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sexta-feira, 10 de julho de 2026

Kubernetes sem Mistérios : Os 50 Erros que Derrubam Clusters em Produção (e que um Profissional IBM Z já Aprendeu a Evitar Há Décadas)

Bellacosa Mainframe apresenta kubernetes sem misterios



☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Kubernetes sem Mistérios 

Os 50 Erros que Derrubam Clusters em Produção (e que um Profissional IBM Z já Aprendeu a Evitar Há Décadas)

Existe uma curiosidade interessante.

Muitos profissionais enxergam Kubernetes como uma tecnologia revolucionária.

Ela realmente é.

Mas existe outra forma de enxergá-la.

Para quem trabalhou anos em Mainframe, Kubernetes parece muito mais uma redescoberta de conceitos que IBM já aplicava há décadas.

Disponibilidade.

Balanceamento.

Isolamento.

Escalonamento.

Segurança.

Observabilidade.

Recuperação.

Controle de acesso.

Versionamento.

Rollback.

Tudo isso sempre existiu.

A diferença é que hoje esses conceitos aparecem usando containers, pods e YAML.

No IBM Z eles aparecem como:

  • JES2

  • WLM

  • RACF

  • Sysplex

  • CICS

  • Db2

  • GDG

  • VSAM

  • SMF

  • RMF

O objetivo continua exatamente o mesmo:

Fazer sistemas críticos permanecerem funcionando.


O grande problema

Criar um cluster Kubernetes é extremamente fácil.

Rodar um cluster durante cinco anos, sem interrupções relevantes, é extremamente difícil.

Quase todos os grandes incidentes em produção acontecem por pequenas decisões aparentemente inocentes.

É exatamente isso que o infográfico demonstra.


BLOCO 1

Cluster & Infrastructure

Erro 1

Um único Worker Node

Imagine um banco inteiro rodando em apenas um IBM Z.

Parece absurdo.

No Kubernetes isso acontece o tempo inteiro.

Node A

APP1
APP2
APP3
APP4

Se esse servidor falhar...

Tudo cai.


No Mainframe isso seria equivalente a:

  • um único CPC

  • sem Parallel Sysplex

  • sem GDPS

  • sem redundância

Alta disponibilidade simplesmente deixa de existir.


Erro 2

Não proteger o Control Plane

O Control Plane é o cérebro.

Ele contém:

  • API Server

  • Scheduler

  • Controller Manager

  • ETCD

Sem ele...

O cluster fica "cego".

Os containers podem continuar rodando por algum tempo.

Mas nada novo consegue ser criado.

É parecido com perder o JES2 Master.


Erro 3

Não fazer backup do ETCD

O ETCD guarda praticamente todo o estado do cluster.

É equivalente ao:

  • catálogo do sistema

  • SYS1

  • repositórios de configuração

Sem ETCD...

Você perdeu:

  • Deployments

  • Services

  • Secrets

  • ConfigMaps

  • RBAC

  • Namespaces

Ou seja...

Perdeu o cluster.


Erro 4

Misturar Desenvolvimento e Produção

Esse é um erro clássico.

Imagine colocar:

PIX
Internet Banking
Folha de Pagamento

junto com

Sistema de Testes

No mesmo cluster.

Um teste mal executado pode consumir:

CPU

Memória

IO

Rede

e afetar produção.


Mainframe resolveu isso há décadas.

LPARs.

WLM.

Classes de serviço.

Ambientes isolados.


BLOCO 2

Resource Management

Aqui aparece um dos assuntos mais importantes.

Recursos.

No Kubernetes nada funciona "no automático".


Requests

Requests significam:

"O mínimo que preciso."

Exemplo

CPU: 500m

Memory: 1GB

O Scheduler utiliza isso para decidir onde colocar o Pod.

Sem requests...

Ele simplesmente chuta.


É semelhante ao WLM tentando distribuir workload sem conhecer prioridades.


Limits

Agora vem outra história.

Limits representam o máximo permitido.

CPU

2 cores

RAM

4GB

Se ultrapassar...

O processo sofre throttling.

Ou pode ser encerrado.


OOMKilled

Talvez o erro mais famoso.

Quando um container usa mais memória que o permitido.

O Kernel Linux faz:

OOM Killer

e encerra o processo.

No Mainframe seria parecido com:

Storage exhaustion

ou

S878


HPA

Horizontal Pod Autoscaler.

Ele aumenta o número de Pods.

Mas cuidado.

Escalar uma aplicação ruim apenas cria mais instâncias lentas.

É parecido com colocar mais CICS Regions para um programa que possui SQL ruim.

O gargalo continua existindo.


BLOCO 3

Deployment

Aqui surgem alguns erros extremamente comuns.


Nunca usar latest

Jamais.

image: latest

Parece prático.

Mas amanhã...

"latest"

é outra versão.

Você perdeu reprodutibilidade.


Sempre utilize

1.2.7

2.1.0

5.8.12

ou melhor ainda

Digest SHA256.


Isso lembra muito o mundo Mainframe.

Nunca executamos:

PROD.COBOL

Sabemos exatamente qual Load Module foi promovido.


Readiness Probe

O Pod iniciou.

Mas será que ele está pronto?

Não necessariamente.

Uma aplicação Java pode precisar:

30 segundos.

Sem Readiness.

O Kubernetes envia tráfego imediatamente.

Resultado:

Erro.


Liveness Probe

Verifica se o processo continua vivo.

Se travar...

O Kubernetes reinicia.

É semelhante ao Automation do SA z/OS detectando um address space congelado.


Startup Probe

Ideal para aplicações pesadas.

Sem ela...

O Kubernetes mata a aplicação antes dela terminar de iniciar.


Rolling Update

Jamais atualizar todos os Pods simultaneamente.

Sempre:

1
2
3
4

Nunca:

100%

de uma vez

É exatamente o conceito de deploy gradual utilizado por bancos.


BLOCO 4

Networking

Aqui muitos iniciantes sofrem.


Network Policies

Sem elas...

Todo Pod conversa com qualquer Pod.

Isso é perigosíssimo.

Imagine um malware chegando.

Ele consegue acessar praticamente tudo.


É equivalente a um RACF onde todos possuem ALTER em todos os datasets.

Impensável.


DNS

Muitos problemas parecem ser de aplicação.

Na verdade são DNS.

service

↓

CoreDNS

↓

IP

Uma falha aqui afeta milhares de Pods.


NodePort

Expor NodePort diretamente para Internet.

Nunca.

Use:

Ingress

Load Balancer

API Gateway

WAF


TLS

Sem TLS.

Todo tráfego pode ser interceptado.

No Mainframe isso seria equivalente a utilizar TN3270 sem criptografia.


BLOCO 5

Storage & Security

Aqui aparecem erros gravíssimos.


Rodar como Root

Nunca.

Um container comprometido ganha acesso privilegiado.

Use:

runAsNonRoot

readOnlyRootFilesystem

drop capabilities

Secrets em ConfigMaps

Erro extremamente comum.

ConfigMap não criptografa.

Secrets devem permanecer em:

Secret

Vault

KMS

External Secrets


RBAC

Sem RBAC.

Todos administram tudo.

Imagine um operador podendo:

Excluir produção.

Criar usuários.

Modificar políticas.

É por isso que RACF existe.

RBAC é o RACF do Kubernetes.


BLOCO 6

Observabilidade

Talvez o capítulo mais importante.


Sem logs...

Não existe troubleshooting.


Sem métricas...

Não existe capacity planning.


Sem tracing...

Não existe análise distribuída.


Sem dashboards...

Não existe visão operacional.


Ferramentas normalmente utilizadas

Logs

  • ELK

  • OpenSearch

  • Loki

Métricas

  • Prometheus

Dashboards

  • Grafana

Tracing

  • Jaeger

  • Tempo

  • Zipkin

Alertas

  • Alertmanager


Isso lembra muito:

RMF

SMF

OMEGAMON

NetView

Tivoli

Z APM Connect


BLOCO 7

Operação

Aqui aparecem erros humanos.

E a maioria dos grandes incidentes nasce justamente deles.


Deploy manual

Nunca.

Sempre:

Git

Pipeline

Automação


GitOps

O Git torna-se a verdade absoluta.

Toda alteração passa por:

Commit

Review

Pipeline

Deploy

Rollback


É semelhante ao ChangeMan, ISPW ou Endevor.

Nada muda diretamente na produção.


Não testar recuperação

Backup sem restore não vale nada.

Todo DR precisa ser testado.

No IBM Z isso sempre foi obrigatório.

GDPS.

Recovery.

Image Copy.

Log Apply.


Não auditar segurança

Novas vulnerabilidades surgem diariamente.

Imagens precisam ser continuamente escaneadas.


Os "novos" erros 

Os últimos slides ampliam ainda mais a lista.

Entre eles destacam-se:

  • Não definir ResourceQuota.

  • Não usar LimitRange.

  • Ignorar Namespaces.

  • Expor aplicações diretamente.

  • Não realizar backup periódico do ETCD.

  • Não otimizar custos.

  • Não separar ambientes.

  • Não validar probes continuamente.

  • Não monitorar consumo financeiro do cluster.

Esses erros normalmente não derrubam o ambiente no primeiro dia, mas aumentam gradualmente a complexidade operacional e o risco de incidentes.


O grande paralelo com IBM Z

O aspecto mais interessante desse material é perceber que praticamente todos os "50 erros do Kubernetes" já possuem um equivalente consolidado no ecossistema IBM Z:

KubernetesIBM Z / Mainframe
RBACRACF
SchedulerWLM
Rolling UpdatePromoção controlada (Endevor/ISPW/ChangeMan)
ReplicaSetParallel Sysplex
ETCDCatálogos e repositórios críticos do sistema
ObservabilidadeRMF, SMF, OMEGAMON
Health ChecksSA z/OS, NetView
GitOpsGestão de configuração e promoção de software
SecretsRACF + ICSF + cofres corporativos
AutoscalingBalanceamento e classes de serviço do WLM

A tecnologia mudou, mas os princípios permanecem.


A maior lição para um Padawan COBOL

Quem está começando em Kubernetes costuma imaginar que dominar YAML, Pods e Deployments basta para operar um ambiente de produção. Na realidade, isso representa apenas uma pequena parte do trabalho.

Os profissionais mais experientes pensam primeiro em engenharia operacional. Antes de criar um único Deployment, eles definem como recuperar o cluster após uma falha, como limitar recursos para evitar que uma aplicação afete outra, como monitorar métricas, como proteger segredos, como automatizar implantações, como auditar mudanças e como garantir que qualquer alteração possa ser revertida rapidamente.

Essa é exatamente a mentalidade que sempre existiu no IBM Z. Durante décadas, bancos, seguradoras e governos construíram sistemas que precisavam permanecer disponíveis 24 horas por dia. Kubernetes não substitui esses princípios; ele os reapresenta em uma nova arquitetura baseada em containers.

No Bellacosa Mainframe, essa é talvez a maior mensagem deste material: um bom engenheiro de Kubernetes não é aquele que conhece mais comandos kubectl, mas aquele que projeta plataformas resilientes, observáveis, seguras e previsíveis. A verdadeira maturidade está menos na tecnologia utilizada e muito mais na disciplina de engenharia aplicada a ela.

sábado, 13 de junho de 2026

Guard Rails, COBOL, Mainframe, Engenharia de Software, Desenvolvimento COBOL, Sistemas Críticos, Confiabilidade, Governança de TI, DevOps, Arquitetura de Software, Batch Processing, Segurança da Informação, SRE, Boas Práticas, Tecnologia Bancária

 

Bellacosa Mainframe e o guard rails em desenvolvimento de software

Guard Rails: A Arte de Impedir que um Desenvolvedor Derrube o Banco

Uma conversa que todo desenvolvedor COBOL deveria ter

Imagine a seguinte situação.

Você acabou de entrar em uma instituição financeira.

É seu terceiro mês como desenvolvedor COBOL.

Depois de semanas corrigindo pequenos bugs, finalmente recebe uma tarefa importante.

Uma rotina responsável pelo envio de notificações para clientes.

O gerente explica:

— Precisamos incluir um novo tipo de comunicação.

Você faz a alteração.

Compila.

Executa os testes.

Tudo parece funcionar.

A mudança é promovida para produção.

Horas depois, milhares de clientes recebem uma mensagem errada.

O call center entra em colapso.

O aplicativo registra picos de acesso.

O time de negócios inicia uma reunião de emergência.

A diretoria quer explicações.

E então surge a pergunta:

Como isso foi possível?

A resposta geralmente não é:

"Porque o desenvolvedor errou."

A resposta correta costuma ser:

"Porque o sistema permitiu que um erro chegasse à produção."

É exatamente nesse ponto que surge um dos conceitos mais importantes da engenharia moderna:

Guard Rails.


O que são Guard Rails?

A tradução literal seria:

"trilhos de proteção".

A inspiração vem das rodovias.

Quando um carro sai da pista, existe uma barreira metálica para impedir que ele caia de um penhasco.

O guard rail não evita o erro do motorista.

Ele reduz as consequências.

Na engenharia de software acontece exatamente a mesma coisa.

Os desenvolvedores inevitavelmente cometerão erros.

Os analistas inevitavelmente esquecerão requisitos.

Os operadores inevitavelmente clicarão em algo errado.

Os administradores inevitavelmente executarão comandos incorretos.

O objetivo não é eliminar o erro humano.

O objetivo é impedir que o erro se transforme em desastre.


O erro é inevitável

Desenvolvedores juniores costumam acreditar que sistemas caem porque alguém não sabia programar.

Essa visão desaparece rapidamente em ambientes corporativos.

Os maiores incidentes da história da tecnologia não foram causados por programadores incompetentes.

Foram causados por profissionais experientes trabalhando sob pressão.

Pessoas excelentes.

Pessoas inteligentes.

Pessoas treinadas.

Pessoas humanas.

A questão nunca foi:

"Quem errou?"

A questão sempre foi:

"Por que o sistema permitiu?"

Essa diferença muda completamente a forma de construir software.


Um exemplo COBOL simples

Considere um programa que realiza transferência bancária.

Versão sem Guard Rails:

IF SALDO-CONTA > 0
   SUBTRACT VALOR FROM SALDO-CONTA
END-IF.

Parece correto.

Mas existe um problema.

Suponha:

Saldo = 100

Transferência = 1000

O programa permitirá saldo negativo.

Agora uma versão mais segura.

IF VALOR > SALDO-CONTA
   DISPLAY "TRANSFERENCIA NEGADA"
   GO TO FIM-PROGRAMA
END-IF.

O sistema agora protege o negócio.

Isso é um Guard Rail.


Guard Rail não é regra de negócio

Esse é um erro comum.

Muitos desenvolvedores confundem os dois conceitos.

Regra de negócio:

"O cliente não pode sacar mais que possui."

Guard Rail:

"Mesmo que alguém esqueça a regra, o sistema impedirá a operação."

Uma regra define comportamento.

Um Guard Rail protege comportamento.


A filosofia do mainframe

Durante décadas, os ambientes mainframe desenvolveram uma cultura diferente do mundo moderno.

Em startups existe uma frase famosa:

Move fast.

Nos bancos existe outra:

Don't break production.

A razão é simples.

Um erro em rede social gera reclamações.

Um erro bancário gera prejuízo.

Por isso o mundo COBOL sempre valorizou:

  • validação;

  • redundância;

  • auditoria;

  • segregação;

  • rastreabilidade.

Sem perceber, os ambientes mainframe implementavam Guard Rails muito antes do conceito ganhar popularidade.


O caso clássico do JCL

Todo profissional de mainframe já ouviu histórias de horror envolvendo JCL.

Imagine um dataset:

CLIENTES.PRODUCAO

Agora imagine um utilitário de exclusão.

DELETE CLIENTES.PRODUCAO

Um comando simples.

Um erro simples.

Um desastre gigantesco.

Por isso empresas maduras criam Guard Rails.

Por exemplo:

  • confirmação obrigatória;

  • aprovação dupla;

  • ambiente segregado;

  • backup automático.

A exclusão continua possível.

Mas torna-se muito mais difícil.


O princípio do “Are You Sure?”

Existe uma categoria inteira de Guard Rails baseada em confirmação.

Exemplo.

Você tenta apagar um arquivo.

O sistema pergunta:

"Tem certeza?"

Parece algo trivial.

Mas essa simples pergunta já evitou milhões de erros ao longo da história da computação.

Em sistemas financeiros essa ideia evolui.

Em vez de uma confirmação:

  • duas confirmações;

  • dois operadores;

  • dois gestores;

  • duas aprovações.

Chamamos isso de Four Eyes Principle.

Princípio dos quatro olhos.


Guard Rails em processamento batch

O universo COBOL vive cercado de batches.

Folha de pagamento.

Compensação bancária.

Fechamento contábil.

Liquidação financeira.

Imagine um programa que processa:

10.000 registros

Normal.

Agora imagine:

100 milhões de registros

Algo está errado.

Sem Guard Rails o programa continua.

Com Guard Rails ele interrompe:

IF QTDE-REGISTROS > LIMITE-MAXIMO
   DISPLAY "PROCESSAMENTO ANORMAL"
   ABEND
END-IF.

Esse simples teste pode evitar horas de caos operacional.


O conceito de Fail Fast

Existe um princípio muito importante:

Fail Fast.

Falhe rapidamente.

Muitos sistemas tentam continuar funcionando mesmo após identificar inconsistências.

Isso parece inteligente.

Na prática costuma piorar tudo.

Se um dado crítico estiver errado, o melhor comportamento é parar imediatamente.

Exemplo:

IF CODIGO-CLIENTE = SPACES
   ABEND
END-IF.

Parar cedo é melhor do que produzir milhões de registros incorretos.


Guard Rails contra desenvolvedores

Esse é um tema que incomoda iniciantes.

Ninguém gosta de ouvir:

"O sistema precisa proteger a empresa de você."

Mas essa é a realidade.

Um Guard Rail existe justamente porque até profissionais excelentes erram.

Imagine um comando SQL.

Sem proteção:

DELETE FROM CLIENTES;

Com proteção:

DELETE FROM CLIENTES
WHERE ID = :CLIENTE;

Ou ainda melhor.

Permissão somente leitura em produção.

O desenvolvedor continua competente.

O ambiente apenas se torna mais seguro.


O incidente do Nubank e os Guard Rails

O caso do falso aviso de liquidação tornou-se um exemplo interessante.

Independentemente dos detalhes internos, uma pergunta surgiu:

Como uma comunicação tão crítica chegou aos clientes?

A resposta provavelmente envolve ausência ou falha de Guard Rails.

Por exemplo:

  • validação insuficiente;

  • aprovação inadequada;

  • rollout inexistente;

  • testes incompletos.

Nenhum sistema deveria conseguir informar a liquidação de um banco sem múltiplas camadas de proteção.


Rollout gradual

Imagine um envio para:

50 milhões de clientes

Sem Guard Rail:

envio imediato.

Com Guard Rail:

1% da base.

Validação.

5%.

Validação.

10%.

Validação.

100%.

Empresas como Google, Amazon e Netflix utilizam esse modelo constantemente.

O objetivo é reduzir o raio da explosão.


Blast Radius

Todo arquiteto experiente faz uma pergunta.

Se isso falhar, quantas pessoas serão afetadas?

Chamamos isso de Blast Radius.

Raio de explosão.

Exemplo.

Erro em um batch:

Impacto:

500 clientes.

Blast Radius pequeno.

Erro em compensação nacional:

Impacto:

50 milhões de clientes.

Blast Radius enorme.

Guard Rails existem para reduzir esse raio.


Observabilidade também é Guard Rail

Muitos desenvolvedores acreditam que Guard Rails são apenas validações.

Não.

Monitoramento também é proteção.

Imagine:

Processamento esperado:

1000 transações por minuto

Sistema detecta:

500.000 transações por minuto

Algo claramente está errado.

Um bom sistema dispara alarmes.

Isso também é Guard Rail.


O conceito de Circuit Breaker

Em sistemas distribuídos modernos existe outro Guard Rail famoso.

Circuit Breaker.

Inspirado nos disjuntores elétricos.

Se uma dependência começa a falhar:

o sistema corta a conexão.

Em vez de derrubar tudo.

No mundo mainframe encontramos equivalentes há décadas:

  • limites operacionais;

  • interrupções controladas;

  • filas protegidas;

  • rejeições automáticas.

A ideia é a mesma.

Conter danos.


O erro mais caro é o silencioso

Existe uma frase conhecida entre engenheiros de confiabilidade:

Sistemas barulhentos são irritantes.

Sistemas silenciosamente errados são perigosos.

Um programa que falha imediatamente chama atenção.

Um programa que produz dados incorretos durante três dias pode gerar prejuízos gigantescos.

Por isso Guard Rails modernos privilegiam transparência.

Tudo deve ser:

  • registrado;

  • monitorado;

  • auditado;

  • rastreável.


A maturidade profissional

Existe um momento na carreira em que o desenvolvedor deixa de pensar:

"Meu código funciona."

E começa a pensar:

"O que acontece quando ele falhar?"

Essa mudança separa programadores iniciantes de engenheiros experientes.

O foco deixa de ser funcionalidade.

Passa a ser confiabilidade.


O que um desenvolvedor COBOL Jr deve fazer

Sempre pergunte:

O que pode dar errado?

Quem será impactado?

Existe limite operacional?

Existe validação?

Existe rollback?

Existe auditoria?

Existe monitoramento?

Existe aprovação?

Existe segregação?

Existe plano de contingência?

Se alguma resposta for "não sei", continue investigando.


A grande lição

Guard Rails não existem porque desenvolvedores são ruins.

Eles existem porque sistemas são complexos.

Quanto maior a empresa, mais perigoso se torna assumir que ninguém cometerá erros.

O verdadeiro papel da engenharia não é criar sistemas perfeitos.

É criar sistemas resilientes.

Sistemas que sobrevivam a erros humanos.

Sistemas que sobrevivam a falhas operacionais.

Sistemas que sobrevivam a decisões equivocadas.

No universo bancário, onde bilhões de reais transitam diariamente por programas COBOL escritos ao longo de décadas, essa diferença não é apenas uma questão técnica.

É uma questão de sobrevivência operacional.

E talvez a principal lição para qualquer desenvolvedor COBOL Jr seja esta:

Seu trabalho não é apenas fazer o programa funcionar.

Seu trabalho é impedir que ele cause danos quando inevitavelmente algo der errado.

Esse é o verdadeiro significado de Guard Rails.


sexta-feira, 12 de junho de 2026

Blast Radius: Por Que um Pequeno Erro Pode Derrubar um Banco Inteiro

 

Bellacosa Mainframe e o blast radius em desenvolvimento de software

Blast Radius: Por Que um Pequeno Erro Pode Derrubar um Banco Inteiro

Uma das perguntas mais importantes da engenharia moderna

Imagine que você acabou de entrar em uma grande instituição financeira.

Você é um desenvolvedor COBOL Jr.

Recebe uma tarefa aparentemente simples.

Alterar uma rotina de validação em um programa batch.

O código possui apenas algumas linhas.

A mudança é pequena.

O teste passou.

O deploy foi aprovado.

Tudo parece sob controle.

Dois dias depois surge uma reunião de crise.

Executivos estão reunidos.

Gerentes estão nervosos.

Equipes de infraestrutura trabalham durante a madrugada.

Milhões de registros foram processados incorretamente.

O prejuízo é enorme.

E então alguém faz uma pergunta que todo arquiteto experiente conhece:

Qual era o Blast Radius dessa mudança?

Essa pergunta vale mais do que qualquer revisão de código.

Mais do que qualquer ferramenta de monitoramento.

Mais do que qualquer framework moderno.

Porque ela determina o tamanho potencial do desastre.


O que significa Blast Radius?

A tradução literal seria:

Raio de Explosão.

O termo vem do universo militar.

Quando ocorre uma explosão, existe uma área diretamente afetada.

Quanto maior a explosão, maior o raio de destruição.

A engenharia de software adotou exatamente a mesma ideia.

Quando um sistema falha, uma pergunta precisa ser respondida:

Quantas pessoas, sistemas, operações ou clientes serão impactados?

Essa área de impacto é chamada Blast Radius.


O erro que afeta um cliente

Imagine um programa COBOL responsável por atualizar dados cadastrais.

Um erro afeta:

1 cliente

Problema?

Sim.

Crise?

Provavelmente não.

O impacto é localizado.

O Blast Radius é pequeno.


O erro que afeta um banco inteiro

Agora imagine um programa responsável pela compensação financeira nacional.

Um erro afeta:

30 milhões de clientes

Mesma quantidade de linhas alteradas.

Mesmo programador.

Mesmo tipo de erro.

Resultado completamente diferente.

Por quê?

Porque o Blast Radius mudou.


A pergunta que diferencia um programador de um engenheiro

O desenvolvedor iniciante normalmente pergunta:

Meu código funciona?

O engenheiro experiente pergunta:

O que acontece se ele falhar?

Essa mudança de mentalidade é uma das maiores evoluções na carreira de tecnologia.

Porque sistemas críticos não são avaliados apenas pelo sucesso.

Eles são avaliados pela forma como falham.


O mito do pequeno erro

Existe uma crença perigosa em ambientes corporativos.

"Foi só uma alteração pequena."

O tamanho do código raramente determina o tamanho do impacto.

Um único caractere já derrubou sistemas inteiros.

Um único parâmetro incorreto já gerou perdas milionárias.

Uma única configuração errada já interrompeu operações globais.

O impacto depende do Blast Radius.

Não da quantidade de código.


O universo COBOL e o poder invisível

Desenvolvedores COBOL trabalham em uma situação peculiar.

Muitas vezes manipulam sistemas que movimentam bilhões de reais diariamente.

Mas a interface parece simples.

Uma tela verde.

Alguns arquivos.

JCLs.

Datasets.

Rotinas batch.

Tudo parece tranquilo.

Até que alguém descobre que aquele programa processa:

  • contas correntes;

  • cartões;

  • empréstimos;

  • investimentos;

  • liquidações;

  • compensações.

De repente o código ganha outra dimensão.


O efeito dominó

Imagine uma falha em um cadastro.

Cliente incorreto.

Esse dado alimenta:

  • CRM;

  • antifraude;

  • cobrança;

  • compliance;

  • atendimento;

  • relatórios regulatórios.

Agora uma pequena falha inicial se transforma em dezenas de falhas secundárias.

Isso é amplificação de Blast Radius.


O conceito de dependências

Sistemas modernos não vivem isolados.

Um programa chama outro.

Que chama outro.

Que alimenta outro.

Que gera arquivos para outro.

O resultado é uma rede gigantesca.

Quando um componente falha, o impacto se propaga.

Como peças de dominó.


O exemplo do CPF inválido

Imagine uma rotina simples.

Um CPF inválido passa pela validação.

O erro parece pequeno.

Mas esse dado segue adiante.

Abre conta.

Gera cartão.

Produz relatórios.

Entra em auditorias.

Alimenta modelos analíticos.

Meses depois ninguém sabe mais onde o problema começou.

O Blast Radius cresceu silenciosamente.


O incidente do Nubank como estudo de caso

O episódio envolvendo o falso aviso de liquidação trouxe uma lição interessante.

Independentemente dos detalhes internos, a pergunta arquitetural é:

Qual era o Blast Radius daquele processo?

Se a mensagem atingisse:

10 clientes

O incidente seria pequeno.

Se atingir milhões:

O cenário muda completamente.

A mesma falha produz consequências exponencialmente maiores.


Blast Radius e ambientes de produção

Uma regra simples:

Quanto mais próximo da produção, maior o Blast Radius.

Ambiente de desenvolvimento:

Impacto quase zero.

Homologação:

Impacto limitado.

Produção:

Impacto real.

Produção financeira:

Impacto potencialmente gigantesco.

É por isso que instituições financeiras possuem tantos controles.

Não por burocracia.

Mas porque o custo do erro é enorme.


O perigo dos batches

O mundo COBOL é dominado por processamento em massa.

Um programa pode executar durante horas.

Processando milhões de registros.

O problema é simples.

Se houver um erro:

Ele será repetido milhões de vezes.

Um erro individual torna-se um erro industrializado.


O erro multiplicado

Imagine:

1 registro incorreto

Sem batch:

impacto pequeno.

Agora imagine:

50 milhões de registros

Processados pela mesma lógica defeituosa.

O erro não mudou.

O Blast Radius mudou.


Como arquitetos pensam

Arquitetos raramente perguntam:

"Qual tecnologia usamos?"

Eles perguntam:

"Qual o pior cenário possível?"

Essa pergunta direciona toda a arquitetura.

Porque sistemas críticos são construídos para sobreviver a falhas.

Não apenas para funcionar.


Blast Radius e permissões

Um desenvolvedor possui acesso de leitura.

Blast Radius reduzido.

Um desenvolvedor possui acesso irrestrito.

Blast Radius elevado.

É por isso que ambientes maduros trabalham com:

  • menor privilégio;

  • segregação;

  • controle de acesso;

  • aprovações.

Tudo isso é gestão de Blast Radius.


Blast Radius e banco de dados

Imagine um comando SQL.

Primeiro cenário:

UPDATE CLIENTES
SET STATUS='A'
WHERE ID=100;

Impacto:

um cliente.

Segundo cenário:

UPDATE CLIENTES
SET STATUS='A';

Impacto:

todos os clientes.

A diferença visual é mínima.

A diferença operacional é gigantesca.


O princípio da contenção

Existe uma palavra muito importante.

Contenção.

Todo sistema moderno deveria conter falhas.

Não espalhá-las.

Por isso empresas investem em:

  • segmentação;

  • isolamento;

  • partições;

  • zonas independentes.

O objetivo é impedir que uma falha local se torne global.


O conceito de células

Empresas como Amazon popularizaram a ideia de Cell Architecture.

Em vez de uma estrutura única gigante.

Criam-se células menores.

Se uma célula falhar:

As demais continuam operando.

Isso reduz drasticamente o Blast Radius.


Mainframe já fazia isso há décadas

Curiosamente, ambientes mainframe utilizavam conceitos semelhantes muito antes da computação em nuvem.

Exemplos:

  • LPARs;

  • regiões CICS;

  • filas separadas;

  • ambientes segregados;

  • jobs independentes.

A filosofia era exatamente a mesma.

Conter impactos.


O problema do compartilhamento excessivo

Quanto mais sistemas compartilham recursos, maior o Blast Radius.

Banco compartilhado.

Fila compartilhada.

Storage compartilhado.

Processamento compartilhado.

Tudo isso cria pontos únicos de falha.

Um problema em um componente afeta dezenas de outros.


O conceito de Blast Radius Humano

Pouca gente fala sobre isso.

Mas pessoas também possuem Blast Radius.

Imagine:

Um único operador consegue executar qualquer comando em produção.

Blast Radius enorme.

Agora imagine:

Necessidade de aprovação dupla.

Blast Radius reduzido.

A governança existe para limitar o alcance dos erros humanos.


O papel dos Guard Rails

Blast Radius e Guard Rails caminham juntos.

Guard Rails tentam impedir erros.

Blast Radius tenta limitar consequências.

Exemplo:

Guard Rail:

impedir exclusão acidental.

Blast Radius:

caso a exclusão ocorra, limitar o impacto.

São conceitos complementares.


Rollout gradual

Uma das formas mais modernas de controlar Blast Radius é o rollout progressivo.

Em vez de liberar uma mudança para todos.

Liberamos para poucos.

Por exemplo:

1%.

Depois 5%.

Depois 10%.

Depois 100%.

Se houver erro, ele será detectado cedo.

O impacto permanece pequeno.


O medo saudável da produção

Existe uma característica interessante nos profissionais experientes de mainframe.

Eles respeitam produção.

Não porque tenham medo da tecnologia.

Mas porque entendem o Blast Radius.

Produção concentra:

  • clientes;

  • dinheiro;

  • contratos;

  • obrigações regulatórias;

  • reputação.

Uma pequena falha pode produzir consequências gigantescas.


Observabilidade e Blast Radius

Você não controla aquilo que não consegue enxergar.

Por isso monitoramento é fundamental.

Imagine um batch que normalmente processa:

500 mil registros

Hoje processou:

50 milhões

Algo claramente está errado.

Um sistema observável detecta rapidamente.

Quanto mais cedo o problema é identificado, menor o Blast Radius.


O custo da reputação

Em bancos existe um ativo invisível.

Confiança.

Quando uma falha afeta poucos clientes, a recuperação costuma ser simples.

Quando afeta milhões, surge um problema adicional.

Reputação.

O Blast Radius passa a incluir:

  • imprensa;

  • investidores;

  • reguladores;

  • mercado.

O dano deixa de ser apenas tecnológico.


O exercício mental que todo COBOL Jr deveria fazer

Antes de qualquer alteração, pergunte:

Se eu errar:

  • Quantos clientes serão impactados?

  • Quantos sistemas dependem disso?

  • Existe rollback?

  • Existe monitoramento?

  • Existe plano de contingência?

  • Existe limite operacional?

  • Existe validação?

  • Existe segregação?

Essas perguntas valem mais do que qualquer linha de código.


A verdadeira maturidade profissional

Existe um momento em que o desenvolvedor deixa de ser apenas um programador.

Ele passa a enxergar sistemas.

Passa a enxergar operações.

Passa a enxergar negócios.

Passa a enxergar riscos.

Nesse momento surge uma nova pergunta.

Não mais:

O programa funciona?

Mas sim:

Qual é o Blast Radius se ele parar de funcionar?

Essa mudança de perspectiva transforma a forma de desenvolver software.


Conclusão

Blast Radius é um dos conceitos mais importantes da engenharia moderna porque nos obriga a pensar além do código.

Ele nos força a enxergar impacto.

A enxergar consequências.

A enxergar riscos.

Para um desenvolvedor COBOL Jr, compreender Blast Radius significa entender que o tamanho de uma alteração não determina sua importância.

Uma linha de código pode alterar milhões de contas.

Um único parâmetro pode interromper operações nacionais.

Uma pequena falha pode se propagar por dezenas de sistemas.

Os melhores engenheiros não são aqueles que acreditam que nunca errarão.

São aqueles que projetam sistemas assumindo que erros inevitavelmente acontecerão.

E quando eles acontecerem, o objetivo não será impedir a explosão.

Será garantir que o raio da explosão seja o menor possível.

Esse é o verdadeiro significado de Blast Radius.


quinta-feira, 28 de maio de 2026

☕🔥💣 “O SYSprog PADAWAN E A ARTE DA GUERRA CONTRA O CAOS” — ROOT CAUSE ANALYSIS NO MAINFRAME Z17, DEVOPS, CICS, JES2 E A CAÇADA À CAUSA RAIZ

 

Bellacosa Mainframe e root cause analysis em Mainframe


☕🔥💣 “O SYSprog PADAWAN E A ARTE DA GUERRA CONTRA O CAOS” — ROOT CAUSE ANALYSIS NO MAINFRAME Z17, DEVOPS, CICS, JES2 E A CAÇADA À CAUSA RAIZ

Quando o operador para de apagar incêndios e começa a eliminar demônios do datacenter

Existe um momento na vida de todo Sysprog Padawan em que ele percebe uma verdade brutal do universo corporativo:

“Reiniciar o JOB não resolveu o problema…”

Apenas escondeu o cadáver.

E é exatamente nesse momento que nasce a verdadeira disciplina do guerreiro IBM Z:
a arte da Root Cause Analysis — ou simplesmente RCA.

No universo do mainframe moderno, onde bilhões de transações passam por CICS, DB2, MQ, IMS e JES2, problemas não aparecem do nada.

Todo ABEND possui uma origem.

Todo LOOP tem um motivo.

Todo dataset corrompido conta uma história.

E todo operador experiente sabe:

“O sintoma mente. A causa raiz não.”

Hoje vamos mergulhar profundamente no universo da RCA no estilo Bellacosa Mainframe, explorando:

  • história,

  • filosofia,

  • métodos,

  • guerra operacional,

  • automação,

  • observabilidade,

  • DevOps,

  • IA operacional,

  • e sobrevivência psicológica em ambientes z/OS críticos.

Prepare o café.
Abra o SDSF.
E mantenha o dump por perto.

Porque o LOBO da causa raiz está observando.


☕ O QUE É ROOT CAUSE ANALYSIS?

Root Cause Analysis é a ciência de descobrir a verdadeira origem de um problema.

Não o sintoma.
Não o efeito.
Não o caos superficial.

Mas sim:
o gatilho original que iniciou a cascata da destruição.

Na definição da IBM:

“RCA é o processo de identificar a raiz de um problema para evitar sua recorrência.”

O detalhe importante aqui é:

EVITAR RECORRÊNCIA.

Porque qualquer novato consegue:

  • cancelar TASK,

  • reiniciar STC,

  • reciclar CICS,

  • dar IPL no desespero.

Mas poucos conseguem impedir o problema de voltar.


☕ A DIFERENÇA ENTRE OPERADOR E ENGENHEIRO

Operador reativo:

“Voltou a funcionar? Ótimo.”

Engenheiro RCA:

“Por que parou?”

Essa diferença separa:

  • operadores comuns,

  • Sysprogs lendários.


☕ A ORIGEM HISTÓRICA DA RCA

A RCA não nasceu na TI.

Ela surgiu em ambientes extremos.

Segunda Guerra Mundial

Engenheiros militares precisavam descobrir:

  • por que aviões caíam,

  • por que motores explodiam,

  • por que radares falhavam.

Não havia espaço para tentativa e erro.

A falha matava pessoas.

A filosofia então evoluiu para:

  • engenharia industrial,

  • indústria nuclear,

  • aviação,

  • automóveis,

  • telecom,

  • e finalmente TI corporativa.


☕ TOYOTA E O MÉTODO DOS 5 WHYs

Nos anos 1950, Taiichi Ohno criou o famoso:

“5 Porquês”

A lógica era simples:

Continue perguntando “por quê?” até encontrar a verdade.


☕ EXEMPLO MAINFRAME REALÍSTICO

Problema:

JOB noturno ABEND S0C7.


Por quê?

Campo numérico inválido.


Por quê?

Arquivo veio com caracteres errados.


Por quê?

Conversão ASCII/EBCDIC falhou.


Por quê?

Novo middleware FTP alterou encoding.


Por quê?

Mudança entrou sem homologação.


CAUSA RAIZ:

Processo DevOps inadequado.

Perceba:
o COBOL não era o vilão.

O problema estava na governança.


☕ O MAIOR ERRO DOS PADAWANS

Todo Sysprog iniciante acredita em sintomas.

Mas sintomas enganam.

Exemplo clássico:

Sintoma:

CPU alta.

O Padawan pensa:

“Precisamos de mais processador.”

O mestre RCA responde:

“Não.
Precisamos descobrir QUEM está consumindo CPU.”

Pode ser:

  • loop COBOL,

  • SQL ruim,

  • runaway task,

  • lock contention,

  • buffer inadequado,

  • storage leak,

  • automação defeituosa.

A CPU alta é apenas o grito do sistema.


☕ OS 3 TIPOS DE CAUSAS

A IBM divide RCA em três dimensões.


1. CAUSAS FÍSICAS

Hardware.
Infraestrutura.
Equipamentos.

Exemplos:

  • DASD defeituoso

  • canal FICON instável

  • controladora falhando

  • memória ECC corrompida

  • falha elétrica


☕ EXEMPLO Z/OS

O JES2 começa a apresentar I/O ERROR.

Batch falha aleatoriamente.

Após investigação:

Causa raiz:

microfissura em controladora storage.


2. CAUSAS HUMANAS

O terror invisível do datacenter.

Exemplos:

  • operador cancelando STC errada,

  • PROC alterada incorretamente,

  • DELETE DATASET acidental,

  • parâmetro inválido,

  • JCL truncado.


☕ O CLÁSSICO ERRO DO PADAWAN

//STEP01 EXEC PGM=IEFBR14
//DD1 DD DSN=PROD.CLIENTES,
// DISP=(OLD,DELETE,DELETE)

Parabéns.

Você acabou de invocar o demônio ancestral do DELETE em produção.


3. CAUSAS ORGANIZACIONAIS

As mais perigosas.

Porque sobrevivem por anos.

Exemplos:

  • ausência de documentação,

  • treinamento ruim,

  • processo inexistente,

  • automação incompleta,

  • cultura tóxica,

  • deploy sem governança.


☕ A VERDADE SOMBRIA

Grandes falhas raramente acontecem por um único motivo.

Elas acontecem porque:

múltiplas pequenas falhas se alinham.

Igual peças de dominó.


☕ O CICLO DA DESTRUIÇÃO OPERACIONAL

  1. Pequena falha ignorada

  2. Monitoramento ruim

  3. Automação incompleta

  4. Time cansado

  5. Mudança mal testada

  6. Alertas ignorados

  7. Deploy na sexta-feira

  8. Caos absoluto


☕ O PROCESSO COMPLETO DE RCA

Agora entramos na disciplina guerreira.


ETAPA 1 — IDENTIFICAR O PROBLEMA

Definição ruim:

“O sistema caiu.”

Definição profissional:

“O CICS PAY01 apresentou degradação progressiva após aumento de lock contention DB2 causado por crescimento anômalo de filas MQ.”

Agora sim existe material técnico.


☕ ETAPA 2 — MONTAR O TIME RCA

Você precisa reunir:

  • operadores,

  • Sysprogs,

  • DBAs,

  • DevOps,

  • segurança,

  • storage,

  • redes,

  • automação.

Porque falhas modernas são híbridas.


☕ ETAPA 3 — COLETA DE DADOS

Aqui começa a arqueologia digital.

Ferramentas clássicas:

  • SDSF

  • RMF

  • SMF

  • IPCS

  • NetView

  • OMEGAMON

  • SYSLOG

  • dumps

  • traces

  • logs MQ

  • logs DB2


☕ O PODER DOS LOGS

Logs são fósseis digitais.

Eles contam a história da tragédia.

O problema é:

Padawans não leem logs.

Eles olham apenas:

  • RC=12

  • ABEND=S806

  • IEC141I

E entram em pânico.


☕ ETAPA 4 — BRAINSTORM DAS CAUSAS

Aqui existe uma regra sagrada:

NÃO ASSUMA NADA.

O maior inimigo da RCA é:

“Já sei o que aconteceu.”

Porque normalmente você NÃO sabe.


☕ ETAPA 5 — DETERMINAR A CAUSA RAIZ

Agora elimina-se hipótese por hipótese.

Até restar:

  • evidência,

  • causalidade,

  • sequência lógica.


☕ ETAPA 6 — IMPLEMENTAR A SOLUÇÃO

Agora nasce a verdadeira engenharia.

Não basta corrigir.

É preciso:

  • automatizar,

  • prevenir,

  • monitorar,

  • alertar,

  • documentar.


☕ MÉTODOS RCA MAIS IMPORTANTES


☕ 5 WHYs

Simples.
Poderoso.
Mortal.

Excelente para:

  • incidentes operacionais,

  • falhas batch,

  • troubleshooting rápido.


☕ FMEA

Failure Mode and Effects Analysis.

Muito usado em:

  • bancos,

  • aviação,

  • missão crítica.

Objetivo:

Prever COMO o sistema pode falhar antes do desastre.


☕ ISHIKAWA (FISHBONE)

O famoso diagrama espinha de peixe.

Divide problemas em categorias:

  • pessoas,

  • máquinas,

  • processos,

  • ambiente,

  • software,

  • gestão.

Excelente para war rooms.


☕ PARETO

80% dos problemas vêm de 20% das causas.

Exemplo real:

  • 70% dos ABENDs vêm de input inválido.

  • 15% vêm de espaço.

  • 10% vêm de lock.

  • 5% diversos.

Ataque os 20%.
Ganhe estabilidade absurda.


☕ RCA EM DEVOPS

No DevOps moderno:

TODO INCIDENTE GERA POSTMORTEM.

Mas aqui existe uma mudança filosófica gigantesca.


☕ BLAMELESS POSTMORTEM

Google popularizou:

“Postmortem sem caça às bruxas.”

Objetivo:

Não destruir pessoas.
Mas aprender.

Porque sistemas falham.
Humanos erram.
Processos quebram.

A maturidade está em aprender rápido.


☕ RCA NO MAINFRAME MODERNO

O IBM Z atual é extremamente avançado.

Hoje temos:

  • observabilidade,

  • IA operacional,

  • automação,

  • analytics,

  • machine learning.

Ferramentas modernas:

  • IBM Instana

  • OMEGAMON

  • System Automation

  • NetView

  • z/OSMF

  • SMF Analytics


☕ EXEMPLO REAL — O APOCALIPSE DO PIX

Imagine:

Sexta-feira.
18:05.
PIX nacional congestionado.

Sintomas:

  • CICS lento

  • MQ crescendo

  • DB2 travando

  • CPU disparando

Padawans entram em desespero.


☕ INVESTIGAÇÃO

A RCA descobre:

Deploy DevOps alterou frequência de COMMIT.

Resultado:

  • lock contention,

  • timeout,

  • crescimento de filas,

  • efeito cascata.


☕ CAUSA RAIZ

Mudança sem teste de carga.


☕ SOLUÇÃO

  • rollback,

  • observabilidade,

  • testes automáticos,

  • limites MQ,

  • monitoramento preditivo.

Agora o sistema ficou MAIS FORTE que antes.

Esse é o verdadeiro objetivo da RCA.


☕ A ERA DA IA OPERACIONAL

Hoje AIOps tenta prever:

  • anomalias,

  • falhas,

  • gargalos,

  • tendências,

  • causas prováveis.

O futuro do Sysprog não é apenas reagir.

Será:

prever o desastre antes dele nascer.


☕ O VERDADEIRO NÍVEL MESTRE

O Sysprog lendário não luta contra incêndios.

Ele elimina as condições que permitem incêndios.


☕ LIÇÕES FINAIS PARA O SYSprog PADAWAN

Nunca confie no primeiro sintoma.

Nunca assuma a primeira hipótese.

Nunca ignore pequenos alertas.

Nunca faça deploy sexta-feira.

Nunca delete dataset sem olhar duas vezes.

Nunca subestime logs.

Nunca trate apenas o efeito.


☕ CONCLUSÃO

Root Cause Analysis não é apenas metodologia.

É mentalidade.

É disciplina.

É engenharia real.

No mundo IBM Z moderno, onde bilhões dependem da estabilidade do sistema, RCA separa:

  • operadores comuns,

  • arquitetos da confiabilidade.

Quando você aprende RCA:

você deixa de ser alguém que “reinicia sistemas”.

E se torna alguém que entende o funcionamento profundo do caos.

E no momento em que você compreende o caos…

você começa a dominar o datacenter.

☕🔥💣

quarta-feira, 19 de junho de 2024

Observabilidade Muito Além do Grafana

 

Bellacosa Mainframe em revisao observabilidade muito alem do grafana

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Observabilidade Muito Além do Grafana

O Que Todo Programador COBOL Padawan Precisa Saber Sobre Prometheus, Grafana, Loki, ELK, Zabbix, OpenTelemetry e Como os Grandes Bancos Descobrem Problemas Antes que os Clientes Percebam

"Durante décadas, quem trabalhava com Mainframe aprendia uma regra simples: se o sistema caiu, alguém vai ligar em menos de cinco minutos. Na era do Kubernetes, dos microsserviços e da nuvem, essa regra mudou. O objetivo agora é descobrir o problema antes mesmo que o telefone toque."


Introdução

Se você é um Programador COBOL Padawan e passou boa parte da carreira trabalhando com IBM Z, CICS, DB2, IMS, MQ, JCL, JES2, SDSF e RACF, provavelmente já ouviu alguém dizer:

"Agora usamos Grafana."

Ou então:

"Precisamos colocar Prometheus."

Ou ainda:

"Os logs estão no Loki."

E a primeira reação costuma ser:

"Mais um monte de ferramentas..."

Na verdade, não.

O que mudou não foi o problema.

Mudaram apenas as ferramentas utilizadas para resolvê-lo.

Desde a década de 1960, administradores de sistemas possuem exatamente as mesmas preocupações:

  • O servidor está funcionando?

  • Existe gargalo?

  • A CPU está sobrecarregada?

  • A memória acabou?

  • O banco está lento?

  • O programa entrou em loop?

  • Quem provocou o incidente?

  • Como evitar que aconteça novamente?

No Mainframe existiam RMF, SMF, SYSLOG, OMEGAMON, SDSF, Tivoli, NetView e System Automation.

Na computação em nuvem surgiram Prometheus, Grafana, Loki, OpenTelemetry, Tempo, Jaeger, Elastic Stack e dezenas de outras soluções.

O conceito continua exatamente o mesmo.

A diferença é que agora estamos monitorando milhares de microsserviços distribuídos em centenas de servidores que podem nascer e desaparecer em segundos.

Vamos tomar um café e entender essa evolução.


O maior erro de quem começa em DevOps

Muita gente acredita que Grafana é uma ferramenta de monitoramento.

Não é.

Outros imaginam que Prometheus cria dashboards.

Também não.

Há quem pense que Loki substitui um banco de dados.

Novamente, não.

Essas ferramentas fazem parte de uma disciplina muito maior chamada Observabilidade.

E esse é um conceito extremamente importante.


Monitoramento x Observabilidade

Imagine que você trabalha em um banco.

Às 10h15 da manhã começam centenas de reclamações.

Clientes não conseguem fazer PIX.

O monitoramento informa apenas:

API PIX

Status:

DOWN

Ótimo.

Sabemos que existe um problema.

Mas...

Por quê?

Agora entra a observabilidade.

Ela responde algo como:

CPU

↓

95%

↓

Garbage Collector executando

↓

Banco de Dados respondeu lentamente

↓

Fila Kafka acumulou mensagens

↓

Timeout

↓

Clientes começaram a receber erro

Percebe a diferença?

Monitoramento responde:

Existe um problema.

Observabilidade responde:

Por que ele aconteceu.


A analogia perfeita para quem vem do Mainframe

Vamos traduzir tudo isso para o universo IBM Z.

Mundo MainframeMundo Cloud Native
RMFPrometheus
SMFMetrics
SYSLOGLogs
OMEGAMONGrafana
SDSFGrafana + Loki
NetViewAlertmanager
Tivoli MonitoringPrometheus + Grafana
System AutomationAlertmanager + Kubernetes

Ou seja...

Você já conhece praticamente todos os conceitos.

Apenas os nomes mudaram.


Os três pilares da Observabilidade

Existe uma regra que todo profissional de SRE conhece.

Uma infraestrutura moderna precisa de três tipos de informação.

Pilar 1 — Métricas

São números.

Apenas números.

Exemplos:

CPU

67%
Memória

12 GB
Disco

81%
Latência

95 ms
Requests

3500/s

Essas informações ocupam pouco espaço.

São rápidas.

Podem ser armazenadas durante anos.

É exatamente esse tipo de dado que o Prometheus coleta.


Pilar 2 — Logs

Agora imagine um extrato bancário.

Cliente iniciou login

↓

Senha válida

↓

Consultou saldo

↓

Transferência

↓

PIX

↓

Logout

Isso é um log.

Ele conta uma história.

Enquanto métricas dizem:

CPU = 89%

O log diz:

NullPointerException

Arquivo não encontrado

Timeout DB2

Usuário autenticado

Transação cancelada

Os logs ocupam muito mais espaço.

Mas possuem riqueza de detalhes.


Pilar 3 — Traces

Este é o mais moderno dos três pilares.

Imagine um PIX.

Ele passa por vários componentes.

Aplicativo

↓

API Gateway

↓

Autenticação

↓

Pagamento

↓

Banco

↓

Kafka

↓

Resposta

Cada etapa possui tempo.

O Trace mostra exatamente onde ocorreu a lentidão.

É como colocar um GPS dentro da requisição.

Ferramentas:

  • Jaeger

  • Tempo

  • OpenTelemetry


Afinal, o que é o Prometheus?

O Prometheus nasceu na SoundCloud.

Hoje é um projeto da CNCF.

Praticamente todo cluster Kubernetes utiliza Prometheus.

Mas afinal...

O que ele faz?

Resposta curta:

Coleta métricas.

Só isso.

Não cria dashboards.

Não armazena logs.

Não faz visualizações bonitas.

Ele apenas pergunta continuamente aos servidores:

Como você está?

O modelo Pull

Esse detalhe é extremamente importante.

Prometheus trabalha com Pull.

Ou seja...

Ele vai até o servidor.

Prometheus

↓

Servidor Linux

↓

Qual sua CPU?

Servidor responde:

cpu_usage 63.4

Depois de alguns segundos...

Pergunta novamente.

cpu_usage 65.8

Depois novamente.

cpu_usage 67.9

Assim nasce uma série temporal.


Time Series Database

O banco interno do Prometheus é especializado em séries temporais.

Cada informação possui:

Valor

+

Data

+

Hora

Por exemplo:

10:00

CPU 20%
10:05

CPU 32%
10:10

CPU 48%
10:15

CPU 80%

O interessante não é apenas o valor.

É enxergar sua evolução.


Exporters

Prometheus não entende tudo sozinho.

Ele utiliza Exporters.

Imagine-os como tradutores.

Linux?

Node Exporter.

Windows?

Windows Exporter.

MySQL?

MySQL Exporter.

PostgreSQL?

Postgres Exporter.

Redis?

Redis Exporter.

Kafka?

Kafka Exporter.

Nginx?

Nginx Exporter.

Apache?

Apache Exporter.

Até equipamentos de rede podem ser monitorados utilizando SNMP Exporter.

No mundo IBM Z também existem integrações específicas para expor métricas de z/OS, CICS, Db2 e MQ para plataformas modernas de observabilidade.


PromQL — A linguagem do Prometheus

Um dos maiores diferenciais do Prometheus é sua linguagem de consultas.

PromQL.

Imagine perguntar:

"Qual foi a média de CPU dos últimos cinco minutos?"

Ou:

"Quantas requisições HTTP ocorreram por segundo?"

Ou:

"Qual o percentil 95 da latência?"

Tudo isso pode ser respondido utilizando PromQL.

É uma linguagem extremamente poderosa e indispensável para quem trabalha com SRE.


Grafana — Muito além dos gráficos bonitos

Existe uma frase famosa:

Prometheus coleta.

Grafana apresenta.

Essa frase resume bem o papel do Grafana.

Ele não coleta nada.

Ele apenas conecta diversas fontes de dados.

Pode consultar:

  • Prometheus

  • Loki

  • Elasticsearch

  • Oracle

  • SQL Server

  • PostgreSQL

  • MySQL

  • InfluxDB

  • OpenSearch

  • Tempo

  • Jaeger

  • CloudWatch

  • Azure Monitor

  • Google Cloud Monitoring

E transformar tudo isso em painéis extremamente intuitivos.


O painel do NOC

Imagine entrar em um Centro de Operações.

Existe um enorme telão.

Você vê:

  • CPU

  • Memória

  • Disco

  • Rede

  • APIs

  • Kubernetes

  • Bancos

  • Filas MQ

  • Kafka

  • Tempo de resposta

  • Quantidade de usuários

Tudo atualizado em tempo real.

Esse telão normalmente é Grafana.


Dashboards inteligentes

Um bom dashboard não serve apenas para mostrar gráficos.

Ele ajuda a responder perguntas.

Exemplo:

Por que a CPU aumentou?

Clique.

Agora veja somente aquele servidor.

Clique novamente.

Veja apenas aquele Pod.

Clique outra vez.

Agora visualize os logs.

Depois os traces.

Esse processo chama-se Drill Down.

É uma investigação guiada.


Loki — O banco de logs da Grafana Labs

Se Prometheus trabalha com métricas...

Loki trabalha com logs.

Mas existe uma diferença enorme entre Loki e Elasticsearch.


ELK tradicional

No Elastic Stack, praticamente todo o conteúdo do log é indexado.

Isso torna a pesquisa extremamente rápida.

Mas também exige muito armazenamento.

Grandes ambientes podem consumir dezenas de terabytes.


Loki

O Loki segue uma filosofia diferente.

Ele indexa apenas Labels.

Por exemplo:

Namespace

backend
Pod

payment-api
Container

java

O texto completo permanece compactado.

Resultado?

Muito menos espaço.

Muito menos custo.

Por isso Loki tornou-se extremamente popular em Kubernetes.


LogQL

Assim como Prometheus possui PromQL...

Loki possui LogQL.

Você pode perguntar:

Mostre todos os logs do namespace financeiro.

Ou:

Procure apenas mensagens ERROR.

Ou:

Mostre todos os Timeout DB2.

A sintaxe é bastante intuitiva.


Elastic Stack — O gigante da busca textual

Nem sempre Loki é a melhor escolha.

Imagine uma instituição financeira.

Milhões de logs por dia.

Auditoria.

LGPD.

Compliance.

Fraudes.

Pesquisas complexas.

Nesse cenário o Elastic Stack continua sendo excelente.

Ele é composto por:

  • Elasticsearch

  • Logstash

  • Kibana

Em muitas empresas modernas o Logstash foi substituído por Beats ou Elastic Agent.

Também existe o OpenSearch, derivado do Elasticsearch, bastante utilizado como alternativa open source.


Zabbix — O veterano que continua forte

Antes do Kubernetes dominar o mercado, muitas empresas já utilizavam Zabbix.

Ele continua extremamente relevante.

Especialmente para:

  • Switches

  • Roteadores

  • Firewalls

  • Impressoras

  • Servidores físicos

  • Máquinas virtuais

  • UPS

  • Storage

  • Bancos de dados

  • Ambientes híbridos

Enquanto Prometheus nasceu para ambientes dinâmicos e cloud native, Zabbix continua brilhando em infraestruturas tradicionais.


OpenTelemetry — A linguagem universal da observabilidade

Nos últimos anos surgiu um novo protagonista.

OpenTelemetry.

Ele não substitui Prometheus.

Nem Grafana.

Nem Loki.

Ele cria um padrão.

Imagine uma aplicação Java.

Outra em Go.

Outra em Python.

Outra em COBOL acessando uma API via z/OS Connect.

Como todas enviarão métricas, logs e traces?

OpenTelemetry resolve esse problema.

Ele padroniza a instrumentação.

É como um tradutor universal.


Alertmanager — Quando o problema precisa encontrar você

Monitorar é importante.

Mas ninguém fica olhando dashboards vinte e quatro horas por dia.

Quando algo acontece...

O Alertmanager entra em ação.

Ele pode enviar notificações para:

  • Slack

  • Microsoft Teams

  • Telegram

  • Discord

  • PagerDuty

  • Opsgenie

  • E-mail

  • SMS

Muito parecido com o papel desempenhado pelo IBM System Automation e pelo NetView em ambientes Mainframe.


O fluxo completo da observabilidade

Imagine um microsserviço Java executando em Kubernetes.

O fluxo típico será:

Aplicação

↓

Exporta métricas

↓

Prometheus

↓

Grafana

Ao mesmo tempo:

Aplicação

↓

Logs

↓

Fluent Bit

↓

Loki

↓

Grafana

E também:

Aplicação

↓

OpenTelemetry

↓

Collector

↓

Tempo

↓

Grafana

Observe algo interessante.

Tudo converge para o Grafana.

Ele torna-se a porta de entrada para toda a operação.


Um exemplo real em um grande banco

Imagine um Internet Banking durante o pagamento de salários.

Milhões de transações.

Subitamente o tempo de resposta aumenta.

O que acontece?

Primeiro...

Prometheus detecta aumento de CPU.

Depois...

Grafana mostra crescimento da latência.

Logo em seguida...

Alertmanager envia alerta para a equipe.

Os operadores acessam Loki.

Descobrem centenas de mensagens:

Timeout DB2

Os traces mostram que todas as requisições lentas passam pelo mesmo microsserviço.

A equipe reinicia apenas aquele componente.

O problema desaparece.

Tudo isso pode acontecer em poucos minutos.

Antes mesmo de milhares de clientes perceberem.


E no Mainframe?

Muita gente imagina que observabilidade pertence apenas à nuvem.

Não é verdade.

IBM Z possui uma enorme quantidade de dados operacionais.

SMF Records.

RMF.

OMEGAMON.

CICS Performance Analyzer.

Db2 Statistics.

IMS Monitor.

MQ Statistics.

Essas informações podem ser integradas com Prometheus, Grafana e OpenTelemetry.

Hoje é perfeitamente possível construir dashboards que apresentam lado a lado:

  • CPU do z/OS

  • Consumo do CICS

  • Threads do Java

  • Pods Kubernetes

  • APIs REST

  • Banco PostgreSQL

  • Db2 for z/OS

Tudo na mesma tela.

Essa convergência é uma das maiores tendências da observabilidade corporativa.


O caminho recomendado para um COBOL Padawan

Se você está começando nessa área, minha recomendação é seguir uma trilha progressiva:

  1. Entenda o conceito de observabilidade.

  2. Aprenda a diferença entre métricas, logs e traces.

  3. Estude Prometheus e PromQL.

  4. Domine Grafana e criação de dashboards.

  5. Aprenda Loki e LogQL.

  6. Conheça Alertmanager.

  7. Estude OpenTelemetry.

  8. Explore Tempo e Jaeger.

  9. Conheça Elastic Stack e OpenSearch.

  10. Aprenda como tudo isso se integra ao Kubernetes.

Essa sequência faz muito mais sentido do que tentar aprender todas as ferramentas ao mesmo tempo.


Muito além das ferramentas

Talvez a maior lição deste café seja perceber que observabilidade não é um produto, mas uma forma de pensar.

O profissional moderno não espera o usuário reclamar. Ele cria sistemas capazes de revelar tendências, antecipar falhas e explicar, com precisão, por que uma aplicação está degradando.

Quem trabalhou anos com IBM Z já conhece essa mentalidade. Sempre houve preocupação com disponibilidade, desempenho, capacidade e diagnóstico. O que mudou foi a escala. Em vez de monitorar um único computador central altamente estável, hoje monitoramos milhares de contêineres efêmeros, APIs, filas de mensagens e bancos distribuídos que surgem e desaparecem em segundos.

Ferramentas como Prometheus, Grafana, Loki, OpenTelemetry, Tempo, Jaeger, Elastic Stack e Zabbix representam a evolução natural desse processo. Elas não substituem os conceitos que fizeram do Mainframe uma referência mundial em confiabilidade; elas os expandem para um ambiente distribuído, dinâmico e orientado a microsserviços.

Para o Programador COBOL Padawan, aprender observabilidade é muito mais do que decorar comandos ou instalar dashboards. É compreender como uma transação percorre toda a arquitetura, como interpretar sinais de degradação antes que se transformem em incidentes e como utilizar dados para tomar decisões técnicas com rapidez e segurança.

No fim das contas, a missão continua a mesma de cinquenta anos atrás: manter sistemas críticos funcionando com excelência. A diferença é que agora contamos com uma caixa de ferramentas muito mais rica, integrada e inteligente. Quem domina observabilidade deixa de apenas reagir a problemas e passa a antecipá-los, tornando-se um profissional indispensável em qualquer equipe de Engenharia de Software, DevOps, SRE ou Modernização de Mainframe.

Porque, seja em um IBM Z processando milhões de transações CICS por segundo ou em um cluster Kubernetes espalhado por dezenas de nós, a pergunta continua sendo a mesma:

"O sistema está saudável?"

E a observabilidade moderna finalmente nos permite responder não apenas "sim" ou "não", mas também "por quê", "desde quando", "qual componente foi afetado" e, o mais importante, "como evitar que isso aconteça novamente".

Esse é o verdadeiro poder da observabilidade. Esse é o próximo passo na jornada de todo Programador COBOL Padawan rumo à engenharia de software moderna.

sexta-feira, 10 de maio de 2024

Logging, Tracing & Metrics — O Caso dos Sinais Ocultos no Sistema

 

Bellacosa Mainframe e o caso dos sinais ocultos do sistema logging tracing e metrics

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Logging, Tracing & Metrics — O Caso dos Sinais Ocultos no Sistema

A chuva caía sobre o CPD como se alguém tivesse submetido um JOB com TYPRUN=HOLD para o próprio céu.

Na sala de operações, monitores exibiam gráficos, mensagens, filas, tempos de resposta e alguns alertas vermelhos que ninguém queria encarar por muito tempo. O relógio marcava 02h17 da manhã quando o telefone tocou.

— Bellacosa, temos um problema.

Do outro lado da linha, um programador COBOL iniciante tentava controlar a ansiedade.

— Qual é o erro?

— Ainda não sabemos.

— O sistema caiu?

— Não exatamente.

— O CICS está fora?

— Não.

— O Db2 parou?

— Também não.

— Então qual é o problema?

Houve alguns segundos de silêncio.

— Os clientes estão reclamando que o sistema está lento.

Essa é uma das frases mais perigosas de qualquer ambiente de produção.

“Está lento” não é diagnóstico.

“Está lento” é uma pista.

Pode ser CPU, memória, rede, fila, programa COBOL, consulta SQL, contenção de recurso, timeout, deadlock, chamada externa, API, excesso de logging, problema em disco, indisponibilidade parcial ou até uma combinação de vários elementos.

Foi então que uma figura surgiu na porta do CPD usando um sobretudo escuro, segurando uma lupa em uma mão e uma caneca de café na outra.

— Elementar, meu caro Padawan — disse o investigador. — O sistema já contou o que aconteceu. O problema é que vocês ainda não aprenderam a ouvi-lo.

Assim começa nossa investigação sobre Logging, Tracing, Metrics e Observabilidade.

Para um programador COBOL iniciante, esses conceitos podem parecer assuntos exclusivos de Cloud, DevOps, Kubernetes ou microsserviços. Mas isso é um engano digno de um suspeito tentando desviar a atenção do detetive.

Observabilidade também pertence ao mundo do mainframe.

Ela está no DISPLAY do COBOL, nas mensagens do CICS, nos registros SMF, no SYSLOG, no JES, nas estatísticas do Db2, nas filas MQ, nos tempos de resposta e nos caminhos percorridos por uma transação.

O mainframe sempre produziu evidências.

Agora precisamos aprender a investigá-las.


O mistério central: o sistema está tentando falar

A frase que inspira esta investigação é:

What if the hidden signals in your system are screaming for attention?

Em português:

E se os sinais ocultos do seu sistema estiverem gritando por atenção?

Sistemas raramente falham sem aviso.

Antes de um incidente, normalmente surgem pequenos sintomas:

  • aumento de tempo de resposta;

  • crescimento de filas;

  • elevação da CPU;

  • redução do throughput;

  • aumento de erros intermitentes;

  • mensagens de timeout;

  • conexões abertas por tempo excessivo;

  • SQLCODEs incomuns;

  • maior consumo de memória;

  • crescimento anormal de logs;

  • transações aguardando recursos;

  • chamadas externas cada vez mais lentas.

Separadamente, esses sinais podem parecer irrelevantes.

Juntos, eles formam uma cena do crime.

O grande objetivo da observabilidade é transformar sinais isolados em uma narrativa compreensível.

Em outras palavras, observabilidade é a capacidade de olhar para o comportamento externo de um sistema e deduzir o que está acontecendo dentro dele.

É exatamente o que Sherlock Holmes faria.

Ele não precisava ter visto o crime acontecer. Analisava pegadas, cinzas de cigarro, marcas no chão, horários, testemunhos e objetos fora de lugar.

Na engenharia de software, fazemos algo parecido com:

  • logs;

  • métricas;

  • traces;

  • alertas;

  • eventos;

  • identificadores de correlação.

Cada um desses elementos revela uma parte da história.



Capítulo 1 — Logging: o diário secreto do sistema

Logs são registros de acontecimentos.

Eles respondem perguntas como:

  • O que aconteceu?

  • Quando aconteceu?

  • Onde aconteceu?

  • Qual módulo estava sendo executado?

  • Qual usuário iniciou a operação?

  • Qual foi o código de retorno?

  • Qual dado estava sendo processado?

  • Qual transação estava ativa?

Imagine um programa COBOL responsável por consultar o saldo de um cliente.

Um log simples poderia ser:

CONSULTA DE SALDO INICIADA

Isso é melhor do que nada, mas ajuda pouco.

Qual cliente?

Qual horário?

Qual transação?

Qual programa?

Qual resultado?

Um log mais útil seria:

2026-08-03 02:17:54
PROGRAMA=BCSALDO
TRANSACAO=BS01
CLIENTE=000123456
EVENTO=INICIO-CONSULTA

Depois:

2026-08-03 02:17:55
PROGRAMA=BCSALDO
TRANSACAO=BS01
CLIENTE=000123456
SQLCODE=0
TEMPO-DB2=245MS
EVENTO=CONSULTA-CONCLUIDA

Agora existe uma narrativa.

Sabemos quando começou, quando terminou, qual cliente foi consultado e quanto tempo o Db2 levou.

Se ocorrer um erro:

2026-08-03 02:17:56
PROGRAMA=BCSALDO
TRANSACAO=BS01
CLIENTE=000123456
SQLCODE=-911
EVENTO=ROLLBACK
MENSAGEM=DEADLOCK-OU-TIMEOUT

Esse registro se transforma em evidência.

O erro clássico: escrever logs inúteis

Programadores iniciantes frequentemente usam mensagens assim:

DISPLAY 'DEU ERRO'.

O problema é que “deu erro” não diz absolutamente nada.

Seria como Sherlock Holmes encontrar uma testemunha que afirma:

— Aconteceu alguma coisa.

E se recusa a explicar o quê.

Um log de qualidade precisa fornecer contexto.

Exemplo:

DISPLAY 'ERRO NO PROGRAMA BCPAGTO'
DISPLAY 'CLIENTE: ' WS-CLIENTE
DISPLAY 'CONTA: ' WS-CONTA
DISPLAY 'SQLCODE: ' SQLCODE
DISPLAY 'ETAPA: CONSULTA-SALDO'

Melhor ainda seria construir uma mensagem estruturada:

LEVEL=ERROR
PROGRAM=BCPAGTO
STEP=CONSULTA-SALDO
CLIENT=000123456
SQLCODE=-911
TRACE-ID=ABC987654

Esse formato é fácil de pesquisar e processar automaticamente.


Logs estruturados

Sistemas modernos preferem logs estruturados, frequentemente no formato JSON:

{
  "timestamp": "2026-08-03T02:17:56",
  "level": "ERROR",
  "program": "BCPAGTO",
  "transaction": "PG01",
  "customer": "000123456",
  "sqlcode": -911,
  "traceId": "ABC987654",
  "message": "Rollback após deadlock"
}

Um programa COBOL tradicional pode não gerar JSON diretamente, mas isso não impede o uso do conceito.

O importante é manter um padrão previsível.

Por exemplo:

TIMESTAMP=20260803021756|LEVEL=ERROR|PGM=BCPAGTO|SQLCODE=-911

Depois, ferramentas de integração podem transformar esse conteúdo em formatos modernos.


Logging no mundo mainframe

No ecossistema IBM Z, os logs estão espalhados por vários lugares:

  • SYSOUT do JES;

  • spool;

  • mensagens do programa COBOL;

  • registros SMF;

  • CICS transient data queues;

  • CICS logs;

  • mensagens de Db2;

  • logs do MQ;

  • SYSLOG;

  • arquivos sequenciais;

  • datasets de auditoria;

  • mensagens RACF;

  • registros de middleware;

  • logs do z/OS Connect;

  • relatórios de ferramentas de monitoramento.

Para um iniciante, isso pode parecer fragmentado.

Mas o mainframe trabalha assim porque cada subsistema tem responsabilidades específicas.

O desafio moderno é correlacionar essas fontes.



Capítulo 2 — Metrics: os números que denunciam o comportamento

Se logs contam histórias, métricas contam números.

Uma métrica é uma medida quantitativa coletada ao longo do tempo.

Exemplos:

CPU = 78%
MEMORIA = 64%
TPS = 1.250
LATENCIA-MEDIA = 220MS
ERROS-POR-MINUTO = 35
FILA-MQ = 4.820

Métricas respondem perguntas como:

  • O sistema está mais lento que ontem?

  • A quantidade de erros está crescendo?

  • A CPU está próxima do limite?

  • A fila está acumulando mensagens?

  • O número de transações aumentou?

  • Qual é o tempo médio de resposta?

  • O comportamento atual é normal?

A grande vantagem das métricas é a capacidade de agregação.

Você não precisa guardar todos os detalhes de cada requisição para saber que a média de latência aumentou de 200 milissegundos para 3 segundos.


Média pode enganar

Vamos investigar dois cenários.

Cenário A

Cinco requisições:

100ms
110ms
120ms
130ms
140ms

Média:

120ms

Tudo parece normal.

Cenário B

Cinco requisições:

50ms
50ms
50ms
50ms
4000ms

Média:

840ms

A média revela um problema, mas não explica que apenas uma requisição foi extremamente lenta.

Agora imagine mil requisições.

A média pode esconder comportamentos importantes.

Por isso usamos percentis.


Percentis: P50, P95 e P99

O percentil indica o valor abaixo do qual determinada porcentagem das observações se encontra.

P50

Metade das requisições foi mais rápida que esse valor.

Também é conhecido como mediana.

P95

95% das requisições foram concluídas abaixo desse tempo.

Os 5% restantes foram mais lentos.

P99

99% das requisições ficaram abaixo desse valor.

O 1% restante representa os casos extremos.

Exemplo:

P50 = 180ms
P95 = 950ms
P99 = 4200ms

A média poderia ser 300 milissegundos, dando a impressão de que tudo está saudável.

Mas o P99 mostra que alguns usuários estão esperando mais de quatro segundos.

Para o negócio, esse detalhe pode ser crítico.


Métricas importantes para COBOL e mainframe

Um programador COBOL deveria começar a conhecer:

  • quantidade de registros processados;

  • tempo de execução do JOB;

  • quantidade de commits;

  • quantidade de rollbacks;

  • leituras de arquivos;

  • gravações;

  • registros rejeitados;

  • SQLCODEs diferentes de zero;

  • tempo gasto em Db2;

  • tempo gasto em VSAM;

  • número de transações CICS;

  • tempo médio de resposta;

  • uso de CPU;

  • consumo de zIIP;

  • filas MQ;

  • abends;

  • quantidade de retries;

  • taxa de sucesso;

  • taxa de erro.

Em um programa batch, métricas podem ser exibidas no final:

REGISTROS-LIDOS......: 001000000
REGISTROS-VALIDOS....: 000998500
REGISTROS-REJEITADOS.: 000001500
COMMITS..............: 000001000
TEMPO-TOTAL..........: 00:08:32

Isso é observabilidade.

Talvez não esteja em um dashboard sofisticado, mas o princípio é o mesmo.



Capítulo 3 — Tracing: seguindo as pegadas da requisição

Tracing é o acompanhamento completo de uma solicitação através de vários componentes.

Imagine uma compra realizada por aplicativo:

Usuário
↓
Aplicativo Mobile
↓
API Gateway
↓
Serviço de Pedido
↓
Serviço de Pagamento
↓
z/OS Connect
↓
CICS
↓
Programa COBOL
↓
Db2
↓
MQ
↓
Resposta

O usuário reclama:

— Minha compra levou oito segundos.

Onde o tempo foi consumido?

Sem tracing, cada equipe olha apenas para sua parte.

A equipe do aplicativo diz:

— O mobile enviou a requisição corretamente.

A equipe da API diz:

— Recebemos e encaminhamos.

A equipe do CICS diz:

— A transação terminou.

A equipe do Db2 diz:

— A consulta executou.

Todos parecem inocentes.

Mas o usuário esperou oito segundos.

O tracing conecta as etapas.


Trace e Span

Um trace representa toda a jornada de uma requisição.

Um span representa uma etapa dessa jornada.

Exemplo:

TRACE ABC123
├── SPAN 01: Mobile App............. 50ms
├── SPAN 02: API Gateway............ 40ms
├── SPAN 03: Serviço Pagamento...... 90ms
├── SPAN 04: z/OS Connect........... 45ms
├── SPAN 05: CICS................... 80ms
├── SPAN 06: Programa COBOL......... 70ms
├── SPAN 07: Db2.................. 7200ms
└── SPAN 08: Resposta............... 60ms

Pronto.

O culpado apareceu.

O Db2 consumiu 7,2 segundos.

Mas o caso ainda não terminou.

Por que o Db2 demorou?

Pode ter sido:

  • lock;

  • deadlock;

  • índice ausente;

  • estatísticas desatualizadas;

  • plano de acesso ruim;

  • tabela muito grande;

  • contenção;

  • excesso de concorrência;

  • I/O;

  • consulta mal construída.

O trace localiza a região do problema.

Os logs fornecem detalhes.

As métricas mostram se é um caso isolado ou uma tendência.

É por isso que os três pilares precisam trabalhar juntos.


Capítulo 4 — A grande correlação

O segredo mais importante da observabilidade moderna é a correlação.

Sem correlação, você possui milhares de logs, métricas e traces desconectados.

Com correlação, cada evidência aponta para o mesmo caso.

Para isso usamos identificadores como:

  • Trace ID;

  • Span ID;

  • Request ID;

  • Correlation ID;

  • Transaction ID;

  • Session ID.

Exemplo:

TRACE-ID=ABC123

Esse mesmo valor aparece:

No API Gateway
No serviço Java
No z/OS Connect
No CICS
No programa COBOL
No log do Db2
Na resposta ao cliente

Agora o investigador pode pesquisar ABC123 e reconstruir toda a operação.


Como levar um Correlation ID até o COBOL

Um possível fluxo seria:

Aplicativo cria Request ID
↓
API Gateway recebe o ID
↓
Cabeçalho HTTP transporta o valor
↓
z/OS Connect encaminha
↓
CICS recebe
↓
COMMAREA ou Channel/Container armazena
↓
Programa COBOL lê
↓
Programa grava o ID nos logs

Exemplo conceitual de campo COBOL:

01  WS-CORRELATION-ID     PIC X(36).

Durante o processamento:

DISPLAY 'TRACE-ID=' WS-CORRELATION-ID
        ' PROGRAMA=BCPAGTO'
        ' ETAPA=VALIDACAO'.

Assim, o programa COBOL deixa de ser uma caixa isolada dentro da arquitetura.

Ele passa a participar da observabilidade ponta a ponta.


Capítulo 5 — OpenTelemetry: o tradutor universal

Na imagem aparece o OpenTelemetry, frequentemente abreviado como OTel.

O OpenTelemetry é um conjunto de padrões, bibliotecas, APIs, SDKs e componentes para coletar telemetria.

Telemetria é o conjunto de sinais produzidos pelo sistema:

  • métricas;

  • traces;

  • logs.

Uma das grandes vantagens do OpenTelemetry é evitar dependência excessiva de um único fornecedor.

A aplicação gera dados em um padrão conhecido.

Depois, esses dados podem ser enviados para diferentes plataformas.



Auto instrumentation

A imagem mostra:

OTel auto instrumentation
OTel API
OTel SDK

Auto instrumentation

Instrumentação automática.

A ferramenta observa bibliotecas, frameworks e chamadas comuns sem exigir muitas alterações no código.

É útil em Java, .NET, Python, Node.js e outras plataformas.

OTel API

A API define como a aplicação cria spans, métricas e eventos.

OTel SDK

O SDK implementa a coleta, processamento e exportação dos dados.

No mundo COBOL, a instrumentação pode depender mais da arquitetura, do middleware e das ferramentas disponíveis.

Mesmo assim, a aplicação COBOL pode participar fornecendo:

  • IDs de correlação;

  • timestamps;

  • códigos de retorno;

  • métricas do processamento;

  • eventos relevantes;

  • contexto de negócio.



OpenTelemetry Collector

O Collector funciona como uma central de triagem.

Imagine a Scotland Yard da telemetria.

Ele recebe sinais de vários serviços, processa, filtra e encaminha.

Fluxo:

Aplicação
↓
OpenTelemetry Collector
↓
Grafana / Jaeger / Elastic / Backend APM

O Collector pode:

  • receber dados;

  • remover informações sensíveis;

  • adicionar metadados;

  • agrupar registros;

  • aplicar filtros;

  • controlar volume;

  • encaminhar para vários destinos;

  • reduzir dependência de agentes proprietários.



Capítulo 6 — Prometheus, Grafana, Elasticsearch, Kibana e Jaeger

A imagem apresenta várias ferramentas.

Vamos colocar cada suspeito na sala de interrogatório.


Prometheus

Prometheus é amplamente utilizado para coletar e armazenar métricas em séries temporais.

Uma série temporal é um conjunto de valores registrados ao longo do tempo.

Exemplo:

10:00 CPU=45%
10:01 CPU=48%
10:02 CPU=60%
10:03 CPU=82%
10:04 CPU=94%

O valor isolado de 94% é importante.

Mas a evolução também é importante.

Se a CPU subiu continuamente durante quatro minutos, existe uma tendência.

Prometheus trabalha muito bem com esse tipo de dado.


Grafana

Grafana é uma plataforma de visualização.

Ele transforma números em dashboards.

Um dashboard pode exibir:

  • TPS;

  • erros por minuto;

  • latência;

  • uso de CPU;

  • consumo de memória;

  • volume de transações;

  • filas;

  • disponibilidade;

  • P95;

  • P99;

  • status de serviços.

Uma curiosidade importante:

Grafana não é necessariamente o local onde os dados são coletados.

Ele normalmente consulta outras fontes.

É o painel do detetive, não o local do crime.


Alertmanager

Alertmanager gerencia alertas.

Exemplo:

Se erro > 5% durante 10 minutos:
    enviar mensagem para equipe
    abrir incidente
    registrar severidade

Um bom alerta precisa evitar dois extremos:

Silêncio excessivo

O problema acontece e ninguém é avisado.

Tempestade de alertas

A equipe recebe centenas de mensagens e deixa de prestar atenção.

Esse fenômeno é chamado de alert fatigue, ou fadiga de alertas.

Um alerta útil deve ser:

  • acionável;

  • contextualizado;

  • relevante;

  • direcionado à equipe correta;

  • baseado em condição persistente;

  • vinculado a um procedimento.


Elasticsearch

Elasticsearch é usado para indexação e pesquisa de grandes volumes de dados, especialmente logs.

Com ele, podemos pesquisar:

SQLCODE=-911

ou:

PROGRAM=BCPAGTO AND LEVEL=ERROR

ou:

TRACE-ID=ABC123

Ele permite encontrar rapidamente eventos em enormes conjuntos de registros.


Kibana

Kibana é muito usado para visualizar e explorar dados armazenados no Elasticsearch.

Com ele, podemos criar:

  • dashboards;

  • filtros;

  • gráficos;

  • pesquisas;

  • análises;

  • painéis de erros.

A dupla Elasticsearch e Kibana tornou-se famosa em arquiteturas de logging centralizado.


Jaeger

Jaeger é uma plataforma voltada para tracing distribuído.

Ela mostra visualmente o caminho de uma requisição.

Em vez de apenas saber que o sistema demorou quatro segundos, você enxerga onde cada milissegundo foi consumido.

Para um ambiente híbrido envolvendo Cloud e IBM Z, essa visão é extremamente valiosa.


Capítulo 7 — Observabilidade não é apenas monitoramento

Monitoramento e observabilidade são relacionados, mas não são idênticos.

Monitoramento

Pergunta:

O sistema está funcionando?

Exemplos:

  • servidor disponível;

  • CPU abaixo de 80%;

  • serviço respondendo;

  • disco com espaço;

  • CICS ativo.

Observabilidade

Pergunta:

Por que o sistema está se comportando dessa maneira?

A observabilidade permite investigar situações desconhecidas.

O monitoramento costuma trabalhar com problemas previamente imaginados.

Exemplo:

Se CPU > 90%, alertar.

Mas e se a CPU estiver em 40% e o sistema estiver lento?

O alerta não dispara.

A observabilidade permite explorar os dados e descobrir que:

  • uma API externa está demorando;

  • uma fila está crescendo;

  • um lock está bloqueando transações;

  • um plano SQL mudou;

  • o logging síncrono está atrasando o processamento.

A observabilidade não elimina o monitoramento.

Ela o amplia.


Capítulo 8 — Caso prático: o PIX fantasma

Vamos investigar um cenário completo.

Um cliente tenta realizar um PIX.

Arquitetura:

Aplicativo
↓
API Gateway
↓
Serviço de Autenticação
↓
Serviço Antifraude
↓
z/OS Connect
↓
CICS
↓
COBOL
↓
Db2
↓
MQ
↓
Resposta

O cliente recebe timeout.

Primeira pista: métrica

O dashboard mostra:

Latência P95:
Antes: 800ms
Agora: 6.500ms

A taxa de erro aumentou para 8%.

A métrica confirma que não é um caso isolado.

Segunda pista: trace

O trace mostra:

API Gateway.............. 30ms
Autenticação............. 70ms
Antifraude............... 90ms
z/OS Connect............. 40ms
CICS..................... 60ms
COBOL.................... 50ms
MQ..................... 5800ms

O gargalo está no MQ.

Terceira pista: logs

Os logs mostram:

MQRC=2053
REASON=QUEUE-FULL
QUEUE=PIX.OUTBOUND

Agora temos a causa provável.

A fila atingiu sua capacidade.

Quarta pista: investigação operacional

Por que a fila encheu?

Outro log mostra que o consumidor externo estava indisponível.

Conclusão:

Consumidor externo indisponível
↓
Mensagens acumuladas
↓
Fila MQ cheia
↓
Programa COBOL aguardando ou falhando
↓
Transações mais lentas
↓
Timeout no aplicativo

Sem observabilidade, cada equipe poderia culpar a outra.

Com métricas, traces e logs correlacionados, a investigação torna-se objetiva.



Capítulo 9 — Passo a passo para começar

Um programador COBOL iniciante não precisa implementar uma plataforma inteira no primeiro dia.

O caminho deve ser gradual.


Passo 1 — Identifique operações importantes

Liste as etapas críticas do programa.

Exemplo:

INICIO
VALIDACAO
LEITURA-ARQUIVO
CONSULTA-DB2
ATUALIZACAO
COMMIT
FIM

Esses pontos serão usados como marcos.


Passo 2 — Padronize os logs

Evite mensagens aleatórias.

Use um formato consistente:

DATA-HORA
PROGRAMA
ETAPA
NIVEL
CORRELATION-ID
CODIGO-RETORNO
MENSAGEM

Exemplo:

20260803-021754|INFO|BCPAGTO|INICIO|TRACE=ABC123|RC=0000

Passo 3 — Registre apenas o necessário

Não transforme o programa em uma metralhadora de DISPLAY.

Logging excessivo pode:

  • consumir CPU;

  • aumentar I/O;

  • encher spool;

  • dificultar pesquisa;

  • expor dados sensíveis;

  • aumentar custos;

  • esconder mensagens importantes.

Registre eventos relevantes.


Passo 4 — Crie métricas de negócio

Não monitore apenas infraestrutura.

Inclua indicadores do processo.

Exemplos:

  • pagamentos processados;

  • pagamentos recusados;

  • clientes validados;

  • registros rejeitados;

  • transações concluídas;

  • fraudes detectadas.

Uma CPU saudável não significa que o negócio está funcionando.

O sistema pode estar disponível e, ainda assim, rejeitar todos os pagamentos.


Passo 5 — Meça duração

Registre horário de início e fim.

Exemplo conceitual:

INICIO=02:17:54.100
FIM=02:17:54.850
DURACAO=750MS

Faça isso para etapas críticas.

Assim você poderá descobrir onde o tempo está sendo consumido.


Passo 6 — Adote um identificador de correlação

Cada requisição deve possuir um identificador único.

Exemplo:

TRACE-ID=PX202608030000123456

Propague esse valor entre as camadas.


Passo 7 — Defina alertas úteis

Exemplo ruim:

Alertar quando ocorrer um erro.

Isso pode gerar milhares de alertas.

Exemplo melhor:

Alertar quando a taxa de erro ultrapassar 5%
durante 10 minutos.

Outro exemplo:

Alertar quando o P95 superar 2 segundos
por 5 minutos consecutivos.

Passo 8 — Crie um runbook

Um runbook é um roteiro operacional.

Exemplo:

ALERTA: FILA MQ ACIMA DE 80%

1. Verificar profundidade da fila.
2. Verificar consumidor.
3. Verificar mensagens presas.
4. Confirmar conectividade.
5. Avaliar expansão temporária.
6. Acionar equipe responsável.

Um alerta sem orientação apenas transfere o problema para outra pessoa.


Passo 9 — Revise depois do incidente

Após resolver, pergunte:

  • O alerta chegou cedo?

  • Os logs eram suficientes?

  • O Trace ID estava disponível?

  • A métrica correta existia?

  • Houve excesso de ruído?

  • O runbook ajudou?

  • Poderíamos detectar antes?

Observabilidade é melhoria contínua.



Capítulo 10 — Boas práticas fundamentais

Nunca registre senhas

Nem em testes.

Nem temporariamente.

Nem “só para depurar”.

Também evite registrar:

  • CPF completo;

  • cartão;

  • CVV;

  • tokens;

  • segredos;

  • chaves;

  • dados médicos;

  • informações bancárias sensíveis.

Use mascaramento:

CPF=***.***.***-45
CARTAO=****-****-****-1234

Use níveis de log

Um modelo comum:

DEBUG

Detalhes para investigação técnica.

INFO

Eventos normais importantes.

WARN

Situação incomum, mas não fatal.

ERROR

Falha que afetou uma operação.

FATAL

Problema grave que impede continuidade.

Nem todo evento deve ser ERROR.

Caso contrário, ninguém saberá diferenciar uma falha crítica de uma condição comum.


Evite mensagens ambíguas

Ruim:

ERRO NA TABELA

Bom:

ERRO AO ATUALIZAR TABELA CLIENTE
SQLCODE=-803
CHAVE=000123456
TRACE-ID=ABC123

Inclua contexto de negócio

Um log puramente técnico pode ser insuficiente.

Exemplo técnico:

SQLCODE=-803

Exemplo enriquecido:

OPERACAO=CADASTRO-CLIENTE
RESULTADO=DUPLICIDADE
SQLCODE=-803
CLIENTE=000123456

Agora a equipe de negócio também entende o impacto.


Curiosidades do arquivo secreto

Curiosidade 1 — O mainframe já praticava observabilidade antes do termo ficar famoso

Muito antes de OpenTelemetry e microsserviços, ambientes mainframe já utilizavam:

  • SMF;

  • RMF;

  • SYSLOG;

  • dumps;

  • traces;

  • estatísticas de subsistemas;

  • relatórios de performance;

  • mensagens JES;

  • monitoramento CICS;

  • auditoria RACF.

O nome moderno mudou, mas a necessidade sempre existiu.


Curiosidade 2 — Um log pode causar o problema que tenta investigar

Logging excessivo pode aumentar:

  • I/O;

  • CPU;

  • armazenamento;

  • latência;

  • contenção.

Em alguns incidentes, ativar logging detalhado em produção piora o desempenho.

É como acender tantas luzes na cena do crime que o gerador elétrico entra em colapso.


Curiosidade 3 — Tracing completo pode ser caro

Registrar cada requisição em sistemas de altíssimo volume produz enormes quantidades de dados.

Por isso usamos sampling.

Sampling significa coletar apenas uma amostra.

Exemplo:

Coletar 1% dos traces normais.
Coletar 100% dos traces com erro.
Coletar 100% dos traces acima de 2 segundos.

Essa estratégia reduz custo sem perder sinais importantes.


Curiosidade 4 — O usuário percebe o P99

A equipe técnica pode comemorar uma média de 200 milissegundos.

Mas o cliente que recebeu uma resposta em oito segundos não se importa com a média.

Para ele, o sistema foi lento.

É por isso que percentis são tão importantes.


Easter eggs para o Padawan

Primeiro easter egg:

Quando um sistema apresenta erros intermitentes, lembre-se do cão que não latiu.

Em uma famosa investigação de Sherlock Holmes, a ausência de uma reação foi a pista principal.

Na observabilidade também precisamos analisar o que não aconteceu.

Exemplo:

  • o programa iniciou, mas não registrou o fim;

  • a mensagem entrou na fila, mas não saiu;

  • houve chamada ao Db2, mas não houve commit;

  • o serviço recebeu a requisição, mas não retornou resposta.

A ausência de um evento esperado pode ser mais importante do que um erro explícito.

Segundo easter egg:

Se encontrar a identificação 221B em algum exemplo de Trace ID, não é coincidência.

TRACE-ID=221B-BAKER-STREET

Terceiro easter egg:

Todo investigador de sistemas deveria desconfiar da frase:

“Não mudamos nada.”

Quase sempre alguma coisa mudou:

  • volume;

  • configuração;

  • dependência;

  • certificado;

  • plano SQL;

  • estatística;

  • carga;

  • rede;

  • comportamento do usuário;

  • versão externa;

  • horário de processamento.

Mesmo quando o código não mudou, o ambiente pode ter mudado.


O método Sherlock Holmes aplicado à produção

Podemos adaptar o método investigativo em sete etapas.

1. Observar

Colete evidências sem tirar conclusões prematuras.

2. Estabelecer a linha do tempo

Descubra quando o comportamento começou.

3. Correlacionar

Relacione logs, métricas, traces e mudanças recentes.

4. Formular hipóteses

Exemplo:

A lentidão pode estar sendo causada pela fila MQ.

5. Testar

Verifique profundidade da fila, consumidor e tempo de espera.

6. Eliminar hipóteses impossíveis

Se o Db2 respondeu em 20 milissegundos, provavelmente não é o gargalo principal.

7. Confirmar causa raiz

Não pare no primeiro sintoma.

Fila cheia é sintoma.

Consumidor indisponível pode ser a causa.

Certificado expirado no consumidor pode ser a causa raiz.


Conclusão — O sistema sempre deixa pegadas

Quando entramos no CPD, tínhamos apenas uma reclamação:

“O sistema está lento.”

Depois da investigação, descobrimos que essa frase escondia uma cadeia de evidências.

As métricas mostraram que a latência aumentava.

Os traces revelaram em qual componente o tempo era consumido.

Os logs explicaram o erro.

O identificador de correlação conectou todas as etapas.

O alerta chamou a equipe.

O runbook orientou a resposta.

E a revisão posterior transformou o incidente em aprendizado.

Esse é o verdadeiro valor da observabilidade.

Logging, tracing e metrics não são três tecnologias isoladas.

São três testemunhas.

Cada uma viu uma parte do caso.

O log afirma:

“Eu sei o que aconteceu.”

A métrica declara:

“Eu sei com que frequência e intensidade aconteceu.”

O trace completa:

“Eu sei por onde a requisição passou.”

Quando as três testemunhas são interrogadas juntas, o sistema deixa de ser uma caixa-preta.

Para o programador COBOL iniciante, a grande lição é simples: não escreva programas que apenas processem dados. Escreva programas capazes de explicar o próprio comportamento.

Registre o início.

Registre o fim.

Registre a etapa.

Registre o código de retorno.

Meça o tempo.

Conte os registros.

Propague um identificador.

Proteja dados sensíveis.

Produza evidências úteis.

Porque, quando o incidente acontecer às 02h17 da manhã — e algum dia ele acontecerá — você não desejará encontrar apenas um DISPLAY 'DEU ERRO' abandonado no spool.

Você desejará encontrar uma trilha completa de pegadas digitais.

Sherlock Holmes fechou o relatório, tomou o último gole de café e olhou para o jovem programador COBOL.

— Agora entende?

— Acho que sim. Observabilidade é descobrir o que o sistema está tentando nos contar.

O investigador sorriu.

— Não exatamente.

— Então o que é?

— É garantir que, quando o sistema falar, ele tenha algo útil a dizer.

No monitor principal, a transação voltou ao tempo normal.

O alerta vermelho desapareceu.

E, em algum lugar entre o CICS, o Db2 e uma fila MQ, um pequeno Trace ID chamado 221B-BAKER-STREET continuou seguindo silenciosamente as pegadas da próxima requisição.

Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

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