sábado, 23 de março de 1991

Tremembe a cidade as margens do Rio Paraiba.

Tremembe a pequena encantadora

Morei durante muitos anos em Taubate, cidade vizinha e um dos bairros que morei ficava bem próximo da divisa entre os municípios, quantas vezes peguei minha bicicletas e fui com os amigos andar na estrada de Tremembe.




Reuni algumas imagens que guardo desta cidade, a estação do Trem, a igreja matriz e a ponte sobre o Rio Paraiba do Sul, que na época tinha tantos peixes que a garotada, ia pescar para depois fazer peixe no carvão a beira rio.

Bons amigos desta época: o Alexandre, o Natalino,  a Marcia e tantos outros que ficam na lembrança.

Revisando

Há cidades que não se visitam — se recordam. Tremembé é uma dessas. Não aparece primeiro nos mapas turísticos nem nos folhetos coloridos, mas surge silenciosa na memória, como uma fotografia antiga encontrada dentro de um livro esquecido. No post “Tremembé, cidade às margens do Rio Paraíba”, relembro dos momentos únicos da adolescência, dos amigos e não descrevo apenas um lugar: reabro uma gaveta do tempo e deixo escapar o cheiro da terra, o som distante do trem e o brilho lento do rio.

Tremembé existe ali como um intervalo entre Taubaté e a infância. Um caminho percorrido de bicicleta, sem pressa, quando o mundo ainda cabia em uma tarde inteira. Pedalar até a cidade era mais do que deslocamento — era um rito. A estrada não separava, conectava. Cada curva guardava expectativa, cada chegada trazia a sensação de ter atravessado algo maior do que quilômetros: uma fronteira invisível entre o cotidiano e a descoberta.

O Rio Paraíba do Sul corre como personagem central dessa lembrança. Não apenas um curso d’água, mas um espelho de um tempo em que o rio era generoso, vivo, abundante. Havia peixes, havia riso, havia carvão improvisado na margem e mãos pequenas aprendendo a esperar. O rio ensinava silêncio, paciência e partilha. Ele não passava apressado — ele permanecia. Assim como permanecem as imagens guardadas na memória.

A estação de trem surge quase como um monumento à espera. Trilhos que levavam para longe, mas também traziam de volta, já não mais existia. O trem não era apenas transporte: era promessa, era despedida, era o som metálico cortando a tarde e marcando as horas de uma cidade que respirava em outro ritmo. A igreja matriz, por sua vez, permanece como âncora — firme, imóvel, observando gerações passarem, crescerem e partirem.

O meu texto do post é curto, quase econômico, mas carrega um peso emocional profundo. Ele não se alonga porque a memória não precisa explicar — ela apenas existe. As imagens falam mais do que descrições longas. São fragmentos de um Brasil interiorano onde as coisas eram menores, mas o tempo parecia maior. Onde a infância não era programada, mas vivida.

Há, nesse relato, uma melancolia suave — não triste, mas consciente. A consciência de que aquele Tremembé ainda existe, mas não é mais o mesmo. E nem nós somos. O rio mudou, as cidades cresceram, as bicicletas deram lugar a motores. Mas algo permanece intacto: a sensação de pertencimento a um lugar que moldou quem somos.

Esse post não tenta convencer o leitor de nada. Ele apenas abre uma janela. Quem lê, reconhece. Quem não viveu algo parecido, imagina. E quem viveu, sorri em silêncio. Tremembé, ali, não é apenas uma cidade às margens do Rio Paraíba — é um estado de espírito, um backup emocional preservado contra o esquecimento.

No fim, o texto nos lembra de algo simples e raro: algumas paisagens continuam existindo apenas porque alguém decidiu se lembrar delas. E lembrar, às vezes, é a forma mais bonita de viajar. 

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