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sexta-feira, 24 de maio de 2019

Do CPD ao Data Center

 

Bellacosa Mainframe do cpd ao data center


☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Do CPD ao Data Center

A Jornada da Computação Corporativa — O que Todo Programador COBOL Padawan Precisa Saber Sobre a Evolução dos Grandes Templos da Tecnologia

"O nome mudou. Os equipamentos mudaram. A velocidade mudou. Mas a missão continua exatamente a mesma: manter os dados vivos."


Introdução

Existe uma expressão que praticamente desapareceu do vocabulário dos profissionais mais jovens da informática.

CPD.

Quem começou a trabalhar na década de 70, 80 ou 90 dificilmente esquece essa sigla.

Era comum ouvir frases como:

"Vou até o CPD."

"O pessoal do CPD resolveu."

"O programa está parado no CPD."

Hoje quase ninguém fala isso.

O termo da moda virou Data Center.

Mas será que eles são exatamente a mesma coisa?

A resposta é não.

Embora ambos representem ambientes responsáveis pelo processamento das informações de uma empresa, existe uma enorme evolução tecnológica, organizacional e cultural entre um antigo CPD e um moderno Data Center.

Para um Programador COBOL Padawan entender isso é extremamente importante.

Porque o COBOL nasceu dentro dos CPDs.

E continua vivo dentro dos maiores Data Centers do planeta.

Vamos viajar por quase oitenta anos de história.


Antes do CPD

Voltemos aos anos 1940.

Os computadores daquela época eram monstruosos.

ENIAC.

UNIVAC.

IBM 701.

IBM 650.

Eles ocupavam salas inteiras.

Consumiam centenas de quilowatts.

Geravam muito calor.

Exigiam operadores especializados.

Não existia computador pessoal.

Computador era patrimônio nacional.

Somente governos, universidades e grandes empresas possuíam um.

Naquela época nem existia a expressão "Data Center".

Havia simplesmente:

Computer Room

ou

Machine Room

Ou seja:

Sala das Máquinas.


A origem do termo CPD

Quando os computadores começaram a ser usados comercialmente nos anos 60 e 70, surgiu a necessidade de criar departamentos exclusivos para cuidar deles.

No Brasil adotou-se a tradução:

Centro de Processamento de Dados

(CPD)

A palavra centro era importante.

Porque o computador era literalmente o centro de toda a empresa.

Todos os departamentos dependiam dele.

RH.

Financeiro.

Contabilidade.

Produção.

Estoque.

Folha de pagamento.

Tudo passava pelo CPD.


O que significava um CPD?

Imagine um prédio.

Dentro dele havia uma sala enorme.

Piso elevado.

Ar-condicionado potente.

Poucas pessoas podiam entrar.

Porta pesada.

Vidros escuros.

Muito silêncio.

No centro:

Um IBM System/360.

Depois um System/370.

Mais tarde um IBM 3090.

Ou um IBM 4381.

Ao redor existiam dezenas de equipamentos auxiliares.

Era praticamente um templo da computação.


O CPD era muito mais que um computador

Na verdade o computador era apenas uma pequena parte.

Um CPD normalmente possuía:

  • Mainframe

  • Unidades de fita magnética

  • Leitoras de cartão perfurado

  • Impressoras de linha

  • Consoles do operador

  • Controladoras

  • Discos removíveis

  • Unidades DASD

  • Painéis elétricos

  • Nobreaks

  • Geradores

  • Ar condicionado industrial

Tudo isso funcionando simultaneamente.


Por que o piso era elevado?

Essa é uma curiosidade clássica.

O famoso piso falso não existia apenas para esconder cabos.

Ali passavam:

  • energia elétrica

  • fibra óptica (mais recentemente)

  • cabos coaxiais

  • cabos de dados

  • tubos de refrigeração

  • sensores

  • aterramento

Além disso o ar frio era insuflado por baixo do piso.

O frio subia pelas grelhas exatamente onde os equipamentos estavam.

Esse conceito ainda existe em muitos Data Centers atuais.


O operador era quase um piloto de avião

Hoje quase tudo é automático.

Na década de 80 não era.

Existiam operadores trabalhando 24 horas.

Eles:

montavam fitas,

trocavam discos,

iniciavam jobs,

cancelavam jobs,

alimentavam impressoras,

reabasteciam formulários contínuos,

verificavam mensagens do console,

reiniciavam equipamentos.

Era uma profissão extremamente especializada.


O nascimento do Data Center

Nos anos 90 aconteceu uma revolução.

Os servidores começaram a ficar menores.

A arquitetura cliente-servidor cresceu.

Unix.

Windows NT.

Linux.

Sun.

HP.

DEC.

IBM RS/6000.

Em vez de um único computador gigantesco, passaram a existir centenas de servidores.

O antigo CPD começou a mudar.

Foi quando o termo internacional ganhou força:

Data Center

Centro de Dados.

Perceba a mudança.

Antes o foco era:

Processar dados.

Agora passou a ser:

Hospedar dados.

Disponibilizar serviços.

Conectar aplicações.

Executar virtualização.

Armazenar informações.

Oferecer alta disponibilidade.


O nome mudou porque a missão mudou

CPD focava em:

Processamento Batch.

Folha de pagamento.

Contabilidade.

Relatórios.

Lotes noturnos.

Data Center passou a focar em:

Internet.

Cloud.

APIs.

Virtualização.

Containers.

Microserviços.

IA.

Big Data.

Streaming.

Ambientes híbridos.

Hoje o processamento acontece continuamente.

24 horas.

365 dias.


O Mainframe desapareceu?

Não.

Esse é um dos maiores mitos da informática.

O que desapareceu foi o modelo centralizado do antigo CPD.

O Mainframe continua evoluindo.

Na verdade ele faz parte dos maiores Data Centers do mundo.

Bancos.

Companhias aéreas.

Seguradoras.

Governos.

Cartões de crédito.

Bolsa de valores.

Todos utilizam enormes Data Centers onde coexistem:

IBM Z

Linux

Windows

Storage

Cloud

Containers

OpenShift

Kubernetes

IA

Tudo integrado.

O mainframe deixou de ser "o computador" para se tornar um dos pilares da infraestrutura corporativa, convivendo com milhares de outros componentes.


A evolução dos equipamentos

Ontem

Mainframe

Fitas

Cartões

Impressoras

Terminais 3270

Discos removíveis

Controladoras dedicadas

Cabos grossos


Hoje

IBM Z

Blade Servers

Storage SAN

NAS

NVMe

SSD

GPUs

Switches Fibre Channel

Ethernet 400 Gb

Roteadores

Firewalls

Load Balancers

Appliances de Segurança

Clusters Kubernetes

Hipervisores

Cabines All Flash

Bibliotecas Robotizadas

Sistemas de Backup Imutável

Equipamentos de IA


O coração continua sendo a energia

Existe um detalhe curioso.

Mudou tudo.

Menos uma prioridade.

Energia.

Sem energia não existe Data Center.

Por isso encontramos:

UPS

Nobreaks

Baterias

Banco de baterias

Geradores Diesel

Geradores a Gás

Transformadores

Painéis elétricos redundantes

ATS (Automatic Transfer Switch)

PDU (Power Distribution Unit)

Barramentos inteligentes

Monitoramento em tempo real.

Nos grandes Data Centers existe redundância N+1, 2N ou até 2N+1 para garantir que uma falha não interrompa os serviços.


O ar-condicionado virou engenharia

Os antigos aparelhos de parede desapareceram.

Hoje encontramos:

CRAC

Computer Room Air Conditioner

e

CRAH

Computer Room Air Handler

Além disso:

Corredor frio.

Corredor quente.

Contenção de ar.

Sensores térmicos.

Resfriamento líquido.

Rear Door Heat Exchanger.

Immersion Cooling.

IA para otimização térmica.

Em instalações de alta densidade, especialmente com GPUs para IA, o resfriamento líquido está se tornando cada vez mais comum devido ao enorme consumo energético.


A evolução das equipes

No CPD existiam poucas funções.

Operador

Programador

Analista

Supervisor

Hoje um Data Center reúne dezenas de especialidades.

Infraestrutura

SysAdmin

Linux

Windows

Virtualização

VMware

Hyper-V

KVM


Redes

LAN

WAN

Wi-Fi

BGP

OSPF

SD-WAN


Mainframe

System Programmer

Storage Administrator

CICS

IMS

Db2

MQ

RACF

JES2

z/OS


Cloud

AWS

Azure

Google Cloud

IBM Cloud

OpenShift

Kubernetes

Terraform

Ansible


Segurança

SOC

Blue Team

Red Team

IAM

PAM

SIEM

EDR

XDR

Zero Trust


Observabilidade

Prometheus

Grafana

Elastic

OpenTelemetry

Splunk

Instana

Z APM Connect

RMF

SMF


DevOps

Git

GitHub

GitLab

Jenkins

Azure DevOps

IBM DBB

Zowe

ArgoCD

CI/CD


O armazenamento mudou completamente

Antes:

Discos enormes.

Pouca capacidade.

Caríssimos.

Hoje:

Petabytes.

Flash.

NVMe.

Object Storage.

Storage distribuído.

Snapshots.

Replicação síncrona.

Replicação assíncrona.

Deduplicação.

Compressão.

Immutable Backup.

Mesmo assim, conceitos clássicos de organização, integridade e recuperação continuam sendo fundamentais.


A segurança ganhou protagonismo

No antigo CPD bastava controlar quem entrava na sala.

Hoje isso está longe de ser suficiente.

Além da segurança física, um Data Center moderno precisa proteger:

  • identidade dos usuários;

  • aplicações;

  • APIs;

  • bancos de dados;

  • redes;

  • containers;

  • máquinas virtuais;

  • segredos e certificados;

  • criptografia em repouso e em trânsito;

  • monitoramento contínuo;

  • resposta a incidentes.

O prédio continua protegido, mas agora a "porta" também existe na internet.


A virtualização mudou tudo

Antigamente:

1 servidor.

1 sistema operacional.

1 aplicação.

Hoje:

Um único servidor pode hospedar centenas de máquinas virtuais.

Ou milhares de containers.

No IBM Z isso não é novidade.

LPARs, PR/SM e z/VM já permitiam consolidação e isolamento décadas antes de a virtualização se popularizar no mercado x86. Muitos conceitos considerados "modernos" em cloud nasceram primeiro no universo mainframe.


O Data Center virou uma nuvem

O usuário não sabe mais onde está seu sistema.

Pode estar:

São Paulo.

Dallas.

Frankfurt.

Tóquio.

Ou distribuído entre todos eles.

Essa é a essência do modelo híbrido.

O Data Center deixou de ser apenas um prédio.

Hoje ele pode ser uma combinação de infraestrutura própria, colocation e serviços em múltiplas nuvens públicas.


O papel do Programador COBOL nesse novo cenário

Muitos iniciantes imaginam que o programador COBOL trabalha isolado.

Na realidade, ele faz parte de um ecossistema muito maior.

Um programa COBOL pode:

  • acessar Db2;

  • publicar mensagens no IBM MQ;

  • consumir APIs REST via z/OS Connect;

  • trocar dados com microsserviços Java;

  • participar de pipelines CI/CD;

  • ser monitorado por observabilidade moderna;

  • executar em um IBM Z integrado à cloud.

Conhecer o ambiente onde sua aplicação roda é tão importante quanto conhecer a linguagem.


CPD x Data Center

CPDData Center
Foco em processamentoFoco em serviços e disponibilidade
Mainframe centralInfraestrutura distribuída
Batch predominanteBatch + tempo real
Operação manualAutomação e orquestração
Poucas equipesTimes multidisciplinares
Ambiente fechadoIntegração global
Equipamentos proprietáriosPlataformas híbridas
Escalabilidade limitadaEscalabilidade horizontal e vertical

Curiosidades

  • O termo CPD continua muito usado em empresas brasileiras antigas, especialmente bancos e órgãos públicos, mesmo quando a infraestrutura já é um Data Center moderno.

  • Muitos Data Centers de missão crítica ainda utilizam piso elevado, embora algumas instalações de alta densidade adotem outras soluções de distribuição de energia e refrigeração.

  • Grandes provedores de nuvem operam Data Centers com centenas de milhares de servidores, mas também utilizam tecnologias inspiradas em décadas de engenharia de ambientes críticos.

  • Um IBM Z atual ocupa muito menos espaço do que seus antecessores e oferece desempenho, segurança e eficiência energética incomparavelmente superiores.


O verdadeiro ensinamento

Existe um erro comum entre os iniciantes.

Pensar que CPD é apenas um nome antigo para Data Center.

Não é.

O CPD representava uma época em que o objetivo principal era processar informações.

O Data Center representa uma era em que é preciso processar, armazenar, proteger, integrar, escalar e disponibilizar dados e serviços continuamente, para usuários espalhados pelo mundo.

Apesar dessa transformação, um princípio nunca mudou.

Desde os cartões perfurados até a inteligência artificial, desde o IBM System/360 até o IBM z17, desde as fitas magnéticas até o armazenamento em flash distribuído, a missão permanece a mesma:

garantir que a informação certa esteja disponível, íntegra e segura, exatamente quando alguém precisar dela.

Esse é o legado dos antigos CPDs.

Esse é o coração dos modernos Data Centers.

E é exatamente nesse ambiente que o Programador COBOL Padawan continua escrevendo sistemas que movimentam bancos, governos, hospitais, seguradoras e empresas em todos os continentes.

Porque tecnologias evoluem, nomes mudam e equipamentos são substituídos. Mas a engenharia da informação — construída com disciplina, confiabilidade e décadas de experiência — continua sendo a verdadeira força que mantém o mundo funcionando, 24 horas por dia, 7 dias por semana.


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