diagnóstico, fornecendo informações adicionais específicas sobre a condição encontrada.

Um bom programador COBOL não apenas trata o erro; ele entende por que ele ocorreu.


Curiosidade: por que não existe UPDATE como no SQL?

Quem vem do mundo relacional estranha.

No SQL basta escrever:

UPDATE CLIENTE
SET TELEFONE = '11999999999'
WHERE ID = 100;

No VSAM, a lógica é diferente.

Primeiro você obtém o registro.

Depois altera sua cópia em memória.

Só então grava o registro inteiro novamente.

Essa diferença vem da própria natureza do VSAM, que trabalha com registros físicos completos, enquanto o banco de dados relacional manipula colunas e linhas sob um mecanismo diferente de armazenamento.


Curiosidade histórica

Os conceitos por trás de READ UPDATE e REWRITE surgiram muito antes da popularização da internet.

Décadas antes de existirem smartphones, APIs REST ou microsserviços, grandes bancos já processavam milhões de transações simultâneas graças a mecanismos sofisticados de bloqueio, sincronização e recuperação.

Grande parte dessas ideias continua válida até hoje.

Muitas tecnologias modernas reinventaram princípios que os mainframes já utilizavam há décadas.


Passo a passo para atualizar um registro com segurança

Um fluxo típico em uma aplicação COBOL/CICS pode ser resumido assim:

  1. Receber a chave do registro.

  2. Executar READ UPDATE.

  3. Verificar RESP e, quando aplicável, RESP2.

  4. Alterar apenas os campos necessários na Working-Storage.

  5. Executar REWRITE.

  6. Confirmar a unidade lógica de trabalho (SYNCPOINT) ou realizar rollback em caso de falha.

  7. Encerrar a transação.

Parece simples.

E realmente é.

A dificuldade não está na sequência.

Está em compreender por que ela existe.


Dicas de ouro para quem está aprendendo CICS

✔ Nunca execute REWRITE sem um READ UPDATE bem-sucedido.

✔ Mantenha o tempo de bloqueio o menor possível.

✔ Sempre trate RESP e RESP2.

✔ Não altere a chave do registro antes do REWRITE.

✔ Pense em concorrência desde o primeiro programa que escrever.

✔ Lembre-se de que o usuário nunca está sozinho no sistema.

✔ Teste cenários com duas transações tentando atualizar o mesmo registro.

Esses testes ensinam mais sobre CICS do que centenas de exemplos puramente teóricos.


Easter Egg Bellacosa Mainframe 🕵️

Os veteranos do CPD contam uma velha história.

Durante uma madrugada de processamento, um programador jurava que o VSAM "perdia dinheiro".

Após horas analisando dumps, SMF e logs do CICS, nada parecia explicar o problema.

Foi então que um analista aposentado, conhecido apenas como O Guardião do 3270, pediu para ver apenas uma linha do código.

Ali estava:

EXEC CICS READ

Sem a palavra:

UPDATE

O veterano fechou o terminal, tomou um gole de café e disse:

— "O culpado nunca foi o VSAM. O registro estava falando com duas pessoas ao mesmo tempo."

Dizem que, desde então, quem programa CICS nas madrugadas presta mais atenção aos quatro caracteres que mudam completamente o destino de uma transação:

UPDATE


O verdadeiro mistério nunca esteve no REWRITE

Ao final desta investigação, descobrimos que o REWRITE não é o protagonista.

Ele apenas grava o resultado.

O verdadeiro herói é o READ UPDATE, que protege o registro enquanto a alteração está sendo preparada.

É ele quem impede que duas transações sobrescrevam o trabalho uma da outra.

É ele quem preserva a integridade dos dados.

É ele quem garante que milhões de operações bancárias possam acontecer simultaneamente com segurança.

Na superfície, parecem apenas dois comandos COBOL.

Nas sombras do CPD, porém, eles são os guardiões silenciosos da consistência, da concorrência e da confiança que sustentam alguns dos sistemas mais críticos do planeta.

E, como em toda boa revista noir dos anos 1950, o maior mistério nunca foi quem escreveu o código.

Foi descobrir quem estava segurando a chave do cofre quando ninguém mais podia tocá-lo.


segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

🥛 Yakult — o probiótico que conquistou o Brasil antes da internet

 


🥛 Yakult — o probiótico que conquistou o Brasil antes da internet

Por Vagner Bellacosa ☕ — El Jefe Midnight Lunch Edition




Se existe um líquido que atravessou gerações, refrigeradores e lancheiras, esse é o Yakult — o elixir branco-leitoso que promete saúde intestinal, disciplina japonesa e uma dose diária de nostalgia.
Mas por trás daquela garrafinha de 80 ml há uma história que mistura ciência, guerra, fé na biotecnologia e o mais eficiente sistema de distribuição já criado: as Yakult Lady.




🧫 Origem: o bacteriólogo que queria curar o mundo pelo intestino

Tudo começa no Japão dos anos 1930, quando o cientista Minoru Shirota, formado na Universidade Imperial de Kyoto, desenvolveu o Lactobacillus casei Shirota — uma cepa resistente de bactéria boa, capaz de sobreviver ao ácido estomacal e chegar viva ao intestino.
Shirota acreditava que a saúde começava pelo intestino, e que equilibrar a flora intestinal significava fortalecer o corpo todo.
Nascia ali o conceito de “Yakult”, do termo jah-keruto, uma adaptação de “jahurto”, que vem do turco yoğurt — iogurte.

Mas Shirota foi além do laboratório:

Ele não queria vender leite fermentado. Queria vender esperança líquida em tempos de escassez e guerra.




🚴‍♀️ A Yakult Lady — o marketing mais humano do Japão

Nos anos 1950, a Yakult criou algo revolucionário: um exército feminino de distribuição porta a porta.
As “Yakult Lady” — mulheres de uniforme, bicicleta e sorriso treinado — se tornaram ícones urbanos do Japão.
Levavam Yakult nas casas, nos escritórios, nos hospitais, criando vínculo direto com o consumidor.

Quando o modelo chegou ao Brasil em 1968, funcionou como um relógio suíço tropicalizado:
No calor paulistano, entre pães na chapa e sucos de laranja, lá vinha ela — a moça do Yakult — com sua caixa de isopor e o líquido milagroso da infância.
E o Brasil se apaixonou.


🇧🇷 O Yakult brasileiro — sabor de infância e disciplina japonesa

O Yakult chegou oficialmente ao Brasil em 1966, com a primeira fábrica em São Bernardo do Campo (SP).
Nos anos 1970 e 1980, a bebida virou sinônimo de saúde e “comida de criança bem cuidada”.
Comercial icônico, musiquinha chiclete e embalagem inconfundível — o Yakult era o firmware do café da manhã infantil.

E, curiosamente, o sabor brasileiro é diferente do japonês: mais doce, mais suave e um pouco menos ácido, adaptado ao paladar tropical.
Enquanto o japonês é mais “médico”, o nosso é mais “afetivo”.


⚙️ Curiosidades dignas de laboratório Bellacosa:

  • 🧬 O Lactobacillus casei Shirota é uma das cepas mais estudadas do mundo: sobrevive a 10⁹ células por dose!

  • 🍼 A garrafinha de 80 ml é padronizada desde 1955 — um design pensado para ser consumido em três goles exatos, e caber na mão de uma criança.

  • 🌎 O Yakult é vendido em mais de 40 países, mas só no Brasil existe uma versão de 100 ml, criada “porque o brasileiro gosta de repetir o gole final”.

  • 🚲 Há mais de 40 mil Yakult Ladies no mundo, 10 mil só no Brasil.

  • 🧊 Muitos brasileiros bebem Yakult geladíssimo — erro clássico. O ideal é temperatura ambiente, onde as bactérias estão mais ativas.


Bellacosa comenta:

O Yakult é o CICS da nutrição: roda invisível, estável e há décadas sustentando o sistema sem ninguém perceber.
Enquanto refrigerantes vieram e foram, o Yakult manteve uptime de 99,999%, com interface simples e performance constante.

O sabor?
Uma mistura de ciência japonesa, açúcar paulista e carinho de infância.
Beber Yakult é tipo rodar um job JCL de memória afetiva: três goles, e tudo volta ao normal.


💡 Dica do El Jefe Midnight Lunch:

Abra um Yakult gelado numa madrugada de trabalho, sente-se no escuro e ouça o som da tampa estalando.
É o som da infância te dizendo:

“Calma. Ainda dá tempo de consertar o mundo — comece pelo intestino.”

domingo, 9 de dezembro de 2018

Cortejo Elesbão Vive o crime o auto a fuga e a execução de um escravo na Campinas colonial. Parte Ii

O jovem sinhozinho foi morto com requintes de crueldade. Apos muita tortura dois escravos foram acusados pelo crime, julgados foram enviados a Sao Paulo de onde fogem, apos a captura um deles foi enforcado. 

ELESBÃO continua foragido por dois anos, uns dizem que escondido em Itatiba no Quilombo de Brotas outros que foi ao interior. Por fim foi capturado perto de seu antigo lar, enviado ao campo da forca no largo de Santa Cruz, acampamento de quarentena de escravos... foi enforcado e martirizado. 

Mas nossa historia nao termina assim, servindo para curar antigas feridas e incentivar a integracao entre os povos, valorizando a memoria, a cultura e a hamonia entre os povos.

#Campinas #teatroamador #elesbao #elesbantho #elesbaovive #historia #afro #escravo #julgamento


sábado, 8 de dezembro de 2018

Cortejo Elesbão Vive o crime o auto a fuga e a execução de um escravo na Campinas colonial

Primeira parte.

Temos os primordios da historia de Campinas com os bandeirantes invadindo o interior, seguindo os caminhos de peabiru chegam a Mato Grosso de Goias em aprasiveis campinas para capturar indios e procurarem riquezas naturais. 

Passamos pela fundação da vila, os primeiros habitantes, a elevacao, as primeiras eleicoes, a cana de acucar e o primeiros engenhos a chegada dos escravos africano, o ouro verde, ou seja o cafe e as senzalas. 

Por fim chegamos ao assassinato do Sinhozinho. Com a dor de uma mae que perdeu seu filho de maneira tão cruel... a perseguicao aos escravos... com diversas cenas cotidiano da Campinas colonial. Estamos na praca Bento Quirino o local onde surgiu e cresceu esta bela cidade.

#Campinas #teatroamador #elesbao #elesbantho #elesbaovive #historia #afro #escravo #julgamento


Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

IBM Champion IBM Z COBOL CICS Db2 z/OS Mainframe desde 1988