domingo, 30 de abril de 2017

🔥 JCL no z/OS V2R2 — o velho maestro regendo um data center moderno

 

Bellacosa Mainframe apresenta JCL V2R2 Job Control Language

🔥 JCL no z/OS V2R2 — o velho maestro regendo um data center moderno



📅 Datas importantes

  • Release (GA): abril de 2017

  • Final de suporte IBM: 30 de setembro de 2022

O z/OS V2R2 não reinventou o JCL — ele provou que o JCL ainda era essencial num mundo de APIs, containers e DevOps.


🧬 Contexto histórico

Quando o z/OS V2R2 chegou, o discurso no mercado era outro:
cloud, microservices, pipelines, YAML, JSON…

E lá estava o JCL, firme, rodando:

  • bancos centrais

  • bolsas de valores

  • seguradoras

  • governos

👉 O V2R2 marca a fase em que o mainframe deixa de pedir desculpa por existir e passa a dizer:

“Sim, sou legacy… e é por isso que você confia em mim.”


Job Control Language JCL V2R2

✨ O que há de novo (indiretamente) para o JCL no V2R2

O JCL em si muda pouco, mas o ambiente muda muito.

🆕 1. JCL convivendo com DevOps

  • Jobs disparados por:

    • Jenkins

    • schedulers modernos

    • pipelines CI/CD

  • JCL vira backend confiável de processos “modernos”

🆕 2. Melhor integração com DFSMS e storage moderno

  • Melhor uso de:

    • Extended Address Volumes (EAV)

    • volumes grandes

    • políticas SMS mais refinadas

🆕 3. JES2 mais robusto

  • Melhor gerenciamento de spool

  • Melhor restart e recovery

  • Mais previsibilidade em ambientes com milhares de jobs concorrentes


🔧 Melhorias práticas percebidas pelo mainframer

✔ Batch mais estável em ambientes gigantes
✔ Menos tuning “artesanal” de SPACE e UNIT
✔ Melhor convivência com workloads online e distribuídos
✔ JCL mais usado como contrato operacional, não só script

Nada de revolução sintática — o ganho foi maturidade operacional.


🥚 Easter Eggs (só pra quem viveu)

  • 🥚 Jobs escritos nos anos 90 continuavam rodando sem alteração

  • 🥚 Muitos ambientes V2R2 tinham JCL com comentários mais velhos que o operador 😅

  • 🥚 IEFBR14 seguia firme, mesmo com ferramentas modernas fazendo a mesma coisa

  • 🥚 O erro mais comum continuava sendo… DISP errado


💡 Dicas Bellacosa para quem trabalha com JCL no V2R2

🔹 Use IF / THEN / ELSE / ENDIF — pare de abusar do COND
🔹 Escreva comentários como se o job fosse durar 20 anos (porque vai)
🔹 Pense no JCL como:

infraestrutura como código… só que confiável

🔹 Não subestime:

  • retorno de código (RC)

  • análise de JESMSGLG

  • mensagens do system log


📈 Evolução do JCL até o V2R2

EraPapel do JCL
OS/360Controle de jobs batch
MVS / OS/390Automação corporativa
z/OS V1.xOrquestrador do data center
z/OS V2R2Fundamento confiável do mundo híbrido

👉 O JCL não compete com novas tecnologias — ele as sustenta.


📜 Exemplo de JCL no estilo “V2R2 consciente”

//BELLV22 JOB (ACCT),'JCL V2R2', // CLASS=A,MSGCLASS=X,NOTIFY=&SYSUID //* //STEP01 EXEC PGM=MYPROG //STEPLIB DD DSN=BELLACOSA.LOADLIB,DISP=SHR //SYSOUT DD SYSOUT=* //* //IF (STEP01.RC = 0) THEN //STEP02 EXEC PGM=IDCAMS //SYSPRINT DD SYSOUT=* //SYSIN DD * DELETE BELLACOSA.ARQ.OLD SET MAXCC = 0 /* //ENDIF

💬 Comentário Bellacosa:

“Esse job pode rodar hoje, amanhã ou daqui a 15 anos.
O mainframe muda — o JCL continua.”


🧠 Comentário final

O JCL no z/OS V2R2 representa o auge da maturidade:

  • Sem hype

  • Sem marketing exagerado

  • Sem ruptura

Apenas confiança operacional.

Enquanto o mundo discute a próxima moda, o JCL segue ali, discreto, garantindo que:

  • o salário caia na conta

  • o banco abra às 10h

  • o avião decole

🔥 JCL não é velho.
Velho é sistema que você não confia.


segunda-feira, 10 de abril de 2017

🧾 Parte 1 — Os Anos de Ouro: Quando o Crachá Valia Sonho

 


🧾 Parte 1 — Os Anos de Ouro: Quando o Crachá Valia Sonho

por Bellacosa Mainframe ☕💼

Houve um tempo — não muito distante — em que o emprego era quase um sacramento.
Você acordava cedo, vestia a melhor roupa, pegava o ônibus lotado e, ao bater o ponto, sentia um certo orgulho.
O crachá era mais que um cartão magnético: era o símbolo de pertencimento.
Era o “sou alguém” numa cidade que engolia anônimos.

Nos anos 80 e 90, o escritório ainda tinha alma.
O chefe conhecia o nome dos funcionários, o cafezinho era comunitário, o vale-transporte vinha em papel, e o salário — embora modesto — pagava o mês com dignidade.
Havia futuro.
Você podia começar como office-boy, virar, evoluindo como um Pokémon: auxiliar, auxiliar-técnico, técnico, analista,  coordenador, assistente, chefe,  quem sabe gerente, ou mesmo com muito esforço DIRETOR.

Era o tempo dos planos de carreira e das pastas de couro, dos carimbos, dos cheques nominais e da máquina de escrever elétrica que era disputada como se fosse um Tesla. Aqueles sortudos que podiam agendar hora de uso acesso aos Terminais 3270 dos Mainframe IBM.

📠 Curiosidade de época:
Havia um ritual quase sagrado chamado “hollerith”.
Você o recebia em papel, abria com cuidado, e lá estavam seus descontos, seus ganhos, e a prova viva de que você pertencia a algo que fazia sentido.
O mundo do trabalho era humano, previsível, quase paternal.

Comiamos marmitas esquentadas em aquecedores eletricos na sala de reunião transformada em um animado refeitorio improvisado.

E por mais que fosse duro, ainda havia uma relação de reciprocidade entre patrão e empregado.

👔 O pacto invisível

Trabalhar era um contrato de confiança.
Você se dedicava, e a empresa te retribuía.
O chefe tinha palavra, o funcionário tinha lealdade.
Os currículos eram impressos, as entrevistas eram olho no olho — e a palavra “colaborador” ainda não tinha sido inventada pra disfarçar o que se era de fato: empregado.

Havia almoço de fim de ano, amigo screto, festa na firma, cesta de Natal, e até o brinde com refrigerante quente na cozinha improvisada.
Pequenos gestos que, somados, criavam identidade.
O trabalho era mais que salário: era laço social.

💾 Easter-egg: O COBOL das relações humanas

Assim como o COBOL, o trabalho daquela época era direto, estruturado e confiável.
Sem loops infinitos de “feedbacks construtivos” ou “OKRs trimestrais”.
Você entregava, recebia, vivia.
E o sistema, por mais antigo que fosse, funcionava.

🕰️ Nostalgia com propósito

Hoje, pode parecer romantização.
Mas quem viveu sabe: havia mais pertencimento, menos performance.
Mais humanidade, menos “branding pessoal”.
O emprego era porto seguro, não uma roleta emocional.

O office-boy de 15 anos ainda acreditava que o crachá era uma chave — e, de certo modo, era mesmo.
Chave pra independência, pra autoestima, pra esperança.
O crachá valia sonho.
E sonhar, naquela época, ainda era gratuito.


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