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sábado, 5 de setembro de 2026

IBM Bob Entra no CPD — O Dia em que o Programador COBOL Parou de Pedir Código e Começou a Comandar Agentes

 

Bellacosa Mainframe e o ibm bob chegando no cpd

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

IBM Bob Entra no CPD — O Dia em que o Programador COBOL Parou de Pedir Código e Começou a Comandar Agentes

Ou: por que “eu uso IA para programar” já vale quase o mesmo que dizer “sei usar Google”, como ASK, PLAN e AGENT mudam a engenharia de software, por que um agente merece menos privilégios que um estagiário com RACF SPECIAL e como o COBOL pode ensinar uma lição ao futuro da programação




Prólogo — Bob chegou ao CPD e pediu acesso ao código

Imagine a cena.

São 22h37.

O CPD está silencioso.

O café já foi requentado duas vezes.

No canto da sala existe um programa COBOL chamado:

PAYR001

Ele tem 18 mil linhas.

Foi criado quando alguém ainda dizia:

“Internet? Isso aí não vai pegar.”

Ninguém sabe exatamente tudo o que o programa faz.

O analista que escreveu a primeira versão se aposentou.

O sujeito que conhecia metade das regras de negócio abriu uma pousada em Ubatuba.

O último programador que tentou “modernizar rapidinho” deixou três comentários no fonte:

      * NAO MEXER AQUI
      * NAO SEI PQ FUNCIONA
      * MAS FUNCIONA

Então entra Bob.

Não o operador Bob.

Não o Bob da contabilidade.

IBM Bob, o parceiro de desenvolvimento baseado em inteligência artificial.

Bob olha para PAYR001.

O programador COBOL iniciante olha para Bob.

E comete o primeiro pecado da programação assistida por inteligência artificial:

“Bob, modernize isso.”

Nesse instante, em algum lugar do universo, um sysprog derruba uma caneca de café.

Porque o problema da IA em desenvolvimento de software nunca foi apenas:

Ela consegue escrever código?

A pergunta correta é:

Você sabe o que está autorizando a IA a fazer?

Bem-vindo à próxima etapa da programação.



1. “Eu uso IA para programar” deixou de impressionar

Há alguns anos, colocar no currículo:

Experiência com inteligência artificial aplicada ao desenvolvimento.

podia chamar atenção.

Depois vieram ChatGPT, GitHub Copilot, CodeWhisperer, Claude, Gemini, IBM Bob e uma coleção cada vez maior de ferramentas.

Hoje é comum um desenvolvedor digitar:

crie uma função

e receber uma função.

Depois:

crie os testes

e receber testes.

Depois:

documente

e receber documentação.

Isso continua sendo útil.

Mas deixou de ser extraordinário.

É parecido com escrever no currículo:

“Sei pesquisar no Google.”

Parabéns.

Em 2001 talvez fosse diferencial.

Em 2026 é parte do trabalho.

O que começa a separar profissionais é outra coisa:

o que você consegue fazer com a IA depois que ela deixa de ser uma simples máquina de completar código?





2. O iniciante costuma confundir programação com digitação de programa

Essa confusão já existia muito antes da inteligência artificial.

Veja este COBOL:

       IF WS-SALDO > 0
           MOVE 'ATIVO' TO WS-STATUS
       ELSE
           MOVE 'INATIVO' TO WS-STATUS
       END-IF.

Um iniciante pode aprender essa sintaxe rapidamente.

Isso significa que ele entende o sistema?

Não.

Talvez WS-SALDO represente:

  • saldo contábil;

  • saldo disponível;

  • saldo bloqueado;

  • saldo devedor;

  • posição intraday;

  • um campo legado chamado saldo que na prática representa outra coisa.

O problema empresarial não mora na palavra MOVE.

Ele mora no significado.

Esse é um dos primeiros ensinamentos que o mainframe oferece para a era da IA:

Código é representação. Negócio é contexto.

IA ficou extraordinariamente boa na primeira parte.

A segunda continua sendo muito mais complicada.


3. O código está deixando de ser o gargalo

Durante décadas, escrever software era caro.

Você precisava transformar uma ideia em milhares de instruções.

Então nasceram linguagens de alto nível.

Depois bibliotecas.

Frameworks.

IDEs.

Stack Overflow.

Geradores.

Low-code.

E finalmente grandes modelos de linguagem.

Agora imagine que produzir código fique dez vezes mais rápido.

Excelente.

Mas surge um efeito curioso.

Antes:

REQUISITO
   ↓
ANÁLISE
   ↓
CODIFICAÇÃO     ← lento
   ↓
REVISÃO
   ↓
TESTE
   ↓
HOMOLOGAÇÃO
   ↓
PRODUÇÃO

Depois da IA:

REQUISITO
   ↓
ANÁLISE
   ↓
IA
   ↓
████████████████████
REVISÃO
TESTES
SEGURANÇA
VALIDAÇÃO
████████████████████
   ↓
PRODUÇÃO

Você não eliminou necessariamente o gargalo.

Você mudou o gargalo de lugar.

A própria documentação e comunicação recente em torno do IBM Bob refletem essa mudança de foco: Bob trabalha hoje com modos específicos para perguntar, planejar e executar, além de ferramentas, subagentes, MCP e integrações além da simples geração de texto.

Quanto mais código conseguimos produzir automaticamente, mais importante passa a ser responder:

Isto está correto?

Isto deveria existir?

Isto viola alguma regra?

Isto quebra quem?

Isto pode ir para produção?

A IA acelera a construção.

Mas alguém ainda precisa saber o que merece ser construído.



4. Conheça os três estados mentais: ASK, PLAN e AGENT

Aqui aparece uma das ideias mais educativas do IBM Bob.

Os modos nativos atuais distinguem três comportamentos fundamentais:

ASK
PLAN
AGENT

Não pense nisso apenas como botões de interface.

Pense como três níveis diferentes de relacionamento entre você e um agente.

A documentação do Bob define Ask como apropriado para explicações e análise sem modificações; Plan para investigar e elaborar estratégias antes da implementação; e Agent para tarefas que envolvem modificar código, executar comandos e implementar mudanças.

Isso deveria estar pregado na parede de todo CPD:

ENTENDER
ANTES DE
PLANEJAR

PLANEJAR
ANTES DE
ALTERAR


5. ASK — “Bob, explique essa tranqueira antes que alguém mexa nela”

Imagine que você recebeu:

PAYR001

Você não sabe o que faz.

O comportamento errado seria:

Refatore esse programa.

O comportamento inteligente começa com investigação:

Analise PAYR001.

Identifique:

- arquivos utilizados;
- copybooks;
- chamadas CALL;
- tabelas Db2;
- recursos CICS;
- acessos VSAM;
- códigos de retorno;
- possíveis dependências;
- pontos que parecem representar regras de negócio.

Não modifique nenhum arquivo.

Perceba a última frase:

Não modifique nenhum arquivo.

Essa frase vale ouro.

Estamos usando IA como analista, não como cirurgião.

Ela pode responder:

PAYR001
 |
 +-- COPY EMPREG
 |
 +-- COPY TAXAS
 |
 +-- DB2 EMPLOYEE
 |
 +-- CALL TAXCALC
 |
 +-- VSAM FUNCION
 |
 +-- CICS LINK PAYR020

Agora você começou a construir um mapa.

Esse é o papel ideal do Ask.



6. Easter egg nº 1 — Sherlock Holmes deveria ter trabalhado com legado

Uma grande parte da manutenção de sistemas antigos é investigação.

Você encontra:

       MOVE 17 TO WS-TIPO-CALCULO.

Por quê 17?

Ninguém sabe.

Você pesquisa o programa.

Depois o copybook.

Depois o JCL.

Depois uma tabela.

Depois encontra uma documentação de 1998.

E finalmente descobre:

Tipo 17 = cálculo especial utilizado durante fechamento de fevereiro.

Isso não é programação.

Isso é arqueologia industrial.

Bob pode ser um excelente Watson.

Mas ainda precisamos de Sherlock para perguntar:

“Por que fevereiro?”



7. PLAN — o momento mais importante ocorre antes da primeira alteração

Agora suponha que nossa missão seja mudar uma regra de juros.

Não diga:

Faça.

Peça:

Planeje a alteração necessária para modificar
a regra de juros do produto X.

Antes de qualquer implementação:

1. identifique os módulos afetados;
2. liste dependências;
3. identifique copybooks envolvidos;
4. localize testes existentes;
5. identifique possíveis impactos externos;
6. proponha uma estratégia;
7. liste riscos;
8. defina critérios de aceitação.

Bob pode retornar:

PLANO

1. Modificar CALCJURO.cbl
2. Alterar TAXAS.cpy
3. Revisar tabela DB2 TAXA_JUROS
4. Atualizar teste TC019
5. Executar regressão
6. Validar PAYR001 e PAYR020

O iniciante diz:

“Parece ótimo!”

O veterano grita do fundo do CPD:

“NÃO MEXE NO TAXAS.CPY!”

Por quê?

Porque o veterano sabe que aquele copybook é utilizado por 47 programas.

A IA talvez tenha identificado somente 13.

Ou talvez nem tenha acesso a todos os repositórios.

Esse momento é crucial.

Você responde:

Plano rejeitado parcialmente.

TAXAS.CPY é compartilhado por outros sistemas.

Não alterar o copybook.

Proponha uma solução local mantendo a interface atual.

Pronto.

A inteligência mais importante dessa interação talvez não tenha sido a inteligência artificial.

Foi o julgamento humano.



8. Eis o verdadeiro superpoder do profissional experiente

Muito se fala que IA diminuirá a importância da experiência.

Em sistemas empresariais antigos pode ocorrer justamente o contrário.

Porque um sistema legado é:

código
+
dados
+
procedimentos
+
infraestrutura
+
interfaces
+
regras empresariais
+
exceções
+
história
+
conhecimento tribal

IA pode ler muito código.

Mas talvez não saiba que:

“Esse job nunca deve rodar antes do fechamento da filial argentina.”

Talvez isso não esteja documentado.

Talvez esteja apenas na cabeça de alguém chamado Carlos.

Carlos trabalha ali desde 1994.

Todos chamam aquilo de:

REGRA DO CARLOS

Nenhum compilador conhece.

Nenhum modelo conhece.

Carlos conhece.

Esse tipo de contexto será extremamente valioso.



9. AGENT — agora Bob recebe a caixa de ferramentas

Depois que o plano foi investigado e aprovado, chegamos ao modo Agent.

Aqui as coisas ficam sérias.

Bob pode trabalhar com operações de leitura, edição, execução de comandos e ferramentas conectadas.

A relação passa de:

Humano pergunta
IA responde

para:

Humano define objetivo
      ↓
Agente investiga
      ↓
Agente modifica
      ↓
Agente executa
      ↓
Agente testa
      ↓
Humano revisa

Essa é uma mudança gigantesca.

Porque agora a IA não está apenas falando sobre o sistema.

Ela está fazendo coisas no sistema.



10. Programador, conheça uma palavra importante: autoridade

Considere dois agentes.

Agente A

Pode apenas ler arquivos.

Risco:

baixo

Agente B

Pode:

ler arquivos
editar arquivos
executar shell
chamar APIs
consultar serviços
abrir pull request
alterar configuração

Risco:

hmmmm...

Agora imagine:

Agente C

Pode:

acessar produção
alterar banco
ler secrets
fazer deploy
aprovar merge

O operador do mainframe desmaia.

É exatamente aqui que décadas de experiência em controle de acesso voltam a ficar modernas.


11. RACF encontra inteligência artificial

O mainframeiro olha para essa discussão e pergunta:

“Vocês descobriram autorização agora?”

🤣

No mundo z/OS aprendemos há décadas a perguntar:

QUEM É VOCÊ?
        ↓
O QUE VOCÊ PODE ACESSAR?
        ↓
PODE APENAS LER?
        ↓
PODE ALTERAR?
        ↓
PODE EXECUTAR?
        ↓
QUEM CONCEDEU?
        ↓
EXISTE LOG?

Agora substitua usuário por agente:

QUAL AGENTE?
        ↓
QUAIS FERRAMENTAS?
        ↓
QUAIS ARQUIVOS?
        ↓
QUAIS SERVIDORES MCP?
        ↓
PODE EXECUTAR COMANDOS?
        ↓
PODE ALTERAR REPOSITÓRIO?
        ↓
PODE PUBLICAR?
        ↓
QUEM APROVA?

O futuro da IA empresarial parece surpreendentemente parecido com uma conversa que um administrador RACF teria em 1995.

Easter egg:

Não dê SPECIAL para Bob.

Ele é gente boa.

Mas ninguém merece SPECIAL.


12. Least privilege — trate a IA como trataria qualquer outro ator do sistema

Uma arquitetura saudável poderia permitir:

Bob pode:

[X] ler código
[X] criar branch
[X] alterar branch de trabalho
[X] executar testes
[X] gerar documentação
[X] criar Pull Request

Bob não pode:

[ ] merge direto em main
[ ] acessar senha de produção
[ ] modificar tabela produtiva
[ ] fazer deployment produtivo
[ ] desligar JES2 porque "pareceu uma boa ideia"

Esse modelo é chamado de princípio do menor privilégio.

Não dê uma permissão porque o agente pode eventualmente precisar.

Dê somente aquilo que é necessário para a tarefa atual.


13. Human-in-the-loop — existe um humano entre a ideia e o estrago

Um fluxo simples:

IA propõe
    ↓
HUMANO REVISA
    ↓
IA EXECUTA
    ↓
HUMANO VALIDA

Esse é um modelo conhecido como:

Human in the Loop

O ser humano participa diretamente dos checkpoints.

Depois de ganhar maturidade, certas tarefas podem usar algo semelhante a:

Human on the Loop

O agente executa atividades dentro de limites predeterminados e o humano supervisiona.

Por exemplo:

Bob:
    criar teste             SIM
    rodar teste             SIM
    corrigir branch         SIM
    abrir PR                SIM
    merge em produção       NÃO

Não precisamos escolher entre:

humano faz tudo

e

robô faz tudo.

Existe uma enorme região intermediária.

É ali que provavelmente estará grande parte da engenharia empresarial dos próximos anos.


14. Subagents — quando Bob monta sua própria equipe

Agora nossa história fica ainda mais interessante.

Bob pode utilizar subagents, agentes independentes que executam tarefas focadas em janelas de contexto isoladas e devolvem um resumo ao agente principal. A documentação atual distingue inclusive subagentes explore, orientados à exploração somente-leitura, e general, capazes de usar ferramentas mais amplas. O usuário aprova a criação antes da execução.

Imagine:

                BOB
                 |
     +-----------+-----------+
     |           |           |
  AGENTE      AGENTE      AGENTE
   COBOL        DB2         TESTE
     |           |           |
 PAYR001       SQL       REGRESSÃO

O agente COBOL analisa dependências.

O agente Db2 investiga consultas.

O agente de testes verifica cobertura.

Todos retornam resumos.

Bob junta as peças.

Isso começa a parecer menos com:

“assistente de programação”

e mais com:

“equipe técnica virtual”.


15. Mas subagent não é Pokémon

Existe uma tentação:

Bob, crie 27 agentes.

Não.

Mais agentes não significam automaticamente resultado melhor.

Cada agente:

  • consome contexto;

  • executa ferramentas;

  • pode interpretar algo incorretamente;

  • aumenta custo;

  • aumenta coordenação.

O próprio Bob procura usar subagentes quando o trabalho é realmente autocontido e quando separar o contexto faz sentido, em vez de lançar agentes indiscriminadamente para qualquer leitura simples.

Regra Bellacosa:

Se uma tarefa exige dois minutos, não convoque os Vingadores.


16. MCP — Bob encontrou tomadas no CPD

Outra sigla importante:

MCP

Model Context Protocol.

De forma simplificada, MCP permite que um agente trabalhe com ferramentas e fontes externas através de uma interface padronizada.

Antes:

LLM
 |
 conversa

Depois:

              BOB
               |
              MCP
       +-------+-------+
       |       |       |
      Git     API    Sistema
       |       |       |
      Jira   Docs    Ferramentas

A documentação do Bob apresenta MCP justamente como mecanismo para estender o agente com ferramentas externas e integrações personalizadas.

Essa é uma mudança fundamental.

Porque um chatbot só poderia dizer:

“Você deveria abrir um ticket.”

Um agente conectado talvez possa:

abrir o ticket

A diferença entre conselho e ação é enorme.


17. Bob Shell — quando o polvo sai do editor

Em agosto de 2026, a IBM colocou o agente V2 também no Bob Shell, levando a arquitetura compartilhada do Bob para o terminal. A atualização também trouxe mudanças no Bobalytics, IDE e gerenciamento relacionado a MCP e revisão de edições.

Para um programador isso significa algo importante.

Antes:

IDE
 |
assistente

Agora podemos imaginar:

TERMINAL
   |
 Bob Shell
   |
   +-- build
   +-- test
   +-- git
   +-- scripts
   +-- ferramentas

E quem trabalha com mainframe sabe uma coisa:

quando algo chega ao terminal, começa a entrar no território da automação.


18. O futuro não é prompt engineering

Durante algum tempo todo mundo falava:

PROMPT ENGINEERING

Como se a habilidade definitiva fosse descobrir a frase mágica.

Algo parecido com:

“Escreva um programa extraordinário, pense passo a passo, seja genial e não erre.”

Não.

A evolução real parece mais próxima de:

PROMPT
   ↓
CONTEXTO
   ↓
PLANO
   ↓
DELEGAÇÃO
   ↓
EXECUÇÃO
   ↓
VALIDAÇÃO
   ↓
GOVERNANÇA
   ↓
OBSERVABILIDADE
   ↓
MÉTRICA

A habilidade passa de:

saber conversar com IA

para:

saber operar IA dentro de um processo de engenharia.


19. O portfólio do iniciante também precisa mudar

Imagine dois candidatos.

Candidato 1

GitHub:

CRUD de clientes
Clone do Netflix
Lista de tarefas
Calculadora

Tudo produzido parcialmente com IA.

Legal.

Agora candidato 2 cria:

cobol-modernization-lab/
 |
 +-- README.md
 +-- docs/
 |    +-- architecture.md
 |    +-- decisions.md
 |    +-- risks.md
 |
 +-- prompts/
 |    +-- analysis.md
 |    +-- plan.md
 |
 +-- src/
 |
 +-- tests/
 |
 +-- lessons-learned.md

No README:

Problema
↓
Análise inicial
↓
Plano sugerido pelo agente
↓
Plano revisado
↓
Decisões rejeitadas
↓
Implementação
↓
Testes
↓
Resultado

Quem você acha que dará mais assunto numa entrevista?


20. A melhor seção do README talvez seja: “onde Bob errou”

Sim.

Você leu corretamente.

Imagine:

## AI Recommendation Rejected

Bob sugeriu modificar COPY TAXAS.

A recomendação foi rejeitada porque o copybook
é compartilhado por múltiplas aplicações.

Decisão humana:

manter interface pública e implementar adaptação
local no programa CALCJURO.

Isso é maravilhoso.

Porque demonstra:

IA sugeriu
        ↓
VOCÊ ENTENDEU
        ↓
VOCÊ DISCORDOU
        ↓
VOCÊ EXPLICOU
        ↓
VOCÊ DECIDIU

A competência não está em aceitar a IA.

Está em saber quando não aceitar.


21. Uma entrevista técnica do futuro

Recrutador:

Você utiliza agentes de IA?

Candidato:

Sim.

Recrutador:

Conte uma decisão do agente que você rejeitou.

Silêncio.

O candidato que simplesmente gerava código morreu na praia.

Já outro responde:

O agente sugeriu alterar um contrato compartilhado. Analisei dependências, percebi risco de quebra em consumidores externos, rejeitei a solução e implementei um adapter preservando compatibilidade.

Pronto.

Temos uma conversa de engenharia.


22. O programador COBOL tem uma vantagem inesperada

COBOL ensina algo precioso:

software não existe isoladamente

Um programa está conectado a:

JCL
copybooks
VSAM
Db2
CICS
IMS
MQ
jobs
arquivos
procedimentos
controle
segurança
scheduler
processos empresariais

Por isso manutenção mainframe raramente permite a fantasia:

“Vou apenas reescrever esse módulo.”

Esse módulo talvez seja chamado às 03h17 por um job que ninguém mencionou.

Pode alimentar um arquivo que vai para outro banco.

Pode produzir uma saída utilizada por um sistema que pertence a outra diretoria.

Em sistemas corporativos:

dependência é a criatura que mora atrás da porta que ninguém abriu.


23. Passo a passo Bellacosa para usar um agente em COBOL

Vamos montar um procedimento.

Etapa 1 — Entender

Use Ask:

Explique este programa COBOL.

Mapeie:
- divisions;
- paragraphs;
- copybooks;
- CALLs;
- arquivos;
- SQL;
- CICS;
- códigos de retorno.

Não altere nada.

Etapa 2 — Mapear dependências

Pergunte:

Quais componentes externos podem ser afetados
por uma modificação neste módulo?

Não confie cegamente.

Confirme no repositório e nas ferramentas existentes.


Etapa 3 — Criar plano

Crie um plano para implementar a mudança X.

Inclua:
- arquivos afetados;
- risco;
- rollback;
- testes;
- dependências;
- critérios de sucesso.

Não implemente ainda.

Etapa 4 — Revisar manualmente

Leia tudo.

Pergunte:

Isso realmente faz sentido?

Se não entende algum item, não aprove.

Peça explicação.


Etapa 5 — Limitar escopo

Em vez de:

modernize o sistema

prefira:

altere somente o módulo CALCJURO
sem modificar interfaces públicas
nem copybooks compartilhados.

Etapa 6 — Executar

Agora sim:

Implemente o plano aprovado.

Etapa 7 — Testar

Nunca aceite:

“Parece correto.”

Use:

Compile.
Execute testes.
Analise return codes.
Compare resultados.

Em COBOL:

COMPILOU

não significa:

FUNCIONOU

e:

FUNCIONOU

não significa:

ESTÁ CORRETO

Etapa 8 — Revisar o diff

Pergunte:

O que mudou?
Por que mudou?
Quais comportamentos podem ser afetados?

Depois olhe você mesmo.


Etapa 9 — Documentar

Registre:

o que a IA sugeriu
o que foi aceito
o que foi rejeitado
por quê
quais testes foram realizados

Isso cria auditoria e aprendizado.


24. Nunca terceirize compreensão

Existe um anti-pattern perigoso:

não entendo
  ↓
pergunto IA
  ↓
IA responde
  ↓
continuo não entendendo
  ↓
mas executo mesmo assim

Isso é apenas terceirização da ignorância.

🤣

O fluxo correto:

não entendo
   ↓
IA explica
   ↓
pergunto novamente
   ↓
verifico
   ↓
entendo suficientemente
   ↓
decido

IA deveria diminuir sua ignorância.

Não escondê-la.


25. Curiosidade — COBOL já viveu uma revolução parecida

Nos anos 1950, programar significava trabalhar muito mais perto da máquina.

Linguagens de alto nível eram uma abstração revolucionária.

Algum programador Assembly poderia olhar COBOL e dizer:

“Agora qualquer incompetente escreve programa!”

Talvez dissesse:

“Esses jovens nem sabem registrador!”

Décadas depois acontece algo curioso.

Programadores modernos dizem:

“Com IA qualquer pessoa gera programa!”

A história gosta de rir.

Compiladores automatizaram a transformação:

linguagem humana-ish
        ↓
código de máquina

IA automatiza outra camada:

intenção humana
        ↓
representação técnica

Mas abstração nunca eliminou necessidade de engenharia.

Ela apenas permitiu construir sistemas maiores.


26. Quanto maior a abstração, maior o raio da explosão

Em Assembly, você poderia errar uma instrução.

Com COBOL, uma regra errada poderia afetar milhões de registros.

Com um pipeline automatizado, uma alteração pode chegar a centenas de servidores.

Com agentes:

UM OBJETIVO MAL DEFINIDO
          ↓
MÚLTIPLAS ALTERAÇÕES
          ↓
TESTES
          ↓
AUTOMAÇÃO
          ↓
PR

Velocidade amplifica coisas boas.

E coisas ruins.

Por isso:

AUTONOMIA ↑
=
GUARDRAILS ↑

27. Guardrail é a cerca elétrica em volta do robô

Guardrail é qualquer mecanismo que limita comportamento.

Exemplos:

não editar produção
não acessar determinados diretórios
não executar determinados comandos
não enviar dados sensíveis
não modificar secrets
não publicar automaticamente
exigir aprovação

Pense em uma locomotiva.

Ela é extremamente poderosa.

Mas só é útil porque existe trilho.

Um agente sem trilho não é uma locomotiva.

É um trem atravessando o estacionamento.


28. E finalmente chegamos às métricas

Depois que uma empresa compra IA para centenas de desenvolvedores, aparece o gerente financeiro.

Ele não pergunta:

“Bob é legal?”

Ele pergunta:

“Quanto custou?”

Depois:

“Quanto economizou?”

Depois:

“Como você sabe?”

E aqui começa a parte adulta.

Não basta medir:

linhas de código

Linhas de código são uma métrica terrível.

Você pode produzir 200 mil linhas de lixo.

Melhores indicadores incluem:

Lead Time
Cycle Time
Defect Rate
Change Failure Rate
MTTR
Test Coverage
Rework
Deployment Frequency
Tempo economizado
Custo por mudança

As versões atuais do ecossistema Bob incluem Bobalytics justamente como uma camada de visibilidade sobre uso e atividade; a atualização de agosto de 2026 adicionou novas visões para observar atividade diária e padrões de utilização.


29. Bobalytics encontra SMF no boteco

O mainframeiro vê analytics e novamente começa a rir.

Porque estamos acostumados com a pergunta:

“O que aconteceu?”

E alguém responde:

“Vamos olhar os registros.”

SMF.

RMF.

Logs.

Auditoria.

Accounting.

Histórico.

Agora o mesmo princípio chega à IA:

Quem utilizou?
Quanto utilizou?
Para quê?
Qual resultado?
Quanto custou?
Qual foi a produtividade?

No futuro talvez ninguém aceite:

“A IA ajudou bastante.”

Precisaremos dizer:

antes: 12 horas
depois: 5 horas

antes: 8 defeitos
depois: 3 defeitos

custo de IA: X
tempo preservado: Y

Aí temos ROI.


30. Cuidado com a “produtividade placebo”

Existe um fenômeno interessante.

Desenvolvedor:

“Estou produzindo 70% mais rápido!”

Pergunta:

“Como você mediu?”

Resposta:

“Senti.”

🤣

Isso não é métrica.

É horóscopo corporativo.

Talvez a IA realmente tenha melhorado produtividade.

Mas precisamos separar:

sensação de velocidade

de:

resultado empresarial

31. O futuro do profissional técnico

A escada provavelmente será algo semelhante a:

NÍVEL 1
"uso autocomplete"

NÍVEL 2
"gero código"

NÍVEL 3
"forneço contexto"

NÍVEL 4
"planejo com agente"

NÍVEL 5
"delego tarefas"

NÍVEL 6
"coordeno subagents"

NÍVEL 7
"conecto ferramentas"

NÍVEL 8
"governo permissões"

NÍVEL 9
"meço resultado"

NÍVEL 10
"assumo responsabilidade"

O último é o mais importante.

Porque quando alguma coisa der errado ninguém aceitará:

“Mas Bob fez.”

A pergunta será:

“Quem aprovou?”


32. O easter egg escondido no SYSOUT

Depois de terminar a alteração, nosso programador encontra no relatório:

IEF142I JOB PAYROLL STEP01 - STEP WAS EXECUTED

Tudo parece normal.

Mais abaixo aparece:

BOB0001I ARTIFICIAL INTELLIGENCE COMPLETED TASK
BOB0002I HUMAN REVIEW REQUIRED

E finalmente:

BOB9999I CAFE REQUIRED BEFORE PRODUCTION

Esse último ainda não existe.

Mas deveria.


33. O iniciante não deve abandonar fundamentos por causa da IA

Se você está começando em COBOL, ainda precisa aprender:

IDENTIFICATION DIVISION
DATA DIVISION
PROCEDURE DIVISION

PIC
MOVE
IF
EVALUATE
PERFORM
CALL
FILE STATUS
COMP
COMP-3
COPYBOOKS
JCL
VSAM
DB2
CICS

Por quê?

Porque se Bob gerar:

       MOVE WS-AMOUNT TO WS-BALANCE

você precisa entender o que aconteceu.

Se ele sugerir redefinir:

       05 WS-AMOUNT PIC S9(9)V99 COMP-3.

você precisa saber por que isso pode importar.

A IA não elimina fundamentos.

Ela aumenta a penalidade de não conhecê-los.


34. A regra do mestre Jedi do mainframe

Use IA para chegar mais rápido à pergunta difícil.

Não para fugir dela.

Se você gastava três horas procurando onde determinada regra estava implementada e Bob encontra em três minutos:

fantástico.

Use as duas horas e cinquenta e sete minutos economizadas para descobrir:

“Essa regra ainda deveria existir?”

Isso é valor.


35. Programação está mudando de escrever para dirigir

Podemos representar a mudança assim:

ONTEM

Humano
  ↓
Código
  ↓
Computador

Hoje:

Humano
  ↓
IA
  ↓
Código
  ↓
Computador

Amanhã:

              HUMANO
                 |
        arquitetura / intenção
                 |
                 ↓
              AGENTE
        +--------+--------+
        |        |        |
     subagent subagent subagent
        |        |        |
      código   testes   análise
        \        |        /
             ferramentas
                 |
              sistemas

O humano sobe um nível.

Mas não desaparece.


36. Talvez “programador” volte ao significado original

Existe uma ironia bonita aqui.

Programar significa essencialmente:

estabelecer uma sequência de ações para atingir um objetivo.

Durante décadas transformamos “programador” em:

pessoa que digita código.

Agentes podem fazer com que o programador volte a ser mais literalmente alguém que:

define objetivos
decompõe tarefas
estabelece restrições
coordena execução
verifica resultado

Ou seja:

talvez IA não esteja destruindo o conceito de programador.

Talvez esteja obrigando a palavra a recuperar seu significado.


37. Checklist Bellacosa antes de deixar Bob trabalhar

Antes:

[ ] Entendo o problema?
[ ] Sei qual é o resultado esperado?
[ ] Identifiquei o escopo?
[ ] Mapeei dependências?
[ ] Pedi um plano?
[ ] Revisei o plano?
[ ] Defini o que NÃO pode ser alterado?

Durante:

[ ] Estou acompanhando as alterações?
[ ] O agente está dentro do escopo?
[ ] Surgiu nova dependência?
[ ] Existem decisões que exigem humano?

Depois:

[ ] Compilou?
[ ] Testou?
[ ] Comparei comportamento?
[ ] Revisei diff?
[ ] Avaliei segurança?
[ ] Documentei decisões?
[ ] Existe rollback?

Se a resposta para metade for:

¯\_(ツ)_/¯

não vá para produção.


38. Epílogo — Bob pergunta se pode fazer deploy

Voltamos ao nosso CPD.

23h58.

PAYR001 foi analisado.

O plano foi criado.

Uma alteração perigosa em TAXAS.CPY foi rejeitada.

Bob modificou o módulo correto.

Os testes passaram.

O programador revisou o diff.

Bob então pergunta:

“Deseja fazer deployment?”

O programador olha para o relógio.

Olha para Bob.

Olha para o calendário.

É sexta-feira.

Ele responde:

NÃO.

Bob pergunta:

“Por quê?”

E o jovem programador finalmente demonstra que aprendeu a mais importante regra da computação corporativa:

“Porque eu posso ser iniciante, Bob, mas não sou maluco.”

Na segunda-feira faremos a mudança.

Com aprovação.

Com backup.

Com rollback.

Com logs.

E com alguém responsável olhando.

Porque o futuro da programação não será decidido por quem consegue produzir mais código.

Será decidido por quem consegue comandar máquinas cada vez mais capazes sem entregar a elas aquilo que nunca deveria ter sido terceirizado: julgamento, responsabilidade e compreensão do negócio.

IBM Bob pode ser copiloto.

Pode ser investigador.

Pode ser planejador.

Pode ser executor.

Pode convocar subagentes.

Pode usar ferramentas.

Pode trabalhar pelo terminal.

Pode atravessar o MCP e conversar com outros sistemas.

Mas alguém ainda precisa ocupar a cadeira do comandante.

E se você está começando agora em COBOL, existe uma oportunidade extraordinária diante de você:

não aprenda apenas a escrever programas.

Aprenda a entender sistemas.

Aprenda por que aquele MOVE existe.

Aprenda quem chama aquele programa.

Aprenda o que acontece quando o job termina com RC=08.

Aprenda por que segurança existe.

Aprenda por que produção exige respeito.

Aprenda a perguntar.

Aprenda a planejar.

Aprenda a discordar da inteligência artificial.

Porque talvez a habilidade técnica mais valiosa da próxima década não seja saber dizer para um agente:

“Faça.”

Será saber olhar para o plano produzido por ele, apoiar a caneca de café sobre a mesa e responder:

“Não, Bob. Essa parte você não vai mexer.”

E explicar exatamente por quê.

Bem-vindo ao Bellacosa Mainframe.

Artigo DIO - Bellacosa Mainframe

☕ E se amanhã um agente de IA pedir acesso ao seu código COBOL?

Leia o artigo completo publicado na DIO sobre IBM Bob, inteligência artificial, COBOL, mainframe e o futuro da engenharia de software.

☕ Carregando o artigo...

terça-feira, 4 de agosto de 2026

Como a Inteligência Artificial, o AI Job Hunter e um Espírito de Explorador Podem Transformar um Iniciante em um Profissional Contratável

 

Bellacosa Mainframe e os caçadores da vaga perdida

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

A Arca Perdida do Primeiro Emprego COBOL

Como a Inteligência Artificial, o AI Job Hunter e um Espírito de Explorador Podem Transformar um Iniciante em um Profissional Contratável

"Não é o chicote que faz Indiana Jones sobreviver às aventuras. É a preparação antes de entrar no templo."

O mesmo vale para quem deseja conquistar o primeiro emprego como Programador COBOL.



Prólogo — O Templo Esquecido

Imagine uma floresta fechada.

No meio dela existe um enorme templo coberto por musgo.

Na porta está escrito:

EMPREGO COBOL JÚNIOR

Você chega animado.

Bate na porta.

Ela não abre.

Então olha para o lado e vê dezenas de aventureiros indo embora.

Todos reclamam da mesma coisa.

— "As empresas só querem gente com experiência."

Mas...

Será mesmo?

Ou será que estamos tentando abrir a porta errada?

Hoje vamos vestir o chapéu de Indiana Jones, trocar o mapa do tesouro por um currículo ATS Friendly, transformar o chicote em um teclado IBM Model M e descobrir como a Inteligência Artificial pode ajudar um iniciante a entrar no fascinante mundo do Mainframe.

Prepare seu café.

Nossa expedição está apenas começando.



Capítulo 1 — A Primeira Armadilha: A Experiência

Existe uma crença quase religiosa entre iniciantes.

"Sem experiência ninguém contrata."

Essa frase parece lógica.

Mas basta observar como funcionam os grandes bancos, seguradoras e empresas de tecnologia.

Todos os anos milhares de jovens são contratados.

Como?

Eles nasceram com experiência?

Claro que não.

O mercado procura algo diferente.

Ele procura evidências de capacidade.

Existe uma enorme diferença entre:

"Eu sei COBOL."

e

"Posso provar que sei COBOL."

É exatamente aqui que começa nossa aventura.



O Guardião do Templo: O Recrutador

Imagine um recrutador sentado diante de 300 currículos.

Ele possui poucos segundos para decidir.

Ele não conhece você.

Nunca conversou com você.

Nunca viu seus projetos.

Tudo o que ele possui é um documento.

É como um arqueólogo olhando um fragmento de cerâmica.

Ele precisa imaginar a história inteira.

Seu currículo precisa ajudá-lo nessa missão.



A IA Não Procura Pessoas. Procura Evidências.

O infográfico do AI Job Hunter mostra um conceito extremamente moderno.

A Inteligência Artificial não está apenas procurando palavras.

Ela está tentando responder uma pergunta muito mais interessante:

"Este profissional possui características semelhantes às pessoas que foram contratadas para esta vaga anteriormente?"

Essa diferença muda completamente o jogo.



O AI Job Hunter — O Mapa da Expedição

Imagine o AI Job Hunter como o mapa que Indiana Jones recebeu antes de procurar a Arca da Aliança.

Sem ele...

Você entra em qualquer caverna.

Com ele...

Você sabe exatamente onde está o tesouro.

O sistema funciona como um enorme mecanismo de recomendação.

Entrada:

  • currículo

  • cursos

  • certificados

  • habilidades

  • tecnologias

  • objetivos profissionais

Processamento:

  • IA

  • análise semântica

  • compatibilidade

  • recomendação

Saída:

As vagas com maior probabilidade de sucesso.

Parece simples.

Mas por trás disso existe um conjunto enorme de tecnologias.

https://www.dio.me/articles/vem-ai-o-ai-job-hunter-seu-agente-de-ia-para-conquistar-as-melhores-vagas-e-salarios-em-tecnologia-4f73edde6424



O Primeiro Enigma — Busca Inteligente

Há alguns anos um sistema faria isto:

Você digitava:

COBOL

Resultado:

Todas as vagas contendo COBOL.

Hoje isso seria considerado extremamente limitado.

Os mecanismos modernos utilizam busca semântica.

Se você escreve:

Enterprise COBOL

O sistema pode entender também:

  • IBM Z

  • Mainframe

  • Batch

  • CICS

  • z/OS

  • Legacy Modernization

  • Mission Critical

Perceba.

Ele compreende significado.

Não apenas palavras.



Easter Egg nº 1

Fernando Corbató revolucionou os computadores com o Time Sharing.

Hoje os algoritmos de IA fazem algo semelhante.

Em vez de compartilhar tempo de CPU entre usuários, compartilham atenção entre milhões de currículos.

Curiosamente...

Ambos nasceram exatamente do mesmo problema:

Como utilizar recursos limitados da maneira mais inteligente possível?



O Segundo Enigma — O Score

Imagine um grande painel.

Cada tecnologia acende uma luz.

COBOL ✔

JCL ✔

VSAM ✔

Git ✔

DB2 ✔

REST ✔

Cloud ✔

Quanto mais luzes acendem...

Maior sua aderência.

Mas cuidado.

O score não mede inteligência.

Ele mede proximidade com uma vaga específica.

É perfeitamente possível possuir 95% para um banco e apenas 40% para uma fintech.

Isso não significa que você é pior.

Significa apenas que são necessidades diferentes.


A Maldição do Currículo Genérico

Talvez este seja o maior erro dos iniciantes.

Currículo:

Conhecimento em programação.

Isso não diz absolutamente nada.

Agora observe.

Desenvolvedor em formação com conhecimentos em Enterprise COBOL, JCL, VSAM, SQL e fundamentos de CICS. Experiência prática em projetos acadêmicos utilizando IBM Z Xplore e GitHub.

Mesma pessoa.

Outra percepção.


Indiana Jones Nunca Entrava Sem Equipamentos

Por que tantos iniciantes tentam entrar no mercado apenas com um curso?

Indiana levava:

  • mapa

  • bússola

  • chicote

  • lanterna

  • mochila

  • experiência

Você precisa montar sua mochila profissional.

Ela deve conter:

  • COBOL

  • Git

  • GitHub

  • JCL

  • VSAM

  • SQL

  • DB2

  • IBM Z Xplore

  • LinkedIn

  • Portfólio

Cada item reduz um pouco o risco percebido pelo recrutador.


O Tesouro Escondido Chama-se GitHub

Muitos acreditam que GitHub serve apenas para Java.

Grande erro.

Imagine um recrutador abrindo seu perfil.

Ele encontra.

Projeto 1

Sistema Bancário

Projeto 2

Folha de Pagamento

Projeto 3

Controle de Estoque

Projeto 4

Cadastro de Clientes

Projeto 5

CRUD VSAM

Projeto 6

CRUD DB2

Projeto 7

Integração REST

Agora ele consegue enxergar algo.

Você produz.


Curiosidade Histórica

Durante décadas os programadores COBOL levavam listagens impressas com centenas de páginas para demonstrar seu trabalho.

Hoje...

Um simples link do GitHub mostra tudo.

Mudou a tecnologia.

Mas a necessidade continua igual.

Demonstrar competência.


O Raio-X da Vaga

Um recurso extremamente interessante do AI Job Hunter é o chamado Raio-X.

Ele praticamente responde:

"O que falta para você?"

Imagine.

Você possui:

COBOL

JCL

VSAM

DB2

Git

O sistema informa.

Faltam:

Docker

Jenkins

APIs REST

OpenShift

Agora seu estudo deixa de ser aleatório.

Você sabe exatamente onde investir seu tempo.


A Expedição do Conhecimento

Existe uma diferença enorme entre estudar e evoluir.

Muitos fazem isso:

Curso

Outro curso

Outro curso

Outro curso

Outro curso

Nenhum projeto.

Nenhuma aplicação.

Nenhuma prática.

É como Indiana Jones lendo cinquenta mapas sem sair de casa.

Conhecimento precisa virar construção.


O Método Bellacosa dos Cinco Artefatos

Imagine que cada novo conhecimento gera um artefato.

Artefato 1

Curso

Aprendeu.


Artefato 2

Projeto

Aplicou.


Artefato 3

GitHub

Publicou.


Artefato 4

LinkedIn

Compartilhou.


Artefato 5

Portfólio

Organizou.

Agora existe uma trilha de evidências.


O Diário Perdido do Arqueólogo

Indiana Jones sempre fazia anotações.

Faça o mesmo.

Sempre que terminar um assunto.

Escreva.

Hoje aprendi:

  • PERFORM

  • OCCURS

  • VSAM KSDS

  • IDCAMS

  • SORT

  • SQL

Essas anotações podem virar:

  • artigos

  • posts

  • apresentações

  • vídeos

  • documentação

Sem perceber, você começa a construir autoridade.


O Verdadeiro Significado da Experiência

Essa talvez seja a maior descoberta desta jornada.

Experiência não significa apenas:

Carteira assinada.

Experiência também é:

Resolver problemas.

Criar projetos.

Corrigir erros.

Ler documentação.

Participar da comunidade.

Construir soluções.

É por isso que dois iniciantes podem parecer completamente diferentes para um recrutador.


Easter Egg nº 2 — O Graal do Mainframe

Nos filmes, o Santo Graal não era o copo mais bonito.

Era o mais simples.

No mercado de tecnologia acontece algo parecido.

O melhor currículo nem sempre é o mais colorido.

É o mais claro.

A simplicidade continua sendo uma das maiores virtudes de um documento ATS Friendly.


O Plano de 90 Dias

Primeiro mês

Domine:

  • COBOL

  • Git

  • GitHub

Construa:

Primeiro projeto.


Segundo mês

Aprenda:

  • JCL

  • VSAM

  • SQL

  • DB2

Publique dois projetos completos.


Terceiro mês

Estude:

  • CICS

  • REST

  • JSON

  • Cloud Computing (conceitos)

Monte:

  • LinkedIn

  • Portfólio

  • Currículo ATS Friendly

Comece a enviar currículos.


O Segredo dos Bancos

Pouca gente sabe.

Quando um banco contrata um Programador COBOL Júnior, ele não espera um especialista em z/OS.

Ele espera alguém que:

  • saiba aprender;

  • tenha disciplina;

  • consiga trabalhar em equipe;

  • leia documentação;

  • resolva problemas;

  • demonstre curiosidade técnica.

Essas competências são treináveis.


A Nova Arca da Aliança

Durante muitos anos o currículo era a Arca da Aliança do mercado.

Hoje ele é apenas uma peça.

O profissional moderno possui:

Currículo

GitHub

LinkedIn

Projetos

Certificações

Comunidade

Aprendizado contínuo

Tudo isso forma sua identidade profissional.


O Último Desafio do Templo

Antes da sala do tesouro existe uma inscrição.

Ela diz:

"Somente aqueles que provarem seu valor poderão atravessar."

Não diz.

"Somente quem possui cinco anos de experiência."

Diz.

"Quem provar seu valor."

Essa pequena diferença muda completamente a forma de enxergar sua carreira.


Sherlock Holmes Entra na Expedição

Se Indiana Jones representa a coragem para entrar no templo, Sherlock Holmes representa a capacidade de observar detalhes que os outros ignoram.

Um recrutador experiente faz exatamente isso. Ele procura pistas:

  • O GitHub mostra evolução ao longo dos meses?

  • Os projetos possuem documentação?

  • O candidato escreve commits claros?

  • Existe consistência entre currículo, LinkedIn e portfólio?

  • As certificações acompanham a evolução técnica?

Essas pequenas evidências contam uma história. E histórias coerentes geram confiança.


O Futuro do Programador COBOL

Durante décadas dizia-se que COBOL estava morrendo.

Enquanto isso, bancos processavam bilhões de transações diariamente em sistemas escritos nessa linguagem.

Hoje o cenário mudou novamente.

O profissional COBOL não trabalha isolado. Ele conversa com:

  • APIs REST

  • Microsserviços

  • Cloud híbrida

  • IA Generativa

  • Git

  • DevOps

  • OpenShift

  • z/OS Connect

  • Observabilidade

  • Segurança

Isso significa que o objetivo não é ser apenas um programador COBOL, mas um desenvolvedor capaz de integrar o legado ao futuro.


Conclusão — O Tesouro Nunca Esteve no Final da Jornada

No último filme de Indiana Jones, aprendemos que a maior descoberta nunca foi um artefato.

Foi a própria jornada.

Com a carreira acontece exatamente o mesmo.

O primeiro emprego não é o tesouro.

Ele é apenas a porta de entrada para um universo de aprendizado contínuo.

Ferramentas como o AI Job Hunter ajudam a iluminar o caminho, mostrando quais vagas combinam com seu perfil, quais competências ainda precisam ser desenvolvidas e como apresentar melhor seu potencial. Mas nenhuma IA substitui aquilo que realmente transforma um iniciante em um profissional contratável: curiosidade, disciplina, prática e disposição para aprender todos os dias.

Lembre-se de uma última frase que poderia muito bem estar gravada na parede de um antigo templo do IBM Z:

"Quem espera ter experiência para começar nunca começa. Quem começa a construir evidências cria a própria experiência."

Então ajuste o chapéu, organize seu GitHub, atualize seu LinkedIn, prepare um bom currículo ATS Friendly e continue explorando. O mundo do Mainframe ainda guarda muitos tesouros — e o próximo pode ser justamente a sua primeira oportunidade como Programador COBOL Júnior.

https://github.com/VagnerBellacosa/437_CarrinhoComprasShopeeNode.js

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

ATS Friendly — O Dia em que Patrick Jane Investigou o Seu Currículo COBOL

Bellacosa Mainframe apresenta o ats friendly

 

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

ATS Friendly — O Dia em que Patrick Jane Investigou o Seu Currículo COBOL

Imagine a seguinte cena.

Uma grande empresa publica uma vaga para programador COBOL iniciante. O anúncio parece ter sido escrito especialmente para você:

  • COBOL;

  • JCL;

  • Db2;

  • CICS;

  • z/OS;

  • Git;

  • noções de DevOps;

  • vontade de aprender;

  • capacidade de trabalhar em equipe.

Você lê tudo, ajeita o currículo, salva o arquivo com um nome elegante e clica em “Enviar candidatura”.

Silêncio.

Nenhuma mensagem.

Nenhum telefonema.

Nenhuma entrevista.

Nada.

Você olha para a tela e pensa:

— Será que o recrutador não gostou de mim?

Mas existe uma possibilidade ainda mais intrigante: talvez o recrutador nunca tenha visto o seu currículo.

Antes que uma pessoa de Recursos Humanos leia sua experiência, seus cursos, seus projetos e suas certificações, existe uma boa chance de que o documento precise passar por uma espécie de porteiro eletrônico.

Esse porteiro atende pelo nome de ATS.

E, ao contrário de Patrick Jane, personagem da série The Mentalist, o ATS não observa seus gestos, não analisa seu tom de voz e não percebe quando você está nervoso.

Ele observa palavras.

Ele procura padrões.

Ele classifica informações.

Ele tenta entender se o seu currículo combina com a vaga.

Em outras palavras, o ATS é uma espécie de programa batch executado antes da entrevista.

Se a entrada estiver organizada, o processamento continua.

Se o layout estiver confuso, as palavras-chave estiverem ausentes e as informações importantes estiverem escondidas em caixas de texto, gráficos ou imagens, o job pode terminar com um elegante e silencioso:

COND CODE 0008
CANDIDATO NÃO LOCALIZADO

Bem-vindo ao mistério do currículo ATS Friendly.



1. O que significa ATS Friendly?

A expressão ATS Friendly significa que um currículo foi preparado para ser facilmente lido, interpretado e classificado por um Applicant Tracking System.

Em português, podemos traduzir ATS como:

Sistema de Rastreamento de Candidatos.

Esses sistemas são utilizados para ajudar empresas e recrutadores a:

  • receber currículos;

  • organizar candidaturas;

  • localizar profissionais;

  • comparar perfis;

  • pesquisar competências;

  • acompanhar etapas do processo seletivo;

  • filtrar candidatos conforme os requisitos de uma vaga.

Para um programador COBOL, a analogia é simples.

O ATS funciona como um processo que recebe um arquivo de entrada, tenta interpretar os campos e grava os resultados em uma base de dados.

Seu currículo é o arquivo de entrada.

O anúncio da vaga é a regra de validação.

As palavras-chave são os campos utilizados na comparação.

O recrutador é o usuário que consulta o resultado final.

Se o ATS consegue identificar corretamente seu nome, cargo, experiência, tecnologias e formação, seu currículo foi processado com sucesso.

Quando isso não acontece, informações importantes podem simplesmente desaparecer durante a leitura automática.


2. O ATS não é um vilão

Existe uma tendência de imaginar o ATS como uma inteligência artificial maligna sentada diante de milhares de currículos, eliminando candidatos por diversão.

Na prática, a ideia é menos dramática.

Imagine que uma empresa receba 1.500 candidaturas para uma única vaga.

Seria difícil para uma equipe pequena ler manualmente todos os documentos em pouco tempo. O ATS ajuda a organizar esse volume.

Ele permite que o recrutador procure, por exemplo:

COBOL AND CICS AND DB2

Ou:

MAINFRAME AND JCL AND Z/OS

Ou ainda:

COBOL AND GIT AND DEVOPS

O ATS também pode estruturar informações como:

  • nome do candidato;

  • cidade;

  • e-mail;

  • telefone;

  • empresas anteriores;

  • cargos ocupados;

  • datas;

  • formação;

  • certificações;

  • competências técnicas.

O problema não está necessariamente no sistema.

O problema aparece quando o currículo foi criado apenas para impressionar visualmente uma pessoa, mas não para ser compreendido por uma máquina.

Patrick Jane diria:

— O sistema não está escondendo a verdade. Ele está apenas interpretando os sinais que você deixou.


3. O currículo como um arquivo de entrada

Para compreender um currículo ATS Friendly, pense em um arquivo sequencial utilizado por um programa COBOL.

Imagine este layout:

01 REGISTRO-CANDIDATO.
   05 NOME-CANDIDATO        PIC X(50).
   05 CARGO-PRETENDIDO      PIC X(40).
   05 EXPERIENCIA           PIC X(500).
   05 COMPETENCIAS          PIC X(300).
   05 FORMACAO              PIC X(200).
   05 CERTIFICACOES         PIC X(300).

Agora imagine que alguém decida colocar o nome dentro de uma imagem, as competências dentro de um gráfico, as datas dentro de um rodapé e o telefone em uma caixa lateral.

Para uma pessoa, o currículo pode parecer bonito.

Para o ATS, o registro pode chegar assim:

NOME-CANDIDATO: EM BRANCO
CARGO-PRETENDIDO: NÃO IDENTIFICADO
COMPETENCIAS: PARCIAL
DATAS: INCONSISTENTES
TELEFONE: NÃO LOCALIZADO

Esse é o coração da questão.

Um currículo ATS Friendly não precisa ser feio.

Ele precisa ser estruturado.

A informação deve estar no lugar certo.

Os títulos devem ser claros.

As palavras devem estar escritas como texto.

O documento deve permitir que o sistema entenda sua história profissional sem depender de interpretação visual.



4. O primeiro princípio: simplicidade operacional

No mainframe, simplicidade não significa falta de poder.

Um JCL limpo, bem indentado e corretamente documentado pode executar uma tarefa crítica durante décadas.

Com o currículo acontece a mesma coisa.

Um currículo simples pode ser extremamente eficiente.

O formato mais seguro costuma utilizar:

  • uma única coluna;

  • títulos tradicionais;

  • texto alinhado;

  • listas simples;

  • datas claras;

  • nomes completos das tecnologias;

  • poucas variações de fonte;

  • espaçamento consistente.

Evite transformar o currículo em um pôster publicitário.

O objetivo não é criar uma propaganda de perfume.

O objetivo é facilitar a leitura técnica e humana.

O recrutador precisa encontrar rapidamente as informações relevantes.

O ATS também.



5. Layout de uma coluna

Currículos com duas ou três colunas podem causar problemas de interpretação.

Imagine que o ATS leia primeiro toda a coluna da esquerda e depois toda a coluna da direita. Informações que visualmente estavam relacionadas podem ser reorganizadas de forma incorreta.

Por exemplo:

IBM                     COBOL
Analista de Sistemas    CICS
2022 – Atual            Db2

Visualmente, isso pode parecer perfeito.

Mas o sistema pode interpretar:

IBM COBOL Analista de Sistemas CICS 2022 Atual Db2

O texto perde a estrutura.

Para evitar isso, prefira:

IBM
Analista de Sistemas
Janeiro de 2022 – Atual

Tecnologias:
COBOL, CICS, Db2, JCL e z/OS.

Simples.

Direto.

Sem mágica.

Patrick Jane observaria a página por alguns segundos e diria:

— A resposta estava diante de você. O excesso de design estava escondendo a informação.


6. Títulos tradicionais são seus aliados

Um ATS procura padrões conhecidos.

Por isso, use títulos como:

  • Resumo Profissional;

  • Objetivo Profissional;

  • Experiência Profissional;

  • Formação Acadêmica;

  • Certificações;

  • Competências Técnicas;

  • Idiomas;

  • Projetos;

  • Cursos Complementares.

Evite títulos criativos demais, como:

  • Minha Jornada;

  • Meus Superpoderes;

  • O Que Eu Faço de Melhor;

  • Minha Caixa de Ferramentas;

  • Aventuras Profissionais;

  • Grandes Batalhas.

Esses títulos podem ser simpáticos em um portfólio, mas não são ideais em um currículo destinado a processos automatizados.

Um sistema procura “Experiência Profissional”.

Ele pode não compreender que “Minhas Grandes Batalhas” significa a mesma coisa.

No Bellacosa Mainframe, criatividade é muito bem-vinda.

Mas até um Jedi precisa preencher corretamente o layout do arquivo.


7. Palavras-chave: o vocabulário secreto da vaga

As palavras-chave são um dos elementos mais importantes do currículo ATS Friendly.

Suponha que a vaga mencione:

  • Enterprise COBOL;

  • CICS Transaction Server;

  • Db2 for z/OS;

  • JCL;

  • VSAM;

  • Git;

  • Jenkins;

  • Agile;

  • APIs REST;

  • z/OS Connect.

Seu currículo deve incluir os termos que realmente fazem parte da sua experiência.

Não basta escrever apenas:

Experiência em tecnologias mainframe.

Essa frase é genérica demais.

É melhor escrever:

Experiência acadêmica e prática com COBOL, JCL, Db2 for z/OS, CICS, VSAM e ambiente z/OS.

Ou:

Desenvolvimento de programas COBOL para processamento batch, utilizando JCL, datasets sequenciais e arquivos VSAM.

Ou:

Projeto de integração entre aplicação COBOL e API REST por meio de conceitos de z/OS Connect.

Perceba que as palavras-chave aparecem dentro de um contexto real.

Isso é importante.

O currículo não deve parecer uma lista aleatória de tecnologias.

Ele deve mostrar como você utilizou ou estudou cada competência.



8. Não pratique keyword stuffing

Existe uma técnica ruim conhecida como keyword stuffing, que consiste em repetir palavras-chave de forma exagerada para tentar enganar sistemas de busca.

No currículo, isso poderia parecer assim:

COBOL COBOL COBOL CICS DB2 COBOL JCL CICS DB2 MAINFRAME MAINFRAME COBOL.

Isso não ajuda.

Além de tornar o texto artificial, pode prejudicar a leitura humana.

O recrutador quer compreender:

  • o que você sabe;

  • onde aprendeu;

  • como utilizou;

  • qual resultado alcançou;

  • qual seu nível de contato com a tecnologia.

A palavra-chave precisa aparecer naturalmente.

Patrick Jane não se impressionaria com repetições.

Ele perguntaria:

— Você realmente conhece CICS ou apenas escreveu CICS sete vezes?

  • O que é keyword stuffing

https://eljefemidnightlunch.blogspot.com/2013/01/csi-new-york-unidade-de-crimes-digitais.html


9. Como adaptar o currículo para uma vaga

Um dos maiores erros é enviar exatamente o mesmo currículo para todas as oportunidades.

Um currículo-base é importante, mas ele deve ser ajustado conforme a vaga.

Considere duas oportunidades.

Vaga A — Programador COBOL Batch

Requisitos:

  • COBOL;

  • JCL;

  • VSAM;

  • datasets;

  • SORT;

  • processamento batch.

Seu currículo deve destacar:

  • programas batch;

  • leitura e gravação de arquivos;

  • JCL;

  • SORT;

  • IDCAMS;

  • VSAM;

  • tratamento de retorno;

  • análise de ABEND.

Vaga B — Programador COBOL CICS

Requisitos:

  • COBOL;

  • CICS;

  • BMS;

  • Db2;

  • transações online;

  • COMMAREA;

  • mapas 3270.

Nesse caso, o currículo deve destacar:

  • CICS;

  • programas online;

  • LINK;

  • XCTL;

  • RETURN;

  • COMMAREA;

  • BMS;

  • Db2;

  • tratamento de erros SQL.

Você continua sendo a mesma pessoa.

Mas muda o foco da apresentação.

Isso não é manipulação.

É relevância.

Em programação, você não envia todos os campos de um banco de dados quando a API precisa apenas de cinco.

No currículo, você também prioriza aquilo que atende à consulta.


10. O resumo profissional

O resumo profissional é uma das primeiras áreas do currículo.

Ele deve apresentar rapidamente:

  • quem você é;

  • qual área busca;

  • quais tecnologias conhece;

  • qual valor oferece;

  • quais objetivos profissionais possui.

Para um programador COBOL iniciante, um exemplo poderia ser:

Profissional em formação na área de desenvolvimento IBM Mainframe, com conhecimentos em COBOL, JCL, Db2, VSAM e ambiente z/OS. Experiência prática em projetos acadêmicos envolvendo processamento batch, manipulação de arquivos e lógica estruturada. Busco oportunidade como programador COBOL júnior para aplicar conhecimentos técnicos, ampliar experiência em sistemas corporativos e contribuir com manutenção e modernização de aplicações críticas.

Observe que o resumo contém palavras-chave, mas também forma uma narrativa.

Não é apenas uma lista.

É uma apresentação.


11. Experiência profissional para quem ainda está começando

Muitos iniciantes dizem:

— Não tenho experiência. Meu currículo ficará vazio.

Isso não é verdade.

Experiência não significa apenas emprego formal.

Você pode incluir:

  • projetos acadêmicos;

  • bootcamps;

  • laboratórios;

  • desafios de código;

  • trabalho voluntário;

  • projetos pessoais;

  • exercícios relevantes;

  • repositórios GitHub;

  • participação em comunidades;

  • cursos com atividades práticas.

Por exemplo:

Projeto Acadêmico — Sistema de Cadastro em COBOL

Desenvolvimento de aplicação batch para inclusão, consulta e atualização de registros. Utilização de COBOL, JCL e arquivo sequencial. Implementação de validação de dados, tratamento de erros e geração de relatório de saída.

Outro exemplo:

Projeto Pessoal — Controle de Clientes com VSAM

Criação de programa COBOL para leitura e atualização de arquivo VSAM KSDS. Definição do cluster por meio de IDCAMS e execução do programa com JCL.

Outro:

Laboratório — Integração COBOL e Db2

Criação de consultas SQL embarcadas em programa COBOL, com tratamento de SQLCODE e exibição de mensagens de retorno.

Esses projetos demonstram aplicação prática.

O importante é ser honesto.

Não transforme um exercício de curso em cinco anos de experiência bancária.

Patrick Jane perceberia o exagero antes mesmo de você terminar a frase.


12. Use verbos de ação

As descrições ficam mais fortes quando começam com verbos objetivos.

Exemplos:

  • desenvolvi;

  • implementei;

  • analisei;

  • documentei;

  • corrigi;

  • automatizei;

  • testei;

  • integrei;

  • configurei;

  • monitorei;

  • otimizei;

  • participei;

  • apoiei;

  • criei;

  • mantive.

Compare:

Conhecimento de COBOL.

Com:

Desenvolvi programas COBOL para leitura, validação e processamento de arquivos sequenciais.

Compare:

Curso de JCL.

Com:

Criei e executei jobs JCL com etapas de compilação, linkedição e execução de programas COBOL.

Compare:

Noções de Db2.

Com:

Implementei consultas SQL em programas COBOL, utilizando SELECT, INSERT, UPDATE e tratamento de SQLCODE.

A segunda versão demonstra ação.


13. Competências técnicas

A seção de competências deve ser clara e organizada.

Exemplo:

Competências Técnicas

Linguagens:
COBOL, SQL e Python básico.

IBM Mainframe:
z/OS, TSO/ISPF, SDSF, JCL, VSAM, CICS e Db2.

Ferramentas:
Git, GitHub, Visual Studio Code e IBM Z Open Editor.

Conceitos:
Processamento batch, arquivos sequenciais, lógica estruturada, APIs REST e DevOps.

Essa estrutura ajuda tanto o ATS quanto o recrutador.

Evite barras gráficas como:

COBOL ████████ 80%
JCL  ██████ 60%
DB2  █████ 50%

Esses percentuais são subjetivos.

O que significa possuir 80% de COBOL?

Você sabe 80% de todas as instruções?

Domina 80% do compilador?

Resolve 80% dos ABENDs?

Conhece 80% do Language Environment?

Melhor indicar o contexto:

COBOL — projetos acadêmicos com processamento batch, arquivos sequenciais e VSAM.

Muito mais informativo.


14. Fontes e formatação

Utilize fontes comuns e fáceis de ler, como:

  • Arial;

  • Calibri;

  • Helvetica;

  • Verdana;

  • Times New Roman.

O tamanho pode variar, mas normalmente:

  • nome: entre 16 e 20 pontos;

  • títulos: entre 12 e 14 pontos;

  • corpo do texto: entre 10 e 12 pontos.

Não utilize cinco fontes diferentes.

Não transforme o currículo em um catálogo de estilos.

Um mainframe não precisa de luzes piscando para provar que processa milhões de transações.

Seu currículo também não.


15. Imagens, ícones e fotografias

Em currículos ATS Friendly, é mais seguro evitar:

  • fotografia;

  • logotipos;

  • ícones;

  • gráficos;

  • infográficos;

  • elementos decorativos;

  • textos dentro de imagens.

O problema não é apenas estético.

Um ícone de telefone pode não ser identificado como telefone.

Um ícone de e-mail pode não ser identificado como e-mail.

Por isso, escreva:

Telefone: +55 11 99999-9999
E-mail: nome@email.com
LinkedIn: linkedin.com/in/nome
GitHub: github.com/nome

Não dependa exclusivamente de símbolos.

Quanto à foto, sua inclusão depende do país, do mercado e da cultura local. Em muitos processos corporativos e internacionais, ela não é necessária.

Quando o objetivo principal é compatibilidade com ATS, a ausência de foto costuma simplificar o documento.


16. Cabeçalho e rodapé

Evite colocar informações críticas apenas no cabeçalho ou rodapé.

Alguns sistemas podem ignorar ou interpretar incorretamente essas áreas.

Não esconda seu telefone no rodapé.

Não coloque o e-mail apenas no cabeçalho.

Não deixe o LinkedIn em uma caixa flutuante.

Mantenha os contatos no corpo principal do documento, logo abaixo do nome.

Exemplo:

Vagner Bellacosa
Analista de Sistemas IBM Mainframe

Itatiba, São Paulo, Brasil
Telefone: +55...
E-mail: ...
LinkedIn: ...
GitHub: ...

17. Datas claras e consistentes

As datas devem seguir um padrão.

Exemplos adequados:

Janeiro de 2022 – Atual
01/2022 – Atual
2022 – 2025

Evite misturar formatos:

Jan 2022
02-23
Verão de 2024
Há três anos

O ATS trabalha melhor com consistência.

Além disso, datas claras facilitam a compreensão da evolução profissional.


18. PDF ou DOCX?

Os formatos mais comuns são:

  • DOCX;

  • PDF.

O DOCX costuma ser bem interpretado por diversos sistemas.

O PDF também pode funcionar muito bem, desde que tenha sido criado a partir de texto real.

Evite PDFs gerados como imagem.

Uma forma simples de testar é tentar selecionar o texto com o mouse.

Se você consegue copiar e colar o conteúdo normalmente, o documento provavelmente contém texto real.

Se toda a página se comporta como uma fotografia, o ATS pode ter dificuldade.

Quando a vaga informa um formato específico, siga exatamente a instrução.

Se ela pede DOCX, envie DOCX.

Se pede PDF, envie PDF.

Ignorar esse detalhe é como submeter um job com o nome errado do dataset e esperar que o sistema adivinhe.


19. Nome do arquivo

Nunca envie:

curriculo_final_novo_agora_vai_versao3.pdf

Use um nome profissional:

Vagner_Bellacosa_Curriculo_COBOL.pdf

Ou:

Vagner_Bellacosa_Mainframe_Developer.docx

O nome do arquivo também comunica organização.

Imagine o recrutador baixando 80 currículos chamados “curriculo.pdf”.

Seu nome precisa estar visível.


20. Ortografia e consistência

Erros de escrita prejudicam a credibilidade.

Revise:

  • nomes de tecnologias;

  • nomes de empresas;

  • datas;

  • cargos;

  • acentuação;

  • pontuação;

  • capitalização.

Escreva corretamente:

  • COBOL;

  • JCL;

  • CICS;

  • Db2;

  • z/OS;

  • VSAM;

  • GitHub;

  • Jenkins;

  • IBM Z.

Evite variações aleatórias como:

Cobol
COBOL
cobol
CÓBOL

Padronização demonstra cuidado.

Em ambientes corporativos, pequenos detalhes importam.

Uma letra errada em um dataset pode parar um job.

Uma letra errada em uma competência pode impedir que uma busca encontre seu perfil.


21. LinkedIn e currículo devem conversar

Seu currículo e seu LinkedIn não precisam ser idênticos, mas devem ser coerentes.

Se o currículo diz que você trabalhou de 2020 a 2024 em determinada empresa, e o LinkedIn informa 2021 a 2023, surge uma inconsistência.

Se o currículo apresenta experiência com COBOL e o LinkedIn não menciona mainframe em nenhum lugar, o recrutador pode ter dúvidas.

Mantenha alinhados:

  • cargos;

  • empresas;

  • períodos;

  • tecnologias;

  • certificações;

  • formação;

  • projetos principais.

O LinkedIn pode ser mais detalhado.

O currículo deve ser mais focado.

Um é o arquivo completo.

O outro é a consulta otimizada.


22. GitHub para o programador COBOL iniciante

Um GitHub organizado pode compensar parcialmente a falta de experiência formal.

Você pode criar repositórios com:

  • programas COBOL;

  • JCLs;

  • exemplos de arquivos;

  • documentação;

  • desafios;

  • diagramas;

  • exercícios de Db2;

  • exemplos de CICS;

  • scripts auxiliares;

  • projetos de bootcamp.

Cada projeto deve possuir um README explicando:

  • objetivo;

  • tecnologias;

  • estrutura;

  • como executar;

  • exemplos de entrada;

  • exemplos de saída;

  • aprendizados.

No currículo, escreva:

GitHub: github.com/seuusuario

E destaque projetos relevantes:

Projeto: Cloud Status Checker em Python
Implementação de validador de status de CPU, memória e rede, com tratamento de entradas inválidas e classificação de operação normal, alerta ou incidente.

Mesmo um projeto simples pode demonstrar:

  • lógica;

  • validação;

  • clareza;

  • tratamento de erros;

  • documentação;

  • disciplina.



23. Passo a passo para criar um currículo ATS Friendly

Passo 1 — Leia a vaga como um investigador

Não envie o currículo imediatamente.

Leia com atenção.

Marque:

  • cargo;

  • tecnologias;

  • nível de experiência;

  • responsabilidades;

  • requisitos obrigatórios;

  • requisitos desejáveis;

  • idioma;

  • localização;

  • modelo de trabalho.

Crie uma lista das palavras mais importantes.

Exemplo:

COBOL
JCL
CICS
DB2
VSAM
GIT
AGILE
PRODUÇÃO
MANUTENÇÃO

Passo 2 — Compare com sua experiência

Separe em três grupos:

Conheço e já usei
Conheço por estudo
Ainda não conheço

Seja honesto.

Para aquilo que você estudou, use expressões como:

  • conhecimento acadêmico;

  • experiência em laboratório;

  • projeto pessoal;

  • treinamento prático;

  • familiaridade;

  • noções.

Passo 3 — Ajuste o resumo profissional

Inclua o cargo desejado e as competências mais relacionadas.

Passo 4 — Reorganize a experiência

Coloque primeiro as atividades mais relevantes para a vaga.

Passo 5 — Inclua palavras-chave naturalmente

Utilize as palavras da vaga quando elas forem verdadeiras em seu perfil.

Passo 6 — Remova elementos arriscados

Elimine:

  • colunas;

  • caixas de texto;

  • gráficos;

  • estrelas;

  • ícones excessivos;

  • fotografias desnecessárias.

Passo 7 — Revise o arquivo

Copie todo o conteúdo e cole em um editor de texto simples.

Observe se a ordem permanece compreensível.

Se o texto ficar embaralhado, o ATS também pode ter dificuldade.

Passo 8 — Salve corretamente

Use o formato solicitado e um nome profissional.

Passo 9 — Compare novamente com a vaga

Pergunte:

  • COBOL aparece?

  • JCL aparece?

  • O cargo está claro?

  • Os projetos estão descritos?

  • O nível de experiência está honesto?

  • O telefone está visível?

  • O GitHub está presente?

  • As datas estão consistentes?

Passo 10 — Envie e registre

Crie uma planilha com:

  • empresa;

  • vaga;

  • data;

  • versão do currículo;

  • link;

  • status;

  • retorno;

  • próxima ação.

Isso evita enviar arquivos diferentes sem controle.

No mainframe, chamamos isso de rastreabilidade.

No mundo da carreira, chamamos de não enlouquecer.



24. Modelo de estrutura ATS Friendly

NOME COMPLETO
Cargo ou área de interesse

Cidade – Estado – País
Telefone
E-mail
LinkedIn
GitHub

RESUMO PROFISSIONAL

Texto de quatro a seis linhas apresentando experiência, conhecimentos, tecnologias e objetivo profissional.

COMPETÊNCIAS TÉCNICAS

Linguagens:
COBOL, SQL, Python.

Mainframe:
z/OS, JCL, CICS, Db2, VSAM, TSO/ISPF, SDSF.

Ferramentas:
Git, GitHub, VS Code, IBM Z Open Editor.

EXPERIÊNCIA PROFISSIONAL

Empresa
Cargo
Mês/Ano – Mês/Ano

- Atividade ou resultado.
- Tecnologia utilizada.
- Problema resolvido.
- Participação no projeto.

PROJETOS

Nome do projeto
Tecnologias

- Objetivo.
- Implementação.
- Resultado.

FORMAÇÃO ACADÊMICA

Curso
Instituição
Ano de conclusão ou previsão.

CERTIFICAÇÕES E CURSOS

Nome da certificação ou curso
Instituição
Ano.

IDIOMAS

Português — Nativo
Inglês — Intermediário

25. O currículo humano e o currículo robô

Um bom currículo precisa agradar a dois públicos.

O primeiro é a máquina.

Ela deseja:

  • estrutura;

  • palavras-chave;

  • títulos conhecidos;

  • dados claros;

  • formatação simples.

O segundo é o ser humano.

Ele deseja:

  • clareza;

  • coerência;

  • resultados;

  • contexto;

  • personalidade profissional;

  • honestidade;

  • facilidade de leitura.

O erro é otimizar apenas para um lado.

Um currículo cheio de palavras-chave, mas sem narrativa, parece artificial.

Um currículo visualmente deslumbrante, mas ilegível por sistemas, pode desaparecer no processo.

O equilíbrio é a resposta.


26. Easter eggs escondidos no recrutamento

Easter egg 1 — O currículo não consegue substituir competência

Nenhuma técnica de ATS transforma alguém em especialista.

O currículo abre a porta.

A entrevista testa o conhecimento.

O trabalho confirma a experiência.

Easter egg 2 — O ATS não é uma máquina de aprovação

Ter um currículo ATS Friendly não garante entrevista.

Ele apenas reduz a chance de ser eliminado por problemas de estrutura.

Easter egg 3 — A palavra “mainframe” pode ser ampla demais

Sempre que possível, detalhe:

  • IBM Z;

  • z/OS;

  • COBOL;

  • CICS;

  • Db2;

  • IMS;

  • JCL;

  • VSAM;

  • RACF.

Easter egg 4 — Recrutadores também fazem buscas internas

Mesmo que você não seja escolhido para uma vaga, seu currículo pode permanecer no banco de talentos.

Palavras-chave corretas ajudam a ser encontrado futuramente.

Easter egg 5 — O nome do cargo importa

Se você procura vaga de “Mainframe Developer”, não esconda isso.

Use o título no resumo, desde que seja compatível com seu objetivo.

Easter egg 6 — Certificação sem contexto vale menos

Em vez de listar vinte cursos sem explicação, priorize os mais relevantes.

Easter egg 7 — Currículo não é autobiografia

Você não precisa contar tudo.

Precisa contar o que é relevante para a oportunidade.

Easter egg 8 — O currículo é uma API

Ele recebe uma requisição:

Precisamos de um programador COBOL júnior.

E deve responder com dados claros:

{
  "cobol": true,
  "jcl": true,
  "db2": "conhecimento acadêmico",
  "cics": "em desenvolvimento",
  "git": true,
  "disponibilidade": true
}

Easter egg 9 — Patrick Jane não confiaria em estrelas

Cinco estrelas em COBOL não significam nada.

Uma descrição concreta significa.

Easter egg 10 — O verdadeiro mentalista é o candidato preparado

Você não lê mentes.

Mas aprende a ler vagas.

Essa habilidade muda tudo.


27. Curiosidades para o Padawan COBOL

A palavra “tracking” em Applicant Tracking System significa acompanhamento.

Ou seja, o sistema não serve apenas para filtrar. Ele também pode acompanhar o candidato durante as etapas:

Inscrição
Triagem
Entrevista RH
Entrevista Técnica
Teste
Proposta
Contratação

Em algumas empresas, o recrutador adiciona comentários, avaliações e histórico de contato.

Outro detalhe interessante é que diferentes ATS podem interpretar o mesmo documento de formas diferentes.

Por isso, não existe um layout mágico universal.

A melhor estratégia continua sendo:

  • estrutura simples;

  • texto real;

  • títulos claros;

  • poucas colunas;

  • palavras-chave relevantes;

  • conteúdo honesto.

Outra curiosidade: alguns recrutadores não pesquisam apenas tecnologias.

Eles procuram também responsabilidades e contextos.

Por exemplo:

production support
incident management
batch processing
application maintenance
legacy modernization
code review
unit testing

Portanto, descrever atividades pode ser tão importante quanto listar ferramentas.



28. Erros comuns de iniciantes

Erro 1 — Currículo com quatro páginas sem necessidade

Para alguém no início da carreira, uma ou duas páginas geralmente são suficientes.

Erro 2 — Objetivo genérico

Busco uma oportunidade para crescer profissionalmente.

Isso serve para quase qualquer pessoa.

Prefira:

Busco oportunidade como programador COBOL júnior, com foco em desenvolvimento e manutenção de aplicações IBM Mainframe.

Erro 3 — Listar tudo que já ouviu falar

Conhecer o nome de uma tecnologia não significa dominá-la.

Erro 4 — Não incluir projetos

Para iniciantes, projetos são fundamentais.

Erro 5 — Usar linguagem passiva demais

Foi realizado um projeto.

Melhor:

Desenvolvi um projeto.

Erro 6 — Currículo sem resultado

Sempre que possível, mostre o que foi entregue.

Erro 7 — Misturar português e inglês sem lógica

Use o idioma solicitado pela vaga.

Erro 8 — Endereço completo

Normalmente cidade, estado e país são suficientes.

Não é necessário informar número da casa.

Erro 9 — Dados pessoais excessivos

Evite informações que não ajudam no processo.

Erro 10 — Mentir

Esse é o maior erro.

Em tecnologia, a verdade aparece rapidamente.


29. Como descrever conhecimentos ainda básicos

Você pode ser iniciante e ainda assim apresentar seu conhecimento de forma profissional.

Exemplos:

COBOL — conhecimento prático em programas batch, estruturas condicionais, arquivos sequenciais e relatórios.
JCL — criação de jobs para compilação, linkedição, execução e manipulação básica de datasets.
Db2 — conhecimentos em SQL, consultas, atualização de dados e tratamento de SQLCODE em COBOL.
CICS — familiaridade com conceitos de transação, COMMAREA, mapas BMS e comandos básicos.
Git — versionamento de código, commits, branches e uso de repositórios GitHub.

Essas descrições são claras e honestas.


30. A investigação final de Patrick Jane

Imagine Patrick Jane entrando na sala.

Sobre a mesa existem dois currículos.

O primeiro possui cores, gráficos, estrelas, três colunas e uma fotografia enorme.

O segundo possui texto simples, seções claras, palavras-chave relevantes e projetos objetivos.

Ele observa os dois.

Toma uma xícara de chá — infelizmente, ainda não descobriu o poder do café Bellacosa — e diz:

— O primeiro deseja ser admirado. O segundo deseja ser compreendido.

Essa é a essência de um currículo ATS Friendly.

Ser compreendido.

Pelo sistema.

Pelo recrutador.

Pelo gerente.

Pelo entrevistador técnico.

Você não precisa eliminar sua personalidade.

Você precisa organizar sua mensagem.

  • Conheça o Lovable

https://eljefemidnightlunch.blogspot.com/2024/11/lovable-o-dia-em-que-patrick-jane.html

Conclusão — O job precisa entrar em execução

Um currículo ATS Friendly é um currículo preparado para atravessar a primeira camada do processo seletivo.

Ele utiliza:

  • layout simples;

  • texto legível;

  • títulos tradicionais;

  • palavras-chave;

  • datas consistentes;

  • informações claras;

  • descrições objetivas;

  • projetos relevantes;

  • formatação compatível.

Para um programador COBOL iniciante, essa preparação é especialmente importante.

Você talvez ainda não tenha dez anos de experiência.

Mas pode demonstrar:

  • disciplina;

  • capacidade de aprender;

  • domínio da lógica;

  • projetos práticos;

  • conhecimento do ambiente IBM Z;

  • interesse em sistemas corporativos;

  • organização;

  • documentação;

  • vontade de evoluir.

O currículo não deve fingir que você é um sênior.

Ele deve provar que você está pronto para dar o próximo passo.

No Bellacosa Mainframe, aprendemos que nenhum job chega à produção sem passar por validação, teste, revisão e controle.

Sua carreira também precisa desse cuidado.

Leia a vaga.

Identifique as palavras-chave.

Ajuste seu currículo.

Revise a estrutura.

Elimine ruídos.

Destaque projetos.

Salve corretamente.

Envie com consciência.

E lembre-se:

O ATS não precisa gostar de você.

Ele precisa entender você.

O recrutador não precisa decifrar um enigma.

Ele precisa encontrar rapidamente aquilo que procura.

E você, jovem Padawan do COBOL, não precisa ler mentes como Patrick Jane.

Precisa apenas aprender a ler pistas.

Porque, no grande datacenter da carreira profissional, a oportunidade pode já estar no spool.

Só falta o seu currículo passar com:

MAXCC = 0000
CANDIDATO SELECIONADO PARA A PRÓXIMA ETAPA

☕ Que o café esteja quente, o currículo esteja legível e o job da sua carreira execute sem ABEND.

Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

IBM Champion IBM Z COBOL CICS Db2 z/OS Mainframe desde 1988
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