| Bellacosa Mainframe fala sobre pequenos negocios e as diferenças entre Brasil e Portugal |
🖥️ Portugal vs Brasil
Por que lá o pequeno negócio sobrevive e aqui precisa virar batch noturno gigante
“Nem todo sistema precisa escalar horizontalmente. Alguns só precisam não cair.”
— anotação perdida em um console IBM 3270
Sempre me perguntei a razão desta grande diferença, afinal moro numa pequena cidade do interior, por que não vejo pequenos negociantes aqui, enquanto mesmo em Lisboa existem tantos. Qual o fator de peso, qual a grande diferença, que obriga tudo ser enorme no Brasil. O que podemos fazer para mudar isso? Ajudar o pequeno, afinal nem todo negocio, nasceu para ser grande, por que vender 100 refeições num dia é tão caro e obriga o empreendedor a vender 500 ou mais. Ser escravo do empreendimento, não poder curtir as ferias e feriados, de modo semelhante aos patricios do outro lado do oceano?
1️⃣ Custo de empregar alguém
🧱 O divisor de águas (ou de job abend)
🇵🇹 Portugal
-
Encargos trabalhistas previsíveis (não muda a cada release político)
-
Menos obrigações acessórias (menos JCL escondido)
-
Fiscalização proporcional ao porte (micro não é tratado como data center)
-
Um funcionário a mais não dobra a dor de cabeça
👉 Resultado operacional:
É viável rodar um negócio com 1, 2 ou 3 pessoas, uptime alto e custo controlado.
📌 Analogia mainframe:
Portugal permite rodar produção crítica em LPAR pequena, bem configurada, sem exigir Sysplex.
🇧🇷 Brasil
-
Encargos trabalhistas chegam a 70–100% do salário
-
CLT rígida + risco jurídico constante
-
Multas, processos e passivos imprevisíveis (abend S0C7 social)
-
Um funcionário vira bomba-relógio trabalhista
👉 Resultado operacional:
Se for para contratar, o empresário escala logo o cluster inteiro para diluir risco.
📌 Analogia mainframe:
No Brasil, cada empregado é um exit point sem documentação.
🧨 Easter egg:
O pequeno empresário brasileiro vive esperando o dump, mesmo quando o job termina com RC=0.
2️⃣ O “tamanho mínimo de sobrevivência”
💣 Quando o sistema pequeno não fecha o mês
Fenômeno silencioso brasileiro:
Negócio pequeno demais morre. Negócio médio sobrevive.
Por quê?
-
Aluguel caro (storage premium obrigatório)
-
Energia elétrica cara (MSU rodando 24x7)
-
Impostos cumulativos (job cobra mesmo com STEP em erro)
-
Contabilidade obrigatória
-
Licenças municipais, estaduais e federais (cada uma um subsystem)
📌 Conclusão técnica:
Um negócio com 2 ou 3 funcionários simplesmente não fecha o balanço.
👉 O empreendedor brasileiro já nasce pensando:
“Se não crescer rápido, fecha.”
🧠 Dica Bellacosa:
No Brasil, o problema não é falta de escala — é escala mínima obrigatória.
3️⃣ Tributação
🎭 Simplicidade real vs “Simples” de marketing
🇵🇹 Portugal
-
IVA simples e claro
-
Regimes especiais realmente funcionais para microempresas
-
Imposto sobre lucro, não sobre faturamento
📌 Regra de ouro:
Se não lucrou, não sangra.
🇧🇷 Brasil
-
Simples Nacional que de simples só tem o nome
-
Impostos sobre faturamento (mesmo no prejuízo)
-
Mudança de faixa = penalidade automática
-
Crescer 1 funcionário pode explodir a carga tributária
👉 O pequeno vira refém do regime, não do mercado.
🧨 Easter egg fiscal:
No Brasil, você paga imposto antes de saber se o job terminou bem.
4️⃣ Cultura de bairro vs cultura de sobrevivência
🇵🇹 Portugal
-
Comércio local protegido socialmente
-
Cliente fiel por décadas
-
Expectativa: estabilidade
-
Negócio passa de pai para filho
🧓 Mensagem clássica do operador:
“Essa padaria está em produção desde 1978.”
🇧🇷 Brasil
-
Concorrência predatória
-
Cliente infiel por preço
-
Expectativa: crescer ou morrer
-
Negócio visto como trampolim, não legado
🧨 Mensagem de erro comum:
“Ou vira rede… ou fecha.”
📌 Analogia mainframe:
Brasil trata todo negócio como startup cloud, mesmo quando ele só quer ser batch diário confiável.
5️⃣ Fiscalização
👮♂️ Educativa vs punitiva
🇵🇹 Portugal
-
Fiscal orienta antes de multar
-
Ajustes graduais
-
Menos sensação de perseguição
📌 Modelo:
Primeiro WARN, depois ABEND (se insistir).
🇧🇷 Brasil
-
Multa primeiro, explica depois
-
Regras ambíguas
-
Empreendedor tratado como suspeito
📌 Pequeno empresário brasileiro vive em estado de defesa permanente.
🧠 Dica Bellacosa:
No Brasil, a fiscalização funciona como auditoria surpresa em produção.
6️⃣ Crédito e aluguel
💸 Outro choque de realidade
🇵🇹 Portugal
-
Crédito acessível
-
Aluguéis comerciais estáveis
-
Contratos longos
👉 Dá para planejar.
🇧🇷 Brasil
-
Juros altos
-
Aluguel instável
-
Proprietário repassa risco para o lojista
👉 Pequeno negócio precisa faturar muito desde o primeiro mês.
📌 Analogia:
Você entra em produção sem ambiente de testes.
7️⃣ O efeito psicológico (o bug invisível)
🇧🇷 Brasil
-
Empreender = risco pessoal alto
-
Falir = estigma
-
Processo trabalhista = trauma permanente
🇵🇹 Portugal
-
Empreender = opção de vida
-
Fechar = recomeçar
-
Menos medo institucional
🧠 Insight:
Ambiente hostil destrói bons operadores antes do sistema cair.
🔍 Resumo brutal (modo console)
| Fator | 🇵🇹 Portugal | 🇧🇷 Brasil |
|---|---|---|
| Custo por funcionário | Baixo a médio | Muito alto |
| Tamanho mínimo viável | 1–3 pessoas | 8–15 pessoas |
| Risco jurídico | Baixo | Altíssimo |
| Expectativa | Estabilidade | Escala |
| Fiscalização | Educativa | Punitiva |
💡 Conclusão direta (sem perfumaria)
👉 Portugal permite ser pequeno.
👉 O Brasil obriga a crescer ou morrer.
Não é que o brasileiro não saiba fazer negócio pequeno.
É que o sistema brasileiro pune quem tenta.
🖥️ Easter egg final (para mainframers)
“Num país, o pequeno negócio roda como um batch estável.
No outro, ele nasce em produção, sem rollback, sem backup e com auditoria ativa.”
Sem comentários:
Enviar um comentário