🌙 El Jefe Midnight Lunch apresenta:
📸 O Pequeno Vendedor de Salgadinhos & O Carnaval Mítico de Pirassununga (1983)
— Uma crônica Bellacosa Mainframe sobre liberdade, samba, coxinhas e destino —
Existem histórias que chegam para mim como um dump do JES2: cheio de linhas caóticas, mensagens truncadas, e no meio da bagunça... um registro vital, um checkpoint da vida.
Pois bem: 1983, Pirassununga. Brasil em final de ditadura, moralismo fervendo, e um personagem que eu jamais esqueceria — Bene.
🏳️🌈 Bene, a entidade de Pirassununga
Bene não era apenas uma pessoa. Era praticamente um CICS Transaction ambulante:
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Rápido,
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Direto,
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Chamado por todos,
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E impossível de ignorar.
Em plena época de conservadorismo sufocante, ele era um homossexual efeminado assumido, colorido por natureza, vida e espontaneidade. Sambista nato, porta-bandeira de uma escola paulistana importada para o interior só para “causar”. Bene era aquilo que o Japão chamaria depois de ikemen invertido: exuberância em vez de contensão.
Ele era o próprio “easter-egg” vivo da cidade — algo que ninguém esperava ver num ambiente tão fechado… mas que todo mundo secretamente respeitava, porque Bene fazia a festa acontecer.
Nota de rodapé Pirassununga é uma cidade famosa pela sua base da Força Area, a Esquadrilha da Fumaça e milicos para todos os lados, a existência do Bene era uma prova da força divina e santo forte do rapaz. Imagine que ele escapou ileso aos porões do DOI-CODE sem nunca entrar nos radares desse povo louco.
📸 E onde entra a família Bellacosa?
Como sempre: onde há uma confusão, há um Bellacosa sendo puxado para dentro.
Numa daquelas noites aleatórias em que tudo parecia quieto demais para a década de 80, Bene aparece com um pedido insolito, quase divino:
“Ô, seu Wilson Bellacosa… cê não quer fazer a reportagem fotográfica do Carnaval?”
A promessa de dinheiro brilhou como painel do 3270 quando o VTAM finalmente conecta.
E lá vai meu pai — fotógrafo profissional, retratista raiz — abrir a temporada oficial de fotos do Carnaval de Pirassununga 1983.
Mas, como sabemos, ninguém da família Bellacosa trabalha sozinho. O caos sempre é distribuído como JCL mal comentado.
🥟 A vó Anna, pipeline master do destino
A vó Anna, grande arquiteta da vida Bellacosa, observando a inquietação do meu pai, irresponsabilidade para governar a família, incrível capacidade de ferrar com tudo, fez o que toda matriarca visionária faz:
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Pegou minha mãe pela mão
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Levou-a para a igreja
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Colocou-a num curso de fabricação de salgados para festas
E pronto: nasceu um microempreendimento familiar antes mesmo do MEI existir.
Coxinhas, risoles, croquetes, tudo gerado em batch noturno diretamente na cozinha da casa.
👦 E eu, pequeno padawan?
Promovido — sem concurso público — a vendedor de salgadinhos.
Melhor dizer, convocado, alistado e inscrito nessa operação especial. Sem direito a fuga...
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Meu pai no meio da rua fotografando tudo, parecendo repórter oficial do Globo Repórter: edição folia interiorana
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Minha mãe numa calçada vendendo os salgados
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Eu na outra calçada, um mini-hardware humano processando vendas, troco e clientela com throughput digno de MQSeries
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Vivi e Dandan… off-line, sem escalonamento naquela missão
Esse foi o primeiro job remunerado do jovem Bellacosa.
O JOB001, o início de uma longa sequência de execuções bem-sucedidas, cada uma com sua história, suas exceções e suas mensagens $HASP aleatórias da vida.
🎭 O Carnaval que me iniciou no “modo trabalhador”
Entre um sambista, um fotógrafo, uma cozinheira recém-formada, uma matriarca estrategista e eu — o pequeno vendedor — nasceu o primeiro workflow profissional Bellacosa.
E tudo isso no meio de:
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Fantasias improvisadas
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Sambas ecoando pela praça
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O povo celebrando a liberdade recém permitida era final da ditadura
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Bene, radiante, reinando como supernova em meio à poeira conservadora
🌟 Easter-egg que só quem é da época sabe
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Em 1983, várias cidades pequenas ainda proibiam travestis de desfilar — Pirassununga permitiu Bene sem pestanejar.
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As fotos do meu pai se tornaram parte da memória oral da cidade — muita gente ainda lembra e guarda estas relíquias de família.
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A polícia olhava torto, mas deixava passar. Carnaval é exceção até para militar.
📌 Moral do episódio (versão Bellacosa Mainframe)
Às vezes, a vida me coloca para vender coxinhas no meio da rua, achando que é só um bico…
Mas ali nasceu o meu senso de:
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trabalho,
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responsabilidade,
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criatividade,
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improviso,
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e principalmente… resiliência.
E tudo isso graças a Bene — o trigger humano — que, só por existir livre, bagunçou positivamente a história da sua família.
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