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sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Westworld no CICS — Quando o Cowboy de Chapéu Preto Atravessou a Região, Igor Tentou Dar RETURN e Descobriu que o ABEND Ainda Tinha Balas

 

Bellacosa Mainframe e o westworld no CICS 

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Westworld no CICS — Quando o Cowboy de Chapéu Preto Atravessou a Região, Igor Tentou Dar RETURN e Descobriu que o ABEND Ainda Tinha Balas

Ou: um jovem padawan COBOL entrou no parque de diversões do CICS, confundiu condição excepcional com fim do mundo, encontrou ASRA no saloon, AICA galopando em círculos e aprendeu que capturar o Pistoleiro não significa recuperar a transação


Prólogo — “Temos as férias perfeitas para você”

Em 1973, muito antes de alguém discutir inteligência artificial generativa no café da firma, Michael Crichton escreveu e dirigiu Westworld. O filme mostrava Delos, um parque de diversões para adultos formado por três mundos: o Velho Oeste, a Roma Antiga e a Europa medieval. Os visitantes pagavam para viver fantasias cercados por androides tão convincentes que pareciam humanos.

Tudo funcionava até deixar de funcionar.

Pequenas anomalias surgiam aqui e ali. Um robô recusava uma ordem. Uma cascavel mecânica atacava quando não deveria. Um cavaleiro ultrapassava os limites de segurança. Os técnicos percebiam que alguma coisa estava errada, mas ainda acreditavam que o problema cabia dentro dos painéis da sala de controle.

Então aparece o Pistoleiro, interpretado por Yul Brynner: roupa preta, passos metódicos, olhos artificiais e uma persistência que faria qualquer operador pedir um CEMT INQUIRE TASK. Aquilo que fora criado para perder duelos e divertir visitantes passa a perseguir Peter Martin como se tivesse recebido uma instrução impossível de cancelar.

O filme é uma metáfora quase perfeita para uma região CICS.

Delos é a região. Cada visitante é uma task. Os edifícios são recursos. Os anfitriões são programas. A sala subterrânea representa as equipes de operação. As regras do parque são as definições e controles do CICS. E o Cowboy de Chapéu Preto é o ABEND: ele pode surgir num programa profundo, atravessar níveis lógicos e continuar subindo até encontrar alguém preparado para recebê-lo.

Mas há uma diferença importante: no CICS, não basta atirar no mensageiro, apagar a mensagem da tela e dizer que o parque voltou ao normal. É preciso descobrir o que aconteceu com a unidade de trabalho, o que foi atualizado, o que precisa ser desfeito e se a transação ainda é confiável.

Bem-vindo a Westworld. Favor manter mãos, pés e COMMAREA dentro da transação.




1. Antes do tiroteio: transação, task e programa não são a mesma coisa

Para o programador COBOL iniciante, esses três conceitos às vezes parecem sinônimos. Não são.

A transação é identificada normalmente por um código de quatro caracteres, como TR01. Sua definição informa ao CICS qual programa inicial deve ser executado e contém atributos operacionais importantes.

A task é a instância daquela transação em execução. Se cinquenta usuários executarem TR01, teremos uma mesma definição de transação, mas várias tasks, cada qual com seu número, seu contexto e seus dados.

O programa é o código que executa dentro da task. Uma task pode passar por muitos programas:

TR01
  └── PROGA
        └── LINK PROGB
              └── LINK PROGC

Pense em Delos. “Westworld” é a atração anunciada no catálogo. A visita de Peter Martin é uma execução concreta. O saloon, a cadeia e o hotel são partes diferentes da experiência. Do mesmo modo, a transação é a entrada comercial; a task é a visita em andamento; e os programas são os ambientes atravessados.

Quando ocorre um ABEND, é a task que termina anormalmente. O programa que estava ativo pode ter provocado a falha, recebido a falha ou simplesmente estar no caminho dela.

Essa distinção muda o diagnóstico. Dizer “o programa caiu” é confortável, mas incompleto. O suporte precisa saber:

  • qual região CICS;

  • qual transação;

  • qual número da task;

  • qual programa estava executando;

  • qual nível lógico;

  • qual comando ou instrução falhou;

  • qual unidade de trabalho estava aberta;

  • quais recursos haviam sido alterados.

O código do ABEND é a placa pendurada no saloon. A cena do crime continua lá dentro.



2. Afinal, o que é um ABEND?

ABEND significa abnormal end, ou término anormal. Ele ocorre quando a task não pode — ou não deve — continuar seu processamento normal.

As causas incluem:

  • program check;

  • erro de lógica;

  • dado incompatível;

  • endereço de memória inválido;

  • condição excepcional CICS não tratada;

  • loop ou consumo excessivo de CPU;

  • arquivo fechado ou indisponível;

  • programa inexistente ou desabilitado;

  • falha de autorização;

  • timeout ou purge;

  • erro em comunicação;

  • EXEC CICS ABEND emitido deliberadamente pela aplicação;

  • problema de integridade em uma unidade de trabalho.

O iniciante costuma imaginar que todo ABEND é equivalente a uma explosão. Alguns são explosões. Outros são portas que a aplicação tentou abrir sem possuir a chave. Outros ainda são o próprio programa puxando o alarme porque percebeu que continuar seria perigoso.

Por isso, “eliminar todos os ABENDs” não é uma meta madura. Uma aplicação financeira pode preferir terminar anormalmente e executar backout a continuar depois de uma atualização incompleta.

O objetivo correto é:

evitar falhas previsíveis, tratar condições esperadas, preservar evidências nas falhas inesperadas e proteger a integridade dos dados.

No parque de Crichton, o problema não foi um único robô quebrar. O problema foi o sistema continuar vendendo normalidade enquanto os sinais mostravam que as garantias haviam desaparecido.



3. Condição excepcional não é automaticamente ABEND

Esta é a primeira grande curva da trilha.

Considere:

EXEC CICS READ
     FILE('CLIENTES')
     INTO(WS-CLIENTE)
     RIDFLD(WS-CHAVE)
END-EXEC.

Se a chave não existir, o CICS poderá retornar NOTFND. Isso é uma condição excepcional do comando READ, mas pode ser uma situação normal para o negócio: o usuário procurou um cliente que não está cadastrado.

O que acontecerá depende de como o programa foi preparado:

EstratégiaO que acontece
RESP e RESP2O programa recebe os códigos e decide
HANDLE CONDITIONO controle é desviado para uma rotina
IGNORE CONDITIONA ação padrão é suprimida para a condição
NOHANDLE no comandoO tratamento automático é suprimido naquele comando
Nenhuma proteçãoO CICS aplica a ação padrão, frequentemente um ABEND

Essa é a diferença entre um hóspede não encontrado no hotel e o Cowboy atravessando a recepção a tiros. Os dois são eventos fora do caminho feliz, mas não pertencem à mesma categoria.



4. RESP e RESP2: pergunte ao comando o que aconteceu

Para código COBOL estruturado, RESP e RESP2 geralmente tornam o fluxo mais claro:

01  WS-RESP   PIC S9(8) COMP VALUE ZERO.
01  WS-RESP2  PIC S9(8) COMP VALUE ZERO.

EXEC CICS READ
     FILE('CLIENTES')
     INTO(WS-CLIENTE)
     RIDFLD(WS-CHAVE)
     RESP(WS-RESP)
     RESP2(WS-RESP2)
END-EXEC

EVALUATE WS-RESP
    WHEN DFHRESP(NORMAL)
         PERFORM PROCESSAR-CLIENTE

    WHEN DFHRESP(NOTFND)
         PERFORM INFORMAR-CLIENTE-INEXISTENTE

    WHEN DFHRESP(NOTOPEN)
         PERFORM REGISTRAR-ERRO-TECNICO
         PERFORM ABORTAR-OPERACAO

    WHEN OTHER
         PERFORM REGISTRAR-RESPOSTA-INESPERADA
         PERFORM ABORTAR-OPERACAO
END-EVALUATE.

RESP fornece a condição principal. RESP2 oferece detalhe adicional cujo significado depende do comando e da resposta. Portanto, não existe um dicionário universal de RESP2: é preciso consultar a documentação do comando específico.

Também é preferível comparar com DFHRESP(NORMAL), DFHRESP(NOTFND) e outras constantes simbólicas, em vez de espalhar números mágicos pelo fonte. Daqui a dois anos, ninguém deveria precisar perguntar por que Igor escreveu IF WS-RESP = 13.

Dica de produção

Inicialize as variáveis, teste a resposta imediatamente depois do comando e preserve o contexto antes de executar outras operações CICS. O último comando pode alterar campos do EIB e deixar a equipe investigando o mensageiro em vez do atirador.



5. HANDLE CONDITION: coloque um xerife na esquina

HANDLE CONDITION associa condições CICS a rótulos:

EXEC CICS HANDLE CONDITION
     NOTFND(SEM-CLIENTE)
     NOTOPEN(ARQUIVO-FECHADO)
     IOERR(ERRO-DE-IO)
END-EXEC.

Quando uma dessas condições surgir em comando sujeito ao mecanismo, o controle poderá saltar para a rotina indicada.

É útil, especialmente em programas antigos ou em fluxos bem delimitados, mas exige cuidado. O tratamento fica ativo no nível lógico e pode capturar uma condição gerada longe do ponto onde foi declarado. Em um fonte grande, isso cria um roteiro de faroeste no qual o espectador precisa rever quarenta minutos para descobrir por que alguém entrou pela janela.

Para iniciantes, uma regra prática:

  • use RESP quando a decisão pertence à operação específica;

  • use HANDLE CONDITION quando um desvio controlado realmente melhora o desenho;

  • não misture estilos sem entender precedência e escopo;

  • nunca continue usando uma área de dados quando o comando que deveria preenchê-la falhou.



6. NOHANDLE: retirar o alarme não apaga a fumaça

NOHANDLE impede que os mecanismos automáticos de tratamento sejam aplicados àquele comando:

EXEC CICS READ
     FILE('CLIENTES')
     INTO(WS-CLIENTE)
     RIDFLD(WS-CHAVE)
     NOHANDLE
END-EXEC.

Isso não significa “ignore o erro e considere sucesso”.

Se a leitura falhar e o programa prosseguir:

PERFORM CALCULAR-LIMITE.

WS-CLIENTE pode conter zeros, dados antigos ou conteúdo inconsistente. O erro original era um NOTFND; o erro seguinte pode virar ASRA, cálculo incorreto ou, pior, uma decisão financeira válida sobre o cliente errado.

NOHANDLE sem verificação é Igor cobrindo os olhos do androide e anunciando que o Pistoleiro não consegue mais enxergá-lo.



7. HANDLE ABEND: a última barreira do parque

HANDLE ABEND instala uma saída de ABEND no nível lógico do programa:

EXEC CICS HANDLE ABEND
     PROGRAM('ERRPGM')
END-EXEC.

Em contextos compatíveis, também pode apontar para um rótulo:

EXEC CICS HANDLE ABEND
     LABEL(ROT-ABEND)
END-EXEC.

Ele não deve substituir o tratamento de condições previsíveis. Seu papel é receber falhas anormais, preservar informações e conduzir uma terminação ou recuperação controlada.

Imagine:

PROGA — saída A ativa
  └── LINK PROGB — saída B ativa
        └── LINK PROGC — nenhum handler
              └── ASRA

O CICS procura uma saída no nível atual. Não encontrando, sobe pelos níveis lógicos até localizar uma saída ativa. Se não houver nenhuma, a task termina anormalmente.

Existe apenas uma saída ativa por nível lógico. Declarar outra nesse mesmo nível desativa a anterior. Quando a saída recebe controle, o CICS a desativa antes de executar seu código, evitando reentrada infinita caso o próprio handler falhe.

É o Cowboy de Chapéu Preto atravessando Westworld, Medievalworld e Romanworld. Ele só para quando encontra alguém preparado — ou quando não resta mais parque.



8. CANCEL versus CANCEL: duas placas iguais em portas diferentes

O material que iniciou nossa conversa colocava “CANCEL versus HANDLE ABEND”, mas essa comparação pode induzir o iniciante ao erro.

EXEC CICS HANDLE ABEND
     CANCEL
END-EXEC.

Esse comando desativa a saída de ABEND do nível lógico atual. Ele não ordena, por si só, o encerramento imediato da task.

Já:

EXEC CICS ABEND
     CANCEL
END-EXEC.

é outra operação: cancela as saídas de ABEND em todos os níveis e força o término anormal.

ComandoSignificado
HANDLE ABEND PROGRAM(...)Ativa programa de tratamento
HANDLE ABEND LABEL(...)Ativa rotina local
HANDLE ABEND CANCELDesativa a saída do nível atual
HANDLE ABEND RESETReativa a saída após ela ter recebido controle
ABEND ABCODE('E001')Provoca ABEND definido pela aplicação
ABEND CANCELIgnora todas as saídas e termina a task

No CICS, contexto é munição. A mesma palavra, colocada em outro comando, produz outro resultado.



9. O erro mais perigoso: capturar o ABEND e dar RETURN

Chegamos à cena central.

Suponha uma transferência:

1. Debitar conta A
2. Creditar conta B
3. Gravar histórico
4. Enviar confirmação

O débito é realizado. Antes do crédito, o programa sofre ASRA. O handler registra “erro tratado” e executa:

EXEC CICS RETURN
END-EXEC.

Parece elegante. Não é.

Quando uma saída de ABEND termina com RETURN, o CICS pode devolver controle ao nível lógico superior como se o programa inferior tivesse retornado normalmente. Se a transação atualizou recursos recuperáveis e dependia do ABEND para provocar backout, o backout não ocorre; as alterações podem ser confirmadas.

Assim, uma rotina criada para proteger a aplicação pode transformar:

falha detectável + backout

em:

falha escondida + commit parcial

A própria IBM adverte que, quando é necessário preservar a integridade de recursos recuperáveis, a saída deve terminar com ABEND, não simplesmente retornar. Consulte How it works: Abend exit code.

Um desenho prudente:

ERRPGM-MAIN.

    PERFORM CAPTURAR-CONTEXTO
    PERFORM GRAVAR-LOG-SANITIZADO
    PERFORM NOTIFICAR-OPERACAO

    EXEC CICS ABEND
         ABCODE('E001')
    END-EXEC.

O handler pode registrar e notificar. Mas, se a unidade de trabalho precisa ser desfeita, deve permitir ou provocar o término anormal adequado.

Matar o alarme não mata o Cowboy.



10. Backout, commit e unidade de trabalho

Uma Unit of Work agrupa alterações que devem ser tratadas como uma unidade coerente.

UPDATE VSAM
   +
UPDATE Db2
   +
mensagem persistente
   =
trabalho ainda não confirmado

Quando ocorre um syncpoint bem-sucedido, as alterações recuperáveis são confirmadas. Quando uma task termina anormalmente em condições apropriadas, o CICS pode executar dynamic transaction backout.

Mas nem tudo é automaticamente recuperável:

  • um arquivo precisa estar definido e operado como recurso recuperável;

  • integrações externas podem não participar do mesmo escopo transacional;

  • uma chamada HTTP pode ter sido processada embora a resposta tenha se perdido;

  • uma mensagem pode pertencer a outra unidade de trabalho;

  • efeitos fora do CICS podem exigir compensação;

  • uma UOW distribuída pode ficar in-doubt.

Por isso, “deu ABEND, então tudo voltou” é uma crença perigosa.

Antes de repetir a transação, confirme:

  1. Houve backout?

  2. Algum syncpoint ocorreu antes da falha?

  3. O Db2 confirmou alterações?

  4. A mensagem MQ foi publicada?

  5. O sistema remoto recebeu a solicitação?

  6. Existe chave de idempotência?

  7. A primeira tentativa pode ter terminado com sucesso apesar da resposta perdida?

Retry sem conhecer o estado anterior é o equivalente operacional de colocar dois Pistoleiros no parque para resolver o problema do primeiro.



11. ASRA — o anfitrião perdeu o controle do próprio corpo

ASRA indica que a task terminou por causa de um program check.

Possíveis causas:

  • dado não numérico em operação decimal;

  • subscrito fora dos limites;

  • referência inválida à memória;

  • endereço corrompido;

  • storage já liberado;

  • incompatibilidade de parâmetros entre chamador e chamado;

  • copybooks divergentes;

  • comprimento incorreto;

  • corrupção de storage ocorrida antes;

  • erro em COBOL, PL/I, assembler ou componente chamado.

ASRA não é a causa-raiz; é a categoria. A investigação precisa localizar:

  • programa;

  • offset;

  • statement correspondente no compile listing;

  • PSW;

  • registradores;

  • traceback do Language Environment;

  • áreas de dados envolvidas;

  • versão exata do módulo carregado;

  • cadeia de LINK, XCTL ou chamadas.

Se o load module em execução não corresponde ao listing usado na investigação, o offset pode levar a uma linha inocente. É como analisar o mapa de Westworld da semana passada depois que alguém mudou o saloon de lugar.

A definição oficial pode ser consultada em IBM — ASRA.



12. AICA — o Cowboy que galopa em círculos

AICA indica uma possível runaway task: a task consumiu tempo de execução além do limite considerado aceitável.

Exemplo:

PERFORM UNTIL WS-FIM = 'S'
    ADD 1 TO WS-CONTADOR
END-PERFORM.

Se WS-FIM nunca mudar, temos um loop clássico.

Mas AICA não prova automaticamente “loop infinito”. Também pode sinalizar:

  • processamento legítimo grande demais para uma transação online;

  • algoritmo ineficiente;

  • ausência de pontos de suspensão;

  • volume anormal;

  • configuração inadequada do intervalo de runaway;

  • rotina batch colocada dentro do CICS;

  • instrumentação alterando o tempo;

  • laço que deveria avançar um cursor, mas não avança.

O CICS consegue detectar determinados loops comparando a execução com o intervalo configurado. Algumas chamadas que suspendem a task podem alterar esse comportamento. A investigação oficial está em IBM — AICA.

O conserto não é simplesmente aumentar o timeout. Primeiro determine se o trabalho pertence ao ambiente online, se pode ser paginado, dividido, agendado ou redesenhado.

Dar mais tempo a um loop infinito apenas permite que o Cowboy cavalgue mais longe.



13. AEI9 — a pista errada do infográfico

Aqui existe uma correção objetiva e importante.

O infográfico original apresentou AEI9 como algo relacionado a comando ou parâmetro inválido. AEI9 corresponde a MAPFAIL.

MAPFAIL costuma aparecer no BMS quando:

  • nenhum dado utilizável foi transmitido;

  • o usuário acionou uma tecla sem modificar campos;

  • a entrada chegou sem o formato esperado;

  • o programa esperava dados mapeados, mas recebeu entrada não formatada.

INVREQ, condição associada a requisição inválida, aparece como AEIP nessa família. AEIS corresponde a NOTOPEN.

CódigoCondição
AEI9MAPFAIL
AEIPINVREQ
AEISNOTOPEN
AEIMNOTFND
AEI0PGMIDERR

Essa diferença não é preciosismo. Se o operador procura parâmetro inválido diante de AEI9, perderá tempo examinando o comando errado quando deveria investigar entrada de terminal e BMS. Veja IBM — MAPFAIL.



14. EIB: o bolso do casaco do visitante

O EXEC Interface Block contém informações sobre o contexto da task:

  • EIBTRNID: identificador da transação;

  • EIBTASKN: número da task;

  • EIBTRMID: terminal;

  • EIBDATE e EIBTIME: data e hora;

  • EIBFN: função do último comando;

  • EIBRESP: resposta principal;

  • EIBRESP2: resposta secundária;

  • EIBCALEN: tamanho da COMMAREA recebida;

  • EIBAID: tecla de atenção recebida.

O detalhe crítico é “último comando”. Se o programa de erro executar vários comandos antes de preservar o EIB, poderá sobrescrever a evidência original.

MOVE EIBTRNID TO LOG-TRANSACAO
MOVE EIBTASKN TO LOG-TASK
MOVE EIBTRMID TO LOG-TERMINAL
MOVE EIBFN    TO LOG-FUNCAO
MOVE EIBRESP  TO LOG-RESP
MOVE EIBRESP2 TO LOG-RESP2.

Faça a captura cedo. Depois sanitize e registre.

Também não grave indiscriminadamente senhas, tokens, PINs, CVV, chaves, documentos completos ou COMMAREAs inteiras. Um log excelente para diagnóstico pode ser excelente também para um invasor.



15. Passo a passo do suporte de produção

Passo 1 — Identifique a visita

Colete região, transação, task, usuário, terminal ou canal, horário e correlation ID.

Passo 2 — Leia as mensagens associadas

O código de ABEND sozinho não conta a história. Procure mensagens DFH, logs da região, JES, Language Environment, Db2, MQ e demais componentes relacionados.

Passo 3 — Preserve dump e trace

Não suprima dumps por reflexo. Dump é caro quando existe em excesso, mas ausência de evidência também custa. A política deve equilibrar diagnóstico, volume, privacidade e recorrência.

Passo 4 — Classifique

É program check, runaway, condição EXEC não tratada, autorização, indisponibilidade, purge, timeout, falha distribuída ou ABEND criado pela aplicação?

Passo 5 — Localize o ponto

Para condição CICS, identifique comando, RESP, RESP2, parâmetros e recurso.

Para ASRA, use dump, offset, listing, PSW, registradores e traceback.

Passo 6 — Descubra o que mudou

  • deploy recente;

  • copybook alterado;

  • módulo sem NEWCOPY ou PHASEIN adequado;

  • definição de arquivo;

  • mudança RACF;

  • mapa BMS regenerado;

  • aumento de volume;

  • alteração no programa chamador;

  • erro restrito a uma região ou registro.

Passo 7 — Verifique integridade

Determine commit, backout, syncpoints, mensagens enviadas e efeitos externos.

Passo 8 — Só então decida

Corrigir, recuperar, compensar, reiniciar, repetir de modo idempotente ou escalar.



16. CEDF: visitar o parque com as luzes acesas

CEDF ajuda a observar interativamente o fluxo de comandos CICS. Ele pode mostrar entrada e saída de comandos, condições, opções e sequência de execução.

Mas não é máquina do tempo.

CEDF:

  • ajuda a reproduzir;

  • revela o fluxo;

  • permite examinar comandos;

  • não substitui dump;

  • pode alterar timing;

  • pode esconder problemas concorrentes;

  • exige extremo cuidado em produção.

A combinação forte é:

CEDF para compreender
+ dump para congelar a falha
+ trace para reconstruir a sequência
+ logs para correlacionar componentes
+ listing para localizar a instrução

Observar o Pistoleiro em câmera lenta ajuda. Ainda precisamos saber quem liberou a arma, qual trava falhou e se a sala de controle perdeu energia.



17. Curiosidades escondidas no parque

Easter egg 1 — o Pistoleiro já havia cavalgado antes

O visual de Yul Brynner em Westworld foi construído para lembrar Chris Adams, personagem interpretado por ele em The Magnificent SevenSete Homens e um Destino. Roupa escura, postura e presença criam uma referência cinematográfica deliberada. O robô parece uma cópia de outro cowboy, quase como um módulo recompilado a partir de um fonte antigo.

Easter egg 2 — visão digital antes de CGI virar rotina

O filme foi pioneiro no uso de processamento digital de imagem em longa-metragem para simular a visão pixelada do Pistoleiro. Décadas antes de dashboards coloridos e observabilidade distribuída, Crichton já nos colocava dentro do “sensor” da máquina.

Easter egg 3 — três mundos, três ambientes

Romanworld, Medievalworld e Westworld parecem ambientes separados, mas os defeitos atravessam fronteiras. É uma boa lembrança de que regiões, serviços e plataformas isolados no organograma podem compartilhar dependências invisíveis.

Easter egg 4 — Crichton repetiria a pergunta

Anos depois, Jurassic Park retomaria a ideia de uma atração tecnológica complexa, vendida como controlável, cuja segurança dependia de camadas frágeis e excesso de confiança corporativa.

Easter egg 5 — a frase de marketing

O slogan de Delos prometia férias extraordinárias. Depois do desastre, a promessa volta com ironia. Em TI, o equivalente é o slide que anuncia “zero incidentes” antes de a primeira evidência chegar ao console.

Informações históricas do filme podem ser consultadas na página oficial de Michael Crichton e no relato técnico da American Society of Cinematographers.



18. O mapa de decisão do jovem padawan

Quando um comando CICS não retorna NORMAL, pergunte:

  1. A condição é esperada pelo negócio?

  2. Ela pertence ao comando atual?

  3. Posso tratá-la localmente com RESP?

  4. Alguma área de dados deixou de ser preenchida?

  5. É seguro continuar?

  6. Houve atualização recuperável?

  7. Preciso provocar backout?

  8. Existe efeito fora da unidade de trabalho?

  9. Preciso de dump?

  10. Tenho evidência suficiente antes de emitir outro comando?

Quando ocorre ABEND:

  1. Preserve o código original.

  2. Capture o contexto.

  3. Não mascare falha de integridade.

  4. Não execute RETURN por hábito.

  5. Não repita a transação cegamente.

  6. Não confunda o código com a causa-raiz.

  7. Confirme o estado da UOW.

  8. Diferencie recuperação técnica de recuperação do negócio.



Epílogo — O Cowboy fecha o chamado?

No início de Westworld, os visitantes acreditam que o parque é seguro porque os androides foram programados para obedecer. A confiança nasce da regra escrita, não da evidência operacional.

No CICS, acontece algo parecido. O programa foi testado. O arquivo é recuperável. O handler existe. O log foi criado. A mensagem “erro tratado” apareceu. Tudo isso ajuda, mas nada disso prova que a transação terminou de forma íntegra.

HANDLE ABEND não é um colete à prova de balas. É uma saída program-level que oferece à aplicação uma última oportunidade de decidir o que fazer diante do término anormal.

Às vezes, a decisão será limpar recursos e continuar em um nível superior.

Às vezes, será converter uma falha técnica em resposta controlada.

Às vezes, será registrar o contexto e emitir outro ABEND para garantir o backout.

E muitas vezes, o ato mais profissional será admitir que o estado não é confiável e impedir que a task confirme uma meia verdade.

O programador iniciante aprende sintaxe:

EXEC CICS HANDLE ABEND
     PROGRAM('ERRPGM')
END-EXEC.

O profissional aprende responsabilidade:

Capturar uma falha não significa recuperar o negócio; remover o alarme não restaura a integridade; e nenhum RETURN deve atravessar a porta antes que alguém confira o que aconteceu com o commit e o backout.

Na última cena, o parque permanece silencioso. A sala de controle já não controla nada. Peter Martin sobrevive, mas olha ao redor sem saber exatamente onde terminou a fantasia e começou a falha.

No console do CICS, o Cowboy de Chapéu Preto deixa sua última mensagem:

ABEND CODE IS NOT ROOT CAUSE

Igor olha para o dump, tira lentamente o dedo do CANCEL e finalmente chama o programador que guardou o compile listing correto.

O boteco pode reabrir.

Mas somente depois do backout.



Referências essenciais



quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Discord, WhatsApp e o Tribunal do ABEND — Quando Saul Goodman Entrou na Sala da AGU, Viu Igor Tentando Dar CANCEL na Internet e Perguntou: “Cadê a Evidência, Excelência?”

 
Bellacosa Mainframe e o caso do discord

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Discord, WhatsApp e o Tribunal do ABEND — Quando Saul Goodman Entrou na Sala da AGU, Viu Igor Tentando Dar CANCEL na Internet e Perguntou: “Cadê a Evidência, Excelência?”

Ou: uma tragédia em uma live fechada colocou o Discord no banco dos réus; o jovem padawan COBOL descobriu que nenhuma plataforma enxerga tudo, Saul Goodman pediu proporcionalidade, e o Brasil corre o risco de criar mais uma montanha de leis que ninguém consegue operar em produção.


Prólogo — a tragédia, a manchete e o botão vermelho

Imagine uma sala de operações de banco às três da manhã.

Um alerta aparece em vermelho:

SEV1 — evento gravíssimo detectado
impacto humano: máximo
pressão pública: máxima
prazo para resposta: ontem

A reação correta seria abrir o incidente, preservar evidências, identificar a causa, chamar os especialistas certos, conter o dano e revisar a arquitetura. Mas, no Brasil, às vezes a reação parece outra:

IF MANCHETE-GRANDE = 'SIM'
   PERFORM CRIAR-LEI-EMERGENCIAL
   PERFORM APLICAR-MULTA-GIGANTE
   PERFORM ENCONTRAR-UM-VILAO-VISIVEL
END-IF

O caso envolvendo o Discord, uma adolescente e uma transmissão em ambiente fechado reacendeu uma discussão necessária: até onde uma plataforma digital deve responder por crimes praticados por seus usuários? A Advocacia-Geral da União (AGU) acusa a empresa de falhas de proteção, especialmente relacionadas a menores, e pede medidas técnicas, estruturais e uma indenização coletiva muito alta. O Discord contesta a proporcionalidade da ação e afirma ter cooperado e apresentado propostas de adequação.

Antes de qualquer coisa, uma regra básica que até o mais jovem programador COBOL precisa aprender: acusação não é condenação. Uma tragédia não elimina a necessidade de provar fatos, conexão causal, falha concreta, capacidade técnica e proporcionalidade da resposta.

E aí entra Saul Goodman, advogado fictício, terno berrante, gravata duvidosa e uma habilidade sobrenatural para fazer uma pergunta que muita gente odeia:

“Certo, houve um crime horrível. Mas vocês conseguem mostrar exatamente o que a plataforma sabia, quando soube, o que poderia ter feito e por que não fez?”

Saul não está absolvendo criminoso. Ele está exigindo que o sistema não transforme indignação em atalho jurídico.

Porque o criminoso que coagiu, aliciou, ameaçou ou induziu alguém à violência continua sendo o responsável direto pelo crime. A plataforma pode ter responsabilidade própria? Pode. Mas ela não vira automaticamente autora do ato só porque a comunicação passou por sua infraestrutura.

É a diferença entre culpar o assaltante que roubou o banco e investigar se a agência deixou o cofre aberto, sem alarme, sem câmera, sem vigilante e ignorou três avisos de invasão. São responsabilidades diferentes. Podem coexistir. Mas não podem ser confundidas.



1. A pergunta errada: “por que o Discord não impediu tudo?”

Quando algo terrível acontece on-line, surge a frase mais sedutora e menos útil do debate:

“A plataforma tinha de ter impedido.”

Parece simples. É humana. É emocionalmente compreensível. Mas tecnicamente é uma frase perigosa.

Nenhuma plataforma grande consegue impedir todo crime cometido por usuários. Nem Discord, nem YouTube, nem TikTok, nem Facebook, nem Instagram, nem Reddit, nem WhatsApp, nem Telegram, nem Teams, nem Zoom, nem o grupo da família que encaminha notícia falsa dizendo que café cura crise de storage.

A pergunta séria não é “por que não impediu o impossível?”. É:

“Diante de riscos conhecidos e sinais concretos, a empresa adotou controles razoáveis e reagiu com a rapidez adequada?”

Veja como a troca muda tudo.

No primeiro modelo, a plataforma recebe uma obrigação de onisciência. Ela teria de assistir cada transmissão, interpretar cada conversa, prever cada intenção e interromper cada risco antes de ele se materializar.

No segundo modelo, ela tem uma obrigação de cuidado. Deve avaliar riscos, criar mecanismos de denúncia, reduzir reincidência, combater contas abusivas, cooperar com autoridades, proteger menores, manter canais de emergência e responder a sinais relevantes.

Em COBOL, a diferença seria algo assim:

IF PLATAFORMA-NAO-PREVIU-TODO-CRIME
   MOVE 'CULPADA' TO VEREDITO
END-IF.

Isso é uma regra injusta e impossível de operar.

O modelo mais responsável seria:

IF RISCO-CONHECIDO = 'SIM'
   AND ALERTA-CONCRETO = 'SIM'
   AND CONTROLE-RAZOAVEL-AUSENTE = 'SIM'
   AND DEMORA-EVITAVEL = 'SIM'
   MOVE 'APURAR-RESPONSABILIDADE' TO VEREDITO
END-IF.

Repare no verbo: apurar. Não é passar pano. Não é absolver previamente. É investigar como gente adulta.



2. Live privada não é praça pública — e essa diferença importa

Uma live pública funciona como um palco na avenida. Há tráfego, compartilhamento, algoritmo, comentários, espectadores desconhecidos, denúncias e uma quantidade grande de sinais para sistemas automatizados observarem.

Uma live privada ou feita num servidor fechado por convite é outra arquitetura. Ela se parece mais com uma reunião numa sala trancada. Há menos pessoas, menos circulação, menos contexto externo e, possivelmente, menor capacidade de detecção imediata.

Isso não torna o espaço legalmente imune. Crime em grupo privado continua sendo crime. A plataforma continua tendo deveres. Mas significa que exigir a mesma capacidade de prevenção de um vídeo público e de uma interação fechada pode ser tecnicamente desonesto.

O YouTube, por exemplo, permite lives públicas, não listadas e privadas. Uma live privada pode ser limitada a contas convidadas. O TikTok possui recursos de moderação em LIVE. Facebook e Instagram moderam posts e transmissões, mas têm limitações diferentes em mensagens privadas, especialmente quando há criptografia. O Reddit permite comunidades privadas nas quais só participantes aprovados conseguem entrar. Nenhuma dessas empresas anuncia que possui um policial humano assistindo cada evento privado em tempo real.

A pergunta que Saul Goodman colocaria na mesa é simples:

“Se uma transmissão privada no YouTube, um grupo privado no Reddit ou uma chamada fechada em outra plataforma produzisse o mesmo crime, o Estado aplicaria a mesma tese, a mesma multa e as mesmas exigências?”

Se a resposta for “não”, precisamos saber por quê.

Pode existir uma justificativa. Talvez uma empresa tivesse sido alertada antes. Talvez houvesse reincidência documentada. Talvez existisse uma falha operacional específica. Talvez a arquitetura do serviço tenha facilitado a reentrada de criminosos banidos. Ótimo: então se prove isso.

O que não vale é transformar “Discord” em sinônimo de “a internet perigosa” só porque é uma marca fácil de reconhecer e tem fama de abrigo de gamers, comunidades estranhas, memes de gosto questionável e aquele sujeito que usa avatar de anime para discutir geopolítica às quatro da manhã.



3. A diferença que muda o tabuleiro: criptografia

Agora chegamos ao ponto em que Igor, nosso operador de plantão, derruba o café em cima do manual de segurança:

WhatsApp não consegue ler o conteúdo das conversas e chamadas protegidas por criptografia ponta a ponta.

Criptografia ponta a ponta — ou E2EE, para quem quer parecer que já trabalhou numa sala com ar-condicionado frio demais — significa que apenas os participantes da conversa podem acessar o conteúdo. Nem o WhatsApp, em tese, lê a mensagem como um moderador lendo uma postagem pública.

Isso é ruim? Não. É uma proteção essencial.

Ela protege conversa com advogado, médico, jornalista, familiar, empresa, vítima de violência, dissidente político, ativista, pessoa perseguida e qualquer cidadão que simplesmente não queira que uma empresa ou governo tenha cópia de sua vida privada.

Mas ela cria um problema operacional real: como combater crimes em espaços privados sem transformar o celular de todo mundo em um informante permanente?

A resposta não pode ser: “quebre a criptografia”. Isso seria equivalente a instalar uma porta dos fundos no cofre e prometer que só os mocinhos terão a chave. A história da tecnologia ensina que uma porta dos fundos não reconhece caráter. Ela pode ser usada por Estado democrático, Estado autoritário, criminoso, invasor, funcionário corrupto ou Igor depois de três cafés e uma madrugada sem dormir.

A resposta mais plausível é combinar várias camadas:

  • denúncias fáceis e acessíveis;

  • bloqueio de usuários;

  • análise de comportamento e metadados dentro dos limites legais;

  • limitação de convites e contas recém-criadas em contextos de risco;

  • combate a reincidência;

  • cooperação rápida com investigação judicial;

  • educação digital;

  • proteção reforçada para menores;

  • suporte humano e psicológico para vítimas.

Note a diferença: não é “ler todas as cartas”. É “criar alarmes sem arrombar todas as casas”.



4. O que pode ser cobrado de uma plataforma, de modo razoável?

Plataforma nenhuma deve ser tratada como inocente por definição. Empresas gigantes têm dinheiro, engenheiros, advogados, equipes de segurança e, muitas vezes, uma criatividade impressionante para chamar uma falha de “experiência emergente do usuário”.

Existem cobranças perfeitamente legítimas.

4.1. Verificação etária proporcional

Uma criança não deveria entrar em espaços de alto risco usando apenas uma data de nascimento digitada numa tela. Mas também não é aceitável criar uma internet em que todo adulto precise entregar documento biométrico para assistir um tutorial de JCL.

O desafio é graduar o controle conforme o risco. Espaços de interação intensa entre desconhecidos, funções de transmissão ao vivo, contato com adultos e comunidades sensíveis podem justificar proteções mais fortes do que assistir a um vídeo sobre como fazer pão de queijo.

4.2. Canais de denúncia que realmente funcionem

“Denuncie este conteúdo” não pode ser um botão decorativo, igual extintor vencido pendurado no corredor.

Uma denúncia de ameaça, suicídio iminente, abuso sexual, extorsão ou violência contra criança precisa entrar numa fila prioritária, com protocolo claro, rastreabilidade e resposta humana quando necessário.

Em linguagem de mainframe: não adianta gravar uma mensagem na fila se ninguém tem um consumidor ativo.

QUEUE: RISCO-CRITICO
STATUS: 14.000 mensagens pendentes
CONSUMIDOR: desligado desde 2022

Aí não é segurança. É cenografia.

4.3. Impedir reincidência

Se um servidor é removido, ele não pode reaparecer com nome trocado, dois emojis e uma conta criada há quinze minutos. Se uma pessoa é banida por comportamento grave, a empresa precisa ter mecanismos razoáveis para dificultar seu retorno.

Não se trata de perfeição. Criminosos tentam contornar controles. Mas permitir que a mesma operação volte com a facilidade de um COPY malicioso é falha de arquitetura.

4.4. Transparência e auditoria

Empresas devem explicar, sem entregar segredos a criminosos, quais são seus tempos de resposta, quantas denúncias recebem, como tratam casos críticos, quais controles usam e como medem reincidência.

O Estado, por sua vez, também deve explicar seus critérios. Se pede multa de centenas de milhões, precisa demonstrar a base técnica e jurídica do cálculo. Não basta abrir o painel e digitar:

MULTA = INDIGNACAO-NACIONAL * 100000000

Saul Goodman olha para essa fórmula e responde:

“Excelente para a coletiva de imprensa. Agora mostra a memória de cálculo.”





5. O “caso Felca”: quando uma causa correta vira pânico moral

O paralelo com a discussão que ficou conhecida como “caso Felca” não é dizer que proteção de crianças seja exagero. Pelo contrário: exploração, sexualização precoce, aliciamento, violência e abuso são problemas reais e graves.

O alerta é outro: uma causa legítima pode ser capturada por uma máquina de pânico moral.

O roteiro costuma ser assim:

  1. Surge um caso chocante.

  2. A mídia encontra imagens, personagens e indignação.

  3. Influenciadores, especialistas de ocasião e políticos entram na disputa.

  4. A tecnologia vira o vilão universal.

  5. A proposta legal aparece antes do diagnóstico técnico.

  6. A regra é vendida como solução total.

  7. Os efeitos colaterais chegam depois, quando a manchete já morreu.

Conservadores cristãos — e também grupos de outras correntes ideológicas, sejamos honestos — podem atuar como vigias morais muito atentos a temas envolvendo sexualidade, infância, cultura pop, redes sociais, jogos e comportamento juvenil. Muitas vezes há preocupação genuína. Pais têm medo. Famílias têm medo. E, francamente, há motivo para preocupação.

O problema nasce quando medo vira política pública sem freio.

Uma lei criada no calor de uma tragédia pode atingir não apenas abusadores, mas também adolescentes comuns, comunidades LGBT, artistas, educadores, pesquisadores, jornalistas, criadores independentes e pessoas que simplesmente querem privacidade.

A pergunta de ouro é:

“Esta medida reduz o crime sem criar uma máquina de vigilância, censura ou exclusão para inocentes?”

Se ninguém consegue responder claramente, não temos política pública. Temos um EXEC CICS HANDLE CONDITION escrito por pânico.



6. O risco brasileiro: uma catedral normativa sem equipe de operação

Aqui mora o grande medo: o Brasil é muito bom em produzir uma pilha impressionante de normas.

Criamos lei, decreto, portaria, resolução, grupo de trabalho, comitê, subcomitê, observatório, formulário, selo de conformidade e um PDF de 284 páginas cujo sumário começa na página 19.

No papel, parece robusto. Na prática, faltam investigadores especializados, perícia digital, equipes de apoio a vítimas, promotores treinados, delegacias equipadas, cooperação internacional e educação digital consistente nas escolas.

O resultado é previsível:

  • a plataforma grande, visível e com escritório responde à ação;

  • a empresa pequena sofre custo burocrático desproporcional;

  • o criminoso migra para outro aplicativo, VPN, conta descartável ou serviço estrangeiro;

  • famílias continuam sem orientação;

  • escolas continuam sem estrutura;

  • a polícia continua tentando investigar rede internacional com orçamento de impressora sem toner.

É o velho problema de operações: você pode ter o melhor runbook do planeta. Se não há gente, treinamento, acesso, monitoramento e processo de escalonamento, o runbook é literatura.

A lei precisa de dentes, mas precisa também de cérebro, braços e pernas.



7. Um passo a passo para não cair no tribunal da manchete

Para o jovem padawan COBOL — e para qualquer cidadão — aqui vai um procedimento de diagnóstico.

Passo 1: separe crime de falha de plataforma

Quem praticou, induziu, coagiu ou organizou a violência? Essa é a responsabilidade criminal direta.

Depois pergunte: a plataforma teve omissão própria, falha de segurança ou demora injustificável?

Passo 2: descubra se o ambiente era público, fechado ou criptografado

Não é detalhe. É arquitetura. E arquitetura muda o que é tecnicamente possível.

Passo 3: procure por alertas anteriores

A empresa recebeu denúncia? Havia histórico daquele grupo? Contas banidas voltaram? Um servidor removido reapareceu? O risco era conhecido?

Passo 4: avalie a resposta

Quanto tempo demorou? Que ações foram tomadas? Houve cooperação com autoridades? Houve preservação de evidências? Houve suporte à vítima?

Passo 5: compare com plataformas equivalentes

A mesma régua vale para TikTok, YouTube, Meta, Reddit, WhatsApp, Telegram e demais serviços? Se não, qual é a distinção objetiva?

Passo 6: desconfie da solução total

Toda proposta que promete “acabar com o problema” merece uma sobrancelha levantada. Especialmente se vier acompanhada de multa redonda, coletiva de imprensa e político dizendo que agora “a internet aprenderá”.



Epílogo — Saul Goodman fecha a pasta, Igor salva o log

Proteger crianças e adolescentes on-line é obrigação séria. Não é pauta de direita, esquerda, gamer, pai, mãe, igreja ou empresa: é obrigação civilizatória.

Mas proteger não é fingir que toda plataforma é onisciente. Não é quebrar criptografia. Não é usar uma morte trágica como senha para vigiar todos os cidadãos. Não é escolher uma empresa como bode expiatório e deixar os demais corredores escuros da internet intactos.

O Discord pode ter falhado. Se falhou, deve ser responsabilizado com provas, critérios técnicos, garantias de defesa e medidas que reduzam risco de verdade.

Só que a justiça será testada por sua consistência. Se cobra reação rápida, prevenção, transparência e combate à reincidência do Discord, deve cobrar isso também de YouTube, TikTok, Meta, Reddit e de qualquer plataforma comparável — respeitando as diferenças de arquitetura e privacidade.

Saul Goodman ajeita a gravata amarela, olha para o datacenter jurídico brasileiro e deixa seu parecer informal:

“Não confunda justiça com um botão vermelho. Botão vermelho todo mundo sabe apertar. Difícil é descobrir qual cabo ele corta.”

Easter egg para quem chegou até aqui: em algum lugar do CPD, Igor ainda está tentando abrir um chamado para a Internet inteira.

TICKET: INC-1984
ASSUNTO: “Favor moderar todos os humanos em tempo real”
STATUS: aguardando aprovação do Change Advisory Board

Boa sorte com isso.


https://eljefemidnightlunch.blogspot.com/2026/08/os-cem-barris-de-saque-como-cinco.html



Homens de Preto no Data Center — Quando o Agente J Encontrou uma GPU no LinuxONE e Perguntou: “Isso Aqui É CUDA ou o Igor Colou um RTX no PCIe?”

 

Bellacosa Mainframe e a possivel ponte em ibm z e nvidia sera????

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Homens de Preto no Data Center — Quando o Agente J Encontrou uma GPU no LinuxONE e Perguntou: “Isso Aqui É CUDA ou o Igor Colou um RTX no PCIe?”

Ou: IBM colocou Arm dentro do futuro processador Z, NVIDIA já fala essa língua, o jovem padawan COBOL descobriu que uma placa gráfica não é um pendrive grande — e o Agente J precisou explicar DMA, IOMMU e LPAR antes que alguém chamasse o serviço de manutenção cósmica



Prólogo — uma luz estranha em Armonk

Agente J entrou na sala de máquinas com o Neuralyzer numa mão e um copo de café na outra.

— K, tem uma criatura de silício dizendo que o próximo IBM Z e LinuxONE pode executar Arm nativamente.

— Não a apague da memória, J. A IBM anunciou isso em 24 de agosto de 2026, durante o Hot Chips. É uma das notícias mais importantes para quem trabalha com mainframe desde que alguém resolveu chamar servidor de “legado” sem perceber que o legado estava pagando a conta do banco.

O anúncio descreve um futuro processador de dupla arquitetura para IBM Z e LinuxONE: em vez de haver um núcleo IBM de um lado e um núcleo Arm pendurado do outro, cada núcleo é projetado para executar instruções IBM e Arm de forma nativa. A meta é permitir ambientes Linux Arm ao lado de z/OS e do Linux que já vive em Z/LinuxONE. São planos de produto futuros, sujeitos a mudança; não existe, hoje, um menu da HMC com o botão “instalar CUDA e chamar a NVIDIA”. Mas o desenho muda a conversa inteira.

Para um programador COBOL iniciante, a notícia pode parecer distante. “Eu só quero meu READ, meu WRITE, um Db2 que não dê -911 e um CICS que não transforme a sexta-feira em incidente.” Justamente por isso ela importa. Mainframe não está virando PC gamer; está tentando deixar de ser uma ilha para uma parte maior da economia de software chegar perto daquilo que ele faz melhor: transações, dados críticos, disponibilidade e paranoia institucional bem aplicada.

Easter egg #1: o Agente J não disse “paranoia”. Ele disse “controle de acesso preventivo contra organismos com DMA”. O RACF aprovou a redação.


1. Primeiro: o que a IBM anunciou — e o que ela não anunciou

Vamos separar o café do conhaque.

A IBM anunciou uma direção arquitetural: processador futuro de 2 nm, 11 núcleos acima de 5,7 GHz, aceleradores de inferência e uma DPU de I/O no chip. O ponto realmente extraordinário é a implementação de AArch64/Arm em hardware, não por emulação. A IBM e a Arm dizem que a intenção é executar Linux Arm nativo simultaneamente com ambientes IBM tradicionais e herdar a escala, segurança e resiliência do Z/LinuxONE.

Ela não anunciou:

  • uma GPU NVIDIA certificada para Z ou LinuxONE;

  • CUDA em z/OS;

  • um driver NVIDIA s390x;

  • um DGX escondido dentro de um frame;

  • compatibilidade automática com qualquer placa comprada numa promoção suspeita.

Essa distinção protege você de duas doenças profissionais: o entusiasmo que vende PowerPoint como produto e o ceticismo que chama de “marketing” qualquer coisa que ainda não chegou ao rack. A posição correta é mais interessante: existe agora uma ponte arquitetural plausível; atravessá-la exige engenharia, qualificação e acordo comercial.



2. Por que Arm muda o problema da NVIDIA

Historicamente, Linux no IBM Z usa a arquitetura s390x. É excelente no seu território, mas possui um custo invisível: cada fornecedor externo precisa decidir se mantém outra compilação, outro pipeline de testes, outro driver de kernel, outra equipe de suporte e outra matriz de versões para um mercado menor que x86 e Arm.

Imagine que você escreveu um programa COBOL para ler um arquivo VSAM. Não basta entregar o fonte a alguém: é preciso compilador, copybooks, JCL, permissões RACF, dataset correto, testes e alguém responsável quando o job abendar às 02h17. Com uma GPU é igual, só que o “copybook” envolve firmware, PCIe, memória, interrupções e DMA.

NVIDIA já mantém uma pilha madura para Linux AArch64: driver, CUDA Toolkit, compiladores, bibliotecas como cuDNN e NCCL, PyTorch, TensorFlow e uma multidão de aplicações que nasceram para Arm em nuvens e servidores. Grace, Graviton, Ampere e Cobalt ajudaram a transformar Arm server em destino comercial sério.

Assim, a pergunta deixa de ser “NVIDIA, você pode criar e sustentar s390x?” e passa a ser “IBM, o seu ambiente Arm parece suficientemente um servidor Arm convencional para a pilha existente funcionar e ser suportada?”.

É uma diferença brutal:

Problema antigoProblema possível no novo cenário
Portar uma arquitetura inteiraQualificar uma plataforma Arm
Criar cadeia de ferramentasReutilizar uma cadeia AArch64
Testar um mercado exóticoTestar uma variante enterprise de Arm
Manter driver específico s390xAdaptar/validar driver Arm já existente

Não é garantia. É a troca de “construa uma estrada no oceano” por “a estrada chegou à fronteira; vamos inspecionar a ponte”.

3. Falar Arm não basta: o passaporte chamado SystemReady

Uma CPU saber executar instruções Arm é como o Agente J aprender um idioma alienígena. Útil, mas não informa em qual lado da rua ele deve dirigir, qual tomada existe no hotel ou se o passaporte abre a porta da alfândega.

Para Linux e drivers, o mundo abaixo da aplicação importa muito. Eles precisam reconhecer um ambiente previsível: firmware de boot, tabelas de hardware, relógios, controladores de interrupção, memória, PCIe, IOMMU, ACPI/UEFI e regras de descoberta de dispositivos. É isso que padrões como Arm SBSA, requisitos de boot e o programa Arm SystemReady tentam normalizar.

Relatos técnicos do Hot Chips indicam AArch64 v9.3, SVE/SVE2, operação little-endian do lado Arm e direção SystemReady. A consequência pretendida é preciosa: distribuições e binários Arm “de prateleira” teriam muito menos motivo para perguntar “que bicho é este?”. A própria NVIDIA construiu Grace mirando SBSA/SystemReady porque padrões reduzem o número de adaptações especiais que software precisa carregar.

Em linguagem de sala verde: SystemReady é a diferença entre receber um fonte COBOL e torcer para que compile, ou receber o fonte mais o padrão de dataset, o JCL, as PROCs, os parâmetros e a documentação de instalação. O primeiro funciona numa demo. O segundo tem chance de sobreviver à produção.

4. “Mas a GPU é PCIe; não é só encaixar?”

Não. E aqui o Agente J recolhe delicadamente a chave de fenda da mão do Igor.

PCIe é uma interconexão, não um contrato completo de convivência. A GPU precisa ser enumerada pelo sistema, expor regiões de memória mapeada (MMIO/BARs), gerar interrupções, ser reinicializada após falha, conversar com o driver e receber energia e refrigeração adequadas. O driver precisa enxergar topologia correta, páginas de memória, acesso DMA, recursos de virtualização e mecanismos de erro.

E uma GPU não fica esperando a CPU carregar cada byte como um garçom levando café de colher em colher. Ela usa DMA — Direct Memory Access. Simplificando, depois de autorizada, transfere dados diretamente entre sua memória e a memória do host. Isso é essencial para desempenho: modelos, tensores e lotes de inferência seriam ridiculamente lentos se cada movimento tivesse de passar pela CPU como um MOVE de bilhões de bytes.

No notebook de Igor, um driver malcomportado pode congelar a tela e produzir uma noite de palavrões. Em um LinuxONE, a máquina hospeda muitos clientes lógicos, com isolamento e disponibilidade que não podem depender de boa vontade de uma placa. Aí entra a IOMMU.

5. IOMMU: o segurança que não deixa a GPU passear pelo prédio

IOMMU significa, em essência, unidade que traduz e controla endereços de memória usados por dispositivos de I/O. Pense nela como o segurança de um edifício bancário. A GPU do LPAR A recebeu autorização para entrar na sala A-17; isso não lhe dá licença para testar todas as portas do corredor, muito menos alcançar a memória do LPAR B ou do ambiente de gestão.

Uma configuração segura precisa associar dispositivo, função virtual, LPAR e faixas de memória de maneira estrita. O driver pede uma operação; hardware e firmware garantem que o dispositivo veja apenas o que lhe foi atribuído. A ideia se parece com RACF: autenticar o usuário é apenas o começo; é a autorização de cada recurso que impede o desastre.

Mas atenção: “há IOMMU” não é uma frase mágica. Drivers NVIDIA têm requisitos e particularidades conforme GPU, kernel, topologia PCIe e virtualização. Há recursos de alta performance, como comunicação direta entre GPU e NIC, que podem depender de decisões de ACS, peer-to-peer e posicionamento físico. Em outras palavras: a placa pode funcionar para inferência simples e ainda não estar pronta para cada truque de HPC, NVLink ou multi-GPU.

6. LPAR, z/VM e a diferença entre dividir e bagunçar

Um LPAR é uma partição lógica: uma máquina dentro da máquina, separada por hardware e firmware. Para o iniciante, compare-o a uma região CICS muito séria, com seu próprio universo operacional — só que o isolamento não é mera convenção de software.

O caminho inicial mais sensato seria algo parecido com isto:

  1. A IBM certifica um modelo específico de GPU e o respectivo drawer PCIe.

  2. A HMC/firmware atribui a função física ou virtual a uma LPAR Arm Linux.

  3. Esse Linux vê um dispositivo PCIe compatível, carrega driver NVIDIA Arm64 e o CUDA runtime.

  4. O aplicativo usa a GPU; o IOMMU restringe o DMA à memória autorizada.

  5. Telemetria, manutenção, falhas e troca de peça entram no modelo operacional IBM.

O primeiro alvo não precisa ser compartilhar uma placa com trinta tenants. Pass-through para uma LPAR, bem cercado, já seria uma vitória enorme. Depois vêm os chefes de fase: MIG, vGPU, SR-IOV, cobrança, reset seletivo, migração, isolamento multi-tenant e recuperação automática.

7. Spyre: o precedente que ajuda, sem virar atalho enganoso

A IBM já vende o Spyre Accelerator para z17 e LinuxONE Emperor 5. É uma placa PCIe orientada a inferência e fine-tuning, com runtime, driver, firmware e integração de software próprios. A solução suporta até 48 placas em sistemas Z/LinuxONE e foi desenhada com appliances de suporte, funções virtuais, monitoramento e redundância de caminhos.

Isso importa porque prova uma coisa concreta: IBM não está começando agora a discutir “como colocar um acelerador poderoso, que faz DMA, num mainframe particionado sem transformar o equipamento numa lan house cósmica”. Ela já tem práticas para atribuição, saúde do dispositivo, tolerância a falha e operação.

Mas Spyre não é uma GPU NVIDIA pintada de azul. Ele é uma solução vertical: IBM controla hardware, firmware, compilador, runtime e o suporte. CUDA traria outro ecossistema, outra cadência de drivers e outra responsabilidade dividida. Spyre diminui o risco de integração; não elimina a negociação com NVIDIA.

8. Telum, Spyre e CUDA não são três nomes para a mesma coisa

TecnologiaOnde brilhaExemplo
TelumInferência muito próxima da transaçãoPontuar fraude durante a autorização
SpyreIA empresarial integrada e eficienteServir modelos e fine-tuning controlado
GPU NVIDIA/CUDAEcossistema amplo e computação aceleradaPyTorch, visão, LLMs, analytics e bibliotecas CUDA

O desenho vencedor não é substituir um pelo outro. É usar cada peça onde tem vocação.

Uma transação chega pelo CICS. O programa COBOL executa regras, chama Db2 e precisa decidir agora: aprovar, bloquear ou pedir segundo fator. Telum pode atender a inferência ultrarrápida. Um serviço Arm Linux pode, assíncronamente ou numa etapa apropriada, executar análise mais pesada em CUDA: enriquecer evento, correlacionar fraude, gerar explicação para analista, fazer busca vetorial, analisar imagens de documento ou retreinar um modelo.

O COBOL não precisa aprender CUDA para participar. Ele precisa aprender a pedir serviço de forma confiável: API, MQ, eventos, timeouts, idempotência, commit e rollback. O padawan que entende isso não vira passageiro do futuro; vira o adulto na sala quando alguém propõe chamar um modelo de 70 bilhões de parâmetros no meio de uma transação de 80 milissegundos.

Easter egg #2: o Agente J proibiu CALL 'CHATGPT' dentro do caminho crítico. Igor perguntou se ao menos poderia fazer um GOTO 9999 para o modelo. O Agente K desligou o monitor.

9. O inimigo físico: potência, calor e topologia

É tentador imaginar oito B200 surgindo de um drawer como alienígenas de um ovo. Só que uma GPU de datacenter de ponta pode consumir centenas de watts; sistemas HGX/NVSwitch exigem potência, refrigeração, espaço e rede próprios. NVLink não é “PCIe com café forte”.

Portanto, mesmo que CUDA se torne viável, o primeiro produto provável seria uma GPU PCIe específica e homologada para inferência ou aceleração selecionada, entregue a uma LPAR Arm. Um superpod para treinar modelo de fronteira provavelmente continuará sendo infraestrutura dedicada, conectada ao Z/LinuxONE por rede rápida e governada como outro domínio.

Mainframe não precisa vencer um DGX no campeonato errado. O valor está em reduzir a distância entre dado crítico, transação, segurança e capacidade de IA — sem copiar meio banco para uma plataforma externa só para fazer uma pergunta ao modelo.

10. Roteiro prático para o programador COBOL iniciante

Você não precisa comprar uma GPU nem decorar registradores Arm amanhã. Faça esta trilha:

  1. Domine transação. Entenda CICS, Db2, VSAM, unidade de trabalho, syncpoint, COMMIT e ROLLBACK. IA sem integridade transacional é Igor vendendo PIX por e-mail.

  2. Aprenda a fronteira. Veja JSON, HTTP, APIs REST, MQ e eventos. Seu COBOL continuará sendo o coração de muitos processos; ele precisa conversar sem acoplamento burro.

  3. Conheça Linux e containers. Não para abandonar Z, mas para entender onde os serviços Arm e IA vão viver. Um container não é uma LPAR; ambos isolam, mas em níveis diferentes.

  4. Entenda os quatro D’s. Dados, DMA, dispositivos e dependências. Pergunte sempre: onde o dado nasce, quem pode movê-lo, quem o enxerga e como o processo se recupera?

  5. Aprenda observabilidade. Latência, throughput, erro, saturação, logs e rastreamento. “A IA ficou lenta” não é diagnóstico; é o equivalente moderno a “deu ABEND”.

  6. Pense em governança. Modelo pode errar, vazar, enviesar e mudar. Dados bancários ou pessoais não ganham permissão para viajar só porque a demo ficou bonita.

11. As perguntas que realmente importam agora

Quando surgirem detalhes, não pergunte primeiro “quantos teraflops?”. Pergunte:

  • Qual nível de certificação SystemReady a IBM entregará?

  • Quais distribuições Arm bootam sem alteração?

  • Como PCIe e IOMMU aparecem para a LPAR Arm?

  • Haverá GPU pass-through? Virtualização? MIG/vGPU?

  • Quais modelos, drivers e versões CUDA serão homologados?

  • Como são feitos reset, firmware update, diagnóstico e failover?

  • Qual é a latência entre o dado em z/OS/Db2 e o serviço acelerado?

  • O caso de uso justifica trazer a IA para perto, ou MQ/API para infraestrutura externa já resolve melhor?

Essas perguntas são mais maduras que “roda Doom?”. Embora, em nome da ciência, o Agente J tenha anotado a segunda numa planilha confidencial.

Epílogo — a ponte não é o destino

A IBM não entregou CUDA no mainframe em agosto de 2026. Entregou algo talvez mais estratégico: uma tentativa de tornar o próximo Z/LinuxONE um anfitrião Arm suficientemente padrão para que ecossistemas já existentes possam reconhecê-lo.

Para NVIDIA, isso pode converter um port caro e exclusivo para s390x em uma qualificação de plataforma Arm. Para IBM, é uma maneira ousada de reduzir o isolamento histórico de sua arquitetura. Para clientes, pode significar aproximar software moderno e aceleradores dos dados mais críticos sem abandonar as qualidades que fizeram o mainframe sobreviver a cada funeral prematuro anunciado desde os anos 1980.

E para nós, do COBOL, a lição é confortavelmente simples: o futuro não exige que você esqueça o que sabe. Exige que você entenda onde seu programa termina, onde o serviço começa, como o dado atravessa a fronteira e quem responde quando a GPU, o driver ou o universo resolve dar ABEND.

O Agente K guardou o Neuralyzer.

— Então não apagamos a memória do anúncio?

— Não, J. Só colocamos uma nota no rodapé: “promissor, tecnicamente difícil, comercialmente aberto e absolutamente incapaz de ser instalado pelo Igor numa sexta-feira às 17h58”.

E, por uma vez, até o RACF concordou.


Fontes para continuar a investigação

Yayoi Kusama — Quando Um Milhão de Chimpanzés Abriu um Barril de Saquê, Igor Pintou as Canecas de Bolinhas e a Samurai do Infinito Partiu sem Jamais Sair da Tela

 

Bellacosa Maifnrame em uma homenagem a Yayoi Kusama

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Yayoi Kusama — Quando Um Milhão de Chimpanzés Abriu um Barril de Saquê, Igor Pintou as Canecas de Bolinhas e a Samurai do Infinito Partiu sem Jamais Sair da Tela

Ou: a menina que via o mundo ser engolido por pontos transformou o medo em galáxias, ensinou Nova York a ser mais estranha, fez o TikTok entrar numa sala de espelhos e deixou animes, mangás e nerds de todo o planeta olhando para uma abóbora como se ela fosse um portal cósmico.

Hoje, 27 de agosto de 2026, chegou a notícia que ninguém queria receber: Yayoi Kusama morreu aos 97 anos, em Tóquio, em 14 de agosto. A confirmação veio do próprio Museu Yayoi Kusama. A Terra, portanto, perdeu a rainha das bolinhas; o universo, se tiver bom gosto, ganhou uma instaladora-chefe para consertar a iluminação das estrelas. O anúncio oficial está aqui.

Então o milhão de chimpanzés abre um barril de saquê. Igor, naturalmente, foi encarregado de servir — e já conseguiu derramar metade numa abóbora amarela com poás pretos. Erguemos a caneca:

À Yayoi Kusama: que a Terra lhe seja leve, que o infinito lhe seja familiar e que nenhuma parede do outro lado fique sem bolinhas.

Porque é fácil reduzir Kusama à caricatura simpática: a velhinha de peruca vermelha, vestido chamativo, abóboras amarelas, salas em que o visitante entra por trinta segundos, faz quatrocentas fotos e sai se sentindo personagem de anime isekai. Mas isso seria como definir Hayao Miyazaki como “o senhor que desenha bichos fofinhos”: há uma aparência acessível por cima de uma vida inteira de guerra, obsessão, fragilidade, disciplina e imaginação monstruosamente poderosa.

Yayoi Kusama não decorava o mundo com bolinhas. Ela tentava sobreviver a ele.


A menina que viu o universo invadir o quarto

Kusama nasceu em 1929, em Matsumoto, no Japão. Desde criança, relatou experiências visuais intensas: padrões, redes, flores e pontos pareciam se espalhar pelas superfícies, pelo corpo e pelo espaço à sua volta. A imagem que para nós parece alegre — uma parede tomada por círculos coloridos — para ela podia ser uma avalanche.

E aqui mora a chave de tudo: a obra de Kusama não nasceu de uma campanha de branding perfeitamente calculada. Nasceu de um mecanismo de enfrentamento. Ela pegou aquilo que ameaçava engoli-la e o obrigou a obedecer ao pincel.

As bolinhas viraram linguagem. As redes viraram linguagem. As abóboras viraram linguagem. A repetição, que poderia ser prisão, tornou-se método.

Ela chamava essa ideia de self-obliteration, algo como autodiluição ou autoapagamento. Não é a vontade triste de desaparecer do mundo; é outra coisa, mais estranha e mais cósmica: deixar de ser um ego solitário e rígido para virar um pequeno ponto entre bilhões de pontos. Você entra numa Infinity Mirror Room, olha os reflexos multiplicados e entende a brincadeira filosófica: “eu” não é exatamente o centro da tela. Sou um pontinho luminoso no meio de uma imensidão.

É uma noção que qualquer nerd reconhece imediatamente. É o sentimento de olhar para o espaço em Cowboy Bebop, de cair num sonho em Paprika, de perder a referência em Serial Experiments Lain ou de encarar uma realidade que se repete, se fragmenta e começa a olhar de volta para você.


A samurai saiu do Japão e invadiu Nova York

O Japão do pós-guerra não era exatamente um ambiente confortável para uma jovem artista determinada, experimental e disposta a pintar o mundo até ele perder a compostura. Kusama estudou pintura tradicional japonesa, o nihonga, mas rapidamente percebeu que o traje não lhe servia. Ela queria outra coisa: escala, ruptura, estranhamento, liberdade.

Em 1957, mudou-se para os Estados Unidos; em 1958, chegou a Nova York. Não entrou pela porta dos fundos pedindo licença. Entrou no caldeirão da vanguarda dos anos 1960 com suas pinturas de redes infinitas, esculturas macias, performances, filmes, poemas, roupas e happenings.

Imagine o cenário: Nova York querendo virar Pop Art, Minimalismo e psicodelia ao mesmo tempo. Andy Warhol, Claes Oldenburg, Donald Judd, galeristas, críticos, egos do tamanho de edifícios. E no meio daquilo, uma mulher japonesa, estrangeira, trabalhando com uma insistência quase sobre-humana.

Kusama não era “a artista das bolinhas”. Era pintora, escultora, performática, cineasta, poeta e romancista. Fez ambientes espelhados antes que “instalação imersiva” virasse palavra de release; fez crítica social, performances contra a guerra e obras que desmontavam o olhar masculino sobre o corpo.

Também viveu a parte cruel da história da arte: várias ideias que ela desenvolvia eram celebradas quando reapareciam sob a assinatura de homens mais aceitos pelo circuito. Não é preciso transformá-la numa santa nem numa vítima perpétua para reconhecer a injustiça estrutural: Kusama foi pioneira, mas por muito tempo foi tratada como nota de rodapé de movimentos que ajudou a antecipar.

A conta demorou, mas chegou. E chegou com juros, correção monetária e uma abóbora gigante estacionada no meio do caminho.


A abóbora não é fofura; é autorretrato

Há quem olhe para uma abóbora de Kusama e pense: “pronto, a parte Instagramável da exposição”. Igor pensou isso uma vez e quase foi expulso da sala por um segurança imaginário.

A abóbora para Kusama era forma, memória, alimento, humor e autorretrato. Ela associava o vegetal à infância e à sensação de algo ao mesmo tempo humilde, acolhedor e extraordinário. A famosa abóbora de Naoshima — amarela, negra, grande, à beira do mar — é quase um personagem silencioso: parece uma criatura de JRPG pacífica que sabe mais sobre o universo do que todos os humanos juntos.

E faz sentido que a cultura pop japonesa a tenha adotado com facilidade. O Japão entende objetos que se tornam personagens: uma chaleira pode ter alma, uma floresta pode ter vontade própria, um monstrinho redondo pode carregar uma tristeza inteira. Kusama fez da abóbora um ícone sem precisar dar olhos, fala ou golpe especial. Ela já possuía presença.

Por que os nerds a adotaram tão naturalmente?

Porque Kusama fez arte que parece vir de uma região onde arte contemporânea, horror cósmico, ficção científica, estética pop e sonho febril dividem o mesmo apartamento.

Ela oferece quatro ingredientes que anime, mangá, games e internet adoram:

  • Repetição que vira vertigem: padrões infinitos, corredores, reflexos, cópias e enxames visuais.

  • Cor que parece inocente, mas esconde abismo: amarelos, vermelhos, pretos, luzes e flores que não são apenas “bonitas”.

  • Mundo interno virando cenário: aquilo que ela sente não fica explicado em diálogo; ocupa a tela inteira.

  • Uma autora visualmente inconfundível: viu poás, abóbora, espelho e peruca vermelha? Seu cérebro já responde “Kusama”.

Ela virou uma espécie de código cultural. Nem todo vídeo de TikTok com poá está citando Yayoi Kusama; nem toda sala espelhada é uma homenagem. Mas a partir dela, o grande público passou a entender que arte pode ser um ambiente, uma experiência física e uma pequena invasão sensorial.

Antes, o visitante olhava uma obra. Depois de Kusama, ele entra nela — e por alguns segundos vira parte do mecanismo.

Anime e mangá: homenagens, ecos e uma pequena regra de honestidade

Aqui o Agente J do MIB aparece com uma pasta, tosse discretamente e pede precisão: não existe um grande catálogo consolidado de animes e mangás com homenagens oficialmente declaradas a Kusama equivalente, por exemplo, às referências assumidas de JoJo’s Bizarre Adventure à música e à moda.

Há algo mais interessante acontecendo: Kusama virou uma referência visual tão difundida que seu vocabulário foi absorvido pela cultura pop. Por isso, é melhor separar citação direta de eco estético — para não deixar Igor atribuir cada bolinha da animação japonesa à mulher de Matsumoto.

Em obras como Paprika, de Satoshi Kon, há o parentesco da imagem que cresce além do controle, da invasão do cotidiano por uma lógica de sonho e da identidade que se dissolve num espetáculo visual. Não é correto carimbar “homenagem direta” sem declaração do autor; é correto dizer que ambos conversam com uma tradição japonesa — e internacional — de tornar o inconsciente uma paisagem.

Serial Experiments Lain trabalha outra versão desse território: repetição, multiplicação do eu, tecnologia como ambiente psíquico, o indivíduo virando sinal em uma rede maior do que consegue compreender. Kusama fazia isso com espelhos e pontos; Lain, com cabos, telas e ruído.

Em Puella Magi Madoka Magica, especialmente nas dimensões das bruxas, o espectador encontra colagem, ornamento, padrão repetitivo e beleza que rapidamente se converte em desconforto. De novo: não é necessário inventar uma homenagem formal para reconhecer a mesma pergunta visual — quando a mente sofre, por que ela às vezes produz mundos tão coloridos?

E Junji Ito, mestre do mangá de horror, parece fazer a versão sombria da operação Kusama. Em Uzumaki, a espiral deixa de ser forma decorativa e vira maldição que se espalha pelas pessoas, casas e cidades. Kusama via pontos e redes; Ito vê espirais. Ambos entendem que um padrão repetido pode ser mais assustador do que um monstro com dentes.

A diferença é de postura. Kusama encara a repetição e tenta transformá-la em universo, amor, sobrevivência e comunhão. Junji Ito olha para ela e pergunta: “e se o universo estivesse muito interessado em nos mastigar?”

Essa é a ponte verdadeira com o mangá e o anime: não um desfile de easter eggs de poá, mas a legitimação de uma linguagem em que obsessão, trauma, desejo, medo e imaginação podem ocupar todo o enquadramento sem pedir desculpa.

A artista que viveu para trabalhar

Em 1973, Kusama voltou ao Japão. Em 1977, passou a viver voluntariamente em uma instituição psiquiátrica em Tóquio, mantendo seu estúdio perto dali e trabalhando continuamente. É preciso falar disso com respeito, sem transformar sofrimento mental em enfeite de biografia.

O ponto extraordinário não é romantizar dor. É reconhecer a disciplina de uma artista que encontrou na criação uma forma de permanecer viva e de organizar aquilo que a aterrorizava. Ela continuou pintando, escrevendo, desenhando, criando instalações e expandindo sua linguagem por décadas.

Com o tempo, veio a reavaliação histórica, as grandes retrospectivas, os museus, as filas, as colaborações com moda, o Museu Yayoi Kusama em Tóquio e a consagração global. Mas o coração da história nunca foi o luxo nem a selfie. Foi uma mulher que passou quase um século encarando suas visões e respondendo: “então eu vou fazer arte com isso.”

O museu dela continuará com exposições e preservará o trabalho que ela deixou. A agenda futura, ironicamente, já inclui uma mostra chamada “The Light Spreads Out, and Glittering Things Start Appearing All Around Me”A luz se espalha, e coisas cintilantes começam a aparecer ao meu redor. Parece título de despedida escrito por uma heroína de anime que se recusa a sair de cena. O museu lista a programação aqui.

Epílogo — a bolinha não acabou

Yayoi Kusama morreu, mas não deixou uma obra que se comporta como passado. Ela deixou uma linguagem que ainda pulsa: no museu, no meme, no vídeo curto, na moda, na instalação, no jogo, no imaginário de quem vê um padrão colorido e suspeita que há um universo escondido nele.

O curioso é que ela conseguiu algo raro: tornou-se popular sem ficar superficial. A pessoa pode entrar numa sala de espelhos para fazer uma foto bonita; talvez, por acidente, saia de lá pensando que é minúscula diante do infinito. Isso já é arte fazendo seu trabalho.

Então levantemos mais uma caneca de saquê.

Não para dizer adeus como quem fecha uma porta, mas como quem entra numa sala cheia de espelhos, vê milhões de pontos luminosos e entende que uma delas ainda está ali — pequena, vermelha, teimosa, indestrutível — pintando o cosmos para que ele não pareça tão assustador.

Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
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Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

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