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terça-feira, 19 de março de 2024

☕🐉💀 O Hikikomori que Só Queria um Sofá e Acabou Criando uma Civilização — Por Que Você Deveria Dar uma Chance a Jitsu wa Ore, Saikyō Deshita?

 

Bellacosa Mainframe descobriu um tesouro

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☕🐉💀 O Hikikomori que Só Queria um Sofá e Acabou Criando uma Civilização — Por Que Você Deveria Dar uma Chance a Jitsu wa Ore, Saikyō Deshita?

Ou: Haruto ganhou poderes divinos, inventou streaming interdimensional, terceirizou a escola para o próprio clone, adotou monstros, conheceu uma dragão hikikomori profissional e ainda tentou resolver tudo sem levantar do sofá

Existe um momento perigoso na vida de todo otaku.

Você abre a lista de animes e encontra:

Isekai.

Protagonista reencarnado.

Magia.

Família nobre.

Poder absurdo.

O sujeito provavelmente consegue derrotar um dragão antes do café da manhã.

Você olha aquilo e pensa:

“Ah, não. Outro.”

Foi mais ou menos assim que comecei Jitsu wa Ore, Saikyō Deshita?Am I Actually the Strongest?.

E cometi um erro.

Porque aquilo que parecia ser o Isekai Overpower nº 8.427 rapidamente revelou uma criatura completamente diferente.

Este é um anime sobre um hikikomori que morreu, ganhou uma segunda vida, recebeu poderes praticamente divinos e tomou talvez a decisão mais coerente da história do gênero:

continuar sendo hikikomori.

E, meus amigos...

isso muda tudo.



1. O isekai que finalmente entendeu o hikikomori

Existe uma contradição curiosa em muitos isekais.

O protagonista passa anos isolado.

Não gosta de gente.

Não trabalha.

Evita responsabilidades.

Passa o tempo jogando videogame, lendo mangá e assistindo anime.

Morre.

Reencarna.

Cinco minutos depois está:

  • entrando numa guilda;

  • formando grupo;

  • viajando pelo continente;

  • negociando com reis;

  • fazendo amigos;

  • liderando exércitos;

  • conquistando garotas;

  • salvando civilizações.

Peraí.

Trocaram o mundo ou trocaram o sujeito?

Haruto é diferente.

Ele chega ao novo mundo e, essencialmente, pergunta:

“Legal. Como faço para recuperar meu quarto?”

Essa é a primeira grande sacada de Jitsu wa Ore.

A reencarnação não executou:

DELETE PERSONALIDADE-ANTIGA

Haruto continua sendo Haruto.

Preguiçoso.

Antissocial.

Otaku.

Profundamente comprometido com o projeto estratégico de não fazer absolutamente nada que possa ser evitado.

Só que agora ele possui magia absurda.

E começa a utilizá-la da maneira mais hikikomori possível.



2. O bebê com RACF SPECIAL

Haruto renasce numa família real.

Uma deusa lhe concedeu enorme poder mágico.

Existe apenas um pequeno problema.

O sistema utilizado naquele mundo para medir magia não consegue interpretar corretamente o poder do bebê.

Resultado?

A família acredita que ele possui pouquíssima magia.

Em linguagem Bellacosa Mainframe:

MAGIC-LEVEL PIC 9(2).

Haruto nasceu com um valor que praticamente provocou overflow na especificação.

A corte olha o relatório.

LEVEL = 02

Conclusão:

“Inútil.”

E o bebê é abandonado.

Um dos seres potencialmente mais poderosos daquele mundo sofre DELETE porque alguém confiou cegamente numa métrica que não compreendia.

Já começou bem.

Mas então aparece Gold Zenfis.



3. Gold e a primeira grande mensagem do anime

Gold encontra o bebê abandonado.

Ele poderia simplesmente seguir viagem.

Não segue.

E posteriormente descobrimos algo que torna sua decisão muito mais emocionante: Gold já havia perdido uma criança.

Ele sabe o valor de uma vida infantil justamente porque conhece a dor de perdê-la.

E aqui existe uma diferença fundamental.

Gold não salva Haruto porque percebe que ele é overpower.

Não existe:

“Este bebê possui um poder lendário! Preciso criá-lo!”

Nada disso.

Gold salva Haruto porque...

é um bebê abandonado.

Para a família biológica:

MAGIC LEVEL = LOW

VALUE = ZERO

Para Gold:

TYPE = CHILD

VALUE = INESTIMABLE

Essa pequena decisão acaba ecoando por praticamente toda a série.

Porque Haruto cresce cercado por uma família que o acolheu antes de saber o que ele poderia oferecer em troca.

Mais tarde, quando criaturas rejeitadas começam a aparecer diante dele...

Haruto fará algo muito parecido.

Mesmo que jamais admita estar fazendo isso.



4. Charlotte entrou no sistema

Então aparece Charlotte.

A irmãzinha.

A pequena criatura que executará:

ALTER HARUTO ADD HUMAN-EMOTIONS

Haruto gosta dela.

Muito.

Embora provavelmente preferisse enfrentar um exército a fazer uma declaração sentimental sobre isso.

Charlotte, por sua vez, fica completamente pinei pelo onii-chan.

E então Haruto comete um dos maiores erros operacionais de sua segunda vida.

Mostra anime para ela.


5. Sim: existe anime dentro do anime

Essa talvez seja uma das melhores piadas da série.

Haruto descobre que sua magia é tão versátil que consegue criar algo semelhante a interfaces e janelas mágicas.

Então esse homem, possuidor de poderes que poderiam revolucionar a civilização, faz aquilo que qualquer otaku responsável faria:

tenta acessar entretenimento do Japão.

Sim.

O sujeito praticamente inventa streaming interdimensional.

Outros protagonistas usariam magia dimensional para invadir fortalezas.

Haruto:

“Será que consigo pegar anime?”

Consegue.

E mostra para Charlotte.

Grande erro.

Porque Charlotte não simplesmente gosta de anime.

CHARLOTTE DESCOBRE A CULTURA OTAKU.

A menina começa a absorver conceitos de heróis, vilões, identidades secretas e organizações misteriosas.

O anime passa a influenciar a maneira como ela interpreta o próprio mundo.

Temos então:

Japão → Haruto → anime → Charlotte → delírio otaku → Haruto obrigado a participar.

Haruto inventou o próprio incidente.


6. O clone sindicalizado

Haruto também consegue criar uma cópia de si mesmo.

Protagonista convencional:

“Fantástico! Posso lutar em dois lugares simultaneamente!”

Haruto:

“Fantástico! Ele pode cumprir minhas obrigações enquanto fico em casa.”

Isso é extraordinariamente coerente.

Haruto automatizou a própria presença.

Só existe um problema.

O clone...

também é Haruto.

Portanto também não gosta de fazer aquilo.

E chega o momento maravilhoso em que a cópia reclama, basicamente argumentando:

“Você sabe que eu não gosto disso tanto quanto você e mesmo assim me obriga a fazer!”

GENIAL.

Haruto conseguiu terceirizar aquilo que odeia para o único funcionário do universo que odeia exatamente as mesmas coisas.

Nascia ali o primeiro conflito trabalhista entre processo pai e processo filho.


7. Flay e o incidente do leitinho

E então temos Flay.

Em determinado momento Haruto exagera no uso dos poderes, fica completamente sem energia e pede leite.

Uma solicitação aparentemente simples.

Flay interpreta de outra maneira.

E começa a oferecer uma solução... biologicamente direta demais.

Haruto congela.

“QUE PORRA É ESSA?! SE CUBRA, MULHER!”

Flay atende ao requisito.

Volta vestida.

Só que com uma roupa de couro ainda mais fetichista.

Haruto percebe imediatamente que:

a emenda ficou pior que o soneto.

Aqui temos uma lição clássica da engenharia de requisitos:

o sistema fez exatamente aquilo que você pediu, não aquilo que você queria.

REQUISITO: SE CUBRA

RESULTADO: COBERTA

TEST CASE: PASS

USUÁRIO: NÃO ERA ISSO!


8. Pandemônio: o hikikomori criou uma civilização

E então Jitsu wa Ore começa a ficar surpreendentemente bonito.

Haruto passa a acolher criaturas que não possuem lugar no restante daquele mundo.

Esqueletos.

Monstros.

Demônios.

Golems.

Dragões.

E nasce Pandemônio.

Não porque Haruto decidiu:

“Construirei uma grande nação onde todas as espécies viverão em harmonia!”

Isso exigiria discurso.

Reunião.

Planejamento.

Provavelmente PowerPoint.

Haruto morreria novamente.

A filosofia dele é muito mais simples:

“Podem ficar aí. Só não me encham o saco.”

Pouco depois:

POPULATION = GROWING

FOOD PRODUCTION = ACTIVE

SECURITY = STABLE

CIVILIZATION = CREATED

Haruto:

“Como diabos aconteceu isso?”


9. Os esqueletos e a bondade que ninguém ordenou

Uma das cenas mais simpáticas envolve justamente os esqueletos.

Novas criaturas começam a chegar.

Mais habitantes significam mais bocas para alimentar.

E os esqueletos começam a trabalhar duro para aumentar a produção de alimentos.

Ninguém precisou ordenar.

Não houve decreto.

Não houve palestra sobre solidariedade.

Eles simplesmente perceberam:

“Tem mais gente aqui. Precisamos garantir que haja comida.”

E aí aparece uma das mensagens mais bonitas escondidas debaixo da comédia:

bondade gera bondade.

Gold acolheu Haruto.

Haruto acolheu criaturas rejeitadas.

Essas criaturas passam a acolher outras.

PERFORM BONDADE

O problema é que ninguém colocou:

UNTIL.


10. O verdadeiro monstro talvez não seja o esqueleto

A sociedade humana daquele mundo abandonou um bebê porque ele aparentemente não possuía valor.

Enquanto isso, esqueletos classificados como monstros trabalham para garantir que desconhecidos tenham o que comer.

A série nunca precisa parar para fazer um discurso filosófico sobre isso.

Ela simplesmente coloca as duas situações diante de nós.

E deixa uma pergunta:

afinal, quem é o monstro?


11. A golem é uma menininha

Porque obviamente é.

Neste ponto você já deveria ter aprendido que Jitsu wa Ore não pretende respeitar suas expectativas.

Você escuta:

GOLEM.

Imagina:

HEIGHT = 4 METERS

DEFENSE = 9999

TUM... TUM... TUM...

Aparece uma menininha adorável.

Kawaii.

Pronto.

Aceite.

Os chimpanzés responsáveis pelo roteiro já abriram o segundo barril de saquê.


12. A dragão hikikomori profissional

E chegamos a uma das melhores personagens dessa loucura.

Uma dragão revela que viveu reclusa durante aproximadamente 300 anos.

Qualquer protagonista convencional responderia:

“Que tristeza! Você precisa voltar a conhecer o mundo!”

Haruto?

Haruto fica impressionado.

Basicamente:

“UAAAAU! PROFISSIONAL! OUTRO NÍVEL!”

Finalmente encontrou sua senpai.

Haruto achava que era hikikomori.

Apareceu uma criatura com 300 anos de experiência comprovada.

HIKIKOMORI EXPERIENCE

HARUTO:
Experiência relevante

DRAGOA:
300 ANOS

RESULTADO:
HARUTO = JUNIOR

O respeito é imediato.


13. Então queimam os livros

E o anime, que estava fazendo você gargalhar, subitamente acerta seu estômago.

A dragão passou séculos isolada.

Os livros eram sua companhia.

Sua diversão.

Sua janela para aquilo que existia além do isolamento.

E sua biblioteca é destruída.

Queimada.

De repente entendemos que não eram apenas livros.

Era parte da vida dela.

A piada dos 300 anos de hikikomori ganha melancolia.


14. Mas ela encontra um lar

A história não apaga aquela perda.

Mas oferece algo novo.

Pandemônio.

Amigos.

Pessoas que a aceitam como ela é.

Ninguém chega dizendo:

“Agora você precisa deixar de ser hikikomori!”

Muito pelo contrário.

Ela pode continuar quietinha.

Pode continuar lendo.

Pode continuar sendo ela mesma.

E depois ganha acesso à biblioteca do marquês.

Aquela pequena coisa tem um peso enorme.

Ela perdeu uma biblioteca.

Agora alguém abre outra porta e diz:

“Pode entrar.”

Isso é acolhimento.

Ela pode ficar sozinha...

sem estar abandonada.


15. Desde que aceite ser Nº 2

Também não vamos transformar Jitsu wa Ore em Dostoiévski.

😂

Porque existe hierarquia entre aquela turma.

E nossa dragão ancestral precisa aceitar a realidade administrativa:

Nº 2.

A Nº 1 é justamente uma demônio que certa vez resolveu que Haruto parecia uma excelente refeição.

Tentou comer o menino.

Escolheu o bebê errado.

Tomou uma surra.

E acabou integrada àquela gigantesca família de criaturas improváveis.

Em Jitsu wa Ore, um boss fight frequentemente termina:

“Ela mora conosco agora.”


16. Iris: porque obviamente faltava um Rei Demônio kawaii

Haruto finalmente vai para a escola.

Talvez agora tenhamos personagens normais.

HAHAHAHAHAHA.

Não.

Conhecemos Iris.

Bonita.

Simpática.

Colega de escola.

E carregando uma conexão com o Rei Demônio.

Porque neste ponto o autor já havia perdido qualquer supervisão adulta.

Haruto queria evitar socialização e terminou com uma rede de contatos formada por:

  • irmã otaku;

  • demônios;

  • dragões;

  • esqueletos agricultores;

  • golem kawaii;

  • monstros;

  • pesquisadores excêntricos;

  • figuras ligadas ao Rei Demônio.

O homem possui o LinkedIn mais extraordinário daquele continente.

E continua dizendo:

“Não gosto muito de gente.”


17. A professora pocket edition

Então aparece Tearietta.

A professora/pesquisadora em versão compacta.

Pequena no tamanho.

Gigantesca na capacidade de transformar qualquer situação acadêmica em outra camada de insanidade.

E ainda aparecem livros, teorias e nomes tão compridos que parecem ter sido escritos por alguém que cobrou o autor por caractere.

Nesse ponto nossa hipótese científica torna-se inevitável.

A sala dos roteiristas provavelmente continha:

1.000.000 de chimpanzés.

100.000 máquinas de escrever.

Quantidade industrial de saquê.

Chimpanzé nº 17:

“Clone preguiçoso!”

Chimpanzé nº 4.823:

“Esqueletos agricultores!”

Chimpanzé nº 78.201:

“Golem menina!”

Chimpanzé nº 430.112:

“Dragão hikikomori!”

Chimpanzé nº 791.443:

“REI DEMÔNIO GATONA!”

Chimpanzé nº 999.999:

“PROFESSORA MINIATURA!”

Sai Sumimori:

“PUBLICA.”

E contra todas as leis conhecidas da engenharia...

RC=00


18. A mesa-redonda e o verdadeiro poder de Haruto

Há momentos em que situações absurdamente importantes estão acontecendo na escola.

Qualquer protagonista convencional iria correndo.

Haruto desenvolveu outra metodologia.

resolver o problema deitado.

Isso resume magnificamente sua evolução.

Ele não procura novas maneiras de ficar mais poderoso.

Já possui poder suficiente.

Ele procura novas maneiras de:

reduzir sua participação presencial nos acontecimentos.

Clone.

Comunicação remota.

Barreiras.

Monitoramento.

Delegação.

Automação.

O sujeito praticamente inventou home office mágico.

Incidente na escola?

SEVERITY = HIGH

Responsável?

HARUTO

Local do responsável?

SOFÁ

Situação?

DEITADO

Problema resolvido?

YES

É o L3 definitivo.


19. O esqueleto que fala demais

Existe, porém, um inimigo contra o qual nem o poder absurdo de Haruto oferece proteção suficiente.

O chefe esqueleto.

Não porque seja poderoso.

PORQUE FALA DEMAIS.

O sujeito começa uma explicação.

Haruto mentalmente:

“Bla bla bla bla bla...”

É maravilhoso.

Haruto não está impressionado porque existe um morto-vivo inteligente diante dele.

Seu problema é muito mais sério:

o esqueleto transformou um e-mail de três linhas numa reunião de quarenta minutos.

Finalmente encontramos o verdadeiro boss.


20. Charlotte é quem realmente transportou Haruto para outro mundo

E aqui está talvez minha interpretação favorita da série.

Haruto morreu.

Reencarnou.

Recebeu poderes.

Descobriu que era absurdamente forte.

Nada disso realmente mudou sua personalidade.

Ele continuou querendo o quarto.

O sofá.

Os animes.

O isolamento.

Então apareceu Charlotte.

Ela não “cura” Haruto de ser hikikomori.

Isso seria barato.

Ela simplesmente se torna:

uma pessoa pela qual vale a pena sair do quarto.

Existe uma diferença enorme.

Haruto continua não querendo salvar o mundo.

Mas mexa com Charlotte.

Aí teremos incidente.

Ele não precisa amar a sociedade.

Aprende a amar algumas pessoas dentro dela.

Charlotte não executou:

DELETE HIKIKOMORI

Executou:

ALTER HIKIKOMORI ADD FAMILY

E talvez seja exatamente por isso que os dois funcionam tão bem.


21. O legado invisível de Gold

Quando olhamos Pandemônio depois de conhecer a história de Gold, percebemos algo ainda mais bonito.

Gold encontrou alguém rejeitado e disse:

“Você pode viver conosco.”

Haruto cresce.

Encontra criaturas rejeitadas.

E diz, à sua maneira:

“Podem viver aqui.”

Os esqueletos recebem abrigo.

Depois chegam outros monstros.

E os esqueletos trabalham para alimentá-los.

A dragão perde tudo.

Recebe um novo lar.

Depois uma biblioteca.

A bondade atravessa personagens.

Não porque alguém ordenou.

Mas porque alguém começou.


22. O reino criado pelo homem que não queria governar

Haruto não deseja ser rei.

Não quer conquistar território.

Não procura súditos.

Não precisa que ninguém o adore.

Isso talvez seja justamente o motivo pelo qual Pandemônio funciona.

Sua constituição não oficial poderia possuir apenas três artigos:

Artigo 1º — Viva como quiser.

Artigo 2º — Deixe os outros viverem como quiserem.

Artigo 3º — Não encham o saco do Haruto.

O esqueleto-chefe provavelmente acrescentaria mais 143 artigos.

Haruto:

“BLA BLA BLA. APROVADO.”


23. Por que Jitsu wa Ore faz você se sentir bem?

Talvez esta seja a maior qualidade da série.

Você termina um episódio...

bem.

Não necessariamente porque houve uma batalha espetacular.

Não porque apareceu uma animação que custou o PIB de um pequeno país.

Mas porque você quer permanecer com aquelas pessoas.

Esse é um teste muito importante para qualquer obra.

Depois de algum tempo, você não está perguntando apenas:

“O que acontecerá no próximo episódio?”

Está perguntando:

“Que merda essa turma vai aprontar agora?”

E isso significa que o anime conseguiu criar companhia.

Ele vira comfort anime.

Aquele tipo de série que você coloca à noite e sabe que provavelmente terminará os próximos vinte minutos sorrindo.


24. Não espere o próximo Mushoku Tensei

Se você entrar esperando uma construção de mundo monumental, talvez se decepcione.

Se esperar o peso psicológico de Re:Zero, também.

Se procurar batalhas gigantescas e animação revolucionária, existem escolhas melhores.

Mas talvez essa seja justamente a maneira errada de assistir Jitsu wa Ore.

Ele não está tentando ganhar essa competição.

Seu charme está no cotidiano absurdo.

Na família.

Nas amizades improváveis.

Nas pequenas piadas.

No carinho escondido atrás da preguiça de Haruto.

E naquela sensação maravilhosa de:

“Só mais um episódio.”


25. O milhão de chimpanzés produziu literatura

No papel, nada disso deveria funcionar junto.

Hikikomori.

Protagonista overpower.

Irmã otaku.

Streaming mágico.

Clone sindicalizado.

Demônio.

Esqueletos agricultores.

Golem kawaii.

Dragão hikikomori de 300 anos.

Rei Demônio na escola.

Professora pocket.

Sociedade de monstros.

Home office mágico.

Sofá.

Parece que alguém colocou ideias aleatórias dentro de um liquidificador.

E estranhamente...

funciona.

Porque existe uma cola por baixo de tudo:

pertencimento.

Os personagens mais estranhos daquele mundo encontram outros personagens estranhos.

E ninguém precisa deixar de ser estranho para ficar.


Epílogo — O homem mais forte do mundo está ocupado assistindo anime

Talvez Jitsu wa Ore, Saikyō Deshita? não seja uma obra-prima do isekai.

Mas descobri algo melhor.

É uma obra que dá vontade de voltar.

Você gosta daquela família.

Gosta de Pandemônio.

Gosta dos esqueletos.

Quer que Liz tenha muitos livros.

Quer descobrir qual será a próxima maluquice de Charlotte.

Quer ver Haruto encontrar uma maneira ainda mais sofisticada de evitar trabalho.

E quando os créditos aparecem...

você sorri.

Depois procura imediatamente:

“Próximo episódio.”

Esse sentimento vale muito.

Haruto começou sua segunda vida tentando reconstruir o isolamento da primeira.

Só que aconteceu uma coisa terrível.

Encontrou pessoas de quem gosta.

Depois monstros.

Depois esqueletos.

Depois demônios.

Depois dragões.

Depois uma civilização inteira.

O homem recebeu poderes suficientes para conquistar o mundo...

...e os utilizou para construir um lugar onde todo mundo pudesse simplesmente viver em paz.

Preferencialmente sem reuniões.

Porque existe limite para tudo.

Então, caro otaku, se você passou por Jitsu wa Ore, Saikyō Deshita? na lista e pensou:

“Outro isekai de protagonista overpower...”

Faça um favor a si mesmo.


Dê uma chance.

Talvez você encontre exatamente o que eu encontrei:

uma comédia completamente maluca, surpreendentemente carinhosa e perigosamente confortável.

E quando uma dragão disser que passou 300 anos reclusa, não sinta pena imediatamente.

Observe Haruto.

Ele saberá reconhecer aquilo que você está vendo.

Uma profissional.

Outro nível.

☕🐉💀❤️

JITSU-WA-ORE

EXPECTATION = GENERIC ISEKAI

RESULT = WHOLESOME CHAOS

HAPPINESS = +100

NEXT EPISODE = YES

RC = 00



Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

IBM Champion IBM Z COBOL CICS Db2 z/OS Mainframe desde 1988
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