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sexta-feira, 12 de junho de 2026

☕🚀 COBOL FORA DO MAINFRAME: POR QUE ELE NÃO CONQUISTOU O MUNDO COMO JAVA, C# E PYTHON?


Bellacosa Mainframe e tenta entender a razao do Cobol nao existir fora do Mainframe

☕🚀 COBOL FORA DO MAINFRAME: POR QUE ELE NÃO CONQUISTOU O MUNDO COMO JAVA, C# E PYTHON?

Quando alguém fala em COBOL, a maioria das pessoas imediatamente imagina um enorme IBM Z, salas refrigeradas, bancos, seguradoras e sistemas que movimentam bilhões de dólares por dia.

Mas existe uma curiosidade que poucos conhecem:

O COBOL nunca foi exclusivo do Mainframe.

Durante décadas existiram versões para:

  • MS-DOS

  • Windows

  • Linux

  • Unix

  • AIX

  • HP-UX

  • Solaris

  • AS/400

  • VMS

  • até mesmo Raspberry Pi atualmente

Empresas como Micro Focus, Fujitsu, RM/COBOL, Acucobol, GNUCobol e outras investiram milhões tentando popularizar o COBOL fora do universo IBM.

Mesmo assim, quando ouvimos a palavra COBOL em 2026, quase todo mundo associa imediatamente ao Mainframe.

A pergunta é inevitável:

Por que isso aconteceu?

Por que Java virou universal?

Por que C conquistou sistemas operacionais?

Por que Python dominou a automação?

E por que COBOL permaneceu praticamente "preso" ao Mainframe?

A resposta envolve tecnologia, mercado, marketing, história, cultura corporativa e até psicologia.

Pegue seu café.

Hoje vamos mergulhar em uma das maiores curiosidades da história da computação.


O MAIOR MITO SOBRE COBOL

Existe uma crença popular:

"COBOL só funciona em Mainframe."

Isso nunca foi verdade.

Desde os anos 70 já existiam compiladores COBOL para minicomputadores.

Nos anos 80 surgiram versões para:

  • DOS

  • Unix

  • VAX/VMS

Nos anos 90:

  • Windows

  • OS/2

  • Linux

Nos anos 2000:

  • .NET

  • JVM

  • Web Services

Tecnicamente falando, o COBOL poderia ter seguido praticamente qualquer caminho.

Mas não seguiu.


O PROBLEMA NUNCA FOI A LINGUAGEM

Essa é a primeira coisa que surpreende muita gente.

O COBOL não fracassou fora do Mainframe porque era ruim.

Na verdade ele possuía diversas vantagens.

Extremamente legível

Exemplo:

IF SALDO-CONTA IS GREATER THAN LIMITE-CREDITO
   DISPLAY "LIMITE EXCEDIDO"
END-IF

Até alguém sem conhecimento profundo consegue entender.


Excelente para regras de negócio

Bancos adoram COBOL porque ele descreve regras empresariais com clareza.

Por exemplo:

COMPUTE JUROS =
    VALOR * TAXA / 100

Não existe mistério.


Forte manipulação de registros

Antes dos bancos relacionais se popularizarem, isso era ouro.


Precisão decimal

Enquanto várias linguagens sofriam com arredondamentos, COBOL nasceu para dinheiro.

E dinheiro não aceita erro.


O VERDADEIRO PROBLEMA: O COBOL NASCEU PARA NEGÓCIOS

A palavra COBOL significa:

Common Business Oriented Language

Observe:

Não é:

  • Common Game Language

  • Common Scientific Language

  • Common Internet Language

É:

Business.

Negócios.

Empresas.

Contabilidade.

Folha de pagamento.

Seguros.

Finanças.

Faturamento.

Desde o nascimento, ele tinha um propósito extremamente específico.


ENQUANTO ISSO, O MUNDO MUDOU

Na década de 1960 isso era perfeito.

Mas nas décadas seguintes surgiram novos mercados.


Computação científica

FORTRAN dominou.


Sistemas operacionais

C dominou.


Inteligência Artificial

LISP dominou inicialmente.


Aplicações gráficas

C++


Internet

Java

PHP

Perl

JavaScript


Ciência de Dados

Python

R


O mundo começou a exigir coisas que nunca foram prioridade para o COBOL.


O COBOL NÃO FOI FEITO PARA SER "COOL"

Aqui existe um fator psicológico interessantíssimo.

Pense nos heróis da programação:

  • Linus Torvalds → C

  • Guido van Rossum → Python

  • Bjarne Stroustrup → C++

  • James Gosling → Java

Agora pense em COBOL.

A maioria das pessoas nem sabe quem foi Grace Hopper.

Grace Hopper ajudou a criar conceitos fundamentais que levariam ao COBOL.

Mas a linguagem nunca foi vendida como algo revolucionário.

Ela foi vendida como algo:

  • estável

  • corporativo

  • burocrático

E isso afasta jovens desenvolvedores.


O EFEITO "BANCO"

Imagine dois anúncios.

Linguagem A

"Crie jogos incríveis!"

Linguagem B

"Automatize cálculos atuariais."

Qual parece mais divertida?

Foi exatamente isso que aconteceu.

COBOL ficou associado a:

  • bancos

  • seguradoras

  • governos

  • sistemas legados

Enquanto outras linguagens ficaram associadas à inovação.


O ERRO DE MARKETING MAIS CARO DA HISTÓRIA

Durante os anos 80 e 90, universidades começaram a ensinar:

  • C

  • Pascal

  • C++

  • Java

COBOL desapareceu dos cursos.

A consequência foi devastadora.

Menos estudantes.

Menos projetos.

Menos comunidade.

Menos livros.

Menos ferramentas.

Menos conteúdo.

Menos adoção.

Criou-se um círculo vicioso.


O PROBLEMA DAS FERRAMENTAS

Vamos ser honestos.

Nos anos 90 era muito mais divertido programar Visual Basic do que COBOL.

Visual Basic tinha:

  • botões

  • janelas

  • eventos

Você arrastava componentes.

Tudo aparecia na tela.

COBOL continuava focado em:

OPEN INPUT CLIENTES
READ CLIENTES

O apelo visual era praticamente zero.


O MUNDO APAIXONOU-SE POR INTERFACES GRÁFICAS

Quando o Windows explodiu, surgiu uma nova geração de desenvolvedores.

Eles queriam construir:

  • telas

  • jogos

  • multimídia

COBOL não era o candidato natural.


O MAINFRAME PROTEGEU O COBOL

Aqui está a maior ironia.

O Mainframe foi simultaneamente:

  • a maior força do COBOL

  • e sua maior prisão

Sem Mainframe talvez COBOL tivesse desaparecido.

Mas graças ao Mainframe ele sobreviveu.

Por outro lado, o sucesso no Mainframe reduziu o incentivo para conquistar outros mercados.

Os bancos já estavam satisfeitos.

Por que mudar?


O FATOR ECONÔMICO

Imagine um banco.

Você possui:

  • 50 milhões de linhas COBOL

  • 40 anos de história

  • bilhões movimentados diariamente

Qual decisão é mais segura?

Opção A

Migrar tudo.

Opção B

Continuar usando COBOL.

A resposta é óbvia.


O EFEITO "SE ESTÁ FUNCIONANDO, NÃO MEXA"

Poucas linguagens tiveram a sorte de trabalhar em ambientes tão conservadores.

Um sistema bancário precisa:

  • estabilidade

  • previsibilidade

  • auditoria

Não precisa ser moderno.

Precisa funcionar.

E COBOL funciona.

Muito bem.


A CHEGADA DA INTERNET

Nos anos 90 surgiu a Web.

Foi uma nova corrida do ouro.

Linguagens correram para conquistar esse território.

  • Java

  • PHP

  • Perl

  • ASP

COBOL chegou depois.

Muito depois.

Quando chegou, o mercado já tinha donos.


O PROBLEMA DA COMUNIDADE

Uma linguagem vive ou morre pela comunidade.

Python possui:

  • milhões de usuários

  • milhares de bibliotecas

  • eventos globais

Java possui ecossistema gigantesco.

COBOL sempre teve uma comunidade menor.

Extremamente qualificada.

Mas menor.


O FATOR OPEN SOURCE

Outro golpe importante.

O movimento Open Source impulsionou:

  • Linux

  • Python

  • PHP

  • Perl

COBOL permaneceu muito ligado ao mundo corporativo.

Licenças caras.

Compiladores pagos.

Ferramentas empresariais.

Isso limitou sua expansão.


MAS EXISTE COBOL OPEN SOURCE

Hoje existe o fantástico:

GNUCobol

GnuCOBOL Official Project

Ele compila COBOL para C e roda em:

  • Linux

  • Windows

  • macOS

Mostrando que o COBOL continua vivo fora do Mainframe.


O COBOL É LENTO?

Outro mito.

Na verdade, muitas implementações COBOL são extremamente rápidas.

Especialmente em processamento transacional.

O problema nunca foi desempenho.


O COBOL É ANTIGO DEMAIS?

Também não.

Veja a ironia.

Hoje temos:

  • APIs REST

  • JSON

  • XML

  • Kafka

  • Containers

  • Docker

E o COBOL já conversa com tudo isso.

Inclusive o usuário Bellacosa Mainframe frequentemente explora integrações modernas entre COBOL, JSON, CICS Web Services e z/OS Connect.

O problema não é tecnológico.

É percepção de mercado.


O PARADOXO DO SUCESSO

O COBOL sofreu do mesmo problema que o DB2 Mainframe.

Ele ficou tão bom no que fazia que nunca precisou mudar radicalmente.

Enquanto outras linguagens lutavam para sobreviver, o COBOL já tinha conquistado o setor financeiro.


O QUE ACONTECERIA SE O COBOL FOSSE CRIADO HOJE?

Imagine uma linguagem com:

  • sintaxe legível

  • precisão decimal nativa

  • foco em regras de negócio

  • forte tipagem

  • excelente auditoria

Provavelmente seria vendida como:

  • FinTech Language

  • Banking Language

  • Enterprise Language

E talvez fosse considerada revolucionária.


O COBOL PERDEU A GUERRA?

Não.

Na verdade, ele venceu uma guerra diferente.

Enquanto milhares de linguagens nasceram e morreram, COBOL continua executando sistemas críticos após mais de seis décadas.

Poucas tecnologias na história conseguiram isso.


A VERDADE QUE POUCOS ADMITEM

Quando um programador Python cria um sistema hoje, ninguém sabe se ele existirá daqui a 30 anos.

Quando um programador COBOL cria um sistema bancário, existe uma boa chance de alguém ainda estar executando aquele código décadas depois.

Isso muda completamente a forma de projetar software.


A GRANDE LIÇÃO PARA OS PADAWANS

A pergunta correta não é:

"Por que COBOL ficou nichado no Mainframe?"

A pergunta correta é:

"Por que o Mainframe continuou sendo o melhor lugar para executar aquilo que o COBOL foi criado para fazer?"

Porque o COBOL nasceu para resolver problemas empresariais gigantescos.

E o Mainframe continua sendo a plataforma mais eficiente para executar esses processos com:

  • confiabilidade

  • segurança

  • disponibilidade

  • escalabilidade

  • integridade transacional

O COBOL não ficou preso ao Mainframe.

Na realidade, ele encontrou seu habitat natural.

As versões para DOS, Windows e Linux sempre existiram, continuam existindo e funcionam muito bem.

Mas fora do Mainframe ele precisava competir com centenas de linguagens.

Dentro do Mainframe ele se tornou rei.

E existe uma enorme diferença entre participar de uma competição e dominar um reino.

Mais de 65 anos depois de seu nascimento, o COBOL continua processando salários, aposentadorias, seguros, cartões de crédito, transferências bancárias e operações financeiras que sustentam boa parte da economia mundial.

Poucas linguagens podem dizer isso.

E talvez esse seja o maior paradoxo da computação:

O COBOL não conquistou todas as plataformas porque nunca precisou.

Ele já estava ocupado movendo o mundo. ☕🚀



quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

OS 30 FILMES FERROVIÁRIOS RAROS QUE TODO TETSUDŌ OTAKU PRECISA VER ANTES QUE O MUNDO APAGUE AS LUZES DA ESTAÇÃO

 

Bellacosa Mainframe compartilha filmes ferroviarios

🚂 EL JEFE MIDNIGHT SPECIAL

OS 30 FILMES FERROVIÁRIOS RAROS QUE TODO TETSUDŌ OTAKU PRECISA VER ANTES QUE O MUNDO APAGUE AS LUZES DA ESTAÇÃO



Bellacosa Mainframe apresenta: “Cinema sobre Trilhos – A Nova Bíblia dos Railfans”


Existem filmes que você assiste.
E existem filmes que apitam dentro do peito.

Ferroviários sabem: um trem não é só uma máquina — é um organismo vivo, pulsando vapor, óleo, aço e histórias. No Japão, no Brasil, nos EUA, na Europa: onde há trilhos, há lendas. E no cinema… ah, no cinema há um universo inteiro que poucos exploraram.

Por isso, preparei a lista definitiva dos 30 filmes ferroviários raros, perfeitos para o fã hardcore — aquele que reconhece um C62 só pelo som, que sabe diferenciar bitola métrica de bitola mista sem olhar, e que chora vendo um trem partir na neblina.

Esta é uma curadoria estilo Bellacosa Mainframe, com história, curiosidades, easter-eggs e trilhos enferrujados de nostalgia.

Sente-se na poltrona.
O trem noturno para o passado vai partir.


🚂 OS 30 FILMES FERROVIÁRIOS RAROS (E BRILHANTES)




1) Tetsudō Shōjo (1956) — Japão

Drama romântico ferroviário escondido nos arquivos da Shochiku.
Easter-egg: Primeira aparição filmada do trem KiHa 20

.


2) The Signal Tower (1924) — EUA

Cinema mudo com tensão e trilhos.
Curiosidade: Real filmagens com locomotivas da Northwestern Pacific.



3) Night Mail (1936) — Reino Unido

Documentário-poema que inspirou gerações de maquinistas.
Easter-egg: Narração escrita por W. H. Auden.



4) La Bête Humaine (1938) — França

Jean Renoir transformando uma locomotiva em personagem.
Curiosidade: Baseado em Émile Zola, estrelando uma Loco 231C.


5) Alma do Brasil (1932) — Brasil

Raridade perdida do cinema nacional com cenas ferroviárias reais do interior paulista.



6) Poppoya – The Railroad Man (1999) — Japão

Drama de arrepiar qualquer ferroviário.
Easter-egg: Locomotiva KIHA 40 filmada em clima ártico real.



7) The Iron Horse (1924) — EUA (John Ford)

A epopeia da construção da ferrovia americana.
Curiosidade: Usou trens históricos reais da Union Pacific.



8) Snow Trail Express (1951) — Japão

Suspense ferroviário soterrado por neve.
Comentário: Uma joia que quase ninguém viu.



9) Gare Centrale (1999) — Egito

Drama social em meio ao caos ferroviário do Cairo.
Atmosférico e brutal.



10) The Titfield Thunderbolt (1953) — Reino Unido

Comédia ferroviária deliciosa.
Easter-egg: Trem preservado até hoje na Didcot Railway.



11) The Great St. Trinian’s Train Robbery (1966) — Reino Unido

Filme de humor anárquico com perseguições ferroviárias insanas.



12) Sky Crawlers – Rail Segment (2008)

Não é filme ferroviário, mas tem o melhor cameo de trem futurista dos anos 2000.



13) Cristo Revue Railway Show (1958) — Japão

Musical ferroviário. Sim, isso existiu.
Raro ao extremo.



14) The Emperor’s Railroad (1960) — China

Épico histórico com trens a vapor monumentais.



15) The Train of Shadows (1997) — Espanha

Experimental, poético, trilhos como memória.



16) Le Rail (1964) — Senegal

Obra-prima africana mostrando a vida dura dos ferroviários.



17) Strangers on a Train (1951) — EUA (Hitchcock)

Versão restaurada rara com cenas estendidas da locomotiva.
Easter-egg: O assassinato do parque foi inspirado em uma estação real.



18) Runaway Train (1985)

Filme cult. Violento. Ferroviário até o osso.
Curiosidade: Baseado em roteiro de Akira Kurosawa (!)



19) The Ghost Train (1941)

Horror britânico com atmosfera absurda.



20) Railroad Tigers (2016) — China (Jackie Chan)

Ação + humor + locomotivas históricas.



21) The Rebirth of Moka Station (1972)

Documentário japonês sobre o fim da linha a vapor Moka.
Comentário: Puro choro ferroviário.



22) Der Tunnel (1933) — Alemanha

Sci-fi raro sobre mega ferrovias futuristas submarinas.



23) Train in the Snow (1976) — Croácia

Clássico nos Bálcãs; raridade no resto do mundo.



24) The Red Lanterns of Sapporo Station (1962)

Film noir ferroviário japonês esquecido pela crítica.



25) Dry Summer Railroad (1959)

Drama rural com trilhos decadentes.
Easter-egg: Última aparição filmada do trem C11-254


.

26) Umalu Express (1955) — Índia

Trens, poeira, romance e caos organizado.
Difícil de achar, mas vale cada minuto.



27) The Man Who Wanted the Railway (1949) — Itália

Uma fábula ferroviária neorrealista.
Comentário: Perfeito para quem ama trilhos e filosofia.



28) The Lure of the Rails (1920)

Cópia quase perdida; sobre a obsessão do ferroviário solitário.



29) The Last Steam Giants of Hokkaido (1978)

Documentário cult.
Easter-egg: Primeira filmagem noturna em 16mm do C62-2.



30) A Noite dos Trilhos Silenciosos (1984) — Brasil

Filme urbano underground sobre a vida ferroviária paulista dos anos 80.
Quase ninguém viu.
Quase ninguém sabe que existe.
Comentário Bellacosa: Já vale por um frame.



Memoria Ferroviaria

🚂 E AÍ, QUAL DESSES TRILHOS VAI TE GUIAR?

Esses filmes são como linhas abandonadas:
parecem esquecidos, mas escondem mundos inteiros.

Para o fã de ferrovia — o Tetsudō Otaku raiz — cada locomotiva em película é mais do que cinema:
é história preservada, memória cultural, engenharia viva.

quinta-feira, 12 de junho de 2025

COBOL: de 1959 até hoje — quando o código atravessa décadas sem pedir aposentadoria.

 

💾 EL JEFE MIDNIGHT LUNCH — Bellacosa Mainframe Chronicles

“COBOL: de 1959 até hoje — quando o código atravessa décadas sem pedir aposentadoria.”


Há linguagens que nascem modinha.
Há linguagens que viram tese acadêmica.
E há o COBOL, que nasceu em 1959 e simplesmente se recusou a morrer — porque alguém precisava rodar o mundo real: folha, banco, seguro, governo, avião no ar e salário no fim do mês.

Hoje vamos fazer uma linha do tempo completa do COBOL no Mainframe, do nariz de foguete dos anos 50 até o Enterprise COBOL moderno, com comentários, curiosidades, easter eggs e aquele café forte do Bellacosa Mainframe.

Senta que lá vem história. ☕




🕰️ 1959 — COBOL nasce

COBOL (Common Business-Oriented Language)
Criado por um comitê liderado por Charles A. Phillips e Joseph Wegstein


🔹 O que havia de novo:

  • Linguagem quase em inglês

  • Pensada em humanos e não técnicos de informatica.

  • Foco em negócios, não em matemática

  • Independência de hardware (uma heresia para a época)

🔹 Equipe criadora do COBOL, listagem não exaustiva:

Alfred Asch (U.S. Air Force)
Benjamin Cheydleur (RCA)
Charles Gaudette (Minneapolis-Honeywell)
Daniel Goldstein (Univac)
Frances “Betty” Holberton (David Taylor Model Basin)
Gertrude Tierney (IBM)
Howard Bromberg (RCA)
Jean Sammet (Sylvania)
Joseph Wegstein (National Bureau of Standards)
Mary Hawes (Burroughs)
Norman Discount (RCA)
Vernon Reeves (Sylvania)
William Logan (Burroughs)
William Selden (IBM)

🧠 Curiosidade:
Grace Hopper odiava linguagens “ilegíveis”. O COBOL nasceu para ser lido por gerentes — ironicamente, só programadores entendem até hoje.

🥚 Easter egg:
O verbo ADD A TO B GIVING C é praticamente poesia corporativa.





🕰️ 1968 — COBOL ANSI 68

Primeira padronização oficial.

🔹 Novidades:

  • Estrutura formal

  • Maior portabilidade

  • Divisão clara em IDENTIFICATION, ENVIRONMENT, DATA e PROCEDURE

🧠 Comentário Bellacosa:
Aqui o COBOL virou “linguagem séria”. Antes era festa; depois, contrato.




🕰️ 1974 — COBOL ANSI 74

A versão que dominou os mainframes por décadas.

🔹 Novidades:

  • IF/ELSE estruturado

  • PERFORM mais poderoso

  • Adeus aos GO TO anárquicos (ou quase)

🧠 Curiosidade:
Boa parte do código que rodou no Y2K ainda era ANSI 74.




🕰️ 1985 — COBOL ANSI 85

O COBOL aprende boas maneiras.

🔹 Novidades:

  • Scope terminators (END-IF, END-PERFORM)

  • Código mais legível

  • Base do COBOL “estruturado”

🥚 Easter egg:
Muita gente ainda hoje esquece o END-IF e culpa o compilador.


🕰️ Anos 80 — COBOL VS / VS II (IBM)

O COBOL entra no reino do MVS.

🔹 Novidades:

  • Integração forte com JCL

  • Batch pesado

  • Performance absurda para a época

🧠 Comentário Bellacosa:
Aqui o COBOL virou músculo. Forte, bruto e confiável.


🕰️ 1991 — COBOL/370

Primeiro grande passo rumo ao “Enterprise”.

🔹 Novidades:

  • Melhor otimização

  • Suporte avançado a CICS e DB2

  • Integração com arquitetura System/370


🕰️ 1994 — Enterprise COBOL 3.2

🔥 Marco histórico.

🔹 O que há de novo:

  • Language Environment (LE)

  • Runtime comum com PL/I e C

  • Otimização real de código

🧠 Curiosidade:
Muitos chamam o LE de “chatice”. Até o primeiro dump bem explicado salvar seu emprego.

🥚 Easter egg:
CEE3ABD virou melhor amigo de quem debuga madrugada.


🕰️ 1996 — Enterprise COBOL 3.3

O compilador do Bug do Milênio.

🔹 Novidades:

  • Melhor I/O

  • Mais estabilidade

  • Código gerado mais rápido

🧠 Comentário Bellacosa:
Se o mundo não acabou em 01/01/2000, agradeça ao COBOL 3.3.


🕰️ 2001 — Enterprise COBOL 3.1 (z/OS)

Transição definitiva para o z/OS.

🔹 Novidades:

  • Unicode (primeiros passos)

  • Melhor integração com ambientes modernos

  • Visão “enterprise de verdade”

🧠 Curiosidade:
Aqui o COBOL começou a flertar com XML… timidamente.


🕰️ 2007 — Enterprise COBOL 4.1

O salto tecnológico.

🔹 Novidades:

  • Arquitetura 64 bits

  • Suporte a XML nativo

  • Melhor interoperabilidade

🥚 Easter egg:
Muita gente demorou anos para sair do 3.3 por medo.


🕰️ 2010 — Enterprise COBOL 5.1

COBOL moderno sem pedir desculpas.

🔹 Novidades:

  • Performance absurda

  • Melhor otimização para hardware z

  • Preparação para serviços

🧠 Comentário Bellacosa:
Aqui o COBOL começa a humilhar linguagens modernas em benchmark.


🕰️ 2016 — Enterprise COBOL 6.1

O COBOL acorda para o século XXI.

🔹 Novidades:

  • Melhor uso de CPU

  • Integração com DevOps

  • Compilador mais inteligente

🥚 Easter egg:
Compila mais rápido, roda mais rápido… e ainda reclamam.


🕰️ 2019–2022 — Enterprise COBOL 6.2 / 6.3 / 6.4

O COBOL sem vergonha de ser moderno.

🔹 Novidades:

  • Melhor suporte a APIs

  • Integração com pipelines

  • Foco em cloud híbrida e z/OS Connect

🧠 Curiosidade:
COBOL virou backend de API REST. Sim, isso é real.


🕰️ 2023–2025 — Enterprise COBOL 6.5 (atual)

O COBOL que ri do etarismo.

🔹 O que há de novo:

  • Performance ainda maior

  • Melhor diagnóstico

  • Alinhamento com z/OS moderno, containers e automação

  • Funções intrínsecas criadas pelo programador

🧠 Comentário Bellacosa:
Enquanto discutem se COBOL morreu, ele roda bilhões de transações por dia.


☕ Conclusão Bellacosa Mainframe

COBOL não sobreviveu apesar do tempo.
Ele sobreviveu porque o tempo precisava dele.

De 1959 até hoje:

  • Mudou

  • Evoluiu

  • Aprendeu XML, API, DevOps, Unicode e JSON
    Mas nunca perdeu seu propósito: fazer o negócio rodar.

“COBOL não é velho.
Velho é sistema que cai.”
El Jefe Midnight Lunch



Fonte: https://www.ibm.com/docs/pt-br/cobol-zos/6.5.0?topic=overview-cobol-compiler-versions-required-runtimes-support-information 


Tabela 1. Nomes de compiladores COBOL, versões e releases, identificadores de produtos, datas GA e EOS e tempos de execução necessários
Compilador
Versão, liberação e nível de modificação
Identificador de produto (PID)
Data de disponibilidade geral (GA)
(Ano-Mês-Dia)
Data do fim do suporte (EOS)1
(Ano-Mês-Dia)
Tempos de execução necessários2
OS/VS COBOL1.2.1----
OS/VS COBOL1.2.2----
OS/VS COBOL1.2.35740-CB11974-09-231999-12-31
  • Biblioteca de tempo de execução COBOL OS/VS; ou
  • Biblioteca de tempo de execução do VS COBOL II; ou
  • z/OS Language Environment
OS/VS COBOL1.2.45740-CB11976-09-231999-12-31
  • Biblioteca de tempo de execução COBOL OS/VS; ou
  • Biblioteca de tempo de execução do VS COBOL II; ou
  • z/OS Language Environment
VS COBOL II1.15668-9581985-10-011997-06-30
  • Biblioteca de tempo de execução do VS COBOL II; ou
  • z/OS Language Environment
VS COBOL II1.25668-9581986-12-191997-06-30
  • Biblioteca de tempo de execução do VS COBOL II; ou
  • z/OS Language Environment
VS COBOL II1.335668-9581988-12-161996-06-30
  • Biblioteca de tempo de execução do VS COBOL II; ou
  • z/OS Language Environment
VS COBOL II1.435668-9581993-03-122001-03-31
  • Biblioteca de tempo de execução do VS COBOL II; ou
  • z/OS Language Environment
COBOL/370
1.15688-1971991-12-201997-09-30z/OS Language Environment
COBOL para MVS & VM
1.25688-1971995-10-272001-12-31z/OS Language Environment
COBOL for OS/390® & VM
2.135648-A251997-05-232004-12-31z/OS Language Environment
COBOL for OS/390 & VM
2.235648-A252000-09-292004-12-31z/OS Language Environment
Enterprise COBOL for z/OS®
3.15655-G532001-11-302004-04z/OS Language Environment
Enterprise COBOL for z/OS
3.25655-G532002-09-272005-10-03z/OS Language Environment
Enterprise COBOL para z/OS
3.35655-G532004-02-272007-04-30z/OS Language Environment
Enterprise COBOL para z/OS
3.45655-G532005-07-012015-04-30z/OS Language Environment
Enterprise COBOL para z/OS
4.15655-S712007-12-142014-04-30z/OS Language Environment
Enterprise COBOL para z/OS
4.25655-S712009-08-282022-04-30z/OS Language Environment
Enterprise COBOL para z/OS
5.15655-W322013-06-212020-04-30z/OS Language Environment
Enterprise COBOL para z/OS
5.25655-W322015 -02-272020-04-30z/OS Language Environment
Enterprise COBOL para z/OS
6.15655-EC62016-03-182022-09-30z/OS Language Environment
Enterprise COBOL para z/OS
6.25655-EC62017-09-082024-09-30z/OS Language Environment
Enterprise COBOL para z/OS
6.35655-EC62019-09-062025-09-30z/OS Language Environment
Enterprise COBOL 
Enterprise COBOL para z/OS
6.45655-EC62022-05-27A ser determinadoz/OS Language Environment
Enterprise COBOL para z/OS
6.55655-EC62025-06-13A ser determinadoz/OS Language Environment