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sábado, 1 de novembro de 2025

🚀☕ REXX: O “Python do Mainframe” QUE JÁ EXISTIA QUANDO A INTERNET AINDA ENGATINHAVA ☕🚀


Bellacosa Mainframe apresenta o REXX

🚀☕ REXX: O “Python do Mainframe” QUE JÁ EXISTIA QUANDO A INTERNET AINDA ENGATINHAVA ☕🚀

A linguagem lendária da IBM que transformou operadores em programadores e virou o canivete suíço do z/OS

“Enquanto muita gente hoje descobre automação com Python… o mainframe já fazia isso elegantemente com REXX há mais de 40 anos.” 😎


📜 O NASCIMENTO DE UMA LENDA

Final dos anos 70.

Mainframes dominavam o planeta corporativo:

  • bancos
  • governos
  • seguradoras
  • bolsas de valores
  • telecomunicações

Mas existia um problema gigantesco.

Programar era:

  • complexo
  • burocrático
  • lento
  • doloroso

COBOL era poderoso…
Assembler era monstruoso…
CLIST era limitado…

Foi então que surgiu:

⚡ REXX ⚡

Criado por Mike Cowlishaw nos laboratórios IBM Hursley, o REXX nasceu com uma missão quase revolucionária:

“Tornar a programação humana novamente.”

E conseguiu.


🤯 O QUE TORNAVA O REXX DIFERENTE?

Naquela época, linguagens queriam que:

  • humanos pensassem como máquinas.

O REXX fez o contrário:

  • fez a máquina entender humanos.

Resultado?

Uma linguagem:

  • limpa
  • natural
  • flexível
  • extremamente poderosa

😲 O REXX NÃO QUER SABER DE BUROCRACIA

Enquanto COBOL exigia:

01 WS-NOME      PIC X(20).
01 WS-IDADE PIC 9(03).
01 WS-SALARIO PIC 9(05)V99.

o REXX simplesmente dizia:

nome = "VAGNER"
idade = 40
salario = 99999

Pronto.
Acabou.
Sem WORKING-STORAGE.
Sem DATA DIVISION.
Sem sofrimento existencial. 😂


☕ O OPERADOR VIROU PROGRAMADOR

Aqui está uma das maiores revoluções silenciosas do mainframe.

Antes do REXX:

  • automação era território dos desenvolvedores hardcore.

Depois do REXX:

  • operadores
  • analistas
  • sysprogs
  • suporte
  • administradores

começaram a automatizar tudo.

O REXX democratizou o poder do z/OS.


🧠 O PARSE: A ARMA SECRETA DO REXX

O PARSE do REXX é quase magia negra corporativa.

Imagine receber uma linha:

USER01 PROD 1500

E transformar isso em variáveis automaticamente:

linha = "USER01 PROD 1500"

parse var linha usuario ambiente saldo

say usuario
say ambiente
say saldo

Saída:

USER01
PROD
1500

Sem SPLIT.
Sem REGEX.
Sem trauma psicológico.


🔥 REXX NO MUNDO REAL

O REXX virou a “cola universal” do z/OS.

Ele conversa com:

  • TSO
  • ISPF
  • SDSF
  • JES2
  • DB2
  • IMS
  • NetView
  • QMF

É praticamente o “multiverso da automação mainframe”.


💣 EXEMPLO REAL — GERANDO JCL AUTOMATICAMENTE

Imagine criar 100 steps manualmente…

Agora veja o REXX humilhando a tarefa:

do i = 1 to 100
say "//STEP"i "EXEC PGM=IEFBR14"
end

Boom. 💥

100 steps gerados em segundos.


😎 O REXX NÃO LIGA PARA INDENTAÇÃO

Python:

if x > 10:
print("OK")

Errou espaço?
💀 morreu.

REXX:

if x > 10 then
say "OK"

ou:

if x > 10 then
say "OK"

ou até:

IF X > 10 THEN SAY "OK"

O REXX olha pra isso e fala:

“Relaxa. Eu entendi.” 😎


👴 O SYSOP VETERANO E O REXX

Todo ambiente z/OS tem aquele sysprog lendário que:

  • sabe JES2 de cabeça
  • conversa com dumps
  • domou CICS em produção
  • tem um PDS de REXX desde 1994

E normalmente existe um dataset misterioso chamado:

SYS1.REXX.CNTL

que ninguém ousa apagar. 😂

Porque:

  • metade da automação crítica mora lá.

🧪 EXEMPLO — CONSULTANDO DATASETS

say "Digite o dataset"

pull dsn

"LISTDS '"dsn"'"

say "Consulta finalizada"

Simples.
Humano.
Objetivo.


🚀 O REXX ERA “SCRIPTING MODERNO” ANTES DO SCRIPTING MODERNO

Muita coisa atribuída hoje ao Python já existia no REXX:

  • interpretado
  • shell scripting
  • tipagem dinâmica
  • automação
  • REPL interativo
  • parsing poderoso

O REXX estava décadas à frente.


👀 EASTER EGG MAINFRAME #1

Veteranos sabem…

Existe uma entidade ancestral chamada:

IRXJCL

Quando alguém descobre isso pela primeira vez:

  • automaticamente ganha +10 em automação. 😆

🔥 EXEMPLO — REXX EXECUTANDO COMANDOS TSO

address tso

"ALLOC FI(TESTE) DA('USER.TEST') SHR"

say "Dataset alocado!"

Aqui o REXX vira praticamente:

  • operador
  • console
  • automação
  • shell scripting

tudo ao mesmo tempo.


🤯 O REXX CONSEGUE “CONVERSAR” COM O SISTEMA

E isso muda tudo.

Você pode:

  • emitir comandos
  • ler retorno
  • analisar mensagens
  • tomar decisões
  • automatizar operações

Exemplo:

address tso "LISTCAT ENT(USER.TEST)"

if rc = 0 then
say "Dataset existe"
else
say "Dataset não encontrado"

REXX + RC = automação operacional absurda.


👀 EASTER EGG MAINFRAME #2

Se um REXX começa com:

/* REXX */

veteranos imediatamente sentem cheiro de:

  • ISPF macro
  • automação antiga
  • script crítico
  • possível perigo operacional 😂

☠️ O BUG MAIS CLÁSSICO DO REXX

Como variáveis não precisam ser declaradas…

isso aqui:

total = 100
totla = total + 1

cria:

  • TOTAL
  • TOTLA

automaticamente.

E o programador passa:

  • 4 horas
  • 3 cafés
  • 2 crises existenciais

tentando descobrir o erro.


🛡️ O ANTÍDOTO SAGRADO

Veteranos usam:

signal on novalue

Isso faz o REXX reclamar de variáveis inexistentes.

Quase um:

“modo anti-digitador cansado”.


💾 O REXX VIROU A ALMA DO ISPF

Muita gente não percebe…

Mas inúmeras ferramentas ISPF:

  • painéis
  • macros
  • diálogos
  • automações

dependem fortemente de REXX.

Sem REXX:

  • muita produtividade do z/OS evaporaria.

🎮 EASTER EGG MAINFRAME #3

Existe um momento mágico na vida do mainframeiro…

Quando ele cria seu primeiro:

ISREDIT MACRO

E percebe que pode controlar o editor inteiro.

Nesse instante:

  • o usuário evolui para forma final. 😂

🚨 O REXX NO MUNDO CORPORATIVO

Grandes bancos usam REXX para:

  • automação batch
  • validação operacional
  • geração de JCL
  • monitoramento
  • administração TSO
  • integração de ferramentas

E muitos ambientes ainda possuem:

  • milhares de execs ativos.

🧠 O VERDADEIRO SEGREDO DO REXX

Não é apenas a sintaxe.

É a produtividade.

Você escreve pouco…
e resolve MUITO.


⚡ MINI LAB — REXX “HELLO MAINFRAME”

/* HELLO */

say "=== BELLACOSA MAINFRAME ==="
say "Digite seu nome:"

pull nome

say "Bem-vindo ao universo REXX," nome

say "Hoje você desbloqueou"
say "o canivete suíço do z/OS 😎"

exit 0

☕ CONCLUSÃO

O REXX não é apenas:

  • uma linguagem antiga.

Ele é:

  • um pedaço vivo da história da computação corporativa.

Uma linguagem:

  • elegante
  • poderosa
  • extremamente humana

que continua relevante porque resolve problemas reais.

Enquanto muita tecnologia moderna nasce e desaparece…

o REXX continua firme no coração do mainframe.

Porque no fim das contas:

produtividade nunca sai de moda. 😎☕


quarta-feira, 22 de janeiro de 2025

☕ Por que é errado ser politicamente correto?



☕ Por que é errado ser politicamente correto?

☕ Antes que alguém se ofenda com o título...

Calma. O café nem esfriou ainda.

Antes que alguém abra o teclado, estale os dedos e comece a preparar uma resposta de dezessete parágrafos explicando por que este texto representa tudo aquilo que há de errado na humanidade, talvez seja importante esclarecer uma coisa: não existe nada de errado em respeitar as pessoas.

Aliás, deveria ser exatamente o contrário.

Durante boa parte da vida aprendemos algumas regras bastante simples de convivência: não humilhar alguém gratuitamente, não transformar diferenças em motivo de desprezo, pensar um pouco antes de falar e, quando perceber que pisou no pé de alguém, simplesmente tirar o pé.

Não parece particularmente complicado.

O problema começa quando aquilo que deveria funcionar como bom senso ganha tantas regras, exceções, interpretações e patrulhas que conversar passa a parecer uma tentativa de atravessar um campo minado carregando uma xícara de café cheia até a borda.

Foi daí que nasceu minha curiosidade sobre o chamado politicamente correto.

Em algum momento, uma ideia essencialmente razoável — prestar atenção às palavras e respeitar quem está do outro lado — entrou no liquidificador da política, das redes sociais, dos algoritmos, das guerras culturais e, naturalmente, da extraordinária capacidade humana de transformar qualquer coisa em discussão.

E chegamos a uma situação curiosa.

De um lado, pessoas com medo de dizer qualquer coisa.

Do outro, pessoas orgulhosas de dizer absolutamente qualquer coisa.

No meio delas existe provavelmente a maioria de nós, tentando descobrir se ainda podemos contar uma piada, discordar educadamente, cometer um erro, pedir desculpas, aprender alguma coisa e continuar a conversa.

Talvez seja justamente aí que esteja a questão.

O problema nunca foi aprender a respeitar.

O problema começa quando deixamos de conversar.

Então coloque o café na mesa, desligue por alguns minutos o botão imaginário do “cancelar” e venha comigo explorar esse estranho manual moderno de convivência que ninguém recebeu, todo mundo parece conhecer e absolutamente ninguém consegue interpretar da mesma maneira.


(Ou: como perdemos o manual de “como conversar sem ofender ninguém”)

Ah, o politicamente correto. Esse ser mítico que nasceu com boas intenções, cresceu cheio de regras e hoje vive assombrando grupos de WhatsApp, churrascos e timelines.

🌍 A origem: quando tudo era mato (e piada de tiozão)

O termo surgiu lá pelos anos 1970, entre movimentos sociais e universidades — especialmente nos EUA. A ideia era simples: usar linguagem inclusiva e respeitosa pra não reforçar preconceitos.
Mas como toda boa invenção humana... o pessoal exagerou.

Virou um jogo de tabuleiro moderno:

  • “Pode falar isso?”

  • “Depende do contexto.”

  • “E se for ironia?”

  • “Depende da intenção.”

  • “E se for meme?”

  • “Depende do algoritmo.”

Resultado: ninguém sabe mais quando está sendo gentil ou cancelável.

🧠 A razão: o medo do “cancelamento”

O politicamente correto nasceu da empatia, mas virou um manual de etiqueta com 18 volumes e notas de rodapé.
Hoje, em vez de dizer “bom dia”, muita gente pensa:

“Será que ofendo alguém que não acredita em dias bons?”

O medo de errar nos transformou em robôs sociais: sorrimos, concordamos, mas pensamos “lá vem textão”.

📜 A evolução (ou involução)

Nos anos 2000, o “politicamente correto” começou a virar arma política.
Um grupo dizia “seja mais sensível”, o outro retrucava “vocês estão mimando o mundo”.
E assim nasceu a guerra santa da internet: os ofendidos versus os debochados.

Curiosamente, ambos querem o mesmo: liberdade pra falar — só divergem em como.

🤯 Curiosidades

  • O termo “politicamente correto” era originalmente uma brincadeira entre ativistas de esquerda — usado de forma irônica!

  • Em 1990, o New York Times publicou uma série de artigos sobre o tema, e o termo explodiu.

  • No Brasil, o auge veio nos anos 2010, quando descobrimos o poder de um “lacrou” e um “cancelado” no mesmo post.

  • A internet transformou a empatia em um campo minado sem tutorial.

☕ Dicas pra sobreviver ao politicamente correto

  1. Fale com empatia, mas não viva em pânico.

  2. Pergunte antes de ofender (funciona em 80% dos casos).

  3. Evite generalizações, a menos que seja pra falar mal de fila de banco.

  4. Aprenda e siga em frente. Errar é humano, repetir é “cringe”.

  5. Lembre-se: humor sem maldade é possível — só dá mais trabalho.

💬 Comentário final do Bellacosa

Ser politicamente correto não é errado — o problema é esquecer que humor, contexto e intenção ainda existem.
O segredo é simples: respeito com leveza.
Nem tanto o “mimimi”, nem tanto o “tiozão do pavê”.

Ou como diria o filósofo do boteco digital:

“Se você não pode rir de nada, então estamos ferrados. Mas se você ri de tudo, o problema é você.”

☕ No fim das contas, o politicamente correto é igual café: na dose certa, desperta consciência; em excesso, dá azia social.

quarta-feira, 11 de setembro de 2024

🐴💩 Dois Cavalos e uma Filosofia Brasileira O cocô do cavalo do bandido e o cavalo do desfile de 7 de Setembro

 

Bellacosa Mainframe frase escatologicas sobre cavalos e cocos

☕ Um café no Bellacosa Mainframe

🐴💩 Dois Cavalos e uma Filosofia Brasileira

O cocô do cavalo do bandido e o cavalo do desfile de 7 de Setembro

Uma pequena cápsula do tempo linguística para algum arqueólogo digital de 2126

Caro leitor do futuro,

Se por algum acidente arqueológico você encontrou este texto daqui a cinquenta, cem ou duzentos anos, talvez esteja tentando compreender por que brasileiros do século XXI falavam tanto de cavalos que aparentemente possuíam funções filosóficas.

Não tente traduzir literalmente.

Vai piorar.

Existem expressões que pertencem tão profundamente à cultura de um povo que traduzi-las palavra por palavra produz uma frase perfeitamente compreensível e absolutamente incompreensível.

O Brasil possui pelo menos duas preciosidades desse gênero:

“Estou me sentindo o cocô do cavalo do bandido.”

e

“Vou fazer igual ao cavalo do desfile de 7 de Setembro.”

Curiosamente, ambas utilizam cavalos.

Mais curiosamente ainda, ambas envolvem merda.

E, apesar disso, representam posições filosóficas praticamente opostas diante da existência.



🐴 1. Primeiro conheça o bandido

Imagine um velho filme de faroeste.

Existe o mocinho.

Existe a mocinha.

Existe o xerife.

Existe o bandido.

Existem os capangas.

E existem os cavalos.

O cavalo do mocinho ainda possui alguma dignidade cinematográfica. Pode receber close, salvar o protagonista, galopar heroicamente contra o pôr do sol e, nos filmes mais generosos, até possuir nome.

Mas existe também o cavalo do bandido.

Esse pobre animal já está bastante abaixo na cadeia alimentar do roteiro.

Ninguém comprou ingresso para vê-lo.

Ninguém pergunta o que aconteceu com ele depois que o bandido levou um tiro.

Provavelmente nem aparece nos créditos.

Agora imagine algo ainda menos importante.

💩 O cocô do cavalo do bandido.

Pronto.

Chegamos ao brasileiro.



💩 2. “Estou me sentindo o cocô do cavalo do bandido”

Essa extraordinária construção significa aproximadamente:

“Minha importância nesta situação atingiu níveis subterrâneos.”

Mas isso ainda é uma tradução ruim.

Porque alguém poderia simplesmente dizer:

“Estou sendo desprezado.”

Não tem graça.

Ou:

“Sinto que ninguém valoriza minha participação.”

Parece reunião de Recursos Humanos.

Ou ainda:

“Estou me sentindo insignificante.”

Parece sessão de terapia.

O brasileiro resolveu o problema adicionando um bandido, um cavalo e suas necessidades fisiológicas.

“Estou me sentindo o cocô do cavalo do bandido.”

Instantaneamente o interlocutor entende.

Você não está apenas mal.

Você não está apenas esquecido.

Você não está simplesmente no fim da fila.

Existe toda uma hierarquia acima de você.

Mocinho.

Bandido.

Cavalo.

E finalmente...

você.



🪰 3. Naturalmente, o brasileiro achou que isso ainda não era suficiente

Uma expressão popular brasileira raramente permanece intacta quando existe possibilidade de piorá-la.

Em algum momento apareceu:

“A mosca do cocô do cavalo do bandido.”

Fantástico.

Criamos mais um nível hierárquico.

Posteriormente poderiam surgir versões envolvendo a pata da mosca, a sujeira da pata da mosca, a bactéria presente na sujeira da pata da mosca...

Não existe limite teórico.

É uma espécie de recursividade escatológica brasileira.

BANDIDO
   ↓
CAVALO
   ↓
COCÔ
   ↓
MOSCA
   ↓
PATA DA MOSCA
   ↓
SUJEIRA DA PATA
   ↓
VOCÊ

COBOL não faria isso.

LISP provavelmente faria.



🇧🇷🐴 4. Então aparece o segundo cavalo

Agora mudamos completamente de estado de espírito.

Imagine o desfile brasileiro de 7 de Setembro, comemoração da Independência.

Autoridades.

Uniformes impecáveis.

Bandeiras.

Banda militar.

Marcha.

Cerimônia.

Público.

Câmeras.

Tudo organizado segundo um protocolo cuidadosamente preparado por seres humanos.

Então passa um cavalo.

O cavalo não conhece o protocolo.

O cavalo não estudou História do Brasil.

O cavalo desconhece solenidades republicanas.

O cavalo simplesmente...

caga.

No meio da parada.

E continua andando.

Majestosamente.



😎 5. “Vou fazer igual ao cavalo do desfile de 7 de Setembro”

Aqui encontramos uma filosofia completamente diferente.

O sujeito não está derrotado.

Também não está revoltado.

Muito menos desesperado.

Ele atingiu um estágio superior de indiferença.

A tradução aproximada seria:

“Vou permanecer absolutamente tranquilo, cumprir meu caminho, fazer aquilo que considero necessário e deixar que os demais lidem com as consequências.”

Novamente, tradução horrível.

A original é infinitamente melhor:

“Vou fazer igual ao cavalo do desfile de 7 de Setembro.”

O interlocutor brasileiro imediatamente completa mentalmente:

andar calmamente...

olhar para o público...

cagar na parada...

e continuar andando.

😂



🧘 6. O segredo está na serenidade

Existe uma diferença importantíssima entre:

“mandar tudo à merda”

e

ser o cavalo do desfile.

Quem manda tudo à merda ainda está emocionalmente envolvido.

Está bravo.

Grita.

Bate a porta.

Talvez escreva um e-mail de 1.700 palavras copiando quinze gerentes.

O cavalo não.

O cavalo não discute com o comandante da parada.

Não abre chamado.

Não pede escalation.

Não cria PowerPoint.

Não coloca ninguém em cópia.

Ele simplesmente realiza sua contribuição pessoal ao evento...

e segue caminhando.

Essa serenidade é essencial.



🐴 7. Os dois cavalos representam extremos da existência

E aqui chegamos à beleza dessas duas expressões.

No primeiro caso:

Você é o cocô do cavalo.

No segundo:

Você é o cavalo.

Parece uma diferença pequena.

É gigantesca.

O cocô do cavalo do bandido representa alguém submetido às circunstâncias.

O cavalo do desfile de 7 de Setembro representa alguém que decidiu que as circunstâncias não merecem mais sua preocupação.

Um diz:

“Ninguém liga para mim.”

O outro responde:

“Eu não ligo para ninguém.”

E assim aproximadamente dois séculos de filosofia ocidental podem ser resumidos utilizando apenas dois cavalos.



🌎 8. Agora tente traduzir isso para inglês

Boa sorte.

“I feel like the poop of the bandit's horse.”

Um americano provavelmente perguntará se você precisa de assistência médica.

“I'm going to behave like the horse at the September 7th Independence Day parade.”

Agora você precisará explicar:

— September 7th is Brazilian Independence Day...

— Okay...

— There are military parades...

— Right...

— Sometimes there are horses...

— Sure...

— And the horse shits...

— What?

Acabou.

A piada morreu durante a imigração.


🧠 9. Porque a verdadeira expressão não está nas palavras

Esse talvez seja o ponto linguisticamente mais interessante.

Essas frases funcionam porque o ouvinte participa da construção da piada.

Quando alguém diz:

“Estou igual ao cocô do cavalo do bandido.”

não precisa acrescentar:

“Isso significa que estou me sentindo desprestigiado.”

Todo mundo entendeu.

Quando alguém anuncia:

“Agora vou fazer igual ao cavalo do 7 de Setembro.”

não precisa explicar o restante.

O interlocutor já está sorrindo.

Porque sua cabeça produziu o filme inteiro.

E frequentemente a gargalhada acontece justamente antes da explicação que nunca será necessária.


📦 10. São arquivos ZIP culturais

Talvez essa seja uma boa definição.

Essas expressões são arquivos ZIP da cultura popular.

Poucas palavras armazenam:

memória coletiva, imagens, ironia, hierarquia social, resignação, cinismo, autodepreciação e humor.

O falante envia:

“Cavalo do bandido.”

O cérebro do receptor executa:

DESCOMPACTAR.EXE

E recebe todo o restante.

É por isso que traduções literais fracassam.

Você consegue traduzir as palavras.

Não consegue transportar automaticamente o arquivo cultural que permite descompactá-las.


🍺 11. Manual prático para o brasileiro contemporâneo

Segunda-feira.

O chefe esqueceu seu nome.

Seu projeto perdeu orçamento.

Seu computador atualizou sozinho.

O café acabou.

Você declara:

“Hoje estou o cocô do cavalo do bandido.”

Quarta-feira.

Depois de oito reuniões, quatro apresentações e alguém perguntar pela terceira vez aquilo que estava escrito no primeiro slide, alguma coisa muda dentro de você.

Finalmente chega sexta-feira.

17h43.

Alguém manda:

“Rapidinho, você consegue olhar uma coisinha antes de sair?”

Nesse momento ocorre a metamorfose.

Você deixa de ser o cocô.

Você se torna o cavalo.

Endireita a coluna.

Olha serenamente para o horizonte.

E pensa:

“Agora vou de cavalo do desfile de 7 de Setembro.”


🏺 12. Nota para o arqueólogo digital do futuro

Se você encontrou este texto no ano de 2126 tentando descobrir o significado dessas expressões, registre isto cuidadosamente:

sim, brasileiros realmente falavam essas coisas.

Não sabemos exatamente quem pronunciou cada uma delas pela primeira vez.

Provavelmente circularam durante muito tempo pela oralidade, ganhando versões, exageros e novos detalhes conforme passavam de uma pessoa para outra.

E justamente por isso vale deixar mais uma ocorrência escrita.

Porque expressões populares possuem uma característica curiosa:

todo mundo conhece,

ninguém sabe quem inventou,

ninguém lembra onde ouviu pela primeira vez,

mas todo mundo sabe exatamente quando usar.


☕ Conclusão — A sabedoria dos dois cavalos

Talvez algum filósofo do futuro encontre uma teoria sofisticada para explicar tudo isso.

Nós podemos economizar o trabalho.

Existem momentos na vida em que você inevitavelmente será:

💩 o cocô do cavalo do bandido.

Aceite.

Sobreviva.

Dê risada.

Mas existem outros momentos em que a melhor estratégia possível será transformar-se no:

🐴 cavalo do desfile de 7 de Setembro.

Mantenha a postura.

Caminhe calmamente.

Sorria para o público.

Faça aquilo que precisa fazer.

E siga adiante sem olhar para trás.

Porque talvez uma pequena parte da filosofia brasileira possa ser resumida assim:

Quando o mundo fizer você se sentir o cocô do cavalo do bandido, sobreviva tempo suficiente para um dia poder ser o cavalo do desfile.

O resto...

bem...

fica para quem vem marchando atrás. 🐴💩🇧🇷



quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Tadashii (正しい): O Kanji da Correção e da Justiça

 

Bellacosa Mainframe e o kanji da correção e da justiça

Tadashii (正しい): O Kanji da Correção e da Justiça

Se você já começou a estudar japonês, provavelmente já se deparou com o kanji 正. Mas quando ele se transforma em 正しい (tadashii), o significado ganha vida e se conecta profundamente com a cultura e a linguagem japonesa. Hoje, no El Jefe, vamos explorar tudo sobre esse kanji: o que ele significa, curiosidades, dicas de uso e alguns detalhes interessantes para você impressionar seus amigos com conhecimento linguístico.


O que é Tadashii?

Tadashii (正しい) é um adjetivo japonês que significa “correto”, “justo”, “verdadeiro” ou “adequado”. Ele é usado tanto para situações objetivas — como respostas certas em uma prova — quanto para comportamentos éticos ou socialmente aceitos.

Exemplos de uso:

  • この答えは正しいです。
    Kono kotae wa tadashii desu.
    Esta resposta está correta.

  • 正しい道を歩む。
    Tadashii michi o ayumu.
    Seguir o caminho correto / justo.

Curiosidades sobre o Kanji 正

  1. Origem e forma: O kanji 正 representa originalmente cinco traços que simbolizam contagem ou correção — como quando você risca linhas para contar. É curioso como esse kanji evoluiu de uma ideia de “contagem correta” para “correção” no sentido moral e factual.

  2. Pronúncias diferentes:

    • On’yomi (leitura chinesa): せい (sei) ou しょう (shō)

    • Kun’yomi (leitura japonesa): ただしい (tadashii)

  3. Expressões comuns:

    • 正直 (shōjiki) — honesto, sincero

    • 正義 (seigi) — justiça

    • 正月 (shōgatsu) — Ano Novo (literalmente “mês correto”)

Dicas de Uso

  • Verifique o contexto: “Tadashii” pode se referir a uma resposta correta, uma conduta ética ou até uma atitude adequada para a situação.

  • Combinação com partículas: É comum aparecer com a partícula です para formalidade: 正しいです (tadashii desu).

  • Como adjetivo: Lembre-se que tadashii é um adjetivo i-adjective, ou seja, termina em “i” e pode ser conjugado: 正しくない (tadashikunai, não é correto) ou 正しかった (tadashikatta, estava correto).

Comentário Cultural

O conceito de tadashii vai além do que está certo ou errado. Na cultura japonesa, muitas vezes ele está ligado à harmonia social e ao respeito às regras. Ou seja, algo “tadashii” é não só factual, mas também adequado ao contexto social. Isso reflete uma mentalidade de equilíbrio e respeito que é muito valorizada no Japão.

Detalhes que Enriquecem seu Estudo

  • Memorizar o kanji 正 pode ser mais fácil se você pensar nele como uma contagem correta: cada traço marcado é um passo em direção à precisão.

  • Combine com outros kanjis para formar palavras poderosas:

    • 正解 (seikai) — resposta correta

    • 正体 (shōtai) — verdadeira identidade

    • 正当 (seitō) — legítimo, justo

Conclusão

Tadashii (正しい) não é apenas “correto” no sentido literal, mas um reflexo da busca japonesa por precisão, justiça e adequação social. Aprender esse kanji vai muito além da tradução: é entender uma pequena parte do pensamento japonês, e isso enriquece qualquer estudo de língua ou cultura.

Se você quiser dominar kanjis importantes, comece pelo 正 — ele é simples, versátil e cheio de significado!

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

☕ Jean Sammet: a mulher que colocou ordem no caos das linguagens

 



💾 EL JEFE MIDNIGHT LUNCH — Bellacosa Mainframe Chronicles
“☕ Jean Sammet: a mulher que colocou ordem no caos das linguagens”


Há gente que programa.
Há gente que projeta linguagens.
E há gente raríssima que para, olha tudo isso de cima e diz: “isso precisa fazer sentido”.

Jean E. Sammet não ficou famosa por uma linguagem só.
Ela ficou eterna porque organizou o pensamento sobre linguagens de programação — e ajudou a transformar o COBOL de uma ideia ousada em algo formal, sustentável e historicamente consciente.

Se o mainframe é estável, se o COBOL é legível, se linguagens têm história, muito disso passa por Jean Sammet.

Café servido. ☕
Vamos à história.



👩‍💻 Quem foi Jean Sammet (biografia essencial)

  • Nome completo: Jean E. Sammet

  • Nascimento: 23 de março de 1928

  • Falecimento: 20 de maio de 2017

  • Formação: Matemática

  • Empresas-chave: Sylvania Electric, IBM

  • Áreas de atuação: Linguagens de programação, compiladores, padronização, história da computação

Jean Sammet era matemática de formação, mas historiadora por vocação e engenheira por necessidade.
Ela entrou na computação quando tudo ainda estava sendo inventado — inclusive as regras.


🕰️ O mundo que ela encontrou

Anos 50 e 60.
Cada máquina tinha:

  • Uma linguagem

  • Um dialeto

  • Um conjunto de regras implícitas

Documentação? Pouca.
Padrões? Quase nenhum.
História? Ninguém achava importante registrar.

🧠 Comentário Bellacosa:
Jean Sammet olhou esse caos e pensou:

“Se não organizarmos isso agora, ninguém vai entender nada depois.”

Ela estava certa.


💻 Jean Sammet e o COBOL

Jean Sammet participou ativamente do Short-Range Committee (1959), o comitê que definiu o COBOL.

🔹 Seu papel no COBOL

  • Defendeu clareza sintática

  • Ajudou a estruturar regras formais da linguagem

  • Garantiu que o COBOL fosse mais do que inglês solto disfarçado

🧠 Fofoquice técnica:
Enquanto alguns queriam algo “mais acadêmico”, Jean brigava para manter consistência e previsibilidade.
Sem isso, COBOL viraria um Frankenstein.


🖥️ Contribuição direta ao Mainframe

Jean Sammet entendia que o mainframe não era brinquedo de laboratório.
Era máquina de negócio.

Ela ajudou a moldar princípios que até hoje sustentam o ecossistema mainframe:

  • Linguagens precisam ser estáveis

  • Mudanças devem ser evolutivas, não destrutivas

  • Código precisa durar mais que hardware

🧠 Comentário Bellacosa Mainframe:
A filosofia do z/OS — compatibilidade para trás quase obsessiva — conversa diretamente com a mentalidade de Jean Sammet.


📚 O livro que mudou tudo



📖 Programming Languages: History and Fundamentals (1969)

Esse livro não é apenas referência.
É a certidão de nascimento da história das linguagens de programação.

🔹 O que ela fez:

  • Catalogou linguagens

  • Explicou conceitos

  • Criou taxonomias

  • Registrou decisões técnicas

🥚 Easter egg:
Até hoje, pesquisadores citam esse livro como fonte primária para linguagens que nem existem mais.


🧬 Principais trabalhos e feitos

  • Participante do comitê original do COBOL

  • Autora do primeiro grande livro de história das linguagens

  • Pesquisadora e líder técnica na IBM

  • Presidente da ACM (1974–1976)

  • Defensora da preservação histórica da computação

🧠 Curiosidade:
Ela foi uma das poucas pessoas da época que documentava enquanto o trem ainda estava andando.


🧩 Fofoquices e bastidores (porque ninguém é de ferro 😄)

  • Jean Sammet tinha fama de exigente e direta

  • Não tolerava “achismo técnico”

  • Corrigia colegas em público se achasse necessário

  • Era respeitada — e temida — em reuniões

🧠 Tradução Bellacosa:
Ela não queria ganhar debates.
Queria que o futuro entendesse o passado.


👶 Para Padawans do Mainframe

Se você está começando agora, Jean Sammet deixa lições valiosas:

  • Documente decisões

  • Pense em longo prazo

  • Linguagens são ferramentas sociais, não só técnicas

  • Compatibilidade não é fraqueza — é maturidade

COBOL não sobreviveu por acaso.
Sobreviveu porque pessoas como Jean pensaram além da próxima versão.


🏛️ O legado de Jean Sammet

Jean Sammet deixou algo raro:

  • Uma linguagem melhor estruturada

  • Uma indústria mais consciente

  • Uma memória histórica preservada

Sem ela:

  • COBOL seria menos consistente

  • O mainframe seria menos previsível

  • A história da computação seria cheia de buracos


☕ Reflexão final do El Jefe

“Código pode ser reescrito.
História perdida, não.”
— espírito de Jean Sammet

Se hoje sabemos de onde viemos,
se conseguimos entender por que certas decisões foram tomadas,
é porque alguém teve o cuidado de escrever isso enquanto todo mundo só queria entregar software.

Jean Sammet não apenas participou da história.
Ela garantiu que a história sobrevivesse.


Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

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