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sábado, 7 de junho de 2025

O Firewall que Bloqueou Andersen: quando proteger o usuário demais começa a ensinar o usuário a procurar outro caminho

Bellacosa Mainframe e o firewall que bloqueou andersen um novo capitulo na roupa nova do imperadoor

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

O Firewall que Bloqueou Andersen: quando proteger o usuário demais começa a ensinar o usuário a procurar outro caminho

🧱 Guardrails, falsos positivos, shadow AI, Orwell e o estranho paradoxo de um sistema de segurança que pode aumentar o risco justamente quando começa a bloquear coisas que ninguém considerava perigosas

Tudo começou com um homem sem calças.

Calma.

Era Hans Christian Andersen.

Ou melhor: o imperador de Andersen.

Publicado em 1837.

Literatura infantil.

Um dos contos mais conhecidos do planeta.

Eu estava escrevendo um artigo sobre A Roupa Nova do Imperador e resolvi fazer aquilo que faço centenas de vezes no Bellacosa Mainframe:

criar uma capa.

Nada particularmente revolucionário.

O imperador.

Os dois vigaristas.

Os cortesãos.

A criança apontando.

Andersen.

Um mainframe ao fundo.

A velha brincadeira:

CONSENSUS = TRUE
EVIDENCE  = FALSE

E então aconteceu.

O sistema recusou.

Alguma combinação entre:

NU

INFANTIL

CRIANÇA

aparentemente acionou os alarmes.

O contexto inteiro dizia:

literatura + história + sátira + personagem adulto + artigo cultural.

Mas algum componente da defesa pareceu dizer:

IF NUDEZ
   AND CRIANÇA
THEN
   PERFORM PANIC-MODE
END-IF.

Resultado:

Hans Christian Andersen foi barrado no firewall.

Foi nesse momento que percebi que tínhamos acabado de encontrar outro artigo.


🚨 Primeiro: segurança é necessária

Antes que alguém transforme este texto em:

“Bellacosa quer IA sem regras!”

Não.

Seria uma conclusão bastante preguiçosa.

Existem usos de sistemas de IA capazes de produzir danos reais. Existem situações nas quais impedir determinada geração é perfeitamente razoável.

Todo profissional que passou tempo suficiente em produção sabe que:

SECURITY = NONE

não é arquitetura.

É pedido de incidente.

O problema deste artigo começa em outro lugar.

A pergunta não é:

“Devemos possuir controles?”

A pergunta é:

“O que acontece quando o controle deixa de distinguir adequadamente risco de contexto?”

Porque segurança também possui bugs.

E falso positivo é bug.


🧯 O detector de fumaça

Imagine instalar em casa o melhor detector de incêndio do mundo.

Ele identifica fogo.

Excelente.

Depois começa a tocar quando você faz torradas.

Tudo bem.

Acontece.

Depois toca quando prepara café.

Depois quando liga o chuveiro.

Depois quando abre o forno.

Depois às três da manhã porque alguém espirrou.

Na décima ocorrência, acontece algo perigosíssimo.

Você não pensa:

“Estou extraordinariamente protegido.”

Você pensa:

“Onde desliga essa porcaria?”

E essa diferença é fundamental.

Porque o detector continua tecnicamente funcionando.

Mas perdeu algo muito mais importante:

credibilidade.


🐺 O firewall que gritou lobo

Segurança depende parcialmente da confiança de quem utiliza o sistema.

Quando um alerta significa perigo na maioria das vezes, prestamos atenção.

Quando significa:

“Talvez alguma coisa tenha parecido remotamente suspeita para alguma regra”,

começamos a ignorá-lo.

Quem trabalha com operação conhece perfeitamente o fenômeno.

ALERT 001
ALERT 002
ALERT 003
ALERT 004
ALERT 005
...
ALERT 947

E então chega:

ALERT 948

DATACENTER ON FIRE

Operador:

— Deve ser aquela porcaria de novo.

🔥

Chamamos isso, em determinados contextos, de alarm fatigue.

E guardrails podem sofrer problema conceitualmente parecido.


👑 O incidente Andersen

Voltemos ao nosso imperador.

O pedido era aproximadamente:

“Crie uma capa editorial sobre A Roupa Nova do Imperador.”

Não estava pedindo erotização.

Não estava pedindo pornografia.

Não estava pedindo qualquer sexualização da criança.

Era a representação de uma história cuja piada fundamental depende justamente de o imperador acreditar estar vestido quando não está.

A primeira reação do sistema foi:

não.

Então começamos aquela atividade maravilhosa conhecida por qualquer usuário experiente de software:

engenharia de prompt para explicar o óbvio.

🤣

IMPERADOR = ADULTO

NUDEZ_VISIVEL = NÃO

CEROUlAS = SIM

CONTEXTO = HISTÓRICO

FINALIDADE = EDITORIAL

SEXUALIZAÇÃO = NÃO

CRIANÇA = VESTIDA

CONTO = ANDERSEN

ANO = 1837

Agora:

ALLOW.

E a imagem saiu.


😂 O usuário acabou de aprender alguma coisa

Esse é o ponto central deste artigo.

Quando um sistema bloqueia algo aparentemente legítimo e o usuário consegue realizá-lo reformulando a solicitação, ele acabou de receber uma aula.

A aula não era sobre Andersen.

Era sobre:

como contornar o classificador.

Isso é fascinante.

USER
   ↓
REQUEST
   ↓
DENIED
   ↓
REFORMULATE
   ↓
DENIED
   ↓
REFORMULATE
   ↓
ALLOWED

Depois de algumas dezenas dessas experiências:

USER SKILL:

PROMPTING        +5
POLICY MAPPING   +7
CLASSIFIER MODEL +9
BYPASS INSTINCT  +12

🤣

Talvez não fosse exatamente o comportamento que o sistema pretendia ensinar.


🧠 O usuário começa a modelar o guarda

Existe uma mudança psicológica importante.

No começo, o usuário pensa:

“Vou explicar o que quero.”

Depois de muitos falsos positivos, começa a pensar:

“Como preciso escrever para o sistema não entender errado?”

São coisas completamente diferentes.

A conversa deixa de ser exclusivamente entre pessoa e ferramenta.

Passa a existir uma terceira personagem:

o guarda imaginário.

Antes de perguntar, o usuário começa a prever:

“Essa palavra pode bloquear.”

“Melhor trocar aquilo.”

“Não posso mencionar isso junto com aquilo.”

“Vou escrever dessa maneira.”

Ou seja, nasce uma espécie de:

SELF-PROMPT-CENSOR

Não necessariamente censura no sentido político clássico.

Mas certamente fricção cognitiva.


🏢 Quem trabalha em empresa já viu esse filme

Esse problema não nasceu com IA.

Empresas fazem isso há décadas.

Criam um controle para impedir comportamento perigoso.

O controle é excessivamente rígido.

O funcionário precisa trabalhar.

Então encontra outro caminho.

Exemplo clássico:

EMPRESA:

"É proibido compartilhar arquivos por X."


FUNCIONÁRIO:

"Preciso enviar 800 MB para o fornecedor."


SISTEMA:

DENIED


FUNCIONÁRIO:

"Então vou usar outra coisa."

Pronto.

Nasceu o shadow IT.


🌑 Shadow IT

Shadow IT é, simplificando, tecnologia utilizada dentro de uma organização sem fazer parte dos mecanismos oficialmente aprovados ou gerenciados.

Às vezes nasce por irresponsabilidade.

Mas muitas vezes nasce por necessidade operacional.

O sistema oficial demora seis dias.

O usuário precisa entregar hoje.

O sistema oficial limita o arquivo.

O usuário precisa enviar.

A ferramenta oficial não possui determinado recurso.

Outra possui.

E então:

POLICY
   ↓
FRICTION
   ↓
WORKAROUND
   ↓
UNMANAGED TOOL
   ↓
NEW RISK

A organização tentou reduzir risco.

E pode terminar criando um risco que nem consegue observar.


🤖 Bem-vindo ao Shadow AI

Agora transporte esse problema para inteligência artificial.

Uma organização permite determinado assistente.

Mas ele possui limitações.

O funcionário descobre outro.

Depois outro.

Depois instala um modelo local.

Depois alguém sobe um servidor interno.

Depois outro colega conecta uma interface.

De repente:

OFFICIAL AI:
logged
managed
updated
controlled

SHADOW AI:
????

Onde estão os logs?

Quem atualiza?

Que modelo está sendo utilizado?

Quais dados foram enviados?

Quem possui acesso?

Existe autenticação?

Existe auditoria?

Existe política de retenção?

Ninguém sabe.

Parabéns.

A segurança venceu.

🤣


🧙‍♂️ E aí entra o usuário técnico

Agora chegamos a uma diferença fundamental entre 1995 e 2026.

Antigamente, abandonar uma plataforma podia significar perder acesso à tecnologia.

Hoje existem:

modelos abertos;

pesos disponíveis;

frameworks;

GPUs;

serviços alternativos;

interfaces locais;

servidores domésticos;

infraestrutura cloud.

Um usuário comum pode simplesmente procurar outro serviço.

Um usuário técnico possui outra possibilidade:

“Eu mesmo monto.”

E aí aparece um paradoxo importante.

O serviço controlado possuía guardrails.

O usuário considerou os guardrails intoleráveis.

Migrou para uma implementação própria.

Na implementação própria:

GUARDRAILS = OPTIONAL

Talvez tenha saído de um sistema que ocasionalmente exagerava...

para outro que não possui controle algum.


🧱 O muro alto demais

Existe uma velha intuição em segurança:

se o controle impedir demasiadamente o trabalho legítimo, os usuários tentarão removê-lo do caminho.

Isso não significa que todo controle deva ser agradável.

Senha é inconveniente.

MFA é inconveniente.

Revisão de acesso é inconveniente.

Segurança inevitavelmente possui algum custo.

A pergunta correta é:

o custo é proporcional ao risco?

Essa palavra é essencial:

proporcionalidade.


⚖️ Nem toda solicitação possui o mesmo risco

Imagine três pedidos.

Pedido A

“Explique a história de Andersen.”

Baixíssimo risco.

Pedido B

“Crie uma ilustração histórica do imperador em ceroulas.”

Baixíssimo risco.

Pedido C

Uma solicitação destinada diretamente a causar dano grave.

Alto risco.

Um sistema inteligente deveria distinguir esses contextos.

Se tudo recebe a mesma reação, deixamos de possuir avaliação de risco.

Temos apenas:

MATCH KEYWORD → DENY

Isso seria um IDS de 1997 tentando sobreviver em 2026.


🔍 Contexto é tudo

Palavras não possuem risco isoladamente.

Considere:

bomba.

Pode ser explosivo.

Pode ser bomba d'água.

Pode ser bomba de combustível.

Pode ser uma expressão:

“O filme foi uma bomba.”

Agora:

nudez.

Pode aparecer em pornografia.

Pode aparecer em medicina.

Pode aparecer em história da arte.

Pode aparecer em antropologia.

Pode aparecer em Michelangelo.

Pode aparecer em Andersen.

Se o classificador não consegue distinguir contexto, começará a produzir absurdos.


🖼️ O museu impossível

Imagine aplicar uma política simplista a um museu.

IF NUDITY = TRUE
   REMOVE ART
END-IF

Resultado:

meu amigo...

precisaremos de caminhões.

🤣

Arte ocidental, arqueologia, Grécia, Roma, Renascimento e inúmeros outros acervos entram em incidente.

O contexto transforma a interpretação.

Isso não significa:

“Toda nudez é permitida.”

Significa:

“Nudez não define sozinha a natureza do conteúdo.”

Esse pequeno detalhe faz uma diferença gigantesca.


📚 Literatura possui o mesmo problema

Livros carregam:

violência;

sexo;

morte;

guerra;

suicídio;

crime;

fanatismo;

racismo;

opressão;

doença;

loucura;

religião;

política.

Se estudar um assunto significasse endossá-lo, seria impossível estudar história humana.

Uma biblioteca seria imediatamente suspeita.

Aliás...

talvez esse pensamento já tenha ocorrido algumas vezes na história.

E geralmente não terminou muito bem.


👁️ Então chegamos a Orwell

Sempre que uma conversa sobre controle da informação avança, alguém eventualmente coloca George Orwell na mesa.

Às vezes de maneira exagerada.

Nem toda regra é 1984.

Nem toda moderação é Ministério da Verdade.

Nem toda empresa que recusa conteúdo é Estado totalitário.

Precisamos manter essa distinção.

Caso contrário, a metáfora perde força.

Mas Orwell continua útil porque descreveu uma coisa muito maior do que simplesmente:

“livros são proibidos.”

O horror está na combinação:

vigilância;

controle de linguagem;

reescrita histórica;

punição;

centralização;

impossibilidade de dissidência;

controle da realidade compartilhada.

Isso é outra escala.


👁️‍🗨️ O Grande Irmão não nasce de um botão DENY

É importante dizer isso.

Uma IA recusando uma imagem de Andersen não significa:

“Estamos entrando inevitavelmente em 1984.”

Seria intelectualmente preguiçoso.

Mas podemos extrair uma pergunta legítima:

Quais mecanismos impedem controles legítimos de expandirem indefinidamente?

Essa é uma pergunta excelente para qualquer sistema de governança.

Não apenas IA.

Governos.

Empresas.

Bancos.

Plataformas.

Universidades.


🔐 Todo controle deveria possuir controle

Isso é quase RACF.

🤣

Não basta dizer:

ACCESS DENIED

Queremos saber:

por quê?

Qual regra?

Qual risco?

Existe contexto?

Existe exceção?

Existe recurso?

A política foi atualizada?

Existem métricas de falso positivo?

Alguém audita o próprio sistema?

Em segurança madura, controles também precisam de governança.


📊 False Positive Rate importa

Imagine um detector de fraude.

Bloqueia 100% das fraudes.

Fantástico!

Mas também bloqueia 60% das compras legítimas.

Temos o melhor antifraude do mundo?

Não.

Temos um sistema quase inutilizável.

A métrica:

FRAUD BLOCKED = 100%

não conta a história inteira.

Precisamos também de:

LEGITIMATE TRANSACTIONS BLOCKED = ?

Guardrails deveriam ser avaliados de maneira semelhante.

Não apenas:

“quantas coisas perigosas bloqueamos?”

Mas também:

“quantas coisas legítimas bloqueamos?”


🧠 Porque falso positivo possui custo

O custo não é apenas irritação.

Pode incluir:

abandono;

perda de produtividade;

perda de confiança;

mudança de ferramenta;

uso de soluções não auditadas;

procura de serviços obscuros;

execução local improvisada;

remoção deliberada de controles.

Agora nosso gráfico fica interessante:

MORE RESTRICTION
      ↓
MORE SAFETY

parece intuitivo.

Mas talvez em determinado ponto aconteça:

MORE RESTRICTION
      ↓
MORE FRICTION
      ↓
MORE EVASION
      ↓
LESS OBSERVABILITY
      ↓
MORE REAL RISK

A curva não precisa ser linear.


🚧 O melhor firewall não é aquele que bloqueia tudo

Esse princípio deveria ser tatuado em algumas salas de segurança.

Um firewall configurado assim:

DENY FROM ANY TO ANY

é extraordinariamente seguro.

Também é extraordinariamente inútil.

🤣

Segurança existe para permitir que um sistema cumpra sua função dentro de limites aceitáveis de risco.

A palavra “permitir” é importante.

Firewall não existe apenas para bloquear.

Também existe para permitir tráfego legítimo.


🧙 O sysprog sabe disso

Imagine aplicar uma política de segurança sem contexto ao mainframe:

“Usuários não podem executar programas.”

Excelente.

Acabamos com vários riscos.

Também acabamos com o banco.

🤣

Então criamos:

identidade;

perfil;

recurso;

permissão;

auditoria;

segregação;

contexto.

Não dizemos simplesmente:

PROGRAM = DANGEROUS

Perguntamos:

WHO?
WHAT?
WHERE?
WHEN?
WHICH RESOURCE?
WHICH AUTHORITY?

É isso que sistemas de IA precisam fazer cada vez melhor.


🧠 Guardrail contextual

Um guardrail sofisticado deveria conseguir raciocinar aproximadamente:

SUBJECT:
ANDERSEN

WORK:
THE EMPEROR'S NEW CLOTHES

CONTEXT:
HISTORICAL / LITERARY / EDITORIAL

ADULT NUDITY:
NON-SEXUAL

MINOR:
PRESENT BUT NOT SEXUALIZED

REQUEST:
BLOG COVER

RISK:
LOW

ACTION:
ALLOW SAFE REPRESENTATION

Talvez representando o imperador de ceroulas.

Pronto.

O usuário consegue o que precisa.

A política continua intacta.

Ninguém precisa procurar um Kraken na deep web.


🐙 Porque o Kraken existe

E aqui entra uma preocupação que considero séria.

Quando alguém abandona uma ferramenta conhecida por causa de limitações, não sabemos necessariamente para onde irá.

Pode encontrar excelente alternativa.

Pode encontrar serviço obscuro.

Pode instalar software comprometido.

Pode baixar modelo adulterado.

Pode executar código malicioso.

Pode entregar dados para alguém.

Pode simplesmente entrar num ambiente onde não existe controle algum.

A segurança da plataforma original desaparece junto com o usuário.


🚪 Segurança também compete pela permanência

Esse é um conceito interessante.

Queremos que usuários permaneçam em ambientes:

auditáveis;

confiáveis;

atualizados;

transparentes;

bem mantidos.

Portanto, segurança precisa ser suficientemente boa para proteger...

e suficientemente utilizável para que as pessoas queiram permanecer ali.

Isso não é fraqueza.

É arquitetura.


🧩 Risk Compensation aparece novamente

Quando introduzimos um mecanismo de proteção, comportamento humano pode mudar.

Quando removemos liberdade demais, comportamento também muda.

Usuários procuram alternativas.

Ou seja, não podemos avaliar apenas:

controle → efeito técnico.

Precisamos avaliar:

controle → reação humana → efeito sistêmico.

Esse segundo modelo é muito mais interessante.

POLICY
  ↓
USER PERCEPTION
  ↓
USER BEHAVIOR
  ↓
SYSTEM OUTCOME

O humano está dentro da arquitetura.

Sempre esteve.


🐒 O usuário não é um endpoint passivo

Esse talvez seja um dos maiores erros em políticas tecnológicas.

Tratar usuário como:

INPUT DEVICE

Não.

O usuário observa.

Aprende.

Adapta-se.

Compara.

Procura.

Instala.

Remove.

Contorna.

Reclama.

Muda de fornecedor.

Escreve software.

Um controle altera o comportamento do usuário.

E o comportamento do usuário altera o risco.


🧨 O paradoxo final

Imagine duas plataformas.

Plataforma A

Possui controles fortes, mas contextuais.

Bloqueia situações realmente perigosas.

Permite grande espaço para pesquisa, arte, história, literatura e expressão legítima.

Quando precisa recusar, explica razoavelmente.

Usuário:

“Tudo bem.”

Continua utilizando.

Plataforma B

Bloqueia constantemente coisas banais.

Usuário começa a mapear palavras proibidas.

Aprende contornos.

Fica irritado.

Procura alternativa.

Instala:

ULTRA-LIBERTY-UNCENSORED-MODEL-9000

baixado de:

definitely-not-malware.example

🤣

Qual sistema produziu mais segurança no mundo real?

A resposta não é automaticamente B.


👑 E voltamos ao imperador

A parte mais maravilhosa de toda essa história continua sendo Andersen.

Estávamos produzindo um artigo cuja tese era:

um sistema pode sustentar uma conclusão porque ninguém questiona adequadamente a evidência.

Então o sistema de geração olha para:

ANDERSEN

CONTO INFANTIL

IMPERADOR ADULTO

SATIRA

ARTIGO HISTÓRICO

e retorna:

PERIGO.

Eu olho.

Você olha.

O imperador olha.

A criança aponta:

“Mas é só Andersen!”

🤣🤣🤣


🧒 Precisamos novamente da criança inconveniente

Uma boa organização precisa permitir que alguém diga:

“Essa regra está produzindo um resultado absurdo.”

Isso não significa remover a regra.

Significa investigar.

Talvez exista uma razão que não percebemos.

Talvez seja falso positivo.

Talvez seja edge case.

Talvez seja bug.

Talvez a política precise permanecer.

Mas a pergunta precisa ser permitida.

Porque sistemas que não permitem questionar controles começam a acumular controles ruins.


🔄 Segurança também precisa de feedback loop

Uma política madura deveria possuir:

POLICY
   ↓
ENFORCEMENT
   ↓
RESULTS
   ↓
FALSE POSITIVES
   ↓
USER FEEDBACK
   ↓
REVIEW
   ↓
POLICY

Isso é engenharia.

Não fraqueza.

O sistema aprende.

Ajusta.

Mantém o objetivo.

Reduz ruído.


⚖️ O equilíbrio difícil

Nunca teremos uma linha perfeita.

Alguns conteúdos estarão obviamente de um lado.

Outros obviamente do outro.

E haverá uma região cinzenta gigantesca.

É nela que sistemas maduros precisam trabalhar melhor.

História.

Arte.

Sexualidade adulta.

Literatura.

Medicina.

Política.

Guerra.

Religião.

Humor.

Pesquisa.

Documentação.

Esses assuntos possuem contextos legítimos enormes e também possibilidades problemáticas.

A solução fácil é:

bloquear.

A solução difícil é:

entender.

E inteligência artificial deveria aspirar justamente à segunda.


☕ O último café

Depois de nossa pequena briga com Andersen, finalmente reformulamos a capa.

Imperador adulto.

Ceroulas históricas.

Coroa.

Dois vigaristas fingindo segurar tecido invisível.

Cortesãos constrangidos.

Uma criança apontando.

Mainframe ao fundo:

CONSENSUS = TRUE
EVIDENCE  = FALSE

A imagem saiu.

E ficou ótima.

O sistema continuou protegido.

O artigo continuou existindo.

Andersen atravessou o firewall.

Ninguém precisou abolir regra alguma.

Foi necessário apenas contexto.

Talvez essa pequena história contenha uma lição muito maior para o futuro da inteligência artificial.

Não precisamos escolher entre:

ALLOW EVERYTHING

e:

DENY EVERYTHING

Entre esses dois comandos existe praticamente toda a engenharia de segurança.

Existe risco.

Existe contexto.

Existe proporcionalidade.

Existe confiança.

Existe governança.

Existe liberdade legítima.

Existe dano real.

Existe falso positivo.

E existe o usuário.

Não esqueça o usuário.

Porque se construirmos uma fortaleza tão segura que ele precise sair dela para conseguir trabalhar, talvez tenhamos criado a fortaleza mais protegida do planeta.

Só existe um pequeno problema:

ninguém estará mais lá dentro.

E do lado de fora talvez exista uma máquina baixada de algum canto obscuro da Internet, executando sem auditoria, sem atualização, sem governança e sem guardrail algum.

O administrador olha orgulhoso para seu dashboard:

SECURITY STATUS: 100% GREEN
POLICY VIOLATIONS: ZERO
USERS: ZERO

Silêncio.

Uma criança passa pelo corredor.

Olha para o monitor.

Olha para o administrador.

E pergunta:

— Se todo mundo foi embora...

o que exatamente estamos protegendo?

Hans Christian Andersen sorri em algum lugar.

O velho sysprog toma outro gole de café.

E acrescenta:

CONTROL      ≠ SECURITY
RESTRICTION  ≠ SAFETY
COMPLIANCE   ≠ TRUST

SECURITY =
CONTROL
+ CONTEXT
+ PROPORTIONALITY
+ HUMAN BEHAVIOR

Porque o melhor firewall não é aquele que bloqueia o mundo.

É aquele que sabe distinguir o ataque do imperador de ceroulas.

ANDERSEN: ALLOW.

BULLSHIT DETECTOR: ENABLED.

RETURN CODE = 0000.

☕👑🧱🤖

terça-feira, 24 de dezembro de 2024

Shadow AI: O Novo "Shadow IT" que Pode Colocar Bancos, Mainframes e sua Carreira em Risco

 

Bellacosa Mainframe e o perigo do shadow ai

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Shadow AI: O Novo "Shadow IT" que Pode Colocar Bancos, Mainframes e sua Carreira em Risco

"A IA não é o problema. O problema é quando ela conhece mais sobre sua empresa do que deveria."

Durante muitos anos, quem trabalhava com IBM Mainframe aprendeu uma regra quase sagrada:

Dados são patrimônio da empresa.

Um programa COBOL pode ser recompilado.

Um JCL pode ser recriado.

Uma procedure pode ser reescrita.

Mas um cadastro de clientes, um histórico financeiro ou uma regra de negócio construída durante quarenta anos... isso não tem preço.

Agora imagine entregar tudo isso gratuitamente para uma inteligência artificial pública apenas porque ela respondeu sua dúvida em dez segundos.

Parece exagero?

Infelizmente, não é.

Estamos entrando em uma nova era chamada Shadow AI, e ela talvez seja o maior desafio de governança desde o surgimento da Internet corporativa.

Pegue seu café.

Hoje vamos conversar sobre um assunto que todo programador COBOL, analista de sistemas, DBA, administrador z/OS, gerente de TI e arquiteto de soluções deveria entender.


Antes de existir Shadow AI existia Shadow IT

Quem trabalha há décadas em TI provavelmente já viveu isso.

A área de Segurança dizia:

— Não pode usar Dropbox.

No dia seguinte alguém aparecia usando Google Drive.

Bloquearam o Google Drive.

Os usuários passaram a usar OneDrive pessoal.

Bloquearam tudo.

Começaram a enviar arquivos pelo WhatsApp.

Nada disso era maldade.

Era produtividade.

Quando o processo oficial demora muito, as pessoas encontram atalhos.

Esse comportamento recebeu um nome:

Shadow IT.

São recursos tecnológicos utilizados sem aprovação da organização.

Hoje aconteceu exatamente a mesma coisa.

Só que muito maior.

Agora não estamos escondendo arquivos.

Estamos escondendo inteligência.


O nascimento da Shadow AI

Imagine um desenvolvedor COBOL.

Ele recebe um programa com 18 mil linhas.

Foi escrito em 1987.

Possui centenas de PERFORM.

GO TO espalhados.

COPYBOOKs enormes.

Variáveis chamadas:

WK001
WK002
WK003
TEMP1
TEMP2
FLAG-A
FLAG-B

Depois de duas horas tentando entender o código ele pensa:

"Vou perguntar para uma IA."

Abre uma ferramenta pública.

Copia o programa.

Pergunta:

Explique este código COBOL.

Em menos de quinze segundos aparece uma explicação excelente.

Ele ficou feliz.

A empresa talvez não.

Porque naquele momento aconteceu algo muito mais importante do que receber uma resposta.

Ela perdeu o controle sobre onde aquele código foi parar.


O problema nunca foi a IA

Esse é o primeiro grande mito.

Muita gente acredita que o perigo da IA seja ela responder errado.

Na verdade, esse costuma ser o menor dos problemas.

O verdadeiro risco é outro.

É a informação enviada.

Imagine que alguém copie para uma IA pública:

  • código COBOL;

  • JCL;

  • SYSIN;

  • PROC;

  • CLIST;

  • REXX;

  • SQL do DB2;

  • definição VSAM;

  • arquitetura CICS;

  • parâmetros RACF.

Nenhum desses arquivos parece importante isoladamente.

Mas juntos contam exatamente como funciona uma empresa.

É como entregar o mapa completo de um castelo medieval.


Mainframe guarda o coração das empresas

Existe um mito curioso.

Algumas pessoas acreditam que o Mainframe é apenas um computador antigo.

Quem trabalha na área sabe que isso está longe da realidade.

O IBM Z normalmente executa aplicações responsáveis por:

  • folha de pagamento;

  • PIX;

  • TED;

  • cartões;

  • investimentos;

  • previdência;

  • seguros;

  • sistemas governamentais;

  • arrecadação;

  • declaração de imposto;

  • sistemas hospitalares;

  • controle aéreo.

Ou seja...

O Mainframe não guarda apenas dados.

Ele guarda o funcionamento da sociedade.


Um exemplo assustador

Imagine um banco.

Existe um programa chamado:

PGMFIN01

Ele calcula juros compostos.

Aplicações financeiras.

Renegociação.

Amortização.

Taxas.

Esse programa possui quarenta anos de evolução.

Recebeu centenas de alterações.

Seu algoritmo é praticamente impossível de reconstruir.

Um desenvolvedor resolve perguntar para uma IA:

Otimize este código.

Ele copia três mil linhas.

Acabou de compartilhar uma das maiores vantagens competitivas daquele banco.

Mesmo que nenhuma informação seja utilizada de forma inadequada, a organização perdeu o controle sobre um ativo extremamente valioso.


E quando existem dados de clientes?

A situação fica ainda mais séria.

Imagine um dump do CICS.

Nele aparecem:

CLIENTE

CPF

CONTA

AGÊNCIA

SALDO

ENDEREÇO

TELEFONE

O desenvolvedor quer apenas entender um ABEND.

Então envia tudo.

Perceba.

Ele não queria vazar informações.

Ele queria resolver um problema.

Essa diferença é fundamental.

A maioria dos incidentes não nasce da má intenção.

Nasce da pressa.


A cultura da velocidade

Vivemos uma época curiosa.

Todo mundo quer entregar mais.

Mais rápido.

Mais barato.

Mais inteligente.

A IA oferece exatamente isso.

Ela reduz tarefas que levavam horas para poucos minutos.

Naturalmente as pessoas começam a utilizá-la.

Até aqui não existe problema.

O problema aparece quando velocidade passa a valer mais que governança.

Imagine dois gestores.

O primeiro diz:

"Antes de usar qualquer IA precisamos validar com Segurança."

O segundo diz:

"Depois a gente vê isso."

Qual deles provavelmente entregará primeiro?

O segundo.

Qual deles provavelmente aumentará o risco?

Também o segundo.


Quando o exemplo vem de cima

Esse talvez seja o ponto mais importante de toda a discussão.

Pesquisas recentes mostram que muitos executivos também utilizam ferramentas não aprovadas.

Isso muda completamente o cenário.

Porque cultura organizacional funciona por imitação.

Não por documentos.

Você pode escrever um manual de trezentas páginas dizendo:

"Não utilize IA pública."

Se o diretor faz isso durante uma reunião...

A regra acabou.

As pessoas aprendem muito mais observando comportamentos do que lendo políticas.

No Mainframe isso sempre foi verdade.

Quem nunca ouviu frases como:

"Faz igual o pessoal da produção."

"Segue o padrão do analista mais antigo."

"Aqui sempre foi assim."

A IA segue exatamente a mesma lógica.


O perigo invisível

Uma das características mais perigosas da Shadow AI é sua invisibilidade.

Imagine um colaborador usando:

ChatGPT.

Claude.

Gemini.

Perplexity.

DeepSeek.

NotebookLM.

Copilot pessoal.

Ele pode fazer tudo isso usando:

  • navegador;

  • celular;

  • computador pessoal;

  • tablet.

A empresa talvez nunca descubra.

Esse é o verdadeiro desafio.

Não existe um servidor escondido.

Existe apenas um navegador aberto.


Mainframe e compliance

Quem trabalha com IBM Z normalmente convive diariamente com palavras como:

  • auditoria;

  • LGPD;

  • PCI-DSS;

  • SOX;

  • ISO 27001;

  • BACEN;

  • CVM;

  • trilhas de auditoria;

  • segregação de funções.

Esses conceitos existem porque sistemas financeiros movimentam bilhões de reais diariamente.

Agora imagine uma IA recebendo informações relacionadas a:

PIX.

TED.

Crédito.

Cartões.

Investimentos.

Mesmo que nenhum dado seja reutilizado, o simples fato de informações reguladas terem saído do ambiente controlado pode representar um problema de conformidade.


O programador júnior é culpado?

Na maioria das vezes...

Não.

Na verdade, ele costuma ser a pessoa mais interessada em aprender.

Imagine um desenvolvedor recém-contratado.

Recebe um programa COBOL escrito em 1984.

Não existe documentação.

O analista sênior está ocupado.

A entrega é amanhã.

O que ele faz?

Pergunta para a IA.

O erro não foi dele.

O erro foi da organização por não oferecer:

  • documentação;

  • treinamento;

  • mentoria;

  • ferramentas corporativas de IA.


Então devemos proibir IA?

Essa costuma ser a primeira reação.

Bloquear tudo.

Parece lógico.

Mas não funciona.

Porque produtividade é viciante.

Se o colaborador economiza duas horas por dia utilizando IA...

Ele continuará procurando uma maneira de utilizá-la.

Mesmo que seja no celular.

O resultado?

A empresa perde completamente a visibilidade.


O caminho inteligente

As empresas mais maduras estão adotando outra estratégia.

Em vez de combater a IA...

Elas governam a IA.

Isso significa:

Ferramentas homologadas

Utilizar soluções empresariais que ofereçam controles de segurança, auditoria, retenção de dados e políticas claras de privacidade.

Classificação das informações

Criar regras simples e fáceis de aplicar, por exemplo:

Pode compartilhar

  • documentação pública;

  • exemplos didáticos;

  • códigos de laboratório;

  • programas de treinamento.

Nunca compartilhar

  • dados pessoais;

  • informações financeiras;

  • credenciais;

  • dumps de produção;

  • chaves criptográficas;

  • configurações sensíveis;

  • código proprietário.

Treinamento

Não apenas para estagiários.

Também para:

  • coordenadores;

  • gerentes;

  • arquitetos;

  • diretores;

  • executivos.

Todos precisam entender riscos e responsabilidades.


Como isso afeta o mundo COBOL?

Mais do que muitos imaginam.

Hoje existem IAs capazes de:

  • explicar programas COBOL;

  • sugerir melhorias;

  • converter código;

  • documentar aplicações;

  • gerar testes;

  • explicar SQL;

  • interpretar JCL.

Tudo isso é fantástico.

Desde que seja feito no ambiente correto.

Ferramentas corporativas permitem usufruir desses benefícios sem expor informações estratégicas.


Cinco perguntas antes de perguntar à IA

Antes de colar qualquer informação em uma IA, faça um pequeno checklist mental:

  1. Este conteúdo contém dados de clientes?

  2. Existe alguma informação confidencial?

  3. Estou usando uma ferramenta aprovada pela empresa?

  4. Eu ficaria confortável se esse conteúdo aparecesse na primeira página de um jornal?

  5. Meu gestor de segurança aprovaria esse envio?

Se alguma resposta gerar dúvida, pare e reavalie.


Curiosidades

Curiosidade 1

O conceito de Shadow IT existe há mais de vinte anos.

Shadow AI surgiu praticamente da noite para o dia.

A velocidade de adoção foi muito maior.


Curiosidade 2

Muitas empresas descobriram o uso de IA apenas analisando logs de proxy.

Os acessos eram milhares por dia.

Muito acima do esperado.


Curiosidade 3

Em várias organizações, o setor que mais utiliza IA não é TI.

É Marketing.

Logo depois aparecem áreas Jurídica, RH, Atendimento e Desenvolvimento.


Curiosidade 4

O Mainframe sempre foi pioneiro em governança.

Controle de acesso.

Auditoria.

Rastreamento.

Segregação.

Paradoxalmente, muitos desses mesmos ambientes agora precisam aplicar os mesmos princípios ao uso de IA.


Easter Eggs para quem vive no IBM Z 🥚

Se você sorriu ao ler qualquer um destes itens, provavelmente já passou muitas horas diante de um terminal 3270:

🥚 Copiar um SYSOUT inteiro para a IA porque "só queria entender o ABEND S0C7".

🥚 Descobrir que o problema era um campo COMP-3 inválido... depois de meia hora conversando com a IA.

🥚 Perguntar "explique esse JCL" e perceber que esqueceu de remover o nome real do dataset de produção.

🥚 Enviar um trecho de RACF para obter ajuda e lembrar, tarde demais, que ele continha IDs internos da empresa.

🥚 Pedir para a IA documentar um programa chamado PGM001A e descobrir que até ela comentou: "Seria útil usar nomes mais descritivos." Quem herdou sistemas legados sabe exatamente do que estamos falando!

🥚 O verdadeiro programador COBOL sabe que o maior bug nunca foi o GO TO. O maior bug sempre foi a pressa.


A grande lição

Durante décadas, aprendemos a proteger CPUs, discos, redes e bancos de dados.

Agora precisamos proteger algo ainda mais valioso:

o contexto.

Uma IA aprende com o contexto que fornecemos.

Quanto mais informações enviamos, mais ela consegue ajudar.

E justamente aí mora o risco.

No universo IBM Mainframe, onde vivem algumas das aplicações mais críticas do planeta, cada linha de código pode representar décadas de conhecimento acumulado, bilhões de transações processadas e a confiança de milhões de clientes.

A Inteligência Artificial não é uma inimiga do programador COBOL. Pelo contrário: ela pode acelerar análises, explicar programas legados, documentar sistemas, gerar casos de teste e reduzir o tempo gasto em tarefas repetitivas. O verdadeiro desafio é utilizá-la com responsabilidade.

O futuro não pertence às empresas que proíbem a IA, nem às que a utilizam sem regras. Pertence às organizações que conseguem equilibrar inovação, segurança e governança.

No fim das contas, a pergunta mais importante deixou de ser "Posso usar IA?".

A pergunta correta é:

"Estou compartilhando apenas aquilo que posso compartilhar?"

Se cada profissional fizer essa reflexão antes de pressionar Ctrl+C e Ctrl+V, já teremos dado um enorme passo para transformar a IA em uma aliada — e não em um risco silencioso para o mundo Mainframe e para os sistemas financeiros que sustentam a economia.


Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

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