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quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Alan Turing, John McCarthy e o Delorean da Inteligência Artificial

 

Bellacosa Mainframe em uma homenagem a Alan Turing John McCarthy e os primordios da IA

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Alan Turing, John McCarthy e o Delorean da Inteligência Artificial

Ou: o professor Brown trouxe uma Máquina de Turing de 1936, John McCarthy apareceu com Lisp de 1958, Igor tentou instalar um LLM num cartão perfurado — e o programador COBOL descobriu que a pergunta “máquinas podem pensar?” é bem mais antiga que o ChatGPT, o Wi-Fi e aquele colega que diz que IA vai substituir todo mundo na segunda-feira

DOC BROWN — ALERTA TEMPORAL!
“Vagner, se você colocar 1,21 gigawatts nesta fita perfurada, podemos voltar a 1936!”

IGOR: “Excelente, doutor! E depois a gente pede para a máquina preencher a SYSOUT!”

DOC BROWN: “Não, Igor. Primeiro precisamos definir o que a máquina sabe. Depois vemos se ela sabe que não sabe.”

PROGRAMADOR COBOL: “Professor, isso dá um S0C7?”

DOC BROWN: “Pior. Dá um problema filosófico.”

Há uma confusão muito comum quando se fala de Inteligência Artificial: parece que ela nasceu quando alguém abriu um chat, escreveu “faça um resumo deste PDF” e recebeu uma resposta tão convincente que resolveu perguntar se a máquina tinha alma, CPF ou direito a férias.

Não nasceu.

A conversa atual sobre IA — modelos de linguagem, agentes, automação, chatbots, geração de imagens, assistentes de código e previsões sobre AGI — tem raízes em perguntas feitas décadas antes de alguém sonhar com um smartphone. Duas figuras ajudam a entender o tamanho da estrada: Alan Turing e John McCarthy.

Turing ajudou a responder uma pergunta fundamental: o que uma máquina pode calcular? McCarthy pegou a próxima: como fazemos uma máquina exibir inteligência?

Não são a mesma pergunta. Mas, sem a primeira, a segunda talvez nem tivesse uma sala, uma placa na porta e um orçamento de pesquisa.

Para quem está começando em COBOL, isso importa mais do que parece. Afinal, COBOL, mainframe, IA, regras de negócio, automação e segurança pertencem ao mesmo universo: o universo em que seres humanos tentam transformar decisões, processos e conhecimento em algo que uma máquina consiga executar sem entrar em ABEND — ou, no mínimo, sem gerar um incidente que faça o gerente aparecer com a expressão de quem acabou de ver o Great Scott do professor Brown.



1. Antes de a IA existir, Turing desenhou a sala de máquinas

Em 1936, Alan Turing publicou um trabalho que se tornou uma das fundações da ciência da computação. Nele, apresentou a ideia que hoje chamamos de Máquina de Turing.

Não era um notebook. Não era um mainframe. Não tinha monitor, teclado, mouse, GPU, RGB, copiloto nem assistente perguntando se você deseja salvar alterações. Era uma máquina abstrata, matemática, quase ascética: uma fita potencialmente infinita, uma cabeça que lê e escreve símbolos e um conjunto de regras que determina o próximo passo.

Parece simples porque é simples. E justamente por isso é genial.

Imagine uma fita enorme com células. Cada célula pode conter um símbolo. A máquina lê uma célula, verifica seu estado atual e segue uma instrução do tipo:

“Se eu estiver no estado A e ler 0, escreva 1, mova uma posição à direita e vá para o estado B.”

Essa descrição não parece tão distante de um programa. Em COBOL, você escreve algo como:

IF SALDO-DISPONIVEL >= VALOR-SOLICITADO
    MOVE "APROVADO" TO STATUS-OPERACAO
ELSE
    MOVE "NEGADO" TO STATUS-OPERACAO
END-IF.

A diferença é que COBOL é uma linguagem de alto nível, feita para seres humanos descreverem regras de negócio. A Máquina de Turing é uma espécie de esqueleto teórico: uma forma de demonstrar o que significa executar uma sequência de instruções.

O ponto não é que seu programa de folha de pagamento seja literalmente uma Máquina de Turing com fita de papel. O ponto é que existe uma base conceitual por baixo de todo programa: dados, estados, instruções, memória e transições.

Turing mostrou que uma máquina suficientemente geral poderia simular qualquer outra máquina de cálculo, desde que recebesse a descrição correta do procedimento. Nascia a ideia de máquina universal.

E aqui o professor Brown derruba uma caixa de cartões no chão:

“Marty! Não precisamos construir uma máquina nova para cada problema. Precisamos construir uma máquina geral e trocar o programa!”

Esse raciocínio é a alma do computador moderno. O mesmo computador pode rodar um sistema bancário, calcular a folha, tratar uma imagem médica, executar um jogo, fazer uma planilha ou treinar um modelo de IA. O hardware é uma plataforma; o programa define o comportamento.

Para o programador COBOL iniciante, esta é a primeira lição: não pense em programação apenas como escrever comandos. Pense em descrever um processo de maneira precisa o suficiente para uma máquina executá-lo.



2. “Máquinas podem pensar?” — a pergunta que ainda não fechou o chamado

Em 1950, Turing publicou o artigo Computing Machinery and Intelligence. Em vez de tentar resolver logo a palavra “pensar” — uma palavra perigosamente grande, que arrasta consciência, linguagem, criatividade, emoção, filosofia, religião e um boteco inteiro de discussões — ele propôs uma alternativa prática.

Em vez de perguntar:

“Uma máquina pensa?”

Turing sugeriu perguntar algo próximo de:

“Uma máquina consegue conversar de tal modo que um avaliador humano não consiga distingui-la de uma pessoa?”

Essa ideia ficou conhecida como Teste de Turing.

Na versão simplificada, um humano conversa por texto com dois participantes escondidos: uma pessoa e uma máquina. Se não conseguir identificar de modo confiável quem é quem, a máquina demonstrou um tipo importante de comportamento inteligente.

Agora vem a parte que Igor costuma estragar quando lê apenas a manchete:

Passar ou não passar no Teste de Turing não resolve definitivamente a questão da inteligência.

Um sistema pode escrever de forma fluida, imitar emoções, reproduzir estilos e manter uma conversa impressionante. Isso prova que ele se comporta, naquele contexto, de maneira parecida com um humano? Talvez. Prova que ele entende o mundo do mesmo modo que você entende? Não necessariamente.

Um papagaio pode repetir uma frase sem entender economia. Um sistema pode produzir um parágrafo excelente sobre Db2 e, duas linhas depois, inventar uma opção de JCL que nunca existiu com a confiança de um gerente apresentando slide em reunião de diretoria.

Os modelos atuais são fantásticos em linguagem. Eles resumem, traduzem, escrevem código, classificam informações, explicam conceitos e ajudam a explorar ideias. Mas fluência não é garantia de verdade; texto bonito não é auditoria; resposta segura não é evidência.

Este é um ensinamento valioso para quem trabalha com sistemas corporativos:

  • valide regras;

  • valide fontes;

  • mantenha trilha de auditoria;

  • não deixe um modelo decidir sozinho algo sensível sem controles;

  • trate a IA como um componente de software, não como um oráculo.

Em outras palavras: se uma IA disser que o lote terminou bem, ainda abra o SDSF.



3. Bletchley Park: inteligência não é só resolver charadas, é construir método

Durante a Segunda Guerra Mundial, Turing trabalhou em Bletchley Park, no esforço britânico de criptoanálise contra comunicações alemãs codificadas, incluindo mensagens protegidas pela Enigma. Ele não foi um “gênio solitário que venceu a guerra com uma máquina”, como alguns filmes e manchetes resumem. Fez parte de uma rede enorme de matemáticos, linguistas, operadores, engenheiros e criptanalistas.

Mas sua contribuição foi decisiva. O trabalho envolvia lógica, probabilidade, máquinas eletromecânicas, hipóteses, busca de padrões e disciplina operacional. Nada muito diferente, em espírito, do que hoje se chama de análise de dados, engenharia de sistemas e segurança cibernética.

Há uma ponte direta aqui para o analista de segurança e para o programador de sistemas críticos: inteligência útil não é adivinhação. É método para reduzir incerteza.

Quando você recebe um log, por exemplo, não basta olhar uma linha e concluir que houve ataque. Você precisa de contexto:

  • qual usuário executou a ação?

  • de onde veio a conexão?

  • qual era o horário esperado?

  • houve falhas de autenticação antes?

  • o volume de operações fugiu do padrão?

  • qual ativo foi acessado?

  • existe impacto real?

A máquina pode ajudar a encontrar padrões. O humano precisa formular hipóteses, validar evidências e tomar decisões responsáveis.

Turing também nos lembra de algo trágico: genialidade técnica não protege ninguém da crueldade social. Ele foi perseguido pelo Estado britânico por ser homossexual e morreu em 1954, aos 41 anos. Quando celebramos sua obra, não devemos transformar sua vida em uma curiosidade decorativa de biografia. Devemos lembrar que ciência, tecnologia e instituições são feitas por pessoas — e podem falhar moralmente mesmo quando avançam tecnicamente.

Uma IA poderosa construída por uma organização sem ética não vira sábia. Vira apenas uma máquina mais eficiente para escalar decisões ruins.


4. John McCarthy: o homem que deu nome ao monstro

Se Turing ajudou a estabelecer os fundamentos da computação e colocou a pergunta na mesa, John McCarthy ajudou a dar nome ao campo que tentaria respondê-la.

Em 1955, ao escrever a proposta para o Dartmouth Summer Research Project on Artificial Intelligence — realizado no verão de 1956 — McCarthy usou a expressão Artificial Intelligence. O termo pegou, embora “inteligência de máquina” talvez fosse menos carregado de ficção científica.

A proposta era ousada: reunir pesquisadores para investigar a hipótese de que aspectos da aprendizagem e da inteligência poderiam ser descritos com precisão suficiente para serem simulados por uma máquina.

Repare na ambição. Não era “vamos fazer uma calculadora mais rápida”. Era:

“Vamos entender partes da inteligência de forma suficientemente clara para construí-las.”

Isso inclui aprendizado, linguagem, abstração, raciocínio, percepção, planejamento e senso comum. Sessenta e tantos anos depois, boa parte dessas palavras continua na pauta. Algumas avançaram absurdamente; outras continuam com aquele status clássico de projeto: “dependência externa aguardando definição”.

McCarthy apostava muito em IA simbólica: usar fatos, regras e relações explícitas para o computador raciocinar. Algo parecido com:

SE cliente possui limite
E valor solicitado é menor que limite
E não há bloqueio de fraude
ENTÃO aprovar operação.

Para um programador COBOL, isso soa familiar. Sistemas empresariais vivem de regras: alçadas, cálculos, validações, exceções, status, processos de aprovação e rastreabilidade.

A diferença é que a IA simbólica queria ir além de um conjunto fixo de IFs. Ela queria representar conhecimento sobre o mundo e tirar conclusões novas a partir dele.

O sonho era elegante. O mundo, porém, é cheio de exceções.

Você pode escrever uma regra simples:

Pássaros voam.

Mas pinguins não voam. Aves feridas podem não voar. Um pássaro dentro de uma gaiola pode saber voar e não estar voando. E se Igor colocar um frango congelado na mesa e perguntar se ele é um pássaro, o sistema precisa de mais café e menos certeza.

Esse tipo de problema — lidar com conhecimento incompleto, exceções e contexto — foi um dos grandes desafios da IA clássica. McCarthy trabalhou com raciocínio não monotônico, isto é, formas de raciocínio em que uma conclusão pode precisar ser revista quando surge uma informação nova.

Parece abstrato, mas você faz isso todo dia.

“A transação parece legítima.”
“Espere: o IP é novo, o valor é atípico e houve quinze tentativas de senha.”
“Atualize a conclusão.”

Em segurança, em auditoria e em operações, mudar de opinião diante de evidências novas não é fraqueza. É inteligência.



5. Lisp: a linguagem que ensinou a IA a mexer em ideias

Em 1958, McCarthy criou Lisp, abreviação de List Processing. A linguagem ganhou forma pública em seu famoso artigo de 1960 e se tornou uma das linguagens mais influentes da história da IA.

Lisp tratava listas e expressões simbólicas como elementos naturais do programa. Isso era muito poderoso para manipular estruturas de conhecimento, árvores, regras, fórmulas e linguagem.

Um exemplo muito simplificado de Lisp pode parecer assim:

(if (fraude-suspeita transacao)
    (bloquear transacao)
    (aprovar transacao))

Não é COBOL, claro. Mas a intenção deve lhe soar familiar: testar uma condição e tomar um caminho.

A diferença cultural é interessante. COBOL foi desenhado para tornar regras de negócio legíveis e duráveis. Lisp nasceu em um ambiente que queria representar símbolos, relações e transformações conceituais. Um é o funcionário experiente que conhece todas as contas do fechamento mensal; o outro é o professor maluco do laboratório que pergunta se uma expressão pode modificar outra expressão e se isso nos aproxima da mente.

Os dois têm lugar no mundo.

Aliás, Lisp não está morto. Ideias que ele popularizou — funções como valores, recursão, coleta automática de memória, manipulação de listas e metaprogramação — influenciaram muitas linguagens posteriores. A história da computação é cheia de “tecnologias antigas” que, na verdade, eram ideias adiantadas demais para o hardware e o mercado de sua época.

Mainframe também conhece essa piada. Quando alguém diz que COBOL é velho, o programador experiente responde:

“Velho é o sistema que ainda movimenta dinheiro, processa seguro, paga salário e não cai quando o hype troca de nome.”



6. A aposta de 2039: previsão, palpite ou bilhete para o Delorean?

Em uma entrevista de 1989, McCarthy falou sobre o tempo necessário para programas se tornarem tão inteligentes quanto seres humanos. Ele reconheceu que poderia levar duzentos ou quinhentos anos, dependendo dos avanços conceituais necessários. Mas disse que se inclinaria a apostar em algo como cinquenta anos — acrescentando, com humor seco, que era extremamente improvável que estivesse vivo para ver.

1989 + 50 nos leva aproximadamente a 2039.

McCarthy morreu em 2011. Ele acertou, de forma triste e literal, que não viveria para testemunhar a resposta. Mas é importante não transformar isso em profecia com data marcada no calendário.

2039 não é uma garantia de “AGI em produção”. Não haverá necessariamente um painel no Data Center dizendo:

AGI-2039 — STATUS: DISPONÍVEL
PRESS <ENTER> PARA ATIVAR CONSCIÊNCIA

A própria expressão “inteligência humana” é difícil de medir. Um sistema pode ser melhor que uma pessoa em xadrez, tradução, cálculo, reconhecimento de imagens e geração de código, mas falhar em tarefas banais que exigem contexto, bom senso, memória confiável ou compreensão física do mundo.

Foi isso que aconteceu no xadrez. Em 1968, o mestre internacional escocês David Levy apostou que nenhum computador o venceria em dez anos. Em 1978, o programa CHESS 4.7 perdeu por 2 a 1 — uma derrota humana, mas uma aproximação notável.

Décadas depois, computadores venceriam campeões mundiais. Isso não significou que eles haviam resolvido a inteligência geral. Significou que resolveram — brilhantemente — um domínio formal, com regras claras e objetivo definido.

A lição é ouro:

Ser excelente em uma tarefa não torna automaticamente um sistema inteligente em tudo.

Um modelo que escreve COBOL pode ajudar muito. Ainda assim, ele pode não conhecer as regras específicas do seu banco, não saber que um campo contém informação sensível, não entender uma convenção interna, não ter acesso ao contexto de produção e não perceber que aquela “melhoria” quebra um processo regulatório.

Por isso, IA corporativa madura precisa de humano no circuito, testes, limites de acesso, logs, aprovação e recuperação.

Igor, naturalmente, acha que basta dar UPDATE na tabela de pagamentos e perguntar para o robô “faz um PIX aí”. Não seja Igor.



7. LLMs, IA simbólica e o grande encontro no bar

A IA que domina a conversa atual é fortemente baseada em aprendizado de máquina: grandes modelos neurais treinados com enormes volumes de texto, código, imagens e outros dados. Eles aprendem padrões estatísticos e conseguem gerar respostas surpreendentemente úteis.

Esse caminho é diferente da visão mais simbólica de McCarthy. Em vez de alguém escrever explicitamente todas as regras, o modelo aprende regularidades a partir de exemplos.

Há vantagens enormes:

  • adaptação a linguagem natural;

  • capacidade de lidar com variedade de textos;

  • geração de rascunhos e código;

  • sumarização;

  • classificação;

  • tradução;

  • apoio ao atendimento;

  • descoberta de padrões.

Mas há riscos igualmente reais:

  • alucinação: inventar fatos ou referências;

  • vieses presentes nos dados;

  • falta de explicabilidade;

  • vazamento de informações;

  • prompt injection;

  • automação de decisões sem revisão;

  • confiança excessiva do usuário.

A tendência mais interessante não é escolher uma religião — “só redes neurais” ou “só regras simbólicas”. É combinar abordagens.

Um sistema empresarial pode usar um LLM para entender a solicitação em português, uma base de conhecimento validada para buscar políticas corretas, regras explícitas para decisões obrigatórias e um humano para aprovar ações de alto impacto.

Pense assim:

Pessoa faz pergunta
        ↓
LLM entende a linguagem
        ↓
RAG busca documentos autorizados
        ↓
Regras de negócio validam condições
        ↓
Humano aprova decisão sensível
        ↓
Log registra tudo

Isso está muito mais perto de uma arquitetura responsável do que soltar um modelo numa rede corporativa e torcer para ele ter juízo.

Máquinas não têm juízo moral por padrão. Elas têm permissões, dados, instruções, limitações e consequências.



8. Um roteiro para o programador COBOL entrar na conversa da IA sem virar passageiro do tempo

Você não precisa abandonar COBOL, virar cientista de dados em uma semana ou comprar uma camiseta escrito “AGI IS COMING” para participar desse futuro.

Comece de modo prático.

Passo 1 — Entenda o processo antes de automatizá-lo

Escolha uma rotina de negócio conhecida: validação de cadastro, classificação de chamados, triagem de documentos, explicação de mensagens de erro ou consulta de procedimento.

Pergunte:

  • qual é a entrada?

  • qual é a saída?

  • quais regras são obrigatórias?

  • quais exceções existem?

  • que dados são sensíveis?

  • quem é responsável pela decisão?

  • como registrar auditoria?

Se você não consegue explicar o processo, não está pronto para entregar o processo a uma IA.

Passo 2 — Separe linguagem de decisão

Um LLM pode ser ótimo para receber uma pergunta como:

“Por que meu pagamento foi bloqueado?”

Mas a decisão real de bloqueio deve continuar apoiada por regras, dados transacionais e controles.

A IA pode traduzir o tecnês. O motor de regras decide. O analista responde pelo caso. Essa separação evita que um texto bonito vire uma decisão perigosa.

Passo 3 — Use a IA como par de programação, não como piloto automático

Peça para ela:

  • explicar um programa COBOL;

  • sugerir casos de teste;

  • comentar uma PROCEDURE DIVISION;

  • gerar documentação inicial;

  • converter uma regra de negócio em pseudocódigo;

  • ajudar a encontrar campos usados em uma rotina;

  • produzir uma primeira versão de teste unitário.

Mas revise tudo. Principalmente nomes de campos, arquivos VSAM, commits, SQL, regras de arredondamento, formatos de data e operações financeiras.

A IA pode ser um ótimo estagiário que trabalha rápido. Você continua sendo o responsável pela mudança em produção.

Passo 4 — Segurança não é rodapé

Nunca envie código proprietário, dados de clientes, credenciais, dumps, arquivos de produção ou detalhes operacionais para ferramentas públicas sem autorização.

Pergunte sempre:

  • onde o dado será processado?

  • ele será retido?

  • quem pode acessá-lo?

  • há contrato e política corporativa?

  • o conteúdo pode virar treinamento?

  • existe mascaramento?

  • há trilhas de auditoria?

Turing trabalhou com segredo criptográfico. McCarthy pensava em representação de conhecimento. Em 2026, os dois provavelmente olhariam para um CSV de clientes colado num chatbot público e pediriam para desligar o Delorean.


Epílogo — A pergunta ainda está na fita

Alan Turing nos deu a linguagem conceitual para pensar máquinas que executam procedimentos gerais. Ele nos deixou uma pergunta que resiste a cada nova geração tecnológica: “máquinas podem pensar?”

John McCarthy pegou essa inquietação e deu a ela um nome, um campo de pesquisa, uma agenda e ferramentas para tentar respondê-la. Criou Lisp, ajudou a moldar a IA simbólica e, em 1989, arriscou um palpite que nos aponta para 2039 — não como destino garantido, mas como um marcador fascinante no mapa.

Hoje, temos sistemas capazes de conversar, programar, traduzir, enxergar, resumir e sugerir. Alguns parecem mágicos até o momento em que erram algo óbvio. Isso não diminui sua importância; apenas nos obriga a sair do hype e entrar na engenharia.

Talvez a pergunta não seja mais apenas “a máquina pensa?”.

Talvez seja:

“Ela entende? Ela pode agir? Ela pode errar? Quem confere? Quem responde pelo dano? E por que Igor recebeu acesso de administrador?”

O programador COBOL tem uma vantagem preciosa nesta era. Já conhece sistemas longos, críticos, regulados, cheios de exceções e onde um pequeno erro pode fazer uma conta muito grande deixar de fechar. Esse olhar vale ouro quando a IA sai do laboratório e entra no banco, no governo, na saúde, na segurança e no mainframe.

No fim, Turing construiu a estrada. McCarthy colocou a placa: Inteligência Artificial. E nós, passageiros do Delorean de 2026, estamos dirigindo rumo a 2039 com uma mão no volante, outra no manual de segurança e o professor Brown gritando do banco de trás:

“Para onde vamos, não precisamos de estradas… mas vamos precisar de logs, testes, backup e um plano de rollback!”



 

segunda-feira, 20 de julho de 2026

Yoichi Ochiai (落合陽一) : O Homem que Tentou Compilar o Mundo Físico em Código

 

Bellacosa Mainframe homenagem a Yoichi Ochiai


☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Yoichi Ochiai (落合陽一)

O Homem que Tentou Compilar o Mundo Físico em Código

"Quando um Engenheiro Descobre que Hardware, Software e Natureza Talvez Sejam Apenas Diferentes Versões do Mesmo Programa..."


Quem é Yoichi Ochiai?

Imagine alguém que mistura...

  • Alan Turing

  • Hayao Miyazaki

  • Steve Jobs

  • Nikola Tesla

  • um pesquisador da IBM Research

  • um artista digital

...e coloca tudo isso dentro da mesma pessoa.

Esse é Yoichi Ochiai.

Nascido em 1987, em Tóquio, pertence a uma geração que nunca viu separação entre computadores e mundo físico.

Enquanto muitos pesquisadores perguntavam:

"Como fazer computadores melhores?"

Ochiai perguntava:

"E se o computador deixar de ser um objeto e virar parte da natureza?"

Essa pergunta define praticamente toda sua carreira. (Yoichi Ochiai)


Formação

Graduou-se e concluiu doutorado extremamente cedo.

Especializou-se em:

  • Computação

  • Óptica Computacional

  • Inteligência Artificial

  • Realidade Aumentada

  • Levitação acústica

  • Interfaces Homem-Máquina

Hoje atua como professor na Universidade de Tsukuba e também mantém atividades de pesquisa e empreendedorismo. (Yoichi Ochiai)


O conceito que mudou sua carreira

Digital Nature

Segundo Ochiai,

não existe mais uma divisão clara entre

  • mundo digital

e

  • mundo físico.

No futuro:

uma árvore poderá conter sensores.

Uma pedra poderá responder.

Uma janela poderá ser uma tela.

Uma parede poderá conversar.

O computador desaparece.

A computação permanece.

É quase como imaginar um sistema operacional rodando no planeta inteiro.


O que ele pesquisa?

Entre dezenas de áreas:

  • IA

  • computação espacial

  • holografia

  • realidade aumentada

  • realidade mista

  • interfaces naturais

  • levitação por ultrassom

  • computação óptica

  • arte generativa

  • robótica

  • acessibilidade

Sua carreira é multidisciplinar por definição. (Ochiai Laboratory)


Trabalhos mais conhecidos

Embora não produza mangás, seus projetos chamam tanta atenção quanto uma grande obra de ficção científica.

Fairy Lights in Femtoseconds

Usa lasers ultrarrápidos para criar pontos luminosos no ar.

Literalmente.

Luz flutuando.

Parecia magia.

Mas era física.


Levitação Acústica

Talvez seu trabalho científico mais famoso.

Utiliza ondas ultrassônicas para suspender pequenos objetos.

Sem fios.

Sem ímãs.

Sem contato físico.

É um dos trabalhos que ajudaram a popularizar pesquisas sobre manipulação acústica. (arXiv)


Expo Osaka 2025

Foi um dos produtores temáticos da Expo 2025.

Criou instalações imersivas que misturam:

  • arquitetura

  • IA

  • computação

  • arte

  • filosofia oriental

Tudo baseado na ideia de Digital Nature. (Yoichi Ochiai)


Livros

Entre seus livros mais conhecidos:

  • Digital Nature

  • Magic Century

  • Survival Strategy in the AI Era

  • Future Changed by Generative AI

  • The World Atlas of 2030

Misturam filosofia, tecnologia e futuro da sociedade. (Yoichi Ochiai)


Prêmios

A lista impressiona.

Entre eles:

🏆 World Technology Award

🏆 Prix Ars Electronica

🏆 STARTS Prize

🏆 SXSW Creative Experience Awards

🏆 MIT Technology Review Innovators Under 35 Japan

🏆 Apollo 40 Under 40 Art & Tech

Pouquíssimos pesquisadores transitam com destaque entre ciência e arte dessa maneira. (Yoichi Ochiai)


Personagens?

Como não é mangaká,

ele não possui personagens clássicos.

Mas, metaforicamente, seus "personagens" são:

  • partículas de luz

  • ondas sonoras

  • algoritmos

  • IA

  • robôs

  • hologramas

  • pessoas interagindo com tecnologia

Ou seja...

o protagonista é o próprio futuro.


Polêmicas

Ochiai costuma gerar debates por defender uma integração profunda entre IA e sociedade.

Entre as discussões:

  • excesso de automação;

  • impacto da IA sobre empregos;

  • questões filosóficas sobre o que é "natural";

  • visão otimista em contraste com críticos da tecnologia.

São debates intelectuais, e não grandes escândalos pessoais conhecidos. (Yoichi Ochiai)


Curiosidades

Ele concluiu o doutorado muito rapidamente.

Foi considerado um dos jovens pesquisadores mais brilhantes do Japão.


Trabalha entre arte e engenharia.

Para ele:

não existe diferença.


É empresário.

Além da carreira acadêmica, atua no desenvolvimento de tecnologias aplicadas por meio da Pixie Dust Technologies. 


Participa de políticas públicas

Já integrou conselhos ligados à inovação, cultura digital e tecnologia no Japão, influenciando discussões sobre o futuro da sociedade conectada. (Yoichi Ochiai)


Easter Eggs Bellacosa Mainframe

Easter Egg 1

Digital Nature lembra muito o conceito do z/OS:

O sistema operacional praticamente desaparece...

...mas está coordenando tudo.


Easter Egg 2

Para um programador COBOL,

um programa conversa com:

  • CICS

  • Db2

  • MQ

  • VSAM

Para Ochiai,

o programa conversa com:

  • árvores

  • luz

  • vidro

  • pessoas

  • cidades


Easter Egg 3

Se IBM criasse um laboratório dentro de um anime cyberpunk,

provavelmente pareceria um laboratório do Yoichi Ochiai.


O legado

Embora não desenhe mangás,

Yoichi Ochiai desenha algo talvez ainda maior:

uma visão de futuro.

Ele pertence à rara categoria de pessoas capazes de reunir:

  • arte;

  • ciência;

  • engenharia;

  • filosofia;

  • inteligência artificial;

  • design;

  • computação.

Seu trabalho inspira pesquisadores, artistas e engenheiros a imaginar um mundo onde a tecnologia deixa de ser apenas uma ferramenta e passa a integrar o ambiente de forma quase invisível — uma espécie de "sistema operacional" da realidade.


 

terça-feira, 16 de junho de 2026

IBM 115 Anos: A Empresa que Ajudou a Construir o Mundo Digital


Bellacosa Mainframe e historia da IBM em resumo


IBM 115 Anos: A Empresa que Ajudou a Construir o Mundo Digital

Uma viagem pela história, curiosidades, desafios e segredos da gigante que ainda move bilhões de transações por dia

16 de junho.

Para muitos, apenas mais um dia no calendário.

Para quem trabalha com Mainframe, COBOL, z/OS, CICS, DB2 e tecnologia corporativa, é uma data especial: o aniversário da IBM, uma das empresas mais influentes da história da humanidade.

Em 16 de junho de 1911 nasceu uma organização que sobreviveria a duas guerras mundiais, à Grande Depressão, à Guerra Fria, ao surgimento do computador pessoal, à internet, ao smartphone, à computação em nuvem e agora à Inteligência Artificial.

Poucas empresas conseguem permanecer relevantes durante cinco anos.

Algumas sobrevivem vinte.

Raríssimas chegam aos cinquenta.

A IBM chegou aos 115 anos.

E continua ajudando a processar boa parte do dinheiro que circula no planeta.

Para um Desenvolvedor COBOL Jr., compreender a história da IBM é entender a própria história da computação.


Bellacosa Mainframe e os 115 anos da IBM

Antes da IBM Existia um Problema

Imagine o mundo em 1890.

Não havia computadores.

Não havia bancos de dados.

Não havia internet.

Não havia sequer calculadoras eletrônicas.

Governos precisavam contar milhões de pessoas manualmente.

Empresas precisavam processar montanhas de documentos em papel.

Folhas de pagamento eram calculadas à mão.

Erros eram frequentes.

Processos demoravam meses.

Foi nesse cenário que apareceu Herman Hollerith.


O Homem que Criou o Conceito de Processamento de Dados

Herman Hollerith era um engenheiro americano que observou um problema gigantesco:

O censo dos Estados Unidos de 1880 demorou quase oito anos para ser concluído.

Se nada mudasse, o próximo censo demoraria mais do que o intervalo entre censos.

Era matematicamente impossível continuar daquele jeito.

Sua solução foi revolucionária.

Ele criou cartões perfurados capazes de armazenar informações.

Cada furo representava um dado.

Máquinas eletromecânicas liam esses cartões e realizavam contagens automaticamente.

Pela primeira vez na história, uma máquina processava dados em larga escala.

Nascia o conceito que décadas depois evoluiria para os computadores modernos.


O Verdadeiro Nascimento da IBM

Em 1911 várias empresas se fundiram para formar a:

Computing-Tabulating-Recording Company (CTR)

O nome era enorme.

Pouco elegante.

Pouco memorável.

Em 1924, Thomas J. Watson decidiu mudar tudo.

A empresa passou a se chamar:

International Business Machines

Ou simplesmente:

IBM

Uma mudança que parece simples, mas que carregava uma visão ousada.

Watson acreditava que as máquinas de processamento de dados teriam alcance mundial.

Na década de 1920 isso parecia exagero.

Hoje sabemos que ele estava certo.


O Primeiro Easter Egg da IBM

A famosa frase:

"THINK"

foi criada por Thomas Watson Sr.

Ela surgiu em uma reunião onde um executivo perguntou:

"Como resolveremos este problema?"

Watson respondeu:

"Think."

A palavra virou slogan oficial.

Décadas depois inspirou o nome do notebook ThinkPad.

Até hoje a cultura IBM incentiva seus profissionais a pensarem antes de agir.

Uma filosofia simples.

Mas extremamente poderosa.


A IBM e a Segunda Guerra Mundial

Durante os anos 1940 a IBM cresceu enormemente.

Suas máquinas de tabulação eram usadas para processar informações em velocidade inédita para a época.

A guerra acelerou a necessidade de automação.

Governos precisavam controlar:

  • Estoques

  • Logística

  • Produção industrial

  • Recursos militares

A IBM tornou-se referência mundial em processamento de informações.

Mas a verdadeira revolução ainda estava por vir.


O Computador Entra em Cena

Na década de 1950 o mundo testemunhou o nascimento dos computadores eletrônicos.

Grandes máquinas ocupavam salas inteiras.

Consumiam energia absurda.

Possuíam menos capacidade computacional que um relógio inteligente moderno.

Mesmo assim representavam um salto gigantesco.

A IBM rapidamente percebeu que o futuro estava nos computadores.

Surgiram máquinas históricas como:

IBM 650

IBM 701

IBM 704

IBM 7070

Cada uma delas ajudou a criar os alicerces da computação corporativa.


A Maior Aposta da História da Computação

Em 1964 a IBM tomou uma decisão considerada loucura por muitos analistas.

Ela investiu aproximadamente 5 bilhões de dólares no desenvolvimento de uma nova arquitetura.

A aposta recebeu um nome simples:

System/360

Hoje parece apenas mais um produto.

Na época foi uma revolução.


Bellacosa Mainframe e a evolução historica do logotipo IBM

Por Que o System/360 Mudou o Mundo?

Antes do System/360 cada computador era praticamente incompatível com os demais.

Trocar de equipamento significava reescrever programas.

Refazer processos.

Treinar equipes novamente.

A IBM propôs algo radical.

Uma família inteira de computadores compatíveis entre si.

O programa escrito para um modelo poderia funcionar em outro.

Esse conceito influenciou praticamente toda a indústria.

Windows.

Linux.

Unix.

Cloud.

Todos herdaram, direta ou indiretamente, ideias introduzidas pelo System/360.


O Nascimento do Mainframe Moderno

Quando um profissional fala em Mainframe hoje, está falando do descendente direto do System/360.

A linha evoluiu:

System/360

System/370

390

zSeries

System z

IBM Z

z16

z17

Existe uma linha evolutiva contínua de mais de sessenta anos.

Pouquíssimas tecnologias possuem essa continuidade.


Onde Entra o COBOL?

Em 1959 surgiu o COBOL.

Seu objetivo era simples:

Permitir que pessoas de negócios compreendessem programas.

Por isso comandos como:

ADD

SUBTRACT

MOVE

READ

WRITE

são tão próximos da linguagem humana.

A IBM adotou COBOL massivamente.

Bancos.

Seguradoras.

Governos.

Empresas aéreas.

Todos começaram a construir sistemas corporativos usando COBOL.

Muitos desses sistemas continuam funcionando até hoje.


O Grande Mito Sobre COBOL

Você provavelmente já ouviu:

"COBOL está morto."

Curiosamente essa frase existe desde os anos 1980.

Mas o COBOL continua processando:

  • Folhas de pagamento

  • Cartões de crédito

  • PIX

  • TED

  • DOC

  • Seguros

  • Aposentadorias

  • Impostos

Na prática, ele sobrevive porque resolve muito bem problemas de negócios.

Tecnologia não vence porque é nova.

Vence porque funciona.


A Curiosidade Que Surpreende Todo Iniciante

Muitos aplicativos modernos dependem de COBOL sem que seus usuários saibam.

Quando alguém usa:

  • Aplicativo bancário

  • Caixa eletrônico

  • Portal de investimentos

  • Sistema de previdência

Existe uma chance enorme de uma transação COBOL estar participando do processo.

O aplicativo bonito do smartphone frequentemente é apenas a ponta do iceberg.

A parte invisível muitas vezes roda em Mainframe.


O Mainframe Nunca Foi Embora

Existe uma narrativa popular de que Mainframes desapareceram.

Isso nunca aconteceu.

O que aconteceu foi algo diferente.

Eles ficaram invisíveis.

Ninguém vê o Mainframe.

Mas todos usam.

Quando você passa um cartão.

Quando faz PIX.

Quando compra uma passagem aérea.

Quando consulta um seguro.

Quando paga impostos.

Existe uma grande probabilidade de um Mainframe estar envolvido.


O Desafio dos Anos 2000

Um dos maiores momentos da história da IBM foi o famoso Bug do Milênio.

Muitos sistemas armazenavam anos usando apenas dois dígitos.

Exemplo:

99

00

Quando chegasse o ano 2000, milhões de programas poderiam interpretar:

00

como 1900.

O mundo inteiro entrou em pânico.

Governos contrataram milhares de programadores COBOL.

Muitos profissionais construíram carreiras inteiras trabalhando nesse projeto.

O curioso?

Grande parte do sucesso ocorreu justamente porque Mainframes eram sistemas extremamente bem documentados.


O Segundo Easter Egg

Existe uma brincadeira antiga no mundo Mainframe:

"Mainframe é a única tecnologia que os jornais só mencionam quando para."

Quando tudo funciona, ninguém fala.

Quando um banco fica indisponível por dez minutos, vira manchete nacional.

Isso mostra o quanto esses sistemas se tornaram essenciais.


A Era da Internet

Quando a internet surgiu, muitos especialistas declararam o fim do Mainframe.

Aconteceu exatamente o contrário.

A internet aumentou a demanda por processamento.

Mais acessos.

Mais transações.

Mais clientes.

Mais integrações.

O Mainframe tornou-se ainda mais importante.


O Nascimento do DB2

Outro capítulo fundamental da IBM foi o DB2.

Criado a partir das pesquisas de Edgar F. Codd sobre bancos relacionais.

O DB2 ajudou a transformar a forma como empresas armazenam dados.

Hoje conceitos como:

SELECT

JOIN

INDEX

TABLE

são comuns.

Mas houve uma época em que tudo isso era revolucionário.


A Revolução do CICS

Outro herói pouco conhecido é o CICS.

Customer Information Control System.

Ele permitiu que sistemas deixassem de ser exclusivamente batch.

Agora usuários podiam interagir online.

Em tempo real.

Caixas eletrônicos.

Terminais bancários.

Consultas instantâneas.

Tudo isso foi potencializado pelo CICS.


O Que Um COBOL Jr Deve Aprender Com a História da IBM?

Primeira lição:

Tecnologia é uma maratona.

Não uma corrida de cem metros.

A IBM não sobreviveu 115 anos perseguindo modismos.

Ela sobreviveu resolvendo problemas reais.


Segunda lição:

Confiabilidade vale ouro.

Uma aplicação pode ser bonita.

Pode usar a linguagem da moda.

Pode ter milhões de downloads.

Mas se não for confiável, não sobrevive.


Terceira lição:

Fundamentos importam.

COBOL.

JCL.

VSAM.

DB2.

CICS.

Datasets.

Esses conceitos parecem antigos.

Mas continuam sustentando operações críticas.


O Futuro Chegou

Hoje a IBM investe pesadamente em:

  • Inteligência Artificial

  • WatsonX

  • Quantum Computing

  • Cloud Híbrida

  • OpenShift

  • Red Hat

  • Automação

Mas existe algo interessante.

Ela não abandonou o Mainframe.

Pelo contrário.

Ela o integrou ao futuro.

O IBM Z moderno executa:

  • Containers

  • APIs REST

  • Java

  • Python

  • Node.js

  • COBOL

  • IA

Tudo no mesmo ecossistema.


O Maior Easter Egg de Todos

Existe uma ironia divertida na história da tecnologia.

Muitos desenvolvedores passam anos tentando criar sistemas escaláveis.

Altamente disponíveis.

Seguros.

Auditáveis.

Transacionais.

E acabam redescobrindo conceitos que o Mainframe já utilizava há décadas.

Controle transacional.

Alta disponibilidade.

Particionamento.

Segurança centralizada.

Recuperação automática.

Observabilidade.

Governança.

Tudo isso já fazia parte do universo IBM muito antes da maioria das plataformas modernas existir.


Conclusão

Quando comemoramos os 115 anos da IBM, não estamos celebrando apenas uma empresa.

Estamos celebrando uma parte importante da história da computação.

Dos cartões perfurados de Hollerith ao IBM z17.

Do COBOL ao WatsonX.

Do System/360 à Inteligência Artificial.

A IBM ajudou a construir a infraestrutura invisível que move a economia global.

E para você, Desenvolvedor COBOL Jr., existe uma mensagem importante nessa história:

Aprenda as tecnologias modernas.

Explore IA.

Conheça Cloud.

Estude APIs.

Mas nunca subestime os fundamentos.

Porque enquanto o mundo muda de linguagem a cada poucos anos, os sistemas críticos continuam exigindo aquilo que sempre importou:

Confiabilidade.

Performance.

Segurança.

Disponibilidade.

E é exatamente nesse ponto que o Mainframe e a IBM construíram um legado que atravessa gerações.

Parabéns, IBM.

115 anos conectando passado, presente e futuro.


quinta-feira, 4 de setembro de 2025

CSI Las Vegas, COBOL e o Caso da Nuvem que Ficou sem Máquinas: quando o Nubank Cresceu até Encontrar os Limites Físicos da AWS

 

Bellacosa Mainframe e o caso da nuvem que evaporou

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

CSI Las Vegas, COBOL e o Caso da Nuvem que Ficou sem Máquinas: quando o Nubank Cresceu até Encontrar os Limites Físicos da AWS

🔬 Datomic, Clojure, Kafka, Kubernetes, sharding, memória, garbage collection, Pangeia, Deriva Continental, 21 mil databases e a investigação do estranho incidente em que o suspeito parecia ser a AWS — até Grissom olhar para a arquitetura e perguntar: “Vocês disseram que a nuvem era infinita. Quem verificou isso?”

São 02h17.

Las Vegas continua acesa.

No laboratório do CSI, Gil Grissom observa silenciosamente uma fotografia ampliada.

Não há sangue.

Não há impressão digital.

Não há cartucho no chão.

Existe apenas uma mensagem:

INSUFFICIENT CAPACITY

Nick Stokes olha para a tela.

— AWS?

Grissom não responde.

Sara Sidle aproxima-se.

— Nubank.

— Quantos clientes?

— Milhões.

Na outra extremidade do laboratório, um velho programador COBOL bebe café diante de um terminal verde.

Ele ouve a conversa.

— Cloud?

Sara confirma.

— Cloud.

O veterano pergunta:

— E acabou recurso?

— Parece que sim.

Ele sorri.

— Então finalmente encontramos o datacenter.

Grissom vira lentamente a cabeça.

— Explique.

O COBOLzeiro coloca a caneca sobre a mesa.

CAFÉ
+
COBOL
=
EVIDÊNCIA

— A nuvem nunca desapareceu com o computador, senhor Grissom.

Pausa dramática.

— Ela apenas colocou o computador atrás de uma API.

YEEEEAAAAHHHH!

Óculos escuros.

Abertura.

Hoje vamos investigar um dos episódios mais fascinantes da engenharia do Nubank: a afirmação, registrada pela própria engenharia da empresa, de que sua estratégia de crescimento chegou a enfrentar situações nas quais a AWS não tinha máquinas disponíveis suficientes para acompanhar o ritmo de scaling exigido pela arquitetura.

Não significa que o Nubank derrubou a Amazon.

Não significa que acabou EC2 no planeta.

E definitivamente não significa que Jeff Bezos encontrou uma fatura roxa e gritou:

S0C4

A história real é tecnicamente muito mais interessante.


🔬 EVIDÊNCIA 001 — A cena do crime começa em 2013

O Nubank foi fundado em 2013 e teve a vantagem — e também o desafio — de construir sua infraestrutura praticamente sem um legado bancário anterior.

Quando Lucas Cavalcanti entrou no Nubank, no fim de 2013, estava entre os primeiros engenheiros da empresa. O relato retrospectivo publicado pelo Nubank em 20 de agosto de 2025 conta que os sistemas iniciais foram construídos principalmente utilizando:

Clojure
+
Datomic
+
AWS
+
CloudFormation
+
AMI

Com o crescimento, vieram Docker, Kubernetes, microsserviços e posteriormente uma arquitetura de Core Banking preparada para múltiplos produtos e países.

10 anos de engenharia no Nubank — 20 de agosto de 2025

Isso já representa uma diferença gigantesca para o banco tradicional.

Um grande banco que começou décadas atrás normalmente acumulou algo parecido com:

                CANAIS
                   |
            MIDDLEWARE/APIs
                   |
          +--------+--------+
          |                 |
        CICS               IMS
          |                 |
        COBOL             COBOL
          |                 |
       Db2/VSAM          IMS DB
          |
          MQ
          |
        BATCH

O Nubank começou muito mais próximo de:

                APP
                 |
                APIs
                 |
            MICROSERVICES
                 |
       +---------+---------+
       |                   |
    DATOMIC              KAFKA
       |                   |
       +---------+---------+
                 |
                AWS

Não pense que um desenho é automaticamente superior ao outro.

São filosofias arquiteturais diferentes.

Mas ambas precisam responder à pergunta que assombra todo sistema financeiro:

O dinheiro chegou ao lugar certo, uma única vez, e consigo provar isso depois?


🔬 EVIDÊNCIA 002 — Clojure e Datomic

Agora Grissom encontra uma pista estranha.

(println "BANCO")

— O que é isso?

Moss, que inexplicavelmente entrou no episódio errado, responde:

— Clojure.

O COBOLzeiro olha.

— Por que tem tantos parênteses?

Clojure é uma linguagem funcional da família Lisp executada sobre JVM.

O Nubank fez dela uma tecnologia importante desde seus primeiros sistemas.

Mas ainda mais interessante é Datomic.

Datomic possui uma filosofia muito diferente da imagem clássica que o COBOLzeiro pode ter de um banco SQL.

Em um modelo simplificado:

UPDATE CONTA
   SET SALDO = 800
 WHERE CONTA = 123;

pensamos no estado atual.

Datomic enfatiza fortemente fatos e histórico.

Conceitualmente:

T0 → saldo 1000
T1 → compra -200
T2 → saldo 800

Isso combina maravilhosamente com outra ideia usada pelo Nubank:

Event Sourcing.

Em 11 de fevereiro de 2020, Gustavo Bicalho, então engenheiro de software do Nubank, publicou uma explicação detalhada sobre essa arquitetura.

Em vez de armazenar somente:

SALDO = 800

você pode preservar a sequência que produziu aquele estado:

CONTA CRIADA
     |
     v
+1000
     |
     v
-200
     |
     v
SALDO ATUAL = 800

Isso é extremamente interessante para sistemas financeiros porque histórico, auditoria e reconstrução de estado são requisitos naturais do domínio.

Uma floresta digital: o cache perene — 11 de fevereiro de 2020


🔬 EVIDÊNCIA 003 — O Datomic separa responsabilidades

Aqui precisamos abrir o corpo.

Metaforicamente, naturalmente.

Datomic separa responsabilidades que normalmente imaginamos reunidas em um servidor de banco de dados.

Simplificando:

                  DATOMIC

                    WRITE
                      |
                      v
                 TRANSACTOR
                      |
                      v
                   STORAGE
                      ^
                      |
           +----------+----------+
           |          |          |
         PEER       PEER       PEER
           |          |          |
        QUERY      QUERY      QUERY

Isso oferece características extremamente interessantes.

Mas havia uma pista escondida:

memória.

Os peers podiam manter informações em cache para responder rapidamente às consultas.

Quanto mais dados...

mais cache.

Quanto mais clientes...

mais dados.

Quanto mais requisições...

mais trabalho.

O que poderia dar errado?

Grissom olha para a câmera.

Tudo.


🔬 EVIDÊNCIA 004 — O primeiro cadáver: memória

O artigo de 11 de fevereiro de 2020 registra exatamente o problema.

As máquinas começaram a apresentar:

OUT OF MEMORY

E longas pausas de:

GARBAGE COLLECTION

A primeira reação foi perfeitamente compreensível.

PROBLEMA: MEMÓRIA

SOLUÇÃO:
ADD MORE MEMORY

Funcionou.

Por algum tempo.

Então voltou.

Aumentaram novamente.

Funcionou.

Até que chegaram a instâncias na casa dos 100 GB de memória, segundo o relato técnico, e ainda estavam operando perigosamente próximas do limite.

O velho sysprog olha para Grissom.

— Scale-up.

— Traduza.

— Máquina maior.

32 GB
  |
  v
64 GB
  |
  v
100 GB
  |
  v
???

Existe um problema fundamental.

Não importa quanto dinheiro você tenha.

Em algum ponto:

BIGGEST-MACHINE-AVAILABLE

é realmente a maior máquina disponível.


🔬 EVIDÊNCIA 005 — Por que tanta memória?

A investigação encontrou duas causas particularmente interessantes.

Primeiro, o modelo baseado em eventos exigia carregar bastante informação para o cache em memória dos peers.

Segundo, qualquer instância do serviço poderia receber uma determinada requisição.

Imagine que o mesmo cliente consulta seu saldo quatro vezes.

Poderíamos ter:

REQUEST 1 → INSTANCE A → LOAD CUSTOMER
REQUEST 2 → INSTANCE B → LOAD CUSTOMER
REQUEST 3 → INSTANCE C → LOAD CUSTOMER
REQUEST 4 → INSTANCE D → LOAD CUSTOMER

Quatro máquinas podem acabar fazendo trabalho semelhante.

O próprio artigo técnico descreve esse desperdício: diferentes instâncias carregando repetidamente dados relacionados aos mesmos clientes.

O problema não era simplesmente:

PRECISAMOS DE MAIS RAM

Era:

NOSSO MODELO DE DISTRIBUIÇÃO
FAZ MUITAS MÁQUINAS
REPETIREM TRABALHO

Isso muda completamente o diagnóstico.

CSI chama isso de:

encontrar a causa da morte.

Mainframe chama de:

parar de aumentar REGION e descobrir quem está comendo storage.


🔬 EVIDÊNCIA 006 — 2016: entra o sharding

Segundo a retrospectiva técnica publicada pelo Nubank em 20 de agosto de 2025, o sharding começou a ser introduzido em 2016.

A ideia é dividir.

Em vez de:

                  TODOS
                    |
                    v
              +-----------+
              | DATABASE  |
              +-----------+

temos conceitualmente:

                   CLIENTES
                      |
          +-----------+-----------+
          |           |           |
          v           v           v
       SHARD A     SHARD B     SHARD C

Cada shard responde por uma parcela.

Não sabemos que critério específico é utilizado em todos os sistemas do Nubank, portanto não devemos inventá-lo.

Mas imagine didaticamente:

CLIENTES 000-299 → SHARD A
CLIENTES 300-599 → SHARD B
CLIENTES 600-999 → SHARD C

Agora você pode crescer adicionando shards.

SCALE-UP

      BIGGER
        |
        v
   BIGGER MACHINE

vira:

SCALE-OUT

 SHARD 1
 SHARD 2
 SHARD 3
 SHARD 4
 SHARD 5

Essa mudança é gigantesca.


🔬 EVIDÊNCIA 007 — E então o suspeito vira AWS

O sharding resolveu o problema?

Sim.

Temporariamente.

Essa palavra deveria estar impressa na parede de todo departamento de arquitetura.

NO SOLUTION SCALES FOREVER.

O Nubank continuou crescendo.

A retrospectiva publicada em 2025 relata explicitamente que as soluções de sharding implantadas a partir de 2016 funcionaram durante algum tempo, mas acabaram encontrando limites físicos, inclusive situações nas quais a AWS ficou sem máquinas disponíveis suficientes para acompanhar o ritmo de scaling exigido pelo Nubank.

É aqui que nasceu a história:

“O Nubank quebrou a AWS.”

CSI pede perícia.

Resultado:

AWS GLOBAL OUTAGE ............ NÃO
AWS INTEIRA ESGOTADA ......... NÃO
INTERNET DESTRUÍDA ........... NÃO
CAPACIDADE REQUERIDA
PELO MODELO DE SCALING ....... SIM

A diferença é enorme.


🔬 EVIDÊNCIA 008 — Cloud não é magia

Abra uma instância EC2.

Atrás dela existe:

DATACENTER
   |
   +-- RACK
       |
       +-- SERVER
           |
           +-- CPU
           +-- RAM
           +-- NIC
           +-- STORAGE

Existe eletricidade.

Refrigeração.

Processadores.

Memória.

Rede.

Capacidade.

Cloud é uma extraordinária camada de abstração sobre tudo isso.

Mas:

CLOUD != INFINITE

Se você precisa de uma determinada família de máquinas, em determinada região, com determinada configuração e em grande quantidade, existe capacidade física por trás dessa solicitação.

É por isso que capacity planning não morreu.

Ele apenas colocou camiseta, tênis e começou a falar inglês.


🔬 EVIDÊNCIA 009 — Quotas também existem

Existe outro limite além do hardware.

Quotas.

Em 9 de abril de 2025, o Nubank publicou uma análise dedicada justamente à gestão dos limites da nuvem.

Naquela data, a empresa relatava operar:

+4.000 microsserviços
dezenas de milhares de pods
72 bilhões de eventos Kafka por dia
milhões de requisições por segundo

Tudo orquestrado em enorme escala.

Gerenciando limites na nuvem — 9 de abril de 2025

Existem quotas envolvendo diferentes recursos AWS.

Então capacity engineering passa a perguntar:

QUANTO TEMOS?

QUANTO USAMOS?

QUAL A TAXA DE CRESCIMENTO?

QUANDO CHEGAMOS AO LIMITE?

QUAL LIMITE PODE SER AUMENTADO?

QUAL LIMITE EXIGE REDESIGN?

O velho sysprog levanta a mão.

— Isso é capacity planning.

Silêncio constrangedor.

— Sim.

Ele volta para o café satisfeito.


🔬 EVIDÊNCIA 010 — Pangeia

Agora encontramos um Easter egg maravilhoso.

No começo, boa parte da infraestrutura estava concentrada em poucas e enormes contas AWS.

Internamente o Nubank chamou isso de:

Pangeia.

Sim.

O supercontinente pré-histórico.

                 PANGEIA

      +---------------------------+
      |        AWS ACCOUNT        |
      |                           |
      | service service service   |
      | kafka kubernetes datomic  |
      | service service service   |
      |                           |
      |      TODO MUNDO AQUI      |
      +---------------------------+

Enquanto a empresa era menor, isso era administrável.

Com crescimento gigantesco, surgiram problemas.

Um incidente pequeno poderia ter um blast radius grande.

Separar staging de produção ficava mais difícil.

Deployments podiam ser prejudicados.

Quotas compartilhadas tornavam-se um problema.

A arquitetura tinha criado um supercontinente tecnológico.

Grissom observa o mapa.

— Continentes se movem.

O arquiteto responde:

— Exatamente.


🔬 EVIDÊNCIA 011 — Deriva Continental

A solução ganhou outro nome fantástico:

Continental Drift — Deriva Continental.

Em vez de:

           PANGEIA
              |
       TUDO CONECTADO

passaram para uma estratégia multi-account:

      ACCOUNT A
         |
      DOMAIN A


      ACCOUNT B
         |
      DOMAIN B


      ACCOUNT C
         |
      DOMAIN C

Isso melhora isolamento.

Agora um problema em:

DOMAIN A 💥

não significa necessariamente:

A 💥
B 💥
C 💥
D 💥
TODO MUNDO 💥

O blast radius diminui.

É uma ideia fundamental de resiliência:

não tente apenas impedir falhas; limite o tamanho da destruição quando elas inevitavelmente acontecerem.

Esse princípio vale para AWS.

Vale para Kubernetes.

Vale para CICS.

Vale para Parallel Sysplex.

Vale para compartimentos estanques de navios.

E vale para CSI quando Hodges resolve experimentar alguma substância misteriosa no laboratório.


🔬 EVIDÊNCIA 012 — Sharding virou filosofia

A parte mais interessante é que sharding deixou de ser apenas:

DIVIDIR DATABASE

e passou a influenciar diferentes camadas.

A infraestrutura descrita pelo Nubank envolve particionamento de serviços, Datomic, Kafka e outros componentes para evitar que um único domínio de capacidade vire gargalo.

Conceitualmente:

                         TRAFFIC
                            |
          +-----------------+-----------------+
          |                 |                 |
          v                 v                 v
       SHARD A           SHARD B           SHARD C
          |                 |                 |
     SERVICES A        SERVICES B        SERVICES C
          |                 |                 |
      DATOMIC A         DATOMIC B         DATOMIC C
          |                 |                 |
       KAFKA A           KAFKA B           KAFKA C

Agora crescer pode significar:

ADD SHARD

em vez de:

PROCURE UMA MÁQUINA MAIOR

Essa é uma mudança arquitetural profunda.


🔬 EVIDÊNCIA 013 — 450 milhões de eventos de fraude por dia

Agora o CSI encontra os números que explicam por que tudo isso é necessário.

Na plataforma de análise de risco e fraude, o Nubank divulgou números impressionantes:

~450 milhões de eventos/dia

~5 milhões de requisições internas/minuto

20 shards somente no Brasil

Um único evento, como uma transação Pix, pode desencadear dezenas de processos subsequentes. A stack divulgada para essa plataforma inclui Clojure, Datomic sobre DynamoDB, Kafka e modelos de machine learning em Python, além de logs, traces e métricas em tempo real.

Como o Nubank escalou sua plataforma de defesa contra fraudes

Imagine:

                 PIX
                  |
        +---------+---------+
        |         |         |
      RISCO    FRAUDE    IDENTIDADE
        |         |         |
       ML       RULES     DEVICE
        |         |         |
        +---------+---------+
                  |
                ACTION

Uma operação do cliente não corresponde necessariamente a uma operação interna.

Pode produzir dezenas.

Essa é uma lição fundamental.

Cliente não é unidade de capacidade.

A unidade real pode ser:

EVENTOS
REQUISIÇÕES
TPS
CPU
MEMÓRIA
I/O
NETWORK
STORAGE

🔬 EVIDÊNCIA 014 — 21 mil databases

E então encontramos uma evidência datada de 1º de julho de 2026.

O Nubank informou operar mais de 21 mil databases em produção, distribuídos entre Brasil, México e Colômbia.

Ainda mais curioso: a camada central de bancos de dados é administrada diretamente por uma equipe de apenas cinco engenheiros, apoiada por automação, governança e ownership distribuído entre as equipes.

Como o Nubank opera mais de 21 mil databases — 1º de julho de 2026

COBOLzeiro:

— VINTE E UM MIL?

Sim.

Mas cuidado.

Não pense:

21.000 Db2 Subsystems gigantescos

Microserviços alteram completamente a granularidade.

Muitos serviços possuem seu próprio armazenamento.

O número ilustra outra realidade:

nessa escala, operação manual morreu.

Você não pode ter alguém abrindo terminal e configurando 21 mil databases artesanalmente.

Precisa de:

AUTOMATION
+
POLICY
+
SELF-SERVICE
+
OBSERVABILITY
+
GOVERNANCE

🔬 EVIDÊNCIA 015 — Mainframe versus cloud

Agora Grissom coloca as duas arquiteturas lado a lado.

Filosofia mainframe

              IBM Z
                |
      +---------+---------+
      |         |         |
     CICS      Db2       IMS
      |         |         |
    COBOL      DATA      DATA
      |
      MQ
      |
     JES

Grande capacidade vertical.

Integração profunda.

Centralização.

Controle extraordinário.

Alta confiabilidade.

Filosofia cloud-native

            CLOUD
              |
       KUBERNETES
              |
   +----------+----------+
   |          |          |
SERVICE A  SERVICE B  SERVICE C
   |          |          |
 DATA A     DATA B     DATA C
   |
 EVENTS

Mais distribuição.

Mais componentes.

Mais scale-out.

Mais independência.

Mas também mais rede.

Mais observabilidade.

Mais pontos potenciais de falha.

Não existe almoço grátis.


🔬 EVIDÊNCIA 016 — O COBOLzeiro já conhece metade desses problemas

Faça a tradução:

MAINFRAME             CLOUD

CPU                   vCPU
storage               storage
WLM                   scheduler/autoscaling
SMF/RMF               observability
MQ                    Kafka/event streaming
RACF                  IAM
LPAR                   isolation
capacity planning      capacity engineering
chargeback             FinOps

Essas não são equivalências técnicas perfeitas.

Mas são ótimas pontes mentais.

O iniciante COBOL começa a perceber:

Cloud não inventou disponibilidade, workload, segurança, capacity e auditoria.

Criou novas maneiras de resolvê-los.


🔬 EVIDÊNCIA 017 — Passo a passo para estudar esse caso

Se você está começando COBOL, estude nesta ordem.

1. Aprenda transações.

COMMIT
ROLLBACK
ACID
LOCK
RECOVERY

2. Aprenda CICS.

Entenda task, transaction, program e region.

3. Aprenda Db2.

Entenda buffer, log, index, isolamento e recuperação.

4. Aprenda MQ.

Depois Kafka fica muito mais compreensível.

5. Estude scale-up versus scale-out.

MAQUINA MAIOR

versus:

MAIS MÁQUINAS

6. Aprenda sharding.

Pergunte sempre:

Qual é a chave de particionamento?

7. Estude Kubernetes.

Mas entenda primeiro o problema que ele resolve.

8. Estude observabilidade.

LOGS
METRICS
TRACES

Compare mentalmente com SMF, RMF e traces dos subsistemas.

9. Estude FinOps e capacity.

Porque:

CLOUD RESOURCE

continua significando:

DINHEIRO

10. Faça sempre a pergunta CSI:

Qual é a causa raiz?

Não aceite:

PRECISA MAIS MEMÓRIA

antes de descobrir:

POR QUE PRECISA MAIS MEMÓRIA?

🔬 EVIDÊNCIA FINAL — Então Nubank quebrou a AWS?

Grissom reúne a equipe.

Quadro branco.

Fotos.

Diagramas.

Logs.

A conclusão aparece:

CAUSA DA MORTE:

NÃO FOI AWS DOWN.

NÃO FOI "CLOUD ACABOU".

FOI UMA ARQUITETURA EM HIPERCRESCIMENTO
ENCONTRANDO LIMITES FÍSICOS
DE SUA ESTRATÉGIA DE ESCALA.

O sharding introduzido em 2016 ajudou.

Depois precisou evoluir.

Pangeia precisou fragmentar-se.

Vieram múltiplas contas.

Deriva Continental.

Mais isolamento.

Mais automação.

Mais sharding.

Kubernetes.

Kafka.

Datomic.

Capacity engineering.

Observabilidade.

E uma mudança filosófica fundamental:

NÃO PROCURE
UMA MÁQUINA INFINITA.

CONSTRUA UM SISTEMA
QUE NÃO PRECISE DELA.

☕ Epílogo — 03h42 no laboratório

O caso está encerrado.

Sara guarda as evidências.

Nick fecha o notebook.

Grissom encontra o COBOLzeiro ainda diante do terminal.

— Então o que você aprendeu?

O veterano pensa.

— Que cloud é impressionante.

— Só isso?

— Não.

Ele olha para o diagrama:

CLOJURE
   |
DATOMIC
   |
KAFKA
   |
KUBERNETES
   |
AWS

Depois olha para:

COBOL
 |
CICS
 |
DB2
 |
MQ
 |
IBM Z

— Mudaram quase todas as ferramentas.

— E?

— Os problemas continuam vindo ao mesmo laboratório.

Grissom sorri.

Disponibilidade.

Consistência.

Capacidade.

Memória.

Concorrência.

Performance.

Segurança.

Auditoria.

Recuperação.

Custos.

Falhas.

O COBOLzeiro termina o café.

— Há quarenta anos alguém pergunta:

QUANTO AINDA CABE?

Hoje o cloud engineer pergunta exatamente a mesma coisa.

Só mudou o dashboard.

Ele se levanta.

Na tela aparece uma última mensagem:

CASE CLOSED.

E abaixo:

CLOUD IS SOMEONE ELSE'S
CAPACITY PLANNING PROBLEM.

UNTIL IT BECOMES YOURS.

Fim do café.

segunda-feira, 18 de agosto de 2025

ENIAC: o Avô Brutal dos Mainframes

Bellacosa Mainframe apresenta ENIAC

ENIAC: o Avô Brutal dos Mainframes

Um Café no Bellacosa Mainframe

Quando falamos de IBM Z, z/OS, milhões de MIPS e uptime quase místico, é fácil esquecer que tudo isso começou com algo… barulhento, quente e absurdamente grande. Senhores padawans e mainframers raiz: apresento o ENIACElectronic Numerical Integrator and Computer, o dinossauro sagrado da computação moderna 🦕



🕰️ Origem e História — “A guerra chama, a tecnologia responde”

O ENIAC nasceu em plena Segunda Guerra Mundial, por volta de 1943, oficialmente concluído em 1945 e apresentado ao público em 1946.

📍 Local: Universidade da Pensilvânia (EUA)
🧠 Criadores:

  • John Presper Eckert

  • John W. Mauchly

🎯 Missão original:
Calcular tabelas balísticas para o Exército dos EUA. Antes dele, esses cálculos levavam dias (ou semanas) feitos à mão. O ENIAC fazia em segundos.

💡 Primeira lição Bellacosa:
Mainframe sempre nasce de missão crítica. Não é moda, é necessidade.


ENIAC

🧱 Tamanho e Aparência — “Isso não é computador, é uma usina”

Prepare-se para números que fazem um IBM Z parecer um Raspberry Pi 😄

  • 🏢 Área ocupada: ~167 m² (um ginásio pequeno)

  • ⚖️ Peso: ~30 toneladas

  • 🔌 Consumo elétrico: ~150 kW

  • 🔥 Calor gerado: suficiente para virar churrasco de operador

📦 Componentes principais:

  • ~18.000 válvulas eletrônicas

  • 70.000 resistores

  • 10.000 capacitores

  • 6.000 chaves manuais

🧠 Curiosidade Bellacosa:
Quando uma válvula queimava (e isso acontecia bastante), o sistema inteiro podia parar. Já ouviu falar de single point of failure? Pois é…


⚙️ Capacidade e Poder de Processamento

Hoje falamos em GHz e cores. O ENIAC falava em operações por segundo — e isso já era revolucionário.

  • 5.000 somas por segundo

  • 357 multiplicações por segundo

  • 38 divisões por segundo

Sem:

  • Sistema operacional ❌

  • Disco ❌

  • Memória como conhecemos ❌

📌 Programar o ENIAC era… físico
Nada de código-fonte:

  • Conectar cabos

  • Ajustar chaves

  • Reconfigurar painéis inteiros

💡 Primeiro “DevOps físico” da história
Deploy = ligar fios
Rollback = desligar fios
Debug = rezar 😇


👩‍💻 As Programadoras Invisíveis (Easter Egg Histórico 🎁)

Aqui vai um easter egg que muita gente ignora:

👉 O ENIAC foi programado por seis mulheres, matemáticas brilhantes:

  • Kay McNulty

  • Betty Jennings

  • Betty Snyder

  • Marlyn Wescoff

  • Fran Bilas

  • Ruth Lichterman

Elas:

  • Criaram lógica

  • Otimizaram fluxos

  • Resolveram bugs sem manual

E por décadas… foram esquecidas nos livros de história.

🧠 Bellacosa comenta:
Mainframe sempre teve diversidade. O problema foi quem escreveu a história depois.


🧪 Curiosidades Técnicas e Fofoquices Nerds

  • 🔥 O ENIAC ficava tão quente que o boato dizia que as luzes da Filadélfia piscavam quando ele ligava.

  • 🕯️ Válvulas queimavam com mais frequência ao ligar e desligar — por isso ele ficava ligado por longos períodos.

  • 🧮 Foi usado também para:

    • Cálculos da bomba de hidrogênio

    • Simulações nucleares

    • Estudos meteorológicos iniciais


🧬 Noções Gerais — O que o ENIAC NÃO era

Vamos alinhar expectativas:

❌ Não era programável como hoje
❌ Não tinha stored program (isso veio depois com o EDVAC)
❌ Não tinha conceito de usuário, job, spool ou batch

Mas ele provou que computação eletrônica funcionava.

💡 Ele não era prático — era visionário.


🏛️ Destino Final — “Da guerra ao museu”

Após anos de operação:

  • O ENIAC foi desligado definitivamente em 1955.

  • Desmontado.

  • Partes foram preservadas.

📍 Hoje você encontra o ENIAC em:

  • Smithsonian Institution

  • Universidade da Pensilvânia

  • Outros museus de ciência nos EUA

Ele virou:
➡️ Relíquia
➡️ Marco histórico
➡️ Avô espiritual do Mainframe


🧠 Dicas Bellacosa para Padawans Mainframe

☕ Quando alguém diz:

“Mainframe é coisa velha”

Responda com classe:

  • Velho é o ENIAC

  • Mainframe é evolução contínua desde ele

📌 Conceitos herdados:

  • Computação centralizada

  • Processamento massivo

  • Missão crítica

  • Alta confiabilidade (mesmo que o ENIAC ainda estivesse aprendendo 😄)


🧾 Conclusão — “Respeite os ancestrais”

O ENIAC não rodava COBOL.
Não tinha JCL.
Não conhecia CICS.

Mas sem ele:
❌ Não existiria System/360
❌ Não existiria z/OS
❌ Não existiria o orgulho mainframe que carregamos hoje

🖥️ ENIAC não é só história.
É a fundação de tudo.

Um Café no Bellacosa Mainframe — onde até válvula tem alma.

quinta-feira, 24 de julho de 2025

MVS o parrudo sistema operacional dos IBM Mainframes

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Bellacosa Mainframe fala sobre o MVS o lendario sistema operacional do Mainframe

MVS o parrudo sistema operacional dos IBM Mainframes

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O lendário MVS, o sistema operacional do mainframe.


Salve jovem padawan estamos na última semana de 2021, que ano louco, por um lado o Brasil chegou ao fundo do poço na Batalha contra o Coronavirus, porém graças aos governadores guerreiros, conseguimos reverter e na luta pela vacina, conseguimos nos salvar. No futuro este ano será um que contaremos aos nossos netos e refletiremos sobre o ocorrido, cada um com suas cicatrizes, 2021 foi um ano fabuloso em que conheci a Lendária Digital Innovation One e retornei ao mundo da informática, laureando inúmeras conquistas, mas também disse adeus a meu pai, vitimado por esta pandemia aos 70 anos.

Divaguei muito fugindo ao tópico central, hoje vamos falar sobre Mainframe ,esta overview tem como objetivo apresentar aos padawan, detalhes sobre o mais antigo sistema operacional em funcionamento, por incrível que parece, surgiu nos anos 70, passou por transformações e inovações mas em sua essência, digamos o Kernel, é uma atualização hiper turbina do OS/360 o sistema operacional dos potentes computadores IBM.

Mas antes que ache tudo isso muito confuso, vamos voltar no tempo, no final dos anos 50 iniciou uma grande corrida para construírem computadores, velozes e mais potentes em série, maiores e mais econômicos, o grande problema é que faltava uma padronização, cada fabricante tinha seu próprio código de caracteres, sistemas de arquivos, linguagem de programação e sistema operacional, poucos conseguiam trocar informações em computadores.

Era um caos, então o governo americano impôs uma série de condições para os fabricantes de computadores, comentei isso em artigo anterior que falava sobre a origem do COBOL. Com isso a IBM na vanguarda da tecnologia lançou o OS/360 para sua linha de computadores S360.

Neste artigo vou apresentar ao jovem padawan termos técnicos relacionados ao ambiente IBM Mainframe, mais precisamente o sistema operacional, atualmente conhecido por Z/OS, mas como vai ler no decorrer do texto, são as inúmeras evoluções do original MVS, sucessor do OS/360 que durante quase 40 anos dominou o estado da arte em computação.


O que é OS/360?

Do inglês Operation System 360 foi o Sistema Operacional pioneiro usado em larga escala, merece um artigo somente dele, em linhas gerais surgiu em 1964 e introduziu o conceito de processamento batch, sistema de arquivos DASD, permitiu a utilização de task em linha de comando e o uso de linguagem JCL para controlar a execução de programas em scripts, teve algumas atualizações até que em 1974 foi substituído pelo MVS.


O que é MVS?

Foi o Sistema Operacional mais longevo da história da computação, usado pelos computadores S370 e S390 até meados do ano 2000. Mais uma palavra formada pela junção de siglas da definição “Multiple Virtual Storage” , ou Armazenamento Múltiplo Virtual, lançado em 1974, revolucionando o mundo da informática, pois permitia fragmentar a memória e permitir múltiplas partições, a segurança foi reforçada pelo RACF e o sistema de arquivos permitia a criação de nomes longos em formatos sequencial e particionado, literalmente permitiu o multiprocessamento e devido a sua arquitetura de restore, minimizou ao máximo as paradas por falha de software e hardware, criando pontos de reparo invisíveis aos usuários finais, que muitas vezes não se davam conta do abend.

A sua arquitetura permitiu a migração de softwares e aplicativos, que foram projetados para o OS/360 e versões anteriores funcionasse normalmente sem a necessidade de recompilaçoes e conversões, fracamente acoplado permitia o acesso workload comum e multiprocessamento criando áreas autônomas para cada aplicativo e ao mesmo acesso há uma área de armazenamento maior onde poderia trocar dados e se necessário expandir a própria área.

Foi escrito em Assembly e PL/I sendo um sistema robusto, altamente escalável, que permitia a instalação de novos periféricos sem a necessidade de reinicializar o equipamento.

Expandiu as potencialidades dos aplicativos online, através do uso do CICS, administrando largas áreas de memória para troca de dados entre ambientes e aplicativos, melhorou os processos batch aprimorando a linguagem JCL e o ambiente de trabalho TSO.

Inicialmente possuía endereçamento de 16 megas de memória (24 bits) evoluindo até os 2 megabytes (31 bits) em versões mais recentes sempre controlado por CICS, porém nas versões mais recentes outros aplicativos começaram a controlar o próprio endereçamento de memória.


O que é JCL?

Job Control Language é similar ao processo batch nos ambientes Windows/Unix/Linux Um acrônimo JCL, significa linguagem de controle de trabalhos/tarefas é uma linguagem de script interpretada usada em mainframes para enfileirar e executar tarefas.

Usamos o SDSF, uma janela em forma de aplicativo online, onde monitoramos em tempo real os Jobs em execução e os concluídos no ambiente MVS e inúmeras outras atividades em funcionamento no MVS.


O que é TSO?

Time Sharing Option, ou opção de tempo compartilhado é um ambiente multitarefa, onde cada aplicação utiliza-se de porções de tempo em CPU/Memória, tao velozmente que para o usuário final simula multiprocessamento, o TSO é um ambiente de desenvolvimento, onde o operador/programador introduz operações via linha de comandos, interagindo com o MVS, para criar arquivos, editar programas, acompanhar tarefas no SDSF, acessar outros aplicativos.

O primeiro menu dentro do TSO é o ISPF, uma consola onde apresenta informações sobre o usuário, menu de ferramentas e aplicativos gerais do sistema MVS, que permite ao usuário acesso a arquivos, submenus, aplicativos sempre de acordo com seu perfil no RACF.

Para nos usuários acostumados com o Windows seria o equivalente ao Windows Explorer na parte de gestão de periféricos, arquivos, execuções e acesso, permitindo verificar status de dispositivos e acompanhar o funcionamento do MVS.


O que é ISPF?

Interactive System Productivity Facility, Sistema Interativo de Produtividade e Facilidades, uma ferramenta interativa completa para operar no sistema Mainframe.

Através dela acessamos via CRUD arquivos sequenciais, arquivos particionados, alteramos as configurações de usuário TSO, acessamos CICS aberto, acessamos linha de comandos, enfileiramos Jobs em processos batch, acessamos o SDSF e outras ferramentas de produtividade e acesso ao WorKStation.

Para o jovem padawan este aplicativo é similar ao Windows Explorer, onde podemos gerir e operar inúmeras funcionalidades de arquivos e aplicativos.


O que é SDSF?

Mais um anacronimo para System Display and Search Facility é um serviço/aplicativo utilizado dentro do TSO, que serve para monitorar o sistema MVS, exibindo em seu funcionamento o status de Jobs em processamento, em stand-by e concluídos, monitorando o funcionamento do computador, através do RACF, existe uma muralha onde apenas usuários autorizados podem acompanhar o Sistema.

Uma analogia simplista para explicar o funcionamento desta ferramenta seria o Gerenciamento de Tarefas do Windows, onde acompanhamos tudo o que ocorre na sessão de acordo com nosso acesso.

É possível monitorar Jobs, Printers, Tasks, Initiators, Logs, filas, acesso a periféricos e etc. O acesso ao Output Queue exibe Jobs, JES JOBID, Owner, Form Number, Remote Printer Destination (RMT) permitindo saber se a execução concluiu corretamente ou em Abend.


O que é RACF?

Perdoe-me padawan é siglas atrás de siglas, anacronimos, sinto por ser maçante, mas entrar em um ambiente completamente novo, precisamos de base e o RACF, Resource Access Control Facility em bom português Solução de Controle de Acesso a Recursos.

É o xerife do mainframe, graças a eles a equipe de segurança criam regras de acesso, permissão de operação e navegação em menus, consultas em SDSF e utilização de CICS e CRUD em arquivos sequenciais ou particionados.

Importante ter atenção as atividades no Mainframe, pois o RACF gera um longo e extenso log de todas as operações e acessos no Sistema Central, é um software tão poderoso que ataques hackers em mainframe são quase nulos e inexistentes.


Arquivos em mainframe

Agora que conhecemos os principais aplicativos de manipulação e operação, vamos conhecer um pouco mais sobre o sistema de arquivos no mainframe. Lembrando que estamos em um processo Cics/batch, em que todas as tarefas são executadas via uma chamada via menu TSO/ISPF, que enfileira o respectivo job e obtemos acesso aos dados.

O arquivo é denominado via DSN, data set name, definidos hierarquicamente e separado por pontos, onde normalmente o nível mais alto, indica o Sistema origem, devido as especificações do MVS, cada nível possui 8 bytes.

Os datasets são lidos sequencialmente, um registro por vez, porém de acordo com os parâmetros do jcl, os blocos contem mais registros, acumulando em buffer de memória, para evitar acessos desnecessário ao cartucho (cartridge) ou disco rígido.


Existem dois tipos principais de arquivos no MVS:

•	Sequencial: os dados são armazenados sequencialmente, com formato Fixo, Fixo Blocado, Variavel, Variavel Blocado ou Indefinido, nos tipos QSAM e VSAM indexados ou não. 
o	BDAM (acesso direto),
o	ISAM (acesso por chave),

•	Particionado: que armazena em seu interior outros arquivos do tipo sequencial. 


Uma facilidade no gerenciamento dos arquivos é a criação de Grupos de Geração de Dados - Generation Data Groups (GDGs) , onde criamos um nome raiz e a cada processamento é gerado uma nova versão com identificação sequencial.

Os arquivos VSAM são um tipo especial de arquivo, onde é definido uma chave, semelhante ao índice de banco de dados SQL, onde o programa pode acessar os registros diretamente através de uma key. Devido a complexidade do tema, em breve publicarei um artigo somente com este topico, a titulo de curiosidade o Banco de Dados DB2 em sua estrutura esta um complexo sistema de arquivos VSAM.


Conclusão,

Meu jovem padawan, espero ter clareado o tema, que em próximos artigos iremos expandir e agregar mais conhecimentos, o objetivo principal foi apresentar dados introdutórios sobre o Sistema Operacional do Mainframe MVS, que foi o sistema dos sistemas por 40 anos, sendo substituído atualmente pelo Z/OS.

Porem devido a dinâmica do mercado, com certeza existem muitas instalações onde o MVS é o Sistema, a IBM sempre que lança uma nova versão dos seus SO, ela mantem a compatibilidade entre programas antigos, minimizando ao máximo a necessidade de recompilações e migrações de aplicativos.

Efetueis algumas revisões, alguns pontos obscuros foram clarificados, mas como um bom trabalho em curso, sempre que sinto necessidade edito e incluo alguns pontos para facilitar a leitura.

Caso surjam mais dúvidas ou pontos obscuros deixe nos comentários, que irei clarificar e melhorar para o futuro.

Espero ter ajudado, lembre-se que é um trabalho continuo.


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Mais momento jabá, para distrair, vamos festejar a entrada do ano novo, no video de hoje, estou na estação cultura de Campinas, no antigo complexo FEPASA e estamos acompanhando uma peça teatral muito louca e irreverente., visite meu vídeo e veja para onde fui desta vez: https://www.youtube.com/watch?v=C1qNUn9unnc



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https://github.com/VagnerBellacosa/


Pode me dar uma ajudinha no YouTube?

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https://www.youtube.com/user/vagnerbellacosa

Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

IBM Champion IBM Z COBOL CICS Db2 z/OS Mainframe desde 1988
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