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quarta-feira, 8 de julho de 2026

PERFORM Recursivo em COBOL: O Warning que Todo Padawan Ignora (Até o Job Estourar o TIME e o REGION)

 

Bellacosa e o perigo do perform recursivo

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

PERFORM Recursivo em COBOL: O Warning que Todo Padawan Ignora (Até o Job Estourar o TIME e o REGION)

"Recursão é uma ferramenta fantástica... exceto quando você tenta usá-la como estrutura de repetição dentro de um programa COBOL Batch."

Quem vem de Java, C#, Python ou C costuma achar natural escrever funções recursivas.

Quem cresceu no COBOL aprende rapidamente uma regra quase sagrada:

Nunca faça um PERFORM recursivo em um parágrafo ou seção.

Mas por quê?

Vamos abrir o capô do compilador.


Primeiro: o que é um PERFORM recursivo?

Imagine algo assim:

0000-PRINCIPAL.

    PERFORM 1000-PROCESSA

    STOP RUN.

1000-PROCESSA.

    DISPLAY "PROCESSANDO"

    PERFORM 1000-PROCESSA.

O programa chama...

...que chama...

...que chama...

...que chama novamente...

Nunca termina.


O warning da compilação

O Enterprise COBOL consegue detectar algumas formas óbvias de recursão.

Durante a compilação pode surgir mensagens semelhantes a:

IGYPSxxxx-W

Recursive PERFORM detected.

ou

Possible recursive PERFORM.

O compilador está dizendo:

"Existe um caminho onde este PERFORM pode executar novamente antes do anterior terminar."

Nem sempre é erro.

Mas quase sempre indica problema de projeto.


Por que isso é perigoso?

Porque PERFORM não foi criado para funcionar como chamada infinita de procedimentos.

Cada PERFORM precisa guardar informações como:

  • endereço de retorno

  • contexto de execução

  • pilha de controle

  • informações internas do runtime

A cada nova chamada tudo isso cresce.

PERFORM A
    ↓
PERFORM A
    ↓
PERFORM A
    ↓
PERFORM A
    ↓
PERFORM A

A pilha nunca é liberada.


O que acontece durante a execução?

Enquanto houver memória:

Stack

+----------------+
| retorno        |
+----------------+
| retorno        |
+----------------+
| retorno        |
+----------------+
| retorno        |
+----------------+
| retorno        |
+----------------+

Cada PERFORM adiciona um novo frame.

Quando acaba a pilha...

Boom.


O programa pode terminar com

Dependendo do ambiente:

  • S0C1

  • S0C4

  • S0CB

  • S878

  • S80A

Ou simplesmente:

ABEND

Tudo depende de onde ocorreu a falha.


O erro de TIME no JCL

Muito antes da memória acabar...

o Job pode morrer por tempo.

Exemplo:

//STEP1 EXEC PGM=MEUPROG,TIME=1

ou

TIME=1440

Mesmo com TIME=1440...

o programa nunca termina.

O JES percebe que o tempo máximo foi atingido.

Resultado:

S322

Ou mensagens semelhantes indicando limite de CPU excedido.

Não foi o COBOL.

Foi o JCL protegendo o sistema.


O erro de REGION

Outro clássico.

Cada PERFORM recursivo consome mais memória.

Em algum momento:

REGION=0M

não resolve.

Porque memória infinita não existe.

O resultado costuma ser:

S878

ou

S80A

Falta de armazenamento.


"Mas REGION=0M não é infinito?"

Não.

É apenas o máximo permitido pela instalação.

Existe limite de:

  • memória virtual

  • stack

  • storage abaixo da linha

  • storage acima da linha

  • política do sistema

Nada disso é infinito.


O maior problema: lógica

Suponha:

1000-ROTINA.

    IF WS-FIM = 'N'
       PERFORM 1000-ROTINA
    END-IF.

Quem altera:

WS-FIM

Se ninguém alterar...

Nunca haverá saída.

É um loop infinito disfarçado.


Por que não usar recursão em parágrafos e seções?

Porque COBOL foi projetado para outro paradigma.

A linguagem nasceu para processamento sequencial.

Ela possui comandos próprios para repetição.

Como:

PERFORM UNTIL
PERFORM VARYING
SEARCH
SEARCH ALL

Essas estruturas:

  • são previsíveis

  • ocupam pouca memória

  • facilitam depuração

  • têm melhor desempenho


"Mas COBOL suporta recursão."

Sim.

Desde o Enterprise COBOL moderno existe:

RECURSIVE PROGRAM-ID.

ou

PROGRAM-ID. MEUPROG RECURSIVE.

Isso significa que o programa pode chamar a si próprio.

Exemplo clássico:

  • árvore binária

  • parsing

  • algoritmos matemáticos

  • estruturas hierárquicas

Mesmo assim...

Não significa que seja recomendado para processamento batch tradicional.


A diferença importante

Errado

Parágrafo
↓

PERFORM

↓

Mesmo parágrafo

Recursão interna.

Difícil de manter.


Correto

Programa A

CALL Programa A

Novo contexto

Retorna

Quando realmente houver necessidade de recursão.


Curiosidade

Os compiladores antigos praticamente desencorajavam qualquer tipo de recursão.

O foco sempre foi:

  • velocidade

  • previsibilidade

  • baixo consumo de memória

A maioria dos sistemas bancários jamais precisou de recursão.


Como um sênior resolveria?

Em vez disso:

PERFORM UNTIL WS-FIM = 'S'

    ...

END-PERFORM

ou

PERFORM VARYING IDX FROM 1 BY 1
        UNTIL IDX > TOTAL

Muito mais claro.

Muito mais rápido.

Muito mais seguro.


Boas práticas

✅ Prefira PERFORM UNTIL para laços controlados.

✅ Use PERFORM VARYING para contadores.

✅ Evite PERFORM chamando o próprio parágrafo.

✅ Revise IFs que nunca alteram a condição de saída.

✅ Analise os warnings do compilador; eles frequentemente apontam defeitos reais de lógica.

✅ Monitore consumo de CPU e storage no SDSF durante testes.

✅ Se precisar de recursão, utilize programas declarados RECURSIVE e valide cuidadosamente profundidade máxima e condição de parada.

✅ Sempre tenha uma condição de saída claramente identificável.


Dicas de depuração

Se um Job "não termina":

  1. Verifique se a CPU continua aumentando no SDSF.

  2. Procure PERFORMs que retornam ao mesmo parágrafo.

  3. Confirme se a variável de controle realmente muda.

  4. Ative SSRANGE em ambiente de teste para detectar erros relacionados a índices e referências inválidas.

  5. Gere um compile listing (LIST, MAP, XREF) para acompanhar o fluxo de chamadas.

  6. Revise mensagens do compilador; um warning ignorado hoje pode virar um ABEND amanhã.


Caminho para o Padawan COBOL

Antes de pensar em recursão, domine completamente:

  1. PERFORM

  2. PERFORM THRU

  3. PERFORM UNTIL

  4. PERFORM VARYING

  5. Estrutura de parágrafos e seções

  6. Escopo explícito (END-IF, END-PERFORM)

  7. Fluxo estruturado sem GO TO

  8. Subprogramas com CALL

  9. Programas RECURSIVE apenas quando o problema realmente exigir

Quando você entender por que o COBOL prefere estruturas iterativas, começará a enxergar o sistema como os arquitetos do IBM Z enxergam: programas previsíveis, eficientes e fáceis de manter. Em ambientes que processam milhões de transações por dia, previsibilidade vale muito mais do que elegância acadêmica.