quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

😈 CAP Theorem explicado para quem já confiou em commit em duas fases

 


😈 CAP Theorem explicado para quem já confiou em commit em duas fases


00:00 — Introdução: quando a teoria virou dor real

Se você é mainframer e já confiou em Two-Phase Commit, já viveu o CAP Theorem antes dele ter nome.
A diferença é que, no mainframe, chamávamos isso de:

“Ou o dado está certo, ou o sistema fica em pé. Os dois ao mesmo tempo… depende.”

O Teorema CAP nasceu no mundo distribuído moderno, mas suas raízes estão lá atrás, nos tempos de IMS, CICS, DB2, sysplex e coordenação distribuída feita no braço.



1️⃣ O que é CAP (sem marketing)

CAP diz que, em um sistema distribuído, quando ocorre uma falha de rede, você só pode garantir duas das três propriedades:

  • C – Consistency (Consistência)
    Todos veem o mesmo dado ao mesmo tempo.

  • A – Availability (Disponibilidade)
    O sistema sempre responde.

  • P – Partition Tolerance (Tolerância a partições)
    O sistema continua funcionando mesmo com falhas de rede.

⚠️ Spoiler mainframer:
P não é opcional. Se existe rede, vai haver partição.


2️⃣ A tradução CAP → dialeto mainframe 🧠

CAPMainframe raiz entende como
ConsistencyCommit garantido, dado íntegro
AvailabilityRegião em pé, SLA preservado
PartitionLink caiu, LPAR isolada, XCF brigando

👉 CAP não é escolha ideológica.
É decisão de sobrevivência.


3️⃣ Two-Phase Commit: o trauma fundador 😵

Fase 1 – Prepare

  • Todos dizem: “posso gravar?”

  • Locks segurados

  • Esperança intacta

Fase 2 – Commit

  • Coordenador manda gravar

  • Um nó não responde…

  • Silêncio

  • Lock eterno

  • DBA acordado

😈 Easter egg:
Quem já viu in-doubt transaction sabe que CAP não é slide de PowerPoint.


4️⃣ Onde o CAP dói de verdade

🔥 Consistência vs Disponibilidade

  • Quer dado correto?
    → Pode ficar indisponível.

  • Quer sistema respondendo?
    → Pode responder com dado antigo.

No mainframe, a escolha histórica foi:

Consistência acima de tudo.

No mundo web:

Disponibilidade acima de tudo.


5️⃣ Por que P não se discute

Em ambiente distribuído:

  • Switch falha

  • Roteador reinicia

  • Zona cai

  • Cloud provider “pisca”

📌 Curiosidade:
No sysplex, a IBM passou décadas tentando domar P com hardware, coupling facility e engenharia absurda.

Mesmo assim… partição acontece.


6️⃣ Modelos modernos (com cheiro de legado)

CP – Consistent + Partition tolerant

  • DB2

  • Sistemas financeiros

  • Core banking

💬 “Se não gravar certo, melhor não gravar.”

AP – Available + Partition tolerant

  • Cassandra

  • DynamoDB

  • Sistemas de catálogo, feeds, logs

💬 “Mostra algo agora, conserta depois.”


7️⃣ Eventual Consistency: o nome chique do “daqui a pouco acerta”

Mainframer traduz:

“Batch de reconciliação”

  • Dados podem divergir temporariamente

  • Em algum momento, convergem

  • Desde que não falhe tudo 😈

📎 Easter egg:
Você já fez eventual consistency com VSAM + batch noturno e nem percebeu.


8️⃣ Passo a passo para decidir CAP na prática

1️⃣ O dado é financeiro ou regulatório?
C é obrigatório

2️⃣ O usuário pode esperar?
→ Talvez A não seja crítica

3️⃣ Se a rede cair, pode parar tudo?
→ Se não, aceite inconsistência temporária

4️⃣ Existe reconciliação posterior?
→ Batch, eventos, compensação

5️⃣ Quem assume o erro?
→ Sistema ou negócio?


9️⃣ Guia de estudo para mainframers inquietos 📚

Conceitos

  • CAP Theorem

  • PACELC (CAP com latência)

  • Eventual Consistency

  • Sagas (compensação)

Ferramentas e paralelos

  • XA / 2PC → Transaction Coordinator

  • Kafka → MQ + replay

  • Sagas → Rollback manual versão cloud

  • Observabilidade → SMF espiritual


🔟 Aplicações práticas no mundo híbrido

  • Integrar DB2 com microservices

  • Decidir quando expor APIs síncronas

  • Projetar sistemas resilientes

  • Evitar 2PC em cloud (sim, evite!)

  • Atuar como arquiteto de verdade, não só operador

🎯 Mainframer que entende CAP vira arquiteto respeitado.


1️⃣1️⃣ Comentário final (02:17 da manhã)

CAP não é teoria acadêmica.
É a explicação formal da dor que você já sentiu.

Se você já:

  • Perdeu noite por commit travado

  • Desconfiou de dado “meio gravado”

  • Escolheu derrubar tudo para não corromper

Então parabéns.
Você praticou CAP antes de virar hype.

🖤 El Jefe Midnight Lunch conclui:
Cloud é só o mainframe que esqueceu suas lições.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

🍜 Gochisō-sama! — Onomatopeias japonesas à mesa, analisadas por um mainframeiro curioso

 

zuru zuru


🍜 Gochisō-sama! — Onomatopeias japonesas à mesa, analisadas por um mainframeiro curioso

Quem assiste anime com atenção (e sem pular opening, porque isso é pecado 😄) já percebeu: comer no Japão não é silencioso. Pelo contrário. É barulhento, expressivo, quase um log de execução em tempo real. E aí entram elas: as onomatopeias japonesas, aquelas palavrinhas mágicas que traduzem som, sensação, textura e até emoção — algo que a nossa língua tenta, mas raramente alcança.

No Japão, comer não é só nutrir o corpo. É experiência sensorial, e as onomatopeias são o CICS TRACE do paladar.


🍜 1. ZURU-ZURU (ずるずる) — O som sagrado do macarrão

Como se escreve: ずるずる
Como se usa: “Zuru-zuru taberu”
O que significa: Som de puxar macarrão, lámen ou udon

Essa é clássica. O barulho de sugar o macarrão não é falta de educação, é elogio ao cozinheiro. Quanto mais zuru-zuru, mais gostoso está.

🎬 Animes:

  • Naruto — Naruto Uzumaki no Ichiraku Ramen

  • Gintama — praticamente um festival de zuru-zuru

  • Food Wars (Shokugeki no Soma) — close sonoro garantido

💡 Curiosidade: sugar o macarrão ajuda a esfriar e realçar o sabor. É engenharia térmica aplicada à culinária.


paku paku



🍖 2. PAKU-PAKU (ぱくぱく) — Comer com vontade

Como se escreve: ぱくぱく
Uso: “Paku-paku taberu”
Significado: Comer repetidamente, com fome ou entusiasmo

É aquele personagem que está faminto, devora tudo rápido, quase sem respirar.

🎬 Animes:

  • One Piece — Luffy é praticamente o mascote do paku-paku

  • My Neighbor Totoro — crianças comendo felizes

🥚 Easter egg: Paku-paku também descreve bocas abrindo e fechando — tipo peixinhos. Simples, visual, japonês até o osso.


mogu mogu


🍙 3. MOGU-MOGU (もぐもぐ) — Mastigação feliz

Como se escreve: もぐもぐ
Uso: “Mogu-mogu shiteru”
Significado: Mastigar calmamente

Essa é quase um ASMR linguístico. Indica alguém comendo concentrado, satisfeito, em silêncio respeitoso.

🎬 Animes:

  • K-On! — cenas de lanche são puro mogu-mogu

  • Yuru Camp — comida + paz = mogu-mogu zen

💡 Dica cultural: usado até em personagens tímidos, que comem sem falar. Comunicação sem palavras.


saku saku

🍰 4. SAKU-SAKU (さくさく) — Crocância perfeita

Como se escreve: さくさく
Uso: “Saku-saku shiteru”
Significado: Algo crocante e leve

Tempurá, tonkatsu, biscoitos. Se está saku-saku, está no ponto.

🎬 Animes:

  • Food Wars — descrição técnica + poesia

  • March Comes in Like a Lion — doces tradicionais

🥢 Curiosidade: o japonês tem dezenas de palavras só para textura. Nós dizemos “crocante”. Eles fazem firmware dedicado.


toro toro

🍡 5. TORO-TORO (とろとろ) — Cremoso, derretendo

Como se escreve: とろとろ
Uso: “Tamago ga toro-toro”
Significado: Macio, cremoso, quase líquido

Ovo com gema mole, curry, ensopados longamente cozidos.

🎬 Animes:

  • Oishinbo — tratado acadêmico da culinária

  • Food Wars — câmera lenta + toro-toro

💡 Bellacosa insight: toro-toro é o oposto de batch rígido. É processamento suave, em fluxo contínuo.


goku goku

🍺 6. GOKU-GOKU (ごくごく) — Beber com sede

Como se escreve: ごくごく
Uso: “Biiru o goku-goku nomu”
Significado: Beber grandes goles

Depois do trabalho, do treino ou da batalha contra demônios.

🎬 Animes:

  • Dragon Ball — Goku bebendo qualquer coisa

  • Salaryman Kintaro

🍶 Easter egg: aparece muito em propagandas japonesas. Marketing sonoro puro.


umai umai

😋 7. UMA! / UMAI! (うま! / うまい!) — O veredito final

Significado: “Delicioso!”

Curto, direto, sincero. É o return code 0 da refeição.

🎬 Animes:

  • Naruto

  • Demon Slayer — Tengen Uzui é um festival de exageros


🍱 Conclusão — Comer também é linguagem

No Japão (e nos animes), comer é narrado em som. As onomatopeias funcionam como logs detalhados do prazer gastronômico. Não é infantil, é sofisticado. É quase um JCL do paladar, onde cada etapa da experiência é registrada.

Da próxima vez que você ouvir um zuru-zuru ou um mogu-mogu, não estranhe. Sorria. Você está ouvindo cultura, história e emoção — tudo servido numa tigela fumegante.

E como diria qualquer personagem depois da refeição:

ごちそうさまでした — Gochisō-sama deshita! 🍜


domingo, 5 de fevereiro de 2012

🖥️🤖🎬 WESTWORLD (1973/1978): quando o parque temático vira ambiente produtivo

 


🖥️🤖🎬 WESTWORLD (1973/1978): quando o parque temático vira ambiente produtivo


Antes de IA generativa, antes de machine learning virar buzzword, Michael Crichton já rodava simulações perigosas. Westworld nasce como filme em 1973, escrito e dirigido por Crichton, e ganha romance em 1978, quando o autor transforma o roteiro em literatura técnica disfarçada de ficção. Aqui não existe “se”: existe quando o sistema sai do controle.



🧠 A história (ou: quando o batch não encerra)

Em Westworld, turistas ricos visitam parques temáticos hiper-realistas povoados por androides — versões humanas de NPCs programados para nunca ferir clientes. Velho Oeste, Roma Antiga, Idade Média. Escolha o ambiente, rode o cenário, consuma a experiência.

O problema começa quando pequenas falhas se acumulam. Nada explode de imediato. Primeiro, um comportamento estranho. Depois, um atraso na resposta. Até que o sistema simplesmente não aceita mais comandos administrativos.

📌 Mainframe insight: todo desastre começa com um warning ignorado.



📚 Filme vs Livro (diferença de arquitetura)

  • 🎬 Filme (1973): direto, seco, quase documental. O terror vem da frieza técnica.

  • 📘 Livro (1978): expande o pensamento sistêmico, o medo do complexity creep e a arrogância corporativa.

Ambos tratam os androides não como vilões, mas como processos que executam exatamente o que foram projetados para fazer.



🧩 Ideias centrais (Crichton em estado puro)

  • Sistemas complexos não falham de forma isolada

  • Automação sem auditoria vira ameaça

  • Segurança “garantida” é apenas marketing

  • Humanos confiam demais em painéis verdes

“Nada pode dar errado” é a frase mais perigosa de qualquer datacenter.


🤖 O pistoleiro (Yul Brynner)

O androide pistoleiro é um daemon imortal. Ele não se cansa, não hesita, não questiona. Ele não odeia. Ele executa.

🥚 Easter egg histórico: seu visual inspirou diretamente o T-800 de Exterminador do Futuro.
🤫 Fofoquice: Brynner aceitou o papel justamente por parecer “anti-humano”.



🥚 Curiosidades técnicas

  • Westworld foi um dos primeiros filmes a usar imagem digital processada por computador

  • A falha do parque é explicada como efeito cascata, conceito raro no cinema da época

  • O centro de controle parece mais um NOC do que uma sala de vilões


☕ Dicas de leitura e exibição (modo operador)

  • Observe como ninguém entende o sistema por completo

  • Repare no desdém da gerência pelos técnicos

  • Preste atenção no excesso de confiança

  • Compare com incidentes reais de TI


🧠 Filosofia oculta (o verdadeiro bug)

Westworld não é sobre robôs assassinos. É sobre governança. Sobre criar sistemas que funcionam tão bem que ninguém mais sabe desligá-los.

Crichton nos alerta:

  • Complexidade cresce mais rápido que controle

  • Segurança absoluta não existe

  • Humanos terceirizam responsabilidade para máquinas

🖥️ Comentário final Bellacosa
Westworld é obrigatório para todo profissional que trabalha com sistemas críticos, automação ou IA. Porque no fim, o perigo não é o androide ganhar consciência — é o humano perder a sua.

MAINFRAME ONLINE. PARQUE ABERTO. SAÍDA INDISPONÍVEL.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Os 3 Onis Peraltas e o Leite Ninho Proibido

 


Os 3 Onis Peraltas e o Leite Ninho Proibido

(por Bellacosa Oni, sobrevivente do chinelo voador e degustador profissional de leite em pó)

Existem memórias que não moram num endereço fixo.
Elas estão espalhadas por todos os lugares onde crescemos — nas casas que alugamos, nas salas onde brincamos, nos quintais onde aprontamos, nos corredores onde corríamos para escapar do chinelo justiceiro.

E uma dessas memórias é tão insistente, tão viva, tão doce quanto o próprio protagonista dessa história:
o Leite Ninho dos anos 1970/1980.

Sim, Jefe… hoje eu vou te contar sobre as aventuras clandestinas dos 3 Onis peraltas e seu vício proibido.




🍼 Quando o leite estragava… e a tentação começava

Naquela época, antes da revolução do Tetra Pak, leite de padaria virava queijo em 48 horas.
Minha mãe, sempre prática e visionária (como toda boa sysadmin da vida doméstica), tinha a solução:

Leite em pó. Mas não qualquer leite. O Leite Ninho.

Era ouro branco.
Era tesouro de faraó.
Era o upgrade supremo da época.

E, para tristeza da autoridade parental, era também…
um convite à contravenção infanto-oni.

Porque, Jefe:
Uma lata de Leite Ninho aberta era como uma DSN sem password.




🍯 O subuso secreto: a massinha dos deuses

O manual oficial dizia:

“Adicionar duas colheres e misturar com água.”

Mas os Onis sabiam a verdade oculta:
O jeito mais gostoso era não adicionar nada.

Só a colher.
Direto na boca.
Deixar dissolver devagar, como se a vida fosse feita de pequenas felicidades granuladas.

E quando a criatividade batia?

Aí entrava a alquimia proibida:

  • Leite Ninho

  • Açúcar

  • Chocolate do Padre (sim, aquele da lata preta, o chefão final das sobremesas de infância)

Misturávamos tudo até virar uma massinha doce e pegajosa, digna de festa de aniversário clandestina.

Era ilegal?
Era imoral?
Era calórico?
Sim.
Sim.
ABSURDAMENTE.
Mas também era… perfeito.




🔊 O maior inimigo: o barulho do “PLOC”

Porque, Jefe, a lata do Leite Ninho tinha personalidade.
Ela era uma espécie de NPC vigilante da casa.

Abrir a tampa produzia um som que ecoava por dimensões paralelas:

PLOC!
E lá ia o vácuo estourando como sirene.

Podia ser 3 da tarde ou 3 da manhã.
Uma coisa era certa:

Se a lata fez “ploc”, algum adulto ouviu.

E aí começava o protocolo ninja-oni:

  1. Uma colherada rápida.

  2. Uma corrida em velocidade warp.

  3. Esconderijo estratégico atrás da mesa.

  4. Limpar o bigode branco para não deixar evidências.

  5. Rezar para o chinelo não ser invocado no modo boomerang.




👡 O terror absoluto: o grito que precedia o chinelo

Existem palavras que marcam o DNA da infância.
No meu caso, era uma só:

“VAGNER-R-R-R-R!”

Era como se a casa inteira tremesse.
As cortinas balançavam.
As galinhas do vizinho silenciavam.

E eu sabia que o barulho do “PLOC” tinha sido rastreado, logado e auditado.

Sim, o chinelo vinha.
Sim, ardia.
Sim, fazia parte da vida.
Sim, eu repetia tudo de novo na semana seguinte.

Porque, convenhamos…
Aquela colherada de Leite Ninho dissolvendo na boca valeu cada byte de castigo.




🥣 O dulcíssimo pós-crédito

Hoje, adulto, analista, professor, Bellacosa Mainframe, viajante do tempo e sobrevivente do tigrão havaiana…
ainda compro Leite Ninho.

E cada colherada — sem água, sem receita, sem nada —
me devolve por alguns segundos aos tempos dos três Onis:

  • correndo pela casa

  • inventando culinária proibida

  • vivendo perigosamente

  • sentindo o mundo girar ao som de um simples ploc

Alguns sabores não pertencem ao paladar.
Pertencem à alma.

E o Leite Ninho…
ah, Jefe…
esse é puro firmware da infância.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

 


Otsuten: O Santuário Onde o Profano Beija o Sagrado

Um mergulho Bellacosa Mainframe para o blog El Jefe Midnight Lunch

Quando o Japão resolve criar um santuário, ele não constrói apenas um templo — ele ergue um lore, um universo expandido, um portal cultural onde história, mitologia, urbanismo e um toque de maluquice coexistem em harmonia.
E entre os muitos templos que fazem o Japão ser esse RPG de mundo aberto chamado Japão, existe um que virou febre entre jovens, otakus, turistas espirituais e influenciadores: Otsuten — às vezes chamado de Otsu Tenmangu, outras vezes apelidado de “o santuário que realiza desejos… mas só se você não for afobado”.

Hoje, no estilo Bellacosa Mainframe para o El Jefe Midnight Lunch, vamos destrinchar esse fenômeno espiritual-pop-cultural com história, curiosidades, folclore, easter-eggs e aquele toque investigativo que faria até o CICS levantar uma sobrancelha.



1. Origem: Onde Começa o Código-Fonte do Otsuten

O Otsuten é um santuário xintoísta dedicado, como muitos da mesma linhagem, a Sugawara no Michizane, patrono da sabedoria, caligrafia, estudos e… vingança educada (sim, ele virou um kami depois de morrer injustiçado e causar tempestades até receber seu devido reconhecimento).

Otsuten, porém, ganhou fama mais recente graças a três fatores:

  1. Proximidade com rotas de estudantes indo para exames importantes;

  2. História oral sobre pedidos que “só funcionam se feitos com calma e sinceridade” (quase um timeout ajustado no JCL espiritual);

  3. Internet, que fez nascer o “Otsuten Challenge”.

E aqui começa o mix de tradição + viralização que só o Japão sabe produzir.



2. Estrutura e Simbologia: O Santuário Que Parece um Save Point

O Otsuten é famoso por seu torii vermelho vibrante, um portão tão icônico que virou ponto de selfie obrigatório.
Abaixo, a tríade sagrada do Otsuten:

  • Torii Vermelho: segundo o folclore local, quanto mais forte a cor, mais forte o pedido entra no “mainframe divino”.

  • A Pedra de Acalmar o Coração: uma rocha polida onde estudantes tocam para “resetar o nervosismo”.

  • O Caminho do Silêncio: um corredor estreito entre árvores antigas onde ninguém deve falar — se falar, perde o buff.

Easter-egg: dizem que, à noite, o caminho do silêncio produz eco mesmo quando ninguém pisa ali.
Debug espiritual? Talvez.



3. Cultura Pop: Otsuten Como Cenário de Anime, Dorama e Mangá

O local ficou famoso por aparições discretas em produções:

  • Uma versão estilizada aparece em Kyou no Go no Ni.

  • O torii foi recriado (quase idêntico) em um episódio de Bungou Stray Dogs, referência ao próprio Michizane.

  • Muitas VN, especialmente as de romance colegial, usam o modelo do torii como cenário de “confissões”.

Easter-egg cultural: vários gacha games japoneses adicionaram amuleto de Otsuten como item de buff para “sorte em summons”.


4. A Experiência: Como Funciona a “Interface Sagrada”

Visitar o Otsuten segue o protocolo tradicional:

  1. Passar pelo torii com respeito;

  2. Fazer purificação na fonte;

  3. Soar o sino;

  4. Fazer o pedido em silêncio;

  5. Amarrar um ema com o desejo escrito.

Mas o Otsuten tem um twist:

O pedido deve ser reescrito três vezes — como se fosse SUBMIT, HOLD e RELEASE.
Sim. É sério.
Dizem que isso “estabiliza” o desejo para que o kami entenda sua intenção.


5. Curiosidades no Estilo Bellacosa Mainframe

  • A cor do torii já foi laranja, mas foi repintado após uma pesquisa viral dizer que o “vermelho forte aumenta 12% a chance do pedido funcionar”. Zero base científica, mas muito marketing espiritual.

  • O Otsuten já recebeu mais de 100 mil pedidos digitalizados por turistas que escanearam seus emas (porque claro que alguém criou um OCR de desejos).

  • Existe um ritual moderno chamado “ping-bell”: bater o sino duas vezes e mandar mensagem para um amigo desejando boa sorte.

  • Amuletos especiais para programadores são vendidos lá, com o kanji de “erro” cortado ao meio — para simbolizar debug divino.


6. Problemas, Polêmicas e Lendas Urbanas

Nenhum lugar místico moderno escapa do lado B:

❖ Polêmica da fila de selfies

Turistas transformaram o torii em estúdio fotográfico, criando discussões entre visitantes sérios e influencers.

❖ Amuletos pirateados

Sim, existe mercado paralelo de omamori falsificados, vendidos em Shibuya e Akihabara.

❖ Lenda do “pedido rejeitado”

Dizem que, se você mentir no pedido ou fizer sem convicção, uma brisa gelada passa por trás do seu pescoço — “o kami te deslogou”.


7. O Easter-Egg Supremo: A Runa Oculta na Base do Torii

Essa é para os arqueólogos de cultura pop:

Na base direita do torii existe um pequeno símbolo, quase invisível, que alguns estudiosos identificam como um antigo caractere grego estilizado.
Teorias:

  • Homenagem a um arquiteto estudante de filologia;

  • Um charme para proteção contra espíritos ocidentais;

  • Apenas decoração.

A comunidade geek jura que é uma referência secreta a RPGs de mesa dos anos 80.


8. Conclusão: Otsuten Como “Mainframe Espiritual do Japão”

O Otsuten não é apenas um santuário.
É um hub cultural, um servidor de desejos, um checkpoint emocional para estudantes, românticos, sonhadores e curiosos.

Ele mistura:

  • tradição xintoísta,

  • cultura pop,

  • estética instagramável,

  • lendas urbanas,

  • e aquele je ne sais quoi japonês que transforma um templo em fenômeno global.

Se você for visitar, lembre-se:

No Otsuten, tudo funciona melhor quando você faz com calma.
Sem pressa, sem barulho, sem gambiarras.

Como um bom submit no mainframe.