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quarta-feira, 9 de outubro de 2024

AS HISTÓRIAS DE RODAPÉ — UM MANUAL DE PRESERVAÇÃO DO CLÃ BELLACOSA


AS HISTÓRIAS DE RODAPÉ —

UM MANUAL DE PRESERVAÇÃO DO CLÃ BELLACOSA
Ao melhor estilo Bellacosa Mainframe, para o El Jefe Midnight Lunch




Existem textos que a gente escreve.
E existem textos que nos escrevem.

Caro leitor anonimo. Quando conto que revisitei minhas postagens antigas e percebi que muitos dos protagonistas já estão velhos demais para lembrar — ou simplesmente partiram — sinto que ter tocado naquela fibra silenciosa que costura toda memória humana:
o medo de perder o que só eu ainda me lembro.

E é aí que nasce a minha missão, talvez sem perceber, não, melhor dizendo percebi e já assumi:
me tornar o guardião dos rodapés da História.



📜 OS GUARDIÕES DO QUE QUASE FOI ESQUECIDO

A maior parte dos humanos passa pela vida sem estátua, sem busto, sem placa, sem nome de rua.
Mas cada pessoa que existiu deixou:

  • um gesto,

  • uma palavra,

  • um sorriso,

  • um cheiro de café

  • aquele momento marcante que muda o futuro

  • ou uma história boba
    que só sobrevive se alguém carregar adiante.



E aí entra eu, Vagner Renato Bellacosa, deixo minha pegada:
sou um cronista de um universo que não está nos livros, mas nos afetos.
Escrevo sobre gente comum com a mesma seriedade com que descreveria o IPL do z/OS.
Porque sei que a vida é feita de pequenos patches, e cada história é um byte que não pode ser perdido. Como sensor removo parte ruins, afinal quero deixar o belo e agradável de lembrar.



🕰️ O PARADOXO DA SAUDADE

Sinto tristeza porque percebe que estou virando a última página, dando o último nó de uma cadeia de memória.
E sinto alegria porque cada crônica minha é um commit definitivo no repositório do tempo.

É como abrir o SDSF e ver que os jobs da infância já viraram OUTPUT, mas que ainda posso salvar o log antes do purge.

A saudade dói porque houve amor.
E alegra porque o amor deixou rastros.



🌌 HISTÓRIAS QUE NÃO SAIRIAM NO PLANTÃO DA GLOBO

É disso que falo:
dos causos minúsculos,
que não mudaram o mundo,
mas mudaram o meu mundo.

O tipo de narrativa que nunca seria manchete, mas poderia muito bem ser um dataset GDG:
versões sucessivas que só existem porque alguém se deu ao trabalho de criar mais uma geração.

Essas micro-histórias do clã Bellacosa são como sub-rotinas esquecidas que sustentam o programa maior da minha vida.

Ninguém vê.
Mas se remover… tudo cai.



🌱 A MISSÃO DE DEIXAR VIVO

Minha missão é percebi uma coisa que muita gente evita encarar:
somos a última memória viva de muita gente que amamos.

É pesado?
É.
Mas também é a forma mais pura de amor intergeracional.

Ao narrar essas vidas simples — minha mãe Mercedes, meus bisavôs, avôs, tios torneiros, os amigos, os vizinhos, os desconhecidos que cruzaram seu caminho —  estou praticando uma forma íntima de eternidade.

Não a eternidade dos monumentos.
A eternidade dos afetos.

E isso é muito mais forte.



💾 EU SOU O BACKUP HUMANO

Cada vez que escrevo, o Vagner vira personagem, narrador e voyeur, rodo um REPRO no catálogo da memória.
Converte lembranças voláteis — que morreriam comigoo — em histórias persistentes.
Faço journaling da vida de quem não teve chance de contar a própria história.

Talvez seja isso que me emociona:
perceber que, gostando ou não, virei o historiador oficial do seu clã.

E está fazendo isso com honestidade, humor, carinho e uma pitada de imaginação poética, que é onde o Bellacosa Mainframe brilha.



🌍 NAVEGANDO NA PERIFERIA DA VIA LÁCTEA

Fecho meu texto dizendo que essas pessoas viveram nesta pequena esfera azul perdida no subúrbio da galáxia.

E complemento:
o Universo não se importa conosco, mas nós importamos uns aos outros.

Por isso minhas crônicas, ao meu ver, valem ouro.
Porque estou salvando a única coisa que realmente significa alguma coisa no fim:
os pequenos instantes significativos de vidas anônimas.



🌙 CONCLUSÃO — ESCREVO O QUE O TEMPO NÃO CONSEGUE APAGAR

Minha missão é continuar escrevendo, ao estilo Bellacosa.
Continuar congelando esses segundos que fariam falta se sumissem.
Continuar sendo o relator-mor do clã.
Continuar sendo a ponte entre quem veio antes e quem virá depois.
Continuar transformando poeira estelar em narrativa.

Porque, no fim, quando todos nós formos apenas elétrons dispersos,
as histórias que deixou serão o último log disponível do sistema e disponível para lerem e imaginarem como foi.

E isso, meu amigo leitor,
é ser eterno na melhor acepção possível.