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terça-feira, 1 de outubro de 2024

💻 Zowe: O Guia Completo de Server, CLI, SDK e Explorer para Mainframe

 

Bellacosa Mainframe apresenta o zowe 3.0

💻 Zowe: O Guia Completo de Server, CLI, SDK e Explorer para Mainframe

Se você está entrando no universo Zowe, seja para modernizar aplicações z/OS ou integrar ambientes DevOps, este guia é para você. Vamos destrinchar componentes do Zowe, pacotes de instalação, SDKs, CLI, Explorer e políticas de suporte, do jeito Bellacosa Mainframe: direto, didático e cheio de dicas de prova IBM.


1️⃣ O que é Zowe?

Zowe é um framework open source que permite que desenvolvedores, mesmo sem profundo conhecimento de z/OS, acessem e integrem recursos mainframe usando CLI, APIs REST e GUI.
Ele suporta tanto z/OS nativo quanto ambientes containerizados (Docker/Kubernetes), trazendo agilidade e modernidade para o mainframe.

Principais objetivos:

  • Tornar z/OS acessível a desenvolvedores modernos

  • Permitir integração com DevOps e pipelines CI/CD

  • Oferecer APIs REST, CLI e GUI para operações mainframe


2️⃣ Zowe Server Components

O Zowe Server é distribuído em vários componentes que podem rodar no z/OS ou em containers.

Principais componentes:

ComponenteFunçãoPlataforma
ZLUXGUI web para navegação e dashboardsz/OS / Container
API GatewayMediação e roteamento de APIs RESTz/OS / Container
ZSS (Zowe Security Server)Autenticação, autorização e gerenciamento de tokensz/OS
File Explorer APIServiços REST para manipulação de arquivos USS e PDSz/OS / Container

⚠️ Nota: O Zowe CLI não é um servidor — ele roda no cliente.

Pacotes de distribuição do Zowe Server

Zowe Server pode ser instalado usando diferentes formatos:

  • SMP/E Package – Método clássico IBM para z/OS (RECEIVE → APPLY → ACCEPT)

  • Convenience Build (.pax file) – Binários compactados para extração e instalação em USS

  • Docker Container – Permite execução em containers Linux/Kubernetes

Dica Bellacosa: .msi e .deb não são usados para Zowe Server; eles são apenas para clientes ou sistemas externos.


3️⃣ Instalando Zowe via SMP/E

O SMP/E package contém:

  • FMID do Zowe (compactado em .pax)

  • Program Directory

  • Jobs auxiliares para instalação

Passo a passo:

  1. Transferir o arquivo .pax para o USS

  2. Extrair o conteúdo

  3. Usar SMP/E commands: RECEIVE, APPLY, ACCEPT

  4. Aplicar PTFs de correções ou atualizações

Atenção: após a instalação, é necessário criar instância Zowe, configurar segurança e iniciar started tasks. Não basta instalar o FMID.


4️⃣ Zowe CLI – A linha de comando

O Zowe CLI é um cliente que roda em Windows, Linux ou macOS.
Ele permite que você consuma APIs REST, interaja com USS, DB2, Jobs e muito mais, sem precisar abrir TSO ou ISPF.

Pré-requisitos:

  • Node.js + npm instalado no sistema

Comandos básicos de instalação:

npm install -g @zowe/cli zowe plugins install <plugin-name> zowe profiles create zosmf-profile

Dicas de uso:

  • Cada máquina que usa o CLI precisa de sua própria instalação

  • Você pode criar profiles para armazenar endereços de host e credenciais

  • É possível instalar múltiplos plug-ins para estender funcionalidades


5️⃣ Zowe Client SDKs

Zowe oferece SDKs para Python e Node.js, permitindo desenvolver scripts e aplicações customizadas usando APIs Zowe.

Instalação:

  • Python SDK:

pip install zowe_zos_files_for_zowe_sdk-<version>.whl
  • Node.js SDK:

npm install @zowe/core-for-zowe-sdk

Dica Bellacosa: Python SDK usa pip e Node.js SDK usa npm. Não confunda os dois!


6️⃣ Zowe Explorer – GUI no VSCode

O Zowe Explorer é uma extensão para VSCode, permitindo interações gráficas com z/OS.

Requisitos:

  • VSCode instalado

  • Perfis Zowe ou Zowe Team configurados (TCP/IP + credenciais)

Funcionalidades:

  • Navegação visual de USS e PDS

  • Execução de jobs TSO

  • Extensibilidade via VSCode APIs ou Zowe Explorer APIs

Dica: extensões adicionais podem ser criadas para expandir o Zowe Explorer.


7️⃣ Suporte das versões Zowe

A política de suporte segue o modelo clássico Active / Maintenance / End-of-Support:

VersãoStatusReleases / Correções
V3.x.xActiveNovas funcionalidades a cada 6 semanas + fixes críticos e de segurança
V2.x.xMaintenanceApenas fixes críticos e de segurança, sem novas funcionalidades
V1.x.xEnd-of-SupportNenhum fix, nenhuma atualização

Atenção a pegadinhas de prova IBM:

  • Active = novas features + fixes

  • Maintenance = apenas fixes críticos

  • End-of-Support = nada


8️⃣ Conclusão

Zowe é a porta de entrada moderna para o mainframe, combinando:

  • Zowe Server (z/OS ou container)

  • Zowe CLI (Windows/Linux/macOS)

  • Zowe SDKs (Python/Node.js)

  • Zowe Explorer (GUI VSCode)

Se você quer dominar DevOps mainframe, integração z/OS e modernização de aplicações, Zowe é o seu aliado.

💡 Dica final Bellacosa Mainframe: memorize Server vs Client vs SDK vs Explorer, entenda instalação, perfis e suporte, e nunca confunda pip vs npm vs SMP/E. Isso salva em prova IBM e na vida real.

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

IBM Mainframe Discovery : Capítulo I — Não Entre em Pânico!

 

Bellacosa Mainframe apresenta o ibm mainframe parte I

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Capítulo I — Não Entre em Pânico!

O Maior Equívoco da História da Computação


NÃO ENTRE EM PÂNICO.

Estas talvez sejam as duas palavras mais importantes que um Programador COBOL Padawan pode ler antes de iniciar sua jornada pelo universo do Mainframe.

Respire.

Guarde sua toalha... digo... seu manual de JCL.

Pegue seu café.

Ajuste o brilho do terminal 3270.

Estamos prestes a atravessar um buraco de minhoca tecnológico.

Nosso destino?

O computador mais mal compreendido da galáxia corporativa.


Bem-vindo ao Guia do Mochileiro Mainframe

Se algum explorador interestelar pousasse na Terra e resolvesse aprender computação apenas lendo redes sociais, provavelmente encontraria algumas "verdades absolutas":

"Mainframe morreu."

"COBOL é linguagem dos dinossauros."

"Tudo roda na nuvem."

"Hoje é só Kubernetes."

Depois de alguns minutos, esse viajante concluiria:

— Interessante... então quem processa bilhões de dólares por dia?

Silêncio.

— Quem controla cartões de crédito?

Silêncio novamente.

— Quem executa milhões de transações bancárias por segundo?

Mais silêncio.

Então alguém responderia timidamente:

"...o mainframe."

É exatamente aqui que começa nossa aventura.


A Galáxia Está Cheia de Mitos

Toda civilização cria histórias.

Algumas são lendas.

Outras são mitos.

No universo da computação existe uma das maiores delas.

Ela diz:

"Os mainframes desapareceram."

Curiosamente, essa história é contada há mais de quarenta anos.

Enquanto isso...

os mainframes continuam trabalhando.

Sem reclamar.

Sem aparecer em manchetes.

Sem precisar de marketing.

É como aquele velho engenheiro da nave que nunca aparece nas fotos da tripulação, mas sem ele ninguém sairia da órbita.


O Grande Mal-Entendido

Imagine uma nave espacial gigantesca.

Ela possui:

  • milhares de sistemas

  • centenas de motores

  • redundância completa

  • escudos

  • sensores

  • computadores

Agora imagine alguém dizendo:

"Vamos substituir tudo isso por milhares de scooters voadoras."

É exatamente isso que aconteceu nos anos 90.

O mercado acreditou que centenas de pequenos servidores substituiriam completamente os grandes computadores corporativos.

Parecia lógico.

Mais barato.

Mais moderno.

Mais distribuído.

Na teoria.

Na prática...

descobriu-se que distribuir problemas também significa distribuir falhas.


O Universo Não Liga para Marketing

Existe uma lei cósmica pouco conhecida.

Ela diz:

A Física ignora PowerPoint.

Da mesma forma...

A Engenharia ignora Marketing.

Você pode afirmar mil vezes que um sistema é moderno.

Mas, quando um banco precisa processar:

  • 50 milhões de PIX

  • cartões

  • TED

  • DOC

  • compensação

  • folha salarial

  • previdência

...a matemática começa a fazer perguntas difíceis.

Disponibilidade.

Integridade.

Consistência.

Latência.

Escalabilidade.

Nesse momento, slogans deixam de funcionar.

Arquitetura passa a importar.


A Diferença Entre Impressionar e Funcionar

No universo existem dois tipos de tecnologia.

Aquela que impressiona.

E aquela que funciona durante cinquenta anos.

Nem sempre são a mesma coisa.

Um smartphone impressiona.

Um data center impressiona.

Uma IA generativa impressiona.

Mas existe uma pergunta mais interessante:

Quem continua funcionando depois de quarenta anos sem interromper os negócios do planeta?

É aqui que surge o protagonista desta história.


O Computador Invisível

Você provavelmente nunca viu um IBM Z pessoalmente.

Muita gente nunca verá.

Mesmo assim...

é extremamente provável que você já tenha utilizado um hoje.

Talvez dezenas de vezes.

Quando passou seu cartão.

Quando fez um PIX.

Quando consultou saldo.

Quando comprou uma passagem aérea.

Quando utilizou o SUS.

Quando declarou imposto.

Quando acessou uma seguradora.

Existe uma boa chance de algum pedaço dessa transação ter passado por um mainframe.

O computador mais importante da sua vida provavelmente é aquele que você nunca viu.


O Paradoxo da Invisibilidade

Existe um fenômeno curioso.

Quanto melhor um sistema funciona...

menos ele aparece.

Ninguém abre um jornal para ler:

"Hoje o banco funcionou normalmente."

Isso não vira notícia.

A notícia aparece quando algo quebra.

O sucesso do mainframe é justamente sua discrição.

Ele trabalha em silêncio.

Há décadas.


O Zoológico da Computação

Vamos imaginar que toda a computação seja um grande zoológico galáctico.

Ali vivem criaturas muito diferentes.

O notebook.

Ágil.

Curioso.

Explorador.

O smartphone.

Pequeno.

Sempre conectado.

O servidor Linux.

Versátil.

Escalável.

Os clusters Kubernetes.

Organizados como colônias de insetos altamente cooperativos.

E então...

bem no centro...

existe uma criatura gigantesca.

Silenciosa.

Elegante.

Que não precisa provar nada para ninguém.

Esse é o Mainframe.

Ele não corre.

Ele não faz barulho.

Mas sustenta praticamente toda a infraestrutura econômica da civilização.


Supercomputador?

Não exatamente.

Aqui encontramos outro erro muito comum.

As pessoas confundem:

Supercomputador

com

Mainframe.

São espécies completamente diferentes.

Um supercomputador foi criado para resolver problemas científicos.

Ele pergunta:

"Quantos cálculos posso fazer por segundo?"

Já um mainframe pergunta:

"Quantas empresas conseguem dormir tranquilas porque eu não falhei hoje?"

Parece sutil.

Mas muda absolutamente tudo.

Um procura velocidade.

O outro procura confiança.

Como explica Wilhelm G. Spruth, sistemas científicos são otimizados para poder computacional, enquanto sistemas comerciais são projetados para sustentar operações críticas de governos e empresas com foco em disponibilidade, segurança e processamento contínuo.


O Maior Erro da História

Durante décadas, muita gente comparou o Mainframe usando apenas uma métrica:

MIPS.

Depois:

GHz.

Depois:

Número de CPUs.

Era como comparar um cargueiro interestelar com um caça apenas pela velocidade máxima.

São máquinas construídas para missões completamente diferentes.

O cargueiro não foi feito para vencer corridas.

Foi feito para garantir que a carga chegue inteira.

Sempre.


O Clube dos Cinco Noves

Existe um número mágico.

99,999%.

Parece pequeno.

Mas representa uma obsessão.

Cinco noves significam apenas alguns minutos de indisponibilidade por ano.

Essa não é apenas uma especificação técnica.

É uma filosofia.

Todo projeto.

Todo transistor.

Toda linha de código.

Toda decisão de arquitetura pergunta:

"Isso aumenta ou diminui a disponibilidade?"

Esse pensamento moldou toda a evolução do System z.


O Verdadeiro Combustível da Nave

Curiosamente...

o combustível do Mainframe nunca foi eletricidade.

Foi confiança.

Empresas não investem bilhões porque gostam de computadores grandes.

Elas investem porque precisam dormir.

Quando bilhões de reais passam por um sistema todos os dias...

a confiança vale muito mais do que velocidade.


O Relatório que Desafia o Consenso

Foi exatamente isso que Wilhelm G. Spruth procurou demonstrar em seu relatório System z and z/OS Unique Characteristics.

Em vez de discutir propaganda ou modismos, ele reuniu dezenas de características técnicas — arquitetura, confiabilidade, segurança, virtualização, I/O, gerenciamento de cargas, CICS, Parallel Sysplex e muitas outras — para mostrar que o mainframe incorporava tecnologias avançadas muito antes de elas se popularizarem em outras plataformas.

A mensagem central do autor pode ser resumida assim:

Muitas tecnologias consideradas "modernas" nasceram ou amadureceram primeiro no universo do mainframe.

Essa afirmação não significa que outras plataformas não evoluíram. Significa apenas que, em diversas áreas, o IBM Z percorreu esse caminho muito antes.


O Que Nos Espera Pela Frente?

Nossa viagem está apenas começando.

Nos próximos capítulos, visitaremos setores fascinantes dessa gigantesca nave tecnológica:

  • Como uma arquitetura criada em 1964 continua evoluindo sem quebrar compatibilidade.

  • Por que a recuperação automática de falhas é tratada como parte do hardware.

  • Como milhares de transações compartilham o mesmo ambiente de execução no CICS.

  • O segredo do Parallel Sysplex para unir vários mainframes em um único sistema lógico.

  • Como LPARs, PR/SM e WLM inspiraram conceitos modernos de virtualização e gerenciamento de recursos.

  • Por que I/O, segurança e disponibilidade são tratados como cidadãos de primeira classe.

Cada parada revelará que o IBM Z não é apenas um computador poderoso, mas o resultado de décadas de engenharia orientada à continuidade dos negócios.


Diário de Bordo do Padawan COBOL

Antes de seguir para o próximo capítulo, guarde três lições:

✅ Nem toda tecnologia importante aparece nas manchetes.

✅ Nem toda inovação nasce na plataforma mais popular.

✅ Em engenharia, longevidade não é sinônimo de obsolescência; muitas vezes é evidência de uma arquitetura excepcionalmente bem concebida.

Agora ajuste o cinturão da cadeira do terminal 3270, mantenha sua curiosidade sempre à mão e lembre-se da regra número um de qualquer explorador da galáxia dos computadores comerciais:

Não entre em pânico. O mainframe está exatamente onde sempre esteve: discretamente mantendo a civilização funcionando.

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

O Guia Galáctico do IBM Z

Dezoito capítulos e uma conclusão reunidos em um painel interativo. Escolha uma missão, abra no visor e continue explorando diretamente no artigo original.

Não entre em pânico: se o Blogger impedir a exibição dentro do iframe, use “Abrir artigo”. Os links diretos continuam visíveis para leitores e motores de busca.
01

Capítulo I — Não Entre em Pânico!

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02

Capítulo II — A Planta da Nave Mais Duradoura da Galáxia

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03

Capítulo III — A Nave Que Se Recusa a Explodir

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04

Capítulo IV — A Sala dos Cofres Cósmicos

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05

Capítulo V — A Frota Invisível do Transporte Interestelar

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06

Capítulo VI — O Grande Maestro Invisível

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07

Capítulo VII — O Grande Terminal de Embarque da Galáxia

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08

Capítulo VIII — A Metrópole das Transações Infinitas

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09

Capítulo IX — A Federação das Naves Invisíveis

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10

Capítulo X — A Consciência Coletiva da Galáxia

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11

Capítulo XI — O Almirante Invisível da Frota

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12

Capítulo XII — A Biblioteca Infinita da Galáxia

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13

Capítulo XIII — O Serviço Postal Mais Confiável da Galáxia

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14

Capítulo XIV — O Jardim Secreto da Nave

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15

Capítulo XV — O Tradutor Universal da Federação

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16

Capítulo XVI — A Fábrica Automática da Federação

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17

Capítulo XVII — A Última Fronteira Nunca Foi o Espaço

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18

Capítulo XVIII — O Guia Nunca Terminou

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19

Conclusão — Não Entre em Pânico... A Jornada Está Apenas Começando

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quarta-feira, 15 de maio de 2013

🧠⚙️ O Sistema Operacional Z — O que é z/OS?

 


🧠⚙️ O Sistema Operacional Z — O que é z/OS?

O sistema operacional que sustenta o mundo (e ninguém vê)

“Enquanto o mundo discute frameworks da moda,
o z/OS continua garantindo que o dinheiro chegue certo, no horário certo.”

Se você acha que z/OS é apenas “mais um sistema operacional”,
prepare-se para um choque de realidade.


🧱 O que é z/OS, afinal?

z/OS é o sistema operacional dos mainframes IBM Z.

Assim como:

  • Windows roda em desktops

  • Linux roda em servidores

👉 z/OS roda em computadores feitos para nunca parar.

Ele é responsável por coordenar, com precisão cirúrgica:

  • Hardware

  • Software

  • Aplicações

  • Usuários

  • Dados

  • Segurança

  • Performance

Tudo isso ao mesmo tempo, 24x7, 365 dias por ano.


🌍 Escala: onde o z/OS humilha qualquer comparação

Um sistema comum foi feito para:

  • Dezenas ou centenas de usuários

  • Alguns milhares de transações

O z/OS foi feito para:

👥 Milhares de usuários simultâneos
💳 Milhões de transações por segundo
📊 Volumes absurdos de dados sensíveis

E tudo isso:

  • Com isolamento

  • Com segurança

  • Com previsibilidade

  • Sem reboot de madrugada


⚖️ Gerenciamento de carga: o cérebro do sistema

Um dos maiores diferenciais do z/OS é o Workload Management (WLM).

Tradução Bellacosa:

O sistema decide quem merece CPU, quando e quanto.

O z/OS:

  • Prioriza aplicações críticas

  • Garante SLA

  • Evita que um JOB mal escrito derrube o sistema

  • Distribui recursos de forma justa e inteligente

No mundo distribuído, isso é “best effort”.
No z/OS, é engenharia de missão crítica.


🔐 Segurança: não é opcional, é DNA

z/OS nasceu em ambientes onde:

  • Um erro custa milhões

  • Um vazamento é inadmissível

  • Auditoria é rotina, não exceção

Ele integra nativamente:

  • RACF / ACF2 / Top Secret

  • Controle fino de acesso

  • Rastreabilidade completa

  • Separação real de ambientes

Aqui não existe:

“Depois a gente coloca segurança.”


🔄 Disponibilidade e recuperação: parar não é opção

Outro mantra do z/OS:

Falha acontece. Parada não.

O sistema foi projetado para:

  • Detectar falhas

  • Isolar problemas

  • Recuperar automaticamente

  • Continuar processando

É por isso que bancos confiam no z/OS para:

  • Compensação

  • Liquidação

  • Pagamentos

  • Crédito

  • Débito

  • Transferências globais


🗂️ Batch e ⚡ Online: dois mundos, um sistema

O z/OS domina dois universos ao mesmo tempo:

🗂️ Batch Processing

  • Grandes volumes

  • Processamento pesado

  • Horários controlados

  • Eficiência máxima

⚡ Online Transaction Processing (OLTP)

  • Respostas em tempo real

  • Usuários simultâneos

  • Latência mínima

  • Alta disponibilidade

Ambos coexistem no mesmo sistema, sem briga, sem gambiarra.


🚀 Múltiplas aplicações, isolamento total

No z/OS:

  • Uma aplicação não derruba a outra

  • Um usuário não vê o que não deve

  • Um erro não vira efeito dominó

Isso não é mágica.
É arquitetura madura, construída ao longo de décadas.


🏦 Quem confia no z/OS (e por quê)

z/OS é a espinha dorsal de:

🏦 Bancos e instituições financeiras
🏛️ Sistemas governamentais
✈️ Companhias aéreas
🚆 Transporte e logística
🏢 Grandes corporações globais

Onde existe:

  • Dinheiro

  • Dados críticos

  • Responsabilidade legal

👉 Existe z/OS.


🥚 Easter-eggs do mundo z/OS

  • z/OS já era “cloud-like” antes da nuvem existir

  • Virtualização sempre foi nativa

  • Segurança sempre foi requisito, não feature

  • Alta disponibilidade nunca foi marketing


🎓 Recado final do El Jefe ao padawan

Aprender z/OS não é aprender o passado.
É aprender como o mundo realmente funciona.

Enquanto modas vão e vêm,
o z/OS continua lá:

  • Silencioso

  • Estável

  • Processando trilhões

  • Sustentando a economia global

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

24 Horas em 2007: Jack Bauer, COBOL e o Dia em que a IBM Descobriu que o Próximo Terrorista do Data Center Era a Conta de Luz

 

Bellacosa Mainframe e a ibm 2007 apresenta o big green

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

24 Horas em 2007: Jack Bauer, COBOL e o Dia em que a IBM Descobriu que o Próximo Terrorista do Data Center Era a Conta de Luz

🌱 Project Big Green, System z, z/VM, Linux, Java, SOA, VMware, Windows Vista, Oracle, software corporativo, o fantasma do Y2K e uma viagem ao ano em que todo mundo dizia que COBOL estava morrendo — enquanto a IBM preparava 3.900 servidores para entrar em aproximadamente 30 mainframes


THE FOLLOWING TAKES PLACE
BETWEEN 00:00 AND 24:00

ON MAY 10, 2007.

EVENTS OCCUR IN REAL TIME.

00:00:01

TIC.

00:00:02

TIC.

00:00:03

TIC.

Jack Bauer entra correndo no data center.

— Onde está a bomba?

O operador aponta para uma fileira interminável de racks.

— Não temos bomba, senhor Bauer.

— Então por que me chamaram?

— Temos 4.000 servidores.

Jack observa as máquinas.

— E?

— A maioria passa boa parte do tempo subutilizada.

— Continue.

— Todos consomem eletricidade.

— Continue.

— Produzem calor.

— Continue.

— Então usamos mais eletricidade para retirar o calor produzido pela eletricidade que usamos para alimentar os computadores.

Jack permanece imóvel durante cinco segundos.

Isso, em 24 Horas, equivale a uma tese de doutorado.

— Meu Deus.

Do fundo da sala surge um senhor usando crachá da IBM.

— Exatamente.

E naquele 10 de maio de 2007, a IBM anunciou oficialmente o Project Big Green: uma iniciativa de cerca de US$ 1 bilhão por ano em tecnologias e serviços voltados à eficiência energética dos data centers.

O que parecia uma campanha ecológica era, na realidade, resposta a um problema econômico e físico que começava a aterrorizar CIOs:

os data centers estavam ficando sem energia, refrigeração e espaço para continuar colocando servidores.

E o mais extraordinário é perceber que a história aconteceu 19 anos antes de começarmos a discutir clusters de IA em megawatts.

Mas, para entender por que Big Green causou tanto barulho, precisamos voltar ao mundo tecnológico de 2007.

E ele era muito diferente do nosso.


01:00 — IBM não estava morrendo. Muito pelo contrário.

Existe uma tentação histórica de imaginar a IBM dos anos 2000 como uma companhia envelhecida tentando desesperadamente salvar o mainframe.

Os números contam outra história.

A IBM havia acabado de executar uma transformação empresarial gigantesca. Em 2005 concluíra a venda de seu negócio de PCs para a Lenovo e estava concentrando capital em negócios considerados de maior valor: software, serviços, middleware, consultoria e infraestrutura empresarial. Essa mudança continuaria sendo destacada pela própria IBM nos relatórios seguintes. (IBM)

A evolução financeira é reveladora:

AnoReceita IBMLucro líquido
2005~US$ 91,1 bilhões~US$ 7,9 bilhões
2006~US$ 91,4 bilhões~US$ 9,5 bilhões
2007~US$ 98,8 bilhões~US$ 10,4 bilhões

Ou seja:

2005 → 2007

RECEITA
US$ 91,1 bi ───────────► US$ 98,8 bi

LUCRO
US$ 7,9 bi ────────────► US$ 10,4 bi

Isso é importante para interpretar Big Green.

Não era:

IBM EM PÂNICO
       ↓
PRECISAMOS INVENTAR
ALGUMA COISA VERDE
PARA SALVAR A EMPRESA

Era muito mais:

IBM LUCRATIVA
       ↓
SERVIÇOS + SOFTWARE
       ↓
VIRTUALIZAÇÃO
       ↓
DATA CENTERS CRESCENDO
       ↓
CLIENTES COM PROBLEMAS DE ENERGIA
       ↓
HUM...
       ↓
ISSO PODE VIRAR NEGÓCIO.

Jack Bauer aprovaria.


02:00 — A IBM de 2007 já não era primordialmente “uma fabricante de computadores”

Isso também é fundamental.

A IBM possuía System z, System p, System i, System x, storage e chips.

Mas o coração econômico da companhia estava se deslocando fortemente para serviços e software.

Naquela IBM encontrávamos marcas como:

WebSphere
Tivoli
Lotus
Rational
DB2 / Information Management

Mais Global Technology Services.

Mais Global Business Services.

Mais outsourcing.

Mais consultoria.

Mais financiamento.

Hardware continuava estratégico, especialmente porque funcionava como âncora de ecossistemas inteiros.

O mainframe talvez fosse o melhor exemplo:

SYSTEM z
   │
   ├── z/OS
   ├── COBOL
   ├── CICS
   ├── IMS
   ├── DB2
   ├── MQ
   ├── RACF
   ├── Tivoli
   ├── serviços
   └── contratos

O valor econômico não estava simplesmente na caixa preta.

Estava no ecossistema ao redor dela.


03:00 — Enquanto isso, o mercado mundial de software parecia um clube muito exclusivo

O software mundial de 2007 já era gigantesco, mas possuía uma concentração impressionante.

Dependendo da metodologia e da definição de “software” usada pelos institutos de pesquisa, os números absolutos variam. Portanto, é perigoso misturar Gartner, IDC e receitas contábeis das empresas como se medissem exatamente o mesmo universo.

Mas a hierarquia geral era bastante clara:

              SOFTWARE 2007

                MICROSOFT
                    │
                   IBM
                    │
                 ORACLE
                    │
                   SAP
                    │
               outros

A Microsoft era uma potência extraordinária. Seu próprio ano fiscal de 2007 terminou com US$ 51,1 bilhões de receita e US$ 14,1 bilhões de lucro líquido. (Microsoft)

Mas “mercado de software” escondia vários mundos.

Desktop

WINDOWS
OFFICE

Microsoft era gigantesca.

Banco de dados

Oracle
IBM DB2
Microsoft SQL Server

ERP

SAP
Oracle

Middleware

IBM WebSphere
BEA WebLogic
Oracle
Microsoft

Gerenciamento

IBM Tivoli
CA
BMC
HP

Desenvolvimento

Java
.NET
C/C++
COBOL
PHP
Perl
Python
Ruby

E aqui aparece uma diferença fundamental em relação a 2026:

SaaS ainda não havia virado o modelo mental dominante do software empresarial.

A licença perpétua + manutenção ainda reinava em enorme parte do mercado.


04:00 — O mundo estava apaixonado por três letras: SOA

Se você entrasse numa conferência corporativa em 2007 e dissesse:

“SOA”

provavelmente alguém lhe ofereceria um emprego.

Service-Oriented Architecture era uma das grandes obsessões da época.

O diagrama típico parecia:

               PORTAL
                  │
              WEB SERVICE
                  │
                  ↓
                 ESB
          ┌───────┼───────┐
          │       │       │
        JAVA    CICS    SAP
          │       │       │
          └───────┼───────┘
                  │
                DATA

REST existia.

Mas no grande enterprise o vocabulário estava repleto de:

SOAP
WSDL
XML
ESB
SOA
Web Services

Para um COBOLzeiro isso significava algo importantíssimo.

A estratégia frequentemente não era:

DELETE COBOL

mas:

        COBOL/CICS
            │
            ↓
       WEB SERVICE
            │
            ↓
            SOA

A modernização começava a significar expor o legado, e não necessariamente eliminá-lo.


05:00 — E Java era o garoto bonito do CPD

Se COBOL era o senhor de terno cinza sentado no fundo da sala, Java era o jovem arquiteto chegando com mochila e UML.

No enterprise:

Java
Java EE
WebSphere
WebLogic
J2EE/Java EE
Spring

estavam por toda parte.

Microsoft respondia com:

.NET
C#
Visual Studio
Windows Server
SQL Server

Linux crescia fortemente no servidor.

Unix ainda tinha enorme relevância:

AIX
Solaris
HP-UX

E x86 multiplicava-se dentro dos data centers.

É justamente aí que nasce nosso problema.


06:00 — SERVER SPRAWL

O administrador instala:

APP A → SERVER A

Depois:

APP B → SERVER B

Depois:

DATABASE → SERVER C

Depois:

WEB → SERVER D

Depois:

TEST → SERVER E

Cinco anos depois:

SERVER001
SERVER002
SERVER003
...
SERVER1847
SERVER1848
SERVER1849

Alguém pergunta:

— Quem usa SERVER0932?

Silêncio.

— Podemos desligá-lo?

Silêncio ainda maior.

Jack Bauer coloca a arma sobre a mesa.

— Vou perguntar novamente.

O problema do server sprawl era extremamente real.

E então VMware apareceu no centro da história.


07:00 — VMware faz o mundo x86 descobrir virtualização

2007 foi um ano espetacular para virtualização.

A VMware já tinha tecnologia madura de virtualização de servidores e tornou-se símbolo de uma transformação gigantesca:

ANTES

APP A → SERVER
APP B → SERVER
APP C → SERVER


DEPOIS

       SERVER
         │
    HYPERVISOR
    ┌────┼────┐
    VM   VM   VM
    │    │    │
   APP  APP  APP

Em 14 de agosto de 2007, a VMware fez seu IPO.

O entusiasmo do mercado foi enorme.

E havia veteranos de mainframe assistindo aquilo com uma expressão curiosa.

— Virtualização?

— Sim!

— Várias máquinas virtuais compartilhando hardware?

— Exatamente!

— Fascinante.

— Isso vai revolucionar a informática!

— Meu caro... sente-se. Precisamos conversar sobre CP/CMS, VM/370 e z/VM.

😄


08:00 — O mainframe tinha uma arma secreta chamada z/VM

Em junho de 2007, z/VM 5.3 tornou-se disponível, trazendo melhorias de escalabilidade em processadores, memória, rede e I/O justamente porque os workloads Linux virtualizados estavam crescendo. (IBM)

O conceito:

             SYSTEM z
                 │
               z/VM
                 │
      ┌──────────┼──────────┐
      │          │          │
    Linux      Linux      Linux
      │          │          │
    APP A      APP B      APP C

IBM olhava para milhares de servidores distribuídos e dizia:

Por que não consolidá-los?

E então o relógio começou a correr.


09:00 — 10 de maio de 2007: PROJECT BIG GREEN

09:00:00

TIC

09:00:01

TIC

IBM anuncia:

PROJECT BIG GREEN.

A proposta envolvia aproximadamente US$ 1 bilhão por ano de recursos dedicados a produtos e serviços de eficiência energética.

Havia centenas de especialistas.

A metodologia envolvia essencialmente:

DIAGNOSE
    ↓
BUILD
    ↓
VIRTUALIZE
    ↓
MANAGE
    ↓
COOL

Não era simplesmente:

“Compre um mainframe porque ele é verde.”

Era uma estratégia de data center.

E isso importa muito.


10:00 — Por que energia virou assunto em 2007?

Porque os números começavam a assustar.

O relatório entregue ao Congresso dos Estados Unidos pela EPA naquele ano estimou que servidores e data centers americanos haviam consumido aproximadamente 61 bilhões de kWh em 2006, cerca de 1,5% do consumo total de eletricidade dos EUA, a um custo aproximado de US$ 4,5 bilhões. O consumo havia aproximadamente dobrado desde 2000. (IBM)

A indústria percebeu:

COMPUTAÇÃO ↑

SERVIDORES ↑

ELETRICIDADE ↑

CALOR ↑

REFRIGERAÇÃO ↑

ELETRICIDADE ↑

E surgiu uma palavra que hoje parece óbvia:

eficiência.


11:00 — O mercado inicialmente enxergou muito marketing

Naturalmente.

Quando IBM disse:

Big Green

a imprensa imediatamente descobriu o irresistível:

Big Blue goes Green.

E houve ironia.

The Register publicou uma manchete maravilhosa:

“IBM: Dinosaurs were green.”

O dinossauro era, naturalmente, o mainframe.

A piada escondia uma mudança narrativa muito inteligente.

Durante anos o ataque ao mainframe era:

GRANDE
CARO
CENTRALIZADO
ANTIGO

IBM começou a responder:

E seus 4.000 servidores são exatamente o quê?

😂

A campanha tentava transformar uma fraqueza de imagem — “uma máquina enorme” — em vantagem:

consolidação.


12:00 — 3.900 servidores entram no CTU

Em 1º de agosto de 2007, IBM fez algo fundamental.

Não ficou apenas no PowerPoint.

Anunciou que consolidaria aproximadamente:

3.900 servidores

em cerca de:

30 System z

rodando Linux. O objetivo declarado era reduzir o consumo energético daquele ambiente em aproximadamente 80% ao longo de cinco anos. (IBM)

A imprensa percebeu imediatamente o tamanho da história.

O desenho era quase absurdo:

██████████████████████████████████████
          3.900 SERVIDORES
██████████████████████████████████████

                   │
                   │
                   ▼

       ███████████████████
       ~30 SYSTEM z
       ███████████████████

A cobertura contemporânea mencionava também economia prevista de centenas de milhões de dólares e redução enorme do espaço físico.

Aquilo transformou Big Green de slogan em case interno da própria IBM.


13:00 — Isso fez explodir as vendas de mainframe imediatamente?

Não.

E essa nuance é importantíssima.

2007 estava no final do ciclo tecnológico do System z9.

O z9 Enterprise Class havia aparecido em 2005.

O próximo grande salto — System z10 — chegaria em fevereiro de 2008.

Portanto, não devemos olhar Big Green e concluir:

BIG GREEN
    ↓
VENDAS SYSTEM z EXPLODEM

Hardware enterprise possui ciclos.

Clientes aguardam novas gerações.

Capacidade instalada cresce mesmo quando receita de hardware não acompanha linearmente.

E mainframe possui outra peculiaridade:

HARDWARE
    │
    ├── SOFTWARE
    ├── LICENCIAMENTO
    ├── MANUTENÇÃO
    ├── SERVIÇOS
    └── CAPACIDADE

O valor para IBM nunca esteve simplesmente na venda da caixa.


14:00 — E o COBOL? Ah, o pobre COBOL...

Agora chegamos à parte culturalmente deliciosa.

Era 2007.

Sete anos depois do Y2K.

Durante o período 1997–1999, COBOLzeiro tinha virado quase uma unidade monetária.

PRECISAMOS CORRIGIR DATAS.

CHAMEM COBOLZEIROS.

QUANTOS?

TODOS.

Então chegou:

01/01/2000

O mundo não explodiu.

Parabéns.

O prêmio recebido pelo COBOL foi aproximadamente:

“Obrigado. Agora você pode voltar para o porão.”

😂


15:00 — O paradoxo pós-Y2K

A percepção popular era:

COBOL
 =
LINGUAGEM VELHA
 =
LEGADO
 =
MANUTENÇÃO
 =
MORTE EVENTUAL

Nas universidades, Java, C++, .NET e linguagens Web eram muito mais atraentes.

O estudante perguntava:

— Qual linguagem devo aprender?

Resposta típica:

Java
C++
C#
PHP

Dificilmente:

COBOL + JCL + CICS + DB2 + VSAM

Mas havia um problema.

Os sistemas não receberam o memorando sobre a morte do COBOL.


16:00 — Enquanto todo mundo declarava COBOL morto...

Dentro dos bancos:

COBOL → PROCESSANDO

Seguradoras:

COBOL → PROCESSANDO

Governos:

COBOL → PROCESSANDO

Varejo:

COBOL → PROCESSANDO

Grandes empresas:

COBOL → PROCESSANDO

A diferença fundamental era:

COBOL tinha deixado de ser tecnologicamente “sexy”.

Isso não significava que tivesse deixado de ser economicamente relevante.

E essa distinção continua sendo crucial.


17:00 — A IBM também não estava abandonando COBOL

Esse detalhe destrói a narrativa de “linguagem congelada”.

Naquele período a IBM continuava evoluindo Enterprise COBOL e todo o ecossistema ao redor do mainframe.

O mundo mainframe de 2007 incluía tecnologias contemporâneas como:

Enterprise COBOL
CICS Transaction Server
DB2
IMS
MQ
WebSphere
XML
Web Services
Java
Linux
Rational

O objetivo era integrar.

Um programa COBOL poderia continuar fazendo:

       READ CONTA
       COMPUTE SALDO = SALDO - VALOR
       REWRITE CONTA.

enquanto externamente alguém enxergava:

SOAP
   │
WSDL
   │
XML
   │
SERVICE

O legado estava ganhando uma porta nova.


18:00 — O problema real não era COBOL. Era conhecimento

Começava a ficar evidente outro problema.

Quem conhecia:

COBOL
JCL
CICS
DB2
IMS
VSAM
RACF
TSO
ISPF

tinha frequentemente começado décadas antes.

E as universidades estavam formando principalmente:

Java
C++
.NET
Web

Nascia o problema que nos acompanharia por décadas:

mainframe skills gap.

O perigo não era simplesmente:

“Ninguém sabe escrever PERFORM.”

Era:

“Quem sabe por que aquele programa de 1987 faz exatamente aquilo às 02h13 do terceiro dia útil?”

Essa informação não está no manual de COBOL.

Está no conhecimento institucional.


19:00 — O COBOL estava morto e recebendo versão nova

Existe algo deliciosamente mainframe nisso.

A indústria:

COBOL está morto.

IBM:

ENTERPRISE COBOL
NEW VERSION

Indústria:

Mainframe está morto.

IBM:

SYSTEM z

Indústria:

Virtualização é o futuro.

IBM:

z/VM

Indústria:

Linux é o futuro.

IBM:

LINUX ON SYSTEM z

Indústria:

SOA é o futuro.

IBM:

CICS WEB SERVICES

O mainframe desenvolveu uma extraordinária habilidade histórica:

deixar os outros anunciarem sua morte enquanto instala a próxima release.


20:00 — Enquanto isso, fora do CPD, 2007 enlouquecia

Esse talvez seja o detalhe mais divertido.

Em janeiro, a Microsoft lançou Windows Vista e Office 2007 para consumidores mundialmente. (Source)

E também em janeiro, Steve Jobs apresentou algo chamado:

iPhone.

A Apple descreveu-o como combinação de telefone, iPod e dispositivo de Internet. (Apple)

Não existia App Store ainda.

Kubernetes?

Não.

Docker?

Não.

ChatGPT?

Não.

Instagram?

Não.

WhatsApp?

Não.

TikTok?

Nem pensar.

Windows Azure?

Ainda não.

Mas existiam:

BlackBerry
Nokia
Symbian
Windows Mobile

E o iPhone estava prestes a destruir boa parte desse universo.


21:00 — E a cloud era apenas uma criança

AWS já existia.

S3 havia aparecido em 2006.

EC2 também havia iniciado sua história.

Mas em 2007 ninguém em uma grande reunião bancária normal dizia:

“Vamos desligar o mainframe e colocar o core inteiro na AWS.”

Seria provavelmente acompanhado educadamente até a porta.

😂

Cloud computing ainda estava emergindo.

O próprio IBM responderia naquele ano.

Em novembro de 2007 apareceu:

Blue Cloud.

Observe a sequência histórica:

MAIO 2007
BIG GREEN
     │
     ↓
ENERGY + CONSOLIDATION


NOVEMBRO 2007
BLUE CLOUD
     │
     ↓
VIRTUALIZATION + AUTOMATION
+ DISTRIBUTED COMPUTING

Em poucos meses IBM estava discutindo simultaneamente eficiência física do data center e o embrião daquilo que viraria cloud computing.

Isso é extraordinariamente importante em retrospecto.


22:00 — 2007 foi o ano em que várias placas tectônicas começaram a se mover

Olhe esta fotografia:

Área2007
DesktopWindows dominava
Enterprise developmentJava/.NET
IntegraçãoSOA, SOAP, XML, WSDL
MainframeIBM System z9
Virtualização x86VMware
Mainframe virtualizationz/VM
UnixAIX, Solaris, HP-UX
Linuxcrescimento empresarial
DatabaseOracle, DB2, SQL Server
ERPSAP/Oracle
Cloudembrionária
MobileBlackBerry/Nokia, iPhone chegando
Containersinexistentes no sentido atual
Kubernetesinexistente
DevOpstermo ainda não estabelecido
IA generativaficção científica para o mercado
COBOL“morto”, porém trabalhando normalmente

É isso que torna Big Green tão fascinante.

Ele não nasceu no nosso mundo.

Nasceu antes do nosso mundo.


23:00 — O verdadeiro significado de Big Green aparece

Imagine Jack Bauer olhando dois monitores.

No primeiro:

2007

SERVER SPRAWL
       ↓
POWER
       ↓
COOLING
       ↓
COST

No segundo:

2026

CLOUD
       ↓
GPU
       ↓
AI
       ↓
MEGAWATTS
       ↓
GRID CAPACITY

Jack pergunta:

— Qual é a diferença?

O sysprog responde:

— Escala.

— Só isso?

— Basicamente.

Big Green identificou corretamente uma verdade física:

a capacidade computacional pode crescer mais rapidamente do que a infraestrutura física capaz de alimentá-la e refrigerá-la.

O que IBM não poderia prever completamente era como o mercado resolveria o problema.

A IBM apostava fortemente em:

CONSOLIDAÇÃO
       ↓
VIRTUALIZAÇÃO
       ↓
SYSTEM z / Linux

O mercado também escolheu:

VMWARE
       ↓
x86 VIRTUALIZATION
       ↓
HYPERSCALE
       ↓
PUBLIC CLOUD

E posteriormente:

CONTAINERS
       ↓
KUBERNETES
       ↓
CLOUD-NATIVE

A tese física sobreviveu.

A implementação vencedora tornou-se plural.


23:30 — Então Big Green fracassou?

Não.

Mas também seria exagero dizer que Big Green fez o mercado inteiro correr para System z.

O impacto foi mais sofisticado.

Ele ajudou a legitimar energia como métrica de TI.

Antes:

CAPACITY PLANNING

CPU
MEMORY
DISK
I/O

Depois:

CAPACITY PLANNING

CPU
MEMORY
DISK
I/O

+ POWER
+ COOLING
+ SPACE

O setor inteiro caminhava nessa direção.

Virtualização crescia.

A Green Grid trabalhava em métricas para eficiência de data centers.

Performance-per-watt ganhava importância.

A indústria começou a perceber que:

energia não era apenas despesa de Facilities. Era recurso computacional.

Esse talvez seja o maior legado conceitual do Big Green.


23:45 — E havia um componente comercial brilhante

Imagine você como CIO em 2007.

Problema:

MEU DATA CENTER ESTÁ LOTADO.

IBM:

— Podemos ajudar.

Problema:

MINHA CONTA DE ENERGIA SUBIU.

IBM:

— Podemos ajudar.

Problema:

TENHO 2.000 SERVIDORES.

IBM:

— Podemos ajudar.

Problema:

PRECISO VIRTUALIZAR.

IBM:

— Temos feito isso há algumas décadas.

Problema:

QUERO LINUX.

IBM:

— Também temos.

Problema:

NÃO QUERO COBOL.

IBM:

— Quem falou em COBOL?

E aí estava a genialidade comercial:

Big Green não vendia apenas mainframe.

Vendia:

CONSULTORIA
+
HARDWARE
+
SOFTWARE
+
VIRTUALIZAÇÃO
+
STORAGE
+
ENERGY MANAGEMENT
+
DATA CENTER DESIGN
+
SERVIÇOS

Era perfeitamente alinhado à IBM pós-PC.


23:50 — E o mercado de software também estava consolidando violentamente

Outro detalhe ajuda a entender o espírito de 2007.

As gigantes estavam comprando empresas.

Oracle comprava.

SAP comprava.

IBM comprava.

Em novembro de 2007, IBM anunciou a aquisição da Cognos por aproximadamente US$ 5 bilhões, reforçando sua posição em business intelligence e performance management.

O movimento geral era:

SOFTWARE ISOLADO
       ↓
SUITE
       ↓
PLATAFORMA
       ↓
ECOSSISTEMA

Esse processo ajuda a explicar por que IBM queria ser menos:

VENDEDOR DE HARDWARE

e mais:

FORNECEDOR DA PLATAFORMA
EMPRESARIAL COMPLETA

Big Green encaixava perfeitamente nisso.


23:55 — A ironia COBOL

Jack Bauer recebe finalmente o relatório.

SUBJECT:

COBOL

STATUS:

DEAD

Ele olha para Chloe O'Brian.

— Confirme.

Chloe digita.

BANKS .............. RUNNING
INSURANCE .......... RUNNING
GOVERNMENT ......... RUNNING
RETAIL ............. RUNNING
CICS ................ RUNNING
DB2 ................. RUNNING
BATCH ............... RUNNING

Jack olha novamente.

— O relatório diz que está morto.

Chloe:

— A imprensa diz.

— E a produção?

— A produção discorda.

😂

Essa talvez seja a fotografia perfeita de COBOL em 2007.


23:57 — O erro histórico pós-Y2K

Y2K criou uma percepção distorcida.

Durante alguns anos:

COBOL = PROBLEMA DO ANO 2000

Quando Y2K acabou:

PROBLEMA ACABOU
       ↓
COBOL ACABOU

Mas COBOL nunca existiu por causa do Y2K.

Existia porque empresas tinham milhões de linhas implementando:

contabilidade
pagamentos
seguros
folha
crédito
estoque
faturamento
liquidação
cadastro
transações

Y2K era apenas uma manutenção extraordinariamente grande sobre esse patrimônio.

Quando o problema de data terminou, o patrimônio permaneceu.


23:58 — E isso explica por que Big Green e COBOL pertencem à mesma história

À primeira vista:

BIG GREEN

parece assunto de hardware.

E:

COBOL

parece assunto de software.

Mas ambos tratam da mesma pergunta empresarial:

O que fazemos com décadas de infraestrutura que ainda produz enorme valor?

Uma resposta possível:

REWRITE EVERYTHING

Outra:

USE WHAT WORKS
MORE EFFICIENTLY

Big Green estava muito mais próximo da segunda filosofia.

Consolidar.

Virtualizar.

Integrar.

Modernizar.

Reutilizar.


23:59 — Jack Bauer descobre quem era o terrorista

Jack entra no data center.

O suspeito está numa cadeira.

Ele não é russo.

Não é chinês.

Não trabalha para nenhuma organização clandestina.

É um senhor pacato usando camisa social.

Na identificação:

FACILITIES

Jack coloca as mãos sobre a mesa.

— Onde está a bomba?

— Não existe bomba.

— Então por que o data center vai cair à meia-noite?

O homem aponta para um painel.

POWER CAPACITY

███████████████████░

97%

Jack fica em silêncio.

— O que acontece quando chegar a 100%?

— Não podemos instalar mais servidores.

— Quantos servidores a aplicação pediu?

— Mais 400.

— E quanto tempo temos?

O relógio aparece.

00:00:10

TIC.

00:00:09

TIC.

Jack pega o telefone.

— Chloe!

— Estou aqui.

— Preciso de capacidade.

— Quanto?

— Muita.

— Não temos.

— Então virtualize.

— Já estamos virtualizando.

00:00:05

— Consolide.

— Em quê?

Jack olha para uma máquina preta no fundo da sala.

IBM SYSTEM z

O sysprog toma café.

— Finalmente.

00:00:03

Jack:

— Quantas máquinas virtuais cabem aí?

O sysprog:

— Quantas você trouxe?

00:00:02

Chloe interrompe.

— Jack!

— O quê?

— Descobri uma coisa.

00:00:01

— O quê?!

A cloud ainda nem chegou direito.

00:00:00

Tela preta.


☕ Epílogo — O que realmente foi 2007?

2007 foi um daqueles anos em que o futuro estava chegando por várias portas simultaneamente.

O consumidor via:

iPhone, Vista, Web 2.0.

O desenvolvedor via:

Java, .NET, Eclipse, PHP, Ruby.

O arquiteto corporativo via:

SOA, SOAP, XML, WebSphere, WebLogic.

O administrador via:

VMware, Linux, blades, SAN.

O mainframe via:

System z, z/VM, Linux, CICS, DB2, IMS, COBOL.

O CIO começava a enxergar:

energia.

E a IBM enxergou uma oportunidade de unir várias dessas histórias sob um nome:

PROJECT BIG GREEN.

O projeto não provou que todo servidor distribuído deveria virar mainframe. O mercado mostrou que VMware, x86, hyperscale e posteriormente cloud também podiam explorar consolidação e virtualização em enorme escala.

Mas Big Green acertou uma previsão extraordinariamente importante:

o crescimento da computação acabaria esbarrando na infraestrutura física necessária para sustentá-la.

Em 2007 falávamos de watts por servidor.

Hoje falamos de megawatts por data center.

Em 2007 IBM perguntava:

Quantos servidores
podemos consolidar?

Em 2026 perguntamos:

Quantas GPUs
podemos energizar?

E COBOL?

O pobre COBOL passou 2007 oficialmente morto.

Só esqueceu de parar de processar.

Talvez essa seja a grande piada histórica daquele ano.

A indústria olhava para o System z e dizia:

“Dinossauro.”

Olhava para COBOL e dizia:

“Legado.”

Olhava para milhares de pequenos servidores e dizia:

“Futuro.”

Então a conta de luz chegou.

A IBM abriu uma pasta verde.

O veterano do z/VM tomou um café.

E alguém no fundo do data center perguntou:

“Vocês têm certeza de que precisamos de uma máquina física para cada aplicação?”

TIC.

TIC.

TIC.

Dezenove anos depois, o relógio continua correndo.

Só trocamos:

SERVER SPRAWL

por:

GPU CLUSTER

e:

WATTS

por:

MEGAWATTS.

Jack Bauer ainda tem 24 horas.

O pessoal de Facilities, aparentemente, tem bem menos. ☕⚡

Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

IBM Champion IBM Z COBOL CICS Db2 z/OS Mainframe desde 1988
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