| Bellacosa Mainframe dicas para criar prompts de ia melhores e mais abrangentes |
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Muito Além do "Escreva um Artigo"
Como um Programador COBOL Padawan Pode Aprender Engenharia de Prompt e Conversar com IA Como um Arquiteto IBM Z
"A diferença entre um programador júnior e um especialista raramente está na linguagem que ele conhece. Está na qualidade das perguntas que ele faz."
Imagine a seguinte situação.
São 8h30 da manhã.
Você acabou de entrar no TSO.
Depois de alguns segundos aparece a velha tela verde.
Você abre o SDSF.
Olha a fila.
Mais de 5.000 jobs.
Centenas de programas COBOL.
DB2.
IMS.
CICS.
MQ.
VSAM.
JCL para todos os lados.
Então alguém chega e pergunta:
— "Você conhece COBOL?"
Você responde:
— "Conheço."
Mas alguns minutos depois a mesma pessoa faz outra pergunta.
— "Como o sistema inteiro funciona?"
É aí que muitos programadores percebem que escrever código é apenas uma pequena parte da profissão.
Com Inteligência Artificial acontece exatamente a mesma coisa.
Quase todo mundo sabe escrever:
Escreva um artigo sobre COBOL.
Pouquíssimos sabem construir um pensamento.
E é justamente isso que diferencia quem apenas usa IA de quem trabalha lado a lado com ela.
Hoje vamos conversar sobre isso.
Pegue seu café.
O maior erro de um Padawan
Quando começamos em COBOL fazemos perguntas assim.
Como faço um READ?
Depois evoluímos.
Como funciona um VSAM KSDS?
Mais tarde.
Quando devo utilizar ESDS ao invés de DB2?
Depois.
Qual arquitetura suporta melhor processamento distribuído mantendo consistência ACID?
Percebeu?
As perguntas ficaram maiores.
Mais inteligentes.
Mais completas.
Com IA acontece exatamente igual.
A IA não lê pensamentos
Este talvez seja o maior Easter Egg deste artigo.
A IA possui bilhões de parâmetros.
Conhece milhões de livros.
Documentações.
Artigos.
Normas.
Código.
Mas existe uma coisa que ela nunca saberá.
O que você realmente queria.
Ela precisa inferir.
Quanto menos contexto você fornece...
Mais ela precisa adivinhar.
E adivinhações nunca são boas em engenharia.
Pense como um Sysprog
Um Sysprog nunca instala um produto IBM digitando apenas
INSTALL
Existe documentação.
Pré-requisitos.
SMP/E.
PTFs.
HOLDDATA.
CSI.
Libraries.
Parâmetros.
Porque sistemas complexos exigem contexto.
A IA também.
Um Prompt é Igual a um JCL
Esse é um paralelo que quase ninguém faz.
Observe.
Um JOB possui:
JOB
EXEC
DD
SYSIN
PARM
COND
REGION
CLASS
MSGCLASS
Cada linha informa uma intenção ao sistema.
Agora veja um prompt moderno.
ROLE
OBJECTIVE
AUDIENCE
CONTEXT
CONSTRAINTS
OUTPUT
STYLE
Não é muito diferente.
Na verdade...
É praticamente um JCL para um cérebro artificial.
Easter Egg #1
Sempre que pensar em Prompt Engineering imagine que você está escrevendo um JOB para executar um programa chamado GPT.
A analogia funciona incrivelmente bem.
| Bellacosa Mainframe e a lista de frameworks para ampliar seu prompt |
Frameworks são PROCs do pensamento
Quem trabalha com JCL sabe o poder de um PROC.
Você reutiliza padrões.
Evita erros.
Padroniza execução.
Frameworks fazem exatamente isso.
Eles são PROCs para organizar ideias.
Ao invés de reinventar a forma de escrever...
Você reutiliza um modelo que já foi validado durante décadas.
AIDA — O Job de Marketing
Imagine que você criou um curso COBOL.
Você escreve:
Meu curso ensina COBOL.
Fim.
Agora usando AIDA.
Attention
"O PIX brasileiro movimenta bilhões todos os dias utilizando tecnologias que nasceram décadas atrás."
Interest
"Você sabia que provavelmente existe COBOL em alguma etapa dessa transação?"
Desire
"Imagine fazer parte desse mundo."
Action
"Comece estudando COBOL no IBM Z."
Perceba.
As informações são praticamente iguais.
O caminho psicológico mudou completamente.
FAB — O erro clássico do iniciante
Quase todo programador apresenta tecnologia assim.
"COBOL possui COMP-3."
Legal.
E daí?
FAB ensina.
Feature
COMP-3.
Advantage
Ocupa menos espaço.
Benefit
Seu processamento Batch movimenta menos bytes, reduzindo I/O e aumentando desempenho.
O benefício sempre responde:
"Por que eu deveria me importar?"
PEEL — Escrevendo como um Arquiteto
Um arquiteto nunca despeja informações.
Ele organiza.
Cada parágrafo possui.
Point
Evidence
Explanation
Link
Observe qualquer documentação IBM.
Quase todas seguem essa lógica.
Nada está ali por acaso.
KISS — Um dos maiores segredos da IBM
Existe uma frase famosa.
Complexidade gera defeitos.
No Mainframe isso vale ouro.
Os melhores programas COBOL que conheci tinham milhares de linhas.
Mas eram fáceis de ler.
Nomes claros.
Fluxo simples.
Poucos IFs aninhados.
Poucos GO TO.
A IA também gosta disso.
Prompt enorme não significa prompt melhor.
Prompt organizado significa prompt melhor.
SOAPSTONE — Quem está falando?
Este framework é um verdadeiro Easter Egg.
Imagine pedir:
"Explique CICS."
Agora compare.
Você é um IBM Distinguished Engineer.
Explique CICS para um programador COBOL Júnior.
Tom inspirador.
Utilize exemplos bancários.
Use analogias.
Explique em português.
Pronto.
Você praticamente contratou um professor.
STAR — O framework escondido das entrevistas
Muitos usam STAR apenas para RH.
Erro enorme.
STAR é excelente para ensinar tecnologia.
Situação
Batch demorava 8 horas.
Tarefa
Reduzir para quatro.
Ação
RUNSTATS.
REORG.
Novo Access Path.
Resultado
2 horas.
Perceba como contar histórias facilita o aprendizado.
SWOT não serve apenas para empresas
Faça SWOT da sua carreira.
Forças
Conhece COBOL.
Fraquezas
Não conhece APIs.
Oportunidades
Modernização IBM Z.
Ameaças
Parar de estudar.
Você acabou de criar um plano de carreira.
OAR — O framework favorito do Bellacosa
Se eu tivesse que ensinar apenas um...
Seria OAR.
Objective.
Audience.
Research.
Toda vez que conversar com IA diga.
Objetivo.
Quem vai ler.
Quanto aprofundar.
Você ficará impressionado com a diferença.
O Easter Egg que ninguém comenta
Todos esses frameworks parecem diferentes.
Mas escondem um padrão.
Observe.
Todos respondem três perguntas.
O que?
Por quê?
Como?
É só isso.
Alguns acrescentam emoção.
Outros acrescentam evidências.
Outros acrescentam contexto.
Mas todos organizam pensamento.
O framework invisível da IBM
Depois de décadas lendo Redbooks percebi algo interessante.
A IBM raramente escreve utilizando apenas INTRO.
Ou apenas PEEL.
Ou apenas AIDA.
Ela mistura vários.
Introdução.
Contexto.
Problema.
Arquitetura.
Implementação.
Boas práticas.
Resumo.
É um framework híbrido.
E isso inspira um conceito poderoso para prompts.
O Framework Bellacosa Mainframe
Depois de muitos artigos, cursos e apresentações, gosto de organizar um prompt técnico em nove camadas:
1. Papel (Role)
Quem a IA deve representar: um arquiteto IBM Z, um especialista em CICS, um DBA Db2 ou um Sysprog.
2. Público (Audience)
Um Padawan de COBOL? Um desenvolvedor Java? Um gerente? A mesma explicação muda completamente conforme a audiência.
3. Objetivo (Objective)
Ensinar, convencer, revisar código, criar uma aula, produzir um laboratório ou escrever um artigo.
4. Contexto (Context)
Qual ambiente? Banco? Seguradora? IBM Z? z/OS 3.2? CICS TS 6.2? Db2 13? Quanto mais contexto, menos a IA precisa adivinhar.
5. Restrições (Constraints)
O que deve evitar? Qual o tamanho? Deve usar exemplos? Pode usar analogias? Deve citar documentação oficial?
6. Estrutura (Framework)
AIDA, PEEL, STAR, SWOT, INTRO... escolha conscientemente a estrutura que melhor atende ao objetivo.
7. Exemplos (Examples)
Mostre o estilo desejado. Um pequeno exemplo vale mais do que dezenas de instruções abstratas.
8. Formato de Saída (Output)
Artigo, slides, tabela comparativa, FAQ, quiz, roteiro de vídeo, laboratório prático ou infográfico.
9. Revisão (Quality Check)
Peça para a IA verificar coerência, consistência técnica, clareza e possíveis melhorias antes de finalizar.
Essa sequência transforma um pedido simples em uma conversa estruturada, muito parecida com a preparação de uma mudança em produção no ambiente IBM Z.
Easter Eggs para quem quer ir muito além
Se você chegou até aqui, aqui estão alguns "segredos" que costumam fazer diferença.
Easter Egg 1 — Dê identidade à IA
Em vez de pedir:
Explique VSAM.
Experimente:
Você é um IBM Fellow especialista em armazenamento. Explique VSAM para um programador COBOL com seis meses de experiência.
A qualidade costuma aumentar porque você definiu um papel, um público e um nível de profundidade.
Easter Egg 2 — Peça comparações
A IA explica muito melhor quando compara conceitos.
Exemplos:
VSAM × Db2
COMMAREA × Channels & Containers
RACF × ACF2 × Top Secret
Batch × Online
CICS × IMS TM
Comparações obrigam o raciocínio a destacar diferenças importantes.
Easter Egg 3 — Peça analogias
Analogia é uma ferramenta extraordinária para aprender.
"Explique WLM como se fosse um controlador de tráfego aéreo."
"Explique RACF como se fosse um sistema de portaria de um condomínio."
Você criará conexões mentais muito mais fortes.
Easter Egg 4 — Trabalhe em camadas
Não peça tudo de uma vez.
Prefira uma sequência como:
Explique o conceito.
Mostre a arquitetura.
Apresente um exemplo COBOL.
Explique os erros comuns.
Mostre um caso real.
Crie um laboratório.
Elabore um quiz.
Sugira leituras adicionais.
É exatamente assim que um bom curso é construído.
Easter Egg 5 — Transforme a IA em mentora
Em vez de pedir respostas prontas, peça orientação.
"Faça perguntas que me levem a descobrir a solução."
Esse método desenvolve autonomia e pensamento crítico.
Easter Egg 6 — Use múltiplos frameworks
Um artigo pode começar com INTRO, desenvolver cada seção com PEEL, ilustrar experiências usando STAR, analisar tendências com SWOT e concluir com AIDA. Frameworks não competem entre si; eles se complementam.
Easter Egg 7 — Aprenda observando
Leia Redbooks da IBM, RFCs, artigos técnicos e documentação oficial tentando identificar a estrutura utilizada.
Você começará a enxergar padrões que antes passavam despercebidos.
A maior lição de todas
Existe uma frase muito conhecida na área de desenvolvimento:
Garbage In, Garbage Out.
Ela continua verdadeira na era da Inteligência Artificial.
Uma pergunta superficial tende a produzir uma resposta superficial.
Uma pergunta rica em contexto, objetivos e estrutura abre espaço para uma resposta muito mais útil.
Curiosamente, isso também vale para um programador COBOL. Os profissionais mais respeitados que conheci não eram necessariamente aqueles que memorizavam mais comandos do TSO ou mais instruções COBOL. Eram aqueles que faziam as perguntas certas antes de escrever a primeira linha de código.
No fim das contas, Prompt Engineering não é sobre aprender dezenas de siglas. É sobre desenvolver uma forma organizada de pensar, comunicar objetivos e resolver problemas. Os frameworks apresentados neste artigo — AIDA, PEEL, STAR, SWOT, OAR, FAB, SOAPSTONE, KISS e tantos outros — são ferramentas para isso.
Assim como um Padawan aprende primeiro a dominar os fundamentos da linguagem COBOL antes de enfrentar um sistema bancário de milhões de linhas, quem deseja extrair o máximo da IA precisa dominar os fundamentos da comunicação estruturada. A tecnologia muda, os modelos evoluem e novas siglas surgem todos os meses, mas a capacidade de organizar ideias com clareza continua sendo uma habilidade atemporal.
Da próxima vez que abrir o ChatGPT, não pense apenas em "escrever um prompt". Pense que você está preparando um JCL para executar o maior ambiente de processamento de linguagem natural já criado. Defina o papel, o contexto, o objetivo, a estrutura e o formato da saída. Você descobrirá que conversar com uma IA pode ser tão elegante e previsível quanto construir um bom JOB para o z/OS.
E talvez esse seja o maior aprendizado para um COBOL Padawan: antes de dominar a máquina, aprenda a organizar o próprio pensamento. Afinal, os melhores programas, os melhores projetos e os melhores prompts sempre começam da mesma forma: com uma pergunta bem formulada.