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sábado, 5 de setembro de 2026

O Barão de Münchhausen Entra no CPD — Da Estatística à GenAI, sem precisar cavalgar uma bala de canhão

 

Bellacosa Mainframe apresenta Data Analytics

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O Barão de Münchhausen Entra no CPD — Da Estatística à GenAI, sem precisar cavalgar uma bala de canhão

Ou: como Estatística, Pesquisa Operacional, Tukey, Codd, Data Warehousing, Analytics, Big Data, Data Science, Machine Learning e IA Generativa acabaram encontrando COBOL dentro do IBM Z — e por que o programador que entende os dados tem uma vantagem que nenhum dashboard consegue inventar


Prólogo — O Barão chegou ao CPD montado numa distribuição normal

Conta o Barão de Münchhausen que certa manhã atravessou uma distribuição normal montado numa média aritmética, saltou sobre três outliers, amarrou seu cavalo numa mediana e chegou ao CPD exatamente no momento em que um batch COBOL terminava de processar alguns milhões de transações.

Naturalmente, não devemos acreditar em tudo.

A parte da distribuição normal é discutível.

A parte dos milhões de transações, nem tanto.

Quem trabalha com mainframe convive diariamente com quantidades gigantescas de dados: pagamentos, cartões, seguros, contas bancárias, pedidos, estoques, reservas, faturamento, logística, transações governamentais e inúmeras outras atividades.

Durante décadas aprendemos a fazer esses sistemas funcionarem.

Agora existe uma pergunta adicional:

O que podemos aprender com os dados que esses sistemas produzem?

É aí que começa nossa viagem pelo Data Analytics.

E nosso guia será justamente o homem conhecido por contar algumas das histórias mais improváveis da literatura.

Isso será conveniente porque existe uma regra importante em análise de dados:

Se uma história parece extraordinária, procure os dados antes de acreditar nela.



1. Afinal, o que é Data Analytics?

Podemos traduzir Data Analytics como Análise de Dados.

Mas simplesmente dizer isso esconde boa parte da história.

Data Analytics é um conjunto de processos, técnicas e ferramentas utilizados para transformar dados em informações capazes de ajudar pessoas e organizações a compreender acontecimentos e tomar decisões.

Podemos representar isso assim:

DADOS
  ↓
PREPARAÇÃO
  ↓
ANÁLISE
  ↓
PADRÕES
  ↓
INSIGHTS
  ↓
COMUNICAÇÃO
  ↓
DECISÃO

Observe algo importante.

O objetivo final não é criar um gráfico.

Também não é executar Python.

Muito menos instalar alguma ferramenta milagrosa com IA.

O objetivo é tomar decisões melhores com base em evidências.

Imagine um banco processando milhões de transações.

O sistema pode saber que:

CLIENTE = 837291
VALOR   = 9800
HORA    = 03:17
CANAL   = WEB

Esses são dados.

Mas Data Analytics começa quando perguntamos:

Esse valor é normal para esse cliente?

Ele costuma comprar às três da manhã?

Esse canal é habitual?

Houve outras compras semelhantes?

O endereço IP está relacionado à localização normalmente utilizada?

Agora os dados começaram a contar uma história.



2. “Mas quem inventou Data Analytics?”

O Barão imediatamente levanta a mão:

— Fui eu! Em 1783, durante uma viagem à Lua...

Não, Barão.

Pode abaixar a mão.

Não existe uma única pessoa reconhecida como inventora do Data Analytics.

Também não encontramos um inventor específico para a expressão Introduction to Data Analytics.

Esse é simplesmente um título descritivo usado para cursos introdutórios sobre análise de dados.

A história intelectual do Data Analytics é muito mais interessante porque várias disciplinas contribuíram para sua formação.

Uma árvore bastante simplificada seria:

ESTATÍSTICA
   │
   ├── Pesquisa Operacional
   │
   ├── Análise de Dados
   │      └── John Tukey — 1962
   │
   ├── Bancos de Dados
   │      └── Edgar F. Codd — década de 1970
   │
   ├── Decision Support Systems
   │
   ├── Data Warehousing / BI
   │
   ├── Analytics
   │      └── Thomas Davenport — 2006
   │
   ├── Big Data
   │
   ├── Data Science
   │
   └── Machine Learning / GenAI

Essa árvore não deve ser interpretada como uma genealogia rígida na qual uma tecnologia simplesmente substitui a anterior.

É melhor enxergá-la como uma acumulação de conhecimentos.

Estatística continua existindo.

SQL continua existindo.

Data Warehouse continua existindo.

Machine Learning não tornou regressão inútil.

IA generativa não tornou bancos de dados obsoletos.

E, para surpresa de algumas apresentações corporativas...

COBOL também continua aqui.



3. A raiz: Estatística

Antes de existir computador, já existia a necessidade de analisar números.

Populações, comércio, agricultura, astronomia, seguros, economia e administração pública produziram problemas que exigiam métodos quantitativos.

Daí se desenvolveram conceitos fundamentais como:

  • média;

  • mediana;

  • moda;

  • variância;

  • desvio padrão;

  • distribuição;

  • probabilidade;

  • correlação;

  • regressão.

Para o programador COBOL, alguns desses conceitos parecem muito mais familiares quando saem do livro de estatística.

Imagine tempos de resposta:

0,31
0,29
0,30
0,32
0,31
0,30
2,87

Existe alguma coisa estranha ali.

O 2,87 merece investigação.

Chamamos valores muito afastados do comportamento esperado de outliers.

O Barão naturalmente garante que o tempo de resposta de 2,87 segundos ocorreu porque um cavalo ficou preso no canal ESCON.

A equipe de produção prefere consultar os logs.


4. Média não conta toda a história

Imagine cinco transações:

100
105
110
115
10.000

A média é:

(100 + 105 + 110 + 115 + 10000) / 5
= 2086

Mas quatro das cinco transações estão perto de 100.

Por isso precisamos conhecer também mediana e dispersão.

A mediana seria:

110

Muito mais representativa do comportamento central daquele pequeno conjunto.

A dispersão, por sua vez, ajuda a entender quanto os valores se afastam uns dos outros.

Essa é uma lição fundamental para analytics:

Um único número raramente explica um sistema complexo.

É igualmente verdadeira para performance de mainframe.

Dizer:

“O response time médio é 300 ms.”

pode esconder períodos de 50 ms e outros de 5 segundos.

Por isso média, percentis, distribuição e dispersão importam.


5. Pesquisa Operacional entra no CPD

Outra contribuição importante veio da Pesquisa Operacional.

Ela utiliza modelos matemáticos para encontrar melhores decisões diante de restrições.

Imagine:

recursos limitados
+
múltiplas alternativas
+
objetivos
+
restrições

Isso aparece em logística, produção, transporte, escalonamento e planejamento.

Para quem conhece mainframe, a ideia não deveria parecer alienígena.

Um ambiente computacional também possui:

CPU
Memória
I/O
Prioridades
Workloads
SLAs
Janelas batch

E precisamos decidir como utilizar recursos limitados da melhor maneira possível.

O WLM provavelmente cumprimentaria a Pesquisa Operacional com bastante respeito.


6. John Tukey e a Análise de Dados

Em 1962, o estatístico John Tukey publicou o influente trabalho The Future of Data Analysis.

Tukey ajudou a fortalecer a ideia de que analisar dados era uma atividade intelectual própria, não simplesmente uma aplicação mecânica da estatística.

Posteriormente, seu trabalho sobre Exploratory Data Analysis — EDA tornou-se particularmente importante.

A ideia é poderosa:

Antes de tentar provar alguma coisa, explore os dados.

Observe.

Visualize.

Procure padrões.

Procure inconsistências.

Faça perguntas.

Para um programador COBOL, podemos traduzir:

Antes de alterar o programa porque alguém disse que “o sistema está lento”, investigue.


7. Edgar F. Codd aparece carregando tabelas

Chegamos aos anos 1970.

Entra em nossa história Edgar F. Codd, pesquisador da IBM.

Codd apresentou o modelo relacional para bancos de dados.

Essa contribuição transformaria profundamente a maneira como sistemas armazenam e consultam informações.

Em vez de pensar somente em estruturas físicas, passamos a trabalhar conceitualmente com:

TABELAS
LINHAS
COLUNAS
CHAVES
RELACIONAMENTOS

E desse universo emergiria SQL.

Para o programador COBOL:

EXEC SQL
   SELECT SALDO
     INTO :WS-SALDO
     FROM CONTA
    WHERE CONTA_ID = :WS-CONTA-ID
END-EXEC.

Parece cotidiano.

Mas existe uma enorme história da computação escondida atrás desse SELECT.


8. Decision Support Systems

À medida que empresas armazenavam mais informações, surgiu outra necessidade:

usar computadores não apenas para executar operações, mas também para ajudar pessoas a decidir.

Daí crescem os Decision Support Systems — DSS.

O sistema transacional responde:

“A venda aconteceu?”

O sistema de apoio à decisão pode perguntar:

“Por que as vendas caíram?”

Perceba a mudança.

OLTP → executar o negócio

Analytics → compreender o negócio

Naturalmente os dois mundos podem se alimentar.


9. Data Warehouse e Business Intelligence

Empresas possuíam dados espalhados em diversos sistemas.

Então apareceu outro problema:

Como juntar tudo isso para análise?

Entram Data Warehouses, Data Marts, processos ETL e ferramentas de Business Intelligence.

ETL significa:

Extract
Transform
Load

Ou:

Extrair
Transformar
Carregar

Quem trabalha com mainframe talvez esteja pensando:

“Nós fazemos coisas parecidas há décadas.”

E não está totalmente errado.

Arquivos são extraídos, classificados, combinados, transformados e carregados desde muito antes de o termo data pipeline virar moda.

DFSORT poderia escrever memórias bastante interessantes sobre isso.


10. Data Wrangling — o faxineiro que salva o projeto

Dados reais são bagunçados.

Encontramos:

campos vazios
duplicidades
datas incompatíveis
valores inválidos
espaços
códigos antigos
unidades diferentes
registros incompletos

Data Wrangling é o processo de transformar esse material em algo apropriado para análise.

Um fluxo típico inclui:

Discovery
   ↓
Transformation
   ↓
Validation
   ↓
Publishing

Isso pode envolver:

  • joins;

  • unions;

  • normalização;

  • limpeza;

  • enriquecimento;

  • validação.

Aqui existe uma regra que merece ser escrita na parede do CPD:

IA aplicada sobre dado ruim produz erro tecnologicamente sofisticado.

Ou, na versão tradicional:

Garbage In, Garbage Out.

O Barão prefere:

Garbage In, história extraordinária Out.


11. Analytics chega à sala da diretoria

Em 2006, Thomas H. Davenport publicou na Harvard Business Review o artigo Competing on Analytics.

Ele ajudou a popularizar a utilização de analytics como instrumento de vantagem competitiva.

A pergunta empresarial deixa de ser apenas:

“Quanto vendemos?”

e passa a incluir:

Quem compra?

Quando compra?

Por que compra?

Quem provavelmente deixará de comprar?

Onde existe fraude?

O que provavelmente acontecerá depois?

Os dados começam a participar diretamente da estratégia empresarial.


12. Big Data — quando o dataset comeu demais

Depois veio a explosão de dados.

Web.

Smartphones.

Sensores.

Logs.

Redes sociais.

Streaming.

IoT.

Transações digitais.

Passamos a falar dos famosos Vs do Big Data.

Entre eles:

Volume — quantidade.

Velocity — velocidade.

Variety — variedade.

Veracity — confiabilidade.

Tecnologias distribuídas como Hadoop e Spark ganharam destaque nesse cenário.

Mas existe uma curiosidade importante para nós.

Enquanto o mundo descobria que havia dados demais...

o mainframe provavelmente respondeu:

“Interessante. Conte-me mais.”


13. Data Science

Data Science combina conhecimentos de várias áreas:

Estatística
+
Computação
+
Conhecimento do domínio
+
Métodos analíticos

Isso explica uma coisa importantíssima.

O melhor profissional não é necessariamente aquele que conhece mais bibliotecas Python.

Conhecimento do domínio importa enormemente.

E é aí que um desenvolvedor COBOL experiente possui uma vantagem.

Ele talvez conheça:

cliente
conta
apólice
pedido
pagamento
fatura
liquidação
compensação
estoque

Não apenas como colunas.

Mas como processos reais do negócio.


14. Machine Learning

Machine Learning leva a análise adiante permitindo que modelos aprendam padrões a partir dos dados.

Algumas tarefas clássicas incluem:

Classificação

Determinar uma categoria.

TRANSAÇÃO
   ↓
LEGÍTIMA
ou
SUSPEITA

Clustering

Agrupar elementos semelhantes sem necessariamente possuir classes previamente definidas.

clientes
   ↓
grupo A
grupo B
grupo C

Regressão

Investigar relações entre variáveis e produzir estimativas.

Detecção de anomalias

Encontrar comportamentos incomuns.

E essa última nos leva diretamente ao exemplo do curso.


15. O ladrão roubou o cartão — ou talvez apenas as credenciais

Imagine um cliente que normalmente:

faz 3 compras por semana
gasta aproximadamente R$ 150
compra em São Paulo
utiliza dispositivos conhecidos

De repente:

12 compras
4 minutos
valores elevados
IP incomum
localização diferente
nova preferência de entrega

Nenhum desses elementos isoladamente prova fraude.

Mas juntos formam um comportamento digno de investigação.

Esse é um excelente exemplo de detecção de anomalias.

O processo seria aproximadamente:

1. Definir o problema
        ↓
2. Identificar os dados necessários
        ↓
3. Coletar
        ↓
4. Limpar
        ↓
5. Transformar
        ↓
6. Analisar
        ↓
7. Detectar padrões/anomalias
        ↓
8. Visualizar
        ↓
9. Comunicar
        ↓
10. Decidir

Esse é o coração do Data Analytics.



16. Visualização — porque ninguém quer interpretar 800 mil linhas

Imagine entrar numa reunião executiva e dizer:

— Descobri o problema. Aqui estão 4,7 milhões de registros CSV.

Você provavelmente não será convidado novamente.

Visualização transforma dados em representações compreensíveis.

Podemos utilizar:

  • gráficos de barras;

  • linhas;

  • histogramas;

  • scatter plots;

  • mapas;

  • dashboards.

Um gráfico pode revelar em segundos algo escondido em milhões de registros.

Mas cuidado:

visualização não substitui análise.

Um gráfico bonito com dados incorretos continua incorreto.

Só ficou mais convincente.


17. Storytelling — o momento Münchhausen

Finalmente chegamos ao território favorito do Barão.

Contar histórias.

Mas agora precisamos fazer exatamente o contrário do nosso guia.

Nada de exageros.

Nada de inventar.

Nada de cavalgar balas de canhão.

Data Storytelling significa comunicar uma conclusão apoiada por evidências.

Uma boa narrativa pode seguir:

CONTEXTO
   ↓
PROBLEMA
   ↓
EVIDÊNCIA
   ↓
DESCOBERTA
   ↓
IMPACTO
   ↓
RECOMENDAÇÃO

Em vez de dizer:

“CPU aumentou.”

Podemos dizer:

“Após o crescimento de 38% do volume transacional entre 10h e 11h, observamos aumento consistente no consumo de CPU acompanhado por crescimento do response time. A análise indica concentração no workload X e recomenda investigação das transações Y.”

Agora existe história.

Existe contexto.

Existe decisão possível.


18. E então apareceu a IA Generativa

Chegamos ao capítulo mais recente.

LLMs e IA generativa conseguem:

  • resumir informações;

  • gerar consultas;

  • auxiliar análise;

  • explicar padrões;

  • produzir código;

  • ajudar na documentação;

  • apoiar visualizações;

  • conversar com bases de conhecimento.

Mas existe um detalhe delicioso.

IA precisa de dados.

Dados precisam de:

qualidade
contexto
governança
segurança
interpretação

Portanto nossa árvore não desapareceu.

Ela ficou maior.

Estatística
     ↓
Data Analysis
     ↓
Databases
     ↓
BI
     ↓
Analytics
     ↓
Big Data
     ↓
Data Science
     ↓
Machine Learning
     ↓
GenAI

Cada camada carrega ideias das anteriores.



19. O IBM Z estava no porão o tempo inteiro

Agora olhamos para o mainframe.

Ali encontramos:

COBOL
CICS
IMS
Db2
VSAM
JES2
SMF
RMF
MQ
APIs

E atrás dessas tecnologias existem dados.

Muitos dados.

Transacionais.

Operacionais.

Financeiros.

Históricos.

De performance.

De segurança.

O mainframe não é apenas uma máquina executando programas COBOL.

É também uma das maiores fontes de informação empresarial de alto valor.


20. Por que um desenvolvedor COBOL deveria aprender tudo isso?

Porque o trabalho está mudando.

Não significa abandonar:

COBOL
JCL
CICS
Db2
VSAM

Significa acrescentar:

SQL avançado
Estatística
Data Analytics
Visualização
Python
IA

Um desenvolvedor tradicional pode perguntar:

“Onde esse campo é atualizado?”

Um profissional com mentalidade analítica também pergunta:

“O que podemos descobrir analisando dez anos desse campo?”

Essa segunda pergunta abre um universo novo.



21. Um laboratório Bellacosa

Quer começar sem instalar um cluster Hadoop no quintal?

Pegue um conjunto de dados simples.

Pode ser:

DATA
HORÁRIO
TRANSAÇÃO
VALOR
CPU
RESPONSE_TIME
STATUS

Passo 1 — explore

Quantos registros existem?

Quais campos?

Há valores faltantes?

Passo 2 — limpe

Remova duplicidades.

Padronize datas.

Verifique valores inválidos.

Passo 3 — calcule

Descubra:

média
mediana
mínimo
máximo
desvio

Passo 4 — procure outliers

Quais transações fogem do comportamento esperado?

Passo 5 — relacione variáveis

Por exemplo:

volume × CPU
volume × response time
CPU × response time

Passo 6 — visualize

Crie um gráfico temporal.

Passo 7 — conte a história

Não diga apenas:

“Existe um pico.”

Explique:

quando ocorreu;

qual foi sua magnitude;

quais variáveis mudaram;

quais workloads foram afetados;

qual hipótese merece investigação.

Parabéns.

Você acabou de sair de:

“olhar relatório”

para:

“fazer análise de dados”.


22. Easter egg — o Barão encontra um outlier

No final da visita, Münchhausen olha para nosso dataset.

TEMPO_RESPOSTA

0.28
0.31
0.30
0.29
0.32
47.81
0.30

Ele aponta imediatamente para 47.81.

— Conheço esse número! Foi exatamente o tempo que levei para escapar de um pântano puxando a mim mesmo pelos cabelos!

O analista consulta SMF.

O DBA consulta Db2.

O sysprog consulta RMF.

O desenvolvedor abre os logs.

Descobrem uma contenção.

O Barão parece decepcionado.

Mas acabamos de aprender uma última lição:

Um outlier começa uma investigação. Ele não termina uma investigação.


Epílogo — Não abandone o canhão; aprenda balística

Existe uma tentação recorrente na tecnologia de anunciar que cada novidade matou tudo o que existia antes.

Cloud matou mainframe.

Java matou COBOL.

NoSQL matou SQL.

Big Data matou Data Warehouse.

Machine Learning matou estatística.

IA matou programação.

Enquanto isso, no mundo real, todas essas tecnologias continuam convivendo.

O profissional valioso não é necessariamente aquele que corre atrás de cada buzzword.

É aquele que consegue entender como as peças se conectam.

Para o desenvolvedor COBOL, Data Analytics oferece justamente essa oportunidade.

Você já conhece sistemas que produzem dados críticos.

Conhece transações.

Conhece regras de negócio.

Conhece exceções.

Conhece processamento batch.

Conhece online.

Conhece bancos de dados.

Conhece o estranho campo WS-FLAG-X9 que ninguém documentou desde 1997.

Agora acrescente:

estatística.

análise.

visualização.

storytelling.

Machine Learning.

IA.

E talvez você descubra que não precisa abandonar 30 anos de experiência para entrar no futuro.

Pode fazer algo muito mais inteligente:

colocar o futuro em cima desses 30 anos.

Nossa árvore, afinal, não cresce destruindo suas raízes.

Ela cresce justamente porque possui raízes.

                    GenAI
                      ▲
              Machine Learning
                      ▲
                Data Science
                      ▲
                  Big Data
                      ▲
                 Analytics
                      ▲
             Data Warehouse / BI
                      ▲
                    DSS
                      ▲
                Databases
                      ▲
               Data Analysis
                      ▲
           Pesquisa Operacional
                      ▲
                 Estatística

                     │
                     │
               DADOS REAIS
                     │
              ┌──────┴──────┐
            COBOL          CICS
              │              │
             Db2            IMS
              │              │
            VSAM           MQ/API
              └──────┬───────┘
                     │
                   IBM Z

O Barão de Münchhausen sobe novamente em seu cavalo.

Olha para o IBM Z.

Olha para nosso dashboard.

Olha para a IA.

E antes de cavalgar rumo ao próximo absurdo tecnológico, deixa um conselho surpreendentemente sensato:

“Meu caro programador: eu posso inventar histórias porque sou o Barão. Você, quando trabalhar com dados, precisa provar as suas.”

Bellacosa Mainframe

Do cartão perfurado à Inteligência Artificial, os dados sempre tiveram uma história para contar. Nossa profissão é aprender a ouvi-la.

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De Fã para Fã. Conteúdo não oficial produzido como homenagem, comentário, análise ou paródia. Personagens, marcas e obras eventualmente mencionados pertencem aos seus respectivos titulares.
Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
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Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

IBM Champion IBM Z COBOL CICS Db2 z/OS Mainframe desde 1988
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