A aventura do Barbapappa e seu amigo.
Meu filho adorava assistir o desenho do Barbapappa, após minha mudança para Milão, um dia caminhando pela rua, vi uma loja de brinquedos e qual a minha surpresa ao me deparar com este boneco do Barbapappa.O que são os Barbapappas?
Se você cresceu entre os anos 1970 e 1980, como eu, existe uma grande chance de os Barbapapas estarem guardados em algum canto macio da sua memória RAM emocional. Eles não eram apenas um desenho animado — eram quase um sistema operacional infantil, rodando em background na nossa formação.
Os Barbapapas surgiram na França, criados por Annette Tison e Talus Taylor, e tinham uma premissa absurdamente simples e genial: formas vivas que se transformavam em qualquer coisa. Barbapapá, Barbamamá e aquela penca de filhotes coloridos eram literalmente blobs conscientes. Hoje eu olho para eles e penso: isso era programação orientada a objetos para crianças, muito antes da gente falar de polimorfismo no mundo adulto.
Cada Barbapapa tinha uma cor, uma personalidade e uma função bem definida. Barbazul era o inventor, Barbalala a artista, Barbacuca o intelectual, Barbabella a vaidosa… parecia até um time bem montado de um data center emocional. Nada de competição tóxica: cada um contribuía com o que sabia fazer melhor. Uma lição de arquitetura social disfarçada de desenho.
E o mais curioso: eles não resolviam problemas com violência. Transformavam-se em pontes, casas, barcos, instrumentos musicais. O conflito era tratado com criatividade, não com pancadaria. Isso, nos anos 70 e 80, era quase revolucionário.
Os Barbapapas também tinham uma forte mensagem ecológica. Amavam a natureza, respeitavam o planeta e viviam em harmonia com o ambiente. Era ESG antes do termo existir, rodando em modo batch na nossa infância.
Hoje, olhando com olhos de mainframeiro calejado, vejo os Barbapapas como um manifesto silencioso: adaptabilidade é sobrevivência. Quem não se transforma, quebra. E eles se transformavam o tempo todo — sem perder a essência.
No fundo, os Barbapapas nos ensinaram que flexibilidade, cooperação e imaginação são recursos tão valiosos quanto qualquer CPU poderosa. E isso, convenhamos, é uma baita lição para qualquer geração.
