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quarta-feira, 2 de agosto de 2023

🗄️ ALAN TURING E O Db2 DOS AGENTES — QUANDO DUAS IAs ESTÃO CERTAS EM REALIDADES DIFERENTES

 

Bellacosa Mainframe concorrencia e questoes de dados quem é relevante

☕ UM CAFÉ NO BELLACOSA MAINFRAME

🗄️ ALAN TURING E O Db2 DOS AGENTES — QUANDO DUAS IAs ESTÃO CERTAS EM REALIDADES DIFERENTES

Db2, agentes de IA, COBOL, SQL, ACID, transações, isolamento, locks, MVCC, dirty read, non-repeatable read, phantom read, lost update, optimistic concurrency, timestamps, versionamento, commit, rollback, contexto, temporalidade, proveniência, RAG — e o dia em que Alan Turing descobriu que uma inteligência artificial pode estar absolutamente certa sobre uma realidade que deixou de existir três segundos atrás.



🎬 PRÓLOGO — AS DUAS INTELIGÊNCIAS ESTAVAM CERTAS

Alan Turing entrou no CPD.

Dois pequenos agentes estavam discutindo.

O primeiro gritava:

— O cliente possui R$ 10.000!

O segundo respondia:

— Não! Ele possui R$ 2.000!

Turing olhou para o programador COBOL.

— Qual deles está errado?

— Um dos dois, obviamente.

Turing tomou um gole de café.

— Tem certeza?

Na tela havia:

AGENT-A
READ TIME..... 10:00:01
BALANCE....... 10000.00

Na outra:

AGENT-B
READ TIME..... 10:00:04
BALANCE....... 2000.00

Entre as duas leituras:

10:00:03
WITHDRAWAL.... 8000.00
COMMIT........ OK

Silêncio.

O jovem programador coçou a barba imaginária que todo programador mainframe adquire depois de alguns anos.

Turing perguntou novamente:

— Qual inteligência artificial estava errada?

O pequeno robô respondeu:

— Nenhuma.

— Exatamente.

E escreveu no quadro:

DADOS NÃO EXISTEM FORA DO TEMPO.

A primeira lição daquele dia seria desagradavelmente simples:

Ler um dado não significa possuir a verdade. Significa possuir uma observação feita em determinado momento e sob determinadas condições.

Bem-vindo ao Db2 dos Agentes.



🗄️ CAPÍTULO 1 — O BANCO DE DADOS NÃO É UM ARMÁRIO

Para quem está começando em COBOL, é tentador imaginar banco de dados como um enorme armário.

Existe uma gaveta:

CUSTOMER

Dentro dela:

CUSTOMER_ID
NAME
BALANCE
STATUS
CREDIT_LIMIT

O programa pergunta:

SELECT BALANCE
FROM CUSTOMER
WHERE CUSTOMER_ID = 12345;

Db2 responde:

10000.00

Pronto.

Verdade encontrada.

Só que não.

Em um sistema corporativo real, enquanto você lê 10000.00, outras coisas podem estar acontecendo.

Um caixa eletrônico pode sacar dinheiro.

Uma API pode registrar pagamento.

Um programa COBOL pode alterar o limite.

Outro agente pode atualizar o cadastro.

Um batch pode consolidar movimentos.

Uma transação CICS pode estar executando naquele exato instante.

O banco de dados não é uma fotografia imóvel.

É uma cidade viva.



🧠 CAPÍTULO 2 — LER NÃO É COMPREENDER

Imagine que nosso agente recebe:

CUSTOMER_ID = 12345
BALANCE     = 10000

E conclui:

Cliente possui recursos suficientes para uma compra de R$ 8.000.

Matematicamente:

10000 >= 8000

Correto.

Mas talvez exista:

PENDING_PAYMENT = 5000

ou:

AVAILABLE_BALANCE = 3000

ou uma regra dizendo:

ACCOUNT_STATUS = BLOCKED

O dado isolado estava correto.

A interpretação estava incompleta.

Esse problema é enorme para agentes.

LLMs são extraordinariamente bons em transformar informações em linguagem e relações.

Mas não devemos confundir:

DADO

com:

SIGNIFICADO DO DADO.

Um agente corporativo precisa conhecer:

  • semântica;

  • origem;

  • unidade;

  • validade;

  • relacionamento;

  • regras de negócio;

  • temporalidade.

BALANCE = 10000 sem contexto pode ser praticamente inútil.



📚 CAPÍTULO 3 — O COPYBOOK JÁ TENTAVA NOS AVISAR

Programadores COBOL convivem com isso há décadas.

Veja:

01  WS-CUSTOMER.
    05 WS-CUSTOMER-ID       PIC 9(09).
    05 WS-BALANCE           PIC S9(11)V99 COMP-3.
    05 WS-STATUS            PIC X.

O layout explica a representação.

Mas ainda não explica completamente o significado.

O que significa:

WS-STATUS = 'B'

?

Blocked?

Bankrupt?

Business?

Batman?

😂

Sem documentação, regra de negócio ou conhecimento do sistema, temos apenas um byte.

É por isso que sistemas antigos frequentemente possuem algo valiosíssimo:

CONHECIMENTO SEMÂNTICO.

Está espalhado por:

copybooks
programas COBOL
DDL
stored procedures
documentação
regras
manuais
pessoas

Para um agente entender dados corporativos, não basta entregar tabelas.

Precisamos entregar contexto.



⏰ CAPÍTULO 4 — O DADO TEM IDADE

Turing escreve:

VALUE = 10000

Depois pergunta:

— Quando?

O programador responde:

— Como assim?

Turing acrescenta:

VALUE = 10000
READ_AT = 10:00:01

Agora temos algo muito mais interessante.

Porque:

10:00:01 → 10000
10:00:03 → withdrawal 8000
10:00:04 → 2000

O dado envelheceu em três segundos.

Chamaremos informalmente isso de:

DATA FRESHNESS.

Ou frescor do dado.

Para algumas informações:

3 segundos

é praticamente tempo real.

Para outras:

3 segundos

é perigosamente velho.

Temperatura média anual?

Sem problema.

Saldo bancário antes de autorizar pagamento?

Problema.


🕰️ CAPÍTULO 5 — TODA DECISÃO POSSUI UMA JANELA TEMPORAL

Nosso agente faz:

10:00:01 READ CUSTOMER
10:00:02 CALL LLM
10:00:04 SEARCH DOCUMENT
10:00:07 ANALYZE
10:00:09 DECIDE

Ele tomou uma decisão às:

10:00:09

baseado em informação obtida às:

10:00:01.

Temos oito segundos de diferença.

Em alguns processos isso é irrelevante.

Em outros é enorme.

Podemos imaginar:

DECISION AGE = DECISION_TIME - DATA_READ_TIME

Nesse caso:

8 segundos.

Uma arquitetura de agentes deveria perguntar:

Quanto tempo uma observação continua válida para esta decisão?

Isso é tão importante quanto o timeout discutido no CICS dos Agentes.


⚛️ CAPÍTULO 6 — ACID ENTRA NA SALA

Quando falamos de bancos transacionais, encontramos a famosa sigla:

ACID

Ela representa quatro propriedades conceituais:

A — Atomicity
C — Consistency
I — Isolation
D — Durability

Vamos traduzi-las para nosso pequeno robô.


⚛️ CAPÍTULO 7 — ATOMICIDADE: TUDO OU NADA

Imagine transferência:

Conta A: -100
Conta B: +100

Não queremos:

Conta A: -100
Conta B: ERROR

A unidade lógica precisa ser tratada de forma coerente.

Ou todas as alterações da unidade de trabalho são confirmadas, ou as alterações não confirmadas precisam ser revertidas conforme a transação e os recursos envolvidos.

Conceitualmente:

BEGIN

DEBIT A
CREDIT B

COMMIT

Se ocorrer problema:

ROLLBACK

Nosso agente precisa entender que ações relacionadas não podem ser tratadas como frases independentes de uma conversa.


🧭 CAPÍTULO 8 — CONSISTÊNCIA: NÃO QUEBRE AS REGRAS DO UNIVERSO

Consistência significa que as operações devem respeitar as regras e invariantes estabelecidas pelo sistema.

Por exemplo:

STOCK >= 0

ou:

ORDER must reference valid CUSTOMER

ou regras implementadas em aplicações, constraints, triggers e outros mecanismos.

O agente pode dizer:

Parece razoável.

Db2 responde:

Não perguntei se parece razoável.

😂

O sistema possui regras.

Inteligência probabilística não substitui integridade transacional.


🧱 CAPÍTULO 9 — ISOLAMENTO: AQUI COMEÇA A DIVERSÃO

Agora chegamos ao ponto central.

Imagine duas transações:

TX-A
TX-B

executando simultaneamente.

Queremos controlar o quanto uma transação pode perceber dos efeitos da outra enquanto ambas estão em andamento.

Isso é parte do problema de:

ISOLATION.

Sem isolamento adequado, concorrência pode produzir resultados surpreendentes.

E agentes multiplicam esse problema porque podemos ter:

10 agentes
100 agentes
1.000 agentes

tomando decisões simultaneamente.


💾 CAPÍTULO 10 — DURABILIDADE: COMMIT NÃO É PROMESSA DE BAR

Quando uma transação é confirmada com sucesso, esperamos que seu resultado persistente sobreviva conforme as garantias oferecidas pelo sistema.

Ou seja:

COMMIT

não deveria significar:

Acho que gravei.

Significa que a alteração alcançou o ponto de confirmação definido pelo sistema transacional.

Para agentes corporativos isso importa muito.

O agente precisa diferenciar:

PLANNED

de:

EXECUTED

e:

COMMITTED.

São estados diferentes.


👻 CAPÍTULO 11 — DIRTY READ: O FANTASMA QUE AINDA PODE DESAPARECER

Imagine:

TX-A:
UPDATE ACCOUNT
SET BALANCE = 2000

Mas ainda não houve commit.

Outra transação consegue observar essa alteração sob condições que permitam leitura não confirmada.

Depois A faz:

ROLLBACK.

A informação que B viu desapareceu.

B tomou decisão sobre algo que nunca se tornou estado confirmado.

É a ideia de:

DIRTY READ.

Para um agente, isso pode ser especialmente perigoso.

Ele pode gerar uma explicação brilhante baseada em uma alteração que será desfeita segundos depois.


🔁 CAPÍTULO 12 — NON-REPEATABLE READ: EU JURO QUE ERA 10.000

Agente A lê:

BALANCE = 10000

Agente B altera:

BALANCE = 2000
COMMIT

A lê novamente:

BALANCE = 2000

A mesma consulta lógica produziu valores diferentes durante a execução da atividade.

O pequeno robô olha para Turing:

— Professor, o banco mentiu para mim!

— Não.

— Mas mudou!

— Exatamente.

O mundo mudou.

Essa é uma distinção filosófica e técnica importante:

Mudança não é inconsistência.

Às vezes o sistema está funcionando perfeitamente.

A realidade simplesmente evoluiu.


👥 CAPÍTULO 13 — PHANTOM READ: APARECEU OUTRO CLIENTE

Imagine:

SELECT COUNT(*)
FROM ORDERS
WHERE STATUS = 'PENDING';

Resultado:

10

Outra transação insere novo pedido pendente.

Você executa novamente.

11

Apareceu uma nova linha que satisfaz o predicado da consulta.

O conjunto observado mudou.

É o tipo de fenômeno associado ao famoso:

PHANTOM.

Para agentes que fazem análises sobre conjuntos de dados, isso importa bastante.

O agente pode perguntar:

Quantas solicitações aguardam aprovação?

A resposta pode envelhecer antes de terminar a frase.


💥 CAPÍTULO 14 — LOST UPDATE: DOIS AGENTES ESTAVAM CERTOS

Temos:

STOCK = 10

Agent-A lê:

10

Agent-B lê:

10.

A decide vender 3.

Calcula:

10 - 3 = 7

B decide vender 4.

Calcula:

10 - 4 = 6.

A grava:

7

B grava:

6.

A atualização de A pode ser efetivamente perdida dependendo da forma como a aplicação implementa a concorrência.

O valor correto deveria refletir ambas as operações:

3.

Dois agentes.

Duas contas matematicamente corretas.

Resultado corporativo errado.

Esse é um dos melhores exemplos de por que:

INTELIGÊNCIA NÃO RESOLVE CONCORRÊNCIA.


🔒 CAPÍTULO 15 — LOCKS: RESERVANDO UM PEDAÇO DA REALIDADE

Uma abordagem tradicional para coordenar concorrência utiliza locks.

Simplificando:

AGENT-A
LOCK ROW

Agora B precisa esperar dependendo da operação, isolamento e mecanismos envolvidos.

A altera.

UPDATE
COMMIT

Lock liberado.

B continua.

Isso pode proteger consistência.

Mas lembra do CICS dos Agentes?

Locks possuem custo.

Se o agente fizer:

LOCK CUSTOMER

CALL LLM

SEARCH WEB

READ 50 PDFs

ASK HUMAN

WAIT 20 MINUTES

o DBA provavelmente surgirá atrás dele segurando um manual do Db2 como arma contundente.


☠️ CAPÍTULO 16 — NÃO PENSE SEGURANDO O LOCK

Nossa regra retorna:

NÃO DEIXE O LLM PENSAR SEGURANDO LOCKS DESNECESSÁRIOS.

Uma arquitetura possível:

READ
↓
CAPTURE VERSION
↓
RELEASE TRANSACTIONAL RESOURCES
↓
THINK
↓
REVALIDATE
↓
SHORT UPDATE TRANSACTION
↓
COMMIT

Mas agora aparece uma pergunta:

Como sabemos se o dado mudou enquanto o agente pensava?

Excelente.

Entramos no próximo monstro.


🔢 CAPÍTULO 17 — VERSIONAMENTO

Imagine tabela conceitual:

CUSTOMER
────────────────────────
ID          12345
BALANCE     10000
VERSION     17

O agente lê:

VERSION = 17.

Vai pensar.

Enquanto isso outra transação altera o registro.

Agora:

VERSION = 18.

Nosso agente retorna e tenta atualizar.

Em vez de simplesmente:

UPDATE CUSTOMER
SET CREDIT_LIMIT = 5000
WHERE CUSTOMER_ID = 12345;

podemos usar uma estratégia de concorrência otimista:

UPDATE CUSTOMER
SET CREDIT_LIMIT = 5000,
    VERSION = VERSION + 1
WHERE CUSTOMER_ID = 12345
  AND VERSION = 17;

Se:

ROWS UPDATED = 1

ótimo.

Se:

ROWS UPDATED = 0

alguma coisa mudou.

Pare.

Releia.

Reavalie.


optimistic CAPÍTULO 18 — OPTIMISTIC CONCURRENCY

O nome vem da ideia:

Provavelmente ninguém vai alterar isto enquanto estou trabalhando.

Em vez de manter um lock durante todo o raciocínio, registramos a versão observada.

Depois verificamos se ainda é a mesma.

Fluxo:

READ VERSION 17
      ↓
THINK
      ↓
CHECK VERSION
      ↓
   ┌───────┐
   │       │
  17      18
   │       │
   ▼       ▼
UPDATE   STALE
        RELOAD

Isso combina muito bem com agentes.

Por quê?

Porque raciocínio de IA pode levar tempo e envolver recursos externos.

Não queremos manter uma transação aberta durante todo esse período.


🥖 CAPÍTULO 19 — O PÃO DE QUEIJO DA CONCORRÊNCIA

Turing coloca um pão de queijo sobre a mesa.

Diz ao Agent-A:

— Quantos existem?

— Um.

Agent-A vira para consultar o LLM sobre a composição nutricional do pão de queijo.

Agent-B chega.

Come o pão de queijo.

Agent-A volta.

— Decidi com 98,7% de confiança que devo comer o pão de queijo.

Turing aponta para o prato vazio.

Agent-A:

ERROR:
RESOURCE NOT FOUND

😂

Essa é concorrência otimista explicada no café.

Você não precisa segurar o pão durante quinze minutos.

Mas antes de mordê-lo:

VERIFIQUE SE ELE AINDA EXISTE.


📸 CAPÍTULO 20 — SNAPSHOT: UMA FOTOGRAFIA DA REALIDADE

Às vezes queremos que uma operação trabalhe sobre uma visão consistente dos dados.

Conceitualmente, podemos imaginar:

SNAPSHOT @ 10:00:00

O agente analisa aquela visão.

Mesmo que o mundo continue mudando, sabemos:

Esta análise corresponde à realidade observada naquele ponto ou contexto transacional.

Isso é extremamente útil.

Mas exige honestidade.

O resultado deveria dizer algo como:

ANALYSIS-AS-OF:
2026-09-27T10:00:00

e não:

CURRENT STATE.

Se os dados eram de dez minutos atrás, não chame de “agora”.


🕰️ CAPÍTULO 21 — “AS OF” PODE SER TÃO IMPORTANTE QUANTO O VALOR

Imagine um relatório:

RISK SCORE = 72

Pergunta:

— Baseado em quê?

Resposta:

CUSTOMER DATA..... 10:00
PAYMENTS........... 09:58
CREDIT BUREAU...... 08:00
CRM................ yesterday

Agora entendemos muito melhor o resultado.

Para agentes, deveríamos considerar metadados como:

SOURCE
READ_AT
VALID_AT
VERSION
TRANSACTION_ID
RUN_ID

Isso cria:

PROVENIÊNCIA TEMPORAL.

Não basta saber de onde veio.

Precisamos saber de quando veio.


🤖 CAPÍTULO 22 — O RAG TAMBÉM POSSUI RELÓGIO

Agora chegamos a algo delicioso.

RAG:

Retrieval-Augmented Generation

Em termos simples:

PERGUNTA
↓
BUSCA INFORMAÇÃO
↓
ENTREGA CONTEXTO AO MODELO
↓
MODELO RESPONDE

Fantástico.

Mas imagine recuperar:

POLITICA-CREDITO-2024.PDF

quando existe:

POLITICA-CREDITO-2026.PDF.

O modelo pode interpretar perfeitamente o documento errado.

A resposta pode ser:

linguisticamente excelente
logicamente coerente
tecnicamente obsoleta.

Isso é assustador.


📚 CAPÍTULO 23 — EMBEDDING NÃO SABE QUE A NORMA FOI REVOGADA

Busca semântica responde:

Este documento é parecido com sua pergunta.

Ela não necessariamente responde:

Este documento continua válido hoje.

Essas são perguntas diferentes.

Um sistema RAG corporativo pode precisar considerar:

EFFECTIVE_FROM
EFFECTIVE_TO
VERSION
STATUS
SUPERSEDED_BY
SOURCE
AUTHORITY

Imagine:

DOC A
Similarity = 0.97
Status = EXPIRED

e:

DOC B
Similarity = 0.91
Status = ACTIVE.

Qual deveria ganhar?

Não necessariamente A.

A relevância semântica é apenas uma dimensão.


🧭 CAPÍTULO 24 — VERDADE TAMBÉM PRECISA DE PROVENIÊNCIA

Nosso agente afirma:

O limite do cliente é R$ 20.000.

Pergunte:

SOURCE?

Depois:

WHEN?

Depois:

VERSION?

Depois:

COMMITTED?

Depois:

AUTHORIZED SOURCE?

Uma resposta corporativa forte deveria conseguir produzir evidências.

Por exemplo:

VALUE......... 20000
SOURCE........ DB2.CUSTOMER_LIMIT
KEY........... 12345
READ_AT....... 10:42:03
VERSION....... 882
RUN-ID........ A004821

Agora temos algo auditável.


🪪 CAPÍTULO 25 — O RUN-ID ENCONTRA O DATA VERSION

No JES2 dos Agentes criamos:

RUN-ID.

Agora podemos relacionar:

RUN-ID A004821

com:

CUSTOMER VERSION 882
DOCUMENT VERSION 17
RULESET VERSION 42
MODEL VERSION X

Isso responde uma pergunta extremamente importante:

Qual realidade o agente viu quando tomou esta decisão?

Sem isso, uma auditoria futura pode encontrar dados diferentes e perguntar:

— Como a IA chegou nessa conclusão absurda?

Talvez não fosse absurda.

Talvez os dados fossem outros naquele momento.


🧪 CAPÍTULO 26 — REPRODUZIR UMA DECISÃO DE IA É MAIS DIFÍCIL

Com programa COBOL determinístico:

INPUT X
+
PROGRAM VERSION Y
=
OUTPUT Z

frequentemente temos comportamento bastante reproduzível.

Com agente:

PROMPT
MODEL
TOOLS
DATA
DOCUMENTS
TIMING
CONVERSATION
POLICY

todos podem influenciar.

Portanto registrar apenas:

PROMPT

não basta.

Podemos precisar registrar referências para:

RUN-ID
MODEL VERSION
PROMPT VERSION
TOOL VERSION
DATA VERSION
DOCUMENT VERSION
POLICY VERSION
TIMESTAMPS
RESULT

Isso é observabilidade encontrando governança de dados.

SDSF encontra Db2.


🔄 CAPÍTULO 27 — REVALIDATE BEFORE COMMIT

Aqui está uma regra poderosa.

Nosso agente:

READ
↓
THINK
↓
DECIDE

Antes de alterar algo importante:

REVALIDATE

Depois:

COMMIT.

Fluxo completo:

READ STATE V17
      ↓
ANALYZE
      ↓
PROPOSE ACTION
      ↓
CHECK CURRENT STATE
      ↓
V17?
 │
 ├─ YES → EXECUTE → COMMIT
 │
 └─ NO  → RELOAD → REASON AGAIN

Essa talvez seja uma das regras mais importantes de todo o artigo.

NÃO CONFIE CEGAMENTE NO SNAPSHOT QUE INICIOU O RACIOCÍNIO.


👤 CAPÍTULO 28 — HUMAN-IN-THE-LOOP PIORA O PROBLEMA TEMPORAL

Imagine:

10:00
Agent recommends payment

Humano recebe:

Approve?

Vai almoçar.

Volta:

13:30

Clica:

APPROVE.

O agente não deveria simplesmente continuar a operação planejada três horas e meia atrás.

Precisa:

RELOAD
REVALIDATE
REAUTHORIZE
EXECUTE

Talvez o saldo mudou.

Talvez o cliente foi bloqueado.

Talvez a regra mudou.

Talvez outro operador já resolveu.

A aprovação humana confirma intenção.

Não necessariamente confirma que o estado antigo continua válido.


🚨 CAPÍTULO 29 — STALE CONTEXT

Vamos dar nome ao monstro:

STALE CONTEXT.

O contexto ficou velho.

Exemplo:

AGENT CONTEXT
CUSTOMER_STATUS = ACTIVE
READ_AT = 10:00

Agora:

CURRENT DATABASE
CUSTOMER_STATUS = BLOCKED
UPDATED_AT = 10:03.

Às 10:05 o agente ainda carrega:

ACTIVE.

Isso não é hallucination.

Não é necessariamente erro do LLM.

É contexto obsoleto.

Essa distinção é importantíssima.


🧯 CAPÍTULO 30 — NEM TODO ERRO DE IA É ERRO DA IA

Quando um agente produz resposta incorreta, investigue:

MODEL?
PROMPT?
RETRIEVAL?
DATA?
TIMING?
TOOL?
CACHE?
VERSION?

Talvez o modelo tenha raciocinado corretamente sobre dados ruins.

Talvez os dados fossem bons, mas velhos.

Talvez a ferramenta tenha retornado cache.

Talvez a consulta tenha usado uma réplica com defasagem.

Talvez o documento recuperado estivesse revogado.

“IA errou” pode ser diagnóstico preguiçoso.

Precisamos descobrir:

EM QUAL CAMADA A REALIDADE SE DESVIOU?


🗃️ CAPÍTULO 31 — CACHE É UMA MÁQUINA DO TEMPO

Cache melhora desempenho.

No CICS dos Agentes adoramos isso.

Em vez de consultar Db2:

20 ms

podemos obter:

2 ms.

Fantástico.

Mas existe preço.

O dado pode estar:

STALE.

Imagine:

CACHE TTL = 5 minutes

Para:

COUNTRY CODE

talvez ótimo.

Para:

AVAILABLE BALANCE

talvez terrível.

Portanto:

Cache não é simplesmente performance. É uma decisão sobre quanto passado aceitamos apresentar como presente.


🎯 CAPÍTULO 32 — FRESHNESS BUDGET

No CICS tínhamos:

LATENCY BUDGET.

Agora podemos imaginar:

FRESHNESS BUDGET.

Por exemplo:

PRODUCT DESCRIPTION..... 24h
CUSTOMER ADDRESS........ 5m
ACCOUNT BALANCE......... 1s
FRAUD STATUS............ 0s / revalidate

Não são números universais.

São decisões de negócio e arquitetura.

Mas o conceito é poderoso:

Quão velho este dado pode estar antes de deixar de ser aceitável?


📊 CAPÍTULO 33 — O PAINEL DO Db2 DOS AGENTES

Imagine nosso painel operacional:

RUN-ID......... A004821
AGENT.......... CREDIT-ANALYSIS

DATA SOURCES
────────────────────────────────────────
CUSTOMER        VERSION 882    AGE 0.4s
BALANCE         VERSION 991    AGE 0.1s
CRM             VERSION 441    AGE 2m
CREDIT-RULES    VERSION 42     AGE 3d
RAG-DOC         VERSION 17     AGE 4h

DECISION AGE.................. 2.8s
STALE SOURCES................. 0
OPEN TRANSACTION.............. NO
LOCKS HELD.................... 0
REVALIDATION REQUIRED......... YES

Agora estamos falando.

O operador consegue enxergar não apenas:

O QUE O AGENTE ESTÁ FAZENDO?

mas:

QUAL REALIDADE ELE ESTÁ VENDO?

🧰 CAPÍTULO 34 — CHECKLIST PARA AGENTES QUE TOMAM DECISÕES SOBRE DADOS

Antes de colocar um agente corporativo em produção, pergunte:

1. Qual é a fonte oficial?

Db2?
API?
RAG?
cache?

2. O dado possui timestamp?

Saiba quando foi observado.

3. Existe versão?

Use versionamento quando necessário.

4. Qual é o freshness budget?

Defina tolerância.

5. O agente mantém transação aberta enquanto pensa?

Evite.

6. Existem locks?

Minimize duração.

7. Pode haver concorrência?

Presuma que sim.

8. Existe optimistic concurrency?

Considere version checking.

9. A ação precisa ser revalidada?

Para ações críticas, quase certamente.

10. O RAG conhece validade documental?

Não use apenas similaridade.

11. Existe proveniência?

Registre origem.

12. Podemos reconstruir a decisão?

Associe dados, versões e RUN-ID.

13. O humano pode demorar para aprovar?

Revalide depois da aprovação.

14. O cache é permitido?

Defina TTL de acordo com semântica.

15. O resultado informa “as of”?

Quando relevante, deveria.


🥚 EASTER EGG — O AGENTE QUE ESTAVA 100% CERTO

02:14 da madrugada.

Telefone toca.

— Produção.

O operador atende.

— Temos problema.

— Qual?

— A IA aprovou uma operação que deveria ter recusado.

Abrem o trace.

RUN-ID A008817

Modelo respondeu corretamente.

Prompt correto.

Regra correta.

RACF correto.

Nenhuma hallucination.

Turing chega carregando café.

— Mostre os dados.

CUSTOMER_STATUS = ACTIVE

— Quando foram lidos?

Silêncio.

Procuram.

CACHE READ:
01:43:02

Turing olha o relógio.

02:14.

Consulta Db2:

CUSTOMER_STATUS = BLOCKED
UPDATE TIME     = 01:44:11

O agente estava usando uma informação de 31 minutos atrás.

O jovem programador diz:

— Então a IA errou.

Turing responde:

— Não.

Aponta para o cache.

— Nós entregamos o passado e perguntamos sobre o presente.

Silêncio.

No fundo do CPD, o DBA sorri.

Finalmente não era culpa do banco.


🧬 CAPÍTULO 35 — NOSSO MAINFRAME DOS AGENTES ESTÁ FICANDO INTERESSANTE

Agora nossa arquitetura conceitual possui:

RACF
↓
QUEM PODE?
PF3
↓
POSSO PARAR?
SDSF
↓
O QUE ESTÁ FAZENDO?
MAXCC
↓
FUNCIONOU?
WLM
↓
QUEM RECEBE RECURSOS?
JES2
↓
QUEM COMEÇA E QUANDO?
CICS
↓
QUANTO TEMPO O HUMANO PODE ESPERAR?

E agora:

Db2
↓
QUAL REALIDADE O AGENTE ESTÁ VENDO?

Isso muda tudo.


🏰 CAPÍTULO 36 — O SISTEMA OPERACIONAL CONCEITUAL DOS AGENTES

Turing desenha novamente:

                     HUMANO
                        │
                        ▼
                 ┌─────────────┐
                 │   REQUEST   │
                 └──────┬──────┘
                        │
               ┌────────┴────────┐
               │                 │
               ▼                 ▼
             CICS               JES2
         responda agora      trabalhe depois
               │                 │
               └────────┬────────┘
                        ▼
                       WLM
                        │
                       RACF
                        │
                        ▼
                      AGENT
                        │
           ┌────────────┼────────────┐
           ▼            ▼            ▼
          LLM          Db2          TOOLS
                        │
                        ▼
               CURRENT REALITY?

Ao redor:

SDSF
OBSERVE

CHECKPOINT
RESUME

PF3
STOP

MAXCC
VERIFY

RUN-ID
IDENTIFY

VERSION
VALIDATE

TIMESTAMP
WHEN?

O mainframe não está apenas nos ensinando como executar agentes.

Está nos ensinando a fazê-los sobreviver à realidade corporativa.


👴 CAPÍTULO 37 — O PROGRAMADOR COBOL JÁ VIU ESSE FILME

O mundo de IA está descobrindo:

agents
tool calls
state
concurrency
context
workflow

O programador COBOL olha e pensa:

Vocês descobriram processamento corporativo.

😂

Porque ele já viveu:

CICS
Db2
JES2
MQ
RACF
WLM
COMMIT
ROLLBACK
LOCK
RESTART

Claro que agentes introduzem problemas novos.

Modelos probabilísticos.

Context windows.

Embeddings.

RAG.

Tool selection.

Autonomia.

Mas muitos monstros operacionais são antigos.

E nós já temos cicatrizes deles.


☕ EPÍLOGO — QUAL REALIDADE VOCÊ ESTÁ VENDO?

Fim da tarde.

O pequeno agente recebe:

CUSTOMER_ID = 12345

Consulta:

BALANCE = 10000
VERSION = 882
READ_AT = 17:42:01

Começa análise.

Enquanto pensa:

17:42:02
WITHDRAWAL = 8000
COMMIT
VERSION = 883

O agente termina:

17:42:04

Antigamente responderia:

Operação aprovada. O cliente possui R$ 10.000.

Mas agora aprendeu.

Antes de agir:

CHECK VERSION 882

Db2 responde:

CURRENT VERSION = 883.

O robô para.

Relê.

BALANCE = 2000.

Reavalia.

Resultado:

DECISION = DENIED
REASON   = INSUFFICIENT FUNDS

Turing sorri.

— Muito bem.

O agente pergunta:

— Minha primeira análise estava errada?

Turing responde:

— Não.

— Então por que não usei?

— Porque ela estava correta para uma realidade que não existia mais.

O programador COBOL olha para o terminal.

Na tela:

RUN-ID........ A004821

READ VERSION.. 882
CURRENT....... 883

CONTEXT....... STALE
REVALIDATION.. REQUIRED

ACTION........ REEVALUATED
STATUS........ COMMITTED

Turing termina o café.

Antes de sair, escreve no quadro:

UMA IA NÃO PRECISA APENAS SABER A RESPOSTA.

Abaixo:

PRECISA SABER DE QUANDO É A RESPOSTA.

E finalmente:

SELECT
    VALUE,
    VERSION,
    TIMESTAMP
FROM
    REALITY
WHERE
    NOW = NOW;

O programador observa.

— Professor...

— Sim?

— Essa tabela não existe.

Turing sorri.

— Ainda.

No fundo do CPD, o DBA grita:

— E NEM INVENTA DE CRIAR EM PRODUÇÃO!

O pequeno robô fecha o terminal.

COMMIT;

E todos foram tomar café.

Porque no mainframe, no Db2 e no mundo dos agentes, existe uma verdade que sobrevive a qualquer geração tecnológica:

Uma decisão só é tão confiável quanto os dados, o contexto e o instante da realidade sobre os quais ela foi construída.

READY

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Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
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Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

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