🔥 Cray Vetorial vs Mainframe IBM: paralelos que ninguém faz
Salve jovem padawan terminando nosso domingo, estive todo animado lendo sobre o Jaci, o novo supercomputador do INPE, que veio substituir o velho Tupã, aumentando em 5 vezes o poder computacional brasileiro, usado principalmente para previsão meteorologica, usando o Fortran e rodado sob o LINUX, numa visão simplista, pois o sistema tem mais nuances e detalhes tecnicos.
Deixarei esse tema para um proximo artigo, hoje vamos comparar um supercomputador HPE XD2000 versus um IBM Mainframe Z17, bora lá atravessar o espelho e descobrir mais sobre o ultraprocessamento de dados.
🧠 Introdução: dois mundos que sempre se olharam de lado
Durante décadas, Cray e IBM Mainframe coexistiram como dois impérios vizinhos que nunca declararam guerra, mas jamais se chamaram de irmãos.
Para o mundo científico, o Cray era o Olimpo. Para o mundo corporativo, o mainframe IBM era Roma.
E, curiosamente, ambos resolviam o mesmo problema fundamental: 👉 como processar volumes absurdos de dados com previsibilidade, confiabilidade e desempenho extremo.
Só que cada um escolheu um caminho filosófico diferente — e é aí que começam os paralelos que quase ninguém faz.
🏛️ Arquitetura: vetores longos vs pipelines eternos
🧮 Cray Vetorial
Arquitetura vetorial pura
Poucos processadores
Altíssima frequência
Operações matemáticas em blocos longos
Performance quase linear quando o código “obedecia”
O Cray não gostava de improviso. Ou você escrevia código para ele, ou ele te ignorava.
🧾 IBM Mainframe
Arquitetura pipeline, canalizada
Forte uso de I/O assíncrono
Processamento previsível
Foco em throughput e confiabilidade
Menos glamour, mais disciplina
💭 Paralelo oculto: Ambos foram arquitetados para não desperdiçar ciclos. Cada clock era tratado como recurso sagrado.
⚙️ Filosofia de uso: ciência pura vs mundo real
🔬 Cray
Simulações climáticas
Física nuclear
Aerodinâmica
Modelos matemáticos intensivos
Um erro de ponto flutuante podia invalidar tudo
🏦 Mainframe IBM
Bancos
Seguros
Governo
Processamento financeiro
Um erro de centavo podia parar um país
👉 Ambos lidavam com erro zero, só que em universos diferentes.
🧵 Linguagens: Fortran e COBOL, primos que fingem não se conhecer
Fortran no Cray
Pensado para matemática
Arrays, vetores, matrizes
Performance explícita
Código “fala” com o hardware
COBOL no Mainframe
Pensado para negócios
Registros, arquivos, transações
Performance implícita
Hardware “protege” o código
💭 Verdade incômoda:
Fortran e COBOL são linguagens conservadoras porque foram escritas para máquinas caras demais para errar.
Nenhuma das duas nasceu para ser “bonita”. Nasceram para funcionar sempre.
🧊 Ambiente físico: sala fria é sala sagrada
Quem viveu sabe.
Piso elevado
Ar-condicionado industrial
Ruído constante
Acesso restrito
Um certo silêncio respeitoso
💭 Bellacosa lembra:
“A sala de um Cray tinha o mesmo clima de um data center mainframe: você não entrava para passear.”
A diferença?
No mainframe: gravata.
No Cray: jaleco.
🧠 Modelo mental: batch é batch, só muda o nome
Mainframe
JCL
Jobs
Steps
Filas
Janela noturna
Cray
Scripts
Filas
Alocação de nós
Janela de simulação
👉 Mudou a sintaxe, não mudou o ritual.
Sempre existiu:
Hora certa para rodar
Ordem de prioridade
Usuário reclamando de fila
Operador que sabe tudo e fala pouco
⚖️ Trade-offs: elegância vs sobrevivência
Cray Vetorial
✔️ Elegância arquitetural
✔️ Performance absurda em código certo
❌ Pouca flexibilidade
❌ Dependência extrema de compilador
IBM Mainframe
✔️ Robustez lendária
✔️ Compatibilidade eterna
✔️ Evolução sem ruptura
❌ Menos “bruto” em FLOPS
❌ Menos glamour técnico
💭 Resumo cruel:
O Cray buscava a perfeição. O mainframe buscava não cair nunca.
⏳ O tempo foi implacável (com um deles)
O Cray vetorial morreu bonito. O mainframe sobreviveu feio, mas vivo.
O mundo virou paralelo
Clusters x86 venceram
Linux dominou
O custo falou mais alto
Já o mainframe:
Aceitou Linux
Aceitou Java
Aceitou containers
Continuou rodando COBOL dos anos 70
💭 Lição histórica:
Sobrevive quem se adapta, não quem é perfeito.
🧠 O legado invisível
Hoje, quando você olha para:
HPC moderno
Slurm
MPI
Supercomputadores como o Jaci
…o DNA Cray está lá.
E quando você vê:
Transações financeiras globais
Sistemas governamentais
Bancos centrais
…o DNA do mainframe continua mandando.
Eles nunca se fundiram. Mas o mundo moderno é filho dos dois.
🕯️ Conclusão Bellacosa Mainframe
Cray vetorial e mainframe IBM nunca foram rivais. Foram respostas diferentes à mesma pergunta:
Como extrair o máximo de uma máquina absurdamente cara sem errar?
Um respondeu com matemática. O outro respondeu com disciplina.
E talvez a maior ironia seja esta:
O Cray ensinou o mundo a calcular
O mainframe ensinou o mundo a confiar
🔥 E no fim, confiança sempre dura mais que velocidade.
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