👁️🗨️ O Olhar Proibido
Por Vagner Bellacosa Mainframe
Há coisas que não se explicam, apenas se sentem.
Um rosto bonito, olhos que refletem luz de tempestade, cabelos longos que dançam com o vento.
O homem olha — e nesse instante o mundo volta a ser simples.
Não há tese, nem política, nem medo.
Há apenas o eco primitivo do desejo, o mesmo que moveu a humanidade desde o primeiro olhar trocado entre dois corpos na fogueira ancestral.
Mas hoje, esse olhar é suspeito.
O que antes era natural virou código de conduta, e o que era impulso virou “problema de comportamento”.
Vivemos numa era em que sentir atração precisa vir acompanhado de justificativas morais.
O desejo, domesticado, virou réu.
Dizem que é objetificação.
Talvez.
Mas há uma diferença entre olhar e reduzir.
Quem deseja o belo não o destrói — o contempla.
Quem admira uma mulher por seus olhos, seu rosto, seus cabelos, não a diminui; reconhece nela a centelha do que é raro, do que fascina, do que ainda nos faz humanos.
Porque o desejo não é pecado — é linguagem.
No entanto, a sociedade do algoritmo e da hashtag exige que tudo seja dito da forma certa,
sem tropeço, sem sombra, sem humanidade.
Esquecemos que o amor começa no erro, no tropeço, no olhar que dura um segundo a mais.
Hoje, até o olhar é medido, e o silêncio, vigiado.
Vivemos tempos em que a sinceridade assusta mais que a mentira.
Mas o instinto não desaparece — ele apenas muda de esconderijo.
O homem continua visual, continua sendo arrastado por olhos que o atravessam,
por sorrisos que desarmam, por cabelos que parecem ter memória de vento.
Ele só aprendeu a calar, a filtrar, a pedir desculpa por sentir.
E isso é triste.
Porque o desejo não deveria ser crime — deveria ser poesia.
Há beleza em admitir o que te move, há verdade em dizer “é isso que me encanta”.
O problema não está em ver beleza no outro,
mas em fingir que não a vê.
A mulher moderna merece respeito, sem dúvida —
mas também merece ser desejada, admirada, celebrada.
O olhar que respeita não é o que se desvia,
é o que reconhece e sabe onde parar.
E talvez o erro da nossa era seja esse:
confundir o respeito com o apagamento do desejo.
Porque no fim, o homem que não olha não é mais civilizado — é apenas vazio.
E o mundo sem olhar, sem fascínio, sem atração,
é um mundo que desaprendeu a sentir.
Quer que eu adicione uma nota de rodapé editorial ao estilo do blog, tipo:
“Reflexões do Bellacosa Mainframe — o diário de um homem que ainda se permite olhar.”
ou prefere deixar o texto puro, como ensaio direto?
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