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Israel, Finlândia e Singapura nos Logs do Seu Blog?
O Que Todo Programador COBOL Padawan Precisa Saber Sobre Scanners de Segurança, Plataformas SaaS e Por Que Seu Site Está Sendo Visitado por Robôs Muito Antes dos Leitores
Quando um programador COBOL abre o Google Analytics pela primeira vez e observa países como Israel, Finlândia, Singapura, Alemanha ou Estados Unidos entre os maiores visitantes do seu blog em português, a reação costuma ser imediata:
"Será que tenho leitores em Tel Aviv?"
"Será que um banco finlandês descobriu meu artigo sobre CICS?"
"Por que Singapura aparece quase empatando com o Brasil?"
A resposta, na maioria das vezes, é não.
Na verdade, existe um enorme ecossistema invisível funcionando 24 horas por dia na Internet. Um ecossistema composto por milhares de sistemas automatizados que percorrem bilhões de páginas diariamente.
Esses sistemas não estão interessados em aprender COBOL.
Eles querem analisar, classificar, indexar, monitorar, traduzir, proteger, testar e compreender a Internet inteira.
Assim como um grande banco possui dezenas de jobs batch executando durante a madrugada, a Internet também possui milhões de "jobs" funcionando continuamente.
E muitos deles passam pelo seu blog.
Imagine um Data Center Mainframe
Vamos fazer uma analogia.
Imagine um banco executando z/OS.
Nele existem:
CICS
DB2
MQ
RACF
JES2
SMF
RMF
WLM
VTAM
Você sabe que o cliente apenas vê o caixa eletrônico.
Mas atrás dele existem centenas de processos invisíveis.
Existem jobs responsáveis por:
auditoria;
backup;
segurança;
estatísticas;
monitoramento;
geração de relatórios;
detecção de fraude;
sincronização.
O usuário nunca percebe sua existência.
Na Internet acontece exatamente a mesma coisa.
Enquanto você lê uma página, dezenas de serviços também estão "lendo" essa página.
Quem São Esses Visitantes?
Quando observamos acessos vindos de Israel, Finlândia ou Singapura, frequentemente estamos vendo infraestrutura pertencente a empresas como:
Cloudflare
Akamai
Microsoft
Google
Amazon
DigitalOcean
Datadog
Elastic
Palo Alto Networks
Check Point
Wiz
Rapid7
CrowdStrike
Tenable
Essas empresas possuem datacenters espalhados pelo planeta.
Nem sempre o visitante representa uma pessoa.
Muitas vezes representa um software.
O Scanner de Segurança
Imagine um operador do RACF.
Ele precisa verificar diariamente:
permissões incorretas;
datasets expostos;
usuários privilegiados;
alterações suspeitas.
Na Internet acontece algo semelhante.
Existem robôs especializados em verificar:
Existe SQL Injection?
Existe Cross Site Scripting?
Existe Directory Listing?
Existe WordPress vulnerável?
Existe PHP antigo?
Existe Jenkins aberto?
Existe Elasticsearch sem senha?
Existe MongoDB exposto?
Esses robôs visitam bilhões de sites.
Inclusive blogs.
"Mas Meu Blog é Blogger"
Ótimo.
Seu risco é muito menor.
O Blogger praticamente elimina:
servidor Apache próprio;
PHP;
banco MySQL;
plugins vulneráveis.
Mesmo assim os scanners passam.
Eles simplesmente registram:
Servidor identificado.
HTTPS OK.
Sem vulnerabilidades conhecidas.
Próximo domínio.
É como executar:
LISTCAT
Nenhum erro.
Próximo catálogo.
Plataformas SaaS
SaaS significa:
Software as a Service.
Em vez de instalar programas localmente, tudo roda na nuvem.
Exemplos conhecidos:
GitHub
Jira
Confluence
Notion
Slack
Salesforce
Office 365
Google Workspace
Mas existe um universo muito maior.
SaaS Corporativos
Grandes empresas utilizam centenas de serviços automatizados.
Por exemplo:
Monitoramento
↓
Coleta métricas
↓
Analisa HTML
↓
Verifica certificados
↓
Analisa SEO
↓
Detecta links quebrados
↓
Verifica disponibilidade
↓
Emite relatório
Tudo isso acontece sem intervenção humana.
O "RMF" da Internet
No Mainframe temos o RMF.
Ele coleta:
CPU
I/O
memória
paging
discos
canais
Na Internet existem plataformas semelhantes.
Elas verificam:
Tempo de resposta
↓
DNS
↓
SSL
↓
Headers HTTP
↓
Latência
↓
Compressão
↓
CDN
↓
Cache
↓
Tamanho da página
↓
Disponibilidade
Tudo automaticamente.
Israel: Um Gigante da Segurança
Muita gente estranha quando vê Israel aparecendo nas estatísticas.
Mas existe uma explicação.
Israel tornou-se um dos maiores polos mundiais de segurança digital.
Diversas empresas líderes nasceram lá ou mantêm grandes centros de pesquisa no país.
Entre elas estão organizações que desenvolvem soluções para:
proteção contra ataques;
análise de malware;
detecção de ameaças;
inteligência de vulnerabilidades;
monitoramento contínuo;
resposta a incidentes.
Esses sistemas precisam visitar milhões de páginas todos os dias.
Como Funciona Um Scanner
Imagine um programa COBOL.
PERFORM UNTIL FIM
READ PROXIMO-SITE
VERIFICA-CERTIFICADO
VERIFICA-HEADERS
VERIFICA-SSL
VERIFICA-TEMPO
GRAVA-RESULTADO
END-PERFORM.
Na prática, muitos scanners funcionam exatamente assim.
Apenas em escala gigantesca.
Em vez de mil registros.
Eles analisam bilhões.
E a Finlândia?
A Finlândia possui diversos datacenters modernos.
O clima frio reduz custos de refrigeração.
Além disso:
excelente infraestrutura;
energia estável;
conexão internacional;
legislação favorável.
Diversas empresas hospedam serviços lá.
Quando um crawler parte desses servidores, o Analytics registra:
Visitante:
Finlândia
Mesmo que o cliente real esteja no Canadá.
Singapura
Singapura talvez seja o maior hub tecnológico da Ásia.
É um ponto estratégico entre:
Japão
China
Coreia
Índia
Austrália
Grandes provedores possuem infraestrutura na região.
Por isso inúmeros serviços automatizados aparecem como originários de Singapura.
Alemanha
Frankfurt abriga um dos maiores Internet Exchange Points do mundo.
O famoso DE-CIX.
Milhões de conexões passam diariamente por ali.
Muitos serviços utilizam datacenters alemães para atender toda a Europa.
Estados Unidos
Nem precisa dizer.
Boa parte da infraestrutura mundial está hospedada nos EUA.
Inclusive:
Google
Microsoft
IBM
Amazon
Oracle
Cloudflare
Se um robô do Google visitar seu blog, há grande chance de o acesso aparecer como originário dos Estados Unidos.
Mas Esses Robôs São Maliciosos?
Nem sempre.
Na verdade, a maioria é completamente legítima.
Exemplos:
Googlebot
Indexa páginas.
Bingbot
Atualiza o índice da Microsoft.
Google Ads
Verifica páginas dos anúncios.
Search Console
Confirma indexação.
Cloudflare
Analisa desempenho.
Ahrefs
Analisa backlinks.
Semrush
Coleta informações de SEO.
OpenAI
Pode acessar conteúdos públicos para determinadas funcionalidades, respeitando políticas e controles aplicáveis.
Perplexity
Também realiza coleta de conteúdo público para responder perguntas e citar fontes.
Bots Bons x Bots Maus
Podemos comparar ao RACF.
Existem usuários autorizados.
Existem usuários mal-intencionados.
Na Internet ocorre o mesmo.
Bots bons:
✔ Bing
✔ DuckDuckGo
✔ Archive.org
✔ Monitoramentos
✔ SEO
Bots ruins:
✖ Tentam SQL Injection
✖ Tentam força bruta
✖ Procuram vulnerabilidades
✖ Tentam exploração automática
Seu Blog Está Sendo Testado
Sim.
Todos os dias.
Mesmo sem ninguém saber da sua existência.
A Internet inteira é constantemente varrida.
É parecido com deixar um terminal 3270 ligado à rede corporativa.
Mais cedo ou mais tarde algum sistema tentará descobrir o que existe ali.
O Blogger Ajuda Muito
Uma enorme vantagem do Blogger é justamente sua arquitetura.
Você não administra:
Linux
Apache
Nginx
PHP
Banco MySQL
Quem faz isso é o Google.
Na prática, seu blog oferece uma superfície de ataque muito menor do que um WordPress tradicional cheio de plugins.
O Analytics Não Conta Toda a História
Outra curiosidade.
Nem todo robô aparece nas estatísticas.
Muitos acessos são filtrados.
Outros sequer executam JavaScript.
Como o Google Analytics depende da execução do script de medição, vários crawlers passam despercebidos.
Por outro lado, alguns serviços mais sofisticados simulam navegadores completos e acabam sendo registrados.
Ou seja, o gráfico que você vê representa apenas uma parte da atividade real.
O Paralelo Perfeito com o Mainframe
Imagine que você consulta o SDSF e vê diversos jobs com nomes desconhecidos:
RMFMON01
SMFDUMP
DB2STAT
ICSFCHK
HSMMIGR
RACFAUD
Você sabe que eles fazem parte da operação do ambiente, mesmo que não estejam processando transações de clientes.
Na Internet acontece algo semelhante.
Enquanto seus leitores acessam um artigo sobre COBOL, dezenas de "jobs" invisíveis podem estar:
verificando o certificado TLS;
medindo o tempo de carregamento;
validando o HTML;
atualizando um índice de busca;
analisando metadados;
conferindo o Schema.org;
verificando links quebrados;
classificando o conteúdo por assunto.
Esses acessos aparecem nas estatísticas, mas não representam necessariamente leitores humanos.
Conclusão
Quando você observa países como Israel, Finlândia, Singapura, Alemanha ou Estados Unidos entre os principais visitantes do seu blog, não significa que milhares de pessoas desses locais estejam lendo seus artigos em português.
Na maioria das vezes, o que você está vendo é o funcionamento da infraestrutura invisível da Internet.
Scanners de segurança, plataformas SaaS, serviços de observabilidade, ferramentas de SEO, redes de distribuição de conteúdo (CDNs), mecanismos de busca e sistemas automatizados percorrem continuamente bilhões de páginas para manter a Web funcionando de forma segura, rápida e organizada.
Para um programador COBOL acostumado ao universo IBM Z, a melhor forma de enxergar esse cenário é imaginar a Internet como um gigantesco ambiente z/OS. Assim como um data center bancário executa inúmeros jobs de auditoria, monitoramento, backup, estatísticas e segurança sem que o usuário final perceba, a Web também possui seus "jobs batch" invisíveis, executados por robôs distribuídos em datacenters ao redor do mundo.
Portanto, da próxima vez que o Google Analytics mostrar milhares de acessos vindos de Israel, Singapura ou Finlândia, lembre-se: nem todo visitante está procurando aprender COBOL. Muitos estão apenas desempenhando o papel silencioso de manter a Internet segura, indexada, monitorada e pronta para que, quando um leitor humano pesquisar por "CICS", "DB2" ou "IBM Z", o seu artigo apareça entre os resultados. Essa é a verdadeira operação de bastidores da Web moderna — um grande processamento distribuído que, em espírito, não é tão diferente dos jobs que rodam todas as noites em um ambiente Mainframe.