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sábado, 23 de agosto de 2003

🚀 Blogger é o COBOL da Internet — todos anunciaram sua morte, mas o JOB continua EXECUTING

 

Bellacosa Mainframe e o Blogger tão vivo quanto o Cobol

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

🚀 Blogger é o COBOL da Internet — todos anunciaram sua morte, mas o JOB continua EXECUTING

Diário de bordo do Capitão Steve Burton: nossa pequena Spindrift caiu na Terra dos Gigantes digitais. WordPress, Facebook, TikTok, Instagram, YouTube... todos são enormes. Mas os motores do Blogger ainda estão funcionando.


🚨 DIÁRIO DE BORDO — 03:17

Capitão Steve Burton, comandante da Spindrift.

Alguma coisa está errada.

Muito errada.

Há poucos minutos estávamos seguindo nossa rota normalmente quando os instrumentos começaram a apresentar leituras impossíveis.

Dan Erickson verificou os controles.

Mark Wilson examinou os sistemas.

Fitzhugh sugeriu que abandonássemos a nave — o que, vindo de Fitzhugh, provavelmente significa que ele encontrou alguma coisa valiosa e pretende fugir sozinho.

Então atravessamos aquilo.

Uma espécie de tempestade digital.

Quando finalmente conseguimos enxergar novamente, percebemos que não estávamos mais em nosso mundo.

Pousamos em algum lugar chamado...

Internet de 2026.

E tudo aqui é gigantesco.

À nossa frente existem criaturas chamadas:

Facebook.

Instagram.

TikTok.

YouTube.

WordPress.

Substack.

São plataformas enormes, algumas com populações que seriam inimagináveis em nosso mundo.

Nossa pequena nave parece insignificante perto delas.

Mas há algo ainda mais estranho.

Olhei novamente para o painel.

Na lateral da Spindrift existe uma placa que aparentemente sempre esteve ali:

BLOGGER
PYRA LABS
1999

Dan olhou para mim.

— Capitão... isso significa que estamos voando em uma plataforma com mais de um quarto de século?

Olhei para os instrumentos.

Tudo verde.

Então respondi:

— Sim.

— Não deveríamos estar mortos?

Foi quando surgiu no console:

IEF403I BLOGGER - STARTED

JOBNAME  STATUS
BLOGGER  EXECUTING

Sorri.

— Aparentemente ninguém avisou o computador.



🛸 1. A Spindrift original

Para compreender nossa situação precisamos voltar à verdadeira Terra de Gigantes.

A série de ficção científica criada por Irwin Allen foi exibida originalmente entre 1968 e 1970. Sua história colocava o Capitão Steve Burton, interpretado por Gary Conway, no comando da nave suborbital Spindrift.

A viagem deveria ser relativamente simples:

LOS ANGELES
     |
     v
SPACE FLIGHT
     |
     v
LONDON

Só havia um pequeno problema.

A Spindrift encontrou uma anomalia espacial e acabou transportada para outro mundo.

E naquele lugar...

tudo era aproximadamente doze vezes maior.

A tripulação e os passageiros tornaram-se pequeninos vivendo em um mundo de gigantes.

Um gato doméstico podia tornar-se praticamente um Tyrannosaurus rex.

Uma mesa transformava-se numa montanha.

Uma gaveta podia virar abrigo.

Um telefone parecia equipamento industrial.

Uma simples mão humana poderia capturar um tripulante.

A missão mudou imediatamente.

Não era mais:

chegar a Londres.

Era:

sobreviver.

E é justamente por isso que o Blogger combina tanto com a Spindrift.



🧪 2. 1999 — Pyra Labs prepara a nave

Nossa Spindrift digital começou sua viagem em 1999.

A Pyra Labs havia sido fundada por Evan Williams e Meg Hourihan. Seu projeto inicial não era exatamente construir aquilo que posteriormente conheceríamos como Blogger.

A empresa trabalhava em uma aplicação chamada Pyra, envolvendo recursos de gerenciamento de projetos.

Mas uma ferramenta interna criada durante esse trabalho começou a ganhar importância própria.

Em agosto de 1999 ela foi oferecida ao público.

Seu nome:

Blogger.

O próprio blog oficial do Blogger registra 23 de agosto de 1999 como o lançamento pela Pyra Labs.

Naquele momento ninguém poderia saber direito o tamanho daquela viagem.

Era como colocar a Spindrift na pista.

//BLOGGER JOB
//STEP01 EXEC PGM=PUBLISH

E apertar:

SUBMIT


📝 3. O grande truque não era o blog

Blogs já existiam.

Páginas pessoais existiam.

Diários online existiam.

O grande avanço estava em outra coisa:

facilitar a publicação.

Antes, publicar frequentemente significava compreender HTML, editar páginas, transferir arquivos e administrar hospedagem.

Blogger ajudou a transformar isso numa operação muito mais simples:

ESCREVER
   |
   v
PUBLICAR
   |
   v
PRONTO

Parece banal em 2026.

Em 1999 não era.

Foi uma mudança enorme.

O usuário não precisava pensar:

“Como atualizo o arquivo index.html?”

Ele poderia pensar:

“O que quero escrever hoje?”

Essa diferença ajudou o Blogger a popularizar o formato dos blogs.

A máquina desaparecia um pouco.

O conteúdo aparecia.



🌎 4. Então atravessamos a tempestade

Os primeiros anos não foram tranquilos.

Pyra Labs enfrentou dificuldades financeiras.

Funcionários chegaram a trabalhar sem pagamento durante períodos da crise, e a empresa passou por uma situação extremamente delicada antes de conseguir novos recursos.

Imagino perfeitamente Steve Burton olhando para o painel:

FUEL ............ LOW
MONEY ........... LOW
SERVERS ......... EXPENSIVE
USERS ........... GROWING
REVENUE .......... ???

Dan pergunta:

— Capitão, qual é o plano?

Steve responde:

— Continuar voando.

É uma resposta bastante mainframeira.

Porque muitas tecnologias sobreviventes possuem histórias semelhantes.

Elas não sobreviveram porque tudo aconteceu conforme planejado.

Sobreviveram porque alguém continuou resolvendo o próximo problema.



🏢 5. 2003 — aparece um gigante chamado Google

Então uma sombra gigantesca cobriu nossa pequena nave.

Olhei para cima.

Era uma criatura chamada:

Google.

Em fevereiro de 2003, o Google adquiriu a Pyra Labs e o Blogger.

Imagino a cena em Terra de Gigantes.

Fitzhugh olha para cima e pergunta:

— Capitão... ele vai nos comer?

Mark Wilson responde:

— Não. Acho que ele nos comprou.

😂

A aquisição mudou completamente a escala operacional do Blogger.

A pequena startup agora fazia parte de uma empresa que estava se tornando uma das gigantes da Internet.

Nossa Spindrift encontrou um hangar gigantesco.


🦖 6. E começaram as previsões de extinção

Aqui nossa história encontra finalmente o COBOL.

COBOL surgiu em 1959 a partir do esforço da CODASYL, fortemente influenciado pelo FLOW-MATIC associado ao trabalho pioneiro de Grace Hopper. A primeira versão surgiu em 1960.

Depois disso surgiu uma longa procissão de tecnologias que, em diferentes momentos, pareciam destinadas a substituí-lo.

COBOL
 |
 +-- C
 |
 +-- C++
 |
 +-- Java
 |
 +-- .NET
 |
 +-- SOA
 |
 +-- Cloud
 |
 +-- Microservices
 |
 +-- Python
 |
 +-- Low Code
 |
 +-- Generative AI

Décadas depois:

DISPLAY "OLÁ".

Ainda compila.

Blogger vive fenômeno parecido.


🦕 7. Os gigantes chegam ao planeta

Primeiro surgiram plataformas de publicação mais sofisticadas.

Depois redes sociais.

Depois microblogs.

Depois aplicativos centrados em fotografias.

Depois vídeo.

Depois vídeo curto.

Depois newsletters.

Cada nova geração parecia anunciar:

“Agora sim o blog morreu.”

Nosso radar começou a registrar:

WORDPRESS
FACEBOOK
TWITTER/X
TUMBLR
MEDIUM
INSTAGRAM
YOUTUBE
TIKTOK
SUBSTACK
WIX
GHOST

Fitzhugh entrou correndo na Spindrift:

— CAPITÃO! ESTAMOS CERCADOS POR GIGANTES!

Olhei pela janela.

Ele tinha razão.

Mas fiz a pergunta que qualquer operador de produção deveria fazer:

— O Blogger parou?

— Não.

— Então qual é o incidente?

Silêncio.


🖥️ 8. Blogger é o COBOL da Internet

É aqui que nossa comparação deixa de ser apenas brincadeira.

COBOL e Blogger possuem uma característica fundamental em comum:

ambos sobreviveram à própria moda.

Isso é raríssimo.

Tecnologias normalmente atravessam uma curva:

NOVIDADE
   |
   v
HYPE
   |
   v
ADOÇÃO
   |
   v
MATURIDADE
   |
   v
DECLÍNIO

Mas algumas entram numa rota diferente:

MATURIDADE
   |
   v
INFRAESTRUTURA
   |
   v
"NÃO É MODERNO"
   |
   v
CONTINUA FUNCIONANDO
   |
   v
"NÃO ERA PARA ESTAR MORTO?"
   |
   v
CONTINUA FUNCIONANDO

Esse último estado é fascinante.

A tecnologia deixa de precisar provar que é interessante.

Precisa apenas continuar sendo útil.


🧠 9. Velho não significa obsoleto

Essa confusão ocorre constantemente na informática.

VELHO ≠ OBSOLETO
OBSOLETO ≠ INÚTIL

Um martelo é antigo.

Uma roda é antiga.

SQL é antigo.

Unix é antigo.

COBOL é antigo.

A pergunta correta nunca deveria ser:

“Quando isso foi criado?”

Deveria ser:

“Isso ainda resolve adequadamente o problema para o qual está sendo usado?”

Nossa Spindrift é velha?

Sim.

Está voando?

Também.

Então cuidado antes de desmontar o motor.


🏛️ 10. Um blog com décadas deixa de ser apenas um blog

Existe outra semelhança maravilhosa com mainframe.

Imagine alguém publicando durante quinze anos.

Primeiro:

10 POSTS

Depois:

100 POSTS

Depois:

500
1000
2000
3000...

Cada publicação acrescenta:

TEXTO
DATA
FOTOGRAFIAS
VÍDEOS
LINKS
MARCADORES
COMENTÁRIOS
REFERÊNCIAS
MEMÓRIAS
CONTEXTO

Chega um momento em que aquilo não é mais simplesmente um blog.

É um sistema de informação.

É um arquivo histórico.

É uma base documental.

É um pequeno Knowledge Vault.

Ou, permitindo-me uma heresia mainframeira:

um VSAM emocional.

Cada post é um registro.

Cada marcador funciona quase como índice.

Cada hyperlink estabelece uma relação.

Cada fotografia acrescenta contexto.

Cada data adiciona dimensão temporal.

E cada ano aumenta o valor do conjunto.


📚 11. O legado começa a trabalhar a seu favor

Em tecnologia existe uma expressão frequentemente usada de maneira negativa:

legacy system.

Mas legado significa também que alguma coisa acumulou história.

Um sistema de 30 anos provavelmente contém milhares de decisões empresariais incorporadas ao código.

Um blog de quinze anos contém milhares de pequenas decisões humanas incorporadas ao conteúdo.

Um post antigo pode registrar:

uma viagem
uma tecnologia
uma receita
um evento
uma fotografia
uma opinião daquela época
um tutorial
uma lembrança familiar
uma experiência profissional

Individualmente são posts.

Coletivamente tornam-se um arquivo.

E arquivos possuem valor crescente quando preservados.


🏦 12. “Capitão, por que não migramos?”

Mark Wilson aparece com uma ideia brilhante:

— Steve, vamos reconstruir a Spindrift inteira.

Pergunto:

— Por quê?

— Porque é antiga.

— Está quebrada?

— Não.

— Então qual vantagem teremos?

— Será nova.

Essa conversa acontece diariamente em TI.

Também acontece com COBOL.

“Vamos reescrever tudo.”

Tudo o quê?

PROGRAMAS
COPYBOOKS
JCL
TRANSAÇÕES
BANCOS DE DADOS
REGRAS DE NEGÓCIO
EXCEÇÕES
INTERFACES
SEGURANÇA
AUDITORIA
PROCESSOS
HISTÓRICO

A IBM observa que modernização COBOL não pode ser reduzida simplesmente à tradução para outra linguagem; arquitetura de dados, runtime, processamento transacional e integrações também entram no problema.

Com um blog antigo ocorre algo semelhante.


🔗 13. Uma URL também possui história

Imagine:

POST PUBLICADO: 2012

Durante quatorze anos aquela URL pode ter sido:

indexada
compartilhada
favoritada
citada
copiada
referenciada
enviada por e-mail
encontrada em pesquisas

Agora alguém decide migrar tudo sem planejamento.

Resultado:

HTTP/1.1 404 NOT FOUND

No mainframe chamaríamos isso de produção quebrada.

Na Web chamamos de terça-feira.

😂


🐈 14. O gato gigante chamado algoritmo

Na Terra de Gigantes, um simples gato era uma ameaça monstruosa aos pequeninos.

Na Internet existe equivalente.

Chama-se:

algoritmo.

Você publica numa rede social.

O conteúdo existe.

Mas quem vai vê-lo?

ALGORITHM DECIDES

Hoje ele entrega.

Amanhã talvez não.

Um blog possui dinâmica diferente.

Uma página publicada pode continuar sendo encontrada por mecanismos de busca muito depois de desaparecer das redes sociais.

Isso transforma conteúdo em patrimônio de longo prazo.

Na Spindrift eu chamaria isso de:

LONG TERM SURVIVAL SYSTEM

💰 15. Fitzhugh descobre o verdadeiro tesouro

Naturalmente Fitzhugh desapareceu.

Encontramos o sujeito algumas horas depois contando URLs antigas.

— Fitzhugh, o que está fazendo?

— Nada, Capitão.

— O que tem nesse saco?

Ele abriu.

Dentro havia milhares de posts antigos.

— Isso é conteúdo histórico!

Finalmente o homem percebeu algo importante.

O tesouro de um blog antigo não está necessariamente na plataforma.

Está no acervo acumulado.

A plataforma pode ser simples.

O banco de conteúdo não é.


⚙️ 16. O Blogger tem dívida técnica?

Claro.

Depois de muitos anos uma instalação pode acumular:

CSS antigo
JavaScript antigo
widgets esquecidos
links quebrados
imagens externas
iframes
scripts abandonados
HTML improvisado
meta tags duplicadas
gambiarras

Qualquer programador COBOL conhece a versão corporativa disso:

      *------------------------------------------------*
      * ALTERADO PELO CARLOS 17/08/1998              *
      * NÃO REMOVER ESTA ROTINA                       *
      * NÃO SABEMOS POR QUE, MAS SEM ELA NÃO FUNCIONA *
      *------------------------------------------------*

O programador olha.

Executa.

Funciona.

Fecha o fonte lentamente.

😂


🔧 17. Modernizar não significa destruir

Esta talvez seja a maior lição que o mainframe pode ensinar à Web.

Durante muito tempo modernização foi vendida como:

OLD
 |
 v
DELETE
 |
 v
NEW

Hoje sabemos que frequentemente existe alternativa melhor:

            APIs
             |
             v
AUTOMAÇÃO -> LEGADO <- OBSERVABILIDADE
             ^
             |
             IA

O núcleo continua fazendo aquilo que sabe fazer.

As bordas evoluem.

Aplicado ao Blogger:

BLOGGER
   |
   +-- SEO
   |
   +-- HTTPS
   |
   +-- HTML moderno
   |
   +-- CSS
   |
   +-- conteúdo enriquecido
   |
   +-- vídeos
   |
   +-- redes sociais
   |
   +-- newsletter
   |
   +-- IA

Não precisamos necessariamente explodir a Spindrift.

Podemos trocar instrumentos.


🤖 18. Então encontramos uma criatura chamada IA

Dan voltou correndo.

— Capitão, encontramos alguma coisa.

— Outro gigante?

— Não tenho certeza.

— É perigoso?

— Também não tenho certeza.

No horizonte apareceu:

GENERATIVE AI

E então aconteceu algo curioso.

Tecnologia de 2026 encontrou uma plataforma de 1999.

Em vez de destruir o Blogger, a IA pode ajudar a explorar seu acervo.

Posts antigos podem ser:

REVISADOS
RESUMIDOS
CLASSIFICADOS
TRADUZIDOS
RELACIONADOS
REINDEXADOS
TRANSFORMADOS
ENRIQUECIDOS

Um artigo de 2010 pode gerar um vídeo.

Uma viagem de 2013 pode tornar-se uma crônica.

Uma fotografia de 1991 pode receber contexto histórico.

Um tutorial antigo pode ser revisitado à luz das tecnologias atuais.

O passado deixa de ser arquivo morto.

Vira matéria-prima.


🧬 19. Isso é exatamente o que aconteceu com COBOL

COBOL também não permaneceu congelado em 1959.

A linguagem atravessou revisões e padronizações ao longo das décadas. A IBM observa inclusive que padrões posteriores incorporaram recursos de interoperabilidade e modernização.

Enquanto isso, o ecossistema ao redor evoluiu.

Hoje podemos encontrar ambientes nos quais aplicações COBOL convivem com:

REST APIs
JSON
JAVA
PYTHON
DEVOPS
CI/CD
GIT
CONTAINERS
CLOUD
GENERATIVE AI

A lição?

sobreviver não significa permanecer imóvel.

Significa conseguir evoluir sem destruir aquilo que ainda possui valor.


💾 20. Capitão Burton institui o Disaster Recovery

Aqui preciso assumir novamente o comando.

Se nossa Spindrift contém vinte anos de diário de bordo, existe uma regra:

BACKUP.

Nunca confunda:

ESTÁ NA INTERNET

com:

ESTÁ GARANTIDO PARA SEMPRE

São coisas completamente diferentes.

Quem possui um acervo digital importante deve pensar como administrador de sistemas.

PRODUÇÃO
   |
   +---- BACKUP
   |
   +---- CÓPIA LOCAL
   |
   +---- IMAGENS
   |
   +---- EXPORTAÇÃO
   |
   +---- DOCUMENTAÇÃO

Blog antigo merece política de continuidade.


🛰️ 21. O Blogger virou nosso System of Record

Depois de explorar a Terra dos Gigantes digitais, finalmente compreendi nossa nave.

Não precisamos fazer o Blogger competir diretamente com TikTok.

Nem com Instagram.

Nem com YouTube.

São criaturas diferentes.

Podemos estabelecer arquitetura mais inteligente:

                  BLOGGER
                     |
             SYSTEM OF RECORD
                     |
        +------------+------------+
        |            |            |
        v            v            v
     YOUTUBE      LINKEDIN     INSTAGRAM
        |            |            |
        +------------+------------+
                     |
                     v
                  AUDIÊNCIA

O blog guarda.

As redes distribuem.

O vídeo demonstra.

A newsletter chama de volta.

A pesquisa redescobre.

A IA reorganiza.

Agora temos ecossistema.


🧠 22. A regra dos sistemas que ninguém consegue matar

Depois de tantos anos comandando esta nave, desenvolvi uma teoria.

Existem tecnologias que sobrevivem porque possuem pelo menos uma destas características:

UTILIDADE
COMPATIBILIDADE
BASE INSTALADA
BAIXO CUSTO
CONTEÚDO ACUMULADO
CONFIABILIDADE
ECOSSISTEMA
HÁBITO

Quando várias aparecem simultaneamente, matar a tecnologia fica muito mais difícil.

COBOL possui várias.

Blogger também.

E existe uma pergunta interessante:

Quanto vale substituir algo que continua resolvendo o problema?

Às vezes muito.

Às vezes nada.

Engenharia começa justamente quando paramos de responder essa pergunta com moda.


🚨 23. 03:17 — ALERTA NA SPINDRIFT

Então aconteceu.

Exatamente às:

03:17:00

o painel começou a piscar.

******************************
*       SYSTEM ALERT         *
******************************

PLATFORM: BLOGGER

STATUS: UNKNOWN

AGE: 27 YEARS

WARNING:

SYSTEM SHOULD HAVE DIED
YEARS AGO.

Dan correu para o painel.

Mark abriu os diagramas.

Betty chamou os passageiros.

Fitzhugh tentou roubar o extintor.

Eu sentei diante do console.

Digitei:

/D BLOGGER

A resposta chegou:

BLOGGER

STATUS........ ACTIVE
HTTP.......... 200
POSTS......... AVAILABLE
CONTENT....... ONLINE
JOB........... EXECUTING

Dan perguntou:

— Capitão, qual é a falha?

Examinei os dados.

Nenhuma.

Então abri o incidente.

INCIDENT: #0317

SEVERITY:
INFORMATIONAL

PROBLEM:
BLOGGER STILL RUNNING

ROOT CAUSE:
NO FAILURE DETECTED

ACTION:
NONE

RESOLUTION:
DO NOT TOUCH

Fechei o ticket.


🛸 24. E os gigantes continuaram passando

Do lado de fora da Spindrift ouvimos passos.

BOOM.

TikTok.

BOOM.

Instagram.

BOOM.

YouTube.

BOOM.

Facebook.

Plataformas gigantescas atravessavam nosso pequeno mundo.

Algumas crescerão.

Outras desaparecerão.

Outras serão compradas.

Outras mudarão de nome.

Algumas talvez nem existam daqui a vinte anos.

Não sabemos.

O futuro da tecnologia é assim.

Mas dentro da pequena Spindrift havia um cursor piscando.

TITLE:
________________________________

POST:
________________________________
________________________________
________________________________

             [ PUBLICAR ]

Aquilo era suficiente.


☕ 25. Diário final do Capitão Steve Burton

Depois de atravessar a Terra dos Gigantes digitais, aprendi algo curioso.

Nós, humanos, temos obsessão por novidades.

Gostamos de anunciar revoluções.

Gostamos principalmente de anunciar mortes.

MAINFRAME MORREU.
COBOL MORREU.
E-MAIL MORREU.
BLOG MORREU.
PC MORREU.

É uma forma curiosa de jornalismo tecnológico.

Porque computadores não acompanham manchetes.

Eles executam instruções.

No final, a pergunta que importa continua extremamente simples:

FUNCIONA?

Se a resposta for sim, precisamos de argumentos melhores do que:

“É velho.”

Blogger nasceu em 1999.

COBOL nasceu de um esforço iniciado em 1959.

A Spindrift nasceu numa série de televisão dos anos 1960 e, na ficção, acabou perdida num mundo onde tudo parecia grande demais para ela.

Talvez por isso seja a nave perfeita para contar esta história.

Porque Terra de Gigantes nunca foi realmente uma história sobre tamanho.

Era uma história sobre adaptação.

Um objeto pequeno podia virar ferramenta.

Um pedaço de fio virava corda.

Um móvel virava montanha.

Uma caixa virava fortaleza.

E uma nave avariada continuava sendo casa.

É exatamente assim que tecnologias sobrevivem.

Não porque continuam sendo as maiores.

Mas porque alguém continua encontrando utilidade nelas.


🚀 EPÍLOGO — NÃO CANCELE O JOB

Fitzhugh apareceu novamente.

— Capitão!

— O que foi agora?

— Descobri uma plataforma nova! Todo mundo está dizendo que ela vai substituir tudo!

Olhei para Dan.

Dan olhou para mim.

Depois de tantos anos naquele planeta, nós dois já conhecíamos aquela conversa.

Voltei ao console.

//BLOGGER JOB
//CLASS=A
//MSGCLASS=X
//*
//PUBLISH EXEC PGM=CONTENT
//SYSOUT  DD SYSOUT=*
//ARCHIVE DD DSN=INTERNET.HISTORY,
//           DISP=SHR
//*
//* BELLACOSA MAINFRAME
//*
//* NÃO REMOVER.
//* FUNCIONA.
//*

Pressionei ENTER.

O painel respondeu:

IEF403I BLOGGER - STARTED

JOBNAME: BLOGGER
OWNER:   INTERNET
STATUS:  EXECUTING

RETURN CODE: 0000

Do lado de fora, os gigantes continuavam discutindo qual seria a próxima grande revolução da Internet.

Aqui dentro preparei café.

Olhei pela janela da velha Spindrift.

E registrei a última linha no diário de bordo:

“Todos anunciaram nossa morte. Curiosamente, ninguém lembrou de cancelar o JOB.”

03:17

BLOGGER ........ EXECUTING
COBOL .......... EXECUTING
SPINDRIFT ...... DAMAGED, BUT OPERATIONAL
COFFEE ......... READY

CAPTAIN STEVE BURTON
SIGNING OFF.

Bellacosa Mainframe — onde legado não significa passado. Significa aquilo que sobreviveu tempo suficiente para ter uma história para contar.



sexta-feira, 22 de agosto de 2003

Montemor-o-Velho o guardiao do Mondego

Um castelo na foz do Mondego.


Quem visitou Montemor-o-velho dificilmente acredita que ali, num passado distante era a foz do rio Mondego, junto ao Atlântico, protegendo a costa portuguesa contra vikings, piratas, mouros e oportunistas.



Essa linha defensiva foi durante 200 anos, alvo de um troca troca intenso ora pertencia a uma facção, ora a outra, sendo pilhado e destroçado. Para depois ser reerguido e começar tudo de novo.

Hoje vendo pelas estruturas que sobreviveram ao tempo, percebe-se a importância militar deste castelo, a grossura de suas paredes, o tamanho da aérea cercada e a visão do horizonte.

Tornavam este castelo  um dos mais importantes da linha defensiva/ofensiva do Mondego, devendo ser protegido a todo custo. O equilíbrio somente foi quebrado e a conquista definitiva para os lusitanos ocorreu somente com o auxilio dos castelhanos na conquista de Coimbra.

Falando de comida, almocei rojões de porco com batatas aos cubinhos acompanhado de um vinho verde frisante e bem fresquinho....

Eiken: Eikenbu yori Ai wo Komete : Proibidão

 

Bellacosa Mainframe e o polemico eiken eikenbu yori ai wo komete

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Eiken: Eikenbu yori Ai wo Komete (エイケン エイケンヴより愛をこめて)

Quando um Programador COBOL Descobre que Nem Todo Sistema Exagerado Foi Projetado para Ser Levado a Sério

Existem animes que tentam ser realistas.

Existem animes que exageram um pouco.

E existe Eiken.

Se um programador COBOL acostumado a sistemas bancários com milhões de linhas de código assistir aos primeiros cinco minutos desse OVA, provavelmente fará exatamente o mesmo que faz quando encontra um campo PIC 9(18) guardando uma data:

"Quem projetou isso?"

A resposta é simples.

Foi projetado exatamente para parecer absurdo.

Da mesma forma que uma charge exagera características humanas para provocar humor, Eiken exagera praticamente todos os elementos do gênero ecchi até níveis caricatos.

É justamente isso que faz dele um dos animes mais curiosos do início dos anos 2000.


Dados da obra

Título original:
エイケン エイケンヴより愛をこめて
(Eiken: Eikenbu yori Ai wo Komete)

Mangá

  • Autor: Seiji Matsuyama

  • Publicação: 2001–2006

  • Revista: Weekly Shōnen Champion

  • Volumes: 18

OVA

  • Estúdio: J.C.STAFF

  • Direção: Kiyotaka Ohata (OVA 1)

  • Roteiro: Tomoyasu Okubo

  • Produção: Genco

  • Lançamento:

    • Episódio 1: 25 de junho de 2003

    • Episódio 2: 23 de junho de 2004

  • Episódios: 2

  • Duração: cerca de 30 minutos cada. (Wikipedia)


Gênero

  • Comédia

  • Ecchi

  • Harém

  • Escolar

  • Romance

Classificação indicativa

Indicado para público mais velho (aprox. 16+/17+), devido ao forte conteúdo sugestivo e humor sexual, embora sem foco em cenas explícitas. (Info Anime)


Sinopse

Densuke Mifune chega à Academia Zashono esperando viver uma rotina escolar comum. Após conhecer a tímida Chiharu Shinonome, acaba sendo levado ao misterioso Clube Eiken, onde encontra um grupo de garotas excêntricas e uma sequência interminável de situações absurdas e cômicas. (AnimeList)


Resumo da história

A narrativa é extremamente simples.

Não existe uma grande guerra.

Não existe um Rei Demônio.

Não existe um torneio épico.

Tudo gira em torno do cotidiano do Clube Eiken.

Cada episódio funciona quase como uma coleção de esquetes de humor, usando exageros físicos, mal-entendidos e situações inusitadas para provocar risadas.


Principais personagens

Densuke Mifune

O protagonista.

É o equivalente ao "programa COBOL padrão".

Simples.

Discreto.

Sem recursos especiais.

É justamente por isso que serve como ponto de vista do espectador.


Chiharu Shinonome

A garota por quem Densuke demonstra interesse.

Gentil.

Tímida.

Educada.

É uma das poucas personagens relativamente equilibradas dentro daquele universo caótico.


Kirika Misono

Vice-presidente do clube.

Extrovertida.

Energia infinita.

É responsável por boa parte das situações absurdas.


Mifuyu Hiiragi

Presidente do Eiken Club.

Talvez o elemento mais famoso da série.

Seu design tornou-se conhecido justamente pelos exageros quase cartunescos.


O que diferencia Eiken?

Aqui começa a parte interessante.

Muitos animes ecchi tentam equilibrar:

  • romance;

  • aventura;

  • comédia;

  • fan service.

Eiken praticamente remove esse equilíbrio.

Ele funciona como se alguém tivesse colocado todos os parâmetros de exagero no valor máximo.

Em engenharia de software seria equivalente a executar:

SET FAN-SERVICE TO 999999.

O humor como caricatura

Muita gente assiste Eiken esperando lógica.

Esse é o primeiro erro.

Ele não busca realismo.

Assim como uma charge política aumenta o nariz de um personagem para produzir humor, Eiken amplia características visuais e situações para criar uma paródia dos clichês do ecchi.

Nesse sentido, ele é menos uma obra realista e mais uma sátira do próprio gênero.


A mensagem escondida

À primeira vista parece não existir nenhuma.

Mas existe uma leitura interessante.

O anime mostra como a indústria da época competia para produzir obras cada vez mais chamativas.

Era quase uma corrida armamentista do fan service.

Cada estúdio precisava chamar mais atenção que o anterior.

Eiken simplesmente levou essa lógica ao limite.


Bellacosa Mainframe explica

Imagine uma aplicação COBOL.

Você possui:

100 módulos.

20 milhões de linhas.

Tudo funcionando.

Então alguém pergunta:

"Quanto podemos otimizar?"

Você responde:

"Uns 10%."

Mas alguém resolve responder:

"3000%."

Foi exatamente essa filosofia aplicada ao ecchi.

Nada em Eiken é pequeno.

Tudo foi deliberadamente ampliado.


O Clube Eiken como um sistema legado

Curiosamente, o clube lembra alguns sistemas antigos.

Quem entra pela primeira vez pensa:

"Isso não faz sentido."

Depois de algum tempo percebe que existe uma lógica própria.

Estranha.

Mas consistente.

Sistemas legados também costumam parecer caóticos para quem acabou de chegar.

Depois de alguns meses tudo começa a fazer sentido.


A aventura verdadeira

A aventura de Densuke não é salvar o mundo.

É sobreviver diariamente às situações imprevisíveis criadas pelos demais membros do clube.

Sob esse aspecto, Eiken é mais próximo de uma sitcom escolar do que de uma aventura tradicional.


A direção

A animação da J.C.STAFF segue o padrão dos OVAs do início dos anos 2000.

As cores são vibrantes, os personagens possuem traços marcantes e a produção investe mais nas expressões cômicas do que em cenas de ação.

Mesmo sendo uma obra curta, nota-se um bom acabamento técnico para o período. (Wikipedia)


Temáticas

Apesar da aparência superficial, alguns temas aparecem repetidamente:

  • aceitação;

  • amizade;

  • convivência;

  • identidade escolar;

  • humor absurdo;

  • paródia dos clichês do harém.


Impacto cultural

Eiken nunca se tornou um fenômeno comparável a Love Hina ou High School DxD.

Seu impacto veio por outro motivo.

Ele passou a ser citado como um dos exemplos mais extremos do ecchi dos anos 2000.

Até hoje aparece em discussões sobre obras que exageraram deliberadamente os elementos do gênero, tornando-se um título "cult" entre fãs curiosos por produções excêntricas. (AnimeList)


Curiosidades

  • O mangá é muito maior do que o conteúdo adaptado no OVA.

  • Apenas uma pequena parte da história recebeu animação.

  • OVA e mangá ficaram conhecidos principalmente pelo humor exagerado e pelo design caricato dos personagens.

  • A J.C.STAFF produziu a animação antes de se tornar ainda mais conhecida por adaptações como Toradora! e Shokugeki no Soma. (Wikipedia)


O que um Programador COBOL Padawan pode aprender?

O maior ensinamento de Eiken não está na história.

Está na proposta.

Nem toda obra precisa ser realista.

Nem todo software precisa resolver todos os problemas.

Alguns programas existem para demonstrar uma ideia.

Outros para divertir.

E outros simplesmente para mostrar até onde é possível levar um conceito.

Eiken fez exatamente isso.

Pegou o gênero ecchi e perguntou:

"E se colocarmos todos os parâmetros no máximo?"

O resultado é uma obra curta, extravagante e consciente de seu próprio exagero. Para quem entende essa proposta, o anime funciona como uma curiosa cápsula do início dos anos 2000, quando os OVAs experimentavam ideias que dificilmente seriam produzidas da mesma forma hoje.


sábado, 16 de agosto de 2003

Viseu em Festa

Viseu esta em festa.


Numa daquelas sorte de principiante, ao chegarmos em Viseu a cidade estava em festa com barraquinha de quermesse pelas praças, desfile e shows folclóricos.



Estávamos na avenida principal e vimos todo o cortejo com dama ricamente paramentadas, bonecos divertidos e bandas tocando musicas típicas da região, fomos seguindo e se deliciando em ver tantos trajes tão lindos.

Foi um dia em grande, eu amo ver cidades viva em que o povo curte e aproveita o momento para se divertir em sua cidade, prestigiando e participando.

Pena que estes eventos sejam cada vez mais raros em nossos dias, a maior parte das pessoas prefere ir a shoppings centers e ficar vendo vitrines num digno passeio dos tristes.

Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

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