quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

🟦 IBM Mainframe & COBOL 4.00

 


🟦 IBM Mainframe & COBOL 4.00

O elo entre o COBOL clássico e o mundo moderno

“COBOL 4 não é ruptura.
É a IBM dizendo: ‘vamos modernizar… sem quebrar nada’.”

— Bellacosa, depois de recompilar 3 milhões de linhas


🧬 Contexto histórico: onde o COBOL 4.00 se encaixa

O Enterprise COBOL for z/OS 4.0 faz parte da família COBOL 4.x, que surgiu no início da década de 2010, num momento crítico:

  • Mainframes mais poderosos (z10, z196)

  • Arquitetura 64 bits amadurecendo

  • Pressão por performance, modernização e integração

  • COBOL 3 ainda dominante… mas envelhecendo

👉 O COBOL 4 não veio para “mudar a linguagem”.
Veio para mudar o compilador.


📅 Data de lançamento (contexto realista)

  • Enterprise COBOL for z/OS 4.0: final de 2007 e primordios da primeira década de 2010.

  • Consolidação real aconteceu nas versões 4.1 / 4.2

  • Foi o degrau obrigatório antes do COBOL 5.x

💡 Tradução Bellacosa:

Se você saiu do COBOL 3 direto para o 5, o 4 foi o “meio do caminho” que você pulou… e pagou depois.



🖥️ Equipamentos mainframe indicados

COBOL 4 foi feito para explorar hardware moderno da IBM:

Mainframes ideais:

  • IBM z10

  • IBM z196

  • IBM zEC12

  • Totalmente compatível com zEnterprise

Por quê?

Porque o COBOL 4:

  • Gera código mais otimizado

  • Explora melhor o pipeline do processador

  • Se beneficia de novas instruções de CPU

🥚 Easter-egg:

Recompilar COBOL antigo em COBOL 4 sem mudar uma linha já dava ganho de performance.


🔄 O que muda em relação ao COBOL 3.x?

🧠 1️⃣ Compilador totalmente redesenhado

  • Novo backend

  • Melhor otimização de código

  • Melhor uso de registradores

👉 O código fonte parece igual.
👉 O código objeto não é.


⚙️ 2️⃣ Melhor suporte a arquitetura moderna

  • Preparação para 64 bits

  • Melhor alinhamento de dados

  • Base para o futuro COBOL 5 (LE-only)


📊 3️⃣ Performance real

  • Redução de CPU em batch

  • Melhor performance em loops

  • Melhor otimização de PERFORM

🥚 Easter-egg:

Muitos shops recompilaram só para economizar MIPS.


🧨 4️⃣ Mais rigor (menos permissividade)

Alguns “pecados antigos” começaram a ser cobrados:

  • Dados mal definidos

  • Uso implícito perigoso

  • Código que “sempre funcionou” 😅

👉 COBOL 4 começa a expor bugs escondidos há 20 anos.


🧪 Exemplo simples (nada muda… mas muda tudo)

IDENTIFICATION DIVISION. PROGRAM-ID. EXEMPLO4. DATA DIVISION. WORKING-STORAGE SECTION. 01 WS-TOTAL PIC 9(9) VALUE 0. PROCEDURE DIVISION. PERFORM 10 TIMES ADD 1 TO WS-TOTAL END-PERFORM DISPLAY WS-TOTAL STOP RUN.

➡ Em COBOL 3: funciona
➡ Em COBOL 4: funciona mais rápido

💡 O ganho está no objeto gerado, não no código.


🛠️ Dicas técnicas Bellacosa Approved™

✔ Recompile, mesmo sem modernizar

  • COBOL 4 já entrega valor só na recompilação

✔ Use parâmetros certos:

  • OPTIMIZE

  • ARCH

  • SSRANGE (para pegar erro escondido)

✔ Teste batch crítico

  • Principalmente cálculos

  • Principalmente datas

  • Principalmente arredondamentos

✔ Compare CPU antes/depois

  • Você vai se surpreender


⚠️ Armadilhas clássicas

🚨 Código que dependia de comportamento indefinido
🚨 Campos mal alinhados
🚨 MOVE CORRESPONDING em estruturas duvidosas
🚨 Arredondamento implícito não documentado

🥚 Easter-egg cruel:

COBOL 4 não cria bug.
Ele revela.


🧠 Curiosidades de bastidor

  • COBOL 4 foi o primeiro passo sério rumo ao LE-only

  • Muitas empresas ficaram “presas” no 4 por anos

  • Ele é visto como a versão mais estável da transição

  • Serviu de base para o radical COBOL 5


🧘 Primeiros passos para o Padawan

Se você está começando agora:

1️⃣ Entenda COBOL clássico primeiro
2️⃣ Saiba compilar e linkar
3️⃣ Entenda parâmetros de compilação
4️⃣ Recompile código antigo e observe
5️⃣ Leia o listing — ele ensina mais que o código

“Quem lê o listing, domina o mainframe.”


🧠 Visão Bellacosa Final™

O COBOL 4.00 não é famoso.
Não é revolucionário.
Não é hype.

Mas ele é:

  • Estável

  • Inteligente

  • O verdadeiro ponto de virada técnico do COBOL moderno

Se o COBOL fosse uma saga:

  • COBOL 3 = trilogia clássica

  • COBOL 4 = o episódio de transição

  • COBOL 5 = o reboot corajoso

E lembre-se, Padawan:

“Modernizar não é reescrever.
É entender o que funciona… e deixar melhor.”

 

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe — z/OS 1.9: o gigante mais inteligente e autônomo da era System z

 





Um Café no Bellacosa Mainframe — z/OS 1.9: o gigante mais inteligente e autônomo da era System z


🕰️ Ano de lançamento

O IBM z/OS 1.9 foi lançado em setembro de 2007, acompanhando o IBM System z10 em seu ciclo de desenvolvimento — embora também suportasse o System z9.
Essa versão simboliza o amadurecimento da plataforma z/Architecture, consolidando avanços em autonomia, automação, segurança e processamento paralelo inteligente.


⚙️ Introdução técnica

Enquanto o z/OS 1.7 havia trazido a plena transição para 64 bits, o z/OS 1.9 foi a versão que deu “consciência situacional” ao sistema operacional.
Ele começou a analisar sua própria performance, otimizar cargas automaticamente e dialogar melhor com o hardware via novas interfaces do PR/SM e do z/Architecture.

Seu lema interno na IBM era:

“Think, adapt, optimize — autonomic computing starts here.”

E fazia jus ao nome. O 1.9 é considerado o primeiro z/OS verdadeiramente autonomic, aquele que gerencia, ajusta e distribui recursos de forma dinâmica, sem intervenção manual constante.


🧠 Avanços de arquitetura e uso de memória

Com suporte pleno a 64 bits, o z/OS 1.9 trouxe avanços notáveis:

  • Melhor gerenciamento de memória virtual, com page fixing otimizado e melhor cache awareness;

  • Expansão do suporte a Large Memory Objects (LMO), beneficiando cargas Java, DB2 e WebSphere;

  • Hipervisores e LPARs podiam agora consumir memória dinamicamente sem reboot, via Dynamic Storage Reconfiguration (DSR);

  • O sistema passou a entender afinidade de CPU/memória — recurso crucial para evitar latências em ambientes SMP (Symmetric Multi Processing).

Na prática, isso resultou em redução de page faults, melhor throughput em batch workloads e resposta mais rápida para transações CICS e IMS.


🧩 Aplicativos internos e softwares embarcados

O z/OS 1.9 trouxe grandes renovações no ecossistema IBM interno:

  • RACF (Security Server): novos controles de senha, expiração adaptativa, integração com LDAPv3 e criptografia AES-256 para chaves simétricas.

  • JES2 e JES3: otimizações no gerenciamento de spool e segurança, com controle refinado de job classes.

  • DFSORT e ICETOOL: passaram a explorar SIMD (Single Instruction, Multiple Data) da z/Architecture para aceleração de sorting.

  • RMF (Resource Measurement Facility): agora suportava métricas em tempo real integradas ao WLM — base para os primeiros dashboards de auto-tuning.

  • UNIX System Services (USS): maior compatibilidade com padrões POSIX, suporte a NFSv4 e novas APIs de rede para integração WebSphere/DB2.

  • Communications Server (TCP/IP stack): suporte robusto a IPv6, IPSec nativo, e QoS (Quality of Service) ajustável via WLM.


🔬 Instruções de máquina e firmware

O System z9 e o z/OS 1.9 trabalharam juntos para explorar novas instruções da z/Architecture:

  • Criptografia assistida por hardware (CPACF v2) — aceleração de AES, SHA e RSA diretamente no processador;

  • Instruções de controle de cache e pipeline, otimizando acessos concorrentes a memória;

  • Suporte a “Restartable Instructions”, garantindo integridade mesmo em falhas intermediárias;

  • Sincronização estendida (Compare-and-Swap, Fetch-and-Add) — base para virtualização eficiente e paralelismo seguro.

No firmware, o PR/SM (Processor Resource/System Manager) ganhou um salto em inteligência:

  • Capacidade de redistribuição automática de processadores lógicos entre LPARs com base no WLM;

  • Suporte aprimorado a zAAPs (Application Assist Processors) e zIIPs (Integrated Information Processors);

  • Introdução do Group Capacity Limit e Soft Capping Dinâmico — controle refinado de consumo de CPU por partição.

Essa combinação tornou o z/OS 1.9 um sistema operacional mais previsível, justo e elástico, precursor direto das políticas de cloud elástica do z/OS moderno.


🧮 Créditos de CPU e desempenho

No z/OS 1.9, os créditos de CPU (entitlement) ganharam vida nova:

  • Introdução do WLM Goal Mode aprimorado, que realoca créditos em tempo real;

  • Possibilidade de mover créditos entre LPARs sem intervenção;

  • Integração total com IRD (Intelligent Resource Director) — permitindo que o sistema negocie recursos entre workloads.

A consequência?
Mais performance em workloads DB2, WebSphere e CICS com menor custo por MIPS — e maior eficiência energética (conceito que começava a ser prioridade).


🧭 Curiosidades e bastidores

  • O z/OS 1.9 foi a primeira versão totalmente construída sobre z/Architecture, sem dependências de compatibilidade com 31 bits.

  • A IBM apelidou o projeto internamente de “Nova”, pois a meta era “iluminar” a inteligência dentro do mainframe.

  • Foi a última versão a rodar confortavelmente em System z9 BC, antes que o z/OS 1.10 se tornasse exclusivo de z10 e superiores.

  • Alguns engenheiros da época chamavam o WLM + IRD de “mini-cérebro”, por sua capacidade de autoajuste.


Dica Bellacosa Mainframe

Se você é curioso sobre autotuning, WLM e virtualização, o z/OS 1.9 é uma joia de estudo.
Ele é leve o suficiente para rodar em ambientes zPDT/Hercules e rico o bastante para mostrar o início real da era autonomic — onde o mainframe aprendeu a pensar sozinho.
Além disso, suas métricas de RMF são excelentes para treinar operadores e analistas de performance.


📜 Resumo técnico rápido

ItemDescrição
Versãoz/OS 1.9
Ano de lançamento2007
Hardware principalIBM System z9 / início do z10
Arquiteturaz/Architecture (64-bit)
PR/SMRedistribuição automática de CPU e memória
ProcessadoresSuporte total a zAAP e zIIP
WLMGoal Mode dinâmico e autoajuste
SegurançaRACF com AES-256 e LDAPv3
RedeIPv6, IPSec, QoS dinâmico
CuriosidadePrimeira versão “autonomic”, cognitiva e autoajustável da IBM

💬 “O z/OS 1.9 foi quando o mainframe deixou de apenas trabalhar — e começou a pensar.”

domingo, 1 de julho de 2007

🔥 CICS Transaction Server for z/OS 3.x

 

CICS TS 3.2 Bellacosa Mainframe

🔥 CICS Transaction Server for z/OS 3.x



☕ Midnight Lunch no túnel do tempo

Imagine estar na sala de operações em meados dos anos 2000.
O CICS já não era mais apenas “aquele trem verde de 3270”.
Ele estava virando servidor transacional corporativo global, lidando com Web, Java e conectividade aberta — e as versões 3.x foram decisivas nessa transição.

Aqui está tudo que você precisa saber sobre essa série — com história, contexto, curiosidades e um exemplo para “sentir” o impacto real.


📅 Versões e Linha do Tempo

CICS Transaction Server for z/OS 3.x engloba versões que marcaram a década de 2000:

VersãoLançamento (aprox.)Destaques principais
3.12005Entrada forte em Web, HTTP, segurança e integração C/C++
3.22007Melhor suporte a conectividade, ESDS/VSAM grandes, APIs threadsafe

📌 Note que os releases 3.x não têm tabelas públicas fáceis de EOS (End of Service), mas já estão largamente fora de suporte oficial há muitos anos.


CICS 3.2

🧠 O que há de novo no 3.x

✅ 1. Suporte avançado a Web & HTTP

CICS 3.1 foi um divisor de águas:
pela primeira vez os ambientes CICS puderam servir requisições HTTP nativamente, abrindo caminho para aplicações web centradas em transações já existentes.

💬 Bellacosa diz:
“Antes disso, CICS era green screen ou nada. Depois disso, ele começou a conversar com o mundo inteiro.”


✅ 2. Segurança fortalecida

Antes de microserviços e OAuth, o CICS 3.1 trouxe mecanismos de autenticação e autorização integrados ao HTTP, simplificando a gestão de usuários e integração com LDAP/RACF.


✅ 3. Web Services e SOAP no mainstream

Embora SOAP estivesse surgindo em outros lugares, o CICS 3.1 o integrou de forma sólida, permitindo que as aplicações transacionais fossem expostas como serviços.

📌 Esse passo foi chave para tudo que veio depois em JSON, REST e APIs nativas.


✅ 4. Threadsafe Core APIs

No 3.2, a IBM investiu pesado em APIs threadsafe para:

  • arquivos VSAM

  • journals

  • WebSphere MQ

Esse foi um reflexo da necessidade de alta concorrência e escalabilidade.


✅ 5. Capacidade ampliada de VSAM e dados grandes

O CICS 3.2 elevou limites históricos:
suporte a arquivos ESDS maiores que 4 GB e tabelas de dados compartilhado maiores que 2 GB.

💬 Comentário Bellacosa:
“Isso significa que sistemas antes fragmentados podiam por fim lidar com conjuntos de dados corporativos gigantescos sem gargalo.”


🧪 Melhorias e Mudanças Significativas

🔹 Conectividade TCP/IP madura

Web services + HTTP + TCP/IP tornaram o CICS porta de entrada para arquiteturas distribuídas.

🔹 Usabilidade do CICSPlex SM

Novas vistas de gerenciamento e integração com sistemas de workload distribuído chegaram com 3.2.

🔹 Tradução e interoperabilidade com C/C++ e Java

O CICS começou a ser plataforma de escolha para mixed–language applications num momento em que Java só começava a ganhar tração em corporações.


🧠 Curiosidades e Eastereggs Bellacosa

🍺 O “Web CICS” nasceu aqui:
Antes de 3.x, “CICS e Web” era um hack. Depois, virou padrão.

🍺 Threadsafe foi go-to para MQ:
APIs threadsafe mudaram como MQ e VSAM eram acessados dentro de CICS.

🍺 Arquitetura híbrida antes da nuvem:
CICS 3.x já pensava como um servidor de aplicativos moderno, mesmo quando “nuvem” ainda era buzzword futurista.


📉 Final de Vida (EOS) — Resumo

Estas versões 3.x já estão fora de suporte há muitos anos — de fato, o foco IBM passou para as séries 4.x e depois 5.x/6.x. A tabela oficial indica o fim do serviço das versões 5.* como referência de política, confirmando que nada abaixo disso terá suporte continuado.


📜 História com Exemplo (Bellacosa Way)

Imagine um sistema bancário em 2006:

Você tinha centenas de telas 3270 e milhares de COBOL + BMS.
De repente:

📍 Você habilita HTTP: agora as aplicações web internas da intranet chamam CICS direto.
📍 Você expõe serviços SOAP: aplicativos distribuídos começam a falar com CICS.
📍 Você usa APIs threadsafe com MQ: integração com middleware vira rotina.

💬 Bellacosa comenta:
“Foi aqui que muitos sistemas que deveriam morrer em 5 anos, ainda estão de pé.”


💡 Dicas e Recomendações

Entenda como HTTP foi integrado: é o ancestral das integrações REST/JSON que vieram depois.
Aprenda sobre funções threadsafe: quase tudo de moderno em CICS tem raízes nisso.
Use CICSPlex SM: aprendê-lo aqui facilita todo o resto.


📌 Conclusão Bellacosa

O CICS TS 3.x foi mais do que uma linha de releases. Foi o momento em que o CICS virou servidor de aplicativos transacionais corporativo — antes disso, ele era “transação e tela”; depois disso, virou plataforma integrada para Web, middleware e aplicações modernas.

🔥 Sem 3.x, não haveria 5.x moderno.
Sem 3.x, o CICS continuaria preso ao passado.