sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

💘 O Dia dos Namorados no Japão — Quando o Amor Roda em Batch

 


💘 O Dia dos Namorados no Japão — Quando o Amor Roda em Batch

Um poste ao melhor estilo Bellacosa Mainframe para o blog El Jefe Midnight Lunch

Se você acha que o Dia dos Namorados no Japão é só sakura caindo, casais fofinhos andando de bicicleta e jantares silenciosos onde ninguém sabe se está tudo bem…
Prepare-se: a verdade é que o amor japonês funciona igual ao Mainframe — estruturado, baseado em protocolos, cheio de códigos de retorno e com muita documentação oculta.

Sim, meu amigo:
o romance japonês tem JCL próprio.



❤️ 14 de fevereiro — O Valentine’s Day japonês: um batch de sentimentos

Diferente do Ocidente, no Japão quem toma a iniciativa no Valentine’s Day são as mulheres.

É como se o sistema dissesse:

/VALDAY JOB (LOVE),'ENVIO',CLASS=A //SENDCHOC EXEC INITIATE,ROLE=FEMALE

E o país inteiro segue o standard.

Mulheres entregam chocolates para expressar:

🍫 1. Honmei-choco (本命チョコ)

É o “chocolate verdadeiro”.
O commit de amor.
Se você receber esse…
RC=00.
Transação aprovada.
Coração alocado.

🍫 2. Giri-choco (義理チョコ)

O chocolate por obrigação social.
Para o chefe.
Para o colega.
Para o amigo.
Para aquele que te ajudou na reunião.

É quase um:

IF RELACIONAMENTO = SOCIAL THEN OBRIGACAO = TRUE

🍫 3. Tomo-choco (友チョコ)

Entre amigas.
O “amizade pura”.
Sem ABEND emocional.

🍫 4. Fami-choco (ファミチョコ)

Para a família.
O JCL familiar rodando suave.



🏭 Por que chocolate?

Porque lá nos anos 1950, uma empresa de doces viu um buraco no mercado e pensou:

“Se criarmos uma cultura inteira para vender mais chocolate… será que o Japão compra?”

Resposta:
Comprou, mantém, documentou e ainda exportou.

É o marketing rodando com priority HIGH.



🧠 A parte que todo ocidental estranha

No Japão, o Valentine’s Day é apenas o envio.
O output do romance roda um mês depois, no White Day (14 de março).

Ou seja:
o namoro japonês opera em pipeline.
Primeiro a mulher dá chocolate.
Depois o homem retorna presente.

É o famoso handshake amoroso:

SEND → WAIT → ACK

🌸 Clima, estética e silêncio — os subcanais do amor japonês

A estética do Valentine japonês é outro mundo:

  • lojas temáticas

  • embalagens perfeitas

  • laços impecáveis

  • chocolates artesanais feitos em casa

  • cartões minimalistas

  • encontros que parecem um episódio slice-of-life

Para o brasileiro isso tudo parece uma sessão de fotos.
Para o japonês, é só terça-feira.

E o silêncio?
Faz parte.
É o protocolo de comunicação:

IF SENTIMENTO = FORTE THEN FALAR = MINIMO

🎎 Como funciona o “date” no Japão?

Nada de exagero.
Nada de beijo na frente dos outros.
Nada de “me abraça aqui mesmo no metrô lotado”.

O romance japonês é mais para:

  • caminhar juntos

  • comprar um docinho

  • dar um presente pequeno

  • passar tempo

  • olhar o céu sem falar nada

É quase um modo CICS QUIET.

E funciona.


💥 Curiosidades que só um mainframeiro entenderia

  • Muitas meninas fazem o próprio chocolate — programam o doce do zero.

  • Existe “chocolate rejeição”: se o cara responde com marshmallow… RC=04.

  • Tem escola que proíbe dar Honmei-choco para evitar “ABEND social”.

  • Algumas empresas também vetam: risco de “loop” afetivo entre funcionários.


💗 E os nerds, otakus e gamers?

Ah…
O Valentine’s é um festival à parte.

Tem:

  • chocolate temático de anime

  • chocolate em formato de espada

  • chocolate em formato de robô

  • chocolate com waifus na caixa

  • filas em Akihabara para comprar doces colecionáveis

É o amor em modo otaku full-stack.


🧾 Conclusão ao estilo El Jefe Midnight Lunch

O Dia dos Namorados no Japão é:

  • elegante como um JES2 limpo

  • preciso como um DB2 bem indexado

  • ritualístico como um RACF bem configurado

  • doce como um batch de sobremesas rodando sem erro

É o tipo de celebração que parece simples…
mas opera com protocolo, etiqueta, timing e lógica de engenharia emocional.

No Brasil o amor é samba, calor e improviso.
No Japão é haicai, chocolate e processamento em lote.

Ambos lindos.
Ambos funcionam.
Ambos dão problema se não seguir o manual.


quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

🛰️ Guia Bellacosa Mainframe-Otakus para decifrar OVA, ONA, OAD e outras siglas misteriosas do mundo dos animes

 


🛰️ Guia Bellacosa Mainframe-Otakus para decifrar OVA, ONA, OAD e outras siglas misteriosas do mundo dos animes
Por Vagner Bellacosa — Blog El Jefe Midnight Lunch
(Para padawans otakus que leem siglas como se fossem comandos do JCL)


Quando comecei a assistir anime na TV Manchete, lá no pré-histórico “dataset” da década de 1980, essas siglas nem existiam. Hoje, você abre um site de streaming e parece que caiu num LISTCAT do universo otaku: OVA, ONA, OAD, SP, LNs, PV, CM, BD-Disc Specials…

Respira.
Pega um café.
Vem comigo.
Vou traduzir tudo como se fosse JCL Ninja para Otaku Padawan.


🛠️ 1) OVA – Original Video Animation

O OVA é o “job submit manual” do mundo dos animes.

📌 O que é

Episódios feitos direto para home video (VHS nos anos 80, depois DVD, Blu-ray etc.).
Nada de TV, nada de grade de horário. Liberdade total.

🧬 Origem

Apareceu na década de 1980, quando o VHS explodiu. Os estúdios viram que dá pra ganhar grana lançando anime sem depender de emissora.

💡 Por que os otakus amam OVAs?

  • Geralmente tem animação melhor (não tem a correria semanal da TV).

  • Traz histórias extras, paralelas ou finais alternativos.

  • Muitas franquias nasceram como OVA e depois viraram anime de TV (Bubblegum Crisis, Tenchi Muyo, Gunbuster).

🎁 Easter Eggs

Alguns OVAs são fanservice descarado. Tipo o estúdio dizendo:
“Já que não tem censura da TV, toma um bônus, fã!”.
E geralmente entregam mesmo.


🌐 2) ONA – Original Net Animation

O ONA é o “mainframe em nuvem” do mundo otaku.

📌 O que é

Anime lançado direto na internet.
Pode ser YouTube, Nico Nico, streaming, site oficial — qualquer lugar digital.

🧬 Origem

Ficou popular a partir dos anos 2000, com a internet rápida.
Hoje, Netflix, Crunchyroll e Amazon usam ONA como padrão.

💡 Dicas Bellacosa

  • ONAs podem ter episódios curtíssimos, 3 a 8 minutos.

  • Alguns ONAs viram “prova de conceito” para convencer investidores.
    É tipo um POC do Z/OS:

“Olha, dá pra funcionar! Agora paga nós.”

🎁 Curiosidade

O famoso Hetalia Axis Powers começou como ONA.
Animação mínima, piadas máximas.


📀 3) OAD – Original Animation DVD

O OAD é o “assembly anexado ao manual técnico”.

📌 O que é

Episódio extra que vem junto com mangá, light novel ou edição limitada.
Você só assiste se comprar o físico.

💡 Por que existe?

Porque o Japão ama colecionador hardcore.
É garantia de venda.

🛑 Truque:

Muita gente acha que OAD = OVA.
Não é igual!
Todo OAD é parecido com OVA, mas vem em bundle com mangá/LN.
É tipo um LOAD MODULE que só está disponível no PDS VIP.


🎬 4) SP / Special / Tokubetsu-hen

O “especial de fim de ano do Job Scheduler”.

📌 O que é

Episódio especial, geralmente:

  • Recap (resumo)

  • Crossover

  • Episódio comemorativo

  • Final estendido

🎁 Curiosidade

Os “recaps” surgiram porque animadores precisam respirar.
É literalmente um CHECKPOINT da animação.


🎞️ 5) PV – Promotional Video

O “IEBDG / Print do sistema antes de entrar em produção”.

É o trailer do anime.
Simples assim.
PV serve pra te fazer gastar seu tempo futuro.


📺 6) CM – Commercial

O “SYSOUT da propaganda japonesa”.
Comerciais curtinhos usados para divulgar Blu-rays, figures, eventos etc.


💽 7) BD Specials

Conteúdos exclusivos lançados só no Blu-ray.
Pode ser:

  • Episódios extras

  • Final alternativo

  • Cenas sem censura

  • Making of

  • “Versão sem luz branca na hora da pancadaria”

Blu-ray no Japão é caro.
Caríssimo.
Por isso eles recheiam com bônus.


✨ Outras siglas que aparecem muito

LN – Light Novel

O “manual técnico” dos animes.
Grande parte dos isekais vem daqui.

SS – Short Story

Mini-histórias extras.

ED / OP

Ending / Opening.
As músicas que grudam na cabeça como JCL mal comentado.

NCOP / NCED

Versão sem créditos — pra você admirar a animação sem letras na tela.
(E tremular a bandeira do otaku purista.)


🐉 Fofoquices e curiosidades avançadas

  • OVAs permitiam cenas mais ousadas — e por isso salvaram muitos títulos nos anos 90.

  • O primeiro “estouro” de OVA foi Megazone 23, que muita gente acha que inspirou Matrix.

  • ONAs hoje são a principal vitrine para novos estúdios indie.

  • OAD costuma ter finais alternativos melhores que a adaptação da TV (procure os OADs de School Rumble e verá).

  • OVAs dos anos 80/90 têm fama de violência exagerada — porque ninguém na época queria censurar o home video.
    Era o far west do anime.




🧠 Resumo Bellacosa para não esquecer

SiglaSignificaAnalogia MainframeOnde aparece
OVAEpisódio direto para vídeoJob submit manualBlu-ray, DVD
ONAEpisódio direto onlineMainframe em nuvemYouTube, streaming
OADEpisódio extra de brindeAssembly anexado ao manualMangás/LN ed. limitada
SPEspecialJob comemorativoTV, BD
PVTrailerPrint pré-produçãoInternet
CMComercialSYSOUT publicitárioTV japão

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

☁️ O que é Cloud Computing (sem bullshit)

 


☁️ O que é Cloud Computing (sem bullshit)

Segundo o NIST, cloud computing é:

Um modelo que permite acesso sob demanda a um pool compartilhado de recursos computacionais configuráveis, que podem ser rapidamente provisionados e liberados com mínimo esforço humano.

Traduzindo para o dialeto Bellacosa:

  • Recursos não são seus

  • Você não vê o ferro

  • Você sobe e desce capacidade sem pedir benção

  • Você paga pelo que usa

  • E se der ruim… é responsabilidade compartilhada (já chegamos lá)



🧱 Modelos clássicos: IaaS, PaaS e SaaS (a analogia do carro)

A IBM adora analogias. Vamos à mais famosa:

🚗 O carro

IaaS – Comprar o carro

  • Você cuida de tudo

  • SO, patch, firewall, aplicação

  • Liberdade total

  • Dor de cabeça total

👉 Ex: VMs no IBM Cloud, AWS EC2


PaaS – Alugar o carro

  • Você dirige

  • O provedor cuida do motor, manutenção, óleo, troca de peça

  • Foco no código, não no ferro

👉 Ex: Cloud Foundry, OpenShift, runtimes gerenciados


SaaS – Pegar um táxi

  • Só usa

  • Não sabe nem onde fica o motor

  • Só reclama quando atrasa

👉 Ex: Salesforce, O365, ServiceNow


🔐 Segurança na nuvem: não é opcional, é fundação

Se você acha que cloud é insegura, parabéns:
você acabou de repetir uma frase de 2012.

O mantra IBM:

Security by design + Shared Responsibility

📌 Modelo de responsabilidade compartilhada

  • Provedor protege:

    • Data center

    • Hardware

    • Infraestrutura física

  • Cliente protege:

    • Dados

    • Identidade

    • Acesso

    • Configuração

Se você subir um banco aberto na internet…
👉 o problema não é da nuvem


🪪 IAM – Identity & Access Management

No mainframe você tinha:

  • RACF

  • ACF2

  • Top Secret

Na nuvem você tem:

  • IAM

  • Access Groups

  • Policies

  • Least Privilege

A regra é a mesma desde os anos 80:

Nunca dê mais acesso do que o necessário.

E sim…
quem dá *.* em produção continua existindo 😅


🔒 Criptografia: dados inúteis para quem não deveria ver

Criptografia em nuvem protege dados:

  • Em repouso

  • Em trânsito

  • Em uso

Dois elementos fundamentais:

  • 🔑 Algoritmo

  • 🔑 Chave

E aqui vai um easter-egg:

🔥 Criptografia não elimina risco.
Ela só garante que o invasor roube lixo ilegível.


👀 Monitoring: quem não mede, não governa

No mainframe você tinha:

  • SMF

  • RMF

  • Console verde gritando

Na nuvem você tem:

  • Logs

  • Métricas

  • Traces

  • Eventos

  • Flow Logs

  • Dashboards

As 3 áreas do monitoramento em nuvem:

  1. Infraestrutura

  2. Aplicações

  3. Dados

Monitoramento moderno serve para:

  • Detectar falhas antes do usuário

  • Medir custo (sim, a fatura dói)

  • Garantir compliance

  • Reagir a ataques (DDoS, brute force, etc.)

👉 Monitorar não é olhar gráfico bonito.
É tomar decisão rápida.


🌪️ DDoS: o velho ataque com roupa nova

Ataque de negação de serviço distribuída é simples:

  • Milhares de máquinas

  • Um alvo

  • Tráfego até cair

A nuvem ajuda porque:

  • Escala automaticamente

  • Distribui carga

  • Usa redes globais (CDN)

Mas não faz milagre se você:

  • Não configurou

  • Não monitorou

  • Ignorou alertas


🧠 Boas práticas Bellacosa Approved™

✔ Use monitoramento contínuo, não auditoria ocasional
✔ Aplique least privilege sempre
✔ Separe ambientes (dev / test / prod)
✔ Monitore custo (cloud não é barata por padrão)
✔ Automatize tudo (infra as code)
✔ Desconfie de “funciona na minha máquina”
✔ Lembre-se: cloud não perdoa gambiarra


🧩 Curiosidades & Easter-Eggs

🥚 Mainframe é cloud privada ultra resiliente
🥚 LPAR ≈ VM
🥚 WLM ≈ Auto Scaling
🥚 SMF ≈ Observability
🥚 Quem domina mainframe aprende cloud mais rápido
🥚 O problema nunca foi a tecnologia… sempre foi o processo


🧘 Visão final para o Padawan

Cloud Computing não é:
❌ só subir VM
❌ só reduzir custo
❌ só modernizar frontend

Cloud é:
modelo operacional
mudança cultural
automação
segurança embutida
monitoramento contínuo

E se você veio do mainframe…
você não está atrasado.

👉 Você só está lembrando de algo que já sabia.



📊 Infográfico: Modelos de Nuvem no Mainframe

🏗️ 1. IaaS (Infrastructure as a Service) - Mainframe como Infraestrutura

Neste nível, você "aluga" o poder de processamento bruto, mas gerencia quase todo o resto.

  • O que é fornecido: LPARs (Partições Lógicas), Processadores (CPs, zIIPs), Memória e Storage (DASD).

  • O que você gerencia: O Sistema Operacional (z/OS, z/VSE, z/TPF ou Linux on Z), middleware e aplicações.

  • Exemplo: Provedores que oferecem zCloud onde você define o tamanho da sua LPAR e instala seu próprio stack.


🛠️ 2. PaaS (Platform as a Service) - Mainframe como Plataforma

Aqui, a complexidade da infraestrutura é escondida. O foco é no desenvolvimento e execução de código.

  • O que é fornecido: Ambiente de execução pronto, compiladores (COBOL, Java, Python), gerenciadores de banco de dados (DB2, IMS) e monitores de transação (CICS).

  • O que você gerencia: Apenas o seu código (programas) e os dados.

  • Exemplo: Ambientes de DevOps moderno (como z/OSMF ou containers via OpenShift on Z) onde o desenvolvedor faz o deploy do código sem se preocupar com a configuração do sistema operacional.


💻 3. SaaS (Software as a Service) - Mainframe como Serviço

O nível mais alto. O software roda no mainframe, mas o usuário final apenas consome a funcionalidade via web ou API.

  • O que é fornecido: A aplicação completa. Toda a manutenção, segurança e escalabilidade do mainframe são invisíveis para o usuário.

  • O que você gerencia: Apenas as configurações de usuário e o consumo do serviço.

  • Exemplo: Sistemas bancários de core-banking acessados via mobile que rodam transações críticas no mainframe, ou soluções de análise de fraude em tempo real oferecidas como serviço.


📉 Tabela de Responsabilidades (Quem controla o quê?)

CamadaIaaSPaaSSaaS
Hardware (z14, etc)ProvedorProvedorProvedor
Virtualização (z/VM)ProvedorProvedorProvedor
S.O. (z/OS, Linux)VOCÊProvedorProvedor
Middleware (DB2, CICS)VOCÊProvedorProvedor
Aplicações (COBOL)VOCÊVOCÊProvedor
DadosVOCÊVOCÊProvedor

⏱️ O Simbolismo dos Relógios no Anime Japonês

 



⏱️ O Simbolismo dos Relógios no Anime Japonês

(ou: quando o tempo vira sistema operacional)

No anime japonês, relógios nunca estão ali por acaso.
Eles não servem apenas para marcar horas. Servem para marcar limites, falhas, loops e pontos de não retorno.

Se no Ocidente o tempo corre, no Japão o tempo cobra.



🧠 1. Relógio em anime = contrato com o destino

Sempre que um relógio aparece em destaque, algo está acontecendo:

  • um prazo foi imposto

  • uma escolha precisa ser feita

  • o sistema entrou em contagem regressiva

📌 Bellacosa insight: é o SLA do universo sendo exibido na tela.

Exemplo clássico:

  • Death Note – o tempo de vida visível é o uptime humano



⛓️ 2. Relógios quebrados = sistema corrompido

Relógios parados, rachados ou fora de sincronia indicam:

  • trauma

  • tempo psicológico congelado

  • mundo que se recusa a avançar

🎬 Animes:

  • Steins;Gate – o tempo não flui, ele reverte

  • Ergo Proxy – o tempo é um artefato instável

  • Tokyo Ghoul – a identidade para no instante da ruptura

📌 Mainframe rule: quando o relógio quebra, o problema não é o tempo — é o estado.


🔄 3. Relógios e loops temporais

O Japão ama loops porque acredita que:

errar faz parte
repetir é aprendizado
insistir é honra

Relógios circulares, ponteiros voltando ou tiques repetidos sinalizam:

  • reinício de processo

  • tentativa de correção

  • batch reprocessado

🎬 Animes:

  • Re:Zero – checkpoint emocional

  • Higurashi – loop como punição

  • Madoka Magica – tempo como armadilha

📌 Easter egg: o som do tique-tique muitas vezes marca reset invisível.


⌛ 4. Ampulhetas e relógios antigos = peso do passado

Quando o anime usa relógios antigos, mecânicos ou ampulhetas:

  • tradição > modernidade

  • passado > futuro

  • legado > inovação

🎬 Animes:

  • Fullmetal Alchemist – tempo como troca equivalente

  • Violet Evergarden – cartas como relógios emocionais

  • Inuyasha – eras conectadas, mas nunca sincronizadas

📌 Bellacosa truth: sistemas antigos não medem segundos, medem consequências.


🕰️ 5. Personagens ligados a relógios sabem demais

Se um personagem:

  • carrega um relógio

  • conserta relógios

  • para o tempo

  • olha demais para o pulso

…desconfie.

Eles geralmente:

  • conhecem o fim

  • guardam segredos

  • vivem fora da linha temporal comum

🎭 Personagens:

  • Homura (Madoka Magica) – o relógio como prisão

  • Dio (JoJo) – o tempo como poder absoluto

  • Nox (Wakfu) – obsessão pelo tempo perdido

📌 Mainframe analogy: são os administradores do sistema.


🔔 6. Sinos, badaladas e alarmes

No Japão, o som importa tanto quanto a imagem.

  • sino = transição

  • alarme = ruptura

  • badalada = morte ou renascimento

🎬 Exemplos:

  • Evangelion – alertas = colapso iminente

  • Angel Beats – sinos = passagem

  • Bleach – tempo espiritual ≠ tempo humano

📌 Dica: quando o som do relógio fica alto, o diálogo costuma mentir.


🧩 7. Relógios digitais são frios e impessoais

Relógios digitais em anime indicam:

  • controle

  • vigilância

  • sistema desumanizado

🎬 Animes:

  • Psycho-Pass – tempo medido por produtividade

  • Serial Experiments Lain – tempo fragmentado

  • Akira – urgência urbana constante

📌 Easter egg urbano: telas cheias de números = sociedade sem pausa.


🧠 8. O Japão vê o tempo como responsabilidade

Diferente do “tempo é dinheiro”, no Japão:

tempo é dívida
tempo é honra
tempo é promessa

Por isso, nos animes:

  • atrasos custam vidas

  • segundos importam

  • escolhas tardias não têm rollback

📌 Mainframe final rule: o sistema pode até continuar rodando — você não.


☕ Conclusão: Relógios não medem horas, medem consequências

Em anime japonês, o relógio:

  • observa

  • julga

  • cobra

  • e nunca esquece

Se ele aparece em cena, preste atenção.
O sistema já decidiu algo — só não avisou os personagens ainda.

🕛 Midnight Lunch encerrado. O tempo continua.


segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Do Pós-Hokusai ao Mangá Moderno: quando o rabisco virou sistema crítico

 


Do Pós-Hokusai ao Mangá Moderno: quando o rabisco virou sistema crítico

Introdução – após o reboot de Hokusai, quem assumiu o console?

Se Hokusai foi o IPL da linguagem visual do mangá, o período pós-Hokusai foi aquele momento clássico em que o sistema:

  • sai do laboratório,

  • entra em produção,

  • ganha usuários,

  • sofre incidentes,

  • e vira infraestrutura crítica da cultura japonesa.

A evolução do mangá não foi um salto.
Foi incremental, versionada e cheia de gambiarras geniais — exatamente como todo bom sistema legado.


Pós-Hokusai imediato – o mangá como documentação visual

Após a morte de Hokusai (1849), seus cadernos Hokusai Manga passaram a circular como:

  • material de estudo,

  • referência artística,

  • “apostila técnica” de desenho.

📌 Tradução Bellacosa:

Era o GitHub da época, só que impresso em madeira.

Artistas começaram a:

  • copiar poses,

  • repetir enquadramentos,

  • exagerar expressões.

Aqui nasce o DNA visual do mangá:

  • movimento

  • caricatura

  • narrativa implícita



Biografia essencial – Rakuten Kitazawa, o primeiro “mangaká oficial”

👤 Rakuten Kitazawa (1876–1955)

Se Hokusai foi o arquiteto, Rakuten Kitazawa foi o primeiro gerente de produção do mangá.

  • Trabalhou com caricaturas políticas

  • Publicou em jornais

  • Usou o termo “mangá” de forma consistente

  • Introduziu narrativa sequencial clara

📌 Curiosidade técnica:

Ele se inspirou fortemente em cartoons ocidentais, algo ousado num Japão ainda conservador.

Ou seja:

Foi o primeiro a integrar “sistemas externos” no core japonês.


Comentário crítico – quando o mangá vira mídia, não só arte

Até aqui, mangá era:

  • desenho,

  • exercício,

  • humor gráfico.

Com Kitazawa e seus sucessores, ele vira:

  • comunicação

  • opinião

  • narrativa

É o momento em que o mangá deixa de ser job de teste e passa a rodar como serviço essencial.


O terremoto histórico – guerra, censura e reset forçado

Anos 1930–1945:
O Japão entra em modo DRP não planejado.

  • Guerra

  • Censura

  • Propaganda estatal

  • Controle total do conteúdo

Mangá vira:

  • ferramenta ideológica

  • conteúdo educativo

  • propaganda disfarçada

📌 Easter egg histórico:

Muitos artistas aprenderam a contar histórias mesmo sob censura — habilidade que depois explodiria criativamente.


Biografia que muda tudo – Osamu Tezuka, o z/OS do mangá

👤 Osamu Tezuka (1928–1989)

Se existe um nome que merece ALL CAPS, é esse.

  • Criador de Astro Boy, Kimba, Black Jack

  • Introduziu:

    • enquadramentos cinematográficos

    • narrativa longa

    • personagens emocionalmente complexos

📌 Bellacosa traduz:

Tezuka transformou o mangá de utilitário em sistema operacional.

Ele pegou:

  • o traço livre de Hokusai

  • a narrativa de Kitazawa

  • e adicionou storytelling de Hollywood

Resultado?

Mangá como conhecemos hoje.


Curiosidades técnicas – padrões que ninguém te conta

  • Olhos grandes vêm do cinema, não da “fofura”

  • Quadros sem texto criam tempo narrativo

  • Linhas de movimento simulam processamento paralelo

Easter egg clássico:
👉 Muitos mangás usam silêncio visual como recurso narrativo — coisa raríssima em quadrinhos ocidentais.


Fofoquice de bastidor (porque sim 😄)

  • Tezuka era conhecido por:

    • trabalhar sem dormir

    • redesenhar páginas inteiras na última hora

    • aceitar prazos impossíveis

Basicamente:

O cara que salvava produção às 3 da manhã com café frio.

Alguns editores diziam que ele “estragou o mercado” criando expectativas irreais de produtividade 😅


Inspiração – legado não nasce perfeito

O mangá evoluiu porque:

  • cada geração não apagou a anterior

  • o legado foi estendido, não substituído

📌 Lição Bellacosa:

Não jogue fora o sistema antigo antes de entender por que ele funcionou por 100 anos.


Dicas Bellacosa para leitores (e criadores)

💡 1. Leia mangá como quem lê arquitetura
Observe enquadramento, ritmo, silêncio.

💡 2. Conheça o legado
Antes do hype, existe história.

💡 3. Nem todo traço simples é simples
Minimalismo exige domínio.

💡 4. Cultura também é sistema crítico
Quando cai, o impacto é social.


Fechamento – do rabisco ao império cultural

Do pós-Hokusai até Tezuka, o mangá:

  • virou linguagem

  • virou indústria

  • virou identidade nacional

Hoje ele está em:

  • animes

  • games

  • moda

  • cinema

  • memes

E tudo começou com alguém rabiscando o mundo sem saber que estava definindo um padrão eterno.

No El Jefe Midnight Lunch, a gente segue fazendo o mesmo:

conectando cultura, curiosidade e legado —
sempre com café, ironia e respeito ao sistema.

☕📚🖋️

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

SMP/E na prática – SYSMOD Packaging sem medo

 

Bellacosa Mainframe apresenta smp/e sysmod packaging

SMP/E na prática – SYSMOD Packaging sem medo



🧠 Introdução – SMP/E não é bicho‑papão

Quem trabalha com z/OS cedo ou tarde se depara com ele: SMP/E. Para alguns, um monstro antigo. Para outros, um mal necessário. A verdade é simples:

SMP/E é só método, disciplina e leitura correta das MCS.

Neste post vamos direto ao ponto: SYSMOD Packaging, ou seja, como os produtos, correções e USERMODs são empacotados, entregues e entendidos pelo SMP/E.

Sem marketing. Sem misticismo. Só mainframe raiz.


📦 O que é um SYSMOD de verdade?

Todo SYSMOD é composto por duas partes inseparáveis:

  1. Conteúdo

    • módulos

    • macros

    • source

    • dados

    • HFS / JAR

  2. MCS – Modification Control Statements

    • instruções que dizem ao SMP/E como, onde e quando instalar

👉 Durante o RECEIVE, o SMP/E lê primeiro as MCS, cria as MCS entries e armazena tudo no SMPPTS.

Se as MCS estiverem erradas… não há santo que salve o APPLY.


🧾 Regras de ouro das MCS (decore isso)

  • Todas começam com ++

  • Colunas 1–2 obrigatórias

  • Terminam com ponto final (.)

  • Continuação de linha só se não houver ponto antes da coluna 73

  • Colunas 73–80 são ignoradas

📌 Erro clássico: esquecer o ponto final. Resultado? SMP/E surtando.


🪪 HEADER – identidade do SYSMOD

Toda SYSMOD começa com:

++HEADER

É aqui que o SMP/E descobre:

  • o tipo do SYSMOD

  • o SYSMOD‑ID

Tipos clássicos

  • FUNCTION – produto base

  • PTF – correção testada

  • APAR – correção de problema

  • USERMOD – correção local

Sem HEADER correto, não existe SYSMOD.


🧬 FMID – quem é o dono do código

O FMID (Function Modification ID):

  • tem 7 caracteres

  • identifica qual função é dona do elemento

  • aparece normalmente no ++VER

📌 Em FUNCTION SYSMOD, o FMID é o próprio SYSMOD‑ID.

Erro comum em prova e produção: FMID errado = APPLY recusado.


🔗 ++VER – o cérebro do SMP/E

O ++VER é obrigatório e define:

  • releases suportados

  • pré‑requisitos

  • co‑requisitos

  • supersedes

Principais operandos:

  • SREL – release do sistema

  • FMID – função dona

  • PRE – pré‑requisito

  • REQ – co‑requisito

  • SUP – supersede

👉 Sem ++VER, o SMP/E não confia em você.


🚦 ++HOLD – bloqueios controlados

Existem três HOLDs clássicos:

  • ERROR – correção com problema

  • SYSTEM – ação manual necessária

  • USER – regra local

O HOLD pode vir:

  • dentro do SYSMOD

  • ou separado em HOLDDATA

📌 HOLD não é erro. HOLD é controle.


🏗️ ++JCLIN – a planta da casa

O ++JCLIN descreve:

  • como o load module deve ser montado

  • quais objetos entram

  • qual link‑edit será usado

⚠️ JCLIN não executa JCL.

Ele apenas documenta a estrutura, permitindo RESTORE e rebuild corretos.

Sem JCLIN, o SMP/E fica cego.


🧩 MCS de elementos – o que realmente instala

Alguns exemplos:

  • ++MOD – módulo

  • ++SRC – source

  • ++MAC – macro

  • ++DATA – dados

  • ++HFS – arquivo Unix

  • ++JAR – JAR inteiro

  • ++JARUPD – update parcial

  • ++ZAP – patch binário

📌 ZAP e UPD alteram partes. DATA e HFS sempre substituem tudo.


☕ JAR no SMP/E (onde muita gente erra)

  • ++JAR → substituição total

  • ++JARUPD → update parcial

O SMP/E usa comandos do JDK para manipular o conteúdo.

Sim, Java também é mainframe.


📦 Técnicas de empacotamento SYSMOD

1️⃣ Relative File (tape)

  • clássico IBM

  • MCS em um arquivo

  • elementos em arquivos seguintes

  • usa RELFILE

Muito comum em FUNCTION SYSMOD.


2️⃣ Inline

  • MCS e conteúdo juntos

  • registros fixos de 80 bytes

  • simples e direto

⚠️ Dados variáveis exigem GIMDTS.


3️⃣ Indirect Library

  • MCS no SMPPTS

  • conteúdo fora (PDS indicado no APPLY)

  • comum em USERMOD

Flexível e perigoso se mal documentado.


4️⃣ GIMZIP Archive (Shopz / Internet)

  • entrega moderna

  • tudo compactado

  • inclui MCS, conteúdo e HOLDDATA

Base do RECEIVE FROMNETWORK.


❌ Pegadinhas clássicas (anota aí)

  • ++MOD não é o último MCS

  • Inline com RELFILE

  • FMID inexistente

  • SREL inválido

  • falta de ponto final

👉 Todas já derrubaram produção algum dia.


🧠 Conclusão – SMP/E é método

RECEIVE entende
APPLY constrói
ACCEPT congela

Quando você entende SYSMOD Packaging, o SMP/E deixa de ser mistério e vira aliado.

Mainframe não é velho.
Velho é não saber o que está rodando.


💾 Até o próximo post. Porque mainframe bom é mainframe bem documentado.