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Queen's Blade (クイーンズブレイド)
Quando um Programador COBOL Descobre que Nem Todo Sistema Antigo é Conservador
Durante décadas o universo dos animes produziu centenas de histórias de fantasia medieval. Algumas buscavam profundidade filosófica. Outras queriam criar grandes épicos. E algumas simplesmente resolveram perguntar:
"E se um torneio para decidir a rainha do reino misturasse RPG, ilustrações de artistas famosos, personagens extremamente carismáticas e fanservice levado ao máximo?"
A resposta recebeu um nome:
Queen's Blade.
Muita gente conhece a série apenas por sua enorme quantidade de ecchi.
Entretanto, isso conta apenas metade da história.
Assim como existe quem pense que um IBM Z serve apenas para executar COBOL, existe quem acredita que Queen's Blade é apenas um anime de mulheres lutando enquanto suas armaduras desaparecem durante os combates.
Nos dois casos, existe muito mais acontecendo por baixo da superfície.
Hoje vamos analisar essa franquia como verdadeiros engenheiros de software: observando sua arquitetura, sua evolução, seu impacto cultural e até algumas mensagens escondidas que normalmente passam despercebidas.
Ficha Técnica
Título Original
クイーンズブレイド (Queen's Blade)
Origem
Visual Combat Books publicados pela Hobby Japan.
Inspirados no sistema americano Lost Worlds, criado por Alfred Leonardi.
Primeira publicação:
2005.
O Estúdio
O anime foi produzido pela ARMS Corporation.
Se você assistiu animes ecchi entre 2000 e 2012, provavelmente já encontrou esse estúdio.
Eles também produziram obras como:
Ikki Tousen
Elfen Lied
Ikkitousen
Mezzo
Kite
A ARMS ficou famosa por combinar:
boa animação
personagens extremamente detalhadas
cenas de ação
muito fanservice
Durante anos praticamente dominou esse nicho.
Diretor
Kinji Yoshimoto
Um diretor especializado em fantasia e ação.
Seu estilo privilegia:
lutas rápidas
enquadramentos cinematográficos
personagens visualmente marcantes
A Origem da Franquia
Curiosamente...
Queen's Blade não nasceu como anime.
Também não nasceu como mangá.
Nem como light novel.
Ela surgiu como uma coleção de livros-jogo, em que cada personagem possuía seu próprio volume e as batalhas eram resolvidas por regras semelhantes a um RPG de mesa. Esses livros eram baseados na licença do sistema Lost Worlds, adaptado pela Hobby Japan.
O Conceito
A cada quatro anos acontece um torneio chamado:
Queen's Blade
A vencedora se torna a próxima Rainha do continente.
Não importa:
origem
raça
riqueza
idade
nacionalidade
Qualquer guerreira pode participar.
Isso já demonstra uma curiosidade interessante.
O torneio funciona quase como uma mistura entre:
Copa do Mundo
Jogos Olímpicos
Campeonato Mundial de Artes Marciais
A História
Nossa protagonista é:
Leina Vance
Filha de uma família nobre.
Ela poderia viver confortavelmente.
Mas decide abandonar tudo.
Quer descobrir quem realmente é.
Quer lutar por mérito próprio.
Seu destino é participar do Queen's Blade.
Durante essa jornada encontra dezenas de guerreiras, aliadas, rivais e inimigas, enquanto o torneio revela conspirações envolvendo a rainha Aldra e forças sobrenaturais. (Wikipédia)
As Personagens
Leina
A heroína clássica.
Idealista.
Corajosa.
Inexperiente.
Representa o arquétipo do "Padawan".
Tomoe
Samurai.
Extremamente disciplinada.
Representa honra.
Risty
Líder de bandidos.
Parece uma vilã.
Mas possui enorme senso de justiça.
Nanael
Um anjo.
Engraçada.
Ingênua.
Quase sempre cria mais problemas do que resolve.
Echidna
Uma assassina élfica.
Fria.
Calculista.
Mas extremamente inteligente.
Cattleya
Talvez a personagem mais famosa da franquia.
Seu design exagerado virou uma marca registrada da série.
Melona
Uma criatura metamórfica.
Talvez seja uma das personagens mais imprevisíveis do anime.
Temporadas
Queen's Blade: Rurou no Senshi
2009
12 episódios
Queen's Blade: Gyokuza wo Tsugu Mono
2009
12 episódios
Queen's Blade: Utsukushiki Toushi-tachi
OVA
6 episódios
Depois veio:
Queen's Blade Rebellion
2012
Nova protagonista:
Annelotte.
Mais tarde a franquia ainda recebeu projetos derivados como Queen's Blade Unlimited. (Wikipedia)
Gênero
Mistura diversos estilos.
Fantasia Medieval
Aventura
Ação
Ecchi
Torneio
Magia
Espada e Feitiçaria
Classificação
Apesar da violência moderada...
O principal motivo da classificação elevada é o fanservice intenso, com cenas frequentes de nudez parcial e "armaduras destrutíveis". Em vários países foi exibido com censura na TV aberta, enquanto a AT-X transmitiu versões sem cortes. (Wikipedia)
O Que Tem de Diferente?
Aqui encontramos o verdadeiro diferencial.
Quase toda franquia medieval segue um roteiro.
Herói.
Vilão.
Dragão.
Espada.
Castelo.
Queen's Blade faz diferente.
Cada personagem foi desenhada para possuir:
personalidade única
estilo de luta exclusivo
origem própria
ilustrador diferente
Isso tornou cada guerreira quase uma marca independente.
O Fanservice
Aqui precisamos fazer uma distinção importante.
Existe:
Ecchi.
Existe:
Erotismo.
Existe:
Pornografia.
Queen's Blade fica praticamente o tempo inteiro no primeiro grupo.
Seu objetivo não é contar uma história adulta.
Seu objetivo é exagerar visualmente o design das personagens.
Isso explica:
roupas improváveis
armaduras impossíveis
danos "convenientes"
efeitos cômicos
É um exagero consciente.
As Aventuras
Cada encontro funciona quase como uma missão de RPG.
Encontramos:
Florestas.
Ruínas.
Templos.
Desertos.
Castelos.
Monstros.
Magia.
Mercenários.
Cada episódio adiciona uma nova guerreira ao "grupo".
As Mensagens Ocultas
É aqui que muitos espectadores param cedo demais.
Por trás do ecchi aparecem temas como:
Liberdade
Quase todas abandonaram algum tipo de prisão.
Escolha
Nenhuma luta acontece apenas porque "sim".
Cada personagem luta por uma razão.
Identidade
Leina foge do destino imposto pela família.
Tomoe luta pelo dever.
Risty luta pelos pobres.
Cada uma responde à pergunta:
"Quem sou eu?"
Aparência engana
Várias antagonistas demonstram honra.
Diversas heroínas cometem erros.
A série evita dividir o mundo em "bem" e "mal" absolutos.
Bellacosa Mainframe
Aqui existe um paralelo curioso.
Imagine um ambiente IBM Z.
Cada LPAR possui:
objetivo
recursos
prioridade
carga
Nenhuma é igual.
Da mesma forma...
Cada guerreira possui:
atributos
estratégia
especialidade
Não existe "a melhor personagem".
Existe a personagem correta para determinado combate.
É exatamente como arquitetar um ambiente de produção.
Easter Eggs
A inspiração em Lost Worlds faz com que muitos golpes e posturas remetam diretamente aos livros-jogo originais.
O visual de Tomoe homenageia a tradição samurai.
Diversas personagens lembram classes clássicas de RPG:
Paladina
Amazona
Clériga
Assassina
Bruxa
Elfa
Cavaleira
Gladiadora
Impacto Cultural
Mesmo sendo frequentemente lembrada pelo fanservice, Queen's Blade transformou-se em uma franquia multimídia com mangás, light novels, jogos, figures colecionáveis e continuações. Seu sucesso ajudou a consolidar o ecchi de fantasia como um subgênero relevante no fim dos anos 2000. (Wikipédia)
Curiosidades
A franquia nasceu antes do anime como uma coleção de livros-jogo.
Cada personagem possuía um volume próprio.
O anime teve censura significativa em canais convencionais e versão integral na AT-X.
O sucesso gerou OVAs, Rebellion, Unlimited, mangás, light novels e videogames. (Wikipedia)
Vale a Pena?
Depende da expectativa.
Se você procura:
drama psicológico como Monster;
fantasia profunda como Frieren;
construção política complexa como The Twelve Kingdoms;
provavelmente esta não é a melhor escolha.
Mas se deseja:
fantasia medieval;
lutas criativas;
personagens memoráveis;
humor;
um dos maiores expoentes do ecchi dos anos 2000;
então Queen's Blade continua sendo uma obra importante para entender a evolução desse nicho do anime.
Conclusão
No estilo Bellacosa Mainframe, Queen's Blade deixa uma lição curiosa para um Padawan COBOL.
À primeira vista, muita gente olha para um mainframe e enxerga apenas "um computador antigo". Da mesma forma, olha para Queen's Blade e vê apenas fanservice. Em ambos os casos, a aparência esconde uma arquitetura mais rica: um universo organizado, personagens com papéis bem definidos, regras claras e uma franquia que expandiu um conceito simples para livros, mangás, jogos, OVAs e animes.
Como em um grande sistema corporativo, cada componente cumpre uma função específica. Nem sempre é a tecnologia — ou a obra — mais sofisticada, mas compreender por que ela fez sucesso ajuda a entender a evolução do ecossistema que veio depois. Essa talvez seja a maior lição: antes de julgar um sistema pela interface, vale a pena conhecer sua arquitetura.
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