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sábado, 15 de abril de 1995

Salto as margens do Tiete.

Salto uma descoberta feliz

Minha tia Maria, da Vila Alpina, segundo minha mãe, nasceu em Salto, uma cidade marcada pela forte imigração espanhola e localizada às margens do Rio Tietê, entre Itu e Sorocaba.

Ao passear por suas ruas, descobri que Salto é muito mais do que imaginava. A cidade reúne história, natureza, arqueologia, fé e patrimônio industrial em um único lugar.

Uma das experiências mais marcantes foi visitar o Santuário de Nossa Senhora do Monte Serrat, padroeira da cidade. Localizado no alto de uma colina, o santuário oferece uma vista privilegiada da região. Uma trilha em espiral conduz o visitante até um mirante, onde é possível contemplar a paisagem e compreender por que aquele ponto se tornou um símbolo da cidade.

Outro aspecto fascinante são as margens do Rio Tietê. Ali encontram-se importantes vestígios do passado industrial paulista: antigas tecelagens, ruínas arqueológicas, uma elegante ponte pênsil e a famosa Ilha dos Amores, cercada por lendas e histórias populares que atravessam gerações.

Infelizmente, a beleza do lugar contrasta com a realidade do rio. A poluição do Tietê ainda é evidente, acumulando lixo, espuma e um forte odor, lembrando que esse patrimônio natural ainda espera pela recuperação que merece.

Nos arredores da cidade existe ainda o Parque da Rocha Moutonnée, um dos mais importantes sítios geológicos do Brasil. A enorme formação rochosa preserva marcas deixadas pelas geleiras que cobriram o sul do continente durante a Era Glacial, oferecendo uma rara oportunidade de observar evidências de um passado com centenas de milhões de anos.

Salto acabou se revelando uma surpresa extremamente agradável. É uma cidade que reúne história, ciência, religiosidade, arqueologia, geologia e memória em um único roteiro, mostrando que, muitas vezes, os lugares mais interessantes estão muito mais próximos do que imaginamos.






Pirapora do Bom Jesus e o rio Tiete.

Visita ao santuário do Bom Jesus.


Na minha infância meu pai organizava excursões para Bom Jesus do Pirapora, para irem ate o santuário, naquela época o rio Tiete era menos poluído, lembro-me dos restaurantes a beira rio, o pedalinho em uma das margens.

Anos mais tarde, resolvi fazer uma caminhada leve, fui ate a Lapa, dela peguei o trem da linha de Barueri e com um pouco de esforço cheguei a Pirapora.




Este video contem as fotos que fiz nesse dia, andando por locais que conheci outrora e agora estava revendo, é emocionante rever lugares da infância, ver coisas que sua imaginação coloriu com o tempo.

Santuário do Bom Jesus de Pirapora

ao estilo Bellacosa Mainframe – fé, batch e processamento contínuo

No interior de São Paulo, às margens do rio Tietê — esse mesmo que na capital sofre com buffer overflow ambiental — existe um lugar onde o tempo roda em modo batch há séculos: o Santuário do Bom Jesus de Pirapora.

A história começa no século XVIII, quando a imagem do Bom Jesus teria sido encontrada boiando no rio. Tentaram removê-la. Não funcionou. Tentaram de novo. Falhou. Só quando aceitaram que aquele era o data center divino correto, a imagem “permitiu” ser levada. Se isso não é sistema legando escolhendo onde quer rodar, eu não sei o que é.

O santuário nasce assim: não por planejamento urbano, mas por evento inesperado, daqueles que mudam o fluxo do processamento humano. Fé, aqui, não é on-line. É processamento assíncrono, acumulado ao longo dos anos, com romarias, promessas, agradecimentos e silêncio.

Todo ano, milhares de romeiros caminham até Pirapora. Cada passo é um commit. Cada vela acesa é um log. Cada promessa paga é um JOB concluído com RC=0. Não há pressa. O Bom Jesus não trabalha com SLA agressivo. Ele opera em alta disponibilidade espiritual.

Curiosidade pouco comentada: o santuário influenciou profundamente a cultura afro-brasileira e popular paulista. Sambistas, congadas e manifestações tradicionais sempre orbitam Pirapora. É fé que dança. É religião com interface humana, não só ritualística.

Arquitetonicamente simples, o santuário segue o princípio máximo do mainframe e da fé antiga: robustez acima de estética. Não precisa brilhar. Precisa permanecer. E permanece.

O maior easter egg? O rio Tietê. Ele passa ali quase puro, quase silencioso, lembrando que até sistemas degradados podem ter pontos de redenção upstream.

Comentário Bellacosa final:

O Santuário do Bom Jesus de Pirapora é como aquele sistema crítico que ninguém ousa desligar. Pode não ser moderno, pode não ser bonito, mas sustenta vidas inteiras há gerações. E isso, meu amigo, é missão crítica.



quinta-feira, 6 de abril de 1995

Fushigi Yūgi : Quando um Programador COBOL Descobre que o Primeiro Isekai Shōjo Era um Sistema Distribuído Rodando Dentro de um Livro Antigo

 

Bellacosa Mainframe apresenta o anime fushigi yugi

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Fushigi Yūgi (ふしぎ遊戯) sem Mistérios

Quando um Programador COBOL Descobre que o Primeiro Isekai Shōjo Era um Sistema Distribuído Rodando Dentro de um Livro Antigo

Se hoje milhares de fãs acompanham protagonistas renascendo em mundos de fantasia com habilidades absurdas, níveis, guildas e sistemas RPG, poucos imaginam que um dos pilares do gênero isekai surgiu ainda nos anos 90, voltado principalmente ao público feminino. Antes de Sword Art Online, Re:Zero, Overlord ou Mushoku Tensei, existia Fushigi Yūgi, uma obra que misturava aventura, romance, mitologia chinesa e drama psicológico de forma inovadora.

Para um Programador COBOL Padawan, imagine encontrar um manual antigo de operação do z/OS na biblioteca. Você o abre por curiosidade e, em vez de encontrar comandos JCL, acaba literalmente sendo compilado para dentro do sistema operacional. Agora imagine que para voltar ao mundo real será necessário reunir sete módulos distribuídos em diferentes regiões, enfrentar conflitos políticos, guerras civis, espionagem e ainda lidar com um bug chamado "amor". Bem-vindo a Fushigi Yūgi.


Ficha Técnica

Título Original: ふしぎ遊戯 (Fushigi Yūgi)

Título Internacional: Mysterious Play

Autora do Mangá: Yuu Watase

Publicação do Mangá: maio de 1992 a junho de 1996

Anime: 6 de abril de 1995 a 28 de março de 1996

Estúdio: Studio Pierrot

Diretor: Hajime Kamegaki

Roteiro: Yousuke Kuroda e equipe

Música: Seiji Yokoyama

Episódios: 52

OVAs:

  • Fushigi Yūgi OVA (3 episódios)

  • Fushigi Yūgi OVA 2 (6 episódios)

  • Eikoden (4 episódios)


Gênero

  • Isekai

  • Fantasia

  • Romance

  • Drama

  • Aventura

  • Shōjo

  • Mitologia

  • Ação


Classificação

Recomendado para adolescentes e adultos.

Possui violência moderada, temas psicológicos, perdas, romance intenso e conflitos políticos.


Sinopse

Miaka Yūki é uma estudante comum preocupada apenas em passar nos exames de admissão para a universidade.

Durante uma visita à Biblioteca Nacional, ela e sua melhor amiga Yui encontram um antigo manuscrito chinês chamado O Universo dos Quatro Deuses.

Ao abrir o livro, ambas são transportadas para um mundo fantástico inspirado na China Antiga.

Lá, Miaka descobre que foi escolhida como Sacerdotisa de Suzaku, destinada a reunir sete guerreiros celestiais capazes de invocar um deus que realizará qualquer desejo.

Mas logo percebe que aquele mundo possui guerras, traições, conspirações e pessoas que desejam impedir sua missão.


Resumo da História

O mundo é dividido entre quatro grandes nações protegidas pelos Deuses Celestiais:

  • Suzaku

  • Seiryū

  • Byakko

  • Genbu

Cada reino possui sua própria sacerdotisa e seus sete guerreiros.

Miaka precisa viajar por todo o continente recrutando os lendários Guerreiros de Suzaku.

Enquanto isso, Yui acaba sendo manipulada e torna-se sacerdotisa do reino rival de Seiryū.

A amizade das duas transforma-se em uma das rivalidades mais dramáticas da história dos animes.

Ao longo da jornada surgem:

  • guerras entre impérios

  • assassinatos

  • intrigas palacianas

  • batalhas sobrenaturais

  • romances impossíveis

  • sacrifícios emocionantes


Os Personagens

Miaka Yūki

A protagonista.

No início parece apenas uma garota atrapalhada.

Durante a história torna-se uma líder capaz de inspirar pessoas.

Seu maior poder nunca foi lutar.

Foi unir pessoas completamente diferentes.


Tamahome

O principal guerreiro de Suzaku.

Especialista em artes marciais.

Inicialmente trabalha apenas por dinheiro.

Depois torna-se o grande amor de Miaka.

É um dos casais mais famosos dos anos 90.


Yui Hongo

Melhor amiga de Miaka.

Sua transformação em antagonista não acontece por maldade.

Ela sofre manipulação psicológica, abuso e isolamento.

É uma das personagens mais humanas da obra.


Hotohori

Imperador de Konan.

Vaidoso.

Elegante.

Corajoso.

Também se apaixona por Miaka.


Nuriko

Talvez um dos personagens mais revolucionários do anime.

Mistura força física gigantesca com personalidade delicada.

Quebrou diversos paradigmas para a época.


Chichiri

O guerreiro mascarado.

Mistura humor, inteligência e sabedoria espiritual.

É frequentemente considerado o personagem mais carismático da série.


Tasuki

Impulsivo.

Briguento.

Extremamente leal.

Representa o guerreiro apaixonado pela liberdade.


Mitsukake

Médico do grupo.

Calmo.

Gentil.

Especialista em cura.


O que Fushigi Yūgi tem de diferente?

Hoje quase todo isekai segue uma fórmula parecida:

  • protagonista morre

  • renasce

  • ganha poderes absurdos

  • derrota tudo facilmente

Fushigi Yūgi segue outro caminho.

Aqui:

não existe sistema RPG.

não existe tela de status.

não existe nível.

não existe cheat.

O crescimento acontece através das relações humanas.

A protagonista vence porque aprende.

Não porque fica mais forte.


As Aventuras

Cada guerreiro precisa ser encontrado em uma região diferente.

Isso transforma a obra em uma enorme jornada.

Os personagens atravessam:

  • desertos

  • fortalezas

  • templos

  • montanhas

  • florestas

  • cidades imperiais

Cada local apresenta novos desafios políticos e emocionais.

Nem todos os inimigos podem ser derrotados com espadas.

Alguns são derrotados apenas com perdão.


Temáticas

A obra aborda assuntos surpreendentemente maduros.

Destino

Existe um caminho escrito?

Ou nossas escolhas mudam tudo?


Amizade

Miaka e Yui representam como pequenas decisões podem destruir amizades profundas.


Amor

O romance não aparece como recompensa.

Ele exige sacrifício.


Poder

Quem governa por medo sempre perde.

Quem governa por confiança conquista aliados.


Identidade

Cada guerreiro descobre quem realmente é durante a missão.


As Mensagens Ocultas

O Livro representa o Destino

O livro simboliza uma vida já escrita.

Mas os personagens provam que mesmo dentro de uma história existem escolhas.


Os Sete Guerreiros

Representam pessoas completamente diferentes trabalhando por um objetivo comum.

É praticamente uma equipe multidisciplinar de TI.

Cada um domina uma especialidade.

Nenhum resolve tudo sozinho.


Suzaku

Representa esperança.


Seiryū

Representa ambição.


Byakko

Representa proteção.


Genbu

Representa perseverança.


O Grande Paralelo Mainframe

Imagine que Miaka recebeu um enorme projeto de modernização.

Cada Guerreiro de Suzaku é um módulo COBOL.

Cada cidade visitada representa um ambiente diferente:

  • Desenvolvimento

  • Testes

  • Homologação

  • Produção

O Livro dos Quatro Deuses funciona como o repositório Git.

Suzaku seria o patrocinador executivo.

Os Guerreiros são especialistas:

  • segurança

  • banco de dados

  • infraestrutura

  • desenvolvimento

  • suporte

  • arquitetura

  • operações

Miaka faz exatamente o que um excelente líder técnico faz:

Não executa tudo sozinha.

Conecta talentos.


Impacto Cultural

Fushigi Yūgi foi um dos maiores sucessos shōjo da década de 1990.

Sua influência aparece até hoje em diversos isekais.

Entre seus legados estão:

  • protagonista feminina transportada para outro mundo;

  • formação gradual de um grupo de aliados;

  • romance integrado à aventura;

  • forte construção política;

  • fantasia inspirada na cultura asiática;

  • desenvolvimento psicológico acima da ação.

Também ajudou a consolidar o isekai como um gênero capaz de atingir públicos muito além do shōnen tradicional.


Curiosidades

  • O mangá vendeu milhões de cópias no Japão e em diversos países.

  • Foi um dos maiores sucessos internacionais do Studio Pierrot nos anos 90.

  • A autora Yuu Watase retornou ao universo da obra em continuações e histórias paralelas, como Fushigi Yūgi: Genbu Kaiden e Byakko Senki.

  • Muitos críticos consideram Yui uma das personagens mais complexas já escritas em um anime shōjo.

  • A mitologia dos Quatro Deuses é baseada nas Quatro Constelações da astronomia e mitologia chinesa: Dragão Azul (Seiryū), Pássaro Vermelho (Suzaku), Tigre Branco (Byakko) e Tartaruga Negra (Genbu).


Nota Bellacosa Mainframe

CritérioNota
Mundo Fantástico⭐⭐⭐⭐⭐
Construção Política⭐⭐⭐⭐⭐
Romance⭐⭐⭐⭐⭐
Desenvolvimento dos Personagens⭐⭐⭐⭐⭐
Emoção⭐⭐⭐⭐⭐
Aventura⭐⭐⭐⭐☆
Originalidade Histórica⭐⭐⭐⭐⭐
Influência no Isekai⭐⭐⭐⭐⭐
Reassistir Hoje⭐⭐⭐⭐☆

Veredicto Final

Fushigi Yūgi é muito mais do que um romance em um mundo fantástico. É uma das obras que estabeleceram as bases do isekai moderno, mas escolheu um caminho diferente da maioria dos sucessores: em vez de níveis, habilidades e estatísticas, apostou em crescimento emocional, amizade, política e escolhas difíceis. Seu universo continua cativante décadas depois, mostrando que uma boa história depende mais de personagens memoráveis do que de poderes extravagantes.

No universo do Bellacosa Mainframe, a conclusão é inevitável:

"Enquanto os isekais modernos distribuem habilidades SSS logo no primeiro episódio, Fushigi Yūgi nos lembra que os sistemas mais robustos não são aqueles com o processador mais rápido, mas aqueles em que cada módulo conhece seu papel. Miaka não venceu porque tinha o maior poder de processamento; venceu porque soube integrar sete módulos completamente diferentes sem deixar o projeto entrar em ABEND. E, convenhamos, isso é arquitetura de software de alto nível."

 

Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

IBM Champion IBM Z COBOL CICS Db2 z/OS Mainframe desde 1988
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