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☕ Um Café no Bellacosa Mainframe
Pare de Escrever Prompts. Comece a Construir Skills.
O Que Todo Programador COBOL Padawan Precisa Saber Sobre a Próxima Evolução da Inteligência Artificial
"No início aprendemos comandos. Depois aprendemos linguagens. Em seguida construímos APIs. Agora estamos entrando na era em que ensinamos a Inteligência Artificial a trabalhar como um especialista."
Existe uma frase que tem aparecido cada vez mais entre desenvolvedores que utilizam Inteligência Artificial no dia a dia:
"Stop prompting Claude manually. Let Skills do it for you."
À primeira vista, parece apenas mais um slogan de marketing. Mas, na realidade, essa frase representa uma das maiores mudanças na forma como desenvolveremos software durante os próximos anos.
Se você é um Programador COBOL Padawan, provavelmente já percebeu que escrever um bom prompt pode ser trabalhoso. Toda vez é necessário explicar o contexto, informar a arquitetura, definir padrões, especificar tecnologias, lembrar convenções de nomenclatura, pedir documentação, solicitar testes e revisar o resultado.
Mas... e se todo esse conhecimento pudesse ser reutilizado?
É exatamente isso que as Skills fazem.
E, curiosamente, para quem trabalha com Mainframe, esse conceito é muito mais familiar do que parece.
Pegue seu café. Hoje vamos conversar sobre por que as Skills podem ser consideradas a próxima grande revolução da Engenharia de Software baseada em Inteligência Artificial.
A evolução da programação
Vamos fazer uma pequena viagem no tempo.
Na década de 1950 praticamente tudo era escrito em linguagem de máquina.
Cada instrução precisava ser codificada manualmente.
Depois surgiram os Assemblys.
Mais tarde vieram linguagens de alto nível como COBOL, FORTRAN e PL/I.
Na década de 70 surgiram bibliotecas reutilizáveis.
Nos anos 80 vieram as sub-rotinas compartilhadas.
Depois apareceram frameworks.
APIs.
Microserviços.
Containers.
Cloud.
Agentes de IA.
E agora...
Skills.
Cada etapa teve um objetivo:
Evitar reinventar a roda.
As Skills levam exatamente essa filosofia para a Inteligência Artificial.
O problema dos prompts gigantes
Imagine pedir ao Claude:
Desenvolva uma API Java usando Spring Boot 3.5, Java 21, PostgreSQL, JWT, Swagger, arquitetura hexagonal, DDD, testes JUnit, integração com Docker, documentação OpenAPI e siga os padrões Clean Code da empresa.
Na primeira vez funciona.
Na segunda também.
Na terceira...
Você percebe que está copiando o mesmo prompt enorme.
Todos os dias.
Isso é desperdício.
É como escrever toda a rotina de cálculo de juros dentro de cada programa COBOL.
Nenhum programador experiente faria isso.
Ele criaria uma rotina reutilizável.
A analogia perfeita para quem programa COBOL
Imagine um sistema bancário.
Você precisa validar um CPF.
Poderia escrever centenas de linhas.
Ou simplesmente fazer:
CALL 'CPFVALID'
Precisa calcular juros?
CALL 'CALCJUROS'
Precisa gravar auditoria?
CALL 'LOGAUDIT'
O programa não precisa conhecer os detalhes.
Ele apenas utiliza um módulo especializado.
As Skills funcionam exatamente assim.
Só que, em vez de encapsular código, elas encapsulam inteligência.
Então... o que é uma Skill?
Muitos acreditam que uma Skill é apenas um prompt salvo.
Isso está longe da realidade.
Uma Skill pode conter:
Prompt especializado
Conhecimento técnico
Exemplos Few-Shot
Ferramentas
MCPs
APIs
Memória
Fluxos de decisão
Templates
Regras corporativas
Boas práticas
Padrões arquiteturais
Na prática, ela funciona como um especialista virtual.
Você não conversa mais com uma IA genérica.
Você conversa com um especialista treinado para resolver exatamente aquele problema.
Imagine um Programador COBOL dentro da IA
Pense em um profissional com trinta anos de experiência em Mainframe.
Ele conhece:
COBOL
CICS
DB2
VSAM
JCL
RACF
MQ
JES2
SDSF
SMF
Agora imagine transformar toda essa experiência em uma Skill.
Sempre que alguém precisar analisar um programa COBOL, basta chamar:
COBOL Senior Reviewer
Ela já sabe:
padrões IBM
performance
boas práticas
otimização
compatibilidade
segurança
Sem precisar explicar tudo novamente.
Development / Tech
A primeira categoria apresentada na imagem talvez seja a mais impressionante.
Ela mostra como a IA está deixando de ser apenas um gerador de código para se tornar um verdadeiro membro da equipe de desenvolvimento.
1. Autonomous Coding Agent
Até pouco tempo atrás dizíamos:
Escreva uma função.
Hoje podemos dizer:
Desenvolva todo o sistema.
A Skill analisa requisitos.
Planeja.
Escolhe arquitetura.
Implementa.
Executa testes.
Refatora.
Documenta.
Corrige problemas.
Tudo automaticamente.
É praticamente um desenvolvedor digital.
Imagine isso no Mainframe
Você informa:
"Precisamos modernizar este sistema COBOL."
A Skill poderia:
Analisar milhares de programas.
Localizar dependências.
Encontrar COPYBOOKS.
Gerar documentação.
Descobrir programas mortos.
Mapear chamadas.
Produzir diagramas.
Criar APIs REST.
Gerar testes.
Tudo isso sem intervenção humana.
Isso não é ficção.
Já existem ferramentas caminhando exatamente nessa direção.
2. MCP Server Builder
Aqui entramos em um conceito extremamente importante.
MCP significa Model Context Protocol.
Pense nele como um "CICS" da Inteligência Artificial.
Assim como o CICS conecta programas COBOL a diversos recursos corporativos, o MCP conecta modelos de IA a ferramentas externas.
Imagine Claude acessando:
DB2.
GitHub.
Jenkins.
Jira.
Confluence.
VS Code.
ServiceNow.
Sem copiar informações manualmente.
O sonho de qualquer Analista de Produção
Imagine perguntar:
Existe algum JOB que falhou hoje?
A Skill consulta o JES2.
Lê o SDSF.
Analisa o SYSOUT.
Localiza o ABEND.
Consulta a documentação.
Propõe uma solução.
Tudo em segundos.
3. Parallel Coding
Uma das maiores limitações humanas é que conseguimos fazer apenas uma tarefa por vez.
Os agentes de IA não possuem essa limitação.
Imagine cinco especialistas trabalhando simultaneamente.
Um desenvolve.
Outro testa.
Outro documenta.
Outro revisa segurança.
Outro produz diagramas.
Enquanto você toma café.
Isso lembra muito o Batch
Quem trabalha em Mainframe sabe que um JOB possui vários passos.
Cada STEP executa uma função.
As Skills seguem uma lógica parecida.
Diversos agentes trabalham em paralelo.
Cada um especialista em uma etapa.
4. Navegando milhões de linhas COBOL
Imagine um banco.
20 milhões de linhas.
6 mil programas.
12 mil COPYBOOKS.
Milhares de JCLs.
Você pergunta:
Onde é calculado o IOF?
A Skill percorre toda a base.
Encontra todos os programas.
Mostra quem chama quem.
Identifica impactos.
Em minutos.
É praticamente um Google especializado em código-fonte.
5. Migração automática
Durante décadas ouvimos falar em modernização.
Agora ela começa a ganhar novas ferramentas.
Uma Skill especializada pode auxiliar em:
COBOL → Java
PL/I → C#
Java 8 → Java 21
Spring antigo → Spring Boot moderno
AngularJS → React
Embora ainda exija validação humana, a produtividade aumenta enormemente.
Pesquisa Inteligente
Outra categoria extremamente poderosa é Research.
Ela transforma informação em conhecimento.
Não é apenas pesquisar no Google.
É estudar.
Cruzar fontes.
Comparar versões.
Detectar inconsistências.
Produzir relatórios.
Deep Research Agent
Imagine pedir:
Explique toda a evolução do COBOL desde 1959 até o padrão ISO atual.
Uma Skill pode trabalhar durante horas.
Consultar documentação IBM.
Normas ISO.
Livros.
Artigos.
White Papers.
Gerar um documento técnico extremamente rico.
Competitive Intelligence
Imagine comparar:
IBM Z
AWS
Azure
Google Cloud
Ela produz gráficos.
SWOT.
Custos.
Vantagens.
Desvantagens.
Riscos.
Tudo organizado.
Base de Conhecimento Corporativa
Talvez essa seja uma das aplicações mais valiosas.
Imagine alimentar uma Skill com:
Manuais IBM.
Normas internas.
Padrões da empresa.
Arquiteturas.
Procedimentos.
Políticas.
Agora qualquer desenvolvedor pergunta:
Como devo implementar uma transação CICS THREADSAFE?
Resposta instantânea.
Baseada na documentação oficial da empresa.
Produtividade
Essa categoria provavelmente será a primeira adotada pela maioria das empresas.
Porque gera retorno imediato.
Imagine um assistente que:
Organiza e-mails.
Resume reuniões.
Agenda tarefas.
Controla projetos.
Gera relatórios.
Integra Jira.
Integra Slack.
Integra Teams.
Integra GitHub.
Tudo automaticamente.
Claude Code
Essa categoria é voltada para Engenharia de Software profissional.
Ela inclui:
Revisão automática.
CI/CD.
GitHub.
Segurança.
Testes.
Infraestrutura.
Deploy.
É praticamente um DevOps virtual.
Segurança
Uma Skill especializada pode analisar:
SQL Injection.
Cross Site Scripting.
Dependências vulneráveis.
Tokens expostos.
Senhas.
Segredos.
Bibliotecas desatualizadas.
Tudo antes mesmo do deploy.
Testes
Quantas horas um desenvolvedor gasta escrevendo testes?
Agora imagine pedir apenas:
Gere todos os testes.
A Skill cria:
Unitários.
Integração.
Mock.
Playwright.
Selenium.
Carga.
Performance.
E ainda explica cada cenário.
E para quem trabalha com COBOL?
Aqui está uma oportunidade gigantesca.
Imagine criar Skills como:
COBOL Code Reviewer
Analisa padrões IBM.
Sugere melhorias.
Detecta GO TO desnecessários.
Encontra PERFORMs ineficientes.
Identifica tabelas mal definidas.
JCL Analyzer
Detecta:
Datasets inexistentes.
Passos redundantes.
Condições incorretas.
DISP inadequado.
Espaço insuficiente.
Melhorias de performance.
DB2 SQL Advisor
Analisa SQL.
Sugere índices.
Mostra access path.
Detecta tabelas problemáticas.
Recomenda RUNSTATS.
Explica o motivo.
CICS Performance Advisor
Analisa transações.
COMMAREA.
CHANNEL.
THREADSAFE.
Storage.
CPU.
Espera.
Sugere otimizações.
Abend Investigator
Recebe:
SYSOUT.
Dump.
Mensagens DFH.
Mensagens IEC.
Mensagens IEF.
Mensagens DSN.
Identifica automaticamente a causa raiz.
Creator Economy
Essa categoria interessa muito para quem produz conteúdo técnico.
Imagine escrever apenas:
COBOL Recursivo
A Skill gera automaticamente:
Artigo.
Newsletter.
LinkedIn.
Instagram.
Carrossel.
Quiz.
Vídeo.
Podcast.
Slides.
Infográfico.
E-book.
Tudo mantendo o mesmo estilo editorial.
O futuro pertence às Skills
Durante muitos anos acreditamos que o diferencial seria aprender a escrever prompts melhores.
Hoje já percebemos que isso é apenas uma etapa intermediária.
O verdadeiro patrimônio não será o prompt.
Será a Skill.
Ela concentra conhecimento.
Processos.
Ferramentas.
Experiência.
Boas práticas.
Integrações.
Memória.
Em outras palavras, ela captura aquilo que um profissional levou décadas para aprender.
A visão do Bellacosa Mainframe
Como Programador COBOL Padawan, talvez você esteja pensando:
"Isso tudo parece voltado apenas para quem desenvolve aplicações modernas."
Na verdade, ocorre justamente o contrário.
Os ambientes Mainframe possuem uma das maiores riquezas do mundo da tecnologia: conhecimento acumulado ao longo de décadas.
Existem regras de negócio escritas em COBOL que movimentam bilhões de reais diariamente. Existem sistemas que operam há quarenta anos porque foram projetados com robustez, disciplina e qualidade.
As Skills oferecem uma oportunidade inédita: transformar esse conhecimento em ativos reutilizáveis de Inteligência Artificial. Imagine uma Skill treinada para revisar programas COBOL segundo os padrões da sua empresa, outra especializada em explicar mensagens de ABEND, outra capaz de orientar novos profissionais na criação de JCLs ou na otimização de consultas Db2.
O papel do programador muda. Em vez de apenas escrever código, ele passa a ensinar a IA como um especialista pensa.
Esse talvez seja o maior legado que um profissional experiente pode deixar para as próximas gerações.
Porque, no fim das contas, a IA não substitui décadas de experiência. Ela amplia o alcance dessa experiência.
E é exatamente por isso que o futuro não pertence apenas a quem sabe programar.
Pertence a quem consegue transformar conhecimento em Skills inteligentes, reutilizáveis e escaláveis.
E tenho a impressão de que os Programadores COBOL Padawans que começarem essa jornada agora estarão entre os profissionais mais valiosos da próxima década.
Então, da próxima vez que abrir o Claude, faça uma reflexão antes de escrever um prompt enorme:
Será que este problema merece mais um prompt... ou já está na hora de criar uma Skill? ☕🚀