domingo, 15 de agosto de 2021

Famílias Estendidas – o Amor Entre Ecos do Passado

 



 Famílias Estendidas – o Amor Entre Ecos do Passado

Por Bellacosa 


💔 O amor na era das segundas chances

Vivemos tempos em que o amor se tornou um exercício de recomeço.
Nos aplicativos e nas redes, é comum encontrar mulheres com dois, três filhos — cada um de uma história, de um amor que não deu certo, de um ciclo interrompido. Muitas delas ainda sonham com algo essencial: um lar estável, um companheiro, uma nova oportunidade de ser amada.

Para alguns homens, isso soa caótico ou ameaçador.
Para outros, um convite à maturidade.
Porque entrar na vida de alguém que já tem uma família parcial é aceitar que o amor, hoje, vem com ecos do passado.


🧩 O fim do modelo linear

O amor moderno não é mais linear.
O século XXI dissolveu o roteiro clássico — namoro, casamento, filhos, envelhecer juntos — e substituiu por relações líquidas, como dizia Bauman. A mobilidade emocional é alta, as expectativas mudam rápido, e a ideia de “pra sempre” perdeu o peso dogmático que um dia teve.

O resultado é o surgimento de famílias estendidas, mosaicos de afetos que reúnem filhos de diferentes pais, ex-companheiros ainda presentes por causa da guarda compartilhada, e novos parceiros tentando encontrar seu espaço sem apagar o passado.

É a família remixada — complexa, barulhenta, real.


🧠 O ruído e o aprendizado

Essas famílias carregam ruídos:

  • pais biológicos e padrastos disputando autoridade;

  • crianças divididas entre afetos;

  • ex-parceiros presentes, ainda que distantes.

Mas também carregam sabedoria acumulada: quem viveu perdas, separações e reconciliações sabe que o amor não é um campo de fantasia — é um campo de trabalho emocional.
E nesse campo, só floresce quem aprendeu a respeitar o passado sem se aprisionar nele.


❤️ O papel de quem chega depois

Para o novo parceiro — o homem que se aproxima de uma mulher com filhos e história — o segredo é lucidez e empatia.

Não é papel dele “salvar” ninguém, nem competir com o pai das crianças.
É ser um novo centro de estabilidade, sem apagar o que veio antes.
É entender que o amor maduro é feito de presença paciente, não de posse.

Quem entra num lar estendido precisa compreender que a família não começa do zero, e que o respeito é o alicerce de qualquer novo afeto.


🌱 O amor como reconstrução

As famílias estendidas são o espelho do nosso tempo: fragmentadas, imperfeitas, mas profundamente humanas.
São o resultado de uma sociedade que valoriza o recomeço e que, mesmo ferida, ainda acredita no amor.

Talvez o desafio não seja julgar o passado de quem amamos, mas ter coragem de participar do futuro que ela deseja construir.


Bellacosa – observando o amor contemporâneo com olhos de filósofo e alma de cronista.

sábado, 14 de agosto de 2021

🌌 O Melhor Anime da História: Neon Genesis Evangelion

🌌 O Melhor Anime da História: Neon Genesis Evangelion



Título original: 新世紀エヴァンゲリオン (Shin Seiki Evangelion)
Autor / Criador: Hideaki Anno (Gainax / Tatsunoko Production)
Ano de lançamento: 1995
Gênero: Mecha, Psicológico, Filosófico, Drama, Ficção Científica


🧩 Sinopse

Em um mundo devastado por uma catástrofe chamada “Segundo Impacto”, a humanidade tenta sobreviver à constante ameaça de criaturas gigantes conhecidas como Anjos. Para enfrentá-los, a organização NERV recruta jovens pilotos para comandar colossais bio-máquinas chamadas Evangelions.
Entre eles está Shinji Ikari, um garoto introspectivo e emocionalmente frágil, filho do comandante da NERV, Gendou Ikari.
O que começa como uma típica guerra entre humanos e monstros se transforma em uma profunda jornada sobre identidade, depressão, propósito e o sentido da existência.


🧠 Personagens Principais

  • Shinji Ikari – o protagonista relutante e símbolo do conflito interno entre dever e autonegação.

  • Rei Ayanami – a enigmática piloto de olhar vazio e segredos biológicos.

  • Asuka Langley Soryu – a guerreira orgulhosa e insegura, um dos ícones mais complexos do anime.

  • Misato Katsuragi – comandante carismática que tenta equilibrar liderança e vulnerabilidade.

  • Gendou Ikari – o pai ausente, arquétipo do controle e da frieza emocional.


🧩 Curiosidades

  • Hideaki Anno escreveu Evangelion durante uma crise depressiva, e o anime reflete sua própria luta psicológica.

  • O final original, de 1996, foi tão polêmico que gerou cartas de ódio e ameaças de fãs.

  • Em resposta, o criador lançou “The End of Evangelion” (1997) — um novo final brutal, simbólico e cinematograficamente poderoso.

  • O anime inspirou centenas de obras posteriores, inclusive Darling in the Franxx, RahXephon, Attack on Titan e até Serial Experiments Lain.


🧭 Dicas para Assistir

  1. Não veja com pressa. Evangelion é uma experiência emocional e filosófica.

  2. Assista a série original (26 episódios) e depois o filme The End of Evangelion.

  3. Se quiser revisitar com visual moderno, assista à tetralogia Rebuild of Evangelion (2007–2021).

  4. Tenha um bloco de notas — sim, você vai querer anotar interpretações e teorias.

  5. Depois do episódio 16… respire fundo. O anime mergulha no abismo da mente humana.


💬 Comentário Bellacosa

Evangelion não é “o melhor” apenas por sua técnica ou popularidade — é a obra que redefiniu o que o anime poderia ser.
Ele misturou ciência, religião, filosofia e dor humana de uma forma que o Japão nunca tinha visto antes.
Para muitos, é uma terapia em forma de animação; para outros, um colapso de símbolos e metáforas.
Mas para todos nós, é uma obra que te muda.
E se você entender Evangelion de primeira... talvez não tenha entendido nada.


🌠 Especial para os Fãs

  • A icônica trilha sonora “Cruel Angel’s Thesis” virou símbolo de toda uma geração.

  • A série é cheia de referências à Cabala, Gnosticismo, Freud e Jung.

  • O estúdio Gainax praticamente faliu após o projeto, mas deixou um legado eterno.

  • A cena do “Congratulations!” do episódio final virou meme universal de superação e confusão existencial.

  • O criador Hideaki Anno, após Evangelion, se dedicou a filmes de tokusatsu, incluindo Shin Godzilla (2016) e Shin Kamen Rider (2023).


Bellacosa conclui:
Evangelion é o espelho da alma otaku — quebrado, lindo e necessário.
Não é só o melhor anime da história... é a experiência que define o que é ser humano diante do caos.

quinta-feira, 12 de agosto de 2021

🌸 Flores nos Animes: quando a natureza fala o que o personagem não pode dizer

 


🌸 Flores nos Animes: quando a natureza fala o que o personagem não pode dizer

Quem nunca viu pétalas de cerejeira voando num anime e sentiu o coração apertar sem saber exatamente por quê?
Pois é, padawan… bem-vindo ao hanakotoba (花言葉) — a “linguagem das flores” japonesa, onde cada flor tem um significado oculto.

Enquanto no Ocidente as flores são decoração, no Japão elas são mensagens codificadas. E os animes usam isso o tempo todo, como um código emocional secreto.


🌸 Sakura (cerejeira) — a beleza que dura pouco

A flor mais icônica do Japão simboliza a vida efêmera, o fim e o recomeço.
Quando pétalas caem ao vento, é o universo dizendo que a beleza e a juventude são passageiras.
Por isso aparecem em despedidas, reencontros ou finais de arco emocional.

🎬 Exemplo: Your Lie in April, Naruto, Clannad, 5 Centimeters per Second.
💡 Dica: se você ver sakuras no fundo, prepare o lenço. Vai ter emoção.


🌻 Himawari (girassol) — o amor que segue a luz

Representa lealdade e admiração.
Nos animes, aparece em personagens otimistas, fiéis e radiantes.
O girassol “olha” para o sol — uma metáfora direta para quem busca a felicidade mesmo em tempos sombrios.

🎬 Exemplo: Naruto (personagem Himawari!), Honey and Clover.
💡 Curiosidade: nas escolas japonesas, girassóis são plantados no verão para simbolizar amizade e calor humano.


🌼 Kiku (crisântemo) — a flor imperial

Símbolo da família imperial japonesa e da dignidade.
Mas também é usada em funerais — sim, dualidade total!
Nos animes, seu uso depende da cor e contexto: branco = luto; dourado = honra e nobreza.

🎬 Exemplo: Rurouni Kenshin (momentos de sacrifício e honra).
💡 Dica Bellacosa: se o herói cair com crisântemos ao redor, é símbolo de partida honrada.


💐 Yuri (lírio) — pureza, amor e… algo mais

Originalmente símbolo da pureza feminina, o yuri no hana virou também o nome de um gênero inteiro de anime e mangá sobre amor entre mulheres.
Por isso, quando um lírio aparece em cena, é quase um “piscar de olhos” dos criadores ao público entendido. 🌸🌸

🎬 Exemplo: Maria-sama ga Miteru, Bloom Into You.
💡 Curiosidade: “yuri” significa literalmente lírio, mas o gênero se apropriou do termo como símbolo de amor puro e sincero entre garotas.


🌹 Bara (rosa) — paixão, orgulho e feridas

Simboliza amor intenso, mas também sofrimento.
É comum em personagens românticos, narcisistas ou trágicos — especialmente em obras de estética shoujo clássica.
E assim como o yuri, o bara também virou nome de gênero — representando histórias de amor entre homens.

🎬 Exemplo: Revolutionary Girl Utena, Yuri!!! on Ice.
💡 Dica: rosas vermelhas = paixão; brancas = promessa; murchas = adeus.


🌺 Tsubaki (camélia) — a flor do destino

Uma das mais usadas em cenas dramáticas.
Na cultura samurai, a camélia que cai inteira do galho simboliza morte súbita e honrada.
Por isso aparece em histórias de sacrifício, honra e redenção.

🎬 Exemplo: Rurouni Kenshin, Dororo, Samurai Champloo.
💡 Curiosidade: samurais evitavam dar camélias a vivos — só a guerreiros que partiram com glória.


🍁 Momiji (folhas de outono) — a passagem do tempo

Não é flor, mas é poesia pura.
As folhas vermelhas representam amadurecimento, nostalgia e o outono da vida.
Quando aparecem voando ao vento, é o Japão dizendo: “o tempo passou, e crescemos com ele.”

🎬 Exemplo: Natsume Yuujinchou, Mushishi, Inuyasha.
💡 Dica: veja como as cores das folhas combinam com o tom emocional da cena — não é acaso!


🌷 Resumo do Hanakotoba Otaku:

Flor / PlantaSignificadoTipo de Cena
Sakura 🌸Efemeridade, recomeçoDespedidas, lembranças
Himawari 🌻Fidelidade, alegriaEsperança, amor puro
Kiku 🌼Honra, lutoMorte nobre, tradição
Yuri 🌸Pureza, amor entre mulheresRelações sutis
Bara 🌹Paixão, orgulho, dorAmores trágicos
Tsubaki 🌺Destino, sacrifícioHonra, despedida
Momiji 🍁Maturidade, tempoReflexão, nostalgia

🌸 Conclusão Bellacosa:
Os japoneses transformaram a natureza em uma forma de linguagem.
Cada flor é uma palavra que floresce — às vezes um amor, às vezes uma saudade.
E quem aprende o hanakotoba, aprende a ouvir os sentimentos escondidos nos animes.

💡 Dica final:
Da próxima vez que vir pétalas voando ou flores murchando em câmera lenta, não veja só a estética.
Veja o código cultural — o Japão te falando em silêncio. 🌸✨


terça-feira, 27 de julho de 2021

🐙 GitHub Copilot — o “estagiário Jedi” do código (inclusive no Mainframe)

 

Github Copilot em review para mainframers

Um Café no Bellacosa Mainframe

Tema: 🐙GitHub Copilot — o “estagiário Jedi” do código (inclusive no Mainframe)


🤖 Afinal… o que é o GitHub Copilot?

Padawan, sente-se.
O GitHub Copilot é aquele colega que não dorme, não pede café e completa seu código antes de você terminar de digitar. Criado pelo GitHub em parceria com a OpenAI, ele é um assistente de programação baseado em IA, treinado com bilhões de linhas de código público.

Em termos simples (estilo operador de madrugada):

“Você começa a escrever… o Copilot adivinha o que vem depois.”

Ele funciona como um autocomplete turbinado, mas com cérebro. Não é só completar palavra — ele entende intenção, contexto, padrões e estilo.


O que faz o Github Copilot

🧠 O que o Copilot faz na prática?

  • ✍️ Sugere linhas inteiras de código

  • 🧩 Cria funções completas

  • 🔄 Converte comentários em código

  • 🧪 Ajuda a escrever testes

  • 📚 Sugere uso de APIs e bibliotecas

  • 🧹 Refatora código legado (sim, até aquele que ninguém quer mexer)

Tudo isso em tempo real, direto no editor.


🛠️ Onde ele funciona?

  • VS Code (o queridinho)

  • Visual Studio

  • JetBrains (IntelliJ, PyCharm etc.)

  • Neovim (para os monges do terminal 😄)


🎯 Exemplo simples (para Padawans)

Você digita:

# função que calcula fatorial

O Copilot responde:

def fatorial(n): if n == 0: return 1 return n * fatorial(n-1)

Magia?
Não. Machine Learning com café industrial ☕⚙️


💡 Dicas Bellacosa Mainframe (anota no caderninho)

  1. Comente bem o código
    → O Copilot AMA comentários claros.
    Comentário ruim = sugestão ruim.

  2. Não aceite tudo no automático
    → Ele é um estagiário gênio, não o arquiteto.

  3. Use como par de programação
    → Você pensa no “o quê”, ele sugere o “como”.

  4. Excelente para aprender linguagens novas
    → Ideal para Padawans curiosos.

  5. Ótimo para código repetitivo
    → CRUD, validação, parsing, boilerplate… ele faz sorrindo.


🥚 Easter Eggs & Curiosidades

  • 🐙 O nome Copilot vem da aviação:
    Ele ajuda, mas não pilota sozinho.

  • 👀 Ele aprende o estilo do seu projeto.

  • 🤐 Não tem memória pessoal: cada sugestão é baseada no contexto atual.

  • ⚠️ Já sugeriu código inseguro ou obsoleto — por isso, olho de sysprog!


🧓 E AGORA O QUE INTERESSA: GitHub Copilot no IBM Mainframe 😎

❓ “Bellacosa… isso funciona com COBOL?”

Resposta curta:
👉 SIM, MAS COM ASTERISCOS

Resposta longa (a que gostamos):


🖥️ Copilot + COBOL + Mainframe

✅ Onde ele ajuda MUITO

  • 📄 Escrita de código COBOL padrão

    • PERFORM

    • IF/ELSE

    • READ / WRITE

    • Estrutura de PROGRAM-ID, WORKING-STORAGE, etc.

  • 🧾 Conversão de lógica

    • Pseudocódigo → COBOL

    • Comentários → código

  • 🔁 Refatoração de código legado

    • Reduz GOTO

    • Sugere PERFORMs mais limpos

  • 🧪 Geração de programas de teste

    • Dados fictícios

    • Leitura sequencial simples


⚠️ Onde ele AINDA NÃO é Jedi Master

  • ❌ Não conhece seu layout VSAM específico

  • ❌ Não entende copybooks proprietários

  • ❌ Não sabe suas regras de negócio bancárias dos anos 80

  • ❌ Não substitui conhecimento de:

    • CICS

    • DB2 tuning

    • JCL complexo

    • RACF

    • Performance

👉 Aqui entra o Mainframer raiz 💪


📌 Exemplo prático COBOL

Você escreve:

* Ler arquivo de clientes e somar saldo

O Copilot pode sugerir algo como:

READ CLIENTES-FILE AT END MOVE 'S' TO EOF-FLAG NOT AT END ADD SALDO-CLIENTE TO TOTAL-SALDO END-READ.

É perfeito?
Não.

É um ótimo ponto de partida?
👉 SIM.


🧠 Copilot NÃO substitui o Mainframer

E isso precisa ficar claro no El Jefe Midnight:

O Copilot não sabe o que é um ABEND S0C7 às 2h da manhã.
Você sabe.

Ele acelera, mas não decide.
Ele sugere, mas não responde ao auditor.
Ele gera código, mas não conhece o cliente.


☕ Conclusão Bellacosa Mainframe

  • Para Padawans:
    👉 O Copilot é um mestre paciente, que ensina pelo exemplo.

  • Para Mainframers:
    👉 É um acelerador brutal de produtividade, se usado com juízo.

  • Para o futuro do Mainframe:
    👉 Uma ponte entre o legado respeitado e a nova geração.

O Mainframe não morreu.
Ele só ganhou um copiloto.

 

segunda-feira, 26 de julho de 2021

🌙 El Jefe Midnight Lunch 🌙 O manifesto da criatura noturna

 


🌙 El Jefe Midnight Lunch

O manifesto da criatura noturna



Há quem desperte com o sol.
Eu, não.
Minha alma liga o motor quando o mundo adormece — é depois das 22h que meu sistema operacional atinge o pico de processamento.
Enquanto outros se preparam para dormir, eu abro threads mentais: ideias, vozes, lembranças, teorias, nostalgias — tudo vindo ao mesmo tempo, como um dump de pensamentos sobrecarregando o spool da consciência.

É nessa hora que nasce o El Jefe Midnight Lunch — meu refúgio digital, meu laboratório insone, minha mesa de bar sem barulho, iluminada apenas pelo brilho frio do monitor.
Aqui, as madrugadas têm cheiro de café, som de teclado e gosto de caos criativo.


🕯️ O espírito do blog

O El Jefe nunca foi planejado.
Ele foi derramado — palavra por palavra, como quem despeja memórias num copo e mistura com o que sobrou da sanidade.
É um colchão de retalhos digitais: um pouco de técnica, um pouco de cotidiano, um pouco de nostalgia, e uma porção generosa de devaneio.

Falo de mainframes, animes, Japão, linguagens antigas, histórias de rua, cafés amargos e amores impossíveis.
Porque é assim que funciono: 100% de paixão e 0% de constância.
Corro e paro.
Mordo e assopro.
Programo e poetizo.
Num instante estou mergulhado em um dump de COBOL, no outro, refletindo sobre a solidão dos shinkansen às 3h da manhã.

O blog é o reflexo do meu biotipo: volúvel, noturno, intenso, disperso, profundamente humano.




🕰️ A origem

O El Jefe Midnight Lunch nasceu há décadas — quando eu ainda digitava em telas verdes e acreditava que o mundo cabia num terminal 3270.
Veio sem pretensão, sem pauta, sem SEO.
Um lugar onde eu pudesse respirar o que penso e arquivar o que sinto.
E foi ficando.
Como uma sessão TSO esquecida no ar, rodando desde a meia-noite de outro século.

Hoje, ele é isso: um log da minha mente noturna, um diário de uptime emocional, uma estação onde as madrugadas fazem commit de suas ideias mais insanas.


☕ Epílogo da insônia

Talvez o El Jefe nunca termine — porque quem vive à noite sabe que a madrugada não tem ponto final, só reticências.
Enquanto houver café, barulho de ventilador e silêncio lá fora, eu continuarei aqui, digitando, misturando bits e sentimentos, alimentando esse processo batch chamado vida.

E se você chegou até aqui —
bem-vindo ao turno da meia-noite.
Pegue sua xícara.
O sistema está online.
DISPLAY "WELCOME TO EL JEFE MIDNIGHT LUNCH"

El Jefe Midnight Lunch


terça-feira, 20 de julho de 2021

⏳ As Dores que Marcam o Tempo

 


As Dores que Marcam o Tempo

Há anos que doem diferente.
Alguns apenas arranham — outros, cravam cicatrizes na alma.
Na minha história, 1983, 2013 e 2019 foram esses marcos:
anos que carregaram tragédias tão densas que alteraram o próprio tecido da minha psique.

Outros tempos foram difíceis, sim — mas esses três...
Esses três deixaram marcas fundas, tectônicas,
que redefiniram meu modo de sentir o mundo.

Curioso como, olhando pra trás, percebemos que certas dores que pareciam o fim do mundo, com o tempo, tornam-se quase nada —
enquanto outras, que julgávamos bobas, crescem sorrateiras e se revelam bombas-relógio emocionais, prontas para implodir tudo o que construímos depois.

E ainda assim, gosto de lembrar.
Gosto de olhar para o passado e enxergar, sem filtro, o que vivi.

Se existisse uma máquina do tempo, confesso:
eu não mudaria nada.
Alterar um “se”, por menor que fosse,
seria riscar uma linha nova no espaço-tempo —
um desvio que apagaria pessoas, eventos, encontros e dores que, mesmo cruéis, me moldaram no que sou.



Minhas dores são minhas cicatrizes,
meus troféus silenciosos,
as marcas que contam minha jornada sem precisar de palavras.

Mas, às vezes, é doce revisitar o passado —
sentir de novo aquele olhar perdido,
o gosto esquecido de uma tarde qualquer,
o som longínquo de uma risada que o tempo levou.



Viver é isso: caminhar entre memórias,
guardando o que dói e o que cura na mesma mochila.
Porque sem lembrança, não há quem sobreviva.
E sem cicatriz…
ninguém vira guerreiro.



sexta-feira, 9 de julho de 2021

🚫 Droga em Animes e Japão: O Tabu Que Vive na Sombra

 


🚫 Droga em Animes e Japão: O Tabu Que Vive na Sombra

Contexto cultural:
O Japão tem algumas das leis antidrogas mais rígidas do mundo. Cannabis, cocaína, MDMA e outras drogas recreativas são estritamente proibidas, com penas de prisão longas, multas pesadas e até deportação para estrangeiros.

💡 Curiosidade: Até o consumo de álcool menor de 20 anos é ilegal, e fumar em locais públicos é altamente regulado.


🎬 Drogas nos animes: o que aparece e como

  1. Como tabu social:

    • Drogas raramente são retratadas de forma positiva.

    • Quando aparecem, são vilãs, causas de tragédias ou transformações malignas.

    • Exemplo: Elfen Lied ou Psycho-Pass, onde químicos ou experimentos criam caos.

  2. Simbolismo:

    • Drogas muitas vezes representam corrupção da alma, perda de controle ou influência estrangeira.

    • No Japão, drogas são associadas a crimes, submundo e desvio social.

  3. Efeito estético:

    • O uso de drogas raramente é mostrado realisticamente — em vez disso, cria efeitos psicodélicos ou narrativos, como em Paranoia Agent.

    • É mais uma metáfora visual do que uma instrução de vida.


⚖️ Tabu legal e cultural

  • História: O Japão adotou uma política rígida de drogas após a Segunda Guerra Mundial, influenciado pelos EUA.

  • Consequências: Mesmo usuários leves podem ser socialmente estigmatizados para sempre.

  • Mídia: Reportagens de celebridades presas por maconha causam escândalos gigantes, porque quebram o tabu nacional.

🔍 Bellacosa insight: Essa repressão explica por que nos animes drogas quase nunca aparecem como diversão — ao contrário de animes ocidentais, onde cigarros, álcool e drogas são comuns entre personagens.




💭 Por que o anime evita a droga “real”?

  1. Proteção social: O público japonês é sensível a temas que possam ser interpretados como incentivo.

  2. Censura e regulamentação: TV, revistas e estúdios de anime evitam mostrar uso recreativo real.

  3. Subtexto moral: Drogas servem mais para trama, vilania ou drama psicológico, não para cotidiano.

Exemplo:

  • Tokyo Revengers — personagens bebem, brigam, mas drogas recreativas não existem.

  • Psycho-Pass — drogas são tecnologia e poder, não consumo recreativo.

  • Paranoia Agent — substâncias alteram percepção, simbolizando colapso psicológico.


🌸 Conclusão Bellacosa

No Japão, drogas são um tabu legal, moral e cultural.
Nos animes, elas existem mais como metáfora ou catalisador de conflito do que como hábito.
O resultado é uma estética única: mundos distópicos, caos social ou poderes sobrenaturais, mas quase nunca a banalização do consumo.

✨ Resumindo: se um personagem japonês parece “curioso” ou “rebelde” em anime, provavelmente está usando álcool, lutando contra regras ou se metendo em gangues (yankii), mas não droga recreativa.