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sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

☕ Jean Sammet: a mulher que colocou ordem no caos das linguagens

 



💾 EL JEFE MIDNIGHT LUNCH — Bellacosa Mainframe Chronicles
“☕ Jean Sammet: a mulher que colocou ordem no caos das linguagens”


Há gente que programa.
Há gente que projeta linguagens.
E há gente raríssima que para, olha tudo isso de cima e diz: “isso precisa fazer sentido”.

Jean E. Sammet não ficou famosa por uma linguagem só.
Ela ficou eterna porque organizou o pensamento sobre linguagens de programação — e ajudou a transformar o COBOL de uma ideia ousada em algo formal, sustentável e historicamente consciente.

Se o mainframe é estável, se o COBOL é legível, se linguagens têm história, muito disso passa por Jean Sammet.

Café servido. ☕
Vamos à história.



👩‍💻 Quem foi Jean Sammet (biografia essencial)

  • Nome completo: Jean E. Sammet

  • Nascimento: 23 de março de 1928

  • Falecimento: 20 de maio de 2017

  • Formação: Matemática

  • Empresas-chave: Sylvania Electric, IBM

  • Áreas de atuação: Linguagens de programação, compiladores, padronização, história da computação

Jean Sammet era matemática de formação, mas historiadora por vocação e engenheira por necessidade.
Ela entrou na computação quando tudo ainda estava sendo inventado — inclusive as regras.


🕰️ O mundo que ela encontrou

Anos 50 e 60.
Cada máquina tinha:

  • Uma linguagem

  • Um dialeto

  • Um conjunto de regras implícitas

Documentação? Pouca.
Padrões? Quase nenhum.
História? Ninguém achava importante registrar.

🧠 Comentário Bellacosa:
Jean Sammet olhou esse caos e pensou:

“Se não organizarmos isso agora, ninguém vai entender nada depois.”

Ela estava certa.


💻 Jean Sammet e o COBOL

Jean Sammet participou ativamente do Short-Range Committee (1959), o comitê que definiu o COBOL.

🔹 Seu papel no COBOL

  • Defendeu clareza sintática

  • Ajudou a estruturar regras formais da linguagem

  • Garantiu que o COBOL fosse mais do que inglês solto disfarçado

🧠 Fofoquice técnica:
Enquanto alguns queriam algo “mais acadêmico”, Jean brigava para manter consistência e previsibilidade.
Sem isso, COBOL viraria um Frankenstein.


🖥️ Contribuição direta ao Mainframe

Jean Sammet entendia que o mainframe não era brinquedo de laboratório.
Era máquina de negócio.

Ela ajudou a moldar princípios que até hoje sustentam o ecossistema mainframe:

  • Linguagens precisam ser estáveis

  • Mudanças devem ser evolutivas, não destrutivas

  • Código precisa durar mais que hardware

🧠 Comentário Bellacosa Mainframe:
A filosofia do z/OS — compatibilidade para trás quase obsessiva — conversa diretamente com a mentalidade de Jean Sammet.


📚 O livro que mudou tudo



📖 Programming Languages: History and Fundamentals (1969)

Esse livro não é apenas referência.
É a certidão de nascimento da história das linguagens de programação.

🔹 O que ela fez:

  • Catalogou linguagens

  • Explicou conceitos

  • Criou taxonomias

  • Registrou decisões técnicas

🥚 Easter egg:
Até hoje, pesquisadores citam esse livro como fonte primária para linguagens que nem existem mais.


🧬 Principais trabalhos e feitos

  • Participante do comitê original do COBOL

  • Autora do primeiro grande livro de história das linguagens

  • Pesquisadora e líder técnica na IBM

  • Presidente da ACM (1974–1976)

  • Defensora da preservação histórica da computação

🧠 Curiosidade:
Ela foi uma das poucas pessoas da época que documentava enquanto o trem ainda estava andando.


🧩 Fofoquices e bastidores (porque ninguém é de ferro 😄)

  • Jean Sammet tinha fama de exigente e direta

  • Não tolerava “achismo técnico”

  • Corrigia colegas em público se achasse necessário

  • Era respeitada — e temida — em reuniões

🧠 Tradução Bellacosa:
Ela não queria ganhar debates.
Queria que o futuro entendesse o passado.


👶 Para Padawans do Mainframe

Se você está começando agora, Jean Sammet deixa lições valiosas:

  • Documente decisões

  • Pense em longo prazo

  • Linguagens são ferramentas sociais, não só técnicas

  • Compatibilidade não é fraqueza — é maturidade

COBOL não sobreviveu por acaso.
Sobreviveu porque pessoas como Jean pensaram além da próxima versão.


🏛️ O legado de Jean Sammet

Jean Sammet deixou algo raro:

  • Uma linguagem melhor estruturada

  • Uma indústria mais consciente

  • Uma memória histórica preservada

Sem ela:

  • COBOL seria menos consistente

  • O mainframe seria menos previsível

  • A história da computação seria cheia de buracos


☕ Reflexão final do El Jefe

“Código pode ser reescrito.
História perdida, não.”
— espírito de Jean Sammet

Se hoje sabemos de onde viemos,
se conseguimos entender por que certas decisões foram tomadas,
é porque alguém teve o cuidado de escrever isso enquanto todo mundo só queria entregar software.

Jean Sammet não apenas participou da história.
Ela garantiu que a história sobrevivesse.