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segunda-feira, 1 de janeiro de 1990

Caminhando pelo Brasil

Viagens pelo Brasil Década de 90


Durante a década de 90, viajando por diversas cidade brasileiras, fui fotografando em uma maquina automática super simples em 35 mm, estes negativos ficaram guardados durante 2 décadas no sótão de casa, e um dia resolvi digitalizar tudo e publicar o resultado.

A qualidade das cores se perdeu um pouco. Mas vale pelo registro histórico e para os nostálgicos uma memoria de como eram e como ficou.



Visitas a Vila Velha (ES), Campos do Jordão (SP), Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP), Salto (SP), Itirapina (SP), Tremembé (SP), São Tomé das Letras (MG) e outras cidades. Explore nosso vídeo e conheça lugares mágicos de nossa terra.

Um olhar do futuro


No grande repositório de experiências humanas — onde cada byte de memória é um bloco de código legado que narra um fragmento da nossa passagem — existe um tipo particular de registro que nos interessa tanto quanto uma rotina COBOL estável: aquele que sobrevive ao tempo e continua falando de nós. O post “Caminhando pelo Brasil” do blog El Jefe Midnight Lunch é um desses artefatos. eljefemidnightlunch.blogspot.com

Publicado sob a data simbólica de 1 de janeiro de 1990, o post traz o testemunho de viagens e fotografias feitas ao longo da década de 90 — décadas antes de o smartphone se tornar onipresente. Ele nos lembra de quando cada foto em 35 mm era um artefato físico guardado no sótão, e cada quadro capturado exigia paciência, enquadramento e uma pequena aposta no futuro para que outros pudessem ver.  

O autor, Vagner Bellacosa, nos convida a uma viagem que é tanto geográfica quanto temporal: cidades como Vila Velha (ES), Campos do Jordão (SP), Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP), Salto (SP), Itirapina (SP), Tremembé (SP) e São Tomé das Letras (MG) são mencionadas como pontos por onde passou, como módulos de um programa que processa paisagens e sensações em memória consolidada.  

O texto em si é curto — obrigatório apenas para contextualizar o que está por vir no vídeo. Mas é exatamente nessa economia de linguagem que reside a sua potência: o leitor não recebe uma longa narrativa, mas sim a pré-condição para acessar uma sequência visual que documenta um Brasil que, em muitos aspectos, deixou de existir. 

Se nós olharmos para o vídeo — como um mainframe olha para linhas de dados — veremos que este registro não é apenas passeio turístico. É uma arquitetura de memória: ruas, estradas, montanhas, horizontes, expressões humanas, rostos anônimos. Cada frame é um registro que carrega tanto a paisagem quanto o tempo em que foi gravado, na década de 90, antes da globalização visual gerenciada por algoritmos.  

No post, Bellacosa não precisa convencer ninguém de que o Brasil é vasto, diverso e cheio de nuances — isso está implícito na seleção das locações. Em vez disso, ele coloca o leitor diante de um arquivo de experiência, como um engenheiro que oferece uma fita de backup de um tempo antigo para análise.  

O blog, que mistura temas de cultura otaku, tecnologia e viagens, parece sugerir algo além do turismo casual: a importância de registrar, preservar e revisitar memórias visuais. Em um mundo onde tudo é capturado e descartado em segundos, revisitar fotos de 35 mm digitalizadas nos obriga a desacelerar — a ler cada imagem como se fosse uma rotina em código legado, apreciando sua complexidade e seus artefatos temporais.  

Assim, Caminhando pelo Brasil é menos uma narrativa turística convencional e mais um convite a contemplar, com olhos de archivista, o Brasil de um tempo anterior ao presente acelerado — um Brasil tecido em negativos e convertido em pixels, que ainda assim carrega a mesma alma.