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segunda-feira, 6 de julho de 2015

🦇 Boot preto, alma preta e segunda-feira normal

 


🦇 “Boot preto, alma preta e segunda-feira normal”

Crônicas de um jovem dark perdido em Guaianazes – versão Bellacosa Mainframe

Existem fases na vida que ficam gravadas como dump hexadecimal na cabeça da gente. Você pode até rodar um REPRO do IDCAMS, reorganizar memórias, reindexar emoções… mas certos arquivos do coração ficam permanentemente LOCKED(YES).
Minha adolescência é um desses datasets protegidos por Deus e por um RACF PROFILE bem mexido.

Voltemos a 1986, aquele Brasil pré-internet, pré-celular, pré-tudo, em que as ideias viajavam mais rápido que hoje — não por fibra óptica, mas por fofoca, rádio comunitária, e, principalmente, por fitas K7 mal gravadas.

Eu tinha 12 anos e Taubaté me entregou um mundo alternativo que virou chave:
a amiga Fabiola, uma dessas figuras destinadas a bagunçar seu firmware emocional, apareceu com rock de porão alemão, bandas de garagem, guitarras que soavam como serras elétricas sendo afinadas.

Pronto. Fui seduzido.
Entrei no modo DARK MODE, antes mesmo de existir isso nos computadores.

Roupas pretas, lápis de olho, correntes, botas — o pacote completo de quem decidiu viver a vida no tom certo: hasher, louder, darker.
E a tribo? Ah… a tribo existia.
Taubaté tinha seus próprios vampiros suburbanos, seus românticos de meia-luz, seus poetas de quintal.

Mas aí veio 1987, a mudança para São Paulo, e junto com ela o reboot forçado da minha alma adolescente.
Meus pais se separaram, eu fui parar em Guaianazes, e logo percebi uma dura realidade:



👉 “Dark? Aqui? Meu filho, isso é território sagrado do pagode e do samba.”

Eu era um exilado cultural, um pacote JCL gótico tentando rodar numa LPAR configurada para Fundo de Quintal.
Sem tribo, sem referências, sem bar, sem porão, sem nada.
E com 13 anos, isso dói feito um S0C7 às três da tarde de sexta-feira.

Continuei fiel ao estilo, mas longe do uniforme preto —
São Paulo periférica pode ser implacável com quem foge do script.
E, por uns anos, eu virei um dark clandestino, tipo JOB com TYPRUN=HOLD.

Mas São Paulo é infinita.
E conforme eu cresci, comecei a caminhar mais, explorar mais, correr riscos mais amplos que os da adolescência normal.
E aí… reencontrei minha tribo.




🦇 O subterrâneo chama — e o dark atende

Foi como um CICS PLTSTART emocional:

Espaço Retrô, Santa Cecília
Madame Satã, no Bexiga
Fofinho Rock Club, no Belenzinho
☑ Bares de garagem
☑ Botecos decadentes
☑ Lâmpadas tremulantes
☑ Músicas que pareciam invocar espíritos ou, no mínimo, fazer pactos com eles



E de repente, eu estava entre iguais.
Os filhos da madrugada.
Aqueles que dormiam quando a maioria despertava.
Poetas improvisados, vampiros urbanos, filósofos bêbados, artistas quebrados, punks reciclados, gente que usava preto não por moda, mas por convicção espiritual.

E o melhor de tudo: minha mãe — santa entre as santas — costurou para mim um sobretudo preto, elegante, com botões prateados, digno de um vampiro de Taubaté com passe-livre na Pauliceia Desvairada.

Eu voltava das noites às 9h da manhã, cruzando com:

  • senhoras de coque indo para o culto,

  • fiéis santificados,

  • beatas horrorizadas,

  • vizinhas moralistas,

  • e pastores com cara de poucos amigos.



E lá ia eu:
sobretudo preto, cara lavada, alma cheia, passos lentos, um dark adolescente voltando do turno noturno como se fosse operador do JES2 após extrair fitas de madrugada.


🦇 As madrugadas de São Paulo — onde tudo era possível

Nós, góticos periféricos, vivíamos de:

  • encontros em cemitérios

  • beijos roubados em jazigos

  • longas caminhadas pela Augusta

  • hot-dogs suspeitos às 2h

  • filosofias baratas às 4h

  • promessas de mudar o mundo às 5h

  • risadas que ecoavam pelos becos

  • certeza absoluta de que éramos imortais



Era um sistema operacional paralelo, um z/OS noturno, rodando em batch, sob luz de neon.
E era bom.
Era maravilhoso.
Era liberdade pura.

Mas, como todo job bem escrito… ele termina.
E na segunda-feira, voltava tudo ao normal:

Eu era só um menino normal, trabalhador, estudando à noite, responsável, de cabelo penteado — mas com um backup completo no coração, guardado num storage emocional com retenção vitalícia.


🦇 Conclusão Bellacosa: o dark não passa — ele hiberna

A juventude é um ambiente operacional que nunca volta,
mas o feeling fica.
A estética fica.
O espírito fica.
O som fica.

E por mais que a vida adulta nos transforme em analistas, pais, responsáveis,
a verdade é uma só:

Uma vez dark… sempre dark.
Mesmo que você ande de preto só nos fins de semana.
Mesmo que o sobretubão tenha ficado nas memórias de fita DAT.
Mesmo que as noites hoje terminem às 23h, não às 8h.

Dentro de você,
ainda existe:

  • o menino caminhando por Taubaté com uma fita K7 chiada,

  • o adolescente de Guaianazes deslocado,

  • o andarilho da madrugada paulistana,

  • o filósofo da Augusta,

  • o vampiro de sobretudo,

  • e o dark existencial que descobriu que o mundo tem muito mais camadas do que parece.

E isso, meu caro,
nenhum ABEND apaga.

P.S.: Passado algumas decadas, continuo apreciando musica doida alemã, tenho meus sobretudos de couro e botas pretas de bico fino, sempre que posso apesar do calor dos tropicos, revivo por alguns momentos esses loucos anos.


terça-feira, 2 de junho de 2009

🦇 🎧 PLAYLIST GÓTICA CRONOLÓGICA (RAIZ → MODERNO)

 

Bellacosa Mainframe relembra o movimento gotico da juventude

🦇 🎧 PLAYLIST GÓTICA CRONOLÓGICA (RAIZ → MODERNO)


🧱 FASE 1 — PRÉ-GÓTICO / PÓS-PUNK (1977–1980)

🎵 Faixas essenciais:

  • Joy DivisionDisorder (1979)
  • Siouxsie and the BansheesHong Kong Garden (1978)
  • BauhausBela Lugosi’s Dead (1979) 🧠 (marco zero!)

💡 Insight Bellacosa:

Aqui é o IPL do sistema gótico — ainda não é “goth”, mas já carregando o kernel 😄


🕸️ FASE 2 — NASCIMENTO DO GOTHIC ROCK (1980–1985)


🎵 Faixas essenciais:

  • The CureA Forest (1980)
  • The Sisters of MercyTemple of Love (1983)
  • Fields of the NephilimMoonchild (1988*)
  • BauhausShe’s in Parties (1983)

💡

Aqui o sistema entra em produção: identidade visual + som definidos.


⚙️ FASE 3 — EXPANSÃO (DARKWAVE / ETHERAL / INDUSTRIAL) (1985–1995)

🎵 Faixas essenciais:

  • Clan of XymoxA Day (1985)
  • Dead Can DanceThe Host of Seraphim (1988)
  • Cocteau TwinsHeaven or Las Vegas (1990)
  • Nine Inch NailsHead Like a Hole (1989)

💡

Aqui vira “multiplataforma”: várias vertentes rodando em paralelo.


🇧🇷 FASE 4 — CENA BRASILEIRA (1985–2000)


🎵 Faixas essenciais:

  • Violeta de OutonoDia Eterno
  • Cabine CFissura
  • Arte no EscuroSombra

💡

Brasil rodando versão customizada do sistema — com DNA próprio.


🔥 FASE 5 — ANOS 2000 (ELECTRO / INDUSTRIAL / FUTUREPOP)


🎵 Faixas essenciais:

  • HocicoTiempos de Furia
  • VNV NationBeloved
  • CombichristThis Shit Will Fuck You Up

💡

Aqui entra automação pesada — batida eletrônica dominando.


🌑 FASE 6 — MODERNO / REVIVAL (2010–HOJE)

  • She Past AwayKasvetli Kutlama
  • Molchat DomaSudno
  • Plastique NoirCreep Show

💡

Revival total — como rodar sistema legado em cloud 😄


🧠 RESUMO (VISÃO SYSOP)

1979 → BOOT (Bauhaus)
1980s → CONSOLIDAÇÃO (The Cure, Sisters)
1990s → EXPANSÃO (darkwave, industrial)
BR → LOCALIZAÇÃO (SP underground)
2000s → ELETRONIFICAÇÃO
2010+ → REVIVAL GLOBAL

🔥 BÔNUS — COMO OUVIR (MODO PROFISSIONAL)

👉 Escute nessa ordem (não aleatório!)
👉 Perceba:

  • evolução da bateria
  • mudança de timbre vocal
  • uso de sintetizadores
  • densidade sonora

💡

É tipo analisar SMF + RMF da música 😄

 

segunda-feira, 4 de maio de 2009

🦇 O QUE É O MOVIMENTO DARK/GÓTICO?

 

Bellacosa Mainframe relembra o movimento Dark Gotico

🦇 O QUE É O MOVIMENTO DARK/GÓTICO?

O movimento gótico (ou dark) é uma subcultura que mistura:

  • 🎵 Música (pós-punk, gothic rock, darkwave, industrial)
  • 🖤 Estética (preto, maquiagem dramática, visual vitoriano ou cyber)
  • 🧠 Filosofia (existencialismo, romantismo sombrio, crítica social)
  • 🎭 Arte (literatura, cinema, moda)

👉 Surgiu como uma evolução do punk — mais introspectiva, atmosférica e artística.


🌍 ORIGEM GLOBAL (RAIZ DO SISTEMA)

🇬🇧 Inglaterra – Final dos anos 70 / início dos 80

💾 Processo histórico (pipeline):

PUNK (1977) → PÓS-PUNK → GOTHIC ROCK

🔥 Bandas fundadoras:

  • Bauhaus → música “Bela Lugosi’s Dead” (marco zero)
  • Siouxsie and the Banshees
  • The Cure
  • Joy Division

💡 Insight Bellacosa:

O gótico é como um “fork do punk” — mesma base, mas com outro mindset e estética.


🇧🇷 CHEGADA NO BRASIL (IMPORT DO SISTEMA)

📀 Anos 80 – Entrada via pós-punk e underground

📍 Epicentro: São Paulo

  • Casas como o lendário Madame Satã
  • Mistura de punk, new wave, industrial e dark

💾 Fluxo brasileiro:

IMPORT (UK/Europa) → ADAPTAÇÃO → IDENTIDADE BRASILEIRA

🦇 BANDAS GÓTICAS BRASILEIRAS (STACK NACIONAL)

🔥 Clássicas / Raiz

  • Violeta de Outono
  • Arte no Escuro
  • Cabine C
  • Voluntários da Pátria

🧪 Industrial / Darkwave / Electro

  • Escarlatina Obsessiva
  • Hocico (não BR, mas MUITO influente aqui)

🌑 Cena mais recente / alternativa

  • Plastique Noir
  • Gangue Morcego

🌍 BANDAS INTERNACIONAIS IMPORTANTES

  • The Sisters of Mercy
  • Fields of the Nephilim
  • Clan of Xymox
  • Dead Can Dance

🧠 FILOSOFIA DO MOVIMENTO

👉 Diferente do que muita gente pensa:

❌ Não é sobre depressão
✔️ É sobre estética da melancolia, reflexão e arte

📚 Influências:

  • Edgar Allan Poe
  • H. P. Lovecraft
  • Dracula

💡 Insight Bellacosa:

O gótico é tipo um “dump analysis emocional” — explorar o lado oculto do sistema humano 😄


🕶️ ESTÉTICA E VISUAL (INTERFACE DO SISTEMA)

  • Preto dominante 🖤
  • Roupas vitorianas / couro / renda
  • Maquiagem forte (olhos escuros)
  • Referências vampirescas e românticas

🔥 CURIOSIDADES (EASTER EGGS)

🥚 Easter Egg #1 – Bela Lugosi

A música “Bela Lugosi’s Dead” homenageia o ator:

  • Bela Lugosi

👉 Ele interpretou Drácula e virou símbolo eterno do gótico.


🥚 Easter Egg #2 – Madame Satã

O nome do clube vem de:

  • Madame Satã

👉 Figura icônica da contracultura brasileira.


🥚 Easter Egg #3 – The Cure não queria ser gótico

  • Robert Smith já disse várias vezes que não curtia o rótulo “gótico”

👉 Mas o sistema já tinha classificado 😄 (tipo job em produção…)


🥚 Easter Egg #4 – Gótico ≠ Emo

  • Emo → emocional, hardcore melódico
  • Gótico → atmosférico, artístico, sombrio

⚙️ ARQUITETURA DO MOVIMENTO (MODELO MAINFRAME 😄)

INPUT: Punk + Arte + Literatura sombria
PROCESSAMENTO:
- Pós-punk
- Darkwave
- Industrial
OUTPUT:
- Música
- Moda
- Filosofia
- Comunidade underground

🧠 O QUE VOCÊ PRECISA SABER (RESUMO EXECUTIVO)

✔️ Surgiu no pós-punk inglês
✔️ Chegou ao Brasil nos anos 80 (SP como hub)
✔️ Mistura música + arte + filosofia
✔️ Tem cena brasileira forte (underground até hoje)
✔️ Não é só estética — é identidade cultural