UrbanCode DBB: Controle de Versionamento no Mainframe, do Jeito Certo
Se você já trabalhou em mainframe, sabe que cada linha de código é sagrada. Um erro de versionamento e você pode acordar com todo o departamento olhando para você como se tivesse errado o compilador na sexta-feira à tarde. Foi justamente pensando nisso que nasceu o UrbanCode DBB, o guardião do código COBOL, PL/I, Assembler, JCL e tudo mais que roda em z/OS.
História e Origem
O DBB, que significa Dependency Based Build, começou sua vida nos laboratórios da IBM como uma forma de modernizar o build de aplicações mainframe. A ideia era simples: parar de depender de scripts complicados de JCL e REXX espalhados pelo servidor e criar algo que entendesse as dependências reais do seu código.
Em 2016, o UrbanCode comprou a tecnologia e integrou no seu portfólio de DevOps, transformando o DBB numa peça central para mainframe moderno, pronto para integração com pipelines CI/CD, Git, Jenkins e até o mundo do container e cloud.
Para que serve e por que usar
Imagine o seu sistema legado com dezenas de programas COBOL interdependentes. Alterou um copybook ou uma tabela DB2? Então você precisa recompilar tudo que depende disso, mas somente o que realmente depende. Aqui entra o DBB:
Detecção de dependências: Ele analisa seu código e entende as relações entre programas, módulos e copybooks.
Build incremental inteligente: Só recompila o que precisa, economizando horas de batch.
Integração DevOps: Pode ser chamado por Jenkins, GitLab, UrbanCode Deploy, tornando o mainframe parte do fluxo ágil.
Em resumo: DBB é o cupido do build, unindo o que mudou com o que precisa mudar.
Como usar: dicas práticas
Estrutura de projetos: Organize seu código como projetos, módulos e pacotes. DBB adora clareza.
Dependência declarativa: Marque copybooks, DB2 DDL e includes. Quanto mais informação ele tiver, mais eficiente será o build.
Log e rastreabilidade: Sempre revise os logs. DBB é detalhista — ele te conta cada recompilação que fez.
Pipeline CI/CD: Integre DBB ao Jenkins ou UrbanCode Deploy para builds automáticos e consistentes.
Exemplo básico
Imagine que você tem um programa PAYROLL que depende de EMPLOYEE e SALARY. Se você altera apenas SALARY, DBB identifica que apenas PAYROLL precisa de recompilação, poupando tempo e evitando que outros programas sejam recompilados desnecessariamente.
PROJECT PAYROLL
MODULE EMPLOYEE
MODULE SALARY
MODULE PAYROLL
DEPENDS_ON SALARY, EMPLOYEE
ENDPROJECT
Simples, mas poderoso.
Curiosidade e Easter Egg
Você sabia que o DBB foi inspirado em técnicas de build usadas em ambientes UNIX? A diferença é que ele traduziu essas ideias para o z/OS, entendendo a complexidade do JCL, copybooks e DB2.
E o easter egg? Se você examinar os logs detalhados, verá pequenos comentários de debug deixados pelos engenheiros: mensagens como "Aqui mora o fantasma do COBOL" ou "Não acorde o compilador antes do café"… só quem vive de batch entende.
Comentários finais
O DBB é um salvavidas para equipes que querem DevOps sem abandonar o mainframe. Ele reduz erros, agiliza deploys e ainda preserva aquela aura mística de que o código mainframe “funciona sozinho, mas precisa de respeito”.
Se você ainda não experimentou, vale a pena. Modernizar builds não é apenas um luxo, é sobre manter a sanidade e ganhar tempo para o café da tarde.