| Bellacosa Mainframe e o the seven deadly sins wrath of the gods |
☕ Um Café no Bellacosa Mainframe
The Seven Deadly Sins: Wrath of the Gods — Quando a Guerra Santa Voltou e o Sangue Ficou Branco
Ou: Meliodas começou a perder a humanidade, Elizabeth descobriu que já morrera vezes demais, King e Diane fizeram uma viagem de três mil anos, Escanor encontrou alguém capaz de sobreviver ao seu ego — e o departamento de censura resolveu que sangue deveria parecer leite
Existe um momento particularmente perigoso na vida de qualquer sistema legado.
A aplicação funciona.
Os usuários gostam.
O negócio depende dela.
Você acumulou milhões de clientes.
Então alguém entra numa reunião e diz:
— Vamos trocar a equipe responsável pela manutenção.
Silêncio.
Um veterano olha lentamente para o café.
Outro pergunta:
— Temos documentação?
Ninguém responde.
Wrath of the Gods é aproximadamente esse momento na história de Nanatsu no Taizai.
Narrativamente, esta deveria ser uma das temporadas mais espetaculares de toda a franquia.
Finalmente conheceríamos melhor:
a Guerra Santa de três mil anos atrás,
Meliodas e Elizabeth,
os Dez Mandamentos,
o Goddess Clan,
Mael,
Estarossa,
Zeldris,
Chandler,
Cusack,
a verdadeira dimensão da maldição,
e o crescimento definitivo de King.
No papel?
Material fantástico.
Na televisão?
Bem...
precisaremos conversar sobre isso.
Porque em 2019 aconteceu algo que ainda hoje aparece quando alguém pergunta:
“Por que dizem que Nanatsu no Taizai envelheceu mal?”
Pegue o café.
Chegamos à temporada do sangue branco.
🇯🇵 1. Primeiro, o verdadeiro título
O título japonês é:
七つの大罪 神々の逆鱗
Romanizado:
Nanatsu no Taizai: Kamigami no Gekirin
Internacionalmente:
The Seven Deadly Sins: Wrath of the Gods
Literalmente podemos aproximá-lo de:
A Ira dos Deuses.
E desta vez o título faz bastante sentido.
A história deixa definitivamente de ser apenas:
humanos contra demônios.
Entramos no conflito envolvendo:
Demon Clan, Goddess Clan, Fairy Clan, Giant Clan e humanos.
A velha Guerra Santa está voltando.
E descobriremos que talvez nenhum dos lados tenha o direito de colocar no LinkedIn:
“Sempre estivemos do lado certo da História.”
📅 2. Quando estreou?
Wrath of the Gods começou a ser exibido no Japão em:
9 de outubro de 2019
pela TV Tokyo.
Terminou em março de 2020.
O próprio Studio Deen registra a estreia em 9 de outubro e a produção como sua. (Studio Deen)
A temporada possui:
24 episódios.
Portanto nossa sequência até aqui fica:
The Seven Deadly Sins — 24 episódios
Signs of Holy War — 4 episódios
Revival of the Commandments — 24 episódios
Wrath of the Gods — 24 episódios
A Netflix novamente ajudou a transformar a numeração das temporadas numa ciência esotérica.
Dependendo da fonte, você encontrará Wrath of the Gods sendo chamada de terceira ou quarta temporada.
A história é a mesma.
A contabilidade é que sofre.
🎨 3. E aqui acontece a grande mudança
Adeus:
A-1 Pictures.
Olá:
Studio Deen.
A ficha oficial do próprio Studio Deen registra:
Obra original: Nakaba Suzuki
Direção: Susumu Nishizawa
Design de personagens para animação: Rie Nishino
Música: Hiroyuki Sawano, KOHTA YAMAMOTO e Takafumi Wada
Produção: Studio Deen. (Studio Deen)
É a primeira grande temporada televisiva de Nanatsu produzida sob essa nova estrutura.
E essa mudança se tornaria uma das decisões mais discutidas da história da franquia.
⚠️ 4. Mas seria injusto simplesmente dizer “Studio Deen estragou tudo”
Aqui precisamos colocar a lupa Bellacosa Mainframe.
Anime não é produzido simplesmente assim:
ESTÚDIO BOM = ANIMAÇÃO BOA
ESTÚDIO RUIM = ANIMAÇÃO RUIMExistem:
cronogramas,
comitês de produção,
subcontratação,
direção,
quantidade de animadores,
tempo disponível,
televisão,
correções,
entregas
e dinheiro.
Studio Deen aparece nos créditos e oficialmente assumiu a produção. (Studio Deen)
Mas reduzir todo problema de Wrath of the Gods a:
“Deen ruim.”
seria simplificar demais uma produção complicada.
O espectador, porém, não vê planilha de produção.
Ele vê o episódio.
E alguns episódios...
doeram.
✍️ 5. O autor continua sendo Nakaba Suzuki
Nada muda na origem.
Nanatsu no Taizai foi escrito e ilustrado por:
Nakaba Suzuki.
O mangá foi serializado pela Kodansha na Weekly Shōnen Magazine entre 2012 e 2020 e terminou com:
346 capítulos
reunidos em:
41 volumes. (Wikipedia)
Isso é especialmente importante nesta temporada porque grande parte do material original é bastante ambicioso.
Quando leitores reclamaram posteriormente do anime, frequentemente não estavam reclamando necessariamente da história que Suzuki havia desenhado.
Estavam reclamando de:
como aquela história foi colocada na tela.
⚔️ 6. Onde começa Wrath of the Gods?
A Guerra Santa está efetivamente voltando.
Os Ten Commandments continuam sendo uma ameaça.
Meliodas está mudando.
Elizabeth começa a recuperar memórias.
Os Pecados estão separados em determinados momentos.
E a verdadeira história de três mil anos atrás começa finalmente a aparecer.
Até agora conhecíamos:
a lenda.
Agora veremos:
o log.
E, como qualquer velho programador sabe:
a versão contada na reunião e aquilo que aparece no log raramente são exatamente iguais.
🕰️ 7. King e Diane fazem uma viagem de três mil anos
Uma das melhores ideias desta fase coloca:
King e Diane
diante de uma espécie de teste.
Eles são enviados para vivenciar acontecimentos relacionados à antiga Guerra Santa.
Não recebem simplesmente um PowerPoint dizendo:
Guerra Santa — causas e consequências.
Eles experimentam acontecimentos através de figuras históricas.
Diane ocupa a perspectiva de:
Drole.
King, a de:
Gloxinia.
E isso muda completamente aquilo que sabíamos sobre esses personagens.
🌳 8. Gloxinia e Drole não nasceram vilões
Anteriormente conhecemos os dois como membros dos:
Ten Commandments.
Portanto:
vilões.
Fim.
Só que não.
Gloxinia estava ligado ao Fairy Clan.
Drole era figura fundamental entre os gigantes.
Ambos tiveram histórias.
Escolhas.
Traumas.
Razões.
E principalmente:
momentos em que poderiam ter escolhido diferente.
King e Diane precisam compreender exatamente isso.
O teste não é simplesmente:
“você consegue derrotar alguém?”
É:
quando chegar ao mesmo ponto em que eles falharam, você fará a mesma escolha?
Isso é excelente.
🧠 9. A história começa a substituir moralidade simples por perspectiva
Até agora o universo já havia mostrado:
Holy Knights não eram automaticamente bons.
Demônios não eram automaticamente simples monstros.
Mas aqui isso explode.
O Goddess Clan possui seu próprio histórico de violência.
Os demônios possuem relações e sentimentos.
Fadas e gigantes tomam decisões questionáveis.
Humanos também.
Portanto a Guerra Santa deixa de parecer:
Bem versus Mal
e começa a parecer:
dois blocos históricos produzindo propaganda sobre o outro.
Isso é muito mais interessante.
😇 10. Conhecemos melhor o Goddess Clan
Durante grande parte de Nanatsu, a palavra:
Goddess
parece automaticamente positiva.
Deusa.
Luz.
Asas.
Santidade.
Então conhecemos melhor personagens como:
Ludociel.
E rapidamente percebemos:
opa.
A situação é um pouco mais complicada.
Ludociel está disposto a fazer coisas extremamente brutais contra os demônios.
A guerra produziu uma lógica própria.
Se o outro lado é definido como:
monstro,
qualquer coisa feita contra ele pode ser justificada.
Isso não é exatamente uma mensagem infantil.
❤️ 11. Meliodas e Elizabeth finalmente começam a fazer sentido
Durante dezenas de episódios existe algo estranho naquela relação.
Meliodas conhece Elizabeth profundamente.
Às vezes parece saber coisas que ela não sabe.
Existe intimidade demais.
Existe tristeza demais.
Existe familiaridade demais.
Agora descobrimos a escala real.
A relação entre ambos começou:
três mil anos atrás.
Meliodas fazia parte do Demon Clan.
Elizabeth pertencia ao Goddess Clan.
Ou seja:
Romeu e Julieta olharam para os dois e disseram:
— Vocês talvez estejam exagerando.
💔 12. O crime original foi amar o inimigo
Meliodas e Elizabeth pertenciam a lados opostos da Guerra Santa.
Eles se apaixonaram.
E isso teve consequências enormes.
Meliodas traiu o Demon Clan.
Elizabeth desafiou seu próprio lado.
Os dois se tornaram símbolos de algo perigosíssimo para sistemas baseados em guerra:
a possibilidade de que o inimigo seja uma pessoa.
Porque no instante em que você ama alguém do outro lado...
a propaganda começa a falhar.
♾️ 13. E então descobrimos a maldição
Aqui está um dos conceitos mais cruéis da franquia.
Meliodas foi condenado.
Elizabeth também.
Mas de maneiras diferentes.
Meliodas:
não consegue morrer definitivamente.
Elizabeth:
reencarna repetidamente.
Parece romântico?
Espere.
Quando Elizabeth recupera completamente suas memórias de vidas anteriores...
ela morre novamente pouco tempo depois.
E Meliodas:
lembra de tudo.
Sempre.
Cada Elizabeth.
Cada encontro.
Cada romance.
Cada morte.
Durante aproximadamente três mil anos.
☠️ 14. Meliodas assistiu Elizabeth morrer repetidamente
Agora aquele sorriso permanente do protagonista ganha outro significado.
Ele não é simplesmente o herói alegre.
É alguém preso numa rotina de perda.
Encontra Elizabeth.
Ela não se lembra.
Eles se aproximam.
Ela começa a lembrar.
A maldição ativa.
Ela morre.
Outra Elizabeth nasce.
Ele procura novamente.
Imagine repetir isso dezenas e dezenas de vezes.
A imortalidade deixa de ser poder.
Vira:
tortura administrativa eterna.
🧠 15. Mensagem escondida: memória pode ser uma condenação
Nós normalmente tratamos memória como coisa boa.
Lembrar.
Preservar.
Não esquecer quem amamos.
Mas Nanatsu apresenta o outro lado.
E se você fosse incapaz de esquecer?
Meliodas carrega:
três mil anos de luto.
Elizabeth possui o problema inverso.
Ela esquece.
Depois lembra.
E lembrar dispara novamente sua condenação.
Um vive porque não pode esquecer.
A outra morre quando finalmente lembra.
É uma ideia bastante bonita escondida atrás de muita pancadaria.
😈 16. Estarossa continua sendo um problema
Estarossa já havia demonstrado que era perigosíssimo.
Mas nesta temporada sua história ganha uma dimensão completamente diferente.
Seu relacionamento com:
Meliodas,
Elizabeth,
os Ten Commandments
e os acontecimentos da Guerra Santa
começa a parecer cada vez mais estranho.
Existem inconsistências.
Memórias que não encaixam.
Histórias que parecem contraditórias.
E isso é proposital.
🪽 17. Porque Estarossa não é exatamente quem pensamos
Aqui entramos num dos maiores spoilers da fase.
Estarossa está ligado a:
Mael.
Um dos grandes guerreiros do Goddess Clan.
E a história de sua identidade envolve:
Gowther.
Não o Gowther que conhecemos simplesmente como membro dos Seven Deadly Sins.
Mas o contexto do Gowther original e uma manipulação de memória numa escala gigantesca.
De repente percebemos que parte da própria história mundial foi:
editada.
🧠 18. Gowther basicamente executou ALTER HISTORY
Essa talvez seja uma das ideias mais fascinantes da franquia.
Não estamos falando apenas de alguém esquecendo onde colocou a chave.
Memórias coletivas foram manipuladas.
Identidades foram reconstruídas.
Relações foram alteradas.
Uma narrativa inteira passou a parecer verdadeira porque:
todos se lembravam dela daquela maneira.
Isso levanta uma pergunta maravilhosa:
se todas as pessoas lembram de uma mentira, ela vira história?
Bem-vindo ao departamento filosófico de Nanatsu no Taizai.
☀️ 19. E Escanor continua sendo Escanor
Enquanto a mitologia entra em:
demônios,
deusas,
memórias falsas,
maldições,
guerra milenar...
Escanor continua possuindo uma metodologia relativamente simples:
o Sol sobe.
Escanor sobe junto.
E nesta temporada chega uma das lutas mais aguardadas pelos leitores.
Meliodas versus Escanor.
No mangá?
Um espetáculo.
No anime?
Ah.
Precisamos conversar.
💥 20. Meliodas versus Escanor — o incidente de produção
A luta deveria ser:
brutal,
veloz,
monumental,
visualmente espetacular.
Era confronto entre dois dos personagens mais poderosos e populares da franquia.
E tornou-se famosa por outro motivo:
a qualidade da animação.
Quadros circularam pela Internet.
Rostos deformados viraram memes.
Movimentos foram criticados.
A sensação de peso desapareceu em diversos momentos.
A luta tornou-se praticamente um símbolo dos problemas de produção da temporada; críticas contemporâneas destacaram justamente a queda visual e esse confronto em particular. (Nanatsu no Taizai Fandom)
Isso foi devastador porque não aconteceu numa luta qualquer.
Aconteceu:
NA luta.
🧑💻 21. É como derrubar produção durante a apresentação para o CEO
Você pode ter 300 jobs funcionando perfeitamente.
Ninguém comenta.
Aí o job que gera o relatório do CEO abenda às 8h59.
Pronto.
Agora:
“o sistema não funciona.”
Wrath of the Gods possui cenas boas.
Possui momentos visualmente competentes.
Possui ideias excelentes.
Mas Meliodas versus Escanor era justamente a demonstração que precisava funcionar.
Não funcionou como esperado.
E essa imagem passou a representar a temporada inteira.
🩸 22. Então chegamos ao sangue branco
Ahhh...
o sangue branco.
No primeiro episódio, cenas violentas exibidas pela TV Tokyo apareceram fortemente censuradas.
Sangue vermelho virou:
branco.
Ferimentos receberam coberturas luminosas.
Outros elementos gráficos foram ocultados.
A cobertura da época registrou imediatamente a reação negativa e destacou que não ficou claro publicamente se a decisão partira da emissora, do comitê de produção ou de outro ponto da cadeia. (OtakuPT)
E havia um pequeno problema.
Tentar tornar sangue menos chocante produziu imagens...
consideravelmente mais estranhas.
😂 23. A Internet fez aquilo que a Internet faz
Anime + líquido branco saindo de personagens.
Você não precisa ser especialista em comportamento de comunidades online para prever o resultado.
Memes.
Muitos memes.
A censura destinada a diminuir o impacto visual conseguiu:
aumentar enormemente o impacto cultural da cena.
Só que pelo motivo errado.
No segundo episódio, sangue vermelho reapareceu em várias cenas, embora a censura tenha continuado de maneira inconsistente em alguns momentos posteriores. (OtakuPT)
O sistema estava basicamente rodando:
IF episodio = 1
sangue = branco
ELSE
talvez_vermelho
END-IFExcelente especificação funcional.
⚠️ 24. Não sabemos com certeza quem mandou fazer aquilo
Esse detalhe merece ser preservado.
É muito fácil dizer:
“Studio Deen censurou.”
Mas não existe confirmação pública conclusiva disso.
As reportagens da época apontaram possibilidades envolvendo:
emissora,
comitê de produção,
ou produção,
sem estabelecer definitivamente a origem da decisão. (OtakuPT)
Portanto a conclusão responsável é:
Wrath of the Gods foi exibido com censura visual muito criticada; a autoria exata dessa decisão não foi publicamente esclarecida.
Pronto.
Sem transformar especulação em fato.
👑 25. King finalmente começa a parecer um Fairy King
Enquanto tudo isso acontece, King passa por enorme evolução.
Sua experiência com Gloxinia ajuda a compreender:
responsabilidade,
liderança,
passado,
sacrifício.
Seu poder aumenta.
Sua aparência também muda.
E começamos a enxergar:
Harlequin como verdadeiro Fairy King.
É um dos melhores arcos de amadurecimento da franquia.
O pecado da Preguiça passa a assumir responsabilidade.
Exatamente aquilo que seu arco sempre precisava fazer.
🐍 26. Diane também encontra identidade
Diane sofre há muito tempo com:
pertencimento,
memória,
amor,
identidade.
A experiência relacionada a Drole permite que ela veja:
o passado dos gigantes,
o significado de determinadas escolhas,
e seu próprio lugar dentro daquela história.
Seu crescimento não é simplesmente:
ganhei um golpe novo.
É:
não preciso repetir aquilo que fizeram antes de mim.
🧙♀️ 27. Merlin continua sabendo coisas demais
Merlin permanece sendo aquele tipo de colega que, depois de seis horas de incidente, diz:
— Ah, sim. Eu sabia dessa dependência.
Todos olham.
— DESDE QUANDO?
— Uns trezentos anos.
😂
Mas progressivamente entendemos que seu conhecimento possui:
origem,
objetivos,
limitações
e talvez interesses próprios.
Merlin nunca foi simplesmente:
“a maga inteligente”.
Ela está jogando uma partida longa.
Muito longa.
⚔️ 28. Zeldris começa a ganhar humanidade
Zeldris poderia facilmente ser apenas:
irmão maligno do protagonista.
Mas não.
Sua história começa a revelar motivações.
Relacionamentos.
Lealdade.
Amor.
Especialmente através de:
Gelda.
E novamente a série destrói sua própria divisão moral.
Demônio ama.
Deusa mata.
Humano trai.
Fada erra.
Gigante muda.
Quanto mais avançamos, menos útil fica perguntar:
“qual raça é boa?”
🧓 29. Chandler e Cusack chegam
E quando parecia que já havia personagens poderosos demais...
entram:
Chandler
e
Cusack.
Dois demônios veteranos ligados respectivamente a:
Meliodas
e
Zeldris.
Eles representam uma geração anterior.
Experiência.
Poder.
Lealdades antigas.
E também outro problema narrativo:
a escala continua subindo.
Se ontem alguém parecia impossível...
hoje aparece o professor dele.
📈 30. Power creep.exe continua executando
Vamos consultar o monitor.
Primeira temporada:
Holy Knight forte.
Depois:
Pecado forte.
Depois:
Commandment muito forte.
Depois:
Meliodas muito mais forte.
Depois:
Escanor absurdamente forte.
Depois:
Arcanjos.
Depois:
Chandler.
Cusack.
Demon King.
Goddess Supreme.
...
A certa altura você começa a sentir saudade de quando cortar uma montanha era impressionante.
Esse é o problema clássico do shōnen.
Cada ameaça precisa superar a anterior.
Até que:
o universo inteiro vira unidade de medida.
🧠 31. Mensagem escondida: guerra fabrica monstros
Talvez esta seja a principal mensagem de Wrath of the Gods.
Não:
“demônios são monstros.”
Mas:
guerra transforma pessoas em monstros.
Ludociel justifica atrocidades.
Demônios cometem massacres.
Gowther altera memórias.
Gloxinia muda de lado.
Drole muda de lado.
Meliodas trai seu clã.
Elizabeth desafia o dela.
Cada personagem acredita possuir razões.
É exatamente isso que torna guerra interessante narrativamente.
Ninguém acorda dizendo:
— Hoje serei o vilão histórico.
Todo mundo acredita possuir uma justificativa.
🧠 32. Mensagem escondida: quem controla a memória controla a história
O arco envolvendo Mael/Estarossa leva isso ao extremo.
Se você consegue alterar:
memória,
identidade,
relações,
registros mentais,
então pode modificar:
a própria percepção do passado.
Não é necessário destruir documentos.
Basta alterar quem se lembra deles.
É quase um pesadelo epistemológico.
E surpreendentemente sofisticado para uma obra que também possui:
um porco falante fiscalizando restos de comida.
❤️ 33. Mensagem escondida: amor pode quebrar sistemas políticos
Meliodas e Elizabeth fazem algo aparentemente simples:
apaixonam-se.
Mas pertencem a lados incompatíveis.
Seu relacionamento ameaça estruturas inteiras porque prova:
o inimigo não é necessariamente aquilo que disseram que ele era.
Isso é perigosíssimo para qualquer sistema baseado em ódio coletivo.
Você pode ensinar:
“todos eles são monstros”.
Até alguém conhecer um deles.
🕊️ 34. Mensagem escondida: paz exige algo mais difícil que vitória
Vencer uma batalha é relativamente simples.
Existe um adversário.
Você derrota.
Fim.
Paz exige:
perdão,
negociação,
memória,
verdade,
convivência.
E principalmente:
parar de transmitir a guerra para a próxima geração.
King e Diane literalmente recebem a oportunidade de não repetir escolhas de seus antecessores.
Essa talvez seja a forma mais direta dessa mensagem.
🎭 35. O que Wrath of the Gods tem de diferente?
The Seven Deadly Sins era:
aventura.
Revival of the Commandments era:
escalada demoníaca.
Wrath of the Gods vira:
arqueologia mitológica.
O presente só pode ser entendido através do passado.
Descobrimos:
por que a guerra aconteceu,
quem Meliodas era,
quem Elizabeth era,
quem Estarossa realmente é,
como Gowther alterou o conflito,
por que certos personagens mudaram de lado,
e como os pecados de três mil anos atrás continuam executando processos no presente.
É quase um dump de memória de Britannia.
🎭 36. Gênero e classificação
A série continua fundamentalmente:
shōnen.
Os principais gêneros são:
ação, aventura, fantasia, drama, romance, sobrenatural e fantasia épica.
Mas esta temporada é consideravelmente mais sombria.
Temos:
guerra,
massacres,
mortes,
possessão,
maldições,
manipulação de memória,
violência,
tortura emocional
e relações amorosas bastante trágicas.
Dependendo do território e da plataforma, a classificação pode variar; portanto vale consultar a classificação exibida localmente pela plataforma.
📚 37. E o mangá?
Aqui existe um ponto importante para quem ficou decepcionado com o anime.
Leia o mangá.
Não porque o anime seja completamente inútil.
Mas porque várias sequências desta fase possuem muito mais impacto nos desenhos de Nakaba Suzuki.
O mangá principal possui 41 volumes, publicados pela Kodansha, e concluiu sua serialização em março de 2020. (Wikipédia)
A arte não sofre:
queda de frames,
cronograma de televisão,
terceirização,
ou um personagem acordando determinado episódio com o rosto aparentemente desenhado pelo sobrinho do animador.
📖 38. E as novels?
A franquia também possui romances derivados.
Eles expandem:
personagens,
passados,
histórias paralelas
e situações não necessariamente exploradas em profundidade pelo anime.
Mas novamente:
Wrath of the Gods não é adaptação de uma novel.
Sua fonte principal continua sendo o mangá de Nakaba Suzuki.
As novels pertencem ao ecossistema transmídia.
Não são a origem desta temporada.
🎮 39. E os games?
Durante essa fase, Nanatsu já era muito maior que anime e mangá.
A franquia possuía jogos como:
The Seven Deadly Sins: Knights of Britannia
e depois consolidaria sua presença mobile com:
The Seven Deadly Sins: Grand Cross.
Personagens dessa fase — especialmente:
Escanor,
Estarossa,
Zeldris,
King,
Meliodas demoníaco,
Merlin
e os Commandments —
são praticamente fabricados para videogame.
Formas alternativas.
Poderes.
Classes.
Golpes especiais.
Raridades.
O mangaká cria.
O departamento de gacha agradece.
🌍 40. Impacto cultural — aqui começa a grande cicatriz
Wrath of the Gods teve um impacto cultural peculiar.
Não foi simplesmente:
“temporada esquecida”.
Pelo contrário.
Ela é frequentemente lembrada.
Mas muitas vezes pelas razões erradas.
Sangue branco.
Meliodas versus Escanor.
Queda de animação.
Mudança de estúdio.
Isso é devastador porque o material narrativo dessa fase deveria produzir outra lista:
Mael.
Guerra Santa.
King.
Diane.
Maldição.
Meliodas e Elizabeth.
Goddess Clan.
Zeldris.
Gowther.
Mas a conversa pública frequentemente foi sequestrada pela produção.
💀 41. Talvez aqui Nanatsu tenha sofrido seu verdadeiro ferimento mortal
Não estou falando de audiência imediata.
Nem de vendas.
Nem de continuidade.
A franquia continuou.
Estou falando de:
prestígio.
Antes, Nanatsu era facilmente colocado entre os grandes shōnen populares de sua geração.
Depois desta temporada surgiu uma nova associação mental:
“aquele anime cuja animação ficou ruim.”
Isso é extremamente difícil de remover.
Porque reputação funciona como cache.
Depois que a entrada errada está lá...
você pode atualizar o servidor.
O usuário continua recebendo a versão antiga.
🎨 42. E isso aconteceu num momento particularmente cruel
Enquanto Nanatsu enfrentava esses problemas, a indústria estava mostrando ao público produções visualmente extraordinárias.
O espectador começava a esperar cada vez mais de:
coreografia,
efeitos,
fotografia,
animação de combate,
direção.
Então uma luta aguardadíssima como:
Meliodas × Escanor
chega naquele estado.
A comparação fica brutal.
Não necessariamente justa.
Mas inevitável.
🎼 43. Pelo menos a trilha continuou em boas mãos
A produção oficial credita:
Hiroyuki Sawano, KOHTA YAMAMOTO e Takafumi Wada. (Studio Deen)
Portanto o áudio continua frequentemente dizendo:
VOCÊ ESTÁ TESTEMUNHANDO O COLAPSO DE TRÊS MIL ANOS DE HISTÓRIA.
Mesmo quando o desenho ocasionalmente parece responder:
Entrega é sexta-feira e ainda faltam 700 cortes.
😂
A música continua sendo uma das grandes forças da franquia.
🧩 44. O paradoxo de Wrath of the Gods
Aqui está o que torna essa temporada tão frustrante.
Narrativamente:
é uma das fases mais importantes de Nanatsu.
Visualmente:
é uma das fases mais criticadas de Nanatsu.
Portanto temos uma situação absurda.
Quanto mais importante a cena...
maior a possibilidade de o leitor do mangá estar esperando algo extraordinário.
Quanto maior a expectativa...
mais dolorosa qualquer limitação da adaptação.
É uma tempestade perfeita.
🥋 45. Classificação Bellacosa Mainframe
Hora da auditoria.
História: 8,5/10
Mitologia: 9,5/10
Personagens: 8,5/10
Guerra Santa: 9/10
Meliodas e Elizabeth: 9/10
Mael/Estarossa: 9/10
King e Diane: 8,5/10
Trilha sonora: 9/10
Consistência visual: 5,5/10
Animação das grandes lutas: 5/10
Censura: 3/10
Sangue branco: leite/10
Material desperdiçado pela produção: dolorosamente alto.
Nota geral Bellacosa Mainframe:
⭐ 7,4/10
E essa nota possui um enorme asterisco.
A história é melhor que a temporada.
Se estivéssemos avaliando apenas o material narrativo original:
provavelmente subiria bastante.
Se avaliássemos exclusivamente a execução audiovisual de determinados episódios:
desceria.
🌀 46. Easter egg para quem chegou até aqui
Talvez exista uma ironia perfeita nesta temporada.
A história inteira fala sobre:
memória distorcida.
Estarossa não é quem todos lembram.
A Guerra Santa não foi exatamente aquilo que as pessoas acreditam.
Heróis e vilões foram redefinidos.
Memórias foram manipuladas.
O passado chegou ao presente numa versão defeituosa.
E o que aconteceu com a própria temporada?
Hoje muita gente quase não lembra:
da construção filosófica,
da tragédia de Elizabeth,
do dilema de King,
da história de Gloxinia,
da guerra entre clãs.
Lembra:
do sangue branco e da luta mal animada.
A própria memória coletiva de Wrath of the Gods foi distorcida.
Gowther ficaria orgulhoso.
☕ Epílogo — quando o problema não estava no COBOL
Imagine um sistema funcionando há anos.
A lógica é boa.
O algoritmo funciona.
Os dados estão corretos.
O negócio depende dele.
Então alguém troca:
infraestrutura,
pipeline,
equipe,
cronograma
e ambiente.
A aplicação começa a apresentar problemas.
Imediatamente alguém diz:
— Esse COBOL é uma porcaria.
O velho programador olha para a tela.
Olha para o café.
E responde:
— O programa é o mesmo de ontem.
Wrath of the Gods sofre exatamente dessa tragédia.
Nakaba Suzuki entregou uma das partes mais importantes de sua história.
A Guerra Santa.
A maldição.
Mael.
Estarossa.
Meliodas.
Elizabeth.
King.
Diane.
Gowther.
Zeldris.
Escanor.
Tudo estava lá.
Mas a adaptação não conseguiu sustentar consistentemente o peso daquele material.
E assim uma temporada que deveria ser lembrada como:
A REVELAÇÃO DA VERDADE SOBRE BRITANNIA
acabou parcialmente armazenada na memória coletiva como:
AQUELA DO SANGUE BRANCO.
Às vezes o maior inimigo de um anime não é o Demon King.
Não é a Goddess Supreme.
Não são os Ten Commandments.
É uma coisa muito mais poderosa.
Prazo de entrega.
E contra esse inimigo...
nem Escanor ao meio-dia possui Full Counter.
☕
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