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domingo, 25 de maio de 2025

🤖 A IA do Guia do Mochileiro das Galáxias

Bellacosa Mainframe apresenta a IA e o Deep Trought do Guia do Mochileiro das Galaxias

🤖 A IA do Guia do Mochileiro das Galáxias

Buzzwords, Deep Thought, mainframes e o déjà-vu tecnológico

(ao estilo Bellacosa Mainframe)

Se existe um livro que todo mainframer, mesmo sem saber, já leu em espírito, esse livro é O Guia do Mochileiro das Galáxias. Não é só ficção científica. É documentação técnica disfarçada de humor britânico, escrita por alguém que claramente já sofreu com sistemas, respostas inúteis e gestores fascinados por palavras da moda.

Douglas Adams não escreveu sobre IA como promessa. Ele escreveu sobre IA como espelho da humanidade. E isso, meus caros, é muito mais perigoso.


🧠 Deep Thought: a primeira IA corporativa da história

Vamos começar pelo elefante na sala: Deep Thought.

Deep Thought é apresentado como a maior e mais poderosa IA já criada. Seu propósito? Responder a Pergunta Fundamental sobre a Vida, o Universo e Tudo Mais.

Soa familiar?

Troque isso por:

  • “IA estratégica”

  • “Plataforma cognitiva”

  • “Modelo fundacional”

  • “IA generativa corporativa”

…e você tem exatamente o mesmo pitch que vemos hoje.

O problema?

Ninguém sabia qual era a pergunta.

E aqui está o primeiro tapa de luva de pelica de Douglas Adams:
👉 não adianta ter a resposta se você não sabe formular o problema.

Todo mainframer entende isso.
Já viu batch rodando perfeitamente… processando dado errado?


🔢 A resposta é 42: quando a IA entrega o que foi pedido (não o que era necessário)

Depois de 7,5 milhões de anos de processamento (tempo típico de projeto estratégico mal definido), Deep Thought entrega sua resposta:

42

A reação? Frustração, raiva, incredulidade.

Mas Deep Thought não errou. Ele foi preciso. Ele entregou exatamente aquilo que foi solicitado.

Isso é IA raiz.

Paralelo com hoje

  • Modelos de IA atuais respondem estatisticamente

  • Eles não entendem contexto humano

  • Eles não questionam objetivos

  • Eles não dizem “isso não faz sentido”

Assim como Deep Thought, a IA moderna não pensa. Ela executa.

E aqui entra o olhar mainframe:

IA sem governança é só um batch muito rápido rodando no dataset errado.


🖥️ A Terra como computador: Sysplex biológico mal documentado

Quando Deep Thought percebe a falha, ele propõe algo genial (e aterrador):

Criar um computador ainda maior para descobrir qual é a pergunta.

Esse computador é… a Terra.

A Terra, no universo de Adams, é:

  • Um sistema distribuído

  • Com bilhões de “processos” (humanos)

  • Rodando em paralelo

  • Sem documentação

  • Sem versionamento

  • Sem plano de rollback

Ou seja:
👉 um Sysplex sem manual, sem RACF e com usuários root soltos.

Qualquer mainframer sente o calafrio.


🤯 IA hoje: Deep Thought com GPU e marketing agressivo

Avança para 2020+.

Temos:

  • LLMs

  • Transformers

  • GPUs

  • Cloud infinita

  • Dashboards lindos

  • E apresentações cheias de buzzwords

Mas no fundo?

🔁 O mesmo ciclo:

  1. Não sabemos exatamente o problema

  2. Jogamos IA em cima

  3. Ficamos impressionados com respostas

  4. Descobrimos limitações

  5. Criamos mais buzzwords

Douglas Adams já avisava:

quanto mais poderosa a máquina, maior a ilusão de que ela sabe o que está fazendo.


🧩 Buzzword: o verdadeiro vilão da história

Agora vamos ao ponto que dói.

Buzzword é o Vogon corporativo

No Guia, os Vogons são burocratas que:

  • Falam difícil

  • Criam regras sem sentido

  • Não se importam com impacto

  • Executam ordens cegamente

Troque Vogon por:

  • Evangelista de IA

  • Consultoria PowerPoint

  • Influencer tech

  • “Especialista” de LinkedIn

Buzzwords são:

  • “IA cognitiva”

  • “Inteligência autônoma”

  • “Consciência artificial”

  • “IA que pensa”

Tudo isso é… poesia Vogon.

Mainframers sabem:

Tecnologia boa não precisa de adjetivo. Ela funciona.


🧮 Mainframe x IA: quem realmente pensa?

Aqui entra um ponto impopular.

O mainframe nunca prometeu pensar.

Ele promete:

  • Consistência

  • Confiabilidade

  • Previsibilidade

  • Segurança

  • Escala

Já a IA moderna promete:

  • Criatividade

  • Inteligência

  • Autonomia

  • Decisão

  • Substituição humana

Quem está sendo honesto?

Deep Thought nunca fingiu ser humano.
Ele apenas executou sua função com perfeição lógica.


🎌 Anime, IA e o mesmo dilema filosófico

Para quem gosta de anime, o paralelo é imediato:

  • Ghost in the Shell: o que é consciência?

  • Serial Experiments Lain: onde termina o humano?

  • Psycho-Pass: quem decide o que é correto?

  • Evangelion: sistemas gigantes controlados por humanos quebrados

Douglas Adams estava falando da mesma coisa, só que rindo.


🛠️ O papel do humano: operador, não espectador

No mundo do Guia, o problema nunca foi a IA.

Foi:

  • Expectativa errada

  • Pergunta mal formulada

  • Transferência de responsabilidade

  • Fascínio cego por tecnologia

Isso é assustadoramente atual.

IA não substitui:

  • Arquitetura

  • Análise

  • Ética

  • Experiência

  • Contexto

Ela amplifica — para o bem ou para o mal.


☕ Conclusão: sempre leve uma toalha (e um manual técnico)

O Guia do Mochileiro das Galáxias não é contra tecnologia.
Ele é contra fé cega em tecnologia.

Como mainframers, aprendemos cedo:

  • Leia o manual

  • Entenda o sistema

  • Desconfie de promessas mágicas

  • Teste, valide, audite

E como fãs de anime, sabemos:

  • Toda IA poderosa revela mais sobre o humano do que sobre si mesma

Deep Thought não falhou.
Nós falhamos ao esperar que ele resolvesse nossa bagunça existencial.

No fim, a maior lição de Adams é simples e cruel:

Não é a IA que precisa evoluir. Somos nós.

E enquanto isso, cuidado com os buzzwords.
Eles costumam chegar antes da demolição do planeta.

🧠🚀☕


sábado, 1 de maio de 2021

Douglas Adams: o Homem que Descobriu que o Universo Rodava em Produção sem Documentação

 


☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Douglas Adams: o Homem que Descobriu que o Universo Rodava em Produção sem Documentação

🌌 Vida, obra, computadores, toalhas, rinocerontes, prazos impossíveis e a curiosa história do escritor que parecia ter escapado de um dos próprios livros

DON'T PANIC.

Há escritores que criam personagens.

Há escritores que criam universos.

E há Douglas Adams, que conseguiu realizar uma façanha consideravelmente mais improvável:

criou um universo tão parecido consigo mesmo que, depois de algum tempo, ficou difícil descobrir onde terminava Douglas Adams e começava O Guia do Mochileiro das Galáxias.

Ele era enorme.

Literalmente.

Tinha quase dois metros de altura.

Gostava de computadores, guitarras, ciência, tecnologia, carros, animais, viagens, ideias absurdas e prazos — embora sua relação com estes últimos fosse comparável à relação de um programa COBOL de 1973 com uma especificação OpenAPI.

Sabia que existiam.

Reconhecia sua importância.

Mas preferia encontrá-los passando rapidamente ao longe.

Douglas Noël Adams nasceu em Cambridge, Inglaterra, em 11 de março de 1952, estudou em Brentwood e depois literatura inglesa no St John's College, Cambridge. Antes de se tornar mundialmente famoso, passou por uma coleção de empregos e experiências que parecem ter sido escolhidos por um gerador aleatório de profissões: escritor, produtor de rádio, roteirista, performer e, em certos períodos, trabalhos completamente distantes da carreira literária. (Douglas Adams)

Mais tarde escreveria para Monty Python, trabalharia em Doctor Who, criaria Dirk Gently, se apaixonaria por computadores, ajudaria causas ambientais, desenvolveria jogos e acabaria criando uma das obras mais deliciosamente absurdas da cultura pop.

Tudo isso antes de morrer, inesperadamente, em 2001, aos 49 anos.

Mas começar pelo fim seria terrivelmente organizado.

E Douglas Adams provavelmente desconfiaria disso.

Portanto:

pegue sua toalha.

Vamos começar pelo lugar mais apropriado.

No meio do caos.



🌍 CAPÍTULO 1

Um inglês de quase dois metros tentando descobrir o que fazer da vida

Douglas Adams não surgiu magicamente carregando um exemplar do Guia do Mochileiro das Galáxias.

Antes do sucesso houve algo que todo programador conhece muito bem:

tentativa
erro
tentativa
erro
boletos e conta para pagar
tentativa
erro
ideia estranha
tentativa

Em Cambridge, Adams se envolveu com o ambiente de comédia estudantil e com o Footlights, tradicional celeiro britânico de humoristas.

Seu interesse era escrever comédia.

Não exatamente ficção científica.

Essa distinção é importante.

Adams chegou a explicar que se considerava fundamentalmente um escritor de comédia, usando os mecanismos da ficção científica para satirizar praticamente todo o resto. (Enciclopédia)

Isso explica muita coisa.

As naves espaciais são cenário.

Os alienígenas são ferramentas.

Os computadores gigantes são piadas.

O verdadeiro assunto é:

nós.

A burocracia.

A arrogância.

A tecnologia.

O governo.

A religião.

A economia.

Os restaurantes.

As filas.

Os formulários.

Os especialistas.

E principalmente nossa incrível capacidade de construir sistemas complicadíssimos para resolver problemas que talvez não precisassem existir.

Um programador mainframe reconhece imediatamente esse universo.



🐍 CAPÍTULO 2

Antes das galáxias havia Monty Python

Existe uma conexão maravilhosa entre Adams e Monty Python.

Ele trabalhou com Graham Chapman e conseguiu créditos no programa.

Douglas está inclusive entre o pequeno grupo de pessoas externas ao núcleo principal do Python que recebeu crédito de roteiro na série original. Também apareceu rapidamente diante das câmeras em episódios da quarta temporada.

E aqui encontramos parte do código-fonte de seu humor.

Imagine:

Monty Python
     +
ficção científica
     +
rádio BBC
     +
filosofia
     +
burocracia britânica
     +
computadores
     +
chá
     +
um sujeito olhando para o universo e perguntando:

"Mas quem aprovou essa arquitetura?"

Resultado:

Douglas Adams.

Seu nonsense não era simplesmente aleatório.

Essa é uma das grandes lições para quem tenta imitá-lo.

Por trás do absurdo existe lógica.

Uma lógica impecável.

O problema é que a premissa inicial é completamente insana.



📺 CAPÍTULO 3

Doctor Who entra no CPD

Antes e durante a explosão de Hitchhiker's, Adams também trabalhou em outra instituição britânica:

Doctor Who.

Foi roteirista e chegou a atuar como script editor da série.

Entre suas contribuições estão histórias relacionadas a:

  • The Pirate Planet;

  • City of Death;

  • Shada;

  • e trabalhos na temporada 17.

Isso é importantíssimo para entender Adams.

Porque Doctor Who permitia exatamente aquilo de que ele gostava:

pegar uma ideia filosófica absurda...

...transformá-la em problema tecnológico...

...colocar personagens britânicos no meio...

...e observar a civilização entrar em pane.

Em outras palavras:

produção.


🚀 CAPÍTULO 4

O Guia nasceu no rádio

Aqui existe uma curiosidade maravilhosa para uma geração acostumada a pensar primeiro em livros.

O Guia do Mochileiro das Galáxias não nasceu como livro.

Nasceu como programa de rádio da BBC Radio 4.

A primeira transmissão aconteceu em março de 1978. (Douglas Adams)

Depois veio praticamente tudo:

RÁDIO
 ↓
LIVROS
 ↓
TV
 ↓
DISCOS
 ↓
TEATRO
 ↓
JOGO DE COMPUTADOR
 ↓
FILME
 ↓
mais adaptações
 ↓
fãs discutindo cronologia
 ↓
42

O próprio site dedicado à obra de Adams registra essa extraordinária multiplicação de formatos. (Douglas Adams)

Portanto, chamar Hitchhiker's simplesmente de "uma série de livros" é quase como chamar z/OS de editor de texto.

Tecnicamente há texto envolvido.

Mas estamos omitindo alguns detalhes.


🌍 CAPÍTULO 5

Arthur Dent: o homem que só queria sua casa

E aqui encontramos nosso primeiro suspeito de ser Douglas Adams disfarçado.

Arthur Dent.

Arthur não é Luke Skywalker.

Não quer salvar a galáxia.

Não possui poderes.

Não tem treinamento Jedi.

Não descobriu ser herdeiro de nenhuma dinastia.

Arthur gostaria basicamente de:

ter sua casa
tomar chá
entender o que está acontecendo

Infelizmente, o universo possui outros planos.

Sua casa será demolida para construir uma estrada.

Pouco depois...

a Terra será demolida para construir uma via expressa hiperespacial.

E essa simetria contém Douglas Adams inteiro.

O indivíduo é esmagado pela burocracia local.

A humanidade inteira é esmagada pela burocracia cósmica.

A escala muda.

A estupidez administrativa permanece perfeitamente compatível.


📋 CAPÍTULO 6

Vogons: o verdadeiro terror do universo

Esqueça monstros.

Esqueça Daleks.

Esqueça invasões alienígenas.

Adams compreendeu algo muito mais assustador.

O formulário.

Os Vogons representam uma das maiores contribuições da literatura para a compreensão da burocracia.

Eles não precisam odiar você.

Isso seria pessoal demais.

Eles possuem:

procedimentos.

regulamentos.

autorizações.

protocolos.

E provavelmente algum equivalente galáctico do:

TICKET STATUS: CLOSED
REASON:
WORKING AS DESIGNED

A Terra será destruída?

Lamentável.

Os planos estavam disponíveis.

Você não consultou?

Problema seu.

Qualquer pessoa que já tenha enfrentado uma mudança corporativa aprovada por quinze departamentos reconhecerá imediatamente a espécie.


📚 CAPÍTULO 7

A trilogia de cinco livros

Douglas Adams também conseguiu melhorar a matemática.

Sua famosa "trilogia" acabou composta por cinco romances escritos por ele:

1. The Hitchhiker's Guide to the Galaxy

1979

2. The Restaurant at the End of the Universe

1980

3. Life, the Universe and Everything

1982

4. So Long, and Thanks for All the Fish

1984

5. Mostly Harmless

1992

O site oficial registra a sequência e suas datas, incluindo o sucesso comercial extraordinário da série. (Douglas Adams)

Uma trilogia com cinco livros.

Porque quando você criou uma piada cósmica sobre a incapacidade humana de organizar a realidade, seria decepcionante começar obedecendo à aritmética.


🧠 CAPÍTULO 8

Deep Thought

Então chegamos ao computador.

Naturalmente.

Uma civilização deseja descobrir a resposta para:

A Vida, o Universo e Tudo Mais.

Portanto constrói um supercomputador chamado:

Deep Thought

Ele calcula.

Durante aproximadamente:

7,5 milhões de anos.

Finalmente encontra a resposta.

E a resposta é:

42

(The Guardian)

Maravilhoso.

Mas existe um pequeno problema.

Ninguém sabe exatamente qual era a pergunta.

E essa talvez seja uma das melhores piadas já escritas sobre computação.

Porque qualquer veterano de TI reconhece imediatamente:

RESULTADO CORRETO
+
REQUISITO ERRADO
=
PROJETO CORPORATIVO

💾 CAPÍTULO 9

Deep Thought era um mainframe?

Douglas nunca precisou chamá-lo assim.

Mas permita que Bellacosa abra uma Change Request absolutamente não autorizada.

Deep Thought possui:

  • processamento centralizado;

  • workload gigantesco;

  • disponibilidade medida em eras geológicas;

  • usuários que não entendem os requisitos;

  • documentação aparentemente insuficiente;

  • projeto com duração de milhões de anos;

  • resposta tecnicamente correta;

  • cliente insatisfeito.

Senhoras e senhores:

isso é enterprise computing.

Só faltou:

IEF142I DEEPTHOT STEP42 - STEP WAS EXECUTED - COND CODE 0000

E algum gerente perguntar:

— Então podemos desligar?

Não.

Porque agora precisamos calcular a pergunta.


🌎 CAPÍTULO 10

A Terra era o segundo computador

E aqui Adams melhora ainda mais a piada.

Para descobrir a pergunta correspondente à resposta 42, é construído um computador ainda mais sofisticado.

Chamado:

Terra.

Sim.

Nós.

O planeta inteiro.

Um sistema computacional gigantesco.

Executando durante milhões de anos.

Até que...

pouco antes de terminar o processamento...

os Vogons destroem a máquina.

Se isso não parece um projeto de TI cancelado três semanas antes do go-live depois de oito anos de desenvolvimento, você ainda não trabalhou tempo suficiente em uma grande organização.


🐟 CAPÍTULO 11

Babel Fish

Outra criação genial:

Babel Fish.

Um pequeno peixe capaz de permitir comunicação entre idiomas.

Décadas depois, "Babel Fish" tornou-se referência cultural para sistemas de tradução automática; serviços tecnológicos chegaram a adotar diretamente o nome inspirado na criação de Adams. (Estante Virtual)

Hoje olhamos para tradução automática e IA generativa e pensamos:

Douglas provavelmente passaria quinze minutos fascinado.

Depois perguntaria:

— Muito interessante. Agora quantos bilhões gastamos construindo máquinas para podermos finalmente discutir com estrangeiros em tempo real?

E sairia procurando café.


🕵️ CAPÍTULO 12

Dirk Gently

Mas reduzir Adams ao Guia seria injusto.

Ele também criou outro personagem extraordinário:

Dirk Gently.

As principais obras são:

  • Dirk Gently's Holistic Detective Agency — 1987;

  • The Long Dark Tea-Time of the Soul — 1988.

(Simon & Schuster)

Dirk acredita na:

interconectividade fundamental de todas as coisas.

O método investigativo dele poderia ser resumido assim:

tudo está conectado
 ↓
portanto qualquer pista pode importar
 ↓
inclusive aquela completamente absurda
 ↓
especialmente aquela completamente absurda

Qualquer analista investigando um incidente em produção às três da manhã entende perfeitamente.

O Db2 está lento.

Por quê?

Porque houve alteração no storage.

Por quê?

Porque um processo batch mudou.

Por quê?

Porque alguém alterou um parâmetro.

Por quê?

Porque houve migração seis meses atrás.

Por quê?

Porque...

Dirk sorri.

Interconectividade fundamental de todas as coisas.


🌳 CAPÍTULO 13

Last Chance to See

Existe ainda outro Douglas Adams.

Menos conhecido.

E talvez ainda mais interessante.

O ambientalista.

Com o zoólogo Mark Carwardine, Adams participou do projeto que resultaria em:

Last Chance to See

Uma viagem para encontrar espécies ameaçadas de extinção.

Não era simplesmente comédia.

Era conservação.

Era ciência.

Era encantamento diante da biodiversidade.

Adams tornou-se patrono fundador da Save the Rhino e chegou, em 1994, a participar de uma subida ao Kilimanjaro envolvendo uma fantasia de rinoceronte para ajudar a arrecadar dinheiro e conscientização. (Save the Rhino)

Pare por alguns segundos.

O homem que escreveu sobre um peixe tradutor universal...

subiu uma montanha...

vestido de rinoceronte...

para tentar salvar rinocerontes reais.

Douglas Adams não precisava inventar um personagem chamado Douglas Adams.

A produção já estava suficientemente absurda.


🍎 CAPÍTULO 14

Douglas Adams, o nerd

Aqui nossa história fica particularmente interessante.

Douglas Adams adorava tecnologia.

Computadores não eram apenas ferramentas de escrita para ele.

Eram brinquedos intelectuais.

O Macintosh o fascinou.

Ele foi um dos primeiros entusiastas britânicos da plataforma e manteve enorme interesse por computadores pessoais e tecnologias digitais. (Wikipedia)

Lembre-se da época.

Estamos falando dos anos 1980 e 1990.

Quando dizer:

"computadores vão mudar nossa maneira de comunicar, criar e pensar"

ainda não era frase obrigatória de keynote.

Adams percebeu cedo que computadores poderiam ser meios culturais.

Não apenas calculadoras.


🎮 CAPÍTULO 15

E naturalmente ele fez jogos

Em 1984 surgiu o jogo baseado em:

The Hitchhiker's Guide to the Galaxy.

Adams participou também de projetos como:

  • Bureaucracy;

  • Starship Titanic.

Seu catálogo oficial inclui esses experimentos tecnológicos ao lado dos livros e trabalhos audiovisuais. (Douglas Adams)

E Bureaucracy merece aplausos.

Porque transformar burocracia em videogame é reconhecer que o verdadeiro survival horror sempre foi preencher documentos corretamente.


🎸 CAPÍTULO 16

Pink Floyd aparece porque naturalmente aparece

Douglas Adams também era amigo de David Gilmour, do Pink Floyd.

E há uma conexão deliciosa.

Adams sugeriu o título:

The Division Bell

para o álbum de 1994 da banda. (The Christian Science Monitor)

Porque aparentemente escrever uma das séries mais famosas da ficção científica não era suficiente.

Era necessário deixar Easter eggs também na história do rock.


⏰ CAPÍTULO 17

O homem que amava deadlines

Existe uma frase famosa associada a Douglas Adams sobre gostar de prazos principalmente pelo som que fazem quando passam voando.

E ela combina perfeitamente com sua reputação.

Adams era notoriamente complicado quando precisava terminar textos.

Isso cria uma maravilhosa contradição.

Ele possuía:

imaginação       100
humor            100
inteligência     100
criatividade     100
curiosidade      100
deadline          03

Mas existe uma lição importante nisso.

O próprio material oficial de Adams, ao aconselhar aspirantes a escritores, enfatiza duas coisas bastante menos românticas:

escrever alguma coisa e possuir determinação para continuar. (Douglas Adams)

A inspiração é maravilhosa.

O problema é que eventualmente alguém precisa salvar o arquivo.


✍️ CAPÍTULO 18

O segredo técnico do humor de Adams

Se você escreve artigos, histórias ou documentação e quer aprender alguma coisa com Douglas Adams, não copie apenas as piadas.

Copie a arquitetura.

1. Comece com algo normal

Uma casa será demolida.

2. Aumente absurdamente a escala

Agora a Terra será demolida.

3. Mantenha a lógica administrativa

Existe documentação.

4. Faça o personagem reagir como uma pessoa comum

— Como assim?

5. Trate o absurdo como rotina

— Os documentos estavam disponíveis.

Essa é a mágica.

O narrador nunca precisa gritar que aquilo é engraçado.

O universo considera tudo perfeitamente razoável.


☕ CAPÍTULO 19

Douglas Adams aplicado ao mainframe

Imagine um diálogo.

— Por que esse programa existe?

— Porque processa o arquivo XPTO.

— Por que o arquivo XPTO existe?

— Porque alimenta o sistema ABC.

— Por que ABC precisa disso?

— Não sabemos.

— Quem escreveu?

— Aposentou em 1994.

— Existe documentação?

— Sim.

— Onde?

— Num dataset arquivado.

— Qual?

— Não sabemos.

— Então como sabemos que funciona?

— O job termina RC=0.

Arthur Dent provavelmente perguntaria:

— Isso é normal?

Ford Prefect responderia:

— Em sistemas enterprise, aparentemente sim.


🥚 CAPÍTULO 20

Easter eggs para carregar na toalha

Algumas pequenas delícias do universo Adams:

42 escapou dos livros e virou referência cultural gigantesca, aparecendo repetidamente em tecnologia, matemática recreativa e cultura hacker. (Douglas Adams)

O asteroide 18610 Arthurdent recebeu o nome inspirado no protagonista do Guia. (The Christian Science Monitor)

O nome Babel Fish atravessou a ficção e foi parar em tecnologia de tradução. (Estante Virtual)

O nome Deep Thought também encontrou ecos no mundo da computação. (Douglas Adams)

E existe ainda o objeto mais importante que um viajante pode carregar:

a toalha.

Porque uma pessoa que sabe onde está sua toalha claramente possui controle da situação.

Mesmo quando absolutamente não possui.


🧺 CAPÍTULO 21

Towel Day

Depois da morte de Adams, fãs transformaram a toalha em homenagem.

Todo 25 de maio, admiradores celebram o Towel Day carregando uma toalha.

Parece ridículo.

Naturalmente.

Por isso funciona.

Um monumento tradicional provavelmente seria inadequado.

Douglas criou uma mitologia em que um objeto banal tornou-se símbolo de preparação diante do caos.

Talvez seja justamente por isso que a ideia sobreviveu.



🧬 CAPÍTULO 22

Douglas Adams era um personagem de Douglas Adams

E finalmente chegamos à suspeita inicial.

Observe este homem.

Quase dois metros de altura.

Escritor de comédia.

Passa por Monty Python.

Vai trabalhar em Doctor Who.

Inventa um livro eletrônico fictício décadas antes de carregarmos enciclopédias no bolso.

Apaixona-se por computadores.

Escreve videogames.

Convive com músicos.

Batiza álbum do Pink Floyd.

Viaja pelo planeta procurando espécies ameaçadas.

Participa de uma aventura envolvendo uma fantasia de rinoceronte.

Tem problemas com deadlines.

Escreve sobre um inglês confuso tentando compreender um universo incompreensível.

E morre cedo demais, aos 49 anos, em 11 de maio de 2001, em Santa Barbara, Califórnia. (Wikipedia)

Agora imagine que você encontrou essa descrição dentro de um romance de Douglas Adams.

Você acreditaria imediatamente.


📖 CAPÍTULO 23

O Salmão da Dúvida

Após sua morte surgiu:

The Salmon of Doubt

publicado em 2002.

A coletânea reuniu textos, ensaios e material relacionado ao romance que Adams deixou inacabado. (Wikipedia)

O título parece adequado.

Porque terminar tudo perfeitamente seria pouco característico.

Douglas deixou processos rodando.

Alguns nunca chegaram ao:

END-OF-JOB

Talvez isso também faça parte do encanto.


🧠 CAPÍTULO 24

O que um programador pode aprender com Douglas Adams

Muito.

Primeiro:

questione requisitos.

Deep Thought encontrou a resposta correta para uma pergunta que ninguém conhecia.

Segundo:

sistemas existem dentro de sistemas.

Dirk Gently aprovaria qualquer investigação séria de incidente.

Terceiro:

tecnologia também é cultura.

Adams percebeu isso cedo.

Quarto:

complexidade não significa inteligência.

Os Vogons possuem processos extremamente sofisticados.

Continuam sendo Vogons.

Quinto:

documentação importa.

Especialmente antes de demolir planetas.

Sexto:

nunca confunda sucesso técnico com sucesso real.

MAXCC=0

não significa:

PROBLEMA RESOLVIDO

Deep Thought provavelmente retornaria RC=0.

E ainda assim ninguém saberia a pergunta.


🚀 CAPÍTULO 25

E talvez esta seja sua maior obra

Douglas Adams escreveu sobre o espaço.

Mas seu assunto nunca foi realmente o espaço.

Escreveu sobre alienígenas.

Mas estava falando de humanos.

Escreveu sobre computadores.

Mas estava falando sobre nossa fé em respostas automáticas.

Escreveu sobre burocratas alienígenas.

Mas todos já encontramos Vogons.

Escreveu sobre Arthur Dent perdido no universo.

Mas Arthur somos nós.

Acordamos.

Tomamos café.

Abrimos o notebook.

Recebemos um ticket.

Descobrimos que alguém mudou alguma coisa durante a madrugada.

Perguntamos por quê.

Ninguém sabe.

Descobrimos que existe documentação.

Não temos acesso.

Encontramos o responsável.

Ele saiu da empresa.

Finalmente encontramos a resposta.

42.

Perguntamos qual era a pergunta.

E nesse instante, em algum lugar além do Restaurante no Fim do Universo, um inglês gigantesco provavelmente começa a rir.


☕ EPÍLOGO

DON'T PANIC

Talvez essa seja a melhor homenagem possível a Douglas Adams.

Não transformá-lo numa estátua.

Ele provavelmente acharia extremamente constrangedor.

Melhor imaginá-lo chegando ao CPD do Bellacosa Mainframe.

Observando um IBM Z.

Perguntando:

— Há quanto tempo isso está funcionando?

— Algumas aplicações, décadas.

Douglas olha para o operador.

— E vocês sabem exatamente tudo o que elas fazem?

Silêncio.

Ele observa os milhares de jobs.

Os programas COBOL.

As transações CICS.

Os datasets.

Os logs.

As interfaces.

As APIs.

As regras comerciais escritas por pessoas que talvez já tenham se aposentado.

Então sorri.

— Fascinante.

Pega sua toalha.

Abre o terminal.

E pergunta:

READY

LISTCAT

O sistema responde.

Douglas pensa alguns segundos.

— Bellacosa...

— Sim?

— Acho que finalmente descobri o computador que deveria calcular a pergunta.

E em algum lugar do JES2 aparece:

JOB DEEPTHOT SUBMITTED

$HASP373 DEEPTHOT STARTED

Estimativa de conclusão:

7.500.000 anos.

Prioridade:

NORMAL.

SLA:

segunda-feira.

E o operador, sem sequer levantar os olhos da tela, responde:

— Normal. É fechamento.

Douglas pega sua toalha.

Sorri.

E vai procurar o Restaurante no Fim do Universo.


🐬 Até mais, Douglas.

Obrigado pelos livros.

Obrigado pelos computadores.

Obrigado pelos rinocerontes.

Obrigado por Arthur, Ford, Marvin, Zaphod, Trillian e Dirk.

Obrigado por demonstrar que filosofia e besteirol podem compartilhar a mesma biblioteca.

Obrigado por ensinar que a resposta pode estar correta e ainda assim ser completamente inútil.

E, sobretudo...

obrigado por todos os peixes.

DON'T PANIC.

KNOW WHERE YOUR TOWEL IS.

E jamais aceite MAXCC=0 como resposta para a Vida, o Universo e Tudo Mais.


Para explorar a obra: site oficial de Douglas Adams

Outras maluquices











sexta-feira, 1 de fevereiro de 2002

🧠 DEEP THOUGHT E A DUNGEON DO 42 — QUANDO O COBOL DESCOBRIU QUE A RESPOSTA CORRETA NÃO SERVE PARA NADA SE NINGUÉM SOUBER A PERGUNTA

 

Bellacosa Mainframe o perigo da tecnologia sem objetivo

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

🧠 DEEP THOUGHT E A DUNGEON DO 42 — QUANDO O COBOL DESCOBRIU QUE A RESPOSTA CORRETA NÃO SERVE PARA NADA SE NINGUÉM SOUBER A PERGUNTA

Tecnologia, COBOL, sistemas de informação, semiótica, automação, sistemas sociotécnicos, modernização, IA, agentes, conhecimento, responsabilidade — e o dia em que um programador COBOL descobriu que até o maior computador do Universo pode entregar uma resposta inútil quando ninguém sabe exatamente qual problema queria resolver.



🎬 PRÓLOGO — A RESPOSTA É 42

Imagine que você acabou de entrar em uma grande empresa como programador COBOL.

Primeiro emprego.

Primeiro crachá.

Primeiro acesso ao TSO.

Primeiro READY.

Primeira vez olhando para uma tela ISPF e pensando:

— Meu Deus... onde fui me meter?

Você recebe sua primeira missão.

Um programa COBOL antigo está apresentando comportamento estranho.

O líder técnico explica:

— Precisamos modernizar isso.

Você pergunta:

— Qual é o problema?

Silêncio.

Alguém responde:

— É COBOL.

Você insiste:

— Sim. Mas qual é o problema?

Novo silêncio.

Então começam as respostas:

— É antigo.

— Precisamos ir para cloud.

— Precisamos colocar APIs.

— Precisamos usar inteligência artificial.

— Precisamos de microsserviços.

— Precisamos de Kubernetes.

— Precisamos modernizar.

Você olha novamente para o programa.

Ele executa diariamente.

Processa milhões de registros.

O tempo de processamento está dentro da janela batch.

Não existem incidentes graves associados a ele.

O custo é conhecido.

A operação conhece o sistema.

E aparentemente ninguém consegue explicar exatamente qual problema está sendo resolvido pela modernização.

Nesse momento, uma voz grave ecoa pela sala:

42.

Todos olham assustados.

É Deep Thought.

O lendário computador de O Guia do Mochileiro das Galáxias acaba de entrar na War Room.

E ele tem uma péssima notícia:

vocês estão procurando respostas antes de descobrir a pergunta.

Pegue o café.

Abra o ISPF.

Hoje nossa dungeon não começa com COBOL.

Começa com algo muito mais perigoso:

uma solução procurando um problema.



🧙 CAPÍTULO 1 — A CHANTAGEM TECNOLÓGICA

Existe uma crença recorrente na indústria de tecnologia:

tecnologia nova é necessariamente melhor.

O mecanismo funciona mais ou menos assim:

Tecnologia nova
      ↓
Marketing
      ↓
Promessa de produtividade
      ↓
Medo de ficar para trás
      ↓
Compra
      ↓
Implantação
      ↓
Problemas inesperados
      ↓
Nova tecnologia prometendo resolver os problemas
      ↓
REPEAT

Esse medo ganhou até uma expressão moderna:

FOMO — Fear Of Missing Out.

O medo de ficar de fora.

A empresa olha para a concorrência usando inteligência artificial e pergunta:

— Por que ainda não temos IA?

Poucos perguntam:

— Qual problema nosso exige IA?

Essa diferença parece pequena.

Não é.

É a diferença entre engenharia e fetichismo tecnológico.

Podemos chamar esse fenômeno de chantagem tecnológica:

“Se você não comprar nossa nova tecnologia, sua empresa ficará ultrapassada.”

Ontem eram PCs.

Depois cliente-servidor.

Depois downsizing.

Depois Internet.

Depois SOA.

Depois cloud.

Depois containers.

Depois blockchain.

Depois inteligência artificial generativa.

Agora:

Agentic AI.

Não significa que essas tecnologias sejam ruins.

Pelo contrário.

Muitas transformaram profundamente a computação.

O problema começa quando a tecnologia deixa de ser meio e passa a ser objetivo.



⚔️ CAPÍTULO 2 — A SOLUÇÃO QUE SAIU PROCURANDO UM PROBLEMA

Imagine uma empresa que compra uma poderosa plataforma de inteligência artificial.

Contrato assinado.

Licenças compradas.

Consultoria contratada.

Infraestrutura instalada.

Então alguém pergunta:

— O que vamos fazer com isso?

Perceba a inversão.

O caminho saudável seria:

PROBLEMA
   ↓
ANÁLISE
   ↓
REQUISITOS
   ↓
ALTERNATIVAS
   ↓
TECNOLOGIA
   ↓
IMPLEMENTAÇÃO
   ↓
MEDIÇÃO

Mas o caminho frequentemente encontrado é:

TECNOLOGIA
   ↓
COMPRA
   ↓
PROJETO
   ↓
PROCURA POR CASO DE USO

Quando ouvimos:

“Agora precisamos encontrar casos de uso para justificar a plataforma.”

Deep Thought provavelmente responderia:

Porque começamos pela resposta.

Ainda não sabemos a pergunta.



🧠 CAPÍTULO 3 — DEEP THOUGHT E O MAIOR PROBLEMA DE REQUISITOS DO UNIVERSO

Em O Guia do Mochileiro das Galáxias, uma civilização constrói um computador gigantesco chamado Deep Thought.

Sua missão é encontrar a resposta para:

a Vida, o Universo e Tudo Mais.

Depois de um período absurdamente longo de processamento, Deep Thought finalmente anuncia a resposta:

42.

Problema resolvido?

Não.

Ninguém sabe exatamente qual era a pergunta.

Essa é uma das melhores metáforas acidentais sobre engenharia de requisitos.

Um computador pode executar perfeitamente:

INPUT
  ↓
ALGORITHM
  ↓
OUTPUT

Mas existe uma pergunta anterior:

O que estamos tentando descobrir?

E outra posterior:

O que significa o resultado?

Sem essas duas coisas, podemos possuir processamento perfeito e ainda assim produzir algo inútil.



🖥️ CAPÍTULO 4 — COMPUTADORES NÃO RESOLVEM PROBLEMAS

Calma.

Eles obviamente resolvem determinados problemas computacionais.

Mas existe uma distinção importante.

Computadores executam representações formalizadas de problemas.

Antes de chegar ao COBOL, alguma coisa precisa acontecer.

Imagine um banco.

A organização estabelece:

determinadas contas devem ser bloqueadas quando determinadas condições forem satisfeitas.

Depois isso vira regra de negócio.

Depois especificação.

Finalmente podemos ter:

IF SALDO-CLIENTE < ZERO
    MOVE 'B' TO STATUS-CONTA
END-IF.

Para a CPU isso é maravilhoso.

Temos uma condição.

Temos dados.

Temos uma ação.

Mas Deep Thought pergunta:

— Por que saldo negativo significa bloqueio?

Boa pergunta.

Talvez existam:

  • limites de crédito;

  • cheque especial;

  • clientes diferenciados;

  • transações contestadas;

  • depósitos ainda não compensados;

  • determinações judiciais;

  • exceções operacionais.

Portanto, antes daquele pequeno IF, existiu um mundo inteiro.

REALIDADE
   ↓
POLÍTICA
   ↓
REGRA DE NEGÓCIO
   ↓
ESPECIFICAÇÃO
   ↓
ALGORITMO
   ↓
COBOL

O programador normalmente encontra apenas o último andar dessa pirâmide.


🏺 CAPÍTULO 5 — O PROGRAMA COBOL É UM FÓSSIL ORGANIZACIONAL

Agora você encontra:

IF WS-TYPE = '7'
   AND WS-CODE NOT = '91'
   AND WS-FLAG = 'Y'
      PERFORM 8300-PROCESSAR
END-IF.

Sua primeira reação pode ser:

— Que porcaria é essa?

Cuidado.

Talvez você esteja diante de um fóssil.

WS-TYPE = '7' pode ter surgido em 1989.

WS-CODE NOT = '91' pode ter aparecido depois de uma fraude em 1997.

WS-FLAG = 'Y' pode representar uma exigência regulatória de 2008.

E o PERFORM pode ter sido alterado depois de uma fusão empresarial em 2014.

Você não está simplesmente lendo código.

Está praticando:

arqueologia organizacional.

Um sistema legado pode ser uma espécie de memória institucional executável.

Isso explica por que reescrever sistemas antigos é muito mais difícil do que traduzir linguagens.


🏰 CAPÍTULO 6 — SISTEMAS DE INFORMAÇÃO NÃO SÃO APENAS COMPUTADORES

Um erro comum de iniciantes é pensar:

Sistema de Informação
=
Hardware + Software + Banco de Dados

Na realidade temos algo muito maior:

             PESSOAS
                │
                │
PROCESSOS ── INFORMAÇÃO ── TECNOLOGIA
                │
                │
              REGRAS
                │
                │
             CULTURA

Existe ainda:

  • poder;

  • autoridade;

  • confiança;

  • experiência;

  • legislação;

  • comunicação;

  • exceções;

  • conhecimento tácito.

Isso é chamado de visão sociotécnica.

O computador é apenas uma parte do sistema.


📜 CAPÍTULO 7 — EXISTE UM SISTEMA QUE NÃO ESTÁ NO COMPUTADOR

Imagine um processo de crédito.

O manual diz:

Pedido
  ↓
Análise
  ↓
Score
  ↓
Aprovação

Esse é o sistema formal.

Mas na prática acontece:

Pedido
 ↓
Analista
 ↓
Consulta sistema
 ↓
Liga para gerente
 ↓
"Conheço esse cliente."
 ↓
Consulta documento antigo
 ↓
Conversa com supervisor
 ↓
Exceção
 ↓
Aprovação

Isso também é um sistema de informação.

Só que parte dele é informal.

O perigo aparece quando alguém automatiza somente:

Pedido → Score → Aprovação

e acredita ter automatizado todo o processo.

Não automatizou.

Automatizou apenas a parte que conseguiu formalizar.


🔒 CAPÍTULO 8 — “O SISTEMA NÃO DEIXA”

Quem nunca ouviu:

“Não posso fazer. O sistema não deixa.”

Essa frase merece atenção.

O computador não acordou naquela manhã e decidiu impedir alguma coisa.

Alguém:

  1. definiu uma política;

  2. transformou-a em regra;

  3. especificou uma condição;

  4. programou;

  5. testou;

  6. colocou em produção.

Portanto:

"O SISTEMA NÃO DEIXA"

normalmente significa:

"UMA DECISÃO HUMANA FOI
FORMALIZADA EM SOFTWARE"

Mas existe um efeito psicológico interessante.

Depois que a regra entra no computador, ganha aparência de autoridade.

— Por que meu pedido foi recusado?

— O sistema recusou.

Como se o computador fosse uma entidade independente.


📡 CAPÍTULO 9 — DADO NÃO É INFORMAÇÃO

Considere:

327

O que significa?

Nada.

Agora:

327 ms

Melhor.

Depois:

CICS RESPONSE TIME = 327 ms

Agora temos informação contextualizada.

Mas ainda falta alguma coisa.

Imagine que historicamente aquela transação responde entre 80 e 150 ms.

Agora:

BASELINE = 120 ms
ATUAL    = 327 ms

Um especialista interpreta:

Existe degradação.

Investigando, encontra:

Db2 LOCK CONTENTION
       ↓
WAIT
       ↓
CICS RESPONSE TIME
       ↓
327 ms

Veja a transformação:

327
 ↓
DADO

327 ms
 ↓
CONTEXTO

CICS = 327 ms
 ↓
INFORMAÇÃO

327 > BASELINE
 ↓
INTERPRETAÇÃO

Db2 contention
 ↓
CONHECIMENTO

Investigar locking
 ↓
AÇÃO

Esse caminho é fundamental para entender sistemas de informação.


🔤 CAPÍTULO 10 — SEMIÓTICA ENTRA NA SALA DO CPD

Semiótica estuda sinais e significados.

Isso parece filosofia distante de COBOL.

Não é.

Considere:

RC=12

Para o computador são bits.

Para JES pode representar um retorno.

Para o operador:

— O job falhou.

Para o programador:

— Preciso verificar a step.

Para o negócio:

— O processamento não terminou.

Para o cliente:

— Meu pagamento não apareceu.

O mesmo sinal produziu significados diferentes.

Podemos simplificar:

SINAL
 +
CONTEXTO
 +
INTÉRPRETE
 =
SIGNIFICADO

O computador manipula sinais.

O significado surge da interpretação.


🤖 CAPÍTULO 11 — ENTÃO CHEGOU A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

Agora a discussão fica extraordinariamente moderna.

Um LLM recebe tokens.

Processa tokens.

Produz tokens.

Nós olhamos para a saída e dizemos:

“A IA respondeu.”

Mas existe diferença entre:

TEXTO PLAUSÍVEL

e:

INFORMAÇÃO VERDADEIRA

E existe outra diferença entre:

INFORMAÇÃO

e:

DECISÃO SEGURA

Por isso surgiram discussões sobre:

  • hallucination;

  • grounding;

  • RAG;

  • provenance;

  • explainability;

  • human-in-the-loop;

  • governança;

  • validação.

O problema filosófico de Deep Thought voltou usando GPU.


⚠️ CAPÍTULO 12 — AUTOMATION BIAS

Imagine uma tela:

FRAUD RISK: 93.17%

Aquilo parece preciso.

93,17%.

Duas casas decimais!

Só que um bom engenheiro pergunta:

  • O que significa 93,17%?

  • Qual população foi utilizada?

  • Qual é o falso positivo?

  • O modelo está calibrado?

  • Houve drift?

  • Quais dados estão faltando?

  • Quem decidiu o threshold?

  • Existe direito de revisão?

Existe um fenômeno chamado automation bias: nossa tendência de atribuir confiança excessiva a resultados produzidos por sistemas automatizados.

Quanto mais bonita a interface, maior pode ser a tentação.


🪞 CAPÍTULO 13 — O BANCO DE DADOS NÃO CONTÉM O CLIENTE

Imagine uma tabela:

CUSTOMER

ID
NAME
ADDRESS
BALANCE
RISK_SCORE
STATUS

Existe uma pessoa dentro do Db2?

Não.

Existe uma representação computacional dela.

A pessoa real possui história, intenções, relações, circunstâncias e contexto.

O banco contém apenas atributos considerados relevantes para determinada finalidade.

Isso significa:

o modelo não é a realidade.

Todo sistema informatizado reduz alguma coisa.

REALIDADE
████████████████████████████

MODELO
██████████████████

REGRA
██████████

SOFTWARE
██████

DADOS
████

Cada camada perde contexto.


☁️ CAPÍTULO 14 — MODERNIZAR NÃO É TROCAR COBOL POR JAVA

Aqui encontramos uma das maiores armadilhas da modernização.

A empresa possui:

PROCESSO DE 1987
      ↓
COBOL

Decide modernizar:

COBOL
  ↓
JAVA
  ↓
MICROSERVICES
  ↓
CONTAINER
  ↓
KUBERNETES

Fantástico.

Agora temos:

um processo de 1987 executando lindamente dentro de containers.

Modernização tecnológica não garante modernização organizacional.

Antes de reescrever o programa, deveríamos perguntar:

— Essa regra ainda é necessária?

— Esse processo ainda faz sentido?

— Essa informação ainda precisa ser coletada?

— Essa aprovação ainda controla algum risco?

— Essa exceção ainda existe?

Às vezes a melhor linha de código modernizada é aquela que descobrimos que pode ser eliminada.


🦖 CAPÍTULO 15 — LEGACY NÃO SIGNIFICA INÚTIL

Tecnologia antiga possui algo que tecnologia nova ainda não conseguiu comprar:

história operacional.

COBOL, CICS, Db2 e z/OS possuem décadas de:

  • documentação;

  • correções;

  • conhecimento;

  • práticas operacionais;

  • troubleshooting;

  • compatibilidade;

  • experiência.

Tecnologia nova oferece possibilidades fantásticas.

Mas também pode trazer:

  • bugs desconhecidos;

  • escassez de especialistas;

  • documentação imatura;

  • mudanças rápidas;

  • APIs instáveis;

  • dependências novas.

Portanto:

NOVO ≠ MELHOR

e:

VELHO ≠ RUIM

A pergunta correta é:

ADEQUADO?

Deep Thought aprova.


💰 CAPÍTULO 16 — O LOCK-IN MAIS PERIGOSO NÃO É TECNOLÓGICO

Todo mundo conhece vendor lock-in.

Mas existe outro:

conceptual lock-in.

Quando compramos determinada tecnologia, começamos a enxergar todos os problemas através dela.

Quem vende blockchain encontra blockchain em tudo.

Quem vende RPA encontra processos para robotizar.

Quem vende cloud encontra workloads para migrar.

Quem vende GenAI encontra copilots.

Quem vende Agentic AI encontra agentes.

É a velha história:

Quando sua única ferramenta é um martelo, muitos problemas começam misteriosamente a parecer pregos.

A ferramenta passou a definir o problema.

Esse é o momento de chamar Deep Thought.


🚨 CAPÍTULO 17 — DEBUGGING DA ORGANIZAÇÃO

Imagine:

CLIENTES RECEBERAM COBRANÇA DUPLICADA.

O programador procura o programa.

Isso é necessário.

Mas uma verdadeira investigação pergunta:

Por que duplicação era possível?

Por que não havia idempotência?

Por que reconciliação não detectou?

Por que monitoramento não alertou?

Por que reprocessamento foi autorizado?

Por que o operador acreditou que era seguro?

A documentação explicava isso?

Quem conhecia a exceção?

Qual decisão organizacional criou essa condição?

Você deixou de simplesmente depurar COBOL.

Agora está:

debugando a organização.

Essa é uma habilidade extraordinária para quem trabalha com sistemas críticos.


🧭 CAPÍTULO 18 — PASSO A PASSO ANTES DE AUTOMATIZAR

Antes de escolher tecnologia, faça este exercício.

PASSO 1 — Defina o problema

Não escreva:

“Precisamos de IA.”

Escreva:

“Recebemos 30 mil solicitações mensais e 40% são classificadas manualmente.”

Agora temos problema.

PASSO 2 — Descubra quem participa

Liste:

usuário
operador
cliente
gestor
auditoria
segurança
compliance
sistemas

PASSO 3 — Mapeie o processo real

Não apenas o manual.

Observe o que as pessoas realmente fazem.

PASSO 4 — Procure exceções

Pergunte:

“Quando vocês não seguem esse procedimento?”

Essa pergunta vale ouro.

PASSO 5 — Descubra conhecimento tácito

Pergunte ao operador experiente:

“Como você sabe que alguma coisa está errada?”

A resposta pode revelar conhecimento inexistente na documentação.

PASSO 6 — Defina o que pode ser formalizado

Nem todo julgamento humano precisa virar IF.

PASSO 7 — Defina risco

O que acontece quando a automação erra?

PASSO 8 — Escolha tecnologia

Só agora.

COBOL?

Java?

Python?

RPA?

IA?

Nada?

Sim.

“Nada” também é uma alternativa arquitetural válida.


🤖 CAPÍTULO 19 — AGENTES DE IA TORNAM TUDO MAIS SÉRIO

Antigamente:

HUMANO
 ↓
SISTEMA
 ↓
RESULTADO
 ↓
HUMANO

O humano interpretava antes de agir.

Com agentes podemos construir:

HUMANO
 ↓
AGENTE
 ↓
LLM
 ↓
API
 ↓
SISTEMA
 ↓
DECISÃO
 ↓
OUTRA API
 ↓
AÇÃO

Agora a pergunta muda.

Não basta perguntar:

“A resposta está correta?”

Precisamos perguntar:

“O sistema possui autoridade para agir?”

Isso introduz:

  • identidade;

  • autorização;

  • segregação de funções;

  • auditoria;

  • rollback;

  • limites;

  • aprovação;

  • rastreabilidade;

  • responsabilidade.

Para quem conhece RACF, pense assim:

Não basta o agente saber como executar uma operação.

Precisamos definir quem ele representa, qual recurso pode acessar e com qual autoridade.

IA também precisa de RACF emocional.

Easter egg encontrado. ☕


👑 CAPÍTULO 20 — RESPONSABILIDADE É O CAMPO QUE NÃO CABE NO COPYBOOK

Imagine:

DADO
 ↓
ALGORITMO
 ↓
RESULTADO
 ↓
INTERPRETAÇÃO
 ↓
DECISÃO
 ↓
AÇÃO
 ↓
CONSEQUÊNCIA

Existe mais uma etapa:

RESPONSABILIDADE

Quem responde?

O programador?

O usuário?

O fornecedor?

O gestor?

Quem aprovou?

Quem definiu a regra?

Quem forneceu os dados?

Quem autorizou a automação?

Sistemas críticos não podem terminar em:

MOVE '42' TO WS-RESPOSTA.

Precisamos saber por que 42 existe e o que alguém pretende fazer com ele.


🧪 CAPÍTULO 21 — O TESTE DE DEEP THOUGHT

Na próxima reunião em que alguém anunciar:

“Precisamos colocar IA nisso!”

não comece discutindo modelo.

Pergunte:

Qual problema estamos tentando resolver?

Depois:

Como sabemos que esse problema existe?

Depois:

Como medimos seu tamanho?

Depois:

Quem é afetado?

Depois:

Como resolvemos atualmente?

Depois:

Quais exceções existem?

Depois:

Que conhecimento não está documentado?

Depois:

Qual erro é aceitável?

Depois:

Quem interpreta a saída?

Depois:

Quem responde se estiver errada?

E finalmente faça a pergunta assassina:

O que acontece se não comprarmos tecnologia nenhuma?

Às vezes a resposta será:

Nada.

Parabéns.

Você talvez tenha acabado de economizar alguns milhões.


🎁 CURIOSIDADE — A TECNOLOGIA MAIS NOVA PODE SER A MAIS ARRISCADA

Existe uma expressão interessante:

bleeding edge.

Podemos imaginar:

BLEEDING EDGE
      ↓
LEADING EDGE
      ↓
MATURE
      ↓
LEGACY
      ↓
OBSOLETE

Observe uma coisa importante:

legacy e obsolete não são sinônimos.

Um sistema pode ser legado e continuar:

  • suportado;

  • confiável;

  • economicamente adequado;

  • seguro;

  • crítico.

Da mesma maneira, uma tecnologia novíssima pode ser completamente inadequada ao problema.

Idade é apenas uma variável.


🥚 EASTER EGG — JOB DEEPTHOT

Nos confins da spool existe um job misterioso:

//DEEPTHOT JOB (42),'UNIVERSE'
//STEP01   EXEC PGM=QUESTION
//SYSOUT   DD SYSOUT=*
//SYSIN    DD *
 LIFE
 UNIVERSE
 EVERYTHING
/*

Depois de milhões de anos de CPU:

IEF142I DEEPTHOT STEP01 - STEP WAS EXECUTED

ANSWER = 42

MAXCC = 0000

O job terminou perfeitamente.

MAXCC=0000.

Nenhum ABEND.

Nenhum dump.

Nenhum erro.

E mesmo assim...

ninguém sabe o que fazer com o resultado.

Esse talvez seja o exemplo perfeito de que:

EXECUÇÃO CORRETA
       ≠
PROBLEMA CORRETAMENTE RESOLVIDO

☕ EPÍLOGO — O PROGRAMADOR COBOL QUE APRENDEU A PERGUNTAR

Nosso jovem programador volta para a War Room.

Alguém pergunta:

— Então vamos migrar o programa?

Ele responde:

— Talvez.

— Java?

— Talvez.

— Cloud?

— Talvez.

— IA?

— Talvez.

O gerente começa a perder a paciência.

— Então qual é a sua recomendação?

O programador olha novamente para o programa COBOL de 35 anos.

Depois pergunta:

Qual problema estamos tentando resolver?

Silêncio.

Deep Thought sorri em algum lugar do Universo.

Porque naquele instante o iniciante deixou de ser simplesmente alguém que escreve COBOL.

Começou a pensar como engenheiro.

Tecnologia não existe isoladamente.

Computadores fazem parte de sistemas sociais.

Dados precisam de contexto.

Sinais precisam de interpretação.

Regras carregam decisões humanas.

Código carrega história.

Automação carrega responsabilidade.

IA não elimina esses problemas.

Amplifica-os.

E modernização não significa trocar uma linguagem velha por uma linguagem nova.

Significa compreender suficientemente bem o sistema para decidir conscientemente o que deve permanecer, o que deve mudar, o que deve ser automatizado e o que nunca deveria ter existido.

Talvez essa seja uma das maiores lições para qualquer programador COBOL entrando no mundo dos sistemas corporativos:

Não se apaixone primeiro pela resposta. Apaixone-se pelo problema.

Porque hardware muda.

Linguagens mudam.

Arquiteturas mudam.

Mainframes evoluem.

Cloud evolui.

IA evolui.

Os vendedores continuarão chegando com respostas extraordinárias.

Mas alguém ainda precisará fazer aquela pergunta incômoda na reunião:

“Qual era mesmo o problema?”

E quando ninguém souber responder...

há sempre uma resposta tecnicamente disponível.

       IDENTIFICATION DIVISION.
       PROGRAM-ID. DEEP-THOUGHT.

       PROCEDURE DIVISION.

           MOVE 42 TO WS-ANSWER

           DISPLAY
             'THE ANSWER TO LIFE,'
             ' THE UNIVERSE AND EVERYTHING: '
             WS-ANSWER

           STOP RUN.

MAXCC=0000.

Resposta encontrada.

Projeto entregue.

Produção estável.

Só faltou um pequeno requisito:

descobrir a pergunta.

☕💻

EASTER EGG FINAL: se este artigo fosse um job de produção, eu verificaria o spool às 03:17. Deep Thought provavelmente estaria esperando por lá, tentando descobrir por que alguém abriu um incidente para corrigir um 42 que estava funcionando exatamente como especificado.

Máxima Bellacosa

O job pode terminar com MAXCC=0000, entregar 42 e ainda assim o projeto inteiro estar errado — porque ninguém perguntou se aquela era a pergunta que precisava ser respondida.


Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

IBM Champion IBM Z COBOL CICS Db2 z/OS Mainframe desde 1988
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