sábado, 16 de março de 2024

🧾 JCL – Linha do Tempo Completa

 


🧾 JCL – Linha do Tempo Completa

Do cartão perfurado ao DevOps no z/OS



🧠 Antes do JCL (anos 1950 – início dos 60)

Contexto

  • Programas rodavam em batch puro, controlados manualmente.

  • Operadores plugavam cabos, montavam fitas, ajustavam switches.

  • Cada sistema tinha seu próprio “jeito” de rodar jobs.

📌 Problema:
Não existia uma linguagem padrão para dizer o que rodar, quando e com quais recursos.

👉 Solução da IBM: criar uma linguagem declarativa para controlar o sistema.


🟦 1964 – NASCE O JCL (OS/360)

Sistema: OS/360
Hardware: IBM System/360
Evento histórico: um único SO para toda a linha de hardware.

O que surge

  • JCL formalmente introduzido

  • Conceitos fundamentais:

    • //JOB

    • //EXEC

    • //DD

  • Sintaxe baseada em cartões perfurados

  • Colunas fixas, 80 caracteres, tolerância zero a erro

📌 Impacto

  • Pela primeira vez, o operador deixa de decidir tudo manualmente

  • O job descreve:

    • programa

    • datasets

    • dispositivos

    • prioridade

🧨 Easter Egg histórico

Fred Brooks (IBM) disse que JCL foi uma das linguagens mais difíceis já criadas —
mas impossível de abandonar.


🟨 1966–1971 – JCL no DOS/360 e OS/360 amadurece

Sistemas: DOS/360, OS/360 MFT/MVT

Evolução

  • Pequenas variações de JCL entre DOS e OS

  • Mais parâmetros em DD

  • Introdução de:

    • datasets temporários

    • concatenação

    • procedimentos simples

📌 Nota Bellacosa
Aqui nasce a primeira dor do mainframer:
👉 “Esse JCL roda no MVT mas não no DOS?”


🟧 1972–1974 – A Era do Virtual Storage (OS/VS → MVS)

Sistemas: OS/VS1, OS/VS2, depois MVS

O que muda no JCL

  • Nada quebra (compatibilidade total)

  • Mas o poder cresce:

    • mais steps

    • mais memória

    • mais jobs simultâneos

  • Procedures catalogadas se tornam padrão

  • JCL passa a ser infraestrutura crítica

📌 Marco invisível
O JCL deixa de ser “controle de job”
e vira linguagem de orquestração do datacenter.


🟥 Final dos anos 70 – JES2 / JES3

Subsistemas: JES2 e JES3

Evolução prática

  • JCL começa a dialogar mais com o spool

  • Controle refinado de:

    • SYSOUT

    • classes

    • prioridades

  • Ambientes multi-LPAR começam a surgir

🧠 Filosofia
JCL continua simples…
mas o ambiente em volta vira um monstro.


🟪 Anos 80 – Estabilidade Absoluta

Sistemas: MVS/XA, MVS/ESA

O que muda

  • Quase nada na sintaxe

  • Muitos novos parâmetros

  • JCL vira uma “linguagem fossilizada viva”

📌 Realidade
Um JCL de 1975 ainda roda.
Um COBOL também.
O estagiário não.


🟩 1995 – OS/390 (o JCL entra na era corporativa moderna)

Sistema: OS/390

Evolução

  • Consolidação:

    • MVS

    • JES

    • DFSMS

  • JCL passa a lidar fortemente com:

    • SMS

    • storage groups

    • políticas corporativas

📌 Mudança cultural
O JCL deixa de ser “do operador”
e vira ativo estratégico da empresa.


🟦 2000 – z/OS nasce (JCL entra no século XXI)

Sistema: z/OS 1.1

O que muda (sem quebrar nada)

  • Integração com:

    • Unix System Services (USS)

    • arquivos POSIX

  • JCL agora convive com:

    • shell scripts

    • Java

    • C/C++

  • Melhor controle condicional

📌 Importante
Nenhum “JCL 2.0”
Nenhuma revolução sintática
👉 só evolução silenciosa.


🟨 2005–2015 – JCL + Automação

Novidades

  • IF / THEN / ELSE / ENDIF no JCL

  • Mais lógica declarativa

  • Menos dependência de retorno via utilitários externos

📌 JCL começa a pensar
Não é programação…
mas já decide caminhos.


🟧 2016–2020 – JCL encontra o DevOps

Mudanças indiretas

  • JCL versionado em Git

  • Edição em VS Code (Z Open Editor)

  • Integração com pipelines

  • JCL analisado, validado, automatizado

🧠 Paradoxo
A linguagem mais antiga do datacenter
vira parte do pipeline moderno.


🟥 2020–2025 – JCL nos z/OS atuais (2.5, 3.x)

Situação atual

  • JCL continua:

    • estável

    • retrocompatível

    • crítico

  • Novos parâmetros continuam surgindo

  • Integração com:

    • Zowe

    • APIs

    • observabilidade

    • automação corporativa

📌 Verdade absoluta
Se o JCL parar,
o banco para.
O país sente.


🧭 Linha do tempo resumida

AnoSistemaEstado do JCL
1964OS/360JCL nasce
1974MVSJCL escala
1980sMVS/XA/ESAJCL estabiliza
1995OS/390JCL corporativo
2000z/OSJCL moderno
2010sz/OSJCL condicional
2020sz/OS 3.xJCL + DevOps

☕ Comentário final (Bellacosa Mode ON)

JCL não evoluiu para agradar desenvolvedores.
Evoluiu para não quebrar o mundo.

Enquanto linguagens vêm e vão,
o JCL permanece,
silencioso, feio, poderoso
e absolutamente indispensável.


quinta-feira, 14 de março de 2024

📜 O Retorno, Parte II — O Velho da Montanha e o Silêncio do Mundo

 


📜 O Retorno, Parte II — O Velho da Montanha e o Silêncio do Mundo
por El Jefe, Bellacosa Mainframe Edition

Dez anos se passaram desde o retorno.
O tempo fez o que sempre faz: apagou alguns rastros, aprofundou outros, deixou a alma com cicatrizes que só se sentem em dias de silêncio.

Cinquenta anos de idade — a curva do caminho onde o corpo desacelera, mas o pensamento ganha fôlego.
Hoje, olho pra trás e me vejo partindo em 2002, cheio de sonhos, cruzando o Atlântico com a cabeça leve e o coração aberto. O mundo parecia vasto, possível, ainda cheio de cores.
A Europa era o cenário, mas o enredo era meu.

Quando voltei, em 2014, o Brasil me pareceu um espelho embaçado.
Agora, dez anos depois, percebo que o mundo inteiro virou esse espelho — rachado, confuso, ruidoso.
Guerras, extremismos, ruínas políticas, falsos profetas de todas as ideologias.
Não existe mais aquele “lá fora” que um dia me encantou.
E o “aqui dentro” aprendeu a se defender ficando quieto.

A dorzinha ainda está aqui.
Não é grito, é suspiro.
Um incômodo discreto, desses que se sentam contigo no fim do dia e perguntam:
“Lembra de quem você era?”

Sim, lembro. E às vezes sinto falta.
Mas entre um voo e outro — Lisboa, Porto, Madrid, Paris — já aprendi que o retorno nunca mais será completo.
Hoje cruzo o oceano como turista, e talvez seja isso que me mantém são: saber que o passado continua lá, mas que não há mais casa possível no tempo.

Meu filho cresce em Portugal.
É estranho vê-lo seguir um caminho que parece o mesmo que um dia escolhi, mas com uma leveza que já não tenho.
Ele é o futuro, eu sou o arquivo — um dataset antigo, ainda funcional, mas lido apenas por quem entende a linguagem.

A política ficou pra trás.
As ilusões também.
Sobrou o professor, o consultor e o velho da montanha — meio ermitão, meio filósofo de estrada, vivendo longe da confusão, aprendendo a ouvir o som do vento e o ruído da própria respiração.

Descobri que a paz não é o oposto da guerra, é a arte de não participar dela.
E que o silêncio, esse companheiro fiel, é o mais honesto dos diálogos.

Hoje, se me perguntam se sou feliz, não sei responder.
Mas sei que sou inteiro — mesmo que em pedaços.
E isso, aos cinquenta, é uma forma de vitória.

☕️ Bellacosa Mainframe — porque algumas almas só rodam bem no modo batch, processando o tempo em silêncio.

domingo, 10 de março de 2024

🎌✨ Geek vs Otaku — Entenda as diferenças com estilo Bellacosa!



 🎌✨ Geek vs Otaku — Entenda as diferenças com estilo Bellacosa!

Ei, Padawan! Já percebeu que muita gente usa “geek” e “otaku” como se fossem a mesma coisa? Pois é, mas apesar de viverem no mesmo universo nerd, esses dois mundos têm regras próprias, culturas diferentes e origens cheias de curiosidades. Então prepara o café (ou o ramen 🍜) e vem comigo nessa viagem!

🧠 O que é ser Geek:
Ser geek é viver conectado com tecnologia, cultura pop, quadrinhos, filmes, games e gadgets. O geek é aquele que ama saber como as coisas funcionam — o tipo que desmonta o computador pra “dar uma olhadinha” e depois vira o herói da TI da família.
👉 Geek é o cientista, o gamer, o dev, o fã da Marvel e o entusiasta de ficção científica.

🎌 O que é ser Otaku:
O otaku vem da cultura japonesa e é o fã apaixonado por animes, mangás, doramas e cultura nipônica. A palavra “otaku” originalmente, no Japão, era usada pra se referir a pessoas muito reclusas e obcecadas por um tema — mas o Ocidente ressignificou tudo e transformou em orgulho cultural.
👉 Otaku é o que chora em Your Name, debate Naruto vs Luffy e sabe cantar todas as aberturas de Bleach.

📜 Origens rápidas:

  • “Geek” vem do alemão geck, que significava “esquisito” — e evoluiu pra “pessoa obcecada por tecnologia e cultura pop”.

  • “Otaku” vem do japonês お宅 (otaku), que significa literalmente “sua casa”, usado pra falar com formalidade — e virou gíria pra quem vive mergulhado em seus hobbies.

💡 Curiosidades do multiverso geek/otaku:

  • No Japão, chamar alguém de “otaku” ainda pode soar meio negativo. Já no Ocidente, é título de respeito.

  • Muitos geeks também são otakus — o crossover é real!

  • O Japão tem eventos gigantes como o Comiket, e o mundo geek tem a Comic-Con.

⚙️ Dica Bellacosa:
Quer o melhor dos dois mundos? Seja um Tech-Otaku, aquele que programa de dia e maratona Attack on Titan à noite. 😉

🌌 Resumo Jedi:

  • Geek = tecnologia, cultura pop e conhecimento.

  • Otaku = animes, mangás e cultura japonesa.
    Ambos vivem de paixões, curiosidade e um toque de loucura criativa — e isso é o que faz cada um de nós único nesse vasto universo nerd.

#BellacosaMainframe #GeekVsOtaku #PadawanCulture #NerdPower #OtakuLife

terça-feira, 5 de março de 2024

⚡ Quando o Homem Médio Desperta: Salarymen que Quebraram o Sistema nos Animes

 


⚡ Quando o Homem Médio Desperta: Salarymen que Quebraram o Sistema nos Animes

Durante décadas, o salaryman foi o retrato da obediência: o homem que não falava alto, não sonhava alto e não errava em público.
Mas em algum momento, o Japão — e o anime — começou a perguntar:
“E se ele simplesmente dissesse não?”


🕴️ O colapso do terno e gravata

A geração pós-guerra construiu o mito do trabalhador perfeito.
Mas os anos 90 trouxeram o colapso financeiro, a falência de empresas e a percepção de que o esforço cego não garantia segurança alguma.
O salaryman moderno herdou o script sem o final feliz — e começou a rasgá-lo.

Nos animes, essa ruptura aparece como despertar existencial, uma faísca que acende dentro da rotina automática.
Ele deixa de ser engrenagem e se torna indivíduo.
Às vezes pela raiva, às vezes pelo cansaço — mas sempre pela necessidade de existir de verdade.


🔥 Kintarō: o ex-gângster que virou executivo

Em “Salaryman Kintarō” (1999), o protagonista é tudo o que um salaryman tradicional não deve ser: impulsivo, emotivo, rebelde.
Ex-membro de uma gangue, ele entra em uma construtora e desafia o sistema hierárquico com honestidade brutal.
Kintarō não joga o jogo da política corporativa — ele o explode.
Sua presença é quase mítica: o homem que mostra que coragem e moral ainda podem sobreviver no asfalto corporativo.


🎤 Aggretsuko: o grito no karaokê

Retsuko é a versão milennial do salaryman: uma contadora de 25 anos, explorada, exausta e obrigada a sorrir o tempo todo.
Quando o expediente acaba, ela vai para uma cabine de karaokê e canta death metal.
A voz dela é o grito contido de uma geração inteira.
Em meio ao caos, Retsuko não destrói o sistema — mas o enfrenta à sua maneira, transformando dor em arte.
É a rebelião cotidiana, disfarçada de desabafo.


🧠 Satou (NHK ni Youkoso!): o que acontece quando o colapso é interno

Satou, o protagonista de “NHK ni Youkoso!” (2006), é o salaryman que desistiu antes mesmo de começar.
Trancado em casa, preso a teorias conspiratórias e vícios, ele é o retrato do colapso psicológico de uma geração que não conseguiu se adaptar ao modelo de sucesso japonês.
O despertar de Satou não é heroico — é doloroso, vacilante, humano.
Ele não quer mais ser parte do sistema, mas também não sabe como existir fora dele.
Seu maior inimigo é o próprio vazio.


💻 “Eden of the East”: o jovem executivo e a moral em ruínas

Em “Higashi no Eden” (2009), Akira Takizawa acorda nu, com amnésia e um celular cheio de dinheiro.
Descobre que faz parte de um jogo onde 12 pessoas podem “salvar o Japão” usando bilhões de ienes.
A série transforma o salaryman em um hacker, messias e terrorista ao mesmo tempo — uma alegoria da rebelião digital contra a burocracia e o conformismo.


🏙️ O despertar silencioso

Nem todo despertar é explosivo.
Às vezes, o homem médio desperta em silêncio — um pequeno gesto de resistência:
dizer “não” ao nomikai obrigatório,
ir pra casa mais cedo,
confessar que está cansado,
ou simplesmente lembrar quem era antes do crachá.

Animes como “Tokyo Godfathers”, “Shinya Shokudō” e “Midnight Occult Civil Servants” mostram personagens que encontram sentido nas margens da vida urbana — um prato quente, um gesto de compaixão, uma conversa após o expediente.
É a revolução em escala humana.


🌅 O novo arquétipo

Hoje, o salaryman nos animes não é apenas símbolo de submissão — é um terreno fértil de transformação.
Ele é o homem comum que cansou de sobreviver.
Que percebeu que o sistema não o salvará, mas que ainda assim pode salvar algo: sua dignidade, seus sonhos, seu riso.

O despertar não é gritar contra o mundo.
É recusar o automático.
É abrir os olhos dentro do trem e notar que há uma cidade inteira lá fora esperando — e que o herói da história, finalmente, pode ser ele mesmo.

domingo, 3 de março de 2024

🧠✨ O que é ser Geek? A jornada nerd do século XXI!



 🧠✨ O que é ser Geek? A jornada nerd do século XXI!

Padawan, senta aí com teu café e teu boneco do Darth Vader porque hoje o papo é sobre o termo que virou estilo de vida: ser geek.

Lá pelos anos 1950, “geek” era uma palavra usada pra zoar os nerds de óculos fundo de garrafa que passavam o recreio lendo quadrinhos. Mas o jogo virou — e hoje ser geek é status. É ser curioso, apaixonado por tecnologia, cultura pop, ficção científica, animes, games, gadgets e tudo o que envolve criatividade e conhecimento.

👾 Origem:
A palavra vem do alemão “geck”, que significava “bobo” ou “esquisito”. Com o tempo, virou “geek” em inglês e ganhou outro sentido — o do cara (ou mina!) que entende pra caramba de um assunto e se orgulha disso.

💾 Cultura geek é tipo um multiverso:

  • Tem o pessoal dos animes e mangás (otakus com orgulho!)

  • A galera dos games e RPGs, com dados de 20 lados e histórias épicas

  • Os fãs de Star Wars, Marvel, DC, e tudo que envolve heróis e anti-heróis

  • Os techies que vivem mexendo em código, hardware ou inteligência artificial

💡 Curiosidades que só um geek saberia:

  • O Star Wars Day é comemorado em 4 de maio (“May the Fourth be with you”).

  • O primeiro computador pessoal custava o preço de um carro.

  • “The Big Bang Theory” é praticamente uma homenagem à vida geek moderna.

⚙️ Dica Bellacosa:
Ser geek não é saber tudo — é amar aprender. É se empolgar com o novo, rir das próprias referências obscuras e compartilhar o que você descobre.

🎮 No final das contas...
Ser geek é uma forma de se conectar com o mundo e com quem compartilha as mesmas paixões. Então, da próxima vez que te chamarem de geek... agradece. É um elogio épico, jovem Padawan.

#BellacosaMainframe #GeekLife #NerdPower #PadawanCulture