☕ Um Café no Bellacosa Mainframe
Gostou do conteúdo? Ajude a manter o café quente, o COBOL compilando e o mainframe acordado. 😄
☕ Pague um café ao Bellacosa

Translate

Mostrar mensagens com a etiqueta Economia Digital. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Economia Digital. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 24 de julho de 2026

Bitcoin : Quando um Programador COBOL Descobre que a Maior Criptomoeda do Mundo Não Quebrou... Apenas Parou de Ser Assunto na Mesa do Bar

 

Bellacosa Mainframe e o bitcoin sem misterios e com hds perdidos

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Bitcoin sem Mistérios

Quando um Programador COBOL Descobre que a Maior Criptomoeda do Mundo Não Quebrou... Apenas Parou de Ser Assunto na Mesa do Bar

"Em 2017 o motorista do táxi queria explicar blockchain para você. Em 2026 ele só quer que o GPS encontre um caminho sem trânsito."


Introdução — O Som do Silêncio Digital

Existe um fenômeno curioso na tecnologia.

Quando uma tecnologia é nova, ela aparece em todo lugar.

Quando amadurece, ela desaparece.

Não porque morreu.

Porque deixou de ser novidade.

Foi exatamente isso que aconteceu com o Bitcoin.

Se você voltar mentalmente para os anos de 2017, 2018, 2020 e principalmente 2021, parecia que a humanidade havia encontrado o Santo Graal financeiro.

Todo mundo falava de Bitcoin.

Seu vizinho.

Seu primo.

Seu barbeiro.

O motorista do Uber.

O motorista do táxi.

O atendente da padaria.

A tia que ainda imprimia e-mails.

O cachorro do vizinho provavelmente possuía uma carteira digital.

Parecia impossível escapar.

Era um verdadeiro spam humano distribuído em blockchain.

Hoje?

Silêncio.

Não porque acabou.

Mas porque aconteceu algo muito mais interessante.

Bitcoin virou infraestrutura.

E infraestrutura nunca recebe aplausos.

Pergunte para qualquer pessoa qual servidor entrega o WhatsApp.

Ninguém sabe.

Pergunte quem fabrica o transformador da rua.

Ninguém sabe.

Pergunte qual sistema controla um banco.

Resposta clássica:

— "Acho que é SAP."

O programador COBOL, sentado discretamente no canto da sala, apenas toma café.


A Febre do Ouro Digital

A humanidade nunca resiste à palavra mágica:

"Dinheiro fácil."

Troque essa frase por qualquer embalagem tecnológica.

Tulipas.

Ouro.

Ações.

NFT.

IA.

Bitcoin.

A história muda de roupa.

Mas continua exatamente igual.

Monty Python provavelmente escreveria assim:


Cena.

Um castelo medieval.

Um cavaleiro anuncia:

— "Encontramos uma moeda mágica!"

Outro pergunta:

— "Ela faz o quê?"

Resposta:

— "Ainda não sabemos."

Todos:

— "COMPREM IMEDIATAMENTE!"


Nada mudou em oitocentos anos.

Apenas substituímos cavalos por GPUs.


O Bitcoin Não Mudou

As pessoas mudaram.

Esse talvez seja o maior mal-entendido da história recente.

O protocolo continua praticamente igual.

Os blocos continuam chegando.

Os mineradores continuam minerando.

A rede continua funcionando.

Sem diretor.

Sem presidente.

Sem gerente.

Sem RH.

Sem reunião no Teams.

Sem PowerPoint.

Sem Scrum Daily.

Imagine explicar isso para um gerente tradicional.

— Quem aprova?

Ninguém.

— Quem manda?

Ninguém.

— Quem é responsável?

Todos.

— Isso não faz sentido.

Exatamente.

Mesmo assim funciona há mais de quinze anos.


Quando Todo Mundo Virou Especialista

Existe uma lei universal.

Quando uma tecnologia chega ao Jornal Nacional...

...já existem especialistas suficientes para ensinar absolutamente tudo sobre ela.

Em poucos meses surgiram:

Especialista em Blockchain.

Especialista em Web3.

Especialista em Criptoativos.

Especialista em Tokenização.

Especialista em Metaverso Financeiro Quântico.

Especialista em Especialistas.

Era impossível abrir o LinkedIn.

Cada perfil dizia:

"Transformando negócios através da descentralização disruptiva da economia exponencial."

Traduzindo:

"Nunca rodei um nó Bitcoin."


A Era das GPUs Desaparecidas

Lembra quando placas de vídeo desapareceram das lojas?

Gamers choravam.

Engenheiros choravam.

Pesquisadores choravam.

Porque alguém havia descoberto que uma RTX fazia dinheiro.

Ou pelo menos parecia fazer.

Casas inteiras viraram estufas.

Galpões.

Containers.

Garagens.

Até quartos.

Pareciam data centers clandestinos.

O consumo elétrico fazia o relógio da concessionária girar tão rápido que parecia ventilador.


Monty Python imaginaria um diálogo:

— Por que sua conta de energia é igual à de uma fábrica de alumínio?

— Estou minerando.

— O quê?

— Dinheiro.

— Com eletricidade?

— Sim.

— Então você transformou energia em dinheiro?

— Exatamente.

— E isso funciona?

— Depende do preço do Bitcoin.

— E quem decide?

— O mercado.

— Quem é o mercado?

Silêncio.

Um peixe entra na sala usando gravata.

Fim da cena.


Os Bancos Descobriram Que Não Era Brincadeira

No começo...

Boa parte do setor financeiro ria.

"Isso nunca substituirá bancos."

Depois começaram a estudar.

Depois abriram departamentos.

Depois contrataram especialistas.

Depois criaram ETFs.

Depois ofereceram custódia.

Depois passaram a vender exatamente aquilo que diziam ser impossível.

A ironia é maravilhosa.

É como um fabricante de máquinas de escrever vendendo notebooks.


O Maior Mito da Mineração

Muita gente acreditava que mineração era imprimir dinheiro.

Na realidade era mais parecido com administrar um data center.

Energia.

Refrigeração.

Hardware.

Troca de equipamentos.

Ruído.

Calor.

Custos.

Quem realmente ganhou dinheiro?

Em muitos casos...

Quem vendia placas de vídeo.

Quem vendia energia.

Quem vendia gabinetes.

Quem vendia ventiladores.

Quem vendia fontes.

Quem vendia cursos ensinando como ganhar dinheiro minerando.

Essa última categoria sempre prospera.


O Disco Rígido de Bilhões

Entramos agora em uma das histórias favoritas da internet.

Pessoas que perderam HDs contendo carteiras Bitcoin.

Algumas histórias ficaram famosas justamente porque envolviam milhares de bitcoins armazenados em discos rígidos descartados anos antes, quando a moeda praticamente não tinha valor.

O roteiro parece filme dos Monty Python.


Cena.

Esposa pergunta:

— Posso jogar esse computador velho fora?

Resposta:

— Claro.

Anos depois.

— Amor...

Lembra daquele HD?

— Sim.

— Acho que tinha alguns bilhões de reais nele.

— Ah.

Silêncio.

Fade out.


Existiram casos documentados de pessoas tentando negociar com cidades inteiras para escavar aterros sanitários em busca de um único disco rígido.

Imagine a reunião.

— Gostaria de cavar metade do lixão municipal.

— Por quê?

— Esqueci minha senha.


Isso parece piada.

Mas aconteceu.

A tecnologia era revolucionária.

Os hábitos humanos continuavam exatamente iguais.


Pendrive: O Cofre do Caos

O pendrive virou uma espécie de Santo Graal moderno.

Pequeno.

Leve.

Discreto.

Também incrivelmente fácil de perder.

Era comum ouvir histórias como:

"Está em algum lugar da casa."

Ou pior.

"Acho que emprestei."

Imagine explicar isso para um arqueólogo do futuro.

"No século XXI algumas pessoas armazenavam fortunas maiores que o orçamento de países em um objeto menor que um chiclete."


O Halving: O Evento que Quase Ninguém Explica Direito

A cada determinado número de blocos, a recompensa dos mineradores é reduzida pela metade.

É como se um programa COBOL executasse automaticamente um:

DIVIDE SALARIO BY 2

Sem perguntar.

Sem sindicato.

Sem reunião.

Sem protesto.

Mesmo assim os mineradores continuam.

Porque o sistema inteiro foi desenhado esperando exatamente isso.

Essa previsibilidade é uma das características mais marcantes do Bitcoin: as regras monetárias são conhecidas de antemão e não mudam ao sabor de decisões políticas de curto prazo.


Por Que Hoje Existe Silêncio?

Porque novidade acabou.

Os curiosos foram embora.

Os aventureiros perderam interesse.

Os especuladores migraram para IA.

Depois para agentes de IA.

Depois para robôs.

Depois para qualquer nova sigla.

Enquanto isso...

Bitcoin continua produzindo blocos.

Mais ou menos como um mainframe.

Quando ninguém fala dele...

É porque provavelmente está funcionando.


O Efeito Mainframe

Existe uma coincidência deliciosa.

Mainframes também desapareceram das conversas.

Mas nunca desapareceram da economia.

Bitcoin passou por algo parecido.

Antes era manchete.

Hoje é infraestrutura financeira para muitos participantes do mercado, com empresas, fundos e serviços especializados operando ao redor dele.

Infraestrutura raramente vira meme.

Ela apenas trabalha.


O COBOL Sorri Discretamente

Imagine um programador COBOL olhando toda essa história.

Ele já viu isso acontecer diversas vezes.

Cliente-servidor.

Java.

XML.

SOA.

Cloud.

Blockchain.

NFT.

IA.

Todo ciclo é parecido.

Primeiro:

"Isso mudará o mundo."

Depois:

"Isso morreu."

Na prática...

Nem uma coisa.

Nem outra.

As tecnologias úteis acabam encontrando um espaço mais estável, enquanto as promessas exageradas ficam pelo caminho.


As Lições Esquecidas

Bitcoin ensinou algumas coisas importantes.

Nem tudo precisa ter um chefe.

Nem todo sistema precisa de uma empresa central.

Nem toda inovação acontece dentro de grandes corporações.

E principalmente...

Guardar senhas continua sendo responsabilidade humana.

A criptografia pode ser praticamente inquebrável.

A memória do usuário...

Nem tanto.


O Ministério das Caminhadas Financeiras

Se Monty Python escrevesse o encerramento, provavelmente seria assim.

Um narrador anuncia solenemente:

"Hoje visitaremos um investidor em Bitcoin."

A câmera abre.

Existe apenas um homem sentado olhando um HD quebrado.

Um padre entra.

Um engenheiro entra.

Um especialista em recuperação de dados entra.

Um arqueólogo entra.

Um geólogo entra.

Um operador de escavadeira entra.

Todos olham para o disco.

Silêncio.

O narrador pergunta:

— Qual é a senha?

O investidor responde:

— Era alguma coisa com aniversário... ou talvez o nome do cachorro... ou a senha do Wi-Fi de 2012...

A câmera corta para um programador COBOL em um CPD.

Ele observa tudo sem alterar a expressão.

Abre um terminal verde.

Digita calmamente:

READY

O lote noturno começa.

Bilhões continuam sendo movimentados.

O sistema continua funcionando.

O Bitcoin continua gerando blocos.

E o HD perdido continua, muito provavelmente, descansando sob toneladas de lixo, observando em silêncio a mais britânica de todas as ironias: a humanidade conseguiu inventar uma moeda descentralizada, matemática e criptograficamente elegante... mas ainda é perfeitamente capaz de perder uma fortuna porque confundiu um disco rígido com sucata.

No fim das contas, talvez essa seja a verdadeira moral da história.

Não foi o Bitcoin que mudou.

Não foram os bancos.

Nem os mineradores.

Foi apenas o ciclo natural das grandes tecnologias. Primeiro elas viram espetáculo, depois viram ferramenta. Quando todos falam delas, normalmente ainda estão sendo descobertas. Quando quase ninguém comenta, é porque, silenciosamente, encontraram seu lugar no mundo.

E, se existe um lugar onde essa lição já era conhecida muito antes da palavra blockchain existir, esse lugar é um CPD de mainframe. Afinal, há décadas os computadores mais importantes do planeta trabalham sem fazer barulho, sem aparecer nas manchetes e sem precisar convencer ninguém de que existem. O Bitcoin, de certa forma, acabou entrando para o mesmo clube: menos conversa, mais funcionamento.


sexta-feira, 17 de julho de 2026

20 Anos Depois da Bolha da Internet : O Que Todo Programador COBOL Padawan Precisa Aprender com o Maior Crash Tecnológico da Era Digital

 

Bellacosa Mainframe e o impacto da bolha da internet 25 anos apos os eventos

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

25 Anos Depois da Bolha da Internet

O Que Todo Programador COBOL Padawan Precisa Aprender com o Maior Crash Tecnológico da Era Digital

"Nem toda inovação sobrevive. Mas toda inovação deixa código, cicatrizes e conhecimento."


Introdução — A História se Repete... Apenas Troca de Interface

Imagine um jovem programador COBOL entrando pela primeira vez no CPD em 1999.

Enquanto ele aprendia JCL, CICS e Db2, do outro lado do mundo acontecia algo considerado "o futuro absoluto".

Internet.

Sites.

Portais.

E-commerce.

Empresas que nunca haviam vendido absolutamente nada estavam sendo avaliadas em bilhões de dólares.

Bastava colocar ".com" no nome da empresa.

O dinheiro aparecia.

Investidores compravam ações sem perguntar uma única coisa:

"Como essa empresa ganha dinheiro?"

Foi provavelmente o maior delírio coletivo já visto na história da tecnologia moderna.

E, como quase toda bolha financeira...

Ela estourou.

Milhões perderam dinheiro.

Empresas desapareceram.

Profissionais ficaram desempregados.

Projetos gigantescos foram abandonados.

Mas...

Curiosamente...

Foi justamente daquele caos que nasceram praticamente todas as gigantes digitais que usamos hoje.

Google.

Amazon.

Netflix.

PayPal.

Salesforce.

Wikipedia.

LinkedIn.

A bolha destruiu milhares de empresas.

Mas fortaleceu as poucas que realmente tinham fundamentos.

Hoje, mais de vinte anos depois, vale perguntar:

Estamos vivendo algo parecido novamente?

Prepare seu café.

Vamos voltar para 1995.


Capítulo 1 — O Mundo Antes da Internet Comercial

Para quem nasceu depois dos anos 2000 é difícil imaginar.

Não existia:

  • Google

  • YouTube

  • WhatsApp

  • Streaming

  • Redes sociais

  • Smartphones

A internet era praticamente um ambiente acadêmico.

Empresas utilizavam:

  • Mainframes

  • AS/400

  • UNIX

  • Novell

  • Lotus Notes

Os sistemas corporativos eram fechados.

A Web ainda parecia um experimento.

Até surgir algo revolucionário.

O navegador gráfico.

Primeiro Mosaic.

Depois Netscape.

Pela primeira vez qualquer pessoa podia navegar clicando em imagens.

Parecia magia.


Capítulo 2 — A Febre das Dot-Com

Entre 1995 e 2000 aconteceu uma explosão.

Todo empreendedor dizia possuir uma startup.

Na época nem existia esse nome.

Chamavam simplesmente de empresas ".com".

Qualquer ideia parecia revolucionária.

Vendia-se:

  • comida

  • livros

  • flores

  • brinquedos

  • viagens

  • carros

Tudo online.

Investidores passaram a acreditar que a internet substituiria completamente o comércio tradicional em poucos anos.

Começou uma corrida maluca.


A lógica da época era assustadoramente simples

Não importava:

  • lucro

Nem:

  • faturamento

Nem:

  • clientes

Nem:

  • produtos

Importava apenas:

"Crescimento."

Era comum ouvir frases como:

"Primeiro conquistamos usuários.
Depois descobrimos como ganhar dinheiro."

Soa familiar?


Capítulo 3 — A Economia do "Queime Caixa"

Hoje chamamos isso de:

Burn Rate.

Na época:

Era praticamente um esporte.

Empresas queimavam milhões de dólares por mês.

Publicidade.

Marketing.

Escritórios luxuosos.

Contratações gigantescas.

Sem receita.

Sem lucro.

Sem modelo sustentável.

O dinheiro vinha dos investidores.

Enquanto houvesse investidores...

Tudo parecia funcionar.


Capítulo 4 — O Mercado Entrou em Histeria

O índice NASDAQ praticamente explodiu.

As ações subiam diariamente.

Jornais diziam:

"A Nova Economia chegou."

Especialistas afirmavam:

"O lucro não importa mais."

Foi um dos maiores erros intelectuais da história econômica.

Durante alguns anos...

Parecia verdade.


Capítulo 5 — O Estouro da Bolha (2000)

Então veio a pergunta que ninguém queria responder.

"Essas empresas realmente valem isso?"

A resposta apareceu rapidamente.

Não.

O capital desapareceu.

Os investidores correram.

As ações despencaram.

Empresas quebraram em semanas.

O NASDAQ perdeu aproximadamente 78% de seu valor entre março de 2000 e outubro de 2002, marcando um dos maiores colapsos da história dos mercados financeiros.

Bilhões evaporaram.


Capítulo 6 — O Efeito Dominó

Quando uma startup quebrava...

Ela deixava de pagar:

  • fornecedores

  • publicidade

  • hospedagem

  • infraestrutura

  • salários

Outra empresa também quebrava.

Depois outra.

Depois outra.

O caos espalhou-se rapidamente.

Era um problema sistêmico.


Capítulo 7 — Milhares de Programadores Ficaram Sem Emprego

Esse ponto costuma ser esquecido.

A bolha não afetou apenas investidores.

Ela afetou profissionais.

Desenvolvedores.

Analistas.

Administradores.

DBAs.

Engenheiros.

Muitos mudaram completamente de carreira.

Outros voltaram para empresas tradicionais.

Inclusive para...

Mainframes.

Enquanto muitas startups desapareciam...

Bancos continuavam funcionando.

Seguradoras continuavam processando milhões de transações.

Governos continuavam pagando aposentadorias.

Os grandes sistemas corporativos permaneceram de pé.


Capítulo 8 — Amazon Quase Morreu

Pouca gente sabe.

A Amazon perdeu cerca de 95% de seu valor de mercado durante o colapso.

Muitos analistas afirmavam:

"A empresa nunca dará lucro."

Jeff Bezos tomou uma decisão histórica.

Reduzir custos.

Melhorar eficiência.

Pensar no longo prazo.

Não abandonar a visão.

Essa disciplina permitiu que a empresa sobrevivesse quando milhares desapareceram.


Capítulo 9 — Google Nasceu no Meio da Crise

Outro fato curioso.

Google surgiu praticamente durante o caos.

Enquanto empresas quebravam...

Google construía tecnologia.

Não publicidade exagerada.

Não marketing.

Infraestrutura.

Algoritmos.

Qualidade.

Foi exatamente isso que fez diferença.


Capítulo 10 — A Grande Lição

Tecnologia não substitui fundamentos.

Ela apenas acelera.

Uma empresa ruim...

fica ruim mais rápido.

Uma empresa boa...

escala mais rapidamente.


Capítulo 11 — O Que Isso Tem a Ver com COBOL?

Muito mais do que parece.

Durante toda a bolha, muitos diziam:

"O mainframe morreu."

"O COBOL acabou."

"O futuro pertence apenas às startups."

Vinte anos depois...

Quem continua processando:

  • cartões

  • folha salarial

  • bolsas de valores

  • pagamentos

  • impostos

  • previdência

São justamente sistemas construídos com décadas de engenharia sólida.

O hype passou.

Os sistemas críticos permaneceram.


Capítulo 12 — As Lições para o Padawan COBOL

Imagine um sistema bancário.

Você pode criar uma interface moderna.

Pode colocar IA.

Pode usar Kubernetes.

Pode rodar APIs REST.

Mas...

Se a transação financeira falhar...

Nada disso importa.

A base continua sendo:

  • confiabilidade;

  • consistência;

  • disponibilidade;

  • recuperação;

  • auditoria.

São princípios que existiam antes da Web e continuam indispensáveis.


Capítulo 13 — Comparando com Outras Bolhas

A história econômica mostra um padrão recorrente. A tecnologia muda, mas o comportamento humano permanece semelhante.

A bolha ferroviária (século XIX)

As ferrovias revolucionaram o transporte, e investidores aplicaram recursos em qualquer empresa ligada aos trilhos. Muitas fracassaram, mas a infraestrutura construída transformou a economia mundial.

A bolha das empresas de energia e telecomunicações

No fim dos anos 1990, além das empresas de internet, houve excesso de investimentos em redes de fibra óptica e telecomunicações. Muitas companhias faliram, mas os cabos permaneceram e sustentaram a internet de alta velocidade dos anos seguintes.

A crise financeira de 2008

O problema não era uma nova tecnologia, mas a crença de que o mercado imobiliário subiria para sempre. Quando essa premissa caiu, todo o sistema financeiro sofreu.

As criptomoedas

Entre 2017 e 2022 surgiram milhares de projetos sem utilidade real. Muitos desapareceram, mas a tecnologia de blockchain continuou evoluindo para aplicações específicas.

O Metaverso

Após 2021, diversas empresas anunciaram que o metaverso substituiria a internet tradicional. O entusiasmo foi muito maior do que a adoção real. Ainda assim, tecnologias como realidade virtual, aumentada e computação espacial continuam evoluindo.

A Inteligência Artificial Generativa

Vivemos hoje um momento que lembra, em alguns aspectos, a era das dot-com. Há investimentos bilionários, criação acelerada de startups e expectativas elevadas. A diferença é que a IA já demonstra aplicações concretas em produtividade, programação, pesquisa, atendimento e automação. Ainda assim, permanece a mesma pergunta fundamental:

Qual problema real está sendo resolvido?


Capítulo 14 — Os Efeitos na Sociedade

A bolha deixou marcas profundas.

Mudou a forma como investidores analisam empresas.

Fortaleceu a cultura das startups.

Popularizou o capital de risco (venture capital).

Acelerou a transformação digital.

Criou milhões de empregos na economia digital nos anos seguintes.

Também ensinou que inovação precisa caminhar ao lado de governança, gestão financeira e planejamento.


Capítulo 15 — Os Efeitos no Trabalho

Depois do colapso, o mercado passou a valorizar muito mais profissionais capazes de construir sistemas robustos do que apenas criar demonstrações impressionantes.

Ganharam espaço competências como:

  • arquitetura de sistemas;

  • segurança da informação;

  • banco de dados;

  • integração entre plataformas;

  • engenharia de software;

  • testes automatizados;

  • observabilidade;

  • continuidade de negócios.

É exatamente esse perfil que encontramos em muitos profissionais de mainframe.


Capítulo 16 — Os Riscos dos Novos Hypes

Hoje ouvimos frases parecidas com as do ano 2000:

  • "A IA substituirá todos os programadores."

  • "Não será mais necessário aprender arquitetura."

  • "Modelos resolvem tudo."

  • "Quem não usar IA ficará para trás."

Essas afirmações podem conter parte da verdade, mas também escondem exageros.

Um modelo de IA depende de:

  • dados de qualidade;

  • infraestrutura;

  • governança;

  • segurança;

  • integração;

  • pessoas.

Assim como uma página HTML não fazia uma empresa lucrativa em 1999, um chatbot não transforma automaticamente um negócio em sucesso.


Capítulo 17 — O Mainframe e a Sabedoria dos Sistemas Duradouros

Uma das maiores lições da bolha da internet é que tecnologia de verdade não é aquela que aparece nas manchetes, mas a que continua funcionando décadas depois.

Mainframes atravessaram:

  • a popularização do PC;

  • a internet;

  • o comércio eletrônico;

  • os smartphones;

  • a computação em nuvem;

  • os microsserviços;

  • a IA generativa.

Não porque resistiram à mudança, mas porque evoluíram continuamente.

Hoje, plataformas IBM Z executam Linux, Kubernetes, APIs REST, OpenShift, criptografia avançada e aceleradores para IA, sem abrir mão da confiabilidade que sempre os caracterizou.


Easter Egg Bellacosa Mainframe 🍵

Na Frota Estelar existe uma regra não escrita:

Nunca escolha um capitão apenas porque a nave é bonita. Escolha porque ela consegue voltar para casa.

Foi exatamente isso que aconteceu com as dot-com.

Muitas tinham interfaces espetaculares.

Poucas tinham motores confiáveis.

As que sobreviveram aprenderam que design atrai, marketing encanta, inovação impressiona — mas são arquitetura, disciplina, execução e sustentabilidade que mantêm uma empresa viva por décadas.


Conclusão — A História Não se Repete, Mas Costuma Rimar

Vinte anos após o estouro da bolha da internet, percebemos que ela não foi o fim da revolução digital. Pelo contrário, foi seu processo de amadurecimento.

O entusiasmo excessivo financiou infraestrutura, talentos e ideias que pareciam exageradas para a época. Muitas fracassaram, mas deixaram sementes que floresceram em empresas capazes de transformar a economia global.

Para um Padawan COBOL, essa história traz uma mensagem poderosa. Não se deixe levar apenas pelo brilho das novidades nem rejeite toda inovação por apego ao passado. O profissional valioso é aquele que consegue distinguir modismo de transformação estrutural.

Hoje, enquanto Inteligência Artificial, agentes autônomos, computação quântica e novas arquiteturas ocupam as manchetes, a pergunta continua a mesma de 1999:

Existe um problema real sendo resolvido?

Se a resposta for "sim", estamos diante de uma tecnologia com potencial para mudar o mundo.

Se a resposta depender apenas de apresentações bonitas, promessas vagas e crescimento sem fundamentos, talvez estejamos apenas assistindo ao próximo capítulo de uma história que já vimos antes.

Como todo bom oficial da Frota Estelar sabe, a missão não é perseguir cada estrela que aparece no radar, mas construir naves capazes de atravessar gerações. O mesmo vale para empresas, carreiras e sistemas: as tecnologias mudam, os princípios permanecem. E é justamente essa combinação entre inovação e fundamentos que separa um fenômeno passageiro de um verdadeiro legado tecnológico.


sexta-feira, 24 de março de 2023

A Sociedade do Feed Infinito : A Economia da Atenção Parte III

 

Bellacosa Mainframe e a socidedade do feed infinito parte III

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

A Economia da Atenção

O Que Todo Programador COBOL Padawan Precisa Saber Sobre Algoritmos, Inteligência Artificial, Big Tech e Como Suas Emoções se Tornaram um dos Ativos Mais Valiosos da Economia Digital

"Se você não está pagando pelo produto, existe uma boa chance de que o produto seja a sua atenção."


Introdução

Todo programador Mainframe sabe que CPU é um recurso caro.

Memória também.

I/O mais ainda.

Por isso, sistemas críticos utilizam mecanismos sofisticados para administrar cada microssegundo de processamento.

Agora imagine um recurso ainda mais valioso.

Um recurso que não pode ser expandido.

Não pode ser comprado.

Não pode ser armazenado.

Cada ser humano possui exatamente 24 horas por dia.

Desse tempo, apenas uma pequena fração está realmente disponível para consumir informação.

Esse recurso chama-se atenção.

No século XXI, a atenção tornou-se uma das commodities mais disputadas do planeta.

Google, Meta, TikTok, Microsoft, Amazon, Apple e inúmeras outras empresas competem diariamente por alguns segundos da sua concentração.

Porque esses segundos movimentam trilhões de dólares.


A Nova Matéria-Prima da Economia

Durante a Revolução Industrial, a riqueza vinha da produção.

Depois passou para o petróleo.

Mais tarde para os computadores.

Hoje, um dos ativos mais valiosos é invisível.

Nossa capacidade de prestar atenção.

Toda vez que você:

  • abre um aplicativo;

  • assiste um vídeo;

  • clica em uma notícia;

  • comenta uma postagem;

  • compartilha um meme;

  • permanece alguns segundos olhando uma fotografia,

você gera valor econômico.

Não porque clicou.

Mas porque permaneceu.


O Modelo de Negócio das Big Techs

Muitas pessoas acreditam que redes sociais vendem publicidade.

Na realidade, elas vendem previsibilidade.

O anunciante não compra espaço.

Compra a probabilidade de influenciar determinado comportamento.

Quanto mais dados uma plataforma possui sobre você, melhor consegue prever:

  • seus interesses;

  • seus medos;

  • suas preferências;

  • seus horários;

  • seu humor;

  • suas compras;

  • seus relacionamentos.

Essa previsibilidade aumenta o valor da publicidade.


Dados: O Novo Petróleo?

Durante anos ouvimos a frase:

"Dados são o novo petróleo."

Hoje talvez exista uma definição melhor.

Dados são o combustível.

A atenção é a moeda.

Sem atenção, os dados têm pouco valor.

Sem dados, torna-se difícil capturar atenção.

Os dois trabalham juntos.


Como os Algoritmos Aprendem

Cada interação alimenta modelos estatísticos e sistemas de Inteligência Artificial.

Eles observam:

  • quanto tempo você permaneceu em uma postagem;

  • onde interrompeu um vídeo;

  • quais assuntos despertam curiosidade;

  • quais provocam indignação;

  • quais fazem rir;

  • quais geram comentários.

Pouco importa se você gostou.

Importa que permaneceu.

Tempo de tela significa oportunidade de monetização.


O Algoritmo Não Procura a Verdade

Esse é um dos maiores equívocos da era digital.

O algoritmo não foi criado para descobrir o que é verdadeiro.

Foi desenvolvido para otimizar métricas.

Entre elas:

  • tempo de permanência;

  • engajamento;

  • compartilhamentos;

  • retenção;

  • retorno diário.

Se conteúdos emocionais produzem maior retenção, eles naturalmente recebem mais distribuição.

Não existe intenção moral.

Existe otimização matemática.


O Papel da Inteligência Artificial

A IA elevou esse processo a outro nível.

Antes existiam regras relativamente simples.

Hoje, modelos de Machine Learning analisam bilhões de sinais simultaneamente.

Eles identificam padrões impossíveis para um ser humano perceber.

Por exemplo:

"Pessoas que assistem vídeos sobre produtividade às 22h também costumam consumir conteúdos sobre investimentos às 22h30."

Ou:

"Usuários que assistem 80% deste vídeo possuem alta probabilidade de clicar naquele outro."

A IA não entende emoções como nós.

Ela reconhece padrões associados às emoções.

E isso basta para otimizar recomendações.


Engenharia da Dopamina

A dopamina costuma ser chamada de "hormônio do prazer", embora seu papel seja mais relacionado à motivação e expectativa de recompensa.

As plataformas exploram exatamente esse mecanismo.

Cada atualização do feed representa uma nova possibilidade.

Talvez exista algo interessante.

Talvez exista uma mensagem.

Talvez alguém tenha curtido sua postagem.

Talvez apareça um vídeo melhor.

Essa incerteza mantém o cérebro retornando continuamente.

É o mesmo princípio utilizado em sistemas de recompensa variável estudados pela psicologia comportamental.


B. F. Skinner e o Reforço Intermitente

O psicólogo B. F. Skinner demonstrou que recompensas imprevisíveis tendem a produzir comportamentos persistentes.

Não sabemos quando a recompensa virá.

Por isso continuamos tentando.

O feed infinito funciona exatamente assim.

Rolamos a tela inúmeras vezes.

A maioria do conteúdo é comum.

Mas ocasionalmente encontramos algo extremamente interessante.

Essa imprevisibilidade fortalece o hábito.


Emoções Vendem

Pesquisas em comunicação mostram que conteúdos emocionalmente intensos têm maior probabilidade de serem compartilhados.

Principalmente:

  • surpresa;

  • indignação;

  • medo;

  • humor;

  • admiração.

Por isso manchetes moderadas frequentemente perdem espaço para títulos extremos.

Não porque sejam melhores.

Mas porque capturam mais atenção.


O Feed Nunca Termina

Durante décadas, jornais possuíam fim.

Revistas possuíam última página.

Programas de televisão terminavam.

Hoje o feed é infinito.

Não existe um ponto natural para parar.

O usuário precisa decidir conscientemente quando interromper.

Essa mudança altera completamente nosso padrão de consumo.


IA Generativa: O Próximo Salto

Com modelos generativos, produzir conteúdo tornou-se extremamente barato.

Uma única pessoa pode criar diariamente:

  • centenas de imagens;

  • dezenas de vídeos;

  • milhares de textos;

  • vozes sintéticas;

  • personagens virtuais.

A competição pela atenção torna-se ainda mais intensa.

Quando o custo de produzir conteúdo tende a zero, o valor da atenção cresce ainda mais.


Influenciadores Virtuais

Já existem influenciadores completamente artificiais.

Eles:

  • nunca envelhecem;

  • nunca adoecem;

  • nunca entram em férias;

  • nunca cometem erros espontâneos;

  • podem publicar vinte e quatro horas por dia.

Para as marcas, representam enorme vantagem operacional.

Para a sociedade, surgem novas questões éticas.

Até que ponto saberemos distinguir pessoas reais de personagens sintéticos?


Publicidade Preditiva

A publicidade tradicional tentava convencer.

A publicidade baseada em IA tenta prever.

Ela procura identificar:

  • o momento ideal;

  • o produto ideal;

  • o formato ideal;

  • o horário ideal;

  • o preço ideal.

Quanto maior a precisão, menor o desperdício.

E maior o retorno financeiro.


A Economia da Indignação

Infelizmente, emoções negativas costumam gerar elevado engajamento.

Discussões.

Polêmicas.

Escândalos.

Ataques.

Conflitos.

Tudo isso aumenta comentários e compartilhamentos.

Isso não significa que as plataformas desejem conflitos.

Significa que seus algoritmos frequentemente recompensam aquilo que mantém as pessoas interagindo por mais tempo.


O Mainframe da Economia Digital

Podemos imaginar a internet como um gigantesco IBM Z.

Milhões de servidores processam continuamente:

  • cliques;

  • curtidas;

  • compras;

  • localização;

  • pesquisas;

  • tempo de tela.

Os algoritmos funcionam como um gigantesco Workload Manager.

Eles distribuem prioridade para os conteúdos com maior probabilidade de gerar retenção.

O objetivo não é apenas mostrar informações.

É maximizar o uso de um recurso escasso: sua atenção.


O Custo Invisível

Quando passamos horas consumindo conteúdos cuidadosamente selecionados para capturar nossa atenção, deixamos de investir esse tempo em outras atividades.

Ler um livro.

Conversar com a família.

Aprender uma nova habilidade.

Descansar.

Praticar exercícios.

Dormir.

O verdadeiro custo nem sempre é financeiro.

É o custo de oportunidade.

Cada minuto possui apenas um destino possível.


O Futuro da Economia da Atenção

Nos próximos anos veremos:

  • agentes de IA produzindo conteúdo personalizado em tempo real;

  • publicidade gerada individualmente para cada usuário;

  • realidade aumentada integrada ao cotidiano;

  • assistentes pessoais disputando atenção entre si;

  • influenciadores totalmente sintéticos;

  • ambientes digitais praticamente indistinguíveis da realidade.

A disputa deixará de ocorrer apenas nas telas.

Ela acontecerá em todos os espaços digitais.


Como Recuperar o Controle

Não é necessário abandonar a tecnologia.

É necessário compreendê-la.

Algumas práticas podem ajudar:

  • desativar notificações desnecessárias;

  • definir horários para redes sociais;

  • consumir fontes variadas de informação;

  • praticar leitura profunda;

  • reservar períodos sem telas;

  • desenvolver pensamento crítico;

  • compreender como funcionam os algoritmos.

Conhecimento continua sendo a melhor defesa.


O Que Todo Programador Mainframe Já Sabe

Quem trabalha com IBM Z aprende desde cedo que recursos computacionais precisam ser administrados com inteligência.

CPU desperdiçada reduz desempenho.

Memória mal utilizada provoca gargalos.

Workloads mal priorizados comprometem todo o sistema.

O mesmo vale para a mente humana.

Nossa atenção é limitada.

Nosso tempo é finito.

Cada interrupção possui um custo.

Cada notificação altera nosso contexto cognitivo.

Cada algoritmo disputa alguns segundos daquilo que temos de mais precioso.


Conclusão

A Economia da Atenção não é uma teoria conspiratória.

É um modelo econômico baseado em incentivos claros.

As Big Techs competem por atenção porque atenção gera dados.

Dados alimentam Inteligência Artificial.

A Inteligência Artificial melhora recomendações.

Recomendações aumentam permanência.

Permanência aumenta receita.

O ciclo se retroalimenta continuamente.

A tecnologia continuará evoluindo.

Os algoritmos ficarão mais inteligentes.

A IA produzirá conteúdos cada vez mais convincentes.

Mas continuará existindo uma decisão que nenhuma máquina poderá tomar por nós:

onde investir nossa atenção.

Assim como um Sysprog define prioridades para manter um IBM Z estável, cada pessoa precisará definir prioridades para proteger seu recurso mais escasso.

Porque, na economia digital, quem administra a própria atenção administra o próprio futuro.


sábado, 19 de junho de 2021

DotCom : Conclusão — A História Não Acabou. Apenas Mudou de Capítulo.

 

Bellacosa Mainframe e o estouro da bolha dotcom capitulo final

Conclusão — A História Não Acabou. Apenas Mudou de Capítulo.

O verdadeiro legado da bolha da Internet não foi o dinheiro perdido, mas a sabedoria conquistada.

"Toda geração acredita viver a maior revolução tecnológica da História. E, de certa forma, todas estão certas."

Se você fechasse este livro agora e me perguntasse:

"Em uma única frase, qual foi a maior lição da bolha da Internet?"

Minha resposta seria simples.

A tecnologia estava certa. O mercado estava errado sobre o tempo, o dinheiro e a forma como ela amadureceria.

Essa talvez seja a diferença mais importante que um engenheiro precisa compreender.

Ao longo destas páginas viajamos desde a Tulipomania do século XVII até a Inteligência Artificial do século XXI.

Passamos pela Railway Mania.

Pela South Sea Bubble.

Pelo Crash de 1929.

Pela bolha japonesa.

Pelas empresas ".com".

Pela computação em nuvem.

Pelos smartphones.

Pelos agentes inteligentes.

Em todas elas encontramos um padrão quase imutável.

Primeiro nasce uma inovação genuína.

Depois surge o entusiasmo.

Em seguida aparecem investidores.

Logo chegam os oportunistas.

O dinheiro passa a circular em velocidades absurdas.

As expectativas deixam de obedecer às leis da realidade.

Forma-se a bolha.

Ela cresce.

Encanta.

Seduz.

E inevitavelmente estoura.

Mas existe um detalhe que muitos esquecem.

Quando a poeira baixa...

A tecnologia continua lá.

Foi assim com as ferrovias.

Foi assim com a eletricidade.

Foi assim com a Internet.

Muito provavelmente será assim com a Inteligência Artificial.


O Tempo Sempre Separa Engenharia de Especulação

Ao longo de minha carreira trabalhando com IBM Mainframe, aprendi algo que nunca encontrei em um livro de economia.

Os sistemas mais importantes do mundo raramente são aqueles que aparecem nas manchetes.

Eles ficam escondidos.

Processando pagamentos.

Liquidando bolsas de valores.

Controlando voos.

Administrando hospitais.

Pagando aposentadorias.

Gerenciando impostos.

Autorizando cartões de crédito.

Transferindo bilhões de dólares silenciosamente todos os dias.

Ninguém publica notícias dizendo:

"Hoje o sistema bancário funcionou perfeitamente."

Porque esperamos que funcione.

A boa engenharia é invisível.

Quando tudo está certo, ninguém percebe.

Quando algo falha, o mundo inteiro percebe.

Talvez essa seja a maior diferença entre marketing e engenharia.

O marketing precisa chamar atenção.

A engenharia precisa evitar que algo dê errado.


O Programador COBOL Nunca Esteve Preso ao Passado

Durante décadas ouvimos previsões.

"O COBOL vai acabar."

"O mainframe morreu."

"Os sistemas legados desaparecerão."

Essas manchetes surgem praticamente desde os anos 1980.

Enquanto isso...

Novas versões do Enterprise COBOL continuam sendo lançadas.

Novos processadores IBM Z continuam aumentando capacidade.

Novas APIs conectam aplicações escritas há quarenta anos com aplicações desenvolvidas ontem.

Novos bancos digitais executam bilhões de transações sobre tecnologias consideradas "antigas".

O problema nunca foi idade.

Sempre foi utilidade.

Na engenharia existe uma regra silenciosa.

Aquilo que funciona, gera valor e continua evoluindo dificilmente desaparece.


A Inteligência Artificial Também Passará Pelo Mesmo Teste

Hoje vivemos um momento extraordinário.

A Inteligência Artificial parece capaz de resolver praticamente qualquer problema.

Em alguns casos realmente consegue.

Em outros ainda estamos aprendendo.

Existem exageros.

Existem promessas.

Existe marketing.

Existe investimento.

Existe especulação.

Tudo isso faz parte da história de praticamente toda grande inovação.

Daqui a dez ou vinte anos talvez olhemos para 2026 da mesma maneira como hoje olhamos para 1999.

Sorriremos ao lembrar algumas previsões exageradas.

Reconheceremos erros.

Celebramos acertos.

E perceberemos que a IA não destruiu todas as profissões, nem resolveu todos os problemas do planeta.

Ela apenas tornou-se mais uma poderosa ferramenta da engenharia.

Assim como aconteceu com a Internet.


O Conhecimento Nunca Foi Tão Importante

Existe um paradoxo fascinante.

Nunca tivemos acesso a tanta informação.

Ao mesmo tempo, nunca foi tão difícil separar conhecimento de ruído.

Ferramentas de IA respondem perguntas em segundos.

Motores de busca indexam praticamente tudo.

Vídeos ensinam qualquer tecnologia.

Cursos estão disponíveis em poucos cliques.

Mas informação não é conhecimento.

Conhecimento não é experiência.

Experiência não é sabedoria.

A sabedoria nasce quando conectamos história, tecnologia, negócios e comportamento humano.

Foi exatamente isso que tentamos fazer neste livro.


O Futuro Pertence aos Curiosos

Talvez a característica mais importante de um profissional moderno não seja dominar uma linguagem específica.

Nem possuir determinada certificação.

Nem conhecer uma ferramenta da moda.

A característica mais importante talvez seja outra.

Curiosidade.

Curiosidade leva ao aprendizado.

Aprendizado produz adaptação.

Adaptação gera relevância.

E relevância prolonga carreiras.

Observe os profissionais que continuam ativos após trinta ou quarenta anos.

Quase todos compartilham uma característica.

Nunca pararam de estudar.


O Holocron do Padawan COBOL

Se este livro pudesse ser transformado em um Holocron da Frota Estelar, talvez ele guardasse apenas alguns ensinamentos essenciais.

Aprenda fundamentos antes das ferramentas.

Questione promessas extraordinárias.

Entenda economia tanto quanto entende tecnologia.

Construa para durar.

Valorize simplicidade.

Proteja dados.

Automatize tarefas repetitivas.

Documente aquilo que seu "eu do futuro" agradecerá.

Nunca pare de aprender.

Nunca despreze tecnologias antigas.

Nunca idolatre tecnologias novas.

E, acima de tudo...

Lembre-se de que sistemas existem para servir pessoas.

Não o contrário.


Uma Última Visita ao Centro de Processamento de Dados

Imagine que estamos caminhando juntos por um grande Centro de Processamento de Dados.

Os corredores são silenciosos.

As luzes dos racks piscam continuamente.

Os processadores executam milhões de instruções por segundo.

Em algum lugar existe um programa COBOL criado antes do nascimento de muitos profissionais que hoje trabalham na empresa.

Ao lado dele existe uma API REST.

Um microsserviço em contêiner.

Um modelo de Inteligência Artificial.

Um banco de dados relacional.

Um índice vetorial.

Uma fila de mensagens.

Tudo convivendo.

Tudo cooperando.

Tudo formando um único organismo.

Esse talvez seja o maior retrato da evolução tecnológica.

O futuro quase nunca substitui completamente o passado.

Ele conversa com ele.

Integra-se a ele.

Aprende com ele.

E constrói algo maior.


A Frota Estelar Continua sua Missão

No universo de Star Trek existe uma frase que resume perfeitamente o espírito da exploração.

"Ir audaciosamente onde ninguém jamais esteve."

Durante muito tempo pensei que essa frase falasse apenas sobre viagens espaciais.

Hoje acredito que ela descreve perfeitamente a engenharia de software.

Cada projeto é uma missão.

Cada arquitetura é um mapa estelar.

Cada novo sistema representa um planeta desconhecido.

Cada bug é uma anomalia espacial.

Cada incidente é uma oportunidade de aprendizado.

Cada inovação amplia as fronteiras do conhecimento humano.

E cada Programador COBOL Padawan que decide continuar aprendendo torna-se, pouco a pouco, um oficial capaz de conduzir sua própria nave através dessas novas fronteiras.


Uma Mensagem Pessoal

Se você é um jovem profissional...

Espero que este livro tenha mostrado que estudar COBOL não significa viver preso ao passado.

Significa compreender uma parte fundamental da história da computação.

Se você já trabalha há muitos anos com mainframe...

Espero que ele tenha reforçado algo que talvez você já soubesse intuitivamente.

Sua experiência continua extremamente valiosa.

O mundo mudou.

Mas princípios como confiabilidade, integridade, disponibilidade, segurança e responsabilidade tornaram-se ainda mais importantes.

Se você trabalha com Inteligência Artificial...

Espero que tenha percebido que a tecnologia mais revolucionária do século XXI ainda possui muito a aprender com décadas de engenharia construídas antes dela.

E se você simplesmente gosta de tecnologia...

Espero que continue curioso.

Porque curiosidade é o combustível de toda inovação.


O Último Registro do Diário de Bordo

Data Estelar: Futuro Indefinido.

A USS Enterprise permanece em velocidade de dobra.

Novas galáxias surgem no horizonte.

A Inteligência Artificial ocupa parte da ponte de comando.

Os sistemas do computador principal continuam processando milhões de decisões.

O núcleo de dobra opera dentro dos parâmetros.

Os bancos de dados permanecem íntegros.

Os motores respondem perfeitamente.

No convés de engenharia, um velho engenheiro observa um jovem Padawan analisando um programa COBOL escrito décadas atrás.

O rapaz sorri.

Fecha o editor.

Abre uma ferramenta de Inteligência Artificial.

Conecta ambos por meio de uma API.

Executa os testes.

Tudo funciona.

O veterano apenas balança a cabeça positivamente.

Porque entende algo que somente o tempo ensina.

As linguagens mudam.

As arquiteturas evoluem.

As ferramentas aparecem e desaparecem.

As empresas nascem e morrem.

As bolhas financeiras vêm e vão.

Mas a missão do engenheiro permanece exatamente a mesma desde os primeiros computadores:

Construir sistemas confiáveis que melhorem a vida das pessoas.

Enquanto houver alguém disposto a fazer isso com ética, curiosidade e paixão por aprender...

Sempre existirá uma nova fronteira para explorar.

Fim da missão.

RC = 0000

JOB COMPLETED SUCCESSFULLY. ☕🚀


sábado, 13 de março de 2021

DotCom : Capítulo XV — Vinte Anos Depois: O Veredito da História Sobre a Bolha da Internet

 

Bellacosa Mainframe e o estouro da bolha dotcom capitulo xv

Capítulo XV — Vinte Anos Depois: O Veredito da História Sobre a Bolha da Internet

O que realmente aconteceu com as previsões feitas em 2000 e por que a História absolveu a Internet, mas condenou a especulação

"O tempo é o melhor arquiteto de software e o juiz mais imparcial da economia. Ele remove o código desnecessário, elimina as ilusões e preserva apenas aquilo que realmente cria valor."

Chegamos ao último capítulo desta jornada.

Foram mais de quatrocentos anos de história.

Da Tulipomania às criptomoedas.

Das ferrovias à Inteligência Artificial.

Dos cartões perfurados aos agentes autônomos.

Da bolha das Dot-Com ao renascimento da economia digital.

Mas ainda falta responder uma pergunta.

Afinal... quem estava certo?

Os otimistas?

Ou os pessimistas?

A Internet foi realmente uma bolha?

Ou foi a maior revolução tecnológica da história?

A resposta, como quase tudo na engenharia, não é um simples "sim" ou "não".

Ela é muito mais interessante.


A Internet Nunca Foi a Bolha

Este talvez seja o maior equívoco histórico.

Quando alguém diz:

"A bolha da Internet estourou."

A frase está incompleta.

O que estourou nunca foi a Internet.

O que explodiu foi a expectativa financeira construída ao redor dela.

A Internet continuou funcionando.

Os protocolos TCP/IP continuaram evoluindo.

Os servidores continuaram processando requisições.

Os cabos continuaram transmitindo dados.

Os engenheiros continuaram desenvolvendo software.

As universidades continuaram pesquisando.

A tecnologia permaneceu.

Quem desapareceu foi a especulação.

Essa diferença muda completamente a interpretação da história.


Os Pessimistas Erraram

Após o colapso de 2000 surgiram inúmeras manchetes.

"O fim da Nova Economia."

"A Internet fracassou."

"As empresas digitais foram uma moda."

Hoje sabemos que essas previsões estavam profundamente equivocadas.

A Internet tornou-se a infraestrutura mais importante da economia mundial.

Ela conecta bilhões de pessoas.

Movimenta trilhões de dólares.

Transformou praticamente todos os setores da sociedade.

O problema nunca foi a tecnologia.

Foi o exagero.


Os Otimistas Também Erraram

Curiosamente...

Os maiores entusiastas também cometeram erros.

Eles acreditavam que qualquer empresa ligada à Internet se tornaria automaticamente bem-sucedida.

Isso jamais aconteceu.

A maioria desapareceu.

Não porque a Internet fosse ruim.

Mas porque administrar uma empresa continua sendo extremamente difícil.

Tecnologia reduz barreiras.

Não elimina os desafios fundamentais dos negócios.


A História Escolheu os Construtores

Quando observamos os sobreviventes percebemos um padrão muito claro.

Google.

Amazon.

PayPal.

Salesforce.

Netflix.

Eles não venceram porque eram os mais barulhentos.

Nem porque possuíam os maiores escritórios.

Nem porque faziam mais propaganda.

Venceram porque construíram.

Infraestrutura.

Engenharia.

Processos.

Pessoas.

Conhecimento.

Enquanto outros vendiam sonhos...

Eles construíam fundações.


O Tempo Elimina o Ruído

Existe algo fascinante quando analisamos tecnologia sob uma perspectiva de vinte anos.

O marketing desaparece.

As manchetes desaparecem.

As apresentações desaparecem.

As promessas desaparecem.

O que permanece?

Produtos úteis.

Clientes satisfeitos.

Infraestrutura funcionando.

Empresas sustentáveis.

É como observar um grande sistema legado.

Após décadas, apenas o código realmente importante continua sendo executado.

Todo o restante foi removido.


A Engenharia Sempre Vence

Ao longo deste livro encontramos uma conclusão repetidas vezes.

Marketing chama atenção.

Engenharia sustenta negócios.

A história da Internet comprova isso.

Empresas que investiram apenas em publicidade desapareceram rapidamente.

Empresas que investiram em arquitetura sobreviveram.

Essa continua sendo uma das maiores lições para qualquer profissional de tecnologia.


O Mainframe Nunca Precisou Provar Nada

Existe uma ironia interessante.

Enquanto jornais anunciavam diariamente "o fim do mainframe", milhões de pessoas utilizavam serviços processados justamente por ele.

Compravam.

Vendiam.

Recebiam salários.

Pagavam impostos.

Realizavam transferências.

Utilizavam cartões.

Tudo isso acontecia silenciosamente.

O IBM Z nunca precisou vencer debates na Internet.

Precisava apenas continuar funcionando.

E continuou.

Talvez essa seja uma das maiores demonstrações de maturidade tecnológica.


A Revolução Não Acontece na Superfície

Quando pensamos em inovação normalmente imaginamos aquilo que aparece.

Aplicativos.

Interfaces.

Sites.

Inteligência Artificial.

Mas as maiores revoluções frequentemente acontecem onde poucos observam.

Data centers.

Protocolos.

Bancos de dados.

Infraestrutura.

Redes.

Segurança.

Mainframes.

Cloud.

APIs.

São esses elementos invisíveis que sustentam toda a economia digital.

Sem eles...

Nenhuma inovação permaneceria em pé.


O Futuro Também Será Invisível

Provavelmente ocorrerá exatamente o mesmo com a Inteligência Artificial.

Hoje falamos muito sobre chatbots.

Geradores de imagens.

Agentes inteligentes.

Mas daqui a vinte anos talvez a IA esteja tão integrada ao cotidiano que quase ninguém falará sobre ela.

Assim como ninguém diz atualmente:

"Estou utilizando TCP/IP."

Ou:

"Estou usando DNS."

Ou:

"Acabei de fazer uma requisição HTTPS."

Essas tecnologias desapareceram da conversa.

Não porque falharam.

Mas porque tiveram sucesso.

A verdadeira inovação deixa de ser novidade.

Torna-se infraestrutura.


O Ciclo Nunca Termina

Talvez daqui a quinze ou vinte anos outra tecnologia ocupe todas as manchetes.

Talvez alguém afirme novamente:

"Agora tudo será diferente."

Novos investidores aparecerão.

Novas startups surgirão.

Novas promessas serão feitas.

E, muito provavelmente...

Alguns repetir-se-ão os mesmos erros.

Porque computadores evoluem rapidamente.

Mas o comportamento humano evolui muito mais devagar.


O Que Nunca Mudará

Independentemente da próxima revolução tecnológica, algumas perguntas continuarão fundamentais.

Existe valor para o cliente?

A solução resolve um problema real?

O sistema é confiável?

Pode crescer?

É seguro?

É sustentável financeiramente?

Existe boa engenharia?

Se essas perguntas forem respondidas positivamente...

As chances de sucesso aumentam enormemente.


O Programador COBOL do Século XXI

Chegamos então ao personagem central desta obra.

O Programador COBOL Padawan.

Durante muito tempo disseram que ele representava o passado.

Hoje percebemos que ele carrega conhecimentos extremamente valiosos para o futuro.

Pensamento estruturado.

Integridade de dados.

Transações.

Disponibilidade.

Confiabilidade.

Governança.

Esses princípios tornaram-se ainda mais importantes na era da Inteligência Artificial.

Talvez o maior diferencial do profissional moderno não seja abandonar o passado.

Mas utilizá-lo como alicerce para construir o futuro.


O Verdadeiro Significado da Bolha

Depois de toda esta análise podemos finalmente responder à pergunta inicial.

O que foi, afinal, a bolha da Internet?

Não foi um fracasso.

Não foi um sucesso.

Foi um processo de seleção.

Uma gigantesca prova de resistência.

Ela eliminou empresas frágeis.

Fortaleceu as sólidas.

Acelerou a maturidade da engenharia.

Transformou investidores.

Mudou universidades.

Preparou profissionais.

Construiu infraestrutura.

Criou gigantes.

E abriu caminho para praticamente todas as revoluções digitais das décadas seguintes.

Poucos acontecimentos produziram consequências tão profundas.


Uma Última Reflexão no Centro de Processamento de Dados

Voltemos uma última vez ao velho CPD.

Os enormes gabinetes continuam funcionando.

As luzes piscam discretamente.

O relógio marca três horas da manhã.

Milhões de transações atravessam silenciosamente os canais de comunicação.

Do lado de fora, pessoas utilizam smartphones.

Conversam com Inteligência Artificial.

Compram pela Internet.

Assistem filmes em streaming.

Realizam Pix.

Chamam carros por aplicativos.

Tudo parece extremamente moderno.

Poucos imaginam que, em algum lugar daquele enorme ecossistema, um programa COBOL escrito anos atrás continua executando exatamente aquilo para que foi criado.

Recebendo novos módulos.

Novas APIs.

Novas integrações.

Novas camadas de Inteligência Artificial.

Mas preservando aquilo que sempre foi sua maior qualidade.

Confiabilidade.

Talvez essa seja a metáfora perfeita para toda a computação.

A inovação não substitui completamente o passado.

Ela constrói novos andares sobre fundações que já provaram seu valor.


Epílogo — O Conselho do Velho Engenheiro

Se este livro pudesse terminar com apenas uma única mensagem para um Programador COBOL Padawan, talvez fosse esta.

Não tenha medo das novas tecnologias.

Aprenda Inteligência Artificial.

Aprenda Python.

Aprenda Cloud.

Aprenda Kubernetes.

Aprenda Agentes.

Aprenda Computação Quântica quando ela chegar.

Mas nunca abandone aquilo que transforma um simples programador em um verdadeiro engenheiro.

Pensar antes de programar.

Projetar antes de implementar.

Testar antes de entregar.

Documentar antes de esquecer.

Medir antes de otimizar.

Questionar antes de acreditar.

No universo da Frota Estelar, existe uma antiga tradição.

Quando um engenheiro conclui sua formação, recebe um pequeno distintivo com uma frase gravada na parte interna, invisível para todos.

Ela diz:

"Tecnologias passam. Princípios permanecem."

Talvez essa seja também a maior lição da bolha da Internet.

E talvez seja exatamente essa lição que continuará guiando os engenheiros que construirão os próximos cinquenta anos da computação.

Porque, no final de toda grande revolução tecnológica, aquilo que realmente permanece não são as manchetes, nem as avaliações bilionárias ou as modas passageiras.

Permanecem as pessoas que aprenderam a construir sistemas capazes de atravessar o tempo.


sábado, 12 de setembro de 2020

DotCom : Capítulo IX — A Internet Cresceu. A Inocência Morreu: As Lições que Mudaram a Forma de Construir Empresas de Tecnologia

 

Bellacosa Mainframe e o estouro da bolha dotcom capitulo ix

Capítulo IX — A Internet Cresceu. A Inocência Morreu: As Lições que Mudaram a Forma de Construir Empresas de Tecnologia

Como a bolha das Dot-Com transformou definitivamente a maneira como investidores, engenheiros, empreendedores e executivos passaram a enxergar inovação

"A experiência é o nome que damos aos erros que sobrevivemos para contar." — Oscar Wilde

Toda grande crise deixa cicatrizes.

Algumas desaparecem com o tempo.

Outras mudam completamente a forma como uma geração inteira pensa.

A bolha da Internet fez exatamente isso.

Depois de 2002, ninguém mais enxergava startups da mesma maneira.

Nem investidores.

Nem bancos.

Nem universidades.

Nem empresas de tecnologia.

Muito menos os engenheiros de software.

O mercado havia aprendido, da maneira mais cara possível, que uma boa ideia não basta.

Tecnologia não elimina administração.

Inovação não substitui planejamento.

E crescimento nunca poderá ocupar o lugar da sustentabilidade.

A bolha havia acabado.

Mas as verdadeiras lições estavam apenas começando.


O Fim da Ingenuidade

Antes do estouro da bolha existia uma espécie de inocência coletiva.

Muitos acreditavam que bastava criar um site interessante.

Os usuários apareceriam.

Os investidores chegariam.

O dinheiro entraria.

O lucro surgiria naturalmente.

Depois da crise...

Essa narrativa desapareceu.

Empreendedores passaram a ouvir perguntas muito diferentes.

Qual é seu modelo de negócios?

Quem paga sua conta?

Quanto custa conquistar um cliente?

Qual é sua margem?

Quando pretende atingir o ponto de equilíbrio?

Essas perguntas continuam sendo feitas até hoje.

E isso não aconteceu por acaso.

Foi a bolha que ensinou investidores a fazê-las.


O Lucro Voltou a Ser Elegante

Durante a euforia, falar em lucro parecia quase antiquado.

Empresas comemoravam prejuízos crescentes como sinal de expansão.

Após o colapso...

Lucro voltou a ser uma palavra respeitada.

Não significava abandonar crescimento.

Significava demonstrar que crescimento poderia ser sustentável.

Nascia uma nova mentalidade.

Crescer rapidamente era importante.

Mas sobreviver era indispensável.


O Fluxo de Caixa Tornou-se Rei

Existe uma frase muito conhecida no mundo empresarial.

"Revenue is vanity. Profit is sanity. Cash is reality."

"Receita é vaidade.

Lucro é bom senso.

Caixa é realidade."

Poucas frases resumem tão bem as consequências da bolha.

Empresas descobriram que o dinheiro disponível hoje vale muito mais do que projeções otimistas para daqui a cinco anos.

Fluxo de caixa passou a ocupar lugar central nas reuniões de conselho.

Sem caixa...

Não existe inovação.

Não existe pesquisa.

Não existe expansão.

Não existe empresa.


O Cliente Tornou-se Mais Importante que o Investidor

Durante a primeira onda das Dot-Com, muitas startups pareciam desenvolver produtos principalmente para convencer investidores.

Após a crise...

O foco mudou completamente.

Empresas passaram a perguntar:

O cliente realmente precisa disso?

Quanto ele pagaria?

Ele voltaria a comprar?

Indicaria o serviço para outras pessoas?

Esse retorno ao cliente talvez tenha sido uma das maiores transformações da indústria.

A tecnologia voltou a servir pessoas.

E não apenas apresentações em PowerPoint.


Engenharia Voltou ao Centro das Decisões

Outro efeito extremamente importante foi a valorização da engenharia.

Durante a bolha, muitos projetos eram lançados rapidamente.

A prioridade era chegar primeiro.

Depois da crise...

Chegar primeiro deixou de ser suficiente.

Era necessário chegar preparado.

Arquitetura.

Escalabilidade.

Segurança.

Disponibilidade.

Performance.

Monitoramento.

Esses temas passaram a ocupar espaço nas reuniões estratégicas.

As empresas perceberam que software não é apenas código.

É infraestrutura.

É operação.

É continuidade do negócio.


O Nascimento da Cultura DevOps

Curiosamente, muitas práticas que hoje consideramos modernas começaram a ganhar força justamente após esse período.

Integração contínua.

Automação de deploy.

Testes automatizados.

Infraestrutura como código.

Monitoramento.

Observabilidade.

Resposta rápida a incidentes.

Anos depois tudo isso seria conhecido como DevOps.

A raiz, porém, estava em um aprendizado simples.

Corrigir problemas cedo custa muito menos do que reconstruir empresas depois.


A Segurança Deixou de Ser Opcional

No final dos anos 1990, segurança frequentemente era tratada como detalhe técnico.

Após a crise, e com o crescimento do comércio eletrônico, isso mudou radicalmente.

Clientes precisavam confiar na Internet.

Empresas precisavam proteger dados.

Bancos precisavam garantir transações.

Começaram a ganhar importância:

criptografia;

autenticação;

certificados digitais;

firewalls;

gestão de identidade;

auditoria.

Hoje esses elementos parecem naturais.

Naquela época representavam uma enorme evolução.


Governança Também Evoluiu

Outro conceito que amadureceu foi a governança corporativa.

Conselhos de administração tornaram-se mais ativos.

Investidores exigiram maior transparência.

Relatórios financeiros passaram a ser analisados com muito mais rigor.

Empresas de tecnologia deixaram de ser vistas como "casos especiais".

Passaram a seguir princípios semelhantes aos de qualquer organização sólida.

Essa mudança fortaleceu todo o ecossistema.


Enquanto Isso... O Mainframe Apenas Continuava Fazendo Seu Trabalho

Existe algo quase filosófico nessa comparação.

Enquanto startups aprendiam conceitos como:

alta disponibilidade;

controle de mudanças;

gestão de configuração;

auditoria;

planejamento de capacidade;

recuperação de desastres...

Os profissionais de mainframe olhavam tudo isso com certa familiaridade.

Esses princípios sempre fizeram parte do ambiente corporativo.

Muito antes da Web.

Muito antes da nuvem.

Muito antes da IA.

Para um administrador de z/OS, manter disponibilidade, controlar mudanças e garantir continuidade nunca foi diferencial.

Era simplesmente parte do trabalho.

Talvez por isso o universo mainframe tenha atravessado tantas revoluções tecnológicas sem perder relevância.


O Investidor Tornou-se Mais Maduro

Os fundos de Venture Capital também evoluíram.

Continuaram financiando inovação.

Mas passaram a exigir muito mais disciplina.

Modelos financeiros.

Planejamento.

Execução.

Capacidade da equipe.

Governança.

Não significa que novas bolhas deixaram de existir.

Mas os critérios ficaram muito mais sofisticados.

Hoje uma startup dificilmente consegue investimentos relevantes apresentando apenas uma boa ideia.

Ela precisa demonstrar capacidade real de transformar visão em negócio.


O Mercado Descobriu o Valor da Resiliência

Antes da bolha, velocidade parecia ser a principal vantagem competitiva.

Depois dela...

Resiliência ganhou importância.

Empresas começaram a investir em:

continuidade operacional;

redundância;

backup;

recuperação de desastres;

gestão de riscos;

planejamento estratégico.

A pergunta deixou de ser:

"Como crescer rapidamente?"

Passou a incluir:

"Como continuar funcionando quando tudo der errado?"

Essa mudança continua extremamente atual.


A Universidade Também Mudou

A crise influenciou até mesmo o ensino de computação.

Cursos passaram a enfatizar:

engenharia de software;

arquitetura;

gestão de projetos;

qualidade;

bancos de dados;

segurança;

redes;

empreendedorismo.

O profissional de tecnologia deixou de ser visto apenas como programador.

Passou a ser um engenheiro de sistemas completos.

Essa visão continua moldando a formação de novos profissionais.


O Paralelo com a Era da Inteligência Artificial

Estamos novamente diante de uma tecnologia transformadora.

A Inteligência Artificial desperta entusiasmo semelhante ao observado na Internet dos anos 1990.

Mas existe uma diferença importante.

Hoje carregamos a memória da bolha.

Empresas perguntam:

Como governar modelos?

Como proteger dados?

Como controlar custos de inferência?

Como auditar decisões?

Como evitar alucinações?

Como integrar IA aos sistemas existentes?

Essas perguntas demonstram maturidade.

A indústria aprendeu que inovação precisa caminhar junto com engenharia.


O Que Nunca Mudou

Apesar de todas as transformações tecnológicas ocorridas nas últimas décadas, alguns princípios permaneceram praticamente inalterados.

Resolver problemas reais.

Respeitar limitações técnicas.

Controlar recursos.

Planejar crescimento.

Construir sistemas confiáveis.

Investir em pessoas.

Esses princípios eram verdadeiros antes da Internet.

Continuam verdadeiros na era da Inteligência Artificial.

Provavelmente permanecerão válidos por muitas décadas.


Lições para o Padawan COBOL

Todo programa COBOL bem escrito possui uma característica interessante.

Ele pode ser antigo.

Mas continua compreensível.

Continua confiável.

Continua executando sua função.

Isso acontece porque foi desenvolvido seguindo princípios sólidos.

Empresas também.

A bolha das Dot-Com mostrou que tecnologias mudam rapidamente.

Princípios de engenharia mudam muito pouco.

No universo da Frota Estelar, um jovem cadete costuma ficar fascinado por novos motores de dobra, armamentos experimentais e tecnologias recém-descobertas. Já um engenheiro veterano sabe que nenhuma inovação substitui a integridade do casco, a confiabilidade dos sistemas de suporte à vida e a disciplina da tripulação.

A mesma lógica vale para a computação.

Frameworks surgem.

Linguagens aparecem.

Modelos de IA evoluem.

Mas os fundamentos continuam.

E é justamente por dominar esses fundamentos que um Programador COBOL Padawan pode compreender não apenas o passado da tecnologia, mas também antecipar muitos dos desafios do seu futuro.

No próximo capítulo ampliaremos ainda mais essa visão, comparando a bolha da Internet com outras grandes bolhas econômicas da história — das tulipas holandesas do século XVII às criptomoedas, NFTs, metaverso e Inteligência Artificial — mostrando que, embora as tecnologias mudem, o comportamento humano continua surpreendentemente parecido.


sexta-feira, 28 de agosto de 2020

DotCom : Capítulo VIII — Das Cinzas ao Renascimento: Como o Colapso das Dot-Com Preparou o Mundo para a Era Digital

 

Bellacosa Mainframe e o estouro da bolha dotcom capitulo viii

Capítulo VIII — Das Cinzas ao Renascimento: Como o Colapso das Dot-Com Preparou o Mundo para a Era Digital

Por que a maior crise da Internet foi, paradoxalmente, o evento que tornou possível o nascimento de Google, Facebook, YouTube, smartphones, computação em nuvem e Inteligência Artificial

"Uma floresta devastada por um incêndio parece morta. Mas, sob a terra, as sementes finalmente encontram espaço para crescer."

À primeira vista, o estouro da bolha da Internet parece uma história de fracasso.

Empresas quebraram.

Investidores perderam fortunas.

Milhares de profissionais ficaram desempregados.

Projetos desapareceram.

Wall Street entrou em pânico.

Entretanto...

Se observarmos a história com um pouco mais de distância, perceberemos algo surpreendente.

A bolha não destruiu a revolução digital.

Ela a tornou possível.

Pode parecer contraditório.

Mas muitas das empresas que hoje dominam nossa vida cotidiana só conseguiram crescer porque a crise eliminou os excessos da primeira geração da Internet.

Foi como uma gigantesca atualização de software.

Dolorosa.

Cara.

Mas necessária.


A Internet Sobreviveu

Existe um erro muito comum quando se fala sobre o ano 2000.

As pessoas imaginam que a Internet quase desapareceu.

Nada poderia estar mais distante da realidade.

Na verdade...

Enquanto investidores fugiam das ações de tecnologia, engenheiros continuavam trabalhando.

Cabos continuavam sendo instalados.

Servidores continuavam sendo fabricados.

Protocolos continuavam evoluindo.

Universidades continuavam pesquisando.

Empresas continuavam conectando filiais.

A infraestrutura da Internet nunca parou de crescer.

Quem entrou em crise foi o mercado financeiro.

Não a tecnologia.

Essa distinção é extremamente importante.


A Infraestrutura Ficou Pronta

Durante a euforia das Dot-Com foram investidos bilhões de dólares em infraestrutura.

Data centers.

Cabos submarinos.

Centrais telefônicas.

Equipamentos ópticos.

Backbones internacionais.

Links de alta velocidade.

Na época, muitos analistas afirmavam que havia capacidade demais.

Parecia desperdício.

Mas alguns anos depois...

Essa mesma infraestrutura permitiu uma explosão de crescimento.

É uma ironia fascinante.

Boa parte da Internet moderna utiliza uma base construída justamente durante a bolha.

O investimento parecia exagerado.

O tempo mostrou que ele apenas havia chegado cedo demais.


A Banda Larga Mudou Tudo

No início dos anos 2000 começou outra transformação silenciosa.

A Internet discada começou a ser substituída por conexões de banda larga.

Pela primeira vez, os computadores permaneciam conectados o tempo todo.

Adeus ao barulho do modem.

Adeus à linha telefônica ocupada.

Adeus à espera para estabelecer conexão.

Essa mudança alterou completamente a maneira como as pessoas utilizavam a Internet.

Ela deixou de ser uma atividade ocasional.

Passou a fazer parte da rotina diária.

Foi uma mudança de comportamento.

E mudanças de comportamento costumam gerar novas oportunidades de negócios.


A Web Aprendeu a Conversar

Durante a primeira geração da Internet, a maioria dos sites era estática.

Empresas publicavam informações.

Usuários apenas liam.

Pouco depois da crise começou a surgir um conceito completamente diferente.

A Web participativa.

As pessoas deixaram de ser apenas consumidoras.

Passaram a produzir conteúdo.

Escrever.

Fotografar.

Comentar.

Compartilhar.

Avaliar.

Nascia aquilo que mais tarde seria conhecido como Web 2.0.

A Internet deixava de ser uma biblioteca.

Transformava-se numa gigantesca praça pública.


Google Encontrou Seu Momento

Quando a poeira da crise começou a baixar, o Google estava preparado.

Sua infraestrutura crescia.

Seu algoritmo melhorava.

Seu modelo de publicidade tornava-se extremamente eficiente.

Enquanto centenas de concorrentes desapareciam, o Google concentrava cada vez mais usuários.

O curioso é que sua maior vantagem não era apenas tecnológica.

Era econômica.

Cada pesquisa gerava informações valiosas.

Cada anúncio era mais relevante.

Cada clique aperfeiçoava o sistema.

Criava-se um ciclo virtuoso.

Quanto mais pessoas utilizavam o Google...

Melhor ele ficava.


Amazon Deixou de Ser Apenas uma Livraria

Outro sobrevivente aproveitou o período para se reinventar.

A Amazon começou vendendo livros.

Mas Jeff Bezos nunca desejou construir apenas uma livraria online.

Seu objetivo era criar "a loja de tudo".

Após sobreviver à bolha, a empresa acelerou sua expansão.

Vieram:

eletrônicos.

roupas.

brinquedos.

computadores.

móveis.

alimentos.

E, posteriormente...

Serviços em nuvem.

Poucos imaginavam que uma empresa criada para vender livros se tornaria uma das maiores fornecedoras mundiais de infraestrutura para Inteligência Artificial.

Mas foi exatamente isso que aconteceu.


O Nascimento da Computação em Nuvem

Existe uma conexão direta entre a bolha da Internet e a computação em nuvem.

Durante a crise, muitas empresas perceberam que manter enormes infraestruturas próprias era caro.

Ao mesmo tempo, gigantes como Amazon possuíam data centers subutilizados.

A solução parecia natural.

Alugar capacidade computacional.

Em vez de comprar servidores...

Empresas passariam a contratar processamento sob demanda.

Hoje chamamos isso de Cloud Computing.

Na época era uma ideia revolucionária.

Mais uma vez...

A crise incentivou eficiência.


O Mundo Tornou-se Mobile

Enquanto a Internet amadurecia, outra revolução aproximava-se silenciosamente.

Os telefones celulares.

No início serviam apenas para chamadas.

Depois enviavam mensagens.

Pouco depois começaram a acessar páginas simples.

Então surgiu um dispositivo que mudaria tudo.

O smartphone.

Quando o iPhone foi lançado em 2007, encontrou uma Internet completamente diferente daquela de 1999.

Mais rápida.

Mais estável.

Mais madura.

A infraestrutura construída durante a bolha finalmente encontrou um ambiente capaz de utilizá-la plenamente.


Redes Sociais: A Segunda Onda

Pouco depois vieram:

Facebook.

YouTube.

LinkedIn.

Twitter.

Wikipedia.

Flickr.

Essas empresas nasceram em um mundo muito diferente daquele enfrentado pelas primeiras Dot-Com.

Agora existia:

banda larga.

computadores mais rápidos.

servidores mais baratos.

infraestrutura consolidada.

consumidores acostumados à Internet.

meios de pagamento mais seguros.

A primeira geração havia preparado o terreno.

A segunda pôde finalmente construir sobre ele.


Enquanto Isso... Os Mainframes Evoluíam Silenciosamente

Existe um aspecto pouco comentado dessa história.

Enquanto todos observavam o crescimento da Web, o universo corporativo também evoluía.

Mainframes passaram a oferecer:

Linux.

Java.

Serviços Web.

XML.

SOA.

Virtualização avançada.

Mais tarde vieram:

OpenShift.

Containers.

APIs REST.

Kubernetes.

Watsonx.

Aceleradores para Inteligência Artificial.

Ou seja...

O mainframe não ficou parado esperando o futuro.

Ele evoluiu junto com ele.

Talvez de maneira menos chamativa.

Mas extremamente consistente.


A Internet Aprendeu a Ganhar Dinheiro

Outra consequência importante da crise foi o amadurecimento dos modelos de negócios.

As empresas passaram a compreender melhor como gerar receita.

Publicidade segmentada.

Assinaturas.

Software como Serviço.

Marketplace.

Serviços financeiros.

Computação em nuvem.

Economia de plataforma.

Esses modelos praticamente definem a economia digital atual.

Curiosamente...

Quase todos foram refinados após o colapso das Dot-Com.


O Investidor Também Mudou

Os investidores aprenderam muito.

Antes financiavam praticamente qualquer startup.

Depois passaram a analisar:

modelo de negócios.

custos.

retenção de clientes.

receita recorrente.

fluxo de caixa.

capacidade de execução.

Não significa que novas bolhas nunca mais ocorreram.

Mas a qualidade das análises tornou-se muito maior.

Pelo menos durante algum tempo.


A Computação Entrou na Vida de Todos

Talvez a consequência mais profunda da crise tenha sido cultural.

Nos anos 1980, computadores eram ferramentas de especialistas.

Nos anos 1990, tornaram-se objetos domésticos.

Nos anos 2000, passaram a conectar pessoas.

Na década seguinte tornaram-se companheiros permanentes através dos smartphones.

Hoje...

A Inteligência Artificial amplia novamente essa transformação.

Tudo isso faz parte da mesma jornada iniciada muito antes da bolha.


O Paralelo com a Inteligência Artificial

Estamos vivendo algo parecido.

Existe enorme entusiasmo.

Investimentos bilionários.

Milhares de startups.

Novos modelos surgindo praticamente todos os meses.

Provavelmente veremos empresas desaparecerem.

Outras serão adquiridas.

Algumas mudarão completamente de estratégia.

Entretanto...

Mesmo que isso aconteça, a Inteligência Artificial continuará evoluindo.

Assim como aconteceu com a Internet.

A tecnologia não depende do destino individual de cada empresa.

Ela continua seu caminho.


A Grande Ironia da História

Se a bolha da Internet nunca tivesse existido...

Talvez a revolução digital fosse muito mais lenta.

Parece estranho afirmar isso.

Mas pense.

A euforia atraiu investimentos gigantescos.

Esses investimentos construíram infraestrutura.

Essa infraestrutura permaneceu.

Anos depois, novas empresas utilizaram exatamente essa base para criar produtos muito mais maduros.

Em outras palavras.

O dinheiro especulativo desapareceu.

Os cabos ficaram.

Os data centers ficaram.

Os engenheiros ficaram.

O conhecimento ficou.

As lições ficaram.

E foi exatamente isso que possibilitou o nascimento da Internet moderna.


Lições para o Padawan COBOL

Um programa COBOL raramente nasce perfeito.

Ao longo dos anos ele recebe correções.

Melhorias.

Novos módulos.

Integrações.

Refatorações.

Depois de décadas, muitas vezes continua executando sua função original, mas tornou-se muito mais robusto.

A Internet passou pelo mesmo processo.

A bolha das Dot-Com foi um enorme "debug" coletivo.

Ela eliminou erros de arquitetura empresarial, expôs modelos insustentáveis e obrigou toda a indústria a amadurecer.

No universo da Frota Estelar existe uma máxima entre os engenheiros da USS Enterprise:

"Nenhuma nave chega à classe Galaxy sem antes aprender com os erros das classes anteriores."

A Internet também.

A primeira geração abriu o caminho.

A segunda consolidou a economia digital.

A terceira trouxe computação em nuvem e smartphones.

A quarta nos conduz agora à era da Inteligência Artificial.

Cada geração parece completamente nova.

Na realidade...

Todas são capítulos da mesma história.

E é justamente essa continuidade que um bom engenheiro — seja de software, seja de sistemas mainframe — aprende a enxergar.

No próximo capítulo veremos como a bolha das Dot-Com mudou definitivamente a forma como investidores, empresas e governos passaram a avaliar tecnologia, inaugurando uma nova era de governança, gestão de riscos e inovação sustentável.

Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

IBM Champion IBM Z COBOL CICS Db2 z/OS Mainframe desde 1988
GitHub LinkedIn
Inicializando conteúdo...