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quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

LinkedIn Rewind de 2025

 



Aqui está o meu LinkedIn Rewind de 2025, por
Coauthor.studio:

🇧🇷 2025 Rewind — Um ano como IBM Champion divulgando, educando, compartilhando o conhecimento. OBrigado e gratidão IBM e DIO 🚀

Este ano foi uma jornada unica e cheia de aventura com mais de 500 dicipulos na Stack Mainframe de Padawan a Jedi.

Seguimos evoluindo! 💪


hashtagLifelongLearning hashtagMainframe hashtagCOBOL hashtagIBMZ hashtagAI hashtagGitHubCopilot hashtagEducation hashtagContinuousLearning hashtagLinkedInRewind hashtagCoauthor hashtag
 

segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

Brasil 2025: o ano do pre-flight check

 


Brasil 2025: o ano do pre-flight check

ao estilo bellacosa mainframe, para o El Jefe Midnight Lunch

2025 não foi ano de grandes anúncios. Foi ano de preparativos. Em linguagem de mainframe, o Brasil entrou em modo pre-flight check: luzes acesas, sistemas testados, operadores atentos, porque 2026 já aparecia no horizonte como aquele batch pesado que roda uma vez a cada ciclo e decide o destino da máquina inteira.

Depois de doze anos vivendo na Europa e mais de uma década de retorno ao Brasil, aprendi a identificar esse tipo de ano: não é o crash, não é o reboot, não é a virada histórica. É o ano em que todo mundo sabe que algo grande vem aí — e começa a se posicionar.

Brasil: aquecimento político, memória recente ainda viva

Em 2025, o Brasil começou a aquecer o motor eleitoral. As eleições de 2026 passaram a pautar discursos, alianças e ressentimentos. Nada ainda explodiu, mas o cheiro de combustível político já estava no ar.

A diferença em relação a ciclos anteriores é a memória coletiva recente. O trauma do bolsonarismo, da radicalização e da ruptura institucional ainda estava fresco demais para ser ignorado. Mesmo quem flertava com discursos extremos precisava modular o tom. O sistema aprendeu — ainda que à força — que instabilidade custa caro.

Não significa maturidade plena. Significa aprendizado por dor.

Economia brasileira: prudência como estratégia

Economicamente, 2025 seguiu o manual da cautela. Nada de apostas ousadas. Nada de populismo fiscal escancarado. A prioridade foi não quebrar o que começou a funcionar em 2023 e 2024.

Para quem voltou da Europa acostumado a Estados que operam na base da previsibilidade, isso soou como um pequeno avanço civilizatório. O Brasil ainda não planeja como um alemão — mas já evita improvisar como nos piores anos.

E no Brasil, evitar improviso já é progresso.

A guerra da Ucrânia: o conflito que virou ruído constante

Enquanto isso, no tabuleiro global, 2025 confirmou algo amargo: a guerra da Ucrânia virou ruído permanente. Não acabou. Não avançou decisivamente. Não trouxe a paz prometida em cada nova rodada diplomática.

Virou um conflito de fundo, sempre presente, sempre sangrando, sempre alimentando indústrias, discursos e medos. A paz que “nunca sai” virou parte do cenário, como um servidor legado que ninguém consegue desligar porque o impacto seria imprevisível.

Para quem viveu na Europa, isso pesa mais. O conflito não é distante — ele ecoa nos preços, na política, na sensação de vulnerabilidade.

Europa: acuada, envelhecida, perdendo protagonismo

Em 2025, a Europa parecia cansada. Não derrotada, mas acuada. Presa entre dependências energéticas, pressões geopolíticas, envelhecimento populacional e uma perda lenta — porém contínua — de protagonismo global.

A União Europeia já não dita o ritmo do mundo. Reage. Ajusta. Mitiga danos. É a administração de crise permanente, não a condução do futuro.

Para quem passou doze anos ali, a sensação é clara: a Europa virou um grande mainframe estável, confiável, mas rodando aplicações cada vez menos centrais no ecossistema global.

Inglaterra: o post-Brexit como falha de projeto

E a Inglaterra… ah, a Inglaterra.

Em 2025, o Brexit mostrou sua fatura completa. Não em colapso imediato, mas em erosão contínua. Menos influência, menos fluidez econômica, mais isolamento, mais tensão social. Um país que acreditou que podia sair do cluster europeu e manter o mesmo throughput.

Erro clássico de arquitetura.

O Reino Unido virou um sistema standalone tentando operar como se ainda estivesse integrado a um grid continental. O custo disso aparece aos poucos — e dói mais exatamente porque não explode de uma vez.

Cultura e sociedade: o mundo mais cínico, menos ingênuo

Culturalmente, 2025 foi um ano menos iludido. No Brasil e fora dele. As pessoas passaram a acreditar menos em narrativas grandiosas e mais em soluções imperfeitas. O cinismo cresceu, mas junto dele veio um tipo estranho de lucidez.

Menos fé em salvadores. Mais atenção a processos.

Para quem já atravessou migração, retorno, crise, pandemia e radicalização política, isso soa quase como maturidade emocional tardia da sociedade.

Epílogo: o operador sabe o que vem aí

2025 foi o ano em que o operador experiente ajusta a cadeira, confere logs antigos e faz backup completo. Porque 2026 está logo ali — e ninguém esqueceu o que acontece quando eleições rodam em ambiente instável.

O Brasil de 2025 não resolveu seus problemas.
O mundo de 2025 não encontrou a paz.
A Europa de 2025 não recuperou seu protagonismo.
A Inglaterra de 2025 ainda paga por um commit mal pensado.

Mas todos parecem ter entendido algo essencial:

sistemas grandes não quebram por falta de discurso,
quebram por excesso de ilusão.

E 2025 foi, acima de tudo, o ano em que a ilusão ficou mais curta —
e a realidade, mais nítida.

Para o bem ou para o mal,
o batch de 2026 já está na fila.

sábado, 13 de dezembro de 2025

RETROSPECTIVA 2025 | O Ano Que Mudou o Canal El Jefe 🚀📊

 🔥 RETROSPECTIVA 2025 – CANAL EL JEFE 🔥



2025 foi um ano intenso, cheio de histórias, aprendizados e muita troca aqui no canal El Jefe. Neste vídeo especial, fazemos uma retrospectiva completa de tudo que rolou ao longo do ano: das aventuras e explorações, passando pelos conteúdos de mainframe, COBOL e tecnologia, até os momentos mais leves com memes, piadas e vídeos descontraídos que arrancaram risadas e geraram tanta interação.

Cada vídeo publicado, cada comentário, cada like e cada compartilhamento ajudaram a construir essa jornada única. Este não é apenas um resumo de números, mas um agradecimento sincero a todos que estiveram presentes, acompanharam, apoiaram e fizeram parte do crescimento do canal em 2025. Vocês transformaram ideias em conteúdo vivo e deram sentido a cada gravação.

Se você chegou agora, este vídeo é a porta de entrada perfeita para conhecer a diversidade do canal. Se você já é inscrito, prepare-se para relembrar momentos marcantes, curiosidades dos bastidores e conteúdos que definiram o ano do El Jefe.

💬 Comente qual vídeo você mais gostou
👍 Deixe seu like para fortalecer o canal
🔔 Inscreva-se e ative o sino para não perder o que vem em 2026

Obrigado a cada inscrito, espectador e apoiador. O El Jefe segue firme, com mais ideias, mais conteúdo e muito mais pela frente. Vamos juntos para o próximo capítulo! 🚀





quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

🚀✨ Retrospectiva DIO 2025 — Uma Ode ao Aprendizado e à Transformação



🚀✨ Retrospectiva DIO 2025 — Uma Ode ao Aprendizado e à Transformação

por El Jefe Midnight Lunch (com aquele toque Bellacosa Mainframe)

Se tem uma coisa que dá um nózinho bom no peito, é olhar para trás e perceber o quanto evoluímos. Assim como em um mainframe que roda batch atrás de batch e, no fim do dia, mostra um relatório de progresso espetacular, a DIO entregou em 2025 uma retrospectiva que emociona qualquer pessoa que está na jornada da tecnologia — seja iniciante, em transição ou veterano construindo carreira. DIO

A DIO (Digital Innovation One) é mais do que uma simples plataforma de cursos. É um ecossistema educacional que tem democratizado oportunidades de forma prática, objetiva e conectada com o mercado. Em 2025, isso ficou ainda mais claro:

  • Programas completos em linguagens e tecnologias do momento

  • Bootcamps intensivos com projetos e desafios reais

  • Parcerias com empresas inovadoras

  • Uma comunidade viva, que aprende junto, cresce junto e se apoia nos momentos difíceis
    DIO

💡 O Que a Retrospectiva 2025 Representa

Ao ver agora a retrospectiva, quem estuda ou já estudou na DIO percebe que não foi apenas um ano comum. Foi um ano de:

🌱 Evolução pessoal e profissional
💻 Aprendizado prático com tecnologia real
🤝 Colaboração com pessoas que viraram parceiras de jornada
🏆 Projetos que renderam conquistas e até premiações (como o DIO Awards 2025, reconhecendo quem mais impactou a comunidade)
DIO+1

Esse tipo de reconhecimento é fantástico porque não celebra apenas números, mas histórias humanas que se conectam, ajudam e mudam direções de vida.


📚 A Experiência DIO: Muito Além do Curso

Muita gente entra na DIO apenas pensando em aprender uma linguagem ou uma tecnologia. Mas a realidade é que ela entrega muito mais:

📍 Bootcamps com trilhas completas, projetos, mentorias ao vivo e networking profissional — tudo pensado para você ganhar confiança e sair preparado para o mercado. DIO
📍 Projetos práticos que podem entrar no seu portfólio — essencial para quem quer se destacar em entrevistas e processos seletivos. DIO
📍 Comunidade forte — pessoas que incentivam, respondem, ajudam e crescem juntas. DIO
📍 Parcerias e oportunidades reais com empresas que estão contratando. DIO


🎯 Agradecimento à Comunidade e às Pessoas que Transformam

Olhando para essa retrospectiva, a gente vê que nenhum aprendizado acontece isolado. Ele é alimentado por:

👩‍🏫 Mentores que dedicaram tempo para ensinar
👥 Comunidade que se apoia
💡 Autoras e autores que compartilharam conhecimento
🚀 Professores e especialistas que desafiaram com projetos reais
📣 Parceiros que acreditaram na educação como vetor de transformação
DIO

Se hoje existe alguém que mudou de carreira, entrou no mercado tech, ganhou confiança em codar ou simplesmente descobriu um caminho novo, parte desse impacto veio da DIO e de toda essa comunidade vibrante.


🌟 Um Convite Para Você

Se você está lendo isso e ainda não conhece a DIO, fica aqui um convite sincero:

💻 Explore cursos e bootcamps
💪 Desafie-se com trilhas intensivas
📁 Aprimore seu portfólio com projetos reais
🤝 Participe da comunidade
🏆 Compartilhe seus avanços e inspire outros
DIO

A retrospectiva 2025 não é apenas um vídeo ou um post — é um relatório emocional de coragem, aprendizado, evolução e conexão. É a prova de que, com as ferramentas certas, um ambiente acolhedor e um pouco de disciplina, você pode transformar seus sonhos em realizações reais.


Quem sabe seu nome não aparece no próximo DIO Awards?
Quem sabe aquele projeto que você está começando agora não vira destaque?
Quem sabe você não encontre sua primeira grande oportunidade depois de um bootcamp?

Uma coisa é certa: o futuro é codeável, e a DIO está aí para ajudar você a construir o seu.

🚀💻✨ Make The Change — Transforme o seu futuro. DIO





 

domingo, 29 de dezembro de 2024

Brasil 2024: quando o sistema entrou em steady state e o operador veterano respirou fundo

 


Brasil 2024: quando o sistema entrou em steady state e o operador veterano respirou fundo

ao estilo bellacosa mainframe, para o El Jefe Midnight Lunch

2024 marcou meus onze anos de pós-retorno ao Brasil. Onze anos rodando o mesmo sistema em produção contínua, com patches emergenciais, rollbacks históricos, falhas humanas, panes globais e — finalmente — algo raro por aqui: estabilidade operacional perceptível. Não perfeita. Não gloriosa. Mas suficiente para permitir que as pessoas voltem a pensar além da sobrevivência.

Depois de tudo o que passou, isso já é muito.

Economia: entrando nos eixos, sem fogos de artifício

Economicamente, 2024 não foi ano de espetáculo. Foi ano de alinhamento. A inflação mais controlada, o desemprego caindo devagar, o crédito voltando com mais critério. Nada de crescimento chinês, nada de euforia irresponsável. Apenas o sistema encontrando seu ritmo nominal.

Para quem viveu doze anos na Europa, isso soa básico. Para o Brasil, é quase terapêutico. Quando a economia para de assustar, o cidadão começa a reorganizar a vida. Planejar pequenas coisas. Assumir compromissos de médio prazo. Voltar a confiar — mesmo que com cautela.

O sistema econômico finalmente saiu do modo emergência e entrou em steady state.

Desemprego: o alívio silencioso

A queda do desemprego em 2024 não veio acompanhada de festa. Veio acompanhada de alívio. Emprego voltando não como promessa eleitoral, mas como realidade discreta. Vagas surgindo em setores tradicionais e em áreas técnicas. Gente voltando a acordar cedo por escolha, não por desespero.

Quem viveu fora entende o peso psicológico disso. Trabalhar não é só renda — é identidade, estrutura, sanidade. O Brasil começou a devolver isso a uma parte da população.

Não a todos. Ainda não. Mas o suficiente para mudar o clima.

Sociedade: menos tensão, mais cotidiano

Socialmente, 2024 foi um ano menos tenso. Não porque os conflitos desapareceram, mas porque eles deixaram de dominar tudo. A política voltou a ocupar espaço importante — não espaço total. As pessoas voltaram a falar de trabalho, família, planos, pequenas conquistas.

Depois de anos de guerra cultural permanente, o cotidiano retomou protagonismo. E o cotidiano é onde a vida acontece de verdade.

Para quem passou anos na Europa, isso sempre foi evidente. No Brasil, foi redescoberto.

Cultura: criação sem urgência

Culturalmente, 2024 permitiu algo que parecia impossível poucos anos antes: criar sem urgência. Menos reação, mais elaboração. Menos trauma explícito, mais sutileza. A arte voltou a respirar, sem a obrigação de salvar ninguém.

O humor ficou menos defensivo. A ironia, mais inteligente. A cultura deixou de ser trincheira e voltou a ser espelho.

Isso não aparece em gráficos, mas muda tudo.

População: cautelosa, porém mais confiante

O brasileiro de 2024 é diferente do de 2013. Mais velho emocionalmente. Mais desconfiado de heróis. Menos tolerante a aventuras. Mas também mais consciente do próprio valor.

Depois de crise econômica, colapso político, pandemia, isolamento, radicalização e trauma coletivo, a população aprendeu a identificar quando o sistema começa a funcionar de novo — e quando está apenas fingindo.

Em 2024, a sensação era clara: não era fingimento.

Onze anos pós-retorno: a maturidade do operador

Onze anos depois de voltar, deixei de esperar que o Brasil vire algo que nunca foi. Passei a valorizar quando ele funciona como pode — e a cobrar quando desvia.

Como operador veterano, aprendi que sistemas grandes não evoluem em saltos épicos. Evoluem em longas fases de estabilidade chata. E estabilidade chata é exatamente o que permite progresso real.

Epílogo: a vitória invisível

2024 não entrou para a história como ano lendário. E isso é sua maior qualidade.

Foi o ano em que o Brasil voltou a operar dentro de parâmetros aceitáveis.
Foi o ano em que o medo deixou de ser constante.
Foi o ano em que o desemprego começou a cair sem discurso inflamado.
Foi o ano em que a economia entrou nos eixos sem prometer paraísos.

E todo veterano de mainframe sabe:
quando o sistema entra em steady state,
o trabalho mais importante começa —
manter funcionando sem estragar de novo.

O Brasil de 2024 não venceu.
Mas voltou a caminhar.

E depois de onze anos de instabilidade,
isso já é uma conquista enorme —
silenciosa, técnica e profundamente humana.

sexta-feira, 29 de dezembro de 2023

Brasil 2023: quando o sistema completou dez anos em produção contínua — e o operador percebeu que a história era mais estranha que o código

 


Brasil 2023: quando o sistema completou dez anos em produção contínua — e o operador percebeu que a história era mais estranha que o código

2023 marcou uma década do meu pós-retorno ao Brasil. Dez anos operando um sistema instável, remendado, resiliente e surpreendentemente vivo. Se eu tivesse ficado na Europa, talvez tivesse envelhecido com mais previsibilidade. Aqui, envelheci com logs, cicatrizes e uma compreensão profunda de como sociedades funcionam quando nada funciona direito.

E 2023 foi um daqueles anos que só o Brasil entrega: uma reviravolta lendária, digna de sistema legado escrito por dezenas de mãos, sem documentação, cheio de ifs morais e elses históricos.

Economia: menos espetáculo, mais chão

Economicamente, 2023 não foi euforia — foi aterrissagem. Depois de anos de extremos, o país buscou algo raro: normalidade operacional. Não crescimento milagroso, mas previsibilidade. Não promessas grandiosas, mas rotina funcionando.

Para quem viveu na Europa, isso é básico. Para o Brasil, é quase revolucionário.

A economia voltou a falar em planejamento, orçamento, reconstrução institucional. Nada mágico. Nada instantâneo. Mas o sistema parou de rodar em modo ideológico extremo e voltou ao modo administrativo.

E isso, em sistemas grandes, já evita desastre.

Sociedade: o fim do bolsonarismo como ciclo — não como apagamento

O bolsonarismo terminou em 2023 não como explosão, mas como esgotamento. Não desapareceu — sistemas sociais não fazem DELETE. Mas perdeu centralidade, perdeu narrativa, perdeu o controle do console.

Para quem viveu fora, o padrão é conhecido: movimentos baseados em raiva sobrevivem enquanto a raiva é combustível. Quando o custo emocional fica alto demais, a sociedade busca outra coisa — mesmo que imperfeita.

O Brasil não se curou. Mas saiu do modo guerra permanente.

Lula volta: rollback improvável, quase mítico

A volta de Lula ao poder foi uma daquelas operações que nenhum arquiteto de sistemas recomendaria — e ainda assim funcionou. Um rollback histórico improvável, feito não por nostalgia pura, mas por comparação concreta.

Não foi idolatria. Foi pragmatismo cansado.

Para quem passou doze anos na Europa, isso foi fascinante: o país escolheu um operador conhecido para estabilizar o sistema, mesmo sabendo dos bugs antigos. Porque o operador anterior estava testando comandos perigosos demais em produção.

Lula voltou não como herói clássico, mas como operador experiente chamado às pressas para evitar pane total.

Lava-Jato: quando o módulo anticorrupção corrompe o sistema

E então veio o capítulo mais rocambolesco de todos.

A Lava-Jato, que por anos foi apresentada como firewall moral da nação, revelou-se um módulo mal projetado, mal auditado e perigosamente politizado. Heróis viraram vilões. Promotores viraram personagens. Juízes perderam aura técnica.

Para quem viveu na Europa, onde instituições caem lentamente quando erram, foi chocante — e didático. No Brasil, a narrativa moral caiu inteira de uma vez.

Não foi o fim da luta contra a corrupção.
Foi o fim da ilusão de pureza institucional.

E todo operador de mainframe sabe: quando um módulo ganha poder demais sem auditoria, ele vira risco sistêmico.

Cultura: menos épica, mais crítica

Culturalmente, 2023 foi menos épico e mais reflexivo. Menos slogans, mais análise. Menos grito, mais ironia. A arte voltou a trabalhar com ambiguidade — sinal claro de que a sociedade saiu do binarismo tóxico.

O Brasil começou a rir de si mesmo de novo. E isso, historicamente, sempre foi sinal de recuperação.

População: dez anos mais velha, dez anos mais dura

O povo em 2023 estava diferente. Não mais inocente. Não mais tão iludido. Mais desconfiado, sim — mas também mais experiente. O brasileiro passou por crise econômica, colapso político, pandemia, guerra cultural e trauma coletivo em menos de uma década.

Isso muda qualquer população.

Vi menos fé cega e mais cautela. Menos heróis instantâneos e mais desconfiança saudável. Menos esperança abstrata e mais foco no que funciona.

Dez anos pós-retorno: a conclusão inevitável

Depois de dez anos de volta ao Brasil, entendi algo que só sistemas grandes ensinam:

não existe versão final de um país.
Existe apenas versão em execução.

O Brasil de 2023 não é melhor nem pior que o de 2013 — é mais consciente do próprio caos. Saiu da fantasia de redenção rápida e entrou na fase adulta dolorosa: a de manutenção constante.

Epílogo: lição definitiva do operador

2023 mostrou que o bolsonarismo foi um fork instável.
Que a Lava-Jato foi um commit sem code review.
Que Lula foi um rollback controverso, mas funcional.
E que heróis, sem auditoria, viram bugs históricos.

E todo veterano de mainframe sabe:
o sistema continua rodando
não porque é bonito,
mas porque alguém insiste em mantê-lo vivo.

O Brasil segue.
Com cicatrizes.
Com memória.
E, finalmente,
com menos ilusão sobre si mesmo.

E isso, depois de dez anos de operação crítica,
já é uma enorme vitória silenciosa.


quinta-feira, 29 de dezembro de 2022

Brasil 2022: quando o sistema saiu do modo emergência, aplicou o patch certo — e o legado voltou a fazer sentido

 


Brasil 2022: quando o sistema saiu do modo emergência, aplicou o patch certo — e o legado voltou a fazer sentido

Meu nono ano pós-retorno ao Brasil foi 2022. Um ano que não começou leve, mas terminou diferente. Não foi redenção, nem milagre. Foi algo mais raro em sistemas grandes: estabilização real depois do caos. Para quem viveu doze anos na Europa e atravessou, já no Brasil, uma sequência quase didática de colapsos, 2022 teve gosto de restart limpo, ainda com arquivos corrompidos, mas com o sistema respirando outra vez.

Depois de 2020 e 2021, isso já era muita coisa.

A vacina: o patch que salvou o sistema

A vacina salvou vidas. Isso não é metáfora, é fato técnico. Em linguagem de mainframe: foi o patch crítico que impediu o shutdown definitivo. Não resolveu tudo, não apagou traumas, mas devolveu algo essencial — previsibilidade mínima.

Quando a vacinação avançou, algo mudou no ar. As pessoas voltaram a sair sem culpa. A respirar sem medo constante. A planejar de novo, mesmo que em curto prazo. Para quem viveu na Europa, onde a vacina também simbolizou retomada, foi nítido perceber: sem ela, o Brasil teria entrado em colapso social irreversível.

O sistema humano voltou a responder.

Economia: não prosperidade, mas movimento

Economicamente, 2022 não foi abundância — foi movimento. E depois de anos de paralisia, movimento já é sinal de vida. Pequenos negócios retomaram, serviços reapareceram, projetos voltaram à mesa.

O home-office deixou de ser improviso e virou arquitetura. Muita gente percebeu que não precisava mais estar fisicamente presa a centros caros, congestionados e emocionalmente desgastantes. Para quem tinha vivido fora, isso soava familiar: trabalho orientado a entrega, não a presença.

O Brasil começou, tardiamente, a entender algo básico do mundo moderno.

Sociedade: menos grito, mais cansaço — e alguma lucidez

Socialmente, 2022 foi menos explosivo que os anos anteriores. Não porque os problemas sumiram, mas porque as pessoas estavam cansadas demais para berrar o tempo todo. E o cansaço, às vezes, produz lucidez.

Houve polarização, sim. Mas também houve uma vontade silenciosa de seguir em frente. De reconstruir rotinas. De não viver mais em estado permanente de alerta.

O tecido social ainda estava rasgado — mas já não sangrava o tempo todo.

Cultura: reaprendendo a criar

Culturalmente, 2022 foi um recomeço tímido. Eventos voltaram. Encontros reapareceram. A arte saiu do modo sobrevivência e voltou, devagar, ao modo criação.

O Brasil reaprendeu algo essencial: cultura não é luxo, é manutenção do sistema. Sem ela, a máquina enlouquece.

Educação, DIO e o inesperado renascimento do legado

E aqui veio a grande surpresa do ano.

Enquanto muita gente ainda apostava apenas no “novo pelo novo”, 2022 mostrou algo que todo veterano de mainframe já sabia: sistemas críticos não são descartados — são mantidos.

A DIO e outras plataformas começaram a oferecer cursos gratuitos, acessíveis, práticos. Gente que jamais teria acesso a formação técnica começou a estudar de casa. Home-office, cursos online, capacitação assíncrona — tudo isso abriu portas reais.

E então aconteceu o impensável para quem só conhece tecnologia por hype:
o mainframe voltou ao centro do jogo.

Choveu vaga de COBOL. Literalmente.

Bancos, seguradoras, governos, empresas globais — todos dependentes de sistemas escritos décadas atrás — perceberam que não tinham operadores suficientes. O legado não morreu. Ele sobreviveu a todas as modas. E agora pedia gente que soubesse ler, entender e manter código crítico.

Para mim, isso teve gosto de justiça histórica.

O renascimento do mainframe: quando experiência vira ativo

Depois de anos em que “antigo” era tratado como sinônimo de “obsoleto”, 2022 lembrou o óbvio: antigo é o que continua funcionando quando tudo o resto falha.

COBOL não voltou por nostalgia. Voltou por necessidade. Voltou porque sistemas que pagam salários, aposentadorias, benefícios e movimentam trilhões não podem cair.

E, de repente, quem carregava conhecimento profundo deixou de ser peso e voltou a ser pilar.

Todo operador de mainframe sorriu em silêncio.

População: machucada, mas de pé

O povo em 2022 ainda estava machucado. Mentalmente, financeiramente, emocionalmente. Mas estava de pé. Mais cauteloso. Menos iludido. Um pouco mais sábio — no sentido duro da palavra.

A esperança voltou, mas não era mais ingênua. Era técnica. Condicionada. Baseada em evidência, não em promessa.

Nono ano pós-retorno: reconciliação com o tempo

Em 2022, pela primeira vez desde que voltei ao Brasil, senti algo próximo de reconciliação. Não com o país idealizado. Mas com o país real. Complexo. Difícil. Injusto em muitos pontos. Mas vivo.

E comigo mesmo também. Entendi que voltar não foi erro nem acerto simples. Foi parte do job.

Epílogo: a lição final do ano

2022 ensinou uma verdade que só sistemas grandes revelam depois de crises profundas:

o futuro não elimina o passado — ele o integra.

O Brasil só voltou a respirar porque aplicou ciência, tecnologia, trabalho remoto, educação acessível —
e porque o legado estava lá, silencioso, sustentando tudo.

O sistema não virou perfeito.
Mas voltou a funcionar com propósito.

E todo veterano de mainframe sabe:
quando o legado resiste,
é sinal de que ainda há muito sistema pela frente.