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segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Preparando uma receita de pão Sírio

Uma receita simples e fácil de pão sírio para a hora do lanche.

Ingredientes


Meio quilo de farinha
25 gramas de açúcar
1 ovo
1 tablete de fermento
15 gramas de sal
2 colheres de azeite
200 mililitros de água

Preparo

Misturar todos os ingredientes e ir sovando a massa, até o ponto em que a massa esta homogênea e não grude na mão, bater, bater e bater, até a massa esta bem elástica.

Descansamos a massa por 15 minutos, após o crescimento, pegamos a massa principal e dividimos em bolas menores e separamos um pequena bolinha, que colocaremos num copo com água, nossa bolinha de controle irá boar na superfície copo d´água no momento que a massa pode ir ao fogo.

Estique as bolas em círculos bem abertos, frite numa frigideira untada com manteiga e mandem ver.





domingo, 22 de outubro de 2017

Sabe uma Receita de Bacalhau Simples a Portuguesa?

Receita de bacalhau simples com brócolis a moda portuguesa.


500 gramas de bacalhau em postas  (1)
700 gramas de batata pré-cozida ao dente, cortada em rodelas  (2)
300 gramas de brócolis
1 cabeça de alho
2 unidades de cebola picada
1 ovo cozido
azeite de oliva a gosto
azeitona com caroços a gosto.
pimenta do reino ralada a gosto
sal a gosto
100 mililitros de água

Preparo

Numa forma retangular :
Distribua de maneira uniforme o bacalhau
Distribua as batatas sobre os espaços entre postas
Distribua os brócolis sobre os espaços entre postas 
Distribua as azeitonas 
Distribua os alhos com casca sobre as postas
Distribua a cebola sobre as postas
Espalhe uma pitada de pimenta do reino
Espalhe uma pitada de sal

Após assado

Corte o ovo cozido em cubinhos e enfeite a forma a sua vontade.

Leve ao forno em 250 graus, até no máximo de 90 minutos, dependendo do seu forno.

(1) o bacalhau salgado deve ficar de molho em água por 24 horas, com três trocas de água, para retirar o excesso de sal.

(2) A batata deve descascada, cortada em rodelas e cozida por 4 minutos em água com uma pitada de sal.

Comentários

Preparar uma Receita de bacalhau para duas pessoas é uma receita no modo simples que utiliza batatas pré-cozidas e montagem a gosto, sirva para duas a quatro pessoas acompanhado de um bom vinho verde gelado.




quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Pernil de Natal receita a El Jefe

 

Bellacosa Mainframe e o pernil de natal

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

🍖 Pernil de Natal à El Jefe — Quando uma Ceia Comunitária Fez o Eremita Sair da Toca

Itatiba, Natal de 2013. Um tacho enorme, um pernil cozinhando lentamente durante toda a tarde e mais de vinte pessoas mostrando que, em uma comunidade do interior, às vezes você pode até querer ficar sozinho — mas seus vizinhos não deixam.

Existem fotografias e vídeos antigos que parecem registrar apenas coisas banais.

Uma panela.

Alguns tomates.

Cebolas.

Pimentões.

Carne de porco.

Uma mão mexendo nos ingredientes.

O fogo trabalhando lentamente.

Durante anos podemos olhar para aquilo e pensar:

— Era apenas uma receita.

Mas não era.

Esse pequeno vídeo de um pernil de Natal preparado à moda El Jefe, publicado nos primórdios do blog, acabou preservando algo muito maior.

Ele registrou um daqueles momentos genuínos do El Jefe Midnight Lunch na cozinha.

E, principalmente, registrou uma tarde muito particular da minha vida.

Precisamos voltar para 2013.



🇮🇹 O homem que tinha acabado de voltar da Itália

Eu havia retornado recentemente da Itália para Itatiba.

Depois de tantos anos vivendo fora, retornar não significava simplesmente desembarcar, abrir uma mala e continuar a vida exatamente de onde ela havia parado.

Quem passa muito tempo longe descobre uma coisa curiosa:

você volta para casa, mas a casa que deixou também mudou.

As pessoas seguiram suas vidas.

As rotinas mudaram.

Você também mudou.

E naquele Natal eu estava em casa.

Sozinho.

Nada necessariamente dramático.

Era simplesmente a situação daquele momento.

Eu sempre tive algo de eremita.

Consigo passar horas sozinho, inventando alguma coisa, mexendo em computador, pesquisando, escrevendo, desmontando ideias ou, como naquele dia, entrando na cozinha e transformando ingredientes em alguma experiência gastronômica.

Provavelmente teria passado aquele Natal dessa maneira sem grandes problemas.

Mas existe uma característica deliciosa das comunidades do interior:

às vezes elas simplesmente não permitem que você fique sozinho.


🏘️ José Brunelli Filho

Eu morava na região da Rua JOSÉ Brunelli Filho no Jardim Arizona, em Itatiba.

E foi ali que apareceu o convite.

Luciana e seus familiares perceberam que aquele sujeito recém-retornado da Itália passaria o Natal sozinho.

Então veio algo muito simples:

— Venha passar o Natal conosco.

Não era uma festa formal.

Não havia convite impresso.

Não havia lista sofisticada de convidados.

Era uma ceia comunitária entre vizinhos.

Mais de vinte pessoas.

E havia uma regra implícita maravilhosa:

cada pessoa levaria alguma coisa.

Um preparava um prato.

Outro levava uma sobremesa.

Alguém aparecia com bebida.

Outro trazia alguma receita tradicional da família.

E pouco a pouco uma mesa que não pertencia a ninguém acabava pertencendo a todos.

Eu precisava levar alguma coisa.

E pensei:

vou fazer um pernil.

Mas, naturalmente, sendo El Jefe Midnight Lunch, não poderia simplesmente colocar um pernil inteiro no forno e esperar.

Tinha que inventar moda.



🍖 Pernil suíno à moda portuguesa

A ideia começou com um tacho enorme.

Daqueles que, quando colocados sobre o fogão, já deixam claro que alguma coisa séria vai acontecer.

Em vez de preparar a peça inteira, cortei o pernil em pedaços, quase como grandes bifes.

A intenção era fazer com que a carne cozinhasse lentamente junto com os vegetais e absorvesse os sabores durante horas.

E então começou a montagem.

Camada após camada.

Carne.

Cebola.

Tomate.

Pimentões.

Alho.

Salsinha.

Cebolinha.

Orégano.

Pimenta-preta.

Temperos.

Mais carne.

Mais vegetais.

Outra camada.

E outra.

Até aquele enorme recipiente começar a parecer menos uma panela e mais uma pequena obra de engenharia culinária.


🧅 Camada por camada

Essa talvez seja justamente a imagem que mais gosto de recordar.

Eu estava sozinho em casa naquela tarde de Natal.

Mas estava preparando comida para mais de vinte pessoas.

Existe alguma coisa estranhamente bonita nisso.

Cada ingrediente colocado dentro daquele tacho era destinado a pessoas que, algumas horas depois, estariam reunidas em torno de uma mesa.

A cebola começaria a liberar água.

O tomate lentamente se desfaria.

Os pimentões entregariam sabor ao caldo.

A gordura do próprio porco ajudaria a construir o molho.

E o líquido atravessaria as diferentes camadas.

Não precisava correr.

Pelo contrário.

Fogo baixo.

E tempo.

Muito tempo.


🔥 A tarde inteira cozinhando

O pernil ficou cozinhando lentamente durante praticamente toda a tarde.

Esse era o segredo.

Não havia necessidade de violência gastronômica.

Nada de fogo máximo tentando obrigar a carne a ficar pronta rapidamente.

Era preciso deixar acontecer.

O calor penetrava devagar.

Os vegetais liberavam seus líquidos.

A carne começava a amaciar.

Os sabores iam se misturando.

E aquele enorme tacho ia mudando de aparência e perfume conforme as horas passavam.

Hoje, olhando com cabeça de programador, percebo que aquilo tinha muito de processamento batch.

Você prepara os dados.

Organiza as entradas.

Confere os parâmetros.

Submete o JOB.

E então:

WAIT.

😂

Não adianta ficar apertando ENTER.

O processo precisa do seu tempo.


🎥 E alguém resolveu gravar

Em algum momento daquela preparação peguei a câmera.

Era apenas um pequeno registro.

Nada de iluminação profissional.

Nada de roteiro.

Nada de cenário cuidadosamente preparado para redes sociais.

Muito menos a ideia de que, mais de uma década depois, eu estaria novamente olhando para aquelas imagens.

Era simplesmente:

El Jefe Midnight Lunch na cozinha.

Um homem.

Um tacho.

Um pernil.

Uma tarde de Natal.

E uma câmera registrando alguns minutos daquele processo.

Hoje esse vídeo funciona quase como uma pequena cápsula do tempo.

Porque consigo olhar para aquelas imagens e enxergar coisas que não estão propriamente gravadas nelas.

Consigo lembrar por que eu estava preparando aquela comida.

Consigo lembrar para onde ela iria.

Consigo lembrar das pessoas.

E principalmente consigo lembrar do sentimento daquela noite.


🎄 Chegou a hora da ceia

Quando chegou o momento, o enorme tacho deixou minha cozinha.

O pernil que havia passado a tarde inteira cozinhando lentamente foi levado para a ceia.

E lá estava a mesa.

Farta.

Não porque uma pessoa tivesse comprado tudo.

Não porque alguém tivesse contratado buffet.

Era farta porque cada pessoa havia colocado alguma coisa nela.

Esse detalhe muda tudo.

Havia um pouquinho da história de cada família naquela mesa.

Uma receita feita por alguém.

Uma sobremesa preparada por outro.

Uma bebida trazida por um vizinho.

Um prato que provavelmente vinha sendo preparado daquela maneira havia décadas.

E no meio de tudo aquilo:

o meu enorme tacho de pernil suíno à moda portuguesa.

Minha contribuição.



🍽️ Uma mesa construída por muitas mãos

Talvez essa seja uma das coisas mais bonitas de uma ceia comunitária.

Se vinte pessoas aparecem esperando serem servidas, existe apenas uma festa.

Mas quando vinte pessoas aparecem trazendo alguma coisa, surge uma comunidade.

Cada prato diz silenciosamente:

“Eu também participei.”

Não importa se alguém levou um prato sofisticado ou simplesmente uma garrafa de refrigerante.

A contribuição individual ajuda a construir o todo.

É quase impossível para alguém que trabalha com sistemas não enxergar uma analogia.

Cada componente isoladamente é pequeno.

Mas integrado aos demais produz algo muito maior.

Naquela noite não havia um grande anfitrião.

A própria comunidade era a anfitriã.

Minha saudosa mãezinha lá de cima deve ter ficado feliz, uma mulher festeira que adorava reunir pessoas, ter a casa cheia e compartilhar uma deliciosa refeição, sim sim, uma estrela no céu brilhou feliz por ver suas antigas tradições acontecendo naquela noite de consoada.

❤️ O calor humano do interior

Eu poderia ter passado aquele Natal sozinho.

Talvez tivesse preparado alguma coisa menor.

Ligado a televisão.

Mexido no computador.

Assistido algum filme.

E estaria tudo bem.

Mas Luciana e seus familiares decidiram que não.

Perceberam que eu estava sozinho e fizeram uma coisa extremamente simples:

abriram espaço na mesa.

Não existe tecnologia para substituir isso.

Não existe aplicativo.

Não existe inteligência artificial.

Não existe rede social capaz de reproduzir exatamente o momento em que alguém olha para outra pessoa e diz:

— Você vai passar o Natal sozinho? Então venha para cá.

E pronto.

Problema resolvido.


🧙 O eremita sai da toca

Para alguém com minha tendência natural de eremita, aquilo também era divertido.

Eu poderia ficar tranquilamente no meu pequeno universo.

Mas de repente estava no meio de mais de vinte pessoas.

Conversas.

Risadas.

Pratos circulando.

Gente experimentando a comida dos outros.

Alguém querendo saber quem havia feito determinada receita.

Outro repetindo.

Crianças andando de um lado para outro.

Talheres.

Copos.

Barulho.

Vida.

E aquele pernil que horas antes estava silenciosamente cozinhando na minha casa agora fazia parte da festa.

Talvez cozinhar para outras pessoas tenha justamente essa característica.

A comida carrega um pouco do tempo de quem a preparou.

Durante horas eu havia colocado atenção naquele tacho.

Naquela noite, entreguei aquelas horas para a mesa.


🇵🇹 Por que “à moda portuguesa”?

A inspiração vinha daquela cozinha que aprendi a admirar durante meus anos na Europa.

Não necessariamente uma receita portuguesa ortodoxa, registrada em algum velho livro culinário.

Era muito mais o espírito da coisa.

Carne de porco.

Cebola.

Alho.

Tomate.

Pimentão.

Ervas.

Cozimento demorado.

Comida generosa.

Comida feita para colocar no centro da mesa.

Comida que pede pão para aproveitar o molho que ficou no fundo do prato.

Era uma receita a modo El Jefe.

E essa talvez seja a definição mais correta.


👨‍🍳 A receita do Pernil de Natal à El Jefe

Para quem chegou até aqui querendo efetivamente reproduzir aquela experiência, o princípio é bastante simples.

Corte o pernil suíno em pedaços ou bifes relativamente grossos.

Separe cebolas, tomates, pimentões, alho, salsinha, cebolinha, orégano e pimenta-preta.

Tempere a carne conforme seu gosto.

Em um tacho ou panela grande, monte camadas alternando a carne e os vegetais.

Não tenha pressa.

Os vegetais vão liberar líquido durante o cozimento e formar parte do próprio molho.

Mantenha o fogo baixo.

Tampe.

Observe periodicamente.

Mexa ou reorganize cuidadosamente quando necessário para evitar que o fundo queime.

E deixe o tempo trabalhar.

A carne deve ficar macia e impregnada pelo caldo formado pelos próprios ingredientes.

Essa não é uma receita para preparar quinze minutos antes da visita chegar.

Comece à tarde.

Deixe a casa ganhar cheiro de comida.

Isso também faz parte da receita.


🕰️ Treze anos depois...

O mais curioso é que receitas envelhecem de maneira diferente.

Se eu simplesmente tivesse anotado:

“Pernil, cebola, tomate, alho, pimentão, temperos. Cozinhar em fogo baixo.”

teria preservado uma receita.

Mas aquele vídeo preservou uma história.

Quando olho novamente para ele, não vejo somente os ingredientes.

Vejo o homem que havia retornado da Itália.

Vejo a casa em Itatiba.

Vejo aquela tarde.

Vejo o enorme tacho.

Vejo Luciana e sua família.

Vejo os vizinhos.

Vejo mais de vinte pessoas reunidas.

Vejo a mesa cheia.

E lembro que alguém percebeu que havia um vizinho sozinho no Natal.


🎁 Talvez esse tenha sido o verdadeiro presente

Natal costuma ser associado a presentes embrulhados.

Naquele ano, porém, recebi algo muito mais simples.

Um convite.

“Venha ficar conosco.”

E respondi da maneira que sabia:

levando um enorme tacho de comida.

Talvez seja assim que comunidades funcionem.

Alguém oferece uma cadeira.

Outro leva um prato.

Outro traz uma sobremesa.

Outro aparece com uma bebida.

Alguém conta uma história.

Outro provoca uma gargalhada.

E quando percebemos, vinte contribuições aparentemente pequenas construíram uma noite que continuamos lembrando treze anos depois.


🍖 O pernil desapareceu. A memória ficou.

Não sei dizer quantos pedaços havia naquele tacho.

Não sei quem repetiu.

Não sei quem pegou o último pedaço.

Provavelmente ninguém naquela noite imaginou que aquilo acabaria registrado em um blog e seria revisitado tantos anos depois.

Mas é justamente por isso que gosto dessas antigas postagens.

Elas são pequenos checkpoints da vida.

Às vezes extremamente simples.

Uma locomotiva.

Uma estrada.

Um café.

Uma fotografia.

Uma panela.

Um pernil.

O objeto parece banal até descobrirmos tudo aquilo que estava acontecendo ao redor dele.

E aquele Pernil de Natal à El Jefe nunca foi somente um pernil.

Era a contribuição de um sujeito recém-retornado da Itália para uma mesa onde seus vizinhos haviam decidido que ele não passaria o Natal sozinho.

Talvez a receita verdadeira daquela noite tenha sido outra:

20 e tantas pessoas.

Uma mesa grande.

Cada uma trazendo alguma coisa.

Uma cadeira a mais para quem estava sozinho.

Misture tudo.

Acrescente conversa.

Tempere com risadas.

Deixe algumas horas em calor humano.

E sirva enquanto todos ainda estiverem juntos.

Essa receita, felizmente, não precisa de forno.

E funciona até hoje.


Bellacosa Mainframe

Porque algumas memórias ficam armazenadas em fotografias, outras em programas COBOL de quarenta anos... e algumas sobrevivem no fundo de um enorme tacho de pernil.

Easter egg: se algum programador perguntar quanto tempo aquele JOB culinário ficou executando, a resposta continua sendo a mesma desde 2013:

//PERNIL EXEC PGM=ELJEFE

//PARM='LOWHEAT,NOPRESSA'

RC=00.

O processamento terminou.

A mesa ficou cheia.

E o eremita não passou o Natal sozinho.

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Pernil Fatiado a modo El Jefe


Estamos no final do ano e nada como preparar algo diferente para a ceia.

Resolvi inovar e preparar um pernil na caçarola em pequenos bifes bem temperados e cozido lentamente em fogo baixo.

Usei tudo o que havia a mão, pimentões, alho, cebola, salsinha, cebolinha, oregano, pimenta preta, tomates. Fui montando camada por camada e distribuindo as especiarias de modo que o caldo durante a fervura alcançasse toda a carne


Veja o video e qualquer duvida é so perguntar.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Hambúrguer na brasa.

Bellacosa Mainframe e os hamburguer na brasa

Um Café no Bellacosa Mainframe

🍔 Hambúrguer na Brasa — Quando o Tiz-Tiz Faz Parte da Receita

Mais um daqueles episódios do El Jefe Midnight Lunch em que a missão parecia simples: preparar uma paparoca para matar a fome. Mas, desta vez, resolvi fazer do jeito americano — hambúrguer na churrasqueira, pão aquecido sobre o carvão e aquele inesquecível tiz-tiz da gordura caindo sobre a brasa.

Existem momentos em que a gente simplesmente está com fome.

E existem aqueles em que preparar a comida passa a fazer parte da diversão.

Este era mais um daqueles episódios do El Jefe Midnight Lunch, minha pequena coleção de aventuras gastronômicas em que não havia necessidade de cozinha sofisticada, equipamentos profissionais ou receitas dignas de laboratório.

A missão era muito mais importante:

fazer uma boa paparoca.

E matar a fome.

Desta vez, porém, resolvi seguir por um caminho diferente.

Queria hambúrguer.

Mas não qualquer hambúrguer.

Nada de colocar a carne numa frigideira e simplesmente esperar ficar pronta.

A ideia era fazer algo inspirado naquele imaginário clássico americano:

🔥 churrasqueira acesa;
🍔 hambúrguer diretamente sobre a grelha;
🥖 pão aquecido no calor do carvão;
💨 fumaça envolvendo tudo;
🥩 gordura pingando sobre a brasa.

E então começa uma das melhores partes.



🔥 O fogo também cozinha os sentidos

Quem já colocou uma carne gordurosa sobre uma churrasqueira conhece aquele momento.

O hambúrguer começa relativamente silencioso.

A superfície esquenta.

A gordura começa a derreter.

Uma pequena gota escapa pela grelha.

Cai sobre o carvão.

Tiz.

Outra cai.

Tiz... tiz...

Então aparecem pequenas labaredas.

A fumaça sobe novamente em direção à carne e o cheiro começa a tomar conta do ambiente.

Nesse momento você percebe que cozinhar na churrasqueira é uma experiência completamente diferente de cozinhar numa frigideira.

Você não está usando apenas o paladar.

Está usando praticamente tudo.

Você vê o carvão.

Sente o calor.

Escuta a gordura atingindo a brasa.

Observa a fumaça.

Sente o aroma.

E, antes mesmo da primeira mordida, seu cérebro já recebeu uma mensagem extremamente objetiva:

"Vai ficar bom."



🍔 O hambúrguer começa a ganhar personalidade

Sobre a grelha, o hambúrguer começa a mudar.

A carne vai tostando por fora enquanto a gordura aquece por dentro.

E existe uma pequena batalha acontecendo ali.

De um lado queremos aquela superfície tostada.

Do outro, não queremos transformar o hambúrguer numa pequena peça de carvão mineral.

É preciso observar.

Virar.

Esperar.

Sentir.

Não havia termômetro digital espetado na carne, aplicativo no celular ou inteligência artificial calculando o ponto ideal.

Era tecnologia ancestral:

olho, nariz, ouvido e fome.

O tiz-tiz continuava funcionando como uma espécie de monitor de sistema.

Enquanto havia gordura pingando e aquele barulho característico acontecendo, alguma coisa interessante estava sendo processada ali.

Talvez este fosse o SDSF da churrasqueira.

😄



🥖 E o pão também vai para a churrasqueira

Mas havia outro detalhe importante.

O pão.

Se estamos fazendo hambúrguer na brasa, por que deixar justamente o pão completamente fora da brincadeira?

Então ele também foi para perto do carvão.

Não para carbonizar.

A missão era aquecê-lo e dar aquela leve tostada.

Poucos segundos já começam a transformar sua superfície.

O pão fica quente.

A parte interna ganha uma pequena crocância.

E isso muda bastante a experiência quando finalmente recebe o hambúrguer recém-saído da grelha.

É um detalhe pequeno.

Mas cozinha é cheia desses pequenos detalhes.



👃 Antes de comer, você já havia começado a comer

Talvez essa seja a parte mais interessante dessa lembrança.

Hoje, olhando novamente para aquelas imagens, percebo que o hambúrguer era apenas uma parte da experiência.

O cheiro fazia parte.

O barulho fazia parte.

A fumaça fazia parte.

O calor da churrasqueira fazia parte.

Até ficar parado olhando para a carne e pensando:

"Será que já está bom?"

fazia parte.

Quando cozinhamos alguma coisa diretamente sobre a brasa existe uma antecipação que dificilmente aparece quando simplesmente retiramos um alimento pronto de uma embalagem.

Você acompanha a transformação.

Cru.

Quente.

Tostando.

Gordura derretendo.

Fumaça.

Aroma.

Pronto.

É quase uma pequena linha de produção gastronômica acontecendo diante dos olhos.


🇺🇸 Um pouco daquele imaginário americano

O hambúrguer tem uma ligação enorme com a cultura popular dos Estados Unidos.

Filmes, séries e desenhos ajudaram a construir aquela imagem quase universal:

um quintal, uma churrasqueira, alguém diante da grelha e hambúrgueres sendo preparados.

Naturalmente, no El Jefe Midnight Lunch, a coisa ganhava sua interpretação particular.

Não precisávamos reproduzir exatamente uma receita americana.

A graça estava justamente em pegar aquela ideia e fazer nossa própria versão.

Porque cozinhar em casa também é isso.

Você vê alguma coisa.

Fica com vontade.

Olha para aquilo que tem disponível.

E pensa:

"Dá para fazer."

Às vezes sai exatamente como imaginávamos.

Às vezes nasce uma criatura gastronômica completamente diferente.

Mas normalmente é aí que estão as melhores histórias.


🔊 TIZ-TIZ: o verdadeiro soundtrack da churrasqueira

Se eu pudesse guardar apenas um detalhe sonoro daquela preparação provavelmente seria este:

tiz... tiz... TIZZZ...

A gordura atingindo o carvão.

É quase a trilha sonora oficial de uma churrasqueira funcionando.

E existe ciência acontecendo naquele pequeno espetáculo.

Quando a gordura cai sobre uma superfície extremamente quente, parte dela vaporiza e parte sofre transformações térmicas. A fumaça e os compostos aromáticos produzidos nesse processo circulam ao redor da comida.

É justamente por isso que preparar algo sobre carvão produz sensações diferentes daquelas obtidas numa superfície elétrica ou numa frigideira.

Não significa simplesmente "colocar gosto de fumaça".

Existe uma combinação de calor intenso, tostagem da superfície, gordura, fumaça e aromas.

Por isso nosso nariz percebe a churrasqueira muito antes de nossa boca experimentar a comida.

Aliás, provavelmente os vizinhos também percebem.

😂


🧠 A fome também começa no nariz

Existe outra coisa curiosa.

O aroma da comida participa diretamente da nossa percepção de sabor.

Quando sentimos o cheiro do hambúrguer tostando, o cérebro começa a construir expectativas antes mesmo de a comida chegar à boca.

Por isso aquele hambúrguer parecia cada vez melhor enquanto assava.

Não era apenas fome.

Era uma espécie de ataque coordenado aos sentidos.

Primeiro:

👂 tiz-tiz

Depois:

👃 cheiro de carne e carvão

Depois:

👀 hambúrguer tostando sobre a grelha

Finalmente:

🍔 a mordida.

O pobre cérebro já estava cercado.


☕ A cozinha do El Jefe nunca foi apenas sobre receitas

Revendo esses antigos episódios, talvez isso fique cada vez mais evidente.

O El Jefe Midnight Lunch nunca foi exatamente um programa de culinária.

Era uma coleção de experiências.

Às vezes uma receita.

Às vezes uma invenção.

Às vezes simplesmente alguma coisa preparada porque a fome havia chegado e era necessário resolver o problema.

Mas havia sempre aquela curiosidade:

"E se eu fizer assim?"

É justamente esse espírito que transforma uma coisa tão banal quanto preparar um hambúrguer numa pequena aventura.

Você poderia simplesmente fritá-lo.

Mas resolveu acender o carvão.

Colocou a carne na grelha.

Esquentou o pão.

Esperou.

Escutou o tiz-tiz.

Sentiu o cheiro.

Viu a fumaça subir.

E finalmente montou o lanche.


🍔 A paparoca estava pronta

No final das contas, toda aquela filosofia tinha um objetivo muito menos sofisticado.

Eu estava com fome.

😂

O hambúrguer saiu da churrasqueira tostado, quente e suculento.

O pão também havia passado pelo calor da brasa.

Aquele cheiro que durante vários minutos havia tomado conta do ambiente finalmente tinha endereço.

Era hora de comer.

Missão cumprida.

Mais uma paparoca preparada.

Mais um episódio do El Jefe Midnight Lunch.

E mais uma pequena lembrança que, muitos anos depois, continua trazendo de volta algo que uma fotografia jamais conseguiria registrar completamente:

o calor da churrasqueira,

a fumaça subindo,

o cheiro do carvão,

a gordura pingando...

e aquele maravilhoso:

tiz... tiz... TIZZZZZ.

🔥🍔

Porque algumas receitas ficam guardadas num caderno.

Outras ficam guardadas no nariz, nos ouvidos e na memória.

E essas talvez sejam as mais difíceis de esquecer.

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X Salada a El Jefe

O sabor de um hambúrguer na brasa é único. Principalmente quando compramos a carne, mandamos moer no tamanho pequeno, fazemos nosso próprio tempero.

Depois o ritual de preparar o carvão e acender a churrasqueira, esperar atingir a temperatura certa e começar a assar.



Depois que a carne estiver no ponto, colocar uma folhinha de manjericão, a fatia de queijo e o pão para aquecer. Quando tudo estiver no ponto acrescentar o molho, o tomate e a alface.

Bom apetite.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

🍑 COMO PRODUZIR UMEBOSHI EM CASA

Bellacosa Mainframe na seca da ume para produzir umeboshi

🍑 COMO PRODUZIR UMEBOSHI EM CASA


Receita raiz ao estilo Bellacosa Mainframe
(quando você vira operador, storage, JES2 e backup da tradição japonesa)

Vou te dizer logo de cara: fazer umeboshi em casa não é receita, é processo batch.
Não tem atalho, não tem CTRL+C / CTRL+V, não tem pressa.
É job longo, roda por meses, mas quando termina… entrega resiliência em forma de comida.


🏯 PRIMEIRO: O QUE É UME?

A ume é uma ameixa japonesa (na real, um híbrido entre damasco e ameixa).
Sozinha ela é azeda, dura e ingrata.
Mas depois do processamento correto… vira umeboshi, um dos alimentos mais antigos, funcionais e simbólicos do Japão.

👉 Conserva
👉 Probiótico natural
👉 Antibiótico ancestral
👉 Backup alimentar de guerra


📦 PRÉ-REQUISITOS (DATASETS OBRIGATÓRIOS)

Antes de submeter o job:

  • 1 kg de ume verde (não madura, firme)

  • 150 a 200 g de sal grosso marinho (15–20%)

  • Shiso vermelho seco (opcional, mas clássico)

  • Pote de vidro ou cerâmica esterilizado

  • Peso (prato + algo pesado)

  • Sol, paciência e silêncio

⚠️ Erro comum de iniciante: usar ameixa comum.
Não é a mesma coisa. Job abenda.


🧼 STEP 1 — LIMPEZA (ALLOCATE & SORT)

  1. Lave as ume com cuidado.

  2. Retire os cabinhos.

  3. Seque uma a uma.

Aqui é igual preparar dataset crítico:
qualquer sujeira vira corrupção futura.


🧂 STEP 2 — SALGA (EXEC PGM=UMEBOSHI)

  1. Faça camadas no pote:

    • ume

    • sal

    • ume

    • sal

  2. Termine com sal por cima.

  3. Cubra com prato e coloque peso.

📌 Após 2–3 dias, vai surgir líquido: umezu.
Isso é sinal de job rodando com sucesso.


🌿 STEP 3 — SHISO (OPCIONAL, MAS TRADICIONAL)

Se usar shiso vermelho:

  1. Amasse com sal até soltar líquido escuro.

  2. Descarte o líquido.

  3. Coloque o shiso junto das ume no pote.

Resultado:
🔴 cor
🌸 aroma
🧠 memória cultural


☀️ STEP 4 — SECAGEM AO SOL (LONG RUNNING JOB)

Depois de 1 mês em salmoura:

  1. Retire as ume.

  2. Seque ao sol por 3 dias, virando de tempos em tempos.

  3. À noite, recolha (orvalho é corrupção de dados).

Isso é batch noturno + diurno, estilo raiz.


🗄️ STEP 5 — ARMAZENAMENTO (BACKUP OFFSITE)

  • Volte as ume para o pote

  • Cubra com umezu

  • Armazene em local fresco

Tempo de maturação:

  • Mínimo: 6 meses

  • Ideal: 1 a 3 anos

  • Mestres: 10+ anos

Sim, umeboshi envelhece melhor que vinho.


🧠 DICAS DE OPERADOR VETERANO

✔ Quanto mais sal, mais durável
✔ Menos sal = mais cuidado
✔ Mofo branco pode ser removido
✔ Mofo preto = ABEND S0C7 (descarta tudo)


🥢 COMO USAR (APLICAÇÕES)

  • Com arroz branco

  • Dentro do onigiri

  • Em chá quente (remédio)

  • Em molhos

  • Para “acordar o sistema” depois de exageros


🥋 FILOSOFIA EMBUTIDA

Fazer umeboshi ensina:

  • Mottainai – nada se desperdiça

  • Wabi-sabi – o valor do imperfeito

  • Shikata ga nai – o tempo manda

  • Resiliência – algo ácido vira força


🧠 CONCLUSÃO BELLACOSA

Produzir umeboshi em casa é como trabalhar com mainframe:

  • Antigo

  • Lento

  • Preciso

  • Pouco entendido

  • Mas absolutamente confiável

É comida que aguenta crises, guerras, apagões…
e ainda melhora com o tempo.

Se quiser, no próximo post eu te ensino:
👉 Umeboshi low-salt (cloud-native)
👉 Umeboshi com mel (versão ocidental)
👉 Falhas comuns e ABENDs do processo

☕🍑
Aqui a tradição roda em batch…
e não falha.

Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

IBM Champion IBM Z COBOL CICS Db2 z/OS Mainframe desde 1988
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