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sexta-feira, 15 de maio de 2026

IBM Storage Insights 2Q26 Muito Além do Monitoramento: A Nova Era da Observabilidade para IBM Storage

 

Bellacosa Mainframe a nova era do ibm storage


☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

IBM Storage Insights 2Q26

Muito Além do Monitoramento: A Nova Era da Observabilidade para IBM Storage

"Durante muitos anos administradores de storage olhavam para discos, controladoras e portas Fibre Channel. Hoje observam tendências, saúde operacional e inteligência analítica. A diferença parece pequena. Na prática, muda completamente a forma de operar um datacenter."


O Storage deixou de ser invisível

Durante décadas, armazenamento era considerado infraestrutura.

Funcionava?
Ótimo.

Não funcionava?
Chamavam o especialista de storage.

Hoje isso mudou.

Em um ambiente moderno existem:

  • IBM Z

  • LinuxONE

  • VMware

  • Kubernetes

  • OpenShift

  • Cloud híbrida

  • IA

  • Data Lakes

  • Storage Scale

  • FlashSystem

  • DS8000

Tudo depende do storage.

Um pequeno problema em uma porta Fibre Channel pode afetar milhares de aplicações.

É justamente esse cenário que o IBM Storage Insights procura resolver.


O foco da versão 2Q26

Ao analisar todas as novidades percebe-se um padrão.

A IBM investiu em cinco pilares:

  • observabilidade

  • experiência do operador

  • análise inteligente

  • integração

  • automação

Não há novos equipamentos.

Não há novo hardware.

Há inteligência operacional.

E isso vale muito mais.


1. Fleet Performance Analysis

Até agora a análise era muito centrada em um storage específico.

Agora passa a existir uma visão da frota inteira.

Imagine um banco com:

  • 15 DS8900F

  • 8 FlashSystem

  • 6 SAN Directors

  • dezenas de switches Fibre Channel

Antes era necessário analisar equipamento por equipamento.

Agora é possível observar tendências globais.

Isso permite responder perguntas como:

  • Qual storage ficou mais lento?

  • Qual começou a aumentar a latência?

  • Em qual região ocorreu maior utilização?

  • Existe um comportamento anormal em todo o ambiente?

Esse tipo de análise aproxima o Storage Insights das plataformas modernas de observabilidade.


2. Upgrade guiado para o Pro

Parece um detalhe.

Não é.

A IBM percebeu que muitos clientes utilizavam apenas a versão Free porque o processo de migração não era claro.

Agora existe um assistente mostrando:

  • licença atual

  • recursos disponíveis

  • diferenças entre versões

  • caminho de atualização

Resultado:

menos dúvidas.

Menos chamados.

Menor tempo para adoção.


3. Novo NOC Dashboard

O dashboard ganhou uma filosofia muito diferente.

Antes havia muitas telas.

Agora existem cartões inteligentes.

Entre os novos recursos:

✔ Saúde

✔ Capacidade

✔ Performance

✔ Desvios

✔ Tendências

✔ Intervalo de tempo flexível

Além disso surgiu um widget extremamente interessante.

O novo Performance Widget identifica automaticamente quais sistemas merecem atenção.

Ou seja:

não é mais o operador procurando problemas.

É o dashboard chamando o operador.

Esse é um conceito típico de plataformas modernas de observabilidade.


4. Monitoramento óptico da SAN

Na minha opinião, esta é uma das novidades mais importantes.

Até hoje muitos problemas em Fibre Channel eram diagnosticados apenas quando os erros apareciam.

Agora passam a existir três métricas fundamentais:

SFP Temperature

Temperatura do transceiver óptico.

Temperatura elevada normalmente indica:

  • degradação

  • ventilação inadequada

  • desgaste


SFP Tx Power

Potência óptica transmitida.

Quando começa a cair pode indicar:

  • envelhecimento do laser

  • problemas no transmissor


SFP Rx Power

Potência óptica recebida.

Permite detectar:

  • fibras sujas

  • conectores danificados

  • curvatura excessiva

  • atenuação

  • perda óptica

Isso muda completamente o modelo de suporte.

Antes:

"O link caiu."

Agora:

"O nível óptico vem degradando há três semanas."

É manutenção preditiva.


Bellacosa Mainframe espiona o DS8000

5. Capacity Insights para DS8000

Quem administra DS8000 sabe como planejamento de capacidade pode ser complexo.

A IBM agora separa claramente:

  • capacidade IBM Z

  • Open Systems

  • Thin Provisioning

  • Compression

  • Non Compression

  • economia obtida

  • eficiência geral

Isso facilita responder perguntas clássicas da diretoria:

"Precisamos comprar mais discos?"

Ou:

"A compressão está realmente gerando economia?"


6. IBM Storage Scale na nova interface

Outro passo importante.

O IBM Storage Scale passa a aparecer na interface moderna.

Nesta primeira fase (Technology Preview), o foco é:

  • inventário

  • configuração

  • hardware

  • software

No futuro deverão chegar métricas completas de desempenho.

A tendência é consolidar toda a infraestrutura IBM Storage em uma única interface.


7. REST API Version 2

Toda plataforma moderna precisa ser automatizada.

A nova API V2 simplifica integrações com ferramentas como:

  • Ansible

  • Terraform

  • Grafana

  • ServiceNow

  • Red Hat Ansible Automation Platform

  • IBM Concert

  • IBM Turbonomic

O detalhe interessante é que a IBM manteve compatibilidade com a versão anterior.

Ou seja:

não quebra integrações existentes.

É uma evolução segura.


O que isso significa para ambientes IBM Z?

Embora o IBM Storage Insights não substitua ferramentas tradicionais de administração do z/OS, ele complementa a visão operacional do ambiente.

Em um datacenter IBM Z, ele pode fornecer visibilidade sobre:

  • DS8000

  • FlashSystem

  • SAN Fibre Channel

  • Storage Scale

  • eficiência de compressão

  • crescimento de capacidade

  • tendências de desempenho

  • saúde da infraestrutura de armazenamento

Isso ajuda equipes de infraestrutura a identificar gargalos antes que impactem workloads críticos executados no IBM Z.


Minha avaliação

A IBM claramente está posicionando o Storage Insights como uma plataforma de observabilidade para armazenamento, e não apenas como um console de monitoramento.

As novidades mais relevantes desta versão são:

Fleet-Level Performance Analysis — visão consolidada do ambiente.

Monitoramento óptico de SAN — manutenção preditiva para Fibre Channel.

Capacity Insights para DS8000 — planejamento de capacidade mais preciso.

IBM Storage Scale na interface moderna — unificação da administração.

REST API v2 — integrações mais simples e preparadas para automação.

Novo NOC Dashboard — operação orientada por eventos e indicadores.

Para organizações que operam ambientes críticos — bancos, seguradoras, governos e grandes empresas — esses recursos reduzem o tempo gasto em diagnóstico, aumentam a visibilidade da infraestrutura e fortalecem uma abordagem proativa na gestão do armazenamento, em vez de apenas reagir a incidentes quando eles já ocorreram.


segunda-feira, 11 de maio de 2026

🔥💣 “O MAINFRAME NÃO FICOU CARO — VOCÊ É QUE DEIXOU O 4HRA VIRAR UM INCÊNDIO” ☕💾

 

Bellacosa Mainframe e o custo medio de uso do mainframe 4HRA

🔥💣 “O MAINFRAME NÃO FICOU CARO — VOCÊ É QUE DEIXOU O R4HA VIRAR UM INCÊNDIO” ☕💾

Rolling 4HRA no IBM Z: A Verdade Brutal que Todo Sysprog Junior Descobre Quando o CPU Começa a Derreter

Padawan…

Existe um momento sombrio na vida de todo SYSprog junior.

Um momento em que:

  • o CPU começa a subir,

  • o RMF vira filme de terror,

  • o DBA começa a suar frio,

  • o gerente pergunta sobre custos,

  • e alguém pronuncia uma sigla maldita dentro da sala de guerra:

🚨 R4HA

Ou:

🔥 Rolling 4-Hour Average

Nesse instante…

Você deixa de ser apenas “o cara que olha JES2 e IPL”.

E começa a entender a realidade brutal do mundo IBM Z moderno:

O maior inimigo do mainframe não é a falta de potência.

É workload mal otimizado queimando MSU como se CPU fosse lenha.


☕ O GRANDE MITO: “MAINFRAME É CARO”

Padawan…

O IBM Z não ficou caro por acaso.

O problema é que muita empresa roda:

  • SQL desastroso,

  • batch sem controle,

  • SORT monstruoso,

  • loops infinitos,

  • CICS mal desenhado,

  • e workloads completamente desequilibrados.

Depois olha para a conta mensal e diz:

  • “o mainframe custa caro”.

É como culpar a usina elétrica porque alguém deixou um forno industrial ligado dentro da garagem.


Bellacosa Mainframe e o rolling 4hra

🔥 O QUE É O ROLLING 4HRA?

O Rolling 4HRA é:

  • uma média móvel de consumo de CPU/MSU das últimas 4 horas.

Mas dizer só isso é simplificar demais.

Na prática ele é:

💀 O SENSOR FINANCEIRO DO DATACENTER

Porque ele mede:

  • consumo sustentado,

  • pressão operacional,

  • tendência de carga,

  • risco financeiro,

  • e eficiência arquitetural do ambiente.


💾 O MAINFRAME NÃO TEM MEDO DE PICOS

Esse é o detalhe genial do modelo IBM Z.

O sistema foi construído para absorver:

  • explosões de workload,

  • fechamento bancário,

  • Black Friday,

  • processamento massivo,

  • milhões de transações.

O problema nunca foi:

  • o pico curto.

O problema é:

🔥 O INCÊNDIO CONTÍNUO

É aí que o R4HA entra.


☕ A FILOSOFIA POR TRÁS DO R4HA

Imagine um motor Ferrari.

Uma acelerada rápida:

  • não destrói o motor.

Mas manter:

  • giro máximo,

  • temperatura extrema,

  • pressão contínua,

  • por horas…

Aí o sistema começa a sofrer.

O Rolling 4HRA existe justamente para medir:

  • desgaste sustentado.


🚨 POR QUE A IBM USA ISSO?

Porque seria injusto cobrar:

  • pelo pico de alguns minutos.

Então o ecossistema IBM criou:

  • média móvel de 4 horas.

Isso suaviza:

  • explosões temporárias,

  • spikes pequenos,

  • ruídos operacionais.

Mas também revela:

  • workloads persistentemente ruins.


🔥 E É AQUI QUE O SYSprog PADAWAN ACORDA PARA A VIDA

Você percebe que:

  • CPU não é apenas CPU.

Ela virou:

  • dinheiro,

  • licensing,

  • SLA,

  • capacidade,

  • reputação operacional.

No IBM Z moderno:

💰 MSU = DINHEIRO


💣 QUANDO O DESASTRE COMEÇA

Tudo parece normal.

Até que alguém sobe:

  • um SQL sem índice,

  • um tablespace scan monstruoso,

  • um batch paralelo sem controle,

  • um SORT insano,

  • um COBOL looping,

  • um CICS runaway task.

Aí…

O CPU começa a subir.

Mas o verdadeiro terror ainda nem começou.


☕ O “EFEITO VENENO” DO R4HA

Esse conceito separa:

  • o junior do veterano.

Porque mesmo depois de corrigir o problema:

  • o R4HA continua alto.

E o padawan pergunta:

“Mas já cancelamos o job… por que continua ruim?”

Porque o Rolling 4HRA:

  • ainda está carregando o histórico do desastre.


🔥 O R4HA TEM MEMÓRIA

Ele funciona como:

  • uma onda de calor.

Mesmo após apagar o incêndio:

  • o ambiente continua quente.

Isso gera:

  • impacto financeiro,

  • impacto operacional,

  • pressão no capacity planning.


💾 O ERRO CLÁSSICO DOS JUNIORS

Confundir:

  • CPU instantânea
    com

  • Rolling 4HRA.

São coisas completamente diferentes.

Você pode ter:

  • CPU baixa AGORA,

  • mas R4HA altíssimo.

Porque a média móvel ainda está contaminada pelas horas anteriores.


🚨 O QUE MAIS INCENDIA O R4HA?

🔥 DB2

Aqui mora um dos maiores vilões do datacenter.

Um único SQL ruim pode:

  • destruir cache,

  • explodir SORT,

  • aumentar GETPAGE,

  • saturar CPU,

  • gerar scan absurdo.

E tudo isso:

  • alimenta o R4HA.


🔥 CICS

Quando mal desenhado:

  • vira um triturador de MSU.

Problemas clássicos:

  • pseudo-conversational ruim,

  • polling excessivo,

  • loops de transação,

  • runaway tasks,

  • filas gigantes.


🔥 BATCH

O batch mal otimizado é um clássico.

Especialmente:

  • DFSORT gigantesco,

  • JOINKEYS abusivo,

  • I/O thrashing,

  • múltiplos jobs concorrentes.

O resultado:

💀 tempestade de CPU


☕ O WLM TENTA SALVAR O AMBIENTE

O WLM funciona como:

  • o maestro do caos.

Ele tenta:

  • priorizar workloads,

  • proteger online,

  • equilibrar recursos,

  • manter SLA.

Mas quando:

  • tudo começa a consumir demais…

Nem o WLM faz milagre.


🔥 SOFT CAPPING: A FACA DE DOIS GUMES

Então alguém diz:

“Vamos limitar MSU!”

Aí nasce o:

💣 Soft Capping

Objetivo:

  • evitar explosão financeira.

Mas se configurado errado:

  • batch atrasa,

  • online degrada,

  • filas explodem,

  • SLA morre.


💾 O PARADOXO DO SYSprog

Se libera CPU:
💰 custo explode.

Se limita demais:
💀 produção explode.

Esse equilíbrio delicado é uma das artes mais difíceis do IBM Z.


🚨 O QUE O SYSprog EXPERIENCED APRENDE

Ele aprende que performance tuning não é:

  • “deixar rápido”.

É:

🔥 impedir o datacenter de sangrar dinheiro


☕ O MAINFRAME MODERNO É UMA MÁQUINA DE EFICIÊNCIA

O IBM Z moderno:

  • processa milhões de TPS,

  • roda bancos inteiros,

  • suporta cloud híbrida,

  • executa IA,

  • integra APIs,

  • conversa com Kubernetes,

  • roda Linux massivamente.

O hardware é absurdamente poderoso.

O problema normalmente está:

  • no workload.


💣 O MAINFRAME NÃO ESTÁ LENTO

Na maioria dos casos:

  • o ambiente está sendo sabotado por software ruim.

E o Rolling 4HRA:

  • apenas revela isso de forma cruel.


🔥 O DIA EM QUE O PADAWAN EVOLUI

A evolução acontece quando ele entende:

tuning não é estética

Não é:

  • “ganhar benchmark”.

É:

  • sobrevivência financeira,

  • estabilidade operacional,

  • sustentabilidade do ambiente.


☕ RMF: O ORÁCULO DO IBM Z

O SYSprog veterano aprende a ler:

  • RMF,

  • SMF 70,

  • SMF 72,

  • OMEGAMON,

  • MXG,

  • IntelliMagic.

Porque nesses relatórios está:

  • a verdade do ambiente.

O R4HA conta uma história.

E essa história normalmente aponta:

  • quem está incendiando CPU.


🔥 O MAINFRAME CONTINUA SENDO O REI

E aqui está a ironia maravilhosa.

Mesmo sob caos:

  • milhões de transações continuam funcionando,

  • ATM continua online,

  • PIX continua passando,

  • cartão continua autorizando,

  • folha continua fechando.

Enquanto isso…

  • o IBM Z aguenta pancada absurda silenciosamente.


💾 A GRANDE VERDADE

O problema nunca foi:

  • a potência do mainframe.

O problema é:

  • arquitetura ruim,

  • SQL ruim,

  • falta de governança,

  • tuning inexistente,

  • e desconhecimento sobre workload management.


☕ LIÇÃO FINAL DO PADAWAN IBM Z

Quando você olha um Rolling 4HRA:

  • você não está vendo apenas CPU.

Você está vendo:

  • comportamento do ambiente,

  • disciplina operacional,

  • maturidade técnica,

  • eficiência arquitetural,

  • e o custo real das decisões ruins.


🔥 FRASE FINAL ESTILO BELLACOSA MAINFRAME

“O IBM Z não cobra caro por existir.
Ele apenas expõe, em MSU e R4HA, todas as decisões ruins que alguém colocou em produção.” ☕💾🔥



🔥 Rollinf 4HRA

 O Rolling 4HRA (Rolling 4-Hour Average) é a média móvel de consumo de capacidade do mainframe IBM Z durante as últimas quatro horas. Ele mede o uso sustentado de CPU e MSU, sendo utilizado pelo WLM, RMF e modelos de licenciamento IBM para calcular custos e avaliar performance do ambiente. Diferente do uso instantâneo de CPU, o 4HRA continua elevado mesmo após um pico terminar, refletindo impactos anteriores no workload. Por isso, SQL ruim, batch pesado e loops podem aumentar custos significativamente.

 

quarta-feira, 18 de setembro de 2024

AIOps : Quando um Programador Embarca no Seaview e Descobre que o Verdadeiro Monstro do Oceano Não é um Polvo Gigante.

Bellacosa Mainframe apresenta o aiops

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

AIOps sem Mistérios para Programadores COBOL

Quando um Programador Embarca no Seaview e Descobre que o Verdadeiro Monstro do Oceano Não é um Polvo Gigante... É uma Anomalia de Performance Escondida Entre Milhões de Métricas

"Profundidade: 8.000 metros."

"Pressão externa: centenas de atmosferas."

"Silêncio absoluto."

No fundo do oceano não existe espaço para improvisação.

Não existe Ctrl+C.

Não existe reboot.

Não existe "vamos tentar novamente amanhã".

Uma pequena falha...

...e toda a missão termina.

Curiosamente, é exatamente assim que funciona um IBM Z.

Enquanto milhões de pessoas compram, transferem dinheiro, usam cartões, fazem PIX, reservam passagens e movimentam bolsas de valores, o mainframe continua trabalhando silenciosamente nas profundezas da infraestrutura mundial.

É justamente aí que nasce o universo do AIOps, do Performance Management e do Capacity Planning.

Prepare seu uniforme da Marinha Nelson Institute, embarque no USS Seaview, comandado pelo Almirante Harriman Nelson e pelo Capitão Lee Crane, porque hoje faremos uma viagem ao fundo do mar... das métricas do IBM Z.


Capítulo 1 — O Oceano Invisível do Mainframe

Todo iniciante imagina que um computador executa apenas programas.

Na realidade, um IBM Z executa milhares de atividades simultaneamente.

Enquanto seu programa COBOL faz um simples:

READ CLIENTES

o sistema inteiro está trabalhando.

Nos bastidores existem:

  • Dispatcher

  • PR/SM

  • WLM

  • zIIP

  • RMF

  • SMF

  • CICS

  • Db2

  • MQ

  • JES2

  • VSAM

  • RACF

  • DFSMS

  • Coupling Facility

  • IOS

  • Channel Subsystem

Todos gerando estatísticas.

Imagine centenas de sensores espalhados pelo casco do Seaview.

Cada sensor mede:

  • pressão

  • temperatura

  • velocidade

  • combustível

  • profundidade

  • oxigênio

  • consumo elétrico

Agora multiplique isso por dezenas de milhares.

É isso que o IBM Z mede continuamente.


Easter Egg nº 1

Na série Viagem ao Fundo do Mar, o Seaview parecia navegar calmamente.

Mas na sala de máquinas havia dezenas de oficiais monitorando centenas de instrumentos.

No IBM Z acontece exatamente o mesmo.

Você vê apenas uma tela 3270.

Por trás dela existe um oceano inteiro de telemetria.


Capítulo 2 — O erro que muita gente está cometendo

Com a chegada dos LLMs surgiu uma ideia perigosa.

"Agora basta perguntar para uma IA."

Será?

Imagine entrar no Seaview e perguntar:

— IA, estamos seguros?

Resposta:

— Sim.

Fim.

Mas...

E se existir uma microfissura no casco?

E se um sonar estiver apresentando ruído?

E se uma bomba hidráulica estiver começando a vibrar?

A IA respondeu.

Mas não analisou.

Essa é exatamente a diferença entre um chatbot e uma plataforma especializada como o IBM Z IntelliMagic Vision.


Informação não é conhecimento

Uma IA pode responder:

"A CPU está em 82%."

Ótimo.

Mas isso é bom?

Ruim?

Esperado?

Anormal?

Ela não sabe.

Porque falta contexto.

O especialista pergunta:

  • qual CPC?

  • qual LPAR?

  • qual horário?

  • qual workload?

  • qual Service Class?

  • qual política WLM?

  • houve IPL?

  • mudou o firmware?

  • houve novo package Db2?

  • apareceu nova aplicação Java?

  • aumentou MQ?

  • mudou o peso PR/SM?

É outro nível de investigação.


Capítulo 3 — O verdadeiro tesouro do oceano chama-se SMF

Poucos iniciantes conhecem o SMF.

Mas ele talvez seja o recurso mais valioso do z/OS.

SMF significa:

System Management Facility

Pense nele como o diário de bordo do Seaview.

Tudo é registrado.

Tudo.

Quem usou CPU.

Quem fez I/O.

Quem abriu datasets.

Quem executou CICS.

Quem acessou Db2.

Quem consumiu zIIP.

Quem gerou paging.

Quem alterou configuração.

Décadas de história ficam registradas.

Sem SMF...

não existe análise histórica.


Curiosidade

Muitas empresas possuem anos de dados SMF armazenados.

Algumas conseguem comparar o comportamento atual com períodos de cinco ou dez anos atrás.

É como comparar uma expedição submarina atual com os registros originais do Almirante Nelson.


Capítulo 4 — Uma imagem vale mais que mil RMFs

O artigo comenta algo extremamente importante.

Uma figura vale mais que mil palavras.

Observe mentalmente a topologia apresentada.

Diversos:

CPC

LPARs

Sysplex

Tudo conectado.

Em segundos o especialista entende:

Quem pertence a quem.

Quem compartilha recursos.

Quem faz parte do mesmo Sysplex.

Quem utiliza determinado processador.

Nenhum texto consegue transmitir isso tão rapidamente.


Easter Egg nº 2

No Seaview existia uma enorme mesa de navegação.

Ninguém decorava o oceano.

Eles olhavam o mapa.

O IntelliMagic faz exatamente isso.

Ele desenha o mapa do seu mainframe.


Capítulo 5 — O poder do Change Detection

Imagine esta situação.

Segunda-feira:

Tudo perfeito.

Terça-feira:

Usuários reclamando.

O que mudou?

Essa pergunta pode consumir dias de investigação.

Mas o IntelliMagic compara automaticamente períodos diferentes.

Ele verifica:

  • CPU

  • zIIP

  • Dispatch Time

  • Busy

  • Eligible Work

  • Utilização

  • Tendências

  • Desvios

Não apenas mostra valores.

Mostra mudanças.

E mais importante...

Mostra mudanças relevantes.


O segredo do desvio padrão

Imagine um sonar.

O ruído normal fica entre:

10 e 15 decibéis.

Hoje apareceu:

Nada mudou.

Agora imagine:

Tem algo enorme vindo na direção do submarino.

Foi isso que o desvio padrão detectou.

Mudanças realmente fora do comportamento esperado.

Não basta aumentar.

Precisa aumentar de forma estatisticamente significativa.


Capítulo 6 — Health Rating

Talvez a funcionalidade mais fascinante.

Imagine o painel do Seaview.

Luzes verdes.

Luzes amarelas.

Luzes vermelhas.

Você não precisa ler milhares de sensores.

Basta olhar o painel.

No IntelliMagic ocorre exatamente isso.

Cada sistema recebe indicadores como:

  • Dispatch Time

  • MVS Busy

  • LPAR Busy

  • zIIP

  • IOSQ

  • Pending

  • Connect

  • Interrupt

  • Page-ins

Em poucos segundos o especialista sabe onde investigar primeiro.


Dica Bellacosa

Nunca olhe apenas um indicador.

Performance é correlação.

CPU alta pode ser consequência.

Não a causa.


Capítulo 7 — Tendência vale mais que fotografia

Uma fotografia mostra um instante.

Um gráfico mostra uma história.

É por isso que Capacity Planning utiliza séries históricas.

Não interessa apenas saber:

Hoje = 70%.

Interessa descobrir:

Janeiro:

65%

Fevereiro:

67%

Março:

69%

Abril:

72%

Maio:

75%

Junho:

78%

Agora existe uma tendência.

Sem histórico...

não existe previsão.


Capítulo 8 — Capacity Planning

Aqui muitos iniciantes cometem outro erro.

Pensam:

Capacity Planning = CPU.

Não.

CPU é apenas uma peça.

O especialista observa:

CPU

Memória

I/O

Storage

Channels

Paging

Network

zIIP

MSU

Software

CICS

Db2

MQ

IMS

Batch

Online

WLM

Tudo ao mesmo tempo.

Porque gargalos raramente aparecem isolados.


Curiosidade

Em muitos ambientes o problema nunca foi CPU.

Foi um único volume DASD saturado.

Ou uma fila MQ crescendo.

Ou uma política WLM mal definida.

Ou uma consulta SQL sem índice.


Capítulo 9 — O verdadeiro papel do especialista

O artigo fala algo maravilhoso.

O maior problema não é coletar dados.

É interpretá-los.

Hoje qualquer ferramenta coleta milhões de métricas.

Mas poucas conseguem responder:

O que realmente importa?

Imagine o Seaview.

Existem dez mil instrumentos.

Mas apenas um oficial experiente percebe que pequenas vibrações significam falha futura.

É exatamente isso que faz um especialista em performance.


Capítulo 10 — Explainability

Uma IA responde.

O especialista explica.

Existe enorme diferença.

Imagine um diretor perguntando:

"Por que precisamos comprar outro CPC?"

Você responde:

"Porque a IA sugeriu."

A reunião termina.

Agora imagine responder:

  • crescimento médio de 18% ao ano;

  • tendência confirmada em 36 meses;

  • workloads Batch crescendo;

  • consumo zIIP estabilizado;

  • pico de MSU chegando ao limite contratual;

  • risco para SLA da aplicação bancária;

  • previsão estatística de saturação em oito meses.

Agora existe evidência.


Easter Egg nº 3

No Seaview, o Almirante Nelson nunca dizia apenas:

"Vamos mergulhar."

Ele mostrava:

  • cartas náuticas;

  • sonar;

  • profundidade;

  • corrente marítima;

  • combustível;

  • pressão.

Isso é explainability.


Capítulo 11 — IA não substitui Analytics

Esse talvez seja o maior ensinamento do artigo.

A IA facilita perguntas.

O IntelliMagic produz respostas confiáveis.

Pense assim.

ChatGPT é como um excelente oficial de comunicações.

Ele conversa.

Resume.

Explica.

O IntelliMagic é o centro de controle do submarino.

Recebe milhares de sinais.

Correlaciona.

Detecta anomalias.

Calcula riscos.

Prevê problemas.

Ambos trabalham juntos.

Jamais um substitui o outro.


Passo a passo de uma investigação de performance

Imagine que um gerente liga dizendo:

"O sistema ficou lento."

Como um especialista procede?

Passo 1 — Confirmar o sintoma

Foi CPU?

I/O?

Rede?

Storage?

Aplicação?


Passo 2 — Comparar com a baseline

Como era ontem?

Semana passada?

Mesmo horário?


Passo 3 — Procurar mudanças

Novo deploy?

Novo package?

Nova política WLM?

Novo firmware?

Novo microcódigo?


Passo 4 — Correlacionar métricas

CPU alta.

Mas também houve:

  • aumento de I/O;

  • queda no cache;

  • crescimento do MQ;

  • aumento de locks Db2.

Agora aparece a verdadeira causa.


Passo 5 — Avaliar impacto

Quem sofreu?

Clientes?

PIX?

Internet Banking?

Cartão?

Folha?

Ou apenas um batch interno?


Passo 6 — Recomendar ações

Redistribuir workload.

Aumentar zIIP.

Reconfigurar WLM.

Otimizar SQL.

Criar índices.

Mover datasets.

Alterar prioridades.


O futuro

A próxima geração de ferramentas será híbrida.

Imagine conversar com a plataforma:

"Quais sistemas apresentaram crescimento anormal?"

A IA responde.

Mas por trás dela existe um motor especializado analisando:

  • milhares de métricas;

  • estatísticas;

  • tendências;

  • Health Insights;

  • correlações;

  • previsões.

É exatamente essa união que o artigo chama de:

AI + Analytics.


Curiosidades Bellacosa

✅ Um único IBM Z pode produzir milhões de registros SMF por dia.

✅ O WLM ajusta prioridades automaticamente centenas de vezes por segundo para manter os objetivos de serviço.

✅ O zIIP pode descarregar grande parte do processamento elegível de Db2, XML, Java, criptografia e workloads analíticos, reduzindo custos de software em muitos cenários.

✅ Um problema aparentemente "de CPU" pode, na verdade, ser consequência de filas de I/O, contenção em locks Db2, espera por MQ ou políticas WLM inadequadas.

✅ Ferramentas como o IBM Z IntelliMagic Vision incorporam décadas de conhecimento de especialistas em performance, automatizando análises que antes exigiam anos de experiência.


Conclusão — A Verdadeira Viagem ao Fundo do Mar

Ao final da missão, o USS Seaview emerge lentamente das profundezas. A tripulação sobreviveu não porque tinha o sonar mais bonito ou o rádio mais moderno, mas porque soube interpretar corretamente cada sinal vindo do oceano.

No IBM Z acontece exatamente o mesmo.

Os gráficos, mapas de Sysplex, indicadores de saúde, detecção automática de mudanças e análises históricas são os "sonares" do mundo corporativo. Eles transformam bilhões de amostras de desempenho em conhecimento acionável.

A IA generativa representa o novo oficial de comunicações: traduz perguntas complexas para linguagem natural, resume informações e acelera o acesso ao conhecimento. Já plataformas como o IBM Z IntelliMagic Vision são o cérebro analítico do navio, capazes de correlacionar milhares de métricas, detectar riscos antes que se tornem incidentes e justificar cada conclusão com evidências.

Para o programador COBOL iniciante, a maior lição é simples: escrever um bom programa não significa apenas fazer a lógica funcionar. Significa entender como esse programa consome CPU, acessa VSAM e Db2, utiliza CICS, aproveita zIIP, respeita as metas do WLM e influencia todo o ecossistema do mainframe.

No universo Bellacosa Mainframe, o código é apenas a ponta do iceberg.

A verdadeira aventura começa quando você aprende a enxergar o oceano invisível que existe sob cada EXEC CICS, cada SELECT no Db2, cada mensagem no MQ e cada READ em um dataset. É nesse oceano que vivem os maiores desafios da engenharia de performance — e também onde se encontram os maiores tesouros de conhecimento para quem deseja se tornar um verdadeiro Mestre Jedi do Mainframe.

sexta-feira, 15 de maio de 2020

CICS Workload Management (WLM) — A Sociedade do Anel e o Guardião Invisível que Decide o Destino das Transações

 

Bellacosa Mainframe apresenta o cics workload management wlm

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

CICS Workload Management (WLM) — A Sociedade do Anel e o Guardião Invisível que Decide o Destino das Transações

"Um bom rei não governa apenas pela força. Ele sabe onde cada recurso deve ser empregado para que todo o reino prospere."

No universo de O Senhor dos Anéis, poucos personagens percebiam que a guerra contra Sauron não seria vencida apenas por espadas, magia ou coragem. O verdadeiro desafio era administrar recursos extremamente limitados.

Havia poucos exércitos.
Poucos cavalos.
Pouca comida.
Pouco tempo.

Cada decisão precisava colocar os recursos certos no lugar certo.

No mundo do IBM Mainframe, acontece exatamente a mesma coisa.

Milhares de programas executam simultaneamente.

Todos querem CPU.

Todos querem memória.

Todos querem acesso ao disco.

Todos querem prioridade.

Se cada aplicação decidisse sozinha quando executar, o resultado seria um verdadeiro caos, semelhante aos exércitos de Mordor atravessando os portões de Minas Tirith ao mesmo tempo.

É exatamente para impedir esse caos que existe um dos componentes mais inteligentes já criados pela IBM:

Workload Manager (WLM)

Talvez seja um dos softwares mais brilhantes do z/OS e, curiosamente, um dos menos conhecidos pelos programadores COBOL iniciantes.

Hoje faremos uma longa viagem pela Terra Média do Mainframe para entender por que o WLM é considerado o grande estrategista invisível do sistema operacional.

Pegue seu café.

A viagem começa agora.


Capítulo I — O Reino onde Todos Querem a Mesma CPU

Imagine um enorme banco brasileiro.

São exatamente 9 horas da manhã.

Milhões de clientes começam a acessar:

  • Internet Banking

  • Aplicativo Mobile

  • PIX

  • TED

  • Cartões

  • Caixa eletrônico

  • Agências

  • Open Finance

  • APIs

  • Débito automático

Ao mesmo tempo...

o departamento financeiro inicia:

  • fechamento contábil

A auditoria executa:

  • consultas gigantes

O RH imprime:

  • folhas de pagamento

O marketing gera:

  • relatórios

A segurança inicia:

  • varreduras

Os DBAs:

  • RUNSTATS

  • REORG

  • BACKUP

Enquanto isso...

milhares de programas COBOL continuam executando normalmente dentro do CICS.

Todos querem exatamente os mesmos recursos.

Como decidir quem recebe CPU primeiro?


A primeira ideia (que não funciona)

Seria muito simples dizer:

Quem chegou primeiro executa primeiro.

Parece justo.

Mas imagine o seguinte.

Um relatório interno começou um segundo antes de um cliente tentar sacar dinheiro.

O relatório consome CPU durante vários segundos.

O saque precisa esperar.

Resultado?

O cliente pensa que o caixa eletrônico travou.

Na prática, o problema nunca foi falta de CPU.

Foi falta de inteligência para decidir quem deveria utilizá-la primeiro.

Foi exatamente esse problema que deu origem ao WLM.


Capítulo II — O Conselho de Elrond

Na Sociedade do Anel, nenhuma decisão importante era tomada por apenas uma pessoa.

Existia um conselho.

No z/OS também existe um conselho.

Esse conselho chama-se:

Workload Manager.

Toda vez que milhares de tarefas competem pelos recursos do sistema, o WLM analisa a situação antes de distribuir o poder computacional disponível.

Ele não pergunta:

Quem pediu primeiro?

Ele pergunta:

Quem é mais importante para o negócio?

Essa pequena mudança de pensamento revolucionou completamente o gerenciamento de desempenho dos mainframes modernos.


O que realmente é o WLM?

Muitos iniciantes acreditam que o WLM distribui CPU.

Isso é apenas uma pequena parte.

Na realidade, o WLM administra praticamente toda a estratégia operacional do z/OS.

Ele acompanha continuamente:

  • utilização da CPU

  • memória

  • filas

  • tempo de resposta

  • tempo de espera

  • I/O

  • paging

  • dispatching

  • prioridades

  • utilização das regiões

  • cumprimento dos SLAs

Enquanto tudo isso acontece...

ele recalcula prioridades diversas vezes por segundo.

É quase como um grande computador de xadrez jogando milhares de partidas simultaneamente.


Capítulo III — Gandalf nunca envia todos para a mesma batalha

Imagine Gandalf recebendo notícias da guerra.

Ele possui apenas:

  • 100 cavaleiros

Mas existem cinco batalhas acontecendo ao mesmo tempo.

Como distribuir?

Ele poderia dizer:

"Cada batalha recebe vinte soldados."

Parece justo.

Mas seria uma decisão terrível.

Se Minas Tirith cair...

não importa que outra batalha tenha vencido.

O reino acabou.

Então Gandalf faz algo diferente.

Ele identifica qual batalha é crítica.

Depois envia a maior parte dos recursos para ela.

É exatamente isso que o WLM faz.


O conceito mais importante: prioridades de negócio

Esse talvez seja o maior choque para quem vem de outras plataformas.

No Windows ou Linux normalmente pensamos:

"Este processo possui prioridade alta."

No z/OS não.

O pensamento é completamente diferente.

O WLM pensa assim:

"Qual atividade gera mais valor para o negócio neste momento?"

Essa diferença muda tudo.


O fluxo completo do WLM

Podemos representar seu funcionamento da seguinte maneira:

Cliente

↓

Transação CICS

↓

Região CICS

↓

z/OS

↓

Workload Manager

↓

CPU

Memória

Disco

I/O

↓

Tempo de Resposta

Observe que o WLM não executa a aplicação.

Quem executa continua sendo:

  • CICS

  • Batch

  • Db2

  • IMS

O WLM apenas administra os recursos.

É como um maestro.

Ele nunca toca violino.

Mas sem ele a orquestra vira barulho.


Capítulo IV — As Classes da Sociedade

Uma das partes mais importantes do WLM chama-se:

Service Class

Imagine a Sociedade do Anel.

Cada membro possui uma função.

Frodo

Missão crítica.

Sam

Suporte essencial.

Aragorn

Alta prioridade.

Legolas

Ataque rápido.

Gimli

Combate pesado.

Merry e Pippin

Importantes, mas podem esperar alguns segundos em determinadas situações.

No WLM acontece exatamente isso.

Cada tipo de trabalho pertence a uma classe.

Exemplo:

PIX

Meta

200 ms

Importance 1


Saque ATM

Meta

300 ms

Importance 1


Consulta de saldo

Meta

800 ms

Importance 2


Extrato

Meta

2 segundos

Importance 3


Relatórios internos

Meta

30 segundos

Importance 5

Perceba uma curiosidade.

O WLM não pergunta:

"Quem possui prioridade máxima?"

Ele pergunta:

"Quem precisa cumprir determinada meta?"

Essa filosofia recebe o nome de:

Goal-Oriented Management


Curiosidade Bellacosa

O WLM foi um dos primeiros grandes exemplos de computação orientada a objetivos (goal-oriented computing), décadas antes de termos AIOps e sistemas inteligentes modernos.

Em vez de obedecer regras fixas, ele procura continuamente cumprir metas de negócio. É uma ideia que hoje aparece em plataformas de nuvem, orquestradores de containers e sistemas autônomos, mas que já fazia parte do z/OS há muitos anos.


Capítulo V — O Palantír do z/OS

Como o WLM sabe que alguém está sofrendo?

Ele observa tudo.

Literalmente tudo.

Entre centenas de indicadores, ele monitora:

  • utilização da CPU

  • filas

  • espera por I/O

  • uso da memória

  • paging

  • tempo médio

  • throughput

  • response time

  • velocity

  • dispatch delay

  • enfileiramentos

É como se o WLM tivesse um Palantír observando continuamente todo o reino.

Enquanto ninguém percebe...

ele está recalculando prioridades.


Importance

Além da meta existe outro conceito extremamente importante.

Importance.

Ela representa o peso daquele serviço.

Imagine duas aplicações.

As duas estão atrasadas.

As duas precisam de CPU.

Quem recebe primeiro?

Aquela cuja Importance é maior.

Normalmente encontramos níveis como:

Importance 1

Missão crítica.

Importance 2

Muito importante.

Importance 3

Importante.

Importance 4

Baixa prioridade.

Importance 5

Background.


O banco durante uma Black Friday

Vamos imaginar um cenário real.

CPU:

99%.

Milhões de acessos.

Ao mesmo tempo chegam:

  • PIX

  • consultas

  • investimentos

  • relatórios

  • backups

  • batch

  • monitoramento

Sem WLM...

todos brigam igualmente.

Resultado:

  • lentidão geral

  • clientes irritados

  • SLA perdido

  • prejuízo

Com WLM...

o sistema toma decisões inteligentes.

PIX continua rápido.

Saques continuam rápidos.

Cartões continuam rápidos.

Relatórios esperam.

Backups aguardam.

O cliente sequer percebe que a CPU está completamente ocupada.

Essa é uma das maiores virtudes do WLM: ele não faz milagres, mas faz escolhas inteligentes.


Capítulo VI — O mapa da Terra Média do CICS

Um ambiente CICS corporativo dificilmente possui apenas uma região.

É comum encontrarmos arquiteturas como:

Usuários

↓

TOR

↓

AOR1

↓

AOR2

↓

AOR3

↓

FOR

↓

Db2

Cada região possui suas características.

Algumas executam aplicações.

Outras fazem comunicação.

Outras gerenciam arquivos.

O WLM auxilia a manter esse ambiente equilibrado, trabalhando em conjunto com recursos do CICS e do z/OS para que nenhuma região se torne um gargalo permanente.


CICSPlex SM não é WLM

Este é um erro clássico em entrevistas.

Muitos candidatos confundem os dois produtos.

Na prática:

CICSPlex SM

Gerencia o ambiente CICS.

  • regiões

  • roteamento

  • administração

  • monitoramento

  • gerenciamento operacional

WLM

Gerencia os recursos do z/OS.

  • CPU

  • prioridades

  • objetivos

  • service classes

  • dispatching

Eles trabalham juntos.

Jamais competem.


O papel do Sysprog

O programador COBOL normalmente não altera políticas de WLM.

Quem faz isso costuma ser o System Programmer (Sysprog) ou o especialista em desempenho.

Ele define:

  • Service Policies

  • Service Classes

  • Goals

  • Importance

  • Workloads

  • Activation Policies

Depois ativa a política.

A partir desse momento o próprio z/OS ajusta continuamente a distribuição de recursos.


O WLM não cria CPU

Existe uma frase muito conhecida entre especialistas em performance:

"Nenhum software produz processadores do nada."

Se o ambiente possui vinte CPUs físicas e a demanda exige quarenta, o WLM não fará mágica.

Ele fará algo muito mais útil.

Garantirá que as aplicações essenciais sobrevivam primeiro.


RMF — O Cronista de Gondor

Depois de definir políticas, surge a pergunta:

Funcionou?

Quem responde é o RMF (Resource Measurement Facility).

Ele registra indicadores como:

  • utilização da CPU

  • Response Time

  • Velocity

  • Goal Achievement

  • Delays

  • Waits

É o RMF que mostra se as metas estabelecidas pelo WLM estão realmente sendo alcançadas.


SMF — O Livro Vermelho do Reino

Enquanto o RMF mede o desempenho, o SMF (System Management Facility) registra a história do sistema.

Cada evento importante deixa rastros.

Esses registros são usados para:

  • Capacity Planning

  • Engenharia de Performance

  • Auditorias

  • Estudos de tendência

  • Ajustes de WLM

  • Investigação de incidentes

  • Cumprimento de SLAs

Por isso, profissionais de performance frequentemente analisam registros SMF antes de propor qualquer alteração nas políticas de WLM.


Passo a passo: como um especialista ajusta o WLM

Embora o processo varie entre empresas, um fluxo típico é:

  1. Coletar dados com RMF e SMF para entender o comportamento real do ambiente.

  2. Identificar gargalos, verificando quais Service Classes não estão atingindo seus objetivos.

  3. Classificar os workloads de acordo com a importância para o negócio.

  4. Definir ou revisar Goals e Importance, alinhando-os aos SLAs.

  5. Criar ou atualizar a Service Policy utilizando os painéis ISPF ou ferramentas como o z/OSMF.

  6. Ativar a política em um momento controlado.

  7. Monitorar continuamente o impacto das mudanças.

  8. Repetir o ciclo, pois o ambiente de produção evolui constantemente.

O WLM não é configurado uma única vez para sempre; ele acompanha a evolução do negócio.


Dicas para um Programador COBOL Padawan

Se você está começando no mundo do CICS, lembre-se destas lições:

  • Nem toda lentidão vem do seu programa. Às vezes o código está aguardando CPU, I/O ou recursos disputados.

  • Aprenda os conceitos de Service Class, Goal, Importance e Service Policy. Eles aparecem com frequência em entrevistas e em projetos corporativos.

  • Conheça o básico de RMF e SMF. Mesmo sem administrá-los, entender seus relatórios ajuda a conversar com equipes de infraestrutura.

  • Escreva programas eficientes. Um COBOL bem otimizado reduz consumo de CPU e facilita o trabalho do WLM.

  • Pense sempre no negócio. Uma transação crítica deve ser projetada para responder rapidamente, pois ela provavelmente estará associada às Service Classes mais importantes.


Curiosidades

  • O WLM é considerado um dos pilares do conceito de autonomic computing da IBM, pois toma decisões de forma automática para cumprir metas de desempenho.

  • Muitas ideias usadas atualmente em plataformas de computação em nuvem, como priorização dinâmica de cargas e gerenciamento por objetivos, já estavam presentes no z/OS décadas antes.

  • Em ambientes financeiros, uma política de WLM bem ajustada pode representar milhões de reais economizados ao evitar a necessidade de ampliar capacidade apenas para absorver picos temporários.

  • O WLM não conhece o código COBOL; ele enxerga serviços, metas e comportamento do sistema. Isso reforça a importância de integrar desenvolvimento, operações e engenharia de performance.


Easter Egg Bellacosa Mainframe

Imagine que o Anel Único representa a CPU disponível.

Todos querem usá-lo.

Saruman deseja o Anel para dominar a Terra-média.

Sauron deseja o Anel para conquistar todos os povos.

Boromir acredita que poderia utilizá-lo para proteger Gondor.

Mas Gandalf compreende uma verdade fundamental:

O poder absoluto entregue à pessoa errada destrói todo o reino.

O WLM pensa exatamente assim.

Ele nunca entrega todos os recursos para quem simplesmente os solicita primeiro.

Ele entrega recursos para quem mantém o reino funcionando.

No Mainframe, o verdadeiro herói não é o programa que consome mais CPU.

É aquele que entrega valor ao negócio no momento certo, usando apenas os recursos necessários.

Assim como a Sociedade do Anel venceu porque cada integrante cumpriu sua missão, um ambiente CICS de alta disponibilidade permanece saudável porque CPU, memória e I/O são distribuídos com inteligência. O WLM é o guardião silencioso dessa ordem: raramente aparece nos holofotes, mas é um dos principais responsáveis por manter o "reino" do IBM Z funcionando de forma estável, eficiente e preparado para enfrentar até as cargas mais intensas.

sexta-feira, 17 de abril de 2020

CICS Capacity Planning — A Sociedade da Capacidade e a Jornada para o Crescimento Futuro

Bellacosa Mainframe e o cics capacity planning


☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

CICS Capacity Planning — A Sociedade da Capacidade e a Jornada para o Crescimento Futuro

Quando um Programador COBOL Padawan Descobre que o Verdadeiro Perigo Não é o Volume de Hoje, mas a Carga que Marcha no Horizonte

Em uma região distante do Reino do Mainframe, cercada por salas refrigeradas, consoles luminosos e arquivos SMF que registravam silenciosamente cada movimento do sistema, existia um ambiente CICS responsável por milhões de transações.

Durante o dia, clientes consultavam saldos, faziam pagamentos, transferiam dinheiro, atualizavam cadastros, contratavam produtos e utilizavam serviços que pareciam simples na tela de um aplicativo.

Por trás daquela aparente simplicidade, entretanto, havia uma fortaleza tecnológica.

Regiões CICS trabalhavam em conjunto. Programas COBOL executavam regras de negócio. O Db2 armazenava os dados. O VSAM mantinha arquivos essenciais. O MQ transportava mensagens. O WLM distribuía prioridades. O z/OS coordenava todos os recursos como um sábio administrador do reino.

Tudo funcionava tão bem que um jovem programador COBOL começou a acreditar que sempre seria assim.

Ele olhou para os monitores e perguntou ao velho sysprog:

— Mestre, o ambiente está estável. Os tempos de resposta estão bons. A CPU não está saturada. Por que continuamos analisando crescimento, produzindo relatórios e estudando dados antigos?

O sysprog tomou um gole de café e respondeu:

— Porque os sistemas raramente são derrotados pela carga que já conhecem. Eles são derrotados pela carga para a qual ninguém se preparou.

Essa é a essência do Capacity Planning, ou planejamento de capacidade.

Não se trata apenas de observar quanto CPU o CICS utiliza hoje.

Trata-se de compreender quanto trabalho poderá chegar amanhã, quais recursos serão necessários e como preparar a infraestrutura antes que o crescimento se transforme em crise.

Bem-vindo à jornada do CICS Capacity Planning.


1. A sombra que cresce além das montanhas

Em um ambiente de produção, tudo pode parecer tranquilo até que alguma mudança de negócio altere completamente o comportamento do sistema.

Uma campanha de marketing pode atrair milhões de novos acessos.

Um novo aplicativo móvel pode aumentar o número de consultas.

Uma promoção pode gerar picos inesperados.

Uma fusão entre empresas pode adicionar milhares de usuários.

Uma nova regulamentação pode obrigar todos os clientes a atualizar cadastros.

A chegada de pagamentos, benefícios, impostos, Black Friday, Natal, 13º salário ou vencimentos bancários pode concentrar enormes volumes em poucas horas.

O crescimento do negócio quase sempre chega primeiro como uma boa notícia.

— Teremos mais clientes!

— Lançaremos um novo produto!

— Nossa plataforma estará disponível em todo o país!

— A previsão é aumentar as vendas em 40%!

Para a diretoria, isso representa receita.

Para o CICS, isso representa transações.

E transações consomem recursos.

Mais transações podem significar:

  • mais CPU;

  • mais acessos ao Db2;

  • mais I/O;

  • mais mensagens MQ;

  • mais arquivos VSAM acessados;

  • mais tarefas simultâneas;

  • mais uso de memória;

  • mais conexões;

  • mais locks;

  • mais logs;

  • mais tráfego de rede;

  • mais pressão sobre regiões CICS.

O Capacity Planning transforma o crescimento comercial em necessidades técnicas mensuráveis.

Em linguagem simples:

A empresa diz quanto pretende crescer. A equipe técnica calcula se o ambiente sobreviverá ao crescimento.


2. O que é Capacity Planning?

Capacity Planning é o processo de analisar o comportamento atual e histórico de um ambiente, estimar seu crescimento futuro e determinar quais recursos serão necessários para manter desempenho, disponibilidade e estabilidade.

No caso do CICS, o planejamento procura responder perguntas como:

  • O número atual de regiões suportará o volume futuro?

  • A CPU disponível será suficiente?

  • O tempo de resposta permanecerá dentro do SLA?

  • O Db2 suportará o aumento de chamadas SQL?

  • Os arquivos VSAM continuarão atendendo o volume?

  • O WLM distribuirá corretamente as prioridades?

  • A rede suportará mais requisições?

  • O sistema continuará disponível durante os horários de pico?

  • Será necessário criar novas AORs?

  • Existe risco de atingir o MXT?

  • Alguma região poderá entrar em Short on Storage?

  • O throughput aumentará sem degradar a experiência do usuário?

Observe que Capacity Planning não é apenas prever consumo.

É prever consumo mantendo os objetivos de serviço.

Um sistema pode continuar funcionando e, ainda assim, estar tecnicamente fracassando.

Imagine que uma transação levava 300 milissegundos e, após o crescimento, passa a levar 8 segundos.

Ela ainda funciona.

Mas o cliente percebe lentidão.

O aplicativo parece travado.

O operador tenta novamente.

As requisições se acumulam.

O sistema passa a receber transações duplicadas.

O suporte começa a receber reclamações.

O problema deixa de ser apenas técnico e passa a afetar o negócio.

Por isso, capacidade não significa somente “aguentar o volume”.

Significa:

Agir dentro do tempo esperado, com estabilidade, eficiência e margem de segurança.


3. Reagir ou se preparar: duas formas de administrar o reino

Existem dois estilos básicos de gestão de capacidade.

O modelo reativo

No modelo reativo, a empresa espera o problema aparecer.

O sistema começa a ficar lento.

A CPU sobe.

O número de tarefas aumenta.

As filas crescem.

O Db2 registra contenções.

As transações começam a exceder o tempo esperado.

Então todos correm.

A equipe de aplicação culpa o banco de dados.

O Db2 culpa o CICS.

O CICS culpa a rede.

A rede culpa o fornecedor.

A infraestrutura pede mais CPU.

A gestão pergunta por que ninguém previu o problema.

Esse cenário é parecido com uma cidade que só começa a construir muralhas depois que o exército inimigo já apareceu no horizonte.

O modelo proativo

No modelo proativo, a organização acompanha tendências.

Ela conhece os picos sazonais.

Mantém histórico de consumo.

Conversa com as áreas de negócio.

Estima novos volumes.

Realiza testes de carga.

Identifica gargalos.

Ajusta aplicações.

Revisa o WLM.

Planeja novas regiões.

Reserva capacidade adicional.

Quando o crescimento chega, o sistema está preparado.

Para o cliente, nada de extraordinário aconteceu.

Ele simplesmente continuou usando o serviço.

Esse é um dos paradoxos da infraestrutura:

Quando o Capacity Planning funciona perfeitamente, ninguém percebe.

O sucesso é invisível.


4. A Sociedade da Capacidade

Nenhum profissional realiza Capacity Planning sozinho.

É necessário reunir uma verdadeira sociedade, formada por diferentes especialidades.

Podemos imaginar os participantes desta jornada como membros de uma grande expedição.

A área de negócios

Representa o futuro esperado.

Ela informa:

  • novos produtos;

  • campanhas;

  • expansão;

  • previsão de clientes;

  • aquisições;

  • mudanças regulatórias;

  • datas críticas.

Sem essas informações, a infraestrutura só consegue analisar o passado.

A equipe CICS

Conhece:

  • regiões;

  • topologia;

  • transações;

  • programas;

  • conexões;

  • filas;

  • armazenamento;

  • limites;

  • configuração;

  • comportamento operacional.

A equipe COBOL

Conhece a lógica da aplicação.

Ela pode identificar:

  • loops desnecessários;

  • chamadas repetidas;

  • acessos excessivos;

  • processamento redundante;

  • algoritmos ineficientes;

  • programas que consomem CPU em excesso.

A equipe Db2

Analisa:

  • instruções SQL;

  • planos de acesso;

  • índices;

  • locks;

  • buffer pools;

  • quantidade de getpages;

  • tabelas;

  • estatísticas;

  • concorrência.

A equipe de performance

Correlaciona:

  • SMF;

  • RMF;

  • CICS Performance Analyzer;

  • WLM;

  • relatórios de CPU;

  • tempos de resposta;

  • throughput;

  • espera;

  • tendências.

A equipe de infraestrutura

Planeja:

  • processadores;

  • memória;

  • discos;

  • rede;

  • licenciamento;

  • capacidade adicional;

  • contratos;

  • upgrades.

Capacity Planning é, portanto, uma disciplina técnica e organizacional.

O trabalho começa em reuniões de negócio e termina em decisões de arquitetura.


5. O mapa da jornada: o fluxo do Capacity Planning

O processo pode ser representado assim:

Crescimento do negócio
        ↓
Análise do volume de transações
        ↓
Coleta de dados SMF e performance
        ↓
Identificação de tendências
        ↓
Previsão de capacidade
        ↓
Planejamento de recursos
        ↓
Testes e validação
        ↓
Ajustes e implementação
        ↓
Monitoramento contínuo

Cada etapa é importante.

Pular uma delas pode produzir conclusões erradas.


6. Passo 1 — Conheça o negócio antes de olhar a CPU

O primeiro passo não é abrir o SDSF.

Também não é consultar um gráfico.

O primeiro passo é descobrir o que mudará no negócio.

Perguntas úteis:

  • Haverá lançamento de um novo produto?

  • Existe previsão de aumento de clientes?

  • Alguma campanha será realizada?

  • O serviço ganhará um novo canal?

  • Uma API será disponibilizada para parceiros?

  • Haverá migração de sistemas?

  • Alguma aplicação distribuída passará a utilizar o CICS?

  • O volume batch também aumentará?

  • Existem períodos sazonais conhecidos?

Imagine um banco que lança uma funcionalidade de pagamento instantâneo integrada a centenas de lojas.

Antes, cada cliente realizava duas ou três operações por dia.

Depois da integração, cada compra pode gerar várias chamadas:

  1. validação do cliente;

  2. consulta de saldo;

  3. autorização;

  4. gravação da transação;

  5. atualização de limite;

  6. geração de evento;

  7. envio de mensagem;

  8. auditoria.

Uma única ação visível ao usuário pode gerar diversas transações internas.

Por isso, crescimento de usuários e crescimento de transações não são necessariamente iguais.

Um aumento de 20% nos clientes pode provocar 60% a mais de trabalho.


7. Passo 2 — Analise o volume de transações

Depois de compreender a previsão de negócio, é necessário estudar o volume atual.

Os principais indicadores incluem:

  • transações por segundo;

  • transações por minuto;

  • transações por hora;

  • volume diário;

  • volume mensal;

  • volume anual;

  • maior pico;

  • duração do pico;

  • crescimento histórico;

  • distribuição por transação;

  • distribuição por região.

Um erro comum é utilizar apenas médias.

Suponha que um ambiente processe 86 milhões de transações por dia.

Dividindo esse valor por 86.400 segundos, teríamos aproximadamente mil transações por segundo.

Parece simples.

Mas o sistema não recebe carga uniforme.

Durante a madrugada, pode processar 100 transações por segundo.

Às 11h30, pode atingir 8 mil.

No horário de pagamento, pode chegar a 15 mil.

A média esconde o pico.

E sistemas normalmente quebram durante o pico, não durante a média.

Dica Bellacosa

Nunca pergunte apenas:

Qual é o volume diário?

Pergunte também:

Qual foi o maior volume em um intervalo de 1, 5, 15 e 60 minutos?

Isso revela a verdadeira pressão sobre o ambiente.


8. Passo 3 — Consulte os pergaminhos do SMF

O SMF, System Management Facility, é um dos grandes cronistas do z/OS.

Ele registra eventos e métricas produzidos por vários componentes.

Pode ser comparado a uma enorme biblioteca que documenta a história operacional do sistema.

Entre os registros mais conhecidos estão:

  • SMF 30, relacionado a jobs e address spaces;

  • SMF 70, relacionado ao uso de processadores;

  • SMF 72, relacionado ao WLM;

  • SMF 74, relacionado a dispositivos e armazenamento;

  • SMF 101, relacionado ao Db2;

  • SMF 110, relacionado ao CICS;

  • SMF 119, relacionado ao TCP/IP.

Para um iniciante, a quantidade de dados pode parecer assustadora.

Mas não é necessário começar entendendo todos os campos.

O importante é compreender o princípio:

O SMF permite transformar percepções em evidências.

Em vez de afirmar:

— Acho que a região está sobrecarregada.

É possível demonstrar:

  • aumento de transações;

  • maior CPU por transação;

  • aumento de espera;

  • crescimento do response time;

  • saturação de tarefas;

  • elevação de I/O;

  • concentração de workload;

  • degradação em horários específicos.

Essa diferença é fundamental.

Capacity Planning não pode ser baseado em “achismos”.


9. Passo 4 — Observe os recursos certos

O infográfico destaca CPU, memória, armazenamento e regiões CICS.

Esses são pilares importantes, mas o ambiente deve ser observado como um conjunto.

CPU

Devemos analisar:

  • CPU total;

  • CPU por região;

  • CPU por transação;

  • CPU de application programs;

  • CPU de system services;

  • uso de CP;

  • uso de zIIP;

  • picos;

  • crescimento;

  • consumo por intervalo.

Uma transação pode continuar rápida e, mesmo assim, passar a utilizar mais CPU.

Esse aumento talvez ainda não afete o usuário, mas reduz a margem disponível para o futuro.

Memória e storage do CICS

No CICS, memória não significa apenas RAM física.

Também precisamos considerar as áreas de storage da região, alocações dinâmicas e limites internos.

Indicadores e conceitos importantes incluem:

  • EDSA;

  • GCDSA;

  • GUDSA;

  • storage below the line;

  • storage above the line;

  • GETMAIN;

  • FREEMAIN;

  • storage violations;

  • fragmentation;

  • Short on Storage.

Uma região pode ter CPU disponível e, ainda assim, sofrer por falta de storage interno.

I/O e armazenamento

Devemos observar:

  • quantidade de I/O;

  • tempo de resposta dos volumes;

  • cache;

  • filas;

  • datasets;

  • logs;

  • VSAM;

  • journals;

  • archives;

  • Db2 logs;

  • storage groups.

Rede

Aplicações modernas podem acessar o CICS por:

  • TCP/IP;

  • HTTP;

  • HTTPS;

  • MQ;

  • APIs;

  • z/OS Connect;

  • CICS web services;

  • sockets;

  • gateways.

Se a rede estiver saturada, adicionar CPU ao CICS não resolverá o problema.

Regiões CICS

É necessário estudar:

  • TORs;

  • AORs;

  • FORs;

  • quantidade de tarefas;

  • MXT;

  • distribuição de transações;

  • affinities;

  • roteamento;

  • conexões;

  • availability;

  • restart;

  • balanceamento.

Uma única região enorme pode tornar-se um ponto de concentração e risco.

Em muitos ambientes, o crescimento exige distribuição horizontal por várias regiões.


10. O papel das AORs na expansão

Uma Application-Owning Region, ou AOR, é a região em que os programas aplicativos normalmente executam.

Quando o volume cresce, uma estratégia possível é adicionar novas AORs.

Imagine inicialmente:

TOR
 |
 +-- AOR1
 +-- AOR2

Com o aumento da demanda:

TOR
 |
 +-- AOR1
 +-- AOR2
 +-- AOR3
 +-- AOR4

Isso pode aumentar a capacidade e melhorar a disponibilidade.

Entretanto, adicionar regiões não resolve tudo automaticamente.

É preciso verificar:

  • se as transações podem ser roteadas;

  • se existem affinities;

  • se o programa depende de storage local;

  • se utiliza TSQ local;

  • se há recursos compartilhados;

  • se as conexões Db2 suportam o aumento;

  • se o WLM está configurado corretamente;

  • se o CPSM realiza o roteamento adequado.

Criar uma nova região sem revisar dependências pode apenas mover o problema.


11. O WLM como o regente dos exércitos

O Workload Manager, WLM, ajuda o z/OS a distribuir recursos conforme objetivos de serviço.

Em vez de tratar todos os trabalhos da mesma forma, o WLM reconhece que alguns workloads são mais importantes.

Uma transação de autorização de cartão pode ter prioridade diferente de um relatório interno.

Um serviço online pode exigir resposta em menos de um segundo.

Um processamento batch talvez possa esperar.

O WLM trabalha com conceitos como:

  • service classes;

  • importance;

  • goals;

  • response time;

  • velocity;

  • periods;

  • classification rules.

Em uma situação de contenção, ele ajuda o sistema a tomar decisões.

Mas o WLM não cria capacidade do nada.

Esse é um ponto importante.

Ele distribui melhor os recursos existentes.

Se não houver CPU suficiente, todos ainda poderão sofrer.

Podemos comparar o WLM a um comandante que organiza seus soldados.

Um bom comandante melhora a defesa.

Mas, se o exército for pequeno demais para enfrentar a batalha, organização sozinha não será suficiente.


12. Db2: o dragão escondido na montanha

Muitos problemas atribuídos ao CICS estão, na verdade, relacionados ao acesso a dados.

Uma transação CICS pode executar rapidamente até chegar a uma instrução SQL.

Se o plano de acesso estiver ruim, ela pode:

  • ler muitas páginas;

  • realizar tablespace scan;

  • aguardar locks;

  • consumir CPU;

  • aumentar I/O;

  • manter a tarefa ocupada;

  • elevar o response time.

Às vezes, uma simples revisão de índice ou atualização de estatísticas reduz drasticamente o consumo.

Por isso, antes de comprar capacidade, convém investigar:

  • RUNSTATS atualizados;

  • access paths;

  • EXPLAIN;

  • índices;

  • getpages;

  • lock waits;

  • deadlocks;

  • buffer pools;

  • packages;

  • binds;

  • cardinalidade;

  • seletividade.

Curiosidade

Uma instrução SQL aparentemente pequena pode consumir mais recursos do que milhares de linhas COBOL.

O tamanho visual do comando não representa seu custo.

SELECT *
FROM MOVIMENTO
WHERE CODIGO_CLIENTE = :WS-CLIENTE

Sem índice adequado, essa consulta pode atravessar uma enorme quantidade de dados.

Em Capacity Planning, o código também faz parte da infraestrutura.


13. Response time, throughput e wait time

Três conceitos precisam ser diferenciados.

Response time

É o tempo total percebido para concluir a transação.

Pode incluir:

  • CPU;

  • espera por Db2;

  • I/O;

  • locks;

  • filas;

  • rede;

  • dispatch;

  • chamada a outros serviços.

Throughput

É a quantidade de trabalho concluído em determinado período.

Exemplo:

5.000 transações por segundo

Um sistema pode ter bom response time com baixo throughput ou alto throughput com resposta ruim.

Os dois indicadores precisam ser analisados juntos.

Wait time

É o tempo em que a tarefa não está executando porque aguarda algum recurso.

Ela pode esperar por:

  • CPU;

  • I/O;

  • lock;

  • Db2;

  • MQ;

  • arquivo;

  • socket;

  • terminal;

  • storage;

  • enqueue;

  • serviço externo.

Um ambiente com CPU em 40% pode estar extremamente lento se as tarefas passarem grande parte do tempo esperando por outros recursos.

Por isso:

CPU baixa não significa necessariamente sistema saudável.


14. O exemplo do banco e a temporada festiva

Vamos aprofundar o exemplo.

Um banco prevê aumento de 40% nas transações durante o fim do ano.

Atualmente, o pico é de 10 mil transações por segundo.

A previsão simples seria:

10.000 × 1,40 = 14.000 TPS

Porém, a equipe decide adicionar margem de segurança.

Ela considera:

  • crescimento acima da previsão;

  • repetição de transações por usuários;

  • falhas em canais externos;

  • degradação em parceiros;

  • carga batch simultânea;

  • campanhas adicionais;

  • comportamento imprevisível.

A meta passa a ser suportar 17 mil TPS.

A equipe então realiza os seguintes passos.

1. Analisa o histórico

São consultados dados dos últimos anos.

Identificam-se:

  • dias críticos;

  • horários;

  • transações mais usadas;

  • consumo de CPU;

  • resposta;

  • filas;

  • falhas;

  • limites atingidos.

2. Localiza os maiores consumidores

Algumas transações podem representar grande parte da CPU.

A regra 80/20 aparece com frequência:

  • poucas transações consomem grande parcela dos recursos.

Otimizar essas transações pode produzir enorme ganho.

3. Revisa o Db2

A equipe encontra acessos com muitas getpages.

Atualiza estatísticas.

Cria índices.

Executa REBIND onde necessário.

Revê buffer pools.

4. Adiciona AOR

Uma nova AOR é configurada.

Programas, definições e conexões são validados.

O roteamento é testado.

5. Ajusta o WLM

As service classes são revisadas.

Workloads críticos recebem objetivos compatíveis com a prioridade do negócio.

6. Realiza teste de carga

O ambiente é submetido a volumes crescentes.

10.000 TPS
12.000 TPS
14.000 TPS
16.000 TPS
17.000 TPS

A equipe observa o ponto em que os tempos começam a degradar.

Esse ponto é conhecido como joelho da curva.

Antes dele, o sistema cresce de forma controlada.

Depois dele, pequenas elevações de carga podem provocar grande degradação.

7. Cria plano de contingência

Mesmo com planejamento, a equipe define ações emergenciais:

  • ativação de capacidade adicional;

  • criação de região;

  • bloqueio de funções não críticas;

  • priorização de serviços;

  • redução de batch;

  • acionamento de fornecedores;

  • rollback de mudanças.

Quando a temporada chega, o sistema suporta o crescimento.

O cliente apenas percebe que o serviço funciona.


15. O perigo da extrapolação simples

Suponha o seguinte histórico:

2023 — 100 milhões de transações
2024 — 110 milhões
2025 — 121 milhões
2026 — 133 milhões

Alguém poderia concluir que o crescimento é de aproximadamente 10% ao ano.

Mas e se, em 2027, a empresa lançar um aplicativo obrigatório para todos os clientes?

O crescimento histórico deixará de ser suficiente para prever o futuro.

Modelos estatísticos são úteis, mas precisam ser combinados com informações do negócio.

O futuro não é apenas uma continuação matemática do passado.

Ele também inclui eventos.

Por isso, um bom forecast mistura:

  • tendência histórica;

  • sazonalidade;

  • mudanças planejadas;

  • eventos externos;

  • novos canais;

  • comportamento do usuário;

  • margem de segurança.


16. Técnicas de previsão

Em ambientes mais maduros, podem ser utilizadas técnicas como:

  • médias móveis;

  • regressão linear;

  • séries temporais;

  • análise de tendência;

  • análise sazonal;

  • modelos ARIMA;

  • simulações;

  • machine learning;

  • cenários probabilísticos.

Para um iniciante, entretanto, o melhor ponto de partida é simples:

  1. obtenha o histórico;

  2. encontre os picos;

  3. calcule a tendência;

  4. identifique eventos futuros;

  5. crie cenários;

  6. adicione margem;

  7. teste.

Três cenários são bastante úteis:

Cenário conservador

Crescimento menor que o esperado.

Cenário provável

Crescimento alinhado à previsão oficial.

Cenário agressivo

Crescimento acima do esperado.

Por exemplo:

Conservador: +20%
Provável:    +40%
Agressivo:   +70%

O objetivo não é adivinhar o futuro com perfeição.

É evitar ser surpreendido.


17. Capacity Planning não significa comprar mais hardware

Esse é um dos maiores mitos.

Antes de aumentar capacidade física, várias ações podem melhorar o ambiente:

  • otimizar programas COBOL;

  • eliminar chamadas redundantes;

  • melhorar SQL;

  • atualizar índices;

  • tornar programas threadsafe;

  • reduzir switch para QR TCB;

  • ajustar buffers;

  • melhorar LSR pools;

  • rever logging;

  • corrigir affinities;

  • distribuir workload;

  • ajustar WLM;

  • reorganizar datasets;

  • reduzir I/O;

  • usar zIIP quando aplicável;

  • ajustar parâmetros CICS.

Comprar hardware sem corrigir ineficiências pode apenas tornar um sistema ruim mais caro.

Regra do Café

Primeiro descubra onde o recurso está sendo desperdiçado. Depois decida se realmente falta capacidade.


18. Margem de segurança: a reserva de Gondor

Nenhum ambiente crítico deve operar permanentemente no limite.

Se a CPU atinge 100% no pico normal, não existe espaço para:

  • crescimento inesperado;

  • falha de outro sistema;

  • redistribuição de workload;

  • reprocessamento;

  • problema em aplicação;

  • recuperação;

  • desastre;

  • carga excepcional.

A capacidade de reserva é chamada frequentemente de headroom.

O percentual ideal depende do ambiente, dos SLAs, da arquitetura e das políticas da empresa.

Não existe um número universal.

O importante é compreender que trabalhar sempre próximo da saturação reduz a resiliência.

É como defender uma fortaleza utilizando todos os soldados em uma única muralha.

Quando surge um segundo ataque, não há reserva.


19. Teste de carga: o ensaio antes da batalha

Forecast sem teste é apenas hipótese.

Um teste de carga procura reproduzir o comportamento esperado.

Ele deve considerar:

  • mistura realista de transações;

  • volume gradual;

  • picos;

  • duração;

  • dados semelhantes à produção;

  • chamadas Db2;

  • MQ;

  • rede;

  • serviços externos;

  • concorrência;

  • batch simultâneo.

Não basta executar uma transação simples milhares de vezes.

O ambiente real possui uma combinação de operações.

Exemplo:

40% consultas
25% pagamentos
15% transferências
10% atualizações
5% inclusão de dados
5% outras operações

A distribuição do teste precisa aproximar-se da realidade.

Também é importante testar durante tempo suficiente.

Um teste de cinco minutos pode não revelar:

  • vazamentos;

  • crescimento de filas;

  • esgotamento gradual;

  • acúmulo de logs;

  • contenções;

  • fragmentação;

  • problemas de storage.


20. Sinais de que a capacidade está chegando ao limite

Alguns sintomas merecem atenção:

  • crescimento contínuo do response time;

  • CPU por transação aumentando;

  • CPU total próxima do limite;

  • aumento de dispatch delay;

  • mais tarefas aguardando;

  • MXT frequentemente atingido;

  • maior número de queued tasks;

  • aumento de lock waits;

  • aumento de I/O;

  • degradação em horários de pico;

  • desequilíbrio entre regiões;

  • ocorrências de SOS;

  • erros de falta de recurso;

  • aumento de timeouts;

  • necessidade frequente de intervenção manual.

Um único indicador não conta toda a história.

É necessário correlacionar dados.

Por exemplo:

Mais transações
+ mesma CPU por transação
+ maior CPU total
= crescimento normal

Mas:

Mesmo volume
+ mais CPU
+ pior resposta
= provável ineficiência ou mudança

21. Como um programador COBOL iniciante pode ajudar

Capacity Planning não é responsabilidade exclusiva do sysprog.

O programador COBOL pode contribuir muito.

Conheça o custo do seu programa

Pergunte:

  • Quantas vezes ele é executado?

  • Quanto CPU utiliza?

  • Quantos acessos ao Db2 realiza?

  • Quantos arquivos lê?

  • Existem loops desnecessários?

  • Existem chamadas repetidas?

  • Há processamento que poderia ser evitado?

Evite SELECT desnecessário

Não consulte o banco várias vezes para obter a mesma informação.

Considere armazenar temporariamente valores já obtidos, quando isso for seguro e coerente com a aplicação.

Leia apenas o necessário

Evite SELECT * quando somente algumas colunas são usadas.

Cuidado com loops

Um comando dentro de um loop pode ser multiplicado milhares de vezes.

PERFORM VARYING WS-I FROM 1 BY 1
    UNTIL WS-I > 10000

    EXEC SQL
        SELECT ...
    END-EXEC

END-PERFORM

Esse padrão pode gerar dez mil chamadas SQL.

Talvez seja possível resolver a necessidade com uma única consulta melhor estruturada.

Entenda o contexto CICS

Evite programas que:

  • seguram recursos por muito tempo;

  • realizam waits desnecessários;

  • mantêm locks;

  • executam processamento pesado online;

  • fazem loops extensos;

  • dependem de afinidade sem necessidade;

  • usam recursos locais que dificultam o roteamento.

Registre e meça

Uma alteração considerada “pequena” pode aumentar o consumo de todas as transações.

Se a transação roda dez milhões de vezes por dia, alguns microssegundos adicionais tornam-se relevantes.


22. Perguntas úteis para entrevistas

Por que Capacity Planning é importante no CICS?

Porque permite prever o crescimento do workload e garantir que CPU, memória, armazenamento, regiões e componentes associados estejam preparados antes que ocorram problemas de desempenho ou disponibilidade.

Quais dados podem ser usados?

  • SMF;

  • RMF;

  • CICS statistics;

  • CICS Performance Analyzer;

  • WLM reports;

  • Db2 accounting;

  • histórico de transações;

  • previsões de negócio;

  • testes de carga.

Qual a diferença entre monitoring e Capacity Planning?

Monitoring observa o estado atual ou recente.

Capacity Planning utiliza dados históricos e previsões para tomar decisões futuras.

Mais CPU sempre resolve?

Não. O gargalo pode estar no Db2, I/O, rede, locks, storage, arquitetura, código COBOL ou configuração CICS.

Por que analisar picos?

Porque a média pode esconder os momentos de maior pressão, que são justamente aqueles em que o sistema corre maior risco de degradação.


23. Curiosidades da Terra-Média do Mainframe

Curiosidade 1 — O CICS pode estar saudável enquanto uma transação está doente

A região inteira pode apresentar bons indicadores, mas uma transação específica pode estar consumindo recursos demais.

Por isso, análises globais e individuais são necessárias.

Curiosidade 2 — Crescimento de volume não precisa gerar crescimento proporcional de CPU

O ambiente pode ganhar eficiência com:

  • cache;

  • melhor SQL;

  • código otimizado;

  • melhor distribuição;

  • uso de zIIP;

  • redução de I/O.

Curiosidade 3 — Uma mudança pequena pode criar um grande impacto

Adicionar uma chamada a banco em uma transação executada milhões de vezes pode alterar significativamente a capacidade.

Curiosidade 4 — O sistema pode degradar antes de chegar a 100%

Filas, contenções e esperas podem crescer muito antes da CPU atingir o máximo.

Curiosidade 5 — O melhor Capacity Planning começa com boas perguntas

Ferramentas produzem gráficos.

Mas somente uma boa pergunta transforma o gráfico em decisão.


24. Easter egg — O Um Anel da performance

Em antigas lendas do Reino do Mainframe, dizia-se que existia um parâmetro secreto capaz de resolver qualquer problema de desempenho.

Um parâmetro para acelerar todas as transações.

Um parâmetro para reduzir todos os tempos.

Um parâmetro para eliminar todos os gargalos.

Muitos jovens aventureiros procuraram por ele em manuais, reuniões, fóruns e consoles.

Alguns acreditaram que era o MXT.

Outros disseram que era o número de AORs.

Alguns juraram que bastava adicionar CPU.

Outros culparam o Db2.

Depois de muitos anos, os sábios descobriram a verdade:

O Um Anel da performance não existe.

Não há um único parâmetro capaz de resolver todos os problemas.

Performance é o resultado do equilíbrio entre:

  • aplicação;

  • CICS;

  • Db2;

  • WLM;

  • CPU;

  • memória;

  • I/O;

  • rede;

  • arquitetura;

  • volume;

  • prioridade;

  • operação.

Aquele que procura uma solução mágica acaba sendo dominado por ela.

Aquele que mede, compreende e planeja governa seus recursos com sabedoria.


25. Passo a passo resumido para começar

Para o programador COBOL iniciante, esta é uma boa trilha prática.

Passo 1

Entenda o fluxo da transação.

Descubra quais programas, arquivos, tabelas e serviços são utilizados.

Passo 2

Identifique o volume.

Saiba quantas vezes a transação executa e quais são seus horários de pico.

Passo 3

Aprenda métricas básicas.

Comece por:

  • transaction count;

  • response time;

  • CPU time;

  • wait time;

  • abends;

  • throughput.

Passo 4

Conheça os principais registros SMF.

Não tente dominar todos imediatamente.

Comece entendendo o papel dos registros 70, 72, 101 e 110.

Passo 5

Compare períodos.

Analise hoje contra ontem, este mês contra o anterior e o pico atual contra o pico histórico.

Passo 6

Investigue mudanças.

Quando o consumo subir, verifique:

  • houve mais volume?

  • mudou o programa?

  • mudou o SQL?

  • mudou a infraestrutura?

  • surgiu novo canal?

  • houve redistribuição?

Passo 7

Crie cenários futuros.

Projete crescimento conservador, provável e agressivo.

Passo 8

Teste.

Simule a carga e observe quando os indicadores começam a degradar.

Passo 9

Prepare ações.

Defina antecipadamente o que fazer caso o cenário ultrapasse a previsão.

Passo 10

Continue monitorando.

Capacity Planning não é um relatório anual esquecido em uma pasta.

É um ciclo contínuo.


26. A conclusão da jornada

Ao final da conversa, o jovem programador COBOL olhou novamente para o console.

As mesmas regiões CICS estavam ativas.

As mesmas transações continuavam sendo executadas.

O ambiente parecia idêntico ao de algumas horas antes.

Mas ele já não o enxergava da mesma forma.

Agora compreendia que cada linha de consumo contava uma história.

Cada pico podia ser um aviso.

Cada relatório SMF era uma página do passado.

Cada previsão de negócio era uma mensagem vinda do futuro.

O sysprog terminou o café e disse:

— Administrar capacidade não é tentar impedir que o negócio cresça. É garantir que a tecnologia cresça junto.

O programador perguntou:

— Então Capacity Planning é preparar o sistema para uma batalha?

O velho profissional sorriu.

— Não exatamente. A batalha acontece quando o planejamento falha. Quando fazemos nosso trabalho corretamente, o crescimento chega e encontra os portões abertos, as regiões disponíveis, o WLM preparado, o Db2 ajustado e a CPU com espaço suficiente.

Essa é a grande lição.

Capacity Planning não é comprar hardware por medo.

Não é aumentar parâmetros aleatoriamente.

Não é observar somente CPU.

Não é esperar o usuário reclamar.

É transformar dados históricos em decisões futuras.

É ligar o planejamento do negócio à engenharia do IBM Z.

É estudar o passado, compreender o presente e preparar o ambiente para aquilo que ainda não aconteceu.

No universo CICS, a verdadeira alta performance não consiste apenas em executar rapidamente hoje.

Consiste em continuar executando rapidamente quando o volume dobrar.

A verdadeira disponibilidade não significa apenas permanecer ativo durante uma tarde tranquila.

Significa suportar campanhas, pagamentos, picos, falhas, crescimento e mudanças sem abandonar o usuário.

E o verdadeiro profissional de mainframe não é aquele que corre mais depressa quando o sistema entra em crise.

É aquele que percebe a marcha distante, interpreta os sinais do SMF e prepara a fortaleza antes que a tempestade chegue.

Porque, na Terra-Média do IBM Z, nem todo exército aparece como uma sombra no horizonte.

Às vezes ele chega silenciosamente, disfarçado de milhões de novas transações.

E quando isso acontecer, que suas AORs estejam prontas, que seus planos de acesso estejam ajustados, que o WLM conheça suas prioridades e que ainda exista café suficiente para acompanhar os gráficos.

Um sistema confiável não é aquele que nunca enfrenta crescimento.

É aquele que foi preparado para sobreviver a ele.

Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

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