🧠 Glossário traduzido: cloudês → mainframês
Conhecimento básico sobre aplicações distribuídas para quem já leu dump sem café
ao estilo Bellacosa Mainframe | El Jefe Midnight Lunch
☕ Prólogo — quando a buzzword encontra o chão de fábrica
Todo mainframer já passou por isso:
entra numa reunião e alguém diz com convicção:
“Isso é stateless, escala sozinho e é cloud-native.”
O mainframer sorri por educação, mas pensa:
“Ok… em que horário isso cai?”
Este glossário não é para ridicularizar a cloud.
É para traduzir. Porque aplicações distribuídas não são magia — são mainframe sem disciplina (quando mal feitas).
1️⃣ Cloud-native → “Sistema que nasceu sem batch, mas vai pedir um” ☁️
Cloudês:
Aplicação projetada para rodar em containers, escalável e resiliente.
Mainframês:
Programa que não sabe onde roda, mas precisa sobreviver a restart, latência e falha parcial.
📌 Comentário Bellacosa:
Se não sobrevive a um recycle, não é cloud-native — é demo.
2️⃣ Stateless → “Estado escondido em algum lugar” 📦
Cloudês:
Serviço que não guarda estado.
Mainframês:
Estado foi empurrado para:
-
banco
-
cache
-
fila
-
ou pior: memória de outro serviço
😈 Easter egg:
Stateless absoluto só existe em apresentação de PowerPoint.
3️⃣ Microservices → “Monolito distribuído com mais chances de cair” 🧩
Cloudês:
Pequenos serviços independentes.
Mainframês:
Vários programas que agora falham separadamente e precisam de observabilidade.
📌 Regra de ouro:
Se você não sabe qual serviço caiu, não são microservices — são mistérios.
4️⃣ Event-driven → “MQ com marketing” 📣
Cloudês:
Arquitetura baseada em eventos assíncronos.
Mainframês:
PUT + GET + WAIT + REPROCESSAMENTO.
🔥 Comentário sincero:
Quem já confiou em MQ às cegas entende evento melhor que muito arquiteto cloud.
5️⃣ Retry → “GO TO sem vergonha” 🔁
Cloudês:
Tentativa automática em caso de falha.
Mainframês:
Reexecutar sem idempotência = duplicação garantida.
💣 Easter egg traumático:
Retry mal feito é como reprocessar batch sem limpar staging.
6️⃣ Observabilidade → “SMF que fala bonito” 📊
Cloudês:
Métricas, logs e traces correlacionados.
Mainframês:
SMF + RMF + JES + bom senso… só que agora em JSON.
📌 Tradução real:
Log sem contexto é só texto decorativo.
7️⃣ SRE → “Operação com diploma” ⏰
Cloudês:
Site Reliability Engineering.
Mainframês:
Quem já foi acordado por batch quebrado, só que agora mede erro por SLO.
😈 Comentário ácido:
SRE sem poder dizer “não” vira operador gourmet.
8️⃣ High Availability → “Requisito básico, não feature” 🧱
Cloudês:
Sistema sempre disponível.
Mainframês:
Se cair, alguém perde dinheiro.
🔥 Verdade inconveniente:
Mainframe nunca precisou explicar HA — ele sempre foi.
9️⃣ Chaos Engineering → “Desligar de propósito para aprender” 💥
Cloudês:
Testar resiliência causando falhas controladas.
Mainframês:
Fazer isso em produção sem aviso = demissão.
😈 Easter egg corporativo:
No mainframe, o caos sempre veio sem engenheiro.
🔟 Pipeline CI/CD → “JCL com autoestima” 🚀
Cloudês:
Automação de build e deploy.
Mainframês:
JOB com controle, rollback e responsabilidade.
📌 Tradução honesta:
Automatizar erro só faz errar mais rápido.
🧭 Passo a passo para sobreviver ao cloudês
1️⃣ Escute a buzzword
2️⃣ Traduza para conceito
3️⃣ Procure estado escondido
4️⃣ Pergunte sobre rollback
5️⃣ Exija observabilidade
6️⃣ Pense em produção, não em demo
7️⃣ Documente o óbvio
📚 Guia de estudo para mainframers curiosos
-
CAP Theorem (sem trauma)
-
Event-driven architecture
-
Observabilidade de ponta a ponta
-
Resiliência real
-
Arquitetura híbrida
-
Ferramentas APM (Instana, por exemplo)
📌 Dica Bellacosa:
Aprenda o suficiente para não ser enganado — nem arrogante.
🎯 Aplicações práticas no mundo real
-
Integração mainframe + cloud
-
Core bancário híbrido
-
APIs críticas
-
Governança técnica
-
Modernização sem suicídio operacional
🖤 Epílogo — 03:47, tudo verde no painel
Cloud não substituiu o mainframe.
Ela adotou seus problemas — só que com nomes novos.
El Jefe Midnight Lunch finaliza:
“Se você entende mainframe, já entende distribuído. Só faltava o dicionário.”
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