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sexta-feira, 23 de setembro de 2011

O Barbapappa viaja para Portugal

A aventura do Barbapappa e seu amigo.

Meu filho adorava assistir o desenho do Barbapappa, após minha mudança para Milão, um dia caminhando pela rua, vi uma loja de brinquedos e qual a minha surpresa ao me deparar com este boneco do Barbapappa.



Sem comentar nada, compro e fico aguardando uma oportunidade para retornar a Portugal. Quando consigo a folga necessária, parte eu e meu amigo cor de rosa. 

Meio excêntrico da minha parte, fiz todo o documentário da viagem do Barbapappa, primeiro metro ate a estação de trem, depois pegamos o trem em Milano Centrale com destino ao aeroporto internacional de Malpensa. Sempre como o Barba comportado sentado, tirando fotos, usando o computador e olhando a paisagem.

No avião comportado, o Barba colocou o cinto e ficou aguardando instruções, sempre olhando apreensivo pela janela. Fomos batendo aquele papo, algo que divertiu muito a comissária de bordo que até trouxe um drink para ele.

Ao chegarmos em Portugal o reencontro com o meu filho, foi a maior alegria, fizemos uma super festa e o novo amigo enfim chegou a casa nova.



O que são os Barbapappas?


Se você cresceu entre os anos 1970 e 1980, como eu, existe uma grande chance de os Barbapapas estarem guardados em algum canto macio da sua memória RAM emocional. Eles não eram apenas um desenho animado — eram quase um sistema operacional infantil, rodando em background na nossa formação.

Os Barbapapas surgiram na França, criados por Annette Tison e Talus Taylor, e tinham uma premissa absurdamente simples e genial: formas vivas que se transformavam em qualquer coisa. Barbapapá, Barbamamá e aquela penca de filhotes coloridos eram literalmente blobs conscientes. Hoje eu olho para eles e penso: isso era programação orientada a objetos para crianças, muito antes da gente falar de polimorfismo no mundo adulto.

Cada Barbapapa tinha uma cor, uma personalidade e uma função bem definida. Barbazul era o inventor, Barbalala a artista, Barbacuca o intelectual, Barbabella a vaidosa… parecia até um time bem montado de um data center emocional. Nada de competição tóxica: cada um contribuía com o que sabia fazer melhor. Uma lição de arquitetura social disfarçada de desenho.

E o mais curioso: eles não resolviam problemas com violência. Transformavam-se em pontes, casas, barcos, instrumentos musicais. O conflito era tratado com criatividade, não com pancadaria. Isso, nos anos 70 e 80, era quase revolucionário.

Os Barbapapas também tinham uma forte mensagem ecológica. Amavam a natureza, respeitavam o planeta e viviam em harmonia com o ambiente. Era ESG antes do termo existir, rodando em modo batch na nossa infância.

Hoje, olhando com olhos de mainframeiro calejado, vejo os Barbapapas como um manifesto silencioso: adaptabilidade é sobrevivência. Quem não se transforma, quebra. E eles se transformavam o tempo todo — sem perder a essência.

No fundo, os Barbapapas nos ensinaram que flexibilidade, cooperação e imaginação são recursos tão valiosos quanto qualquer CPU poderosa. E isso, convenhamos, é uma baita lição para qualquer geração.