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sábado, 31 de julho de 2021

ABEND sem Mistérios — Parte V

 

Bellacosa Mainframe em abend sem misterios parte v

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ABEND sem Mistérios — Parte V

O Estado da Arte na Investigação de ABENDs: Como os Grandes Bancos Utilizam Observabilidade, Inteligência Artificial e Engenharia de Confiabilidade no IBM Z

"No passado, corrigíamos ABENDs. Hoje, construímos sistemas capazes de prever, explicar e até evitar que eles aconteçam."


Introdução

Nas quatro primeiras partes desta série, aprendemos praticamente toda a jornada de um ABEND.

Começamos entendendo o significado do termo.

Depois aprendemos a investigar mensagens, dumps e CEEDUMP.

Em seguida mergulhamos na arquitetura do IBM Z, compreendendo registradores, TCBs, RBs e o funcionamento interno do processador.

Agora chegamos ao último nível.

Não vamos mais olhar para um único programa.

Vamos olhar para um banco inteiro.

Como uma instituição financeira que executa milhões de transações por hora consegue descobrir um erro em poucos minutos?

Como ela evita que um simples S0C7 derrube dezenas de aplicações?

Como uma equipe identifica um problema antes mesmo que o cliente perceba?

A resposta está em uma palavra que vem transformando toda a indústria de software.

Observabilidade.


O antigo modelo de suporte

Durante muitos anos, o processo era simples.

Usuário reclama

↓

Operação abre chamado

↓

Programador analisa

↓

Descobre o ABEND

↓

Corrige

↓

Fim

Era um modelo totalmente reativo.

O problema precisava acontecer primeiro.


O modelo moderno

Hoje os grandes bancos trabalham de outra maneira.

Monitoramento

↓

Anomalia Detectada

↓

Alerta

↓

Investigação

↓

Correção

↓

Prevenção

↓

Aprendizado

O foco deixou de ser apenas corrigir.

Passou a ser evitar.


O conceito de Observabilidade

Muitos confundem observabilidade com monitoramento.

Não são a mesma coisa.

Monitoramento responde:

"O sistema está funcionando?"

Observabilidade responde:

"Por que ele está funcionando desta maneira?"

É uma diferença enorme.


Os três pilares da Observabilidade

Em praticamente todas as arquiteturas modernas encontramos três pilares.

Logs

Mensagens produzidas pelas aplicações.

DISPLAY

SYSLOG

SMF

JESMSGLG

JESYSMSG

Métricas

Valores numéricos.

Por exemplo:

  • CPU

  • MSU

  • Tempo de resposta

  • Número de transações

  • I/O

  • Locks

  • Esperas

  • Uso de memória


Traces

Registram o caminho percorrido por uma solicitação.

Imagine uma chamada REST.

Aplicativo

↓

API Gateway

↓

z/OS Connect

↓

CICS

↓

COBOL

↓

Db2

Hoje conseguimos acompanhar toda essa jornada.


O nascimento de um incidente

Um ABEND raramente nasce sozinho.

Antes dele normalmente aparecem sinais.

Por exemplo.

Mais CPU

↓

Mais Esperas

↓

Mais Locks

↓

Timeouts

↓

Fila crescendo

↓

ABEND

Quem monitora apenas o ABEND já chegou tarde.


Engenharia de Confiabilidade

Nos últimos anos surgiu uma disciplina chamada:

Site Reliability Engineering (SRE)

Embora tenha ficado famosa no mundo Cloud,

seus princípios combinam perfeitamente com o Mainframe.

Entre eles:

  • automação;

  • observabilidade;

  • prevenção;

  • métricas;

  • melhoria contínua.


O papel do WLM

No IBM Z existe um componente extraordinário.

O Workload Manager (WLM).

Enquanto muitos sistemas apenas distribuem CPU,

o WLM distribui objetivos de negócio.

Ele entende prioridades.

Por exemplo.

PIX

↓

Mais importante

↓

Recebe CPU primeiro

Enquanto um relatório interno pode esperar alguns segundos.


O poder do SMF

Poucos iniciantes percebem a riqueza do System Management Facility (SMF).

Ele registra praticamente tudo o que acontece no sistema.

Alguns exemplos:

  • uso de CPU;

  • I/O;

  • execução de jobs;

  • atividades do CICS;

  • Db2;

  • RACF;

  • MQ;

  • Language Environment;

  • z/OS Connect;

  • redes.

O SMF é a memória histórica do IBM Z.


O papel da Inteligência Artificial

Até pouco tempo,

investigar um dump dependia quase exclusivamente da experiência humana.

Hoje isso começa a mudar.

Ferramentas baseadas em IA conseguem:

  • correlacionar milhares de mensagens;

  • identificar padrões repetitivos;

  • sugerir causas prováveis;

  • resumir logs;

  • localizar mudanças recentes;

  • acelerar a análise.

Elas não substituem o especialista.

Mas reduzem drasticamente o tempo de investigação.


A importância da Correlação

Imagine que ocorram simultaneamente:

S0C7

↓

MQ parado

↓

Db2 lento

↓

Storage cheia

↓

CPU elevada

São quatro problemas?

Talvez não.

Todos podem ter a mesma origem.

Ferramentas modernas fazem exatamente essa correlação.


O conceito de MTTR

Todo centro de operações acompanha uma métrica importantíssima.

Mean Time To Repair

Quanto tempo leva para resolver um incidente?

Imagine dois bancos.

Banco A

Resolve em:

6 horas.

Banco B

Resolve em:

20 minutos.

A diferença financeira pode ser enorme.


MTBF

Outra métrica clássica.

Mean Time Between Failures

Quanto maior,

mais confiável é o ambiente.


O conceito de RCA

Após um incidente importante,

grandes empresas realizam uma

Root Cause Analysis.

O objetivo não é descobrir um culpado.

É descobrir:

  • o que aconteceu;

  • por que aconteceu;

  • como impedir que volte a acontecer.


O ciclo da melhoria contínua

Todo incidente deveria produzir conhecimento.

ABEND

↓

Investigação

↓

Correção

↓

Documentação

↓

Automação

↓

Monitoramento

↓

Novo Conhecimento

Assim o sistema evolui continuamente.


A documentação salva empresas

Um erro comum é resolver um incidente e seguir para o próximo chamado.

Especialistas fazem diferente.

Eles registram:

  • causa;

  • sintomas;

  • mensagens;

  • solução;

  • prevenção;

  • comandos utilizados;

  • dumps analisados.

Anos depois,

essa documentação economiza dias de trabalho.


O papel do ChatOps

Cada vez mais empresas integram:

  • Microsoft Teams;

  • Slack;

  • Webex;

  • IA;

  • automações.

Imagine:

ABEND detectado

↓

Bot consulta logs

↓

Analisa CEEDUMP

↓

Resume incidente

↓

Envia para equipe

↓

Sugere solução

Esse cenário já é realidade em muitas organizações.


O futuro da investigação

Nos próximos anos veremos sistemas capazes de:

  • detectar comportamento anômalo antes do ABEND;

  • comparar incidentes com milhares de casos históricos;

  • sugerir correções automaticamente;

  • gerar documentação técnica;

  • criar testes para impedir regressões;

  • explicar dumps em linguagem natural.

O especialista continuará essencial, mas terá ferramentas muito mais poderosas.


O papel do Programador Padawan

Diante de tanta tecnologia, pode surgir a dúvida:

"Então basta usar IA?"

Não.

A IA acelera a investigação.

Quem toma decisões continua sendo o engenheiro.

Ela pode dizer:

"Existe 92% de chance de este S0C7 ter sido causado por dados inválidos."

Mas alguém precisa confirmar, entender o contexto e validar a correção.

Conhecimento técnico continua sendo indispensável.


As habilidades do profissional moderno

O programador Mainframe do futuro não domina apenas COBOL.

Ele entende:

  • arquitetura IBM Z;

  • JCL;

  • CICS;

  • Db2;

  • MQ;

  • z/OS Connect;

  • APIs REST;

  • JSON;

  • observabilidade;

  • automação;

  • Git;

  • DevOps;

  • IA Generativa.

Quanto maior a visão sistêmica, mais eficiente será na resolução de incidentes.


O ciclo completo de um ABEND na era moderna

Aplicação

↓

Logs

↓

Métricas

↓

Traces

↓

Monitoramento

↓

IA

↓

Correlação

↓

Investigação

↓

Root Cause

↓

Correção

↓

Teste

↓

Deploy

↓

Documentação

↓

Automação

↓

Aprendizado Organizacional

Observe como o ABEND representa apenas uma pequena etapa dentro de um processo muito maior de engenharia.


Dez princípios para nunca mais olhar um ABEND da mesma forma

  1. O ABEND é um sintoma, não a doença.

  2. A primeira mensagem costuma ser mais importante que a última.

  3. O JCL merece tanta atenção quanto o COBOL.

  4. CEEDUMP, SYSMDUMP e IPCS contam a história da execução.

  5. Dados incorretos são responsáveis por grande parte dos incidentes.

  6. Validação custa menos do que investigação.

  7. Documentar um incidente evita dezenas de novos chamados.

  8. Automação reduz erros humanos repetitivos.

  9. Observabilidade permite enxergar problemas antes do cliente.

  10. Todo ABEND deve tornar o sistema mais confiável do que era antes.


Conclusão

Durante décadas, os ABENDs foram vistos como o grande pesadelo dos programadores COBOL. Hoje sabemos que eles são muito mais do que códigos de erro. São mecanismos sofisticados de proteção, diagnóstico e aprendizado incorporados à própria arquitetura do IBM Z.

À medida que tecnologias como observabilidade, automação, engenharia de confiabilidade e Inteligência Artificial se integram ao ecossistema Mainframe, a forma de lidar com incidentes também evolui. O foco deixa de ser apenas restaurar um serviço e passa a compreender profundamente o comportamento do sistema, eliminar causas estruturais e fortalecer continuamente a plataforma.

O Programador Padawan que percorreu esta série provavelmente não verá mais um S0C7, um ASRA ou um U4038 apenas como um problema a resolver. Ele enxergará uma oportunidade de investigar, aprender e aperfeiçoar um dos ambientes computacionais mais robustos do mundo.

Porque, no IBM Z, cada ABEND conta uma história. E os melhores engenheiros são aqueles que aprendem a ouvi-la.


sexta-feira, 30 de julho de 2021

E-E-A-T: Muito Além do SEO

Bellacosa Mainframe evoluindo em seo o conceito de eeat


☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

E-E-A-T: Muito Além do SEO

O Que Todo Programador COBOL Padawan Precisa Saber Sobre Experiência, Credibilidade e Como Inspirar a Próxima Geração de Profissionais IBM Mainframe

"As pessoas não seguem quem sabe mais. Elas seguem quem demonstra conhecimento, compartilha experiências e ajuda os outros a crescer."

Durante décadas trabalhando com IBM Mainframe, aprendi uma lição que vale muito mais do que qualquer linguagem de programação, banco de dados ou sistema operacional.

Tecnologia muda.

Ferramentas evoluem.

Linguagens surgem.

Arquiteturas são reinventadas.

Mas existe algo que continua exatamente igual desde os primeiros computadores da IBM até a era da Inteligência Artificial.

As pessoas aprendem com pessoas.

Essa talvez seja a maior lição que podemos tirar quando falamos de E-E-A-T.

Muitos imaginam que seja apenas mais uma sigla criada pelo Google para classificar páginas na Internet.

Na realidade, ela representa algo muito maior.

Representa confiança.

E confiança sempre foi a moeda mais valiosa da engenharia.

Vamos tomar um café.

Porque essa conversa não é sobre SEO.

É sobre legado.


O que significa E-E-A-T?

A sigla representa quatro pilares.

Experience — Experiência

Você realmente viveu aquilo?

Expertise — Especialização

Você domina o assunto?

Authoritativeness — Autoridade

Outras pessoas reconhecem seu conhecimento?

Trustworthiness — Confiabilidade

Aquilo que você publica pode ser considerado seguro e verdadeiro?

Observe uma curiosidade.

Nenhum desses pilares fala de palavras-chave.

Nenhum fala de algoritmos.

Nenhum fala de Inteligência Artificial.

Todos falam sobre pessoas.


Imagine um incidente em produção

São duas horas da manhã.

O banco inteiro depende de um sistema CICS.

Uma transação começa a falhar.

Quem você gostaria que estivesse ao seu lado?

Alguém que leu três artigos na Internet?

Ou alguém que passou vinte anos resolvendo problemas semelhantes?

A resposta é óbvia.

Você procura experiência.

E é exatamente isso que o Google tenta identificar quando avalia conteúdo.


Experience: o poder de dizer "eu já vivi isso"

Existe uma enorme diferença entre escrever:

"Um ABEND S0C7 ocorre devido a erro de conversão."

E escrever:

"Na primeira vez que enfrentei um S0C7 em produção, descobri que um campo COMP-3 estava sendo alimentado por dados inválidos vindos de um arquivo legado. Foram horas até localizar a origem do problema, mas aquela madrugada mudou completamente minha forma de validar dados."

O primeiro texto informa.

O segundo ensina.

Porque existe experiência.

Experiência não pode ser copiada.

Não pode ser baixada.

Não pode ser gerada automaticamente.

Ela é construída.


Expertise: conhecimento profundo

Conhecer comandos não significa compreender sistemas.

Qualquer pessoa pode decorar:

EXEC CICS LINK

Outra coisa completamente diferente é entender:

  • quando utilizar LINK;

  • quando utilizar XCTL;

  • como isso afeta o fluxo de execução;

  • impacto na manutenção;

  • implicações de desempenho;

  • boas práticas adotadas em grandes bancos.

Especialização aparece nos detalhes.


Autoridade não é vaidade

Muitos confundem autoridade com fama.

Não é.

Autoridade é consequência.

Quando alguém pergunta:

"Quem explica bem COBOL?"

Se vários profissionais respondem:

"Leia os artigos do Bellacosa."

Você construiu autoridade.

Ela não foi comprada.

Foi conquistada.


Confiabilidade é patrimônio

Imagine um artigo ensinando um comando IDCAMS.

O exemplo contém erro.

Centenas de iniciantes copiam aquele código.

Todos falham.

Quanto tempo leva para perder credibilidade?

Pouquíssimos minutos.

Confiabilidade demora anos para ser construída.

Pode desaparecer em um único artigo mal revisado.


O Mainframe sempre viveu de E-E-A-T

Muito antes do Google existir.

Pense nos grandes analistas dos bancos.

Eles eram referência porque:

Tinham experiência.

Dominavam tecnologia.

Eram respeitados.

E inspiravam confiança.

O Google apenas deu nome a algo que nossa profissão sempre valorizou.


O desafio da nossa geração

Existe uma percepção equivocada sobre IBM Mainframe.

Muitos jovens imaginam que seja uma tecnologia antiga.

Ultrapassada.

Sem futuro.

Isso acontece porque, durante muito tempo, nós mesmos falamos pouco sobre ela.

Enquanto comunidades de linguagens modernas produziam milhares de vídeos, blogs e cursos, muitos especialistas em Mainframe compartilhavam conhecimento apenas dentro das empresas.

O resultado foi previsível.

Quem pesquisava na Internet encontrava pouco conteúdo acessível.

Não porque o Mainframe fosse irrelevante.

Mas porque seus especialistas eram discretos.


Evangelizar é abrir portas

A palavra "evangelizar" não significa convencer alguém a pensar como você.

Significa compartilhar boas notícias.

E existe uma excelente notícia para quem está começando.

O Mainframe continua processando algumas das operações mais críticas do planeta.

Pagamentos.

Seguros.

Companhias aéreas.

Governo.

Saúde.

Grandes bancos.

Bilhões de transações passam diariamente por plataformas IBM Z.

Isso merece ser contado.


O Padawan não procura um herói

Ele procura um guia.

Muitos iniciantes chegam assustados.

Encontram termos como:

  • JES2;

  • RACF;

  • VSAM;

  • IMS;

  • JCL;

  • CICS;

  • DB2.

Tudo parece um idioma alienígena.

Nosso papel não é impressionar.

É traduzir.

Quando explicamos com calma, usando exemplos e analogias, diminuímos a distância entre o medo e a curiosidade.


Mostrar o propósito antes da sintaxe

É comum ensinar COBOL começando por IDENTIFICATION DIVISION.

Mas talvez a primeira pergunta devesse ser outra.

"Por que o COBOL ainda existe?"

Quando o aluno entende que aquele programa pode movimentar milhões de reais por minuto, processar aposentadorias, autorizar cartões ou registrar voos, a linguagem deixa de ser apenas código.

Ela ganha significado.

Pessoas aprendem melhor quando enxergam propósito.


Criar uma onda positiva

Toda comunidade cresce quando celebra conquistas.

Compartilhe quando um aluno conseguir o primeiro emprego.

Comemore a primeira certificação.

Divulgue projetos pessoais.

Mostre laboratórios feitos em casa.

Valorize pequenas vitórias.

Essas histórias inspiram muito mais do que estatísticas.


Conte histórias, não apenas comandos

Ninguém lembra de uma lista enorme de parâmetros do SORT.

Mas todos lembram da história daquele processamento que terminou cinco horas antes porque alguém reorganizou corretamente os arquivos.

Histórias criam memória.

Memória cria aprendizado.


Transforme complexidade em curiosidade

Em vez de dizer:

"Hoje vamos estudar RACF."

Experimente:

"Você já imaginou como um banco garante que apenas a pessoa certa tenha acesso aos dados certos, no momento certo? É exatamente isso que o RACF faz."

A curiosidade abre caminho para o conhecimento.


Seja transparente sobre os desafios

Evangelizar não significa romantizar.

Mainframe exige estudo.

COBOL exige disciplina.

JCL parece estranho no início.

TSO pode assustar.

Mas tudo isso faz parte da jornada.

O iniciante respeita quem apresenta os desafios com honestidade e, ao mesmo tempo, mostra que eles podem ser superados.


A Inteligência Artificial também pode ser uma aliada

Muitos Padawans estudam com apoio de IA.

Isso não diminui o aprendizado.

Quando usada corretamente, ela acelera a compreensão.

Pode explicar um programa COBOL.

Comparar JCLs.

Gerar exercícios.

Responder dúvidas.

Mas sempre existe um detalhe importante.

A IA oferece respostas.

O mentor oferece contexto.

E contexto continua sendo um diferencial humano.


Compartilhe os bastidores

Mostre como funciona um ambiente real.

Explique o papel do operador.

Do desenvolvedor.

Do administrador CICS.

Do DBA DB2.

Do especialista em segurança.

Do sysprog.

Quando o aluno enxerga o ecossistema, percebe que existe espaço para diferentes perfis.


Incentive a curiosidade permanente

O profissional de Mainframe nunca para de aprender.

Hoje estudamos COBOL 6.5.

Amanhã APIs REST.

Depois OpenTelemetry.

Ansible.

Containers.

IA Generativa.

O IBM Z continua evoluindo.

Quem entra nessa área também evolui.


O legado mais importante não é um sistema

É uma pessoa preparada.

Quando um especialista compartilha conhecimento, ele não entrega apenas documentação.

Entrega confiança.

Entrega segurança.

Entrega continuidade.

Cada Padawan que aprende corretamente torna-se o próximo elo dessa corrente.


Muito Além do Google

No final das contas, E-E-A-T não serve apenas para ranquear melhor.

Serve para lembrar por que alguém escolheria ler um artigo seu em vez de milhares de outros disponíveis na Internet.

Porque você viveu aquilo.

Porque estudou profundamente.

Porque conquistou respeito.

Porque escreve com responsabilidade.

Esses mesmos princípios transformam um profissional em referência, um professor em mentor e um conteúdo técnico em fonte de inspiração.

Como evangelizadores do IBM Mainframe, temos uma missão que vai muito além de ensinar COBOL, CICS ou DB2.

Precisamos mostrar que existe um universo fascinante por trás dessas siglas. Um universo que sustenta bancos, companhias aéreas, governos, seguradoras e empresas que movem a economia mundial.

Precisamos contar histórias, compartilhar experiências, celebrar conquistas e acolher quem está dando os primeiros passos.

Cada artigo publicado, cada aula gravada, cada dúvida respondida e cada Padawan incentivado ajuda a construir uma comunidade mais forte.

Talvez o maior legado de um profissional não seja o sistema que desenvolveu nem a arquitetura que projetou.

Talvez seja a quantidade de pessoas que decidiu continuar estudando porque encontrou alguém disposto a ensinar.

E, se conseguirmos fazer isso, estaremos praticando o verdadeiro E-E-A-T.

Não apenas para agradar algoritmos.

Mas para fortalecer uma comunidade inteira.

Porque Mainframe nunca foi apenas sobre computadores.

Sempre foi sobre pessoas que confiam umas nas outras para manter o mundo funcionando.

E essa continua sendo a tecnologia mais importante de todas.


Perguntas Frequentes

O que significa E-E-A-T?

Experience, Expertise, Authoritativeness e Trustworthiness.

Posso usar IA para criar artigos?

Sim. O Google analisa a qualidade do conteúdo e não apenas a ferramenta utilizada.

quinta-feira, 29 de julho de 2021

☕💥 Por que os Fluxogramas Caíram em Desuso?

 

Bellacosa Mainframe e um teoria sobre o desuso dos fluxogramas

☕💥 Por que os Fluxogramas Caíram em Desuso?

Ou como um Padawan COBOL descobriu que o vilão não era o losango, mas a pressa do mercado

A resposta curta é:

Fluxogramas não morreram.
Eles foram substituídos, fragmentados, escondidos dentro de outras ferramentas e vítimas da pressão por velocidade de entrega.

E isso aconteceu por vários motivos.


1. O software ficou monstruosamente grande

Na década de 70, um programa COBOL típico poderia ter:

2.000 linhas
5 arquivos
20 IFs

Um fluxograma cabia em duas folhas.

Já um sistema bancário atual pode possuir:

35.000 linhas COBOL

120 tabelas DB2

50 programas chamados

MQ

CICS

Webservices

Kafka

APIs

z/OS Connect

Imagine desenhar isso.

Seriam dezenas de páginas.

Exemplo:

Login

↓

Menu

↓

Consulta

↓

CICS

↓

COBOL

↓

DB2

↓

MQ

↓

API PIX

↓

Anti-fraude

↓

Core Banking

Vira praticamente uma planta industrial.


2. O Waterfall perdeu força

Antigamente.

Projeto:

Meses de análise

Meses de desenho

Meses documentação

Meses codificação


Hoje:

Sprint

5 dias

10 dias

Deploy

Produção


No Agile.

Muitos pensam:

"Melhor codar do que desenhar."

E aí morre o fluxograma.


3. UML roubou espaço

Anos 90.

Chega UML.

E aparece:

Use Case

Sequence Diagram

Activity Diagram

Class Diagram

State Diagram


Activity Diagram praticamente é.

Fluxograma Premium™.

Exemplo.

Login

Validar

[Conta válida]

Consultar


Mesmo conceito.

Outra roupa.


4. Ferramentas BPM surgiram

Hoje temos:

Camunda

IBM BPM

ServiceNow

Power Automate

Bizagi


Você não desenha.

Você modela.


Exemplo.

Fluxograma clássico.

Solicitar Crédito

↓

Análise

↓

Gerente

↓

Compliance

Camunda.

Já executa.

Workflow vivo.


5. Código passou a ser documentação

Essa é a maior mudança cultural.

Dev moderno diz:

O código é a documentação.

Exemplo.

EVALUATE STATUS

WHEN 1
   PERFORM INSERIR

WHEN 2
   PERFORM ALTERAR

WHEN 3
   PERFORM EXCLUIR

WHEN OTHER
   CONTINUE

END-EVALUATE

Ele acredita que isso basta.


Analista antigo pensa:

"Sim."

"Mas eu levei 15 segundos olhando um desenho."

"Você levou 20 minutos lendo o programa."

😂


6. CASE Tools fracassaram

Anos 80.

Grande promessa.

Desenhar.

Gerar COBOL.


Ferramentas.

IEF

CoolGen

Pacbase

Excelerator

ADW


Promessa:

Desenhe.

Clique.

Compile.


Realidade.

Sistema gerado.

Gigantesco.

Difícil manutenção.


Mercado perdeu confiança.


7. Diagramas ficaram desatualizados

Problema clássico.

Fluxograma.

Lindo.

Aprovado.


Programador faz:

Mais 10 IFs.

Mais 5 EVALUATE.

Mais 2 SELECT.


Ninguém atualiza.

Diagrama.

Versão 2017.

Código.

Versão 2026.


Caos.


8. O Git substituiu parte da documentação

Hoje.

Git.

Pull Request.

Merge.

Comentários.

Exemplo.

PR-4523


Adicionada regra PIX noturno

Muitos usam isso.

Como histórico.


9. A geração atual prefere ferramentas visuais modernas

Antigamente.

Visio

PowerPoint

Papel

Caneta


Hoje.

Miro

Draw.io

LucidChart

Figma


Mesmo conceito.

Nova embalagem.


Mas Mainframe ainda ama fluxogramas

Aqui está a grande ironia.

No mundo Mainframe.

Fluxogramas nunca morreram.

Estão escondidos.


CICS

Mapas BMS

Fluxo PF3

PF5

ENTER


Batch

Arquivos

Balance Line

Merge


DB2

Cursores

Commit

Rollback


VSAM

READ

REWRITE

DELETE


JES2

JOB

STEP

COND

RC


Exemplo real

Imagine receber.

Programa:

FINA0321

42 mil linhas.

Criado.

Autor.

Aposentado.

Documentação.

Zero.


Você abre.

PERFORM P0010

PERFORM P0020

PERFORM P0030

PERFORM P0040

O que faz?

Ninguém sabe.


Você desenha.

START

↓

LER VSAM

↓

CLIENTE EXISTE?


◇



SIM


↓

ATUALIZA DB2


↓

GERA RELATÓRIO




NÃO


↓

INCLUI DB2




↓

END

Em 10 minutos.

Entendeu o programa.


Então por que deveríamos voltar a usar?

Porque ele resolve problemas caros.

Comunicação

Analista

Desenvolvedor

Tester

Usuário

Todos entendem.


Onboarding

Padawan COBOL chega.

Primeiro dia.

Recebe.

Fluxograma.

Aprende.

Em horas.

Sem.

Fluxograma.

Leva semanas.


Auditoria

Banco Central

SOX

PCI

LGPD

Adoram.

Fluxos.


Engenharia Reversa

Legados.

Sem documentação.

Fluxograma é ouro.


Minha visão para o Mainframe moderno

Eu diria que o fluxograma não morreu.

Ele evoluiu.

Hoje ele reaparece como:

  • Activity Diagram

  • BPMN

  • Camunda

  • Miro

  • Draw.io

  • Mermaid

  • Workflow IBM BPM

  • State Machines

  • Fluxos conversacionais

  • Orquestração de APIs

  • Pipelines DevOps

Mas para nós, habitantes do Reino IBM Z, existe uma verdade quase filosófica:

Um fluxograma bem desenhado é a forma mais rápida de transformar 30 mil linhas de COBOL em uma história compreensível.

O compilador entende COBOL. O ser humano entende narrativas. O fluxograma é a ponte entre os dois.

Bellacosa Mainframe ☕💥🚀

 

quarta-feira, 28 de julho de 2021

💣🧠 NÃO CONFIE NO EPISÓDIO 1 — ESTES ANIMES SÃO ABENDS MENTAIS COM PLOT TWISTS QUE REESCREVEM A MEMÓRIA

 

Bellacosa Mainframe e animes com plot twists


💣🧠 NÃO CONFIE NO EPISÓDIO 1 — ESTES ANIMES SÃO ABENDS MENTAIS COM PLOT TWISTS QUE REESCREVEM A MEMÓRIA

A metodologia utilizada para selecionar os animes deste artigo segue o mesmo princípio de uma análise de causa raiz (Root Cause Analysis) em ambientes críticos de Mainframe: não basta existir uma surpresa no final, ela precisa reescrever completamente a interpretação dos eventos anteriores.

Foram escolhidas obras que apresentam três características fundamentais. A primeira é o efeito de recontextualização, quando uma revelação transforma fatos aparentemente simples em peças de um quebra-cabeça muito maior. A segunda é a presença de pistas ocultas, permitindo que o espectador reassista à obra e descubra que o roteiro sempre mostrou a verdade, mas de forma sutil. A terceira é o impacto cognitivo, aquele momento em que o público percebe que analisou a história usando premissas incorretas.

O objetivo do artigo não é listar apenas animes com finais surpreendentes. Muitos animes possuem reviravoltas, mas poucos conseguem provocar a sensação de "ABEND mental", onde toda a lógica construída pelo espectador entra em colapso e precisa ser reconstruída.

Obras como Steins;Gate, Attack on Titan, Serial Experiments Lain, Odd Taxi e Shinsekai Yori foram escolhidas porque recompensam a atenção aos detalhes e demonstram excelência narrativa. São animes que transformam uma segunda assistida em uma experiência completamente diferente da primeira, exatamente como um Sysprog que retorna ao dump após descobrir a verdadeira causa raiz do problema.

☕🔥 Quando o Sysprog Descobre Que Estava Analisando o Log Errado

Todo profissional de mainframe já passou por isso.

Você analisa o dump.
Examina o JESMSGLG.
Revisa o SYSLOG.
Confere o RMF.

E então percebe que o problema não estava onde você imaginava.

O verdadeiro erro estava escondido em outro lugar.

Existem animes que fazem exatamente isso.

Eles apresentam uma história aparentemente simples, criam uma narrativa previsível e confortável, e então executam um comando invisível:

ALTERA TODA A SUA INTERPRETAÇÃO DA HISTÓRIA.

O resultado?

Você termina o anime e imediatamente sente vontade de assistir tudo novamente.

Porque agora sabe que o episódio 1 estava mentindo para você.

Prepare-se.


🧪 STEINS;GATE (シュタインズ・ゲート)

Lançamento

2011

Gênero

Ficção Científica, Suspense, Drama

História

Rintarou Okabe é um autoproclamado cientista maluco que passa os dias em um laboratório improvisado criando invenções absurdas.

Tudo parece uma comédia nerd.

Até que uma descoberta acidental transforma um micro-ondas em uma máquina capaz de alterar o passado.

Personagens

  • Rintarou Okabe

  • Kurisu Makise

  • Mayuri Shiina

  • Itaru "Daru" Hashida

O Plot Twist

O anime passa vários episódios parecendo uma aventura divertida.

Então o espectador descobre que cada pequena alteração temporal possui consequências devastadoras.

Por que foi escolhido?

Porque transforma uma simples história de viagem temporal em uma aula magistral sobre causalidade.

É o equivalente a alterar um parâmetro em produção e descobrir que ele impacta sistemas que você nem sabia que existiam.


🧠 SERIAL EXPERIMENTS LAIN (シリアルエクスペリメンツ レイン)

Lançamento

1998

Gênero

Cyberpunk, Filosófico, Psicológico

História

Lain é uma garota comum que começa a receber mensagens de uma colega morta através da rede chamada Wired.

Pouco a pouco a fronteira entre realidade e mundo digital desaparece.

Personagens

  • Lain Iwakura

  • Yasuo Iwakura

  • Mika Iwakura

  • Alice Mizuki

O Plot Twist

Você passa o anime inteiro tentando entender quem é Lain.

No final percebe que talvez essa pergunta estivesse errada desde o início.

Por que foi escolhido?

Porque foi décadas à frente de seu tempo.

Falava sobre identidade digital antes mesmo das redes sociais existirem.


⚔️ ATTACK ON TITAN (進撃の巨人)

Lançamento

2013

Gênero

Ação, Fantasia Sombria, Mistério

História

A humanidade vive confinada atrás de muralhas gigantes para escapar dos Titãs.

Aparentemente a trama é simples:

Humanos versus monstros.

Não é.

Personagens

  • Eren Yeager

  • Mikasa Ackerman

  • Armin Arlert

  • Levi Ackerman

O Plot Twist

As maiores revelações da série não mudam apenas a história.

Mudam completamente o significado da história.

Por que foi escolhido?

Porque poucas obras conseguem recontextualizar tantos eventos de forma tão brutal.

Ao reassistir os episódios iniciais você percebe que os roteiristas estavam escondendo pistas na sua frente o tempo inteiro.


🌸 PUELLA MAGI MADOKA MAGICA (魔法少女まどか☆マギカ)

Lançamento

2011

Gênero

Fantasia, Drama, Psicológico

História

Garotas recebem poderes mágicos para lutar contra criaturas sobrenaturais.

Parece um anime infantil.

Parece.

Personagens

  • Madoka Kaname

  • Homura Akemi

  • Sayaka Miki

  • Mami Tomoe

O Plot Twist

A série destrói completamente as expectativas do gênero Magical Girl.

Por que foi escolhida?

Porque faz o espectador perceber que estava assistindo ao anime errado.

A obra se disfarça de fantasia juvenil enquanto prepara um dos maiores choques emocionais da década.


🚕 ODD TAXI (オッドタクシー)

Lançamento

2021

Gênero

Mistério, Drama

História

Odokawa é um taxista aparentemente comum.

Diversos passageiros entram em seu táxi e contam histórias aparentemente desconectadas.

Personagens

  • Odokawa

  • Shirakawa

  • Kakihana

  • Dobu

O Plot Twist

Quando a verdade surge, o espectador percebe que praticamente todos os diálogos continham pistas.

Por que foi escolhido?

Porque representa o raro caso de um roteiro onde nada é desperdiçado.

Cada detalhe possui função.


🧬 SHINSEKAI YORI (新世界より)

Lançamento

2012

Gênero

Ficção Científica, Distopia, Horror Psicológico

História

Mil anos no futuro, crianças vivem em uma sociedade aparentemente perfeita.

Naturalmente, algo está errado.

Muito errado.

Personagens

  • Saki Watanabe

  • Satoru Asahina

  • Maria Akizuki

  • Shun Aonuma

O Plot Twist

A verdade sobre o mundo é tão perturbadora que muda completamente a percepção moral da série.

Por que foi escolhido?

Porque poucos animes conseguem fazer o espectador questionar quem são os verdadeiros monstros.


🧩 THE PROMISED NEVERLAND (約束のネバーランド)

Lançamento

2019

Gênero

Suspense, Horror, Mistério

História

Um grupo de crianças vive feliz em um orfanato.

Tudo parece perfeito.

Esse é o problema.

Personagens

  • Emma

  • Norman

  • Ray

  • Isabella

O Plot Twist

Um dos episódios iniciais apresenta uma revelação tão poderosa que redefine instantaneamente toda a série.

Por que foi escolhido?

Porque demonstra como uma única cena pode mudar completamente o gênero de uma obra.


💀 CONCLUSÃO — O MELHOR PLOT TWIST NÃO É O QUE SURPREENDE

O melhor plot twist não é aquele que surge do nada.

É aquele que estava escondido desde o começo.

Da mesma forma que um Sysprog experiente sabe que o erro raramente está onde o ABEND aponta, os grandes roteiristas sabem que a melhor revelação é aquela que sempre esteve presente.

Você apenas não tinha as informações necessárias para enxergá-la.

E quando finalmente percebe...

O episódio 1 nunca mais será o mesmo.

☕🔥💣


terça-feira, 27 de julho de 2021

🐙 GitHub Copilot — o “estagiário Jedi” do código (inclusive no Mainframe)

 

Github Copilot em review para mainframers

Um Café no Bellacosa Mainframe

Tema: 🐙GitHub Copilot — o “estagiário Jedi” do código (inclusive no Mainframe)


🤖 Afinal… o que é o GitHub Copilot?

Padawan, sente-se.
O GitHub Copilot é aquele colega que não dorme, não pede café e completa seu código antes de você terminar de digitar. Criado pelo GitHub em parceria com a OpenAI, ele é um assistente de programação baseado em IA, treinado com bilhões de linhas de código público.

Em termos simples (estilo operador de madrugada):

“Você começa a escrever… o Copilot adivinha o que vem depois.”

Ele funciona como um autocomplete turbinado, mas com cérebro. Não é só completar palavra — ele entende intenção, contexto, padrões e estilo.


O que faz o Github Copilot

🧠 O que o Copilot faz na prática?

  • ✍️ Sugere linhas inteiras de código

  • 🧩 Cria funções completas

  • 🔄 Converte comentários em código

  • 🧪 Ajuda a escrever testes

  • 📚 Sugere uso de APIs e bibliotecas

  • 🧹 Refatora código legado (sim, até aquele que ninguém quer mexer)

Tudo isso em tempo real, direto no editor.


🛠️ Onde ele funciona?

  • VS Code (o queridinho)

  • Visual Studio

  • JetBrains (IntelliJ, PyCharm etc.)

  • Neovim (para os monges do terminal 😄)


🎯 Exemplo simples (para Padawans)

Você digita:

# função que calcula fatorial

O Copilot responde:

def fatorial(n): if n == 0: return 1 return n * fatorial(n-1)

Magia?
Não. Machine Learning com café industrial ☕⚙️


💡 Dicas Bellacosa Mainframe (anota no caderninho)

  1. Comente bem o código
    → O Copilot AMA comentários claros.
    Comentário ruim = sugestão ruim.

  2. Não aceite tudo no automático
    → Ele é um estagiário gênio, não o arquiteto.

  3. Use como par de programação
    → Você pensa no “o quê”, ele sugere o “como”.

  4. Excelente para aprender linguagens novas
    → Ideal para Padawans curiosos.

  5. Ótimo para código repetitivo
    → CRUD, validação, parsing, boilerplate… ele faz sorrindo.


🥚 Easter Eggs & Curiosidades

  • 🐙 O nome Copilot vem da aviação:
    Ele ajuda, mas não pilota sozinho.

  • 👀 Ele aprende o estilo do seu projeto.

  • 🤐 Não tem memória pessoal: cada sugestão é baseada no contexto atual.

  • ⚠️ Já sugeriu código inseguro ou obsoleto — por isso, olho de sysprog!


🧓 E AGORA O QUE INTERESSA: GitHub Copilot no IBM Mainframe 😎

❓ “Bellacosa… isso funciona com COBOL?”

Resposta curta:
👉 SIM, MAS COM ASTERISCOS

Resposta longa (a que gostamos):


🖥️ Copilot + COBOL + Mainframe

✅ Onde ele ajuda MUITO

  • 📄 Escrita de código COBOL padrão

    • PERFORM

    • IF/ELSE

    • READ / WRITE

    • Estrutura de PROGRAM-ID, WORKING-STORAGE, etc.

  • 🧾 Conversão de lógica

    • Pseudocódigo → COBOL

    • Comentários → código

  • 🔁 Refatoração de código legado

    • Reduz GOTO

    • Sugere PERFORMs mais limpos

  • 🧪 Geração de programas de teste

    • Dados fictícios

    • Leitura sequencial simples


⚠️ Onde ele AINDA NÃO é Jedi Master

  • ❌ Não conhece seu layout VSAM específico

  • ❌ Não entende copybooks proprietários

  • ❌ Não sabe suas regras de negócio bancárias dos anos 80

  • ❌ Não substitui conhecimento de:

    • CICS

    • DB2 tuning

    • JCL complexo

    • RACF

    • Performance

👉 Aqui entra o Mainframer raiz 💪


📌 Exemplo prático COBOL

Você escreve:

* Ler arquivo de clientes e somar saldo

O Copilot pode sugerir algo como:

READ CLIENTES-FILE AT END MOVE 'S' TO EOF-FLAG NOT AT END ADD SALDO-CLIENTE TO TOTAL-SALDO END-READ.

É perfeito?
Não.

É um ótimo ponto de partida?
👉 SIM.


🧠 Copilot NÃO substitui o Mainframer

E isso precisa ficar claro no El Jefe Midnight:

O Copilot não sabe o que é um ABEND S0C7 às 2h da manhã.
Você sabe.

Ele acelera, mas não decide.
Ele sugere, mas não responde ao auditor.
Ele gera código, mas não conhece o cliente.


☕ Conclusão Bellacosa Mainframe

  • Para Padawans:
    👉 O Copilot é um mestre paciente, que ensina pelo exemplo.

  • Para Mainframers:
    👉 É um acelerador brutal de produtividade, se usado com juízo.

  • Para o futuro do Mainframe:
    👉 Uma ponte entre o legado respeitado e a nova geração.

O Mainframe não morreu.
Ele só ganhou um copiloto.

 

segunda-feira, 26 de julho de 2021

🌙 El Jefe Midnight Lunch 🌙 O manifesto da criatura noturna

 


🌙 El Jefe Midnight Lunch

O manifesto da criatura noturna



Há quem desperte com o sol.
Eu, não.
Minha alma liga o motor quando o mundo adormece — é depois das 22h que meu sistema operacional atinge o pico de processamento.
Enquanto outros se preparam para dormir, eu abro threads mentais: ideias, vozes, lembranças, teorias, nostalgias — tudo vindo ao mesmo tempo, como um dump de pensamentos sobrecarregando o spool da consciência.

É nessa hora que nasce o El Jefe Midnight Lunch — meu refúgio digital, meu laboratório insone, minha mesa de bar sem barulho, iluminada apenas pelo brilho frio do monitor.
Aqui, as madrugadas têm cheiro de café, som de teclado e gosto de caos criativo.


🕯️ O espírito do blog

O El Jefe nunca foi planejado.
Ele foi derramado — palavra por palavra, como quem despeja memórias num copo e mistura com o que sobrou da sanidade.
É um colchão de retalhos digitais: um pouco de técnica, um pouco de cotidiano, um pouco de nostalgia, e uma porção generosa de devaneio.

Falo de mainframes, animes, Japão, linguagens antigas, histórias de rua, cafés amargos e amores impossíveis.
Porque é assim que funciono: 100% de paixão e 0% de constância.
Corro e paro.
Mordo e assopro.
Programo e poetizo.
Num instante estou mergulhado em um dump de COBOL, no outro, refletindo sobre a solidão dos shinkansen às 3h da manhã.

O blog é o reflexo do meu biotipo: volúvel, noturno, intenso, disperso, profundamente humano.




🕰️ A origem

O El Jefe Midnight Lunch nasceu há décadas — quando eu ainda digitava em telas verdes e acreditava que o mundo cabia num terminal 3270.
Veio sem pretensão, sem pauta, sem SEO.
Um lugar onde eu pudesse respirar o que penso e arquivar o que sinto.
E foi ficando.
Como uma sessão TSO esquecida no ar, rodando desde a meia-noite de outro século.

Hoje, ele é isso: um log da minha mente noturna, um diário de uptime emocional, uma estação onde as madrugadas fazem commit de suas ideias mais insanas.


☕ Epílogo da insônia

Talvez o El Jefe nunca termine — porque quem vive à noite sabe que a madrugada não tem ponto final, só reticências.
Enquanto houver café, barulho de ventilador e silêncio lá fora, eu continuarei aqui, digitando, misturando bits e sentimentos, alimentando esse processo batch chamado vida.

E se você chegou até aqui —
bem-vindo ao turno da meia-noite.
Pegue sua xícara.
O sistema está online.
DISPLAY "WELCOME TO EL JEFE MIDNIGHT LUNCH"

El Jefe Midnight Lunch


quarta-feira, 21 de julho de 2021

100-man no Inochi no Ue ni Ore wa Tatteiru 2ª Temporada : Quando um Programador COBOL Descobre que Corrigir um Bug em Produção é Fácil...

 

Bellacosa Mainframe apresenta a segunda temporada de 100-man no Inochi

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

100-man no Inochi no Ue ni Ore wa Tatteiru 2ª Temporada (100万の命の上に俺は立っている 第2期) sem Mistérios

Quando um Programador COBOL Descobre que Corrigir um Bug em Produção é Fácil... Difícil é Conviver com as Consequências


Introdução

Na primeira temporada, Yuusuke Yotsuya aprendeu que ser um herói não significa derrotar monstros.

Na segunda...

...ele descobre algo muito pior.

Cada decisão correta também produz vítimas.

É exatamente o tipo de situação encontrada em grandes ambientes de missão crítica.

Imagine atualizar um sistema bancário.

Você corrige um erro.

Milhões de clientes são beneficiados.

Mas centenas de processos antigos deixam de funcionar.

Você fez o certo?

Ou apenas escolheu qual problema aceitar?

A segunda temporada de 100-man no Inochi no Ue ni Ore wa Tatteiru deixa de ser um simples isekai e se transforma em uma discussão sobre ética, liderança, política, guerra e responsabilidade.

É uma temporada muito mais madura.


Dados da Obra

Título original

100万の命の上に俺は立っている 第2期

Romanização

100-man no Inochi no Ue ni Ore wa Tatteiru Dai Ni Ki

Título internacional

I'm Standing on a Million Lives – Season 2


Origem

História

Naoki Yamakawa

Arte

Akinari Nao

Publicação

Kodansha

Bessatsu Shōnen Magazine


Anime

Estúdio

Maho Film

Direção

Kumiko Habara

Composição da Série

Takao Yoshioka

Música

Kenji Kawai


Exibição

Julho de 2021

até

Setembro de 2021


Episódios

12 episódios

Total da franquia animada

24 episódios


Gênero

  • Isekai

  • Fantasia

  • Drama

  • Sobrevivência

  • Mistério

  • Estratégia

  • Ação

  • Seinen


Classificação Indicativa

+16

Contém

  • violência

  • mortes

  • escravidão

  • conflitos políticos

  • temas psicológicos

  • dilemas morais

Não é um anime focado em ecchi.

O peso está nas decisões.


Sinopse

Depois das primeiras missões, Yuusuke e seu grupo retornam ao mundo paralelo.

Agora eles percebem que não são apenas aventureiros.

Suas escolhas modificam completamente a história daquele mundo.

As novas missões envolvem:

  • guerras

  • tráfico humano

  • corrupção

  • povos inteiros

  • conflitos religiosos

  • tragédias naturais

Cada missão possui impacto continental.


Resumo da História

A segunda temporada amplia completamente a escala.

O grupo deixa de salvar pequenas aldeias.

Agora interfere diretamente no destino de nações.

O Game Master continua aparecendo.

Mas responde menos perguntas do que antes.

Enquanto isso...

o grupo começa a desconfiar de que talvez esteja sendo usado para algo muito maior.


O Grande Diferencial

A maioria dos isekais evolui assim:

Mais níveis

↓

Mais magia

↓

Mais inimigos

↓

Mais poder

100-man evolui diferente.

Mais responsabilidade

↓

Mais vítimas

↓

Mais dúvidas

↓

Menos certezas

É quase uma evolução psicológica.


Personagens

Yuusuke Yotsuya

Continua sendo um protagonista completamente diferente.

Enquanto outros heróis pensam:

"Como vencer?"

Ele pensa:

"Qual decisão produz menos mortes?"

Seu crescimento não acontece pelo poder.

Acontece pela consciência.


Iu Shindou

Continua representando o idealismo.

Acredita que todos podem ser salvos.

Mas a realidade começa a quebrar essa visão.


Kusue Hakozaki

A garota tímida da primeira temporada ganha muito mais maturidade.

Aprende que coragem não significa ausência de medo.


Yuka Tokitate

Torna-se muito mais importante.

Questiona constantemente as decisões de Yuusuke.

É a voz da emoção.


Cantil

Um dos personagens introduzidos nesta fase.

Representa povos explorados pela guerra.

Sua história mostra como civis normalmente são os maiores prejudicados.


Kahvel

Uma guerreira extremamente importante durante diversos conflitos.

Mostra que nem todos os heróis possuem finais felizes.


As Aventuras

A temporada apresenta missões muito mais complexas.

Entre elas:

Guerra Civil

Os protagonistas precisam escolher lados.

Mas nenhum deles é totalmente correto.


Comércio de Escravos

Um dos arcos mais pesados.

Mostra como pessoas podem virar simples recursos.


Conflitos Religiosos

A religião aparece como força política.

Nem sempre como elemento espiritual.


Desastres Naturais

Nem todos os inimigos possuem rosto.

Às vezes o verdadeiro vilão é a própria natureza.


Invasões

Os heróis precisam decidir entre:

proteger poucos

ou

arriscar todos.


Temáticas

Responsabilidade

Toda decisão produz consequências.


Ética

Salvar um grupo pode condenar outro.


Guerra

Não existem vencedores absolutos.


Política

Reis não governam apenas pela força.

Governam por interesses.


Liderança

Nem sempre liderar significa agradar.


O que muda em relação à primeira temporada?

A mudança é enorme.

A primeira temporada apresenta o mundo.

A segunda explica seu funcionamento.

Na primeira...

o foco é sobreviver.

Na segunda...

o foco é administrar consequências.

É praticamente a diferença entre:

Programador Júnior

Gerente de Produção


Mensagens Ocultas

O custo da liderança

Quem decide...

carrega culpa.


O mundo é complexo

Não existem soluções perfeitas.


A verdade depende do ponto de vista

Vilões também possuem histórias.


Heroísmo pode ser egoísmo

Às vezes salvar uma pessoa condena milhares.


Bellacosa Mainframe

Imagine um ambiente z/OS.

Primeira temporada.

Você aprende COBOL.

Na segunda.

Você vira responsável pelo ambiente inteiro.

Agora precisa administrar:

  • CICS

  • Db2

  • MQ

  • JES2

  • RACF

  • WLM

  • Produção

Qualquer erro impacta milhões.

É exatamente o sentimento vivido por Yuusuke.


O Game Master

Nesta temporada torna-se ainda mais misterioso.

Quanto mais aparece...

menos entendemos.

É como aqueles sistemas legados que existem há cinquenta anos.

Todo mundo usa.

Ninguém sabe exatamente quem criou.


Aspectos Técnicos

A animação melhora em vários momentos.

As batalhas são mais fluidas.

A trilha sonora de Kenji Kawai continua excelente.

O ritmo é mais consistente que o da primeira temporada.

A direção aposta muito mais em diálogos do que em explosões.


Impacto Cultural

Embora não tenha se tornado um fenômeno comercial, a segunda temporada consolidou a reputação da série como um isekai de estratégia e dilemas morais. Muitos fãs elogiaram a coragem de abordar temas como escravidão, manipulação política e responsabilidade coletiva em um gênero frequentemente associado apenas à fantasia de poder.

Por outro lado, parte do público esperava mais ação e progressão tradicional de níveis, o que dividiu opiniões. Ainda assim, a obra ganhou reconhecimento entre quem busca protagonistas inteligentes e histórias menos convencionais.


Censura

A adaptação para TV suaviza algumas cenas mais violentas e reduz detalhes gráficos presentes no mangá, principalmente em execuções, mutilações e consequências físicas da guerra. Os temas adultos, porém, permanecem evidentes, preservando a atmosfera sombria da narrativa.


Mangá

A segunda temporada adapta apenas uma parte da obra original.

O mangá continua muito além do anime, expandindo:

  • a verdadeira identidade e os objetivos do Game Master;

  • novos mundos e missões;

  • a origem do sistema de convocações;

  • dilemas éticos ainda mais profundos;

  • revelações sobre a ameaça em escala global.

Até o momento, o mangá permanece a forma mais completa de acompanhar a história.


Light Novel

Assim como a primeira temporada, não existe uma light novel. A franquia foi criada diretamente como um mangá, característica incomum entre os isekais modernos, que em sua maioria se originam de web novels ou light novels.


Games

A franquia não possui um jogo oficial de destaque para consoles ou PC. Apesar disso, sua estrutura lembra bastante RPGs táticos e campanhas de mesa, nas quais o gerenciamento de recursos, a tomada de decisões e as consequências de longo prazo são mais importantes do que o simples aumento de poder.


Curiosidades

  • A segunda temporada aprofunda a personalidade de Yuusuke, transformando-o em um dos protagonistas mais pragmáticos do gênero.

  • Kenji Kawai, compositor da trilha sonora, reforça o clima de tensão e melancolia em momentos decisivos.

  • O anime utiliza missões aparentemente isoladas para construir uma narrativa maior sobre responsabilidade coletiva.

  • Muitos leitores consideram que o mangá desenvolve melhor alguns arcos adaptados nesta temporada, oferecendo mais contexto político e emocional.


Comparativo entre as Temporadas

Aspecto1ª Temporada2ª Temporada
EscalaLocalContinental
MissõesIntroduçãoComplexas
MundoDescobertaExpansão
PolíticaPoucaMuito presente
DramaMédioAlto
FilosofiaAltaMuito alta
Dilemas moraisFrequentesConstantes
Desenvolvimento de YuusukeInicialProfundo

Nota Bellacosa Mainframe

CritérioNota
História⭐⭐⭐⭐⭐ (9,6/10)
Desenvolvimento dos Personagens⭐⭐⭐⭐⭐ (9,5/10)
Construção do Mundo⭐⭐⭐⭐⭐ (9,4/10)
Estratégia⭐⭐⭐⭐⭐ (10/10)
Drama⭐⭐⭐⭐⭐ (9,6/10)
Ação⭐⭐⭐⭐☆ (8,8/10)
Trilha Sonora⭐⭐⭐⭐⭐ (9,3/10)
Originalidade⭐⭐⭐⭐⭐ (9,7/10)
Recomendação para fãs de isekai estratégico⭐⭐⭐⭐⭐

Easter Egg Bellacosa Mainframe

Imagine que a primeira temporada foi seu treinamento em COBOL.

Você aprendeu:

  • IDENTIFICATION DIVISION

  • WORKING-STORAGE

  • PERFORM

  • READ

  • WRITE

Na segunda temporada, seu gerente diz:

"Parabéns. Agora você é responsável pelo ambiente de produção do banco."

De repente, você precisa cuidar de:

  • JES2

  • CICS

  • Db2

  • MQ

  • RACF

  • WLM

  • Batch Noturno

  • Recuperação de Desastres

Cada alteração passa por homologação, cada DEPLOY exige análise de impacto e um único erro pode afetar milhões de usuários.

É exatamente essa sensação que 100-man no Inochi no Ue ni Ore wa Tatteiru – 2ª Temporada transmite. O verdadeiro herói não é quem derrota o maior monstro, mas quem consegue tomar a decisão menos destrutiva quando todas as alternativas parecem levar a algum tipo de ABEND.

Da Ideia ao Código: A Engenharia de Software Sem Mistérios - Parte I

 

Bellacosa Mainframe e a engenharia de software sem misterios parte I

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Da Ideia ao Código: A Engenharia de Software Sem Mistérios

O Guia Definitivo do Programador COBOL Padawan para Entender Como Nascem os Sistemas que Movem o Mundo — Inspirado no Universo de Star Trek

"A lógica é o começo da sabedoria, não o fim."

— Sr. Spock


Introdução — A Ponte de Comando da USS Enterprise e o IBM Z

Existe uma cena recorrente em praticamente toda série de Star Trek.

O Capitão Kirk recebe uma missão.

Antes de simplesmente sair acelerando rumo ao desconhecido, uma sequência acontece quase sempre da mesma forma:

  • Uhura recebe as comunicações;

  • Sulu calcula a rota;

  • Chekov verifica a navegação;

  • Scotty analisa os motores;

  • Dr. McCoy avalia a tripulação;

  • Spock analisa os riscos.

Somente depois disso...

Warp Factor!

Curiosamente...

É exatamente assim que funciona um projeto de software.

O programador iniciante costuma imaginar que um sistema nasce quando alguém abre o Visual Studio Code, o IDz ou o ISPF e começa a escrever COBOL.

Na realidade...

O código representa apenas a ponta do iceberg.

Antes de existir uma única linha de código, dezenas de profissionais trabalharam durante semanas — ou meses — planejando tudo.

Foi justamente essa percepção que criou uma nova ciência chamada:

Engenharia de Software

E é exatamente essa jornada que faremos hoje.

Pegue sua caneca de café.

Ajuste o brilho do terminal 3270.

Ative os sensores de longo alcance.

Nossa missão começa agora.


Diário de Bordo — Stardate 2026

Imagine que a Federação precisa desenvolver um novo sistema para controlar toda a logística das naves da Frota Estelar.

Esse sistema deverá controlar:

  • combustível (Dilithium)

  • tripulação

  • armamentos

  • manutenção

  • suprimentos

  • teletransporte

  • missões

Parece simples.

Mas...

Como garantir que um erro nunca destrua uma nave inteira?

É exatamente para isso que existe a Engenharia de Software.


Capítulo 1 — A Grande Crise do Software

Nos anos 50 e início dos anos 60, programar era relativamente simples.

Os programas eram pequenos.

Poucas pessoas trabalhavam neles.

Mas os computadores ficaram cada vez maiores.

Surgiram:

  • bancos

  • companhias aéreas

  • governos

  • seguradoras

  • sistemas militares

De repente surgiram programas com:

  • milhões de linhas

  • milhares de tabelas

  • centenas de desenvolvedores

Resultado?

Uma verdadeira catástrofe.

Projetos atrasavam anos.

Custavam dezenas de vezes mais.

Nunca terminavam.

Essa situação ficou conhecida como:

Software Crisis

Foi ela que deu origem à Engenharia de Software.


O verdadeiro significado de Software

As apostilas mostram:

Software = Programas + Dados + Documentação

Na prática moderna...

Software significa muito mais.

Um sistema corporativo normalmente inclui:

  • código COBOL

  • programas Java

  • APIs REST

  • filas MQ

  • banco Db2

  • VSAM

  • IMS

  • documentação

  • monitoramento

  • pipelines CI/CD

  • segurança

  • backups

  • auditoria

  • logs

  • scripts

  • automação

Ou seja...

O código é apenas uma pequena parte.


Easter Egg nº 1 ☕

No universo Star Trek, o computador da Enterprise nunca mostra apenas "o programa".

Ele conhece:

  • estado da nave

  • sensores

  • mapas

  • comunicações

  • banco de dados

  • diagnósticos

Isso é exatamente o conceito moderno de software.


Engenharia de Requisitos

Antes de escrever código existe uma pergunta extremamente difícil.

"O que exatamente devemos construir?"

Curiosamente...

Essa costuma ser a pergunta mais complicada de todo projeto.

Imagine um banco dizendo:

"Queremos um sistema PIX."

Pronto?

Claro que não.

Agora começam centenas de perguntas.

Quem pode transferir?

Existe limite?

Qual horário?

Pessoa física?

Pessoa jurídica?

Existe auditoria?

Existe rollback?

Existe LGPD?

Existe dupla autenticação?

Existe assinatura digital?

Existe timeout?

Existe integração com BACEN?

Perceba.

Nenhuma dessas perguntas envolve COBOL.


O Analista é um Investigador Vulcano

Spock nunca tira conclusões precipitadas.

Ele primeiro coleta evidências.

Depois formula hipóteses.

Depois valida.

Um bom analista faz exatamente isso.

Ele investiga.

Questiona.

Confirma.

Documenta.


Engenharia de Requisitos é Engenharia de Perguntas

Quanto melhor forem as perguntas...

Melhor será o software.

Existe um velho ditado da IBM:

Um requisito mal entendido custa centenas de horas de retrabalho.


Requisitos Funcionais

São aqueles que respondem:

"O sistema faz o quê?"

Exemplos:

Consultar saldo

Transferir PIX

Emitir boleto

Gerar extrato

Cadastrar cliente

Calcular juros

Tudo isso é comportamento.


Requisitos Não Funcionais

Agora entra uma categoria que muitos iniciantes ignoram.

Ela responde:

"Como o sistema deve funcionar?"

Por exemplo.

Consultar saldo.

Em menos de 300 milissegundos.

Transferir dinheiro.

Disponibilidade de 99,999%.

Cadastrar cliente.

Suportar 50 mil usuários simultâneos.

Esses requisitos normalmente definem se o projeto será aprovado ou não.


O Segredo do Mainframe

Por que um IBM Z consegue processar bilhões de transações?

Porque praticamente todos os seus requisitos importantes são...

Não funcionais.

Disponibilidade.

Escalabilidade.

Confiabilidade.

Segurança.

Performance.


Curiosidade ☕

A famosa meta de 99,999% de disponibilidade ("cinco noves") significa apenas alguns minutos de indisponibilidade por ano. Esse nível é perseguido por plataformas de missão crítica como o IBM Z porque uma interrupção pode afetar milhões de clientes e transações.


Como levantar requisitos

Existem diversas técnicas.

As mais usadas são:

Entrevistas

Observação

Questionários

Brainstorming

Protótipos

Workshops


O poder da observação

Imagine automatizar um caixa bancário.

Você pergunta:

"Como você trabalha?"

Ele responde.

Mas...

Quando você o observa...

Descobre atalhos.

Planilhas escondidas.

Papéis.

Post-its.

Macetes.

Fluxos nunca documentados.

Isso acontece diariamente nas empresas.


O Documento Mais Importante do Projeto

Depois de semanas de entrevistas nasce um documento.

O famoso:

SRS

Software Requirement Specification

Ele é praticamente a Constituição do projeto.

Tudo nasce dele.

Tudo termina nele.


O que existe em um SRS?

Escopo.

Objetivos.

Glossário.

Casos de uso.

Regras de negócio.

Integrações.

Restrições.

Mensagens.

Fluxos.

Requisitos funcionais.

Requisitos não funcionais.

Critérios de aceitação.

No mundo IBM Z, muitas organizações utilizam documentos equivalentes, às vezes com outros nomes, mas a função é a mesma: registrar claramente o que será construído.


A Validação

Agora acontece algo extremamente importante.

Antes de programar...

Pergunta-se:

"Está correto?"

É muito mais barato descobrir um erro aqui do que meses depois.


A Regra dos Custos

Existe um princípio amplamente aceito na Engenharia de Software:

Quanto mais tarde um defeito é encontrado, maior tende a ser o custo para corrigi-lo.

Encontrar uma falha durante a análise geralmente é muito mais barato do que descobri-la após a implantação em produção.


Arquitetura

Agora começa outra etapa.

Imagine construir a USS Enterprise.

Você começaria instalando os motores?

Claro que não.

Primeiro existe um projeto.

Com software acontece igual.


Arquitetura responde perguntas gigantes

Será:

Monolito?

Microserviços?

Mainframe?

Cloud?

MQ?

REST?

Kafka?

Db2?

VSAM?

IMS?

CICS?

Nada disso envolve código ainda.


Um exemplo IBM Z

Imagine uma compra pela Internet.

O fluxo pode ser:

Cliente

API

z/OS Connect

CICS

Programa COBOL

Db2

MQ

Sistema de Estoque

Isso é arquitetura.


Arquitetura em Camadas

As apostilas mostram:

Presentation

Business

Data

Database

Curiosamente...

Muitos sistemas COBOL já utilizavam esse conceito décadas antes da popularização dos frameworks modernos.

Tela BMS.

Programa COBOL.

Db2.

É uma separação de responsabilidades.


Microserviços

Hoje muito se fala em Microservices.

A ideia é dividir um sistema enorme em pequenos serviços independentes.

Exemplo:

PIX

Cartões

Empréstimos

Investimentos

Clientes

Cada um evolui de forma independente.

Mas isso não significa que seja sempre a melhor escolha. Em muitos cenários, um monólito bem projetado é mais simples de desenvolver e manter.


HLD — High Level Design

Agora a arquitetura vira documento.

O HLD mostra:

Grandes módulos.

Integrações.

Banco.

Protocolos.

Fluxo de dados.

Não entra nos detalhes.

É o mapa da cidade.


LLD — Low Level Design

Agora sim.

Entramos no nível do desenvolvedor.

O LLD explica:

Algoritmos.

Tabelas.

Campos.

Índices.

Funções.

Pseudocódigo.

Fluxogramas.

Entradas.

Saídas.

Mensagens.

Agora o programador consegue escrever código.


Exemplo COBOL

Imagine um programa chamado:

COBPIX01

O LLD pode dizer:

Entrada:

  • Agência

  • Conta

  • Valor

Processamento:

  • validar conta

  • consultar saldo

  • verificar limite

  • debitar

  • registrar auditoria

  • gravar MQ

  • atualizar Db2

  • executar COMMIT

Saída:

  • código de retorno

  • novo saldo

  • mensagem ao usuário

Perceba.

O código praticamente nasce desse documento.


O Pseudocódigo

Uma das ferramentas mais antigas da Engenharia.

Ele permite pensar antes de programar.

Receber conta

↓

Conta existe?

↓

Não

Erro

↓

Sim

Saldo suficiente?

↓

Não

Saldo insuficiente

↓

Sim

Debitar

↓

Registrar log

↓

Atualizar Db2

↓

Commit

↓

Retornar sucesso

Quando esse fluxo está correto...

Programar fica muito mais simples.


SDLC na prática

Todo projeto percorre algo semelhante a:

Ideia

Requisitos

Validação

Arquitetura

HLD

LLD

Codificação

Testes

Implantação

Manutenção

Nova evolução

Perceba que a programação aparece apenas na metade da jornada.


Modelos de Desenvolvimento

A Engenharia criou diversos modelos para organizar esse fluxo.

Waterfall

Segue uma sequência rígida.

Requisitos.

Projeto.

Código.

Testes.

Produção.

Ainda é muito usado em projetos com requisitos estáveis, como diversos sistemas governamentais e aplicações de missão crítica.


Modelo V

Cada etapa de desenvolvimento possui uma etapa correspondente de teste.

Requisitos

⇔ Testes de Aceitação

Projeto

⇔ Testes de Sistema

Arquitetura

⇔ Testes de Integração

Módulos

⇔ Testes Unitários

É excelente para ambientes onde rastreabilidade e qualidade são fundamentais.


Modelo Incremental

Em vez de entregar tudo de uma vez, o sistema cresce por partes.

Primeiro:

Login.

Depois:

Cadastro.

Depois:

Relatórios.

Depois:

Integrações.

Cada incremento entrega valor ao usuário.


Modelo Espiral

Muito usado em projetos grandes e de alto risco.

Cada volta da espiral passa por:

Planejamento.

Análise de riscos.

Desenvolvimento.

Avaliação do cliente.

Nova volta.

É um modelo que combina evolução contínua com gestão de riscos.


Os Atributos da Qualidade

Um software não é considerado bom apenas porque "funciona".

Ele precisa ser:

✔ Correto

✔ Confiável

✔ Eficiente

✔ Seguro

✔ Escalável

✔ Portável

✔ Fácil de manter

✔ Disponível

✔ Fácil de usar

Esses atributos influenciam diretamente o sucesso de um sistema em produção.


A Engenharia Invisível

Quando um cliente faz um PIX em dois segundos...

Ele nunca imagina que por trás daquela simplicidade existiram:

Meses de análise.

Centenas de reuniões.

Documentos.

Diagramas.

Arquitetura.

Revisões.

Testes.

Validações.

Planejamento.

Essa é a parte invisível da Engenharia de Software.


Easter Egg nº 2 — A Diretriz Principal

Em Star Trek existe a famosa Prime Directive, um conjunto de regras criado para evitar consequências desastrosas.

Na Engenharia de Software existe um princípio parecido:

Nunca comece a codificar antes de compreender completamente o problema que precisa ser resolvido.

Escrever código sem requisitos claros costuma produzir sistemas que funcionam tecnicamente, mas não atendem ao negócio.


Lições do Sr. Spock para o Programador COBOL Padawan

Se Spock fosse um arquiteto de software no IBM Z, provavelmente deixaria estas recomendações:

  • A lógica deve vir antes do código.

  • Requisitos mal definidos geram defeitos bem implementados.

  • Um bom design reduz a complexidade futura.

  • Documentação não substitui conhecimento, mas preserva conhecimento.

  • Teste não cria qualidade; ele revela a qualidade do que foi construído.

  • O programa termina de ser escrito, mas o software continua evoluindo durante anos.


Conclusão — A Verdadeira Missão da Engenharia de Software

Muitos iniciantes acreditam que o objetivo de um desenvolvedor é escrever muitas linhas de código.

Com o tempo, descobrem que acontece justamente o contrário.

Os melhores engenheiros escrevem o código certo, no momento certo, apoiado por requisitos claros, uma arquitetura consistente e um projeto bem elaborado.

É exatamente por isso que sistemas COBOL executados em IBM Z continuam sustentando bancos, seguradoras, governos e bolsas de valores após décadas de evolução. Eles não sobreviveram apenas por causa da linguagem ou do hardware, mas porque foram construídos sobre fundamentos sólidos de Engenharia de Software: análise cuidadosa, documentação, arquitetura, testes e manutenção disciplinada.

Assim como a USS Enterprise não parte para uma missão sem planejamento, análise de riscos e coordenação entre toda a tripulação, um grande sistema corporativo também não nasce de improviso. Cada documento, cada diagrama, cada revisão e cada teste representa um membro da "tripulação" trabalhando para que, quando chegar o momento da implantação, tudo funcione de forma segura, previsível e confiável.

No fim da jornada, o verdadeiro Padawan COBOL percebe que programar é uma habilidade importante, mas compreender a Engenharia de Software é o que transforma um programador em um engenheiro capaz de construir sistemas que resistem ao tempo — exatamente como os grandes sistemas do IBM Z e as lendárias naves da Frota Estelar. Vida longa e próspera! 🖖


☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Engenharia de Software sem Mistérios — Parte 2

Da USS Enterprise ao IBM Z

Descubra como arquitetos pensam, como projetos evoluem e como um programador COBOL pode enxergar além do código, compreendendo SRS, HLD, LLD, modelos Incremental e Espiral, arquitetura, qualidade e desenvolvimento de sistemas no IBM Z.

Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

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