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segunda-feira, 4 de maio de 2026

No-Code : O Que Todo Programador COBOL Precisa Saber Sobre a Revolução do Desenvolvimento Sem Programação

 

Bellacosa Mainframe e o no-code na stack mainframe

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

No-Code

O Que Todo Programador COBOL Precisa Saber Sobre a Revolução do Desenvolvimento Sem Programação

Você Não Está Sendo Substituído. Está Descobrindo Outra Forma de Construir Software.

"Toda década promete eliminar os programadores. Primeiro vieram os geradores de código. Depois os CASE Tools. Em seguida o RAD. Agora é o No-Code. Curiosamente, todas essas tecnologias continuam precisando de bons engenheiros de software."


Introdução

Quem trabalha com IBM Mainframe já ouviu inúmeras previsões durante a carreira.

"COBOL vai acabar."

"O Mainframe será substituído."

"Agora qualquer pessoa poderá criar sistemas."

Quase cinquenta anos depois dessas previsões, os maiores bancos do planeta continuam processando bilhões de transações em COBOL.

Agora surgiu uma nova promessa.

No-Code.

Segundo muitos anúncios de marketing, basta arrastar alguns blocos na tela e qualquer pessoa cria aplicações empresariais.

Será?

Como quase tudo na engenharia de software, a resposta é mais interessante do que parece.

Para um desenvolvedor COBOL, entender No-Code não significa abandonar décadas de conhecimento.

Significa compreender onde essa tecnologia realmente faz sentido.


O que é No-Code?

No-Code é uma abordagem de desenvolvimento onde aplicações são criadas utilizando componentes gráficos, configurações e regras visuais, praticamente sem escrever código tradicional.

Em vez de escrever:

IF SALDO > LIMITE
    MOVE "NEGADO" TO STATUS
END-IF

o desenvolvedor conecta dois blocos:

Saldo >
        \
         > Decisão
        /
Limite >

e define:

Sim → Negar operação

Não → Aprovar

A lógica continua existindo.

A diferença é apenas a forma de representá-la.


O princípio do No-Code

Todo software possui quatro elementos fundamentais:

  • Interface

  • Regras

  • Dados

  • Integrações

No-Code tenta transformar todos esses elementos em componentes reutilizáveis.

Em vez de programar:

Tela
↓

Código

↓

Banco

↓

API

o desenvolvedor monta:

Tela
↓

Blocos

↓

Fluxos

↓

Publicar

A origem do No-Code

Na realidade, No-Code não é novidade.

Ele apenas ganhou um novo nome.

Sua história começa muito antes da Internet.

Década de 1970

Mainframes já possuíam ferramentas declarativas.

CICS BMS

IMS MFS

ISPF Panels

Mapas de tela.

Você descrevia uma tela.

O sistema gerava a interface.

Isso já era uma forma de desenvolvimento declarativo.


Década de 1980

Surgiram os famosos CASE Tools.

Entre eles:

  • Texas Instruments IEF

  • AD/Cycle

  • COOL:Gen

  • Excelerator

  • CA Gen

Essas ferramentas prometiam:

"Desenhe o sistema."

"O software será gerado automaticamente."

Muito parecido com o discurso atual.


Década de 1990

Vieram:

  • Delphi

  • Visual Basic

  • PowerBuilder

  • Oracle Forms

Os componentes eram arrastados para formulários.

Pouco código.

Muito RAD (Rapid Application Development).


Década de 2000

Aplicações Web.

Frameworks.

CMS.

WordPress.

Joomla.

Drupal.

Muitos sites passaram a ser construídos sem programação.


Década de 2010

Cloud.

SaaS.

APIs REST.

Microserviços.

As plataformas começaram a conectar tudo.


Década de 2020

Explosão do verdadeiro No-Code.

Agora existem plataformas completas.

Aplicativos.

Workflows.

IA.

Bots.

Dashboards.

Integrações.

Tudo criado visualmente.


A diferença entre No-Code e Low-Code

Muita gente confunde.

No-Code

Destinado principalmente para usuários de negócio.

Exemplo:

Criar formulário

↓

Criar fluxo

↓

Publicar

Sem programação.


Low-Code

Destinado a desenvolvedores.

Permite código quando necessário.

Exemplo:

Fluxo visual

↓

Componente personalizado

↓

API

↓

Script

↓

Deploy

É muito mais poderoso.


Por que o No-Code cresceu tanto?

Porque o mercado possui um problema enorme.

Faltam desenvolvedores.

Empresas precisam entregar software rapidamente.

Nem toda aplicação exige uma equipe de engenharia.

Imagine criar:

  • formulário interno

  • cadastro

  • workflow de aprovação

  • pesquisa de satisfação

  • controle de férias

Não faz sentido desenvolver tudo em Java.

Nem em COBOL.

Nem em C#.

Uma ferramenta No-Code resolve em poucas horas.


Como funciona internamente?

Esse é um ponto importante.

No-Code não elimina programação.

Ele apenas esconde a programação.

Quando você cria:

Botão

↓

Enviar Email

a plataforma gera algo semelhante a:

HTML

CSS

JavaScript

API

Banco

Autenticação

Logs

Infraestrutura

Ou seja...

Alguém escreveu milhares de linhas de código para que você não precise escrevê-las.


As principais características

Uma plataforma No-Code normalmente possui:

Editor visual

Banco de dados

Autenticação

Controle de usuários

Integração com APIs

Dashboards

Automações

Relatórios

Workflow

Notificações

Segurança

Deploy automático


Principais metodologias

Embora cada fabricante possua sua implementação, quase todas seguem os mesmos conceitos.

Model Driven Development

Primeiro modela.

Depois gera.


Visual Programming

Fluxogramas.

Conexões.

Eventos.


Event Driven

Quando algo acontece...

Executa outra ação.

Cliente cadastrado

↓

Enviar Email

↓

Criar Pedido

↓

Registrar Log

↓

Atualizar CRM

Workflow Automation

Automação baseada em processos.

Muito utilizada em empresas.


Business Process Management (BPM)

Fluxos corporativos.

Aprovações.

Assinaturas.

Validações.

Integrações.


Domain Driven Modeling

A aplicação representa o negócio.

Não a tecnologia.


Vantagens

Desenvolvimento extremamente rápido

Horas.

Não meses.


Menor custo inicial

Poucos desenvolvedores.


Interface pronta

Layouts modernos.


Integração simples

Microsoft

Google

SAP

Salesforce

IBM

Oracle

Tudo via conectores.


Facilidade para prototipação

Ideal para MVP.


Atualizações automáticas

O fornecedor cuida da infraestrutura.


Baixa curva de aprendizado

Analistas conseguem construir aplicações simples.


Desvantagens

Agora vem a parte que o marketing raramente comenta.


Dependência do fornecedor

Seu sistema passa a depender totalmente da plataforma.


Vendor Lock-in

Trocar de ferramenta pode significar reconstruir tudo.


Limitações

Quando surge uma necessidade muito específica...

A plataforma pode simplesmente não permitir.


Performance

Nem sempre é ideal.

Algumas plataformas geram muito código desnecessário.


Escalabilidade

Funciona bem para centenas.

Nem sempre para milhões de usuários.


Licenciamento

Pode ficar caro.

Muito caro.

Especialmente conforme o número de usuários cresce.


Performance

Aqui existe um mito.

"No-Code é lento."

Nem sempre.

Depende da arquitetura.

Uma boa plataforma pode gerar aplicações excelentes.

Outra pode gerar aplicações enormes.

Tudo depende da qualidade do motor interno.


Segurança

Outro ponto crítico.

Toda plataforma precisa oferecer:

Autenticação

Criptografia

Auditoria

Controle de acesso

LGPD

Logs

Versionamento

Backup

Governança

Sem isso, ela dificilmente será aceita em ambientes corporativos.


Como desenvolver uma aplicação No-Code

Vamos imaginar um pequeno sistema de solicitação de férias.

Passo 1

Definir o processo.

Funcionário

↓

Solicita férias

↓

Gestor aprova

↓

RH confirma

↓

Sistema encerra

Passo 2

Criar entidades.

Funcionário

Departamento

Solicitação

Período

Gestor


Passo 3

Criar formulários.

Cadastro.

Consulta.

Aprovação.


Passo 4

Criar regras.

Se gestor aprovar...

Enviar ao RH.

Caso contrário...

Rejeitar.


Passo 5

Criar notificações.

Email.

Teams.

Slack.

WhatsApp.


Passo 6

Criar dashboards.

Solicitações abertas.

Pendentes.

Concluídas.

Tempo médio.


Passo 7

Publicar.

Sem compilação tradicional.


Boas práticas

Sempre modelar o processo primeiro.

Evitar criar fluxos gigantes.

Documentar regras.

Versionar alterações.

Controlar permissões.

Criar ambientes separados.

Testar integrações.

Monitorar desempenho.

Ter plano de contingência.


Os principais riscos

Criar aplicações sem arquitetura.

Duplicar regras.

Ausência de documentação.

Dependência da plataforma.

Integrações mal definidas.

Falta de testes.

Crescimento descontrolado.

Shadow IT.


Oportunidades para o programador COBOL

Aqui está o ponto mais importante deste artigo.

No-Code não compete com COBOL.

Ele complementa.

Imagine este cenário.

Cliente

↓

Portal Web

↓

Power Apps

↓

Power Automate

↓

API REST

↓

z/OS Connect

↓

CICS

↓

COBOL

↓

DB2

Quem executa a lógica crítica?

COBOL.

Quem apenas apresenta uma interface bonita?

No-Code.


O papel do Mainframe

O Mainframe continua sendo responsável por:

Transações financeiras.

Processamento batch.

Contabilidade.

Pagamentos.

Cartões.

PIX.

Previdência.

Folha.

Seguros.

Toda essa lógica permanece exatamente onde sempre esteve.


O papel do No-Code

Construir rapidamente:

Painéis administrativos.

Dashboards.

Consultas.

Workflows.

Aprovações.

Aplicativos internos.

Portais.


A integração perfeita

Hoje, uma arquitetura moderna costuma ser assim:

Usuário
      │
      ▼
Power Apps / Mendix / OutSystems
      │
      ▼
REST API
      │
      ▼
IBM z/OS Connect
      │
      ▼
CICS
      │
      ▼
Programa COBOL
      │
      ▼
DB2 / VSAM / IMS

Perceba que o COBOL não desaparece.

Ele ganha uma nova camada de apresentação.


Principais plataformas No-Code

Entre as mais conhecidas estão:

  • Microsoft Power Apps

  • Microsoft Power Automate

  • Mendix (Siemens)

  • OutSystems

  • AppSheet (Google)

  • Bubble

  • Glide

  • Zoho Creator

  • Airtable

  • Retool

  • ServiceNow App Engine

  • Salesforce Lightning Platform

  • Oracle APEX (frequentemente classificado como Low-Code)

  • IBM watsonx Orchestrate (automação e IA)

  • IBM Business Automation Workflow

Cada uma possui foco diferente: aplicativos corporativos, automação de processos, portais, integração ou desenvolvimento empresarial.


Onde o No-Code NÃO funciona bem?

Há cenários em que o desenvolvimento tradicional continua sendo a melhor escolha:

  • Sistemas bancários de alta criticidade.

  • Motores de processamento em tempo real.

  • Aplicações com requisitos extremos de desempenho.

  • Sistemas embarcados.

  • Softwares que exigem controle detalhado de memória ou hardware.

  • Algoritmos científicos complexos.

  • Grandes motores de processamento batch.

Nesses casos, linguagens como COBOL, Java, C/C++, PL/I ou Assembler continuam sendo mais adequadas.


O futuro do No-Code

A próxima evolução já começou.

Ela combina:

  • No-Code

  • Low-Code

  • Inteligência Artificial Generativa

  • Agentes de IA

  • Automação inteligente

  • APIs

  • RPA

  • Event-Driven Architecture

Em vez de apenas montar telas, o desenvolvedor descreve um processo em linguagem natural, e a plataforma gera boa parte da aplicação. Ainda assim, alguém precisa revisar arquitetura, segurança, integração, testes e governança.


O impacto no ambiente Mainframe

Para o profissional de IBM Z, o maior impacto não é técnico, mas estratégico.

As equipes de negócio querem entregar soluções mais rápido. O Mainframe continua sendo o sistema de registro (System of Record), enquanto plataformas No-Code aceleram a criação de experiências digitais.

Isso aumenta a importância de tecnologias como:

  • IBM z/OS Connect

  • APIs REST

  • OpenAPI

  • IBM MQ

  • Kafka

  • CICS Web Services

  • Db2 Services

  • OAuth e OpenID Connect

  • Arquiteturas orientadas a eventos

O programador COBOL deixa de ser apenas um desenvolvedor de programas batch e online para atuar como um engenheiro de serviços corporativos.


O Novo Perfil do Programador COBOL

O profissional mais valorizado nos próximos anos provavelmente será aquele que combina:

  • COBOL moderno

  • CICS

  • Db2

  • JCL

  • APIs REST

  • JSON

  • Git

  • DevOps

  • Segurança

  • Integração com plataformas Low-Code e No-Code

  • Arquitetura de sistemas

Ele não precisará construir cada tela manualmente. Em vez disso, projetará serviços confiáveis, escaláveis e seguros que poderão ser consumidos por aplicativos web, mobile, IA e plataformas No-Code.


Conclusão

No-Code não representa o fim da programação.

Representa uma mudança de foco.

Assim como os compiladores não eliminaram os programadores Assembly, e as linguagens de alto nível não eliminaram a engenharia de software, as plataformas No-Code não eliminam a necessidade de profissionais experientes.

Elas reduzem o esforço em tarefas repetitivas e aceleram a construção de aplicações simples, mas continuam dependentes de boas decisões de arquitetura, integração, segurança e governança.

No universo IBM Mainframe, essa realidade é ainda mais evidente. O COBOL permanece executando a lógica de negócios que movimenta bancos, seguradoras, governos e grandes empresas. O No-Code entra como uma camada de produtividade e experiência do usuário, consumindo serviços expostos pelo Mainframe por meio de APIs.

O futuro não será uma disputa entre COBOL e No-Code.

Será uma colaboração entre ambos.

O desenvolvedor que compreender essa integração deixará de enxergar o No-Code como ameaça e passará a utilizá-lo como mais uma ferramenta para entregar valor ao negócio.

Porque, no fim das contas, software nunca foi apenas escrever código.

Sempre foi resolver problemas. E essa continua sendo a missão de qualquer engenheiro de software — seja escrevendo milhares de linhas em COBOL, seja conectando componentes visuais que, por trás da interface, ainda dependem da mesma disciplina, do mesmo raciocínio lógico e da mesma engenharia que sustentam os sistemas mais importantes do mundo há décadas.

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