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terça-feira, 21 de novembro de 2023

🎌 Guia Bellacosa: Os Santuários Otaku do Japão

 

Bellacosa Mainframe e o guia para otaku santuarios no Japão

🎌 Guia Bellacosa: Os Santuários Otaku do Japão


🗾 Um roteiro espiritual, cultural e geek pelos templos sagrados do fandom japonês

Se o Monte Fuji é o símbolo da alma japonesa, Akihabara é o templo da alma otaku.
Mas ela não está sozinha! O Japão é um país repleto de santuários dedicados à cultura pop — verdadeiras mecas do colecionismo, cosplay, idols e mangás.
Pegue seu suéter da SEGA, sua câmera e um pasmo respeitoso, porque hoje o Bellacosa te leva num roteiro otaku místico, do neon de Tóquio às ruazinhas secretas de Osaka.



🏮 1. Akihabara — A Meca Suprema

📍 Tóquio, Distrito de Chiyoda

A palavra Akihabara (秋葉原) significa “Campo das Folhas de Outono”, mas o que floresce ali é pura eletricidade geek ⚡
Desde os anos 1980, Akiba (apelido carinhoso) evoluiu de mercado eletrônico para epicentro da cultura otaku mundial.

💾 O que visitar:

  • Radio Kaikan: prédio histórico com 10 andares de figures, cards e model kits.

  • Super Potato: loja lendária de retro games — parece um museu dos anos 80 com cheiro de cartucho.

  • Mandarake Complex: sete andares de mangás, doujinshi e itens raros (leia as placas antes de entrar nas áreas 18+).

  • Don Quijote Akihabara: o shopping maluco onde fica o teatro do grupo AKB48, as idols mais icônicas do Japão.

🎀 Curiosidade Bellacosa:
Akihabara tem um templo real dentro do caos: Kanda Myojin, dedicado aos deuses da tecnologia.
Otaku de todo o mundo vão lá abençoar seus notebooks e comprar ema (tábuas votivas) com personagens de anime desenhados à mão!


🎎 2. Nakano Broadway — O Tesouro dos Colecionadores

📍 Nakano, bairro de Tóquio

Enquanto Akihabara brilha, Nakano Broadway é o esconderijo misterioso dos fãs veteranos.
É um shopping antigo, com corredores apertados e lojas secretas, cada uma especializada em algo: figures vintage, artbooks raros, VHS originais, bonecos da era Shōwa…

🏮 Pontos obrigatórios:

  • Mandarake Main Store: o “quartel-general” da franquia Mandarake.

  • Robot Robot: loja de brinquedos retrô dos anos 70–90.

  • Daily Chiko: sorvete gigante em espiral com até 8 sabores (faça a foto com moderação 😅).

💡 Dica Bellacosa: Nakano é mais silenciosa e menos turística.
É o lugar certo para negociar, garimpar e conversar com vendedores que vivem colecionando há décadas.


🏙️ 3. Ikebukuro — O Santuário das Otomes

📍 Tóquio, Distrito de Toshima

Ikebukuro é o coração do fandom feminino.
Ali nasceu o termo “Otome Road”, uma rua cheia de lojas voltadas para mulheres otaku — focadas em BL (Boys’ Love), doujinshi, idols e jogos otome.

🌸 Lugares icônicos:

  • Animate Ikebukuro Flagship: maior loja da Animate no Japão! Três andares de produtos, mangás e eventos.

  • K-Books e Lashinbang: lojas rivais com seções especializadas em BL e figures masculinos.

  • Butlers Café: o “inverso” dos maid cafés — garçons de luvas brancas servindo como mordomos vitorianos.

🎀 Curiosidade Bellacosa:
Nos arredores está o Sunshine City, onde ocorrem shows, eventos e cafés temáticos com personagens populares.
É a Disneyland dos sentimentos otaku femininos.


🎰 4. Nipponbashi (Den Den Town) — A Akihabara de Osaka

📍 Namba, Osaka

Enquanto Tóquio tem Akiba, Osaka tem Den Den Town (でんでんタウン).
É um distrito elétrico cheio de lojas geeks, fliperamas e otaku roots.
Mais barato, mais direto, mais barulhento — o jeito Osaka de ser.

🎮 Visitas essenciais:

  • Super Potato Osaka: filial da lendária loja de games clássicos.

  • Jungle: figures e action figures de tokusatsu, robôs e idols.

  • Nipponbashi Street Festa: um dos maiores desfiles de cosplay do Japão, realizado todo mês de março.

💡 Dica Bellacosa:
Os habitantes de Osaka são mais comunicativos e brincalhões.
Diferente da reserva de Tóquio, aqui pode puxar papo — mas sempre com educação e bom humor.


🧧 5. Odaiba — O Futuro em Forma de Ilha

📍 Baía de Tóquio

Odaiba é o parque tecnológico do Japão, uma ilha artificial que mistura shoppings, museus e vistas futuristas.
Mas também é lar de dois marcos sagrados do fandom:

🚀 Gundam Base Tokyo:
Um espaço imenso dedicado à franquia Mobile Suit Gundam.
Tem maquetes, exposição, loja e o Gundam tamanho real — um robô de 18 metros que se move!

🎡 DiverCity & Palette Town:
Shoppings com cafés temáticos, jogos e lojas de franquias de anime.
E de brinde: vista para a Rainbow Bridge e a Estátua da Liberdade japonesa.

💡 Curiosidade Bellacosa:
O Gundam de Odaiba é tão amado que recebe oferendas de fãs — mini figures, flores e até cartas de agradecimento.


🦊 6. Kanda Myojin — O Templo dos Deuses Tecnológicos

📍 Próximo a Akihabara

Poucos sabem, mas existe um santuário xintoísta que protege otakus, engenheiros e programadores.
No Kanda Myojin, os amuletos (omamori) incluem bênçãos para:

  • 💻 Equipamentos eletrônicos

  • 📱 Conexão Wi-Fi estável (sim, é real)

  • 🧠 Sucesso em provas de certificação e TI

✨ Dica Bellacosa:
Compre um ema e desenhe seu personagem favorito pedindo proteção.
O local é tão popular que já teve colaborações oficiais com Love Live!, Fate/Grand Order e Idolmaster.


🌌 7. Ikuta Shrine e Washinomiya Shrine — Os Templos dos Animes

Além do mundo urbano, o Japão possui templos rurais que se tornaram locais de peregrinação otaku (seichi junrei).

⛩️ Ikuta Shrine (Kobe) — conhecido por The Melancholy of Haruhi Suzumiya.
⛩️ Washinomiya Shrine (Saitama) — cenário real de Lucky☆Star, que virou ponto de encontro anual de cosplayers.

💡 Curiosidade Bellacosa:
Durante o Ano Novo, fãs vestidos de suas personagens favoritas vão rezar juntos — uma mistura mágica de fé, humor e fandom.


🎯 Roteiro Bellacosa de Viagem Otaku (7 Dias de Iluminação Geek)

DiaCidadeLocalFoco
1TóquioAkihabaraGames e figures
2TóquioKanda Myojin + OdaibaCultura pop e espiritualidade
3TóquioNakano BroadwayColecionismo retrô
4TóquioIkebukuroFandom feminino
5OsakaNipponbashiCultura otaku alternativa
6KobeIkuta ShrineAnime e espiritualidade
7SaitamaWashinomiya ShrinePeregrinação otaku

🏁 Conclusão Bellacosa

O Japão é mais do que o berço do anime — é um país que transformou paixão em cultura, consumo em arte e devoção em identidade.
Ser otaku lá é honrar a tradição da curiosidade e da imaginação humana.

🌸 Então, padawan, quando visitar esses lugares, lembre-se:

“Você não está apenas comprando um figure — está participando de um ritual milenar de amor, respeito e nostalgia.”

💮 Bellacosa Mainframe Japão — onde o sagrado encontra o geek.


segunda-feira, 22 de agosto de 2022

🇯🇵✨ Guia Otaku de Boas Maneiras no Japão: Evite gafes e vire um convidado lendário!

 


🇯🇵✨ Guia Otaku de Boas Maneiras no Japão: Evite gafes e vire um convidado lendário!

Você finalmente chegou ao Japão, o lar dos animes, do ramen autêntico e das máquinas de venda automática que parecem saídas de um episódio de Steins;Gate. Mas cuidado, jovem padawan — um simples gesto pode te transformar de turista simpático em protagonista de comédia constrangedora!

Este é o Guia Bellacosa de Boas Maneiras no Japão, pra garantir que sua visita seja digna de respeito, bons encontros e nenhuma vergonha alheia. 🍵


🏯 1. Nada de abraços e toques

No Japão, abraçar ou encostar em alguém que você acabou de conhecer é considerado invasivo. Um simples “ojigi” (reverência com a cabeça) já é demonstração de respeito.
👉 Dica: o ângulo da inclinação importa — 15° para um “oi” casual, 45° para respeito, e quase 90° se você quebrou algo valioso na casa do anfitrião! 😅


👟 2. Tirando os sapatos: o ritual sagrado

Antes de entrar numa casa (e até alguns restaurantes), tire os sapatos. Sempre há um espaço chamado genkan para isso.
Coloque-os com a ponta voltada para a porta, e use as pantufas oferecidas.
🚫 Jamais entre no tatame com sapato! Isso é quase como pisar em um altar.


🍚 3. Etiqueta alimentar ninja

  • Não espete os hashis no arroz — isso lembra rituais funerários.

  • Nunca passe comida de um par de hashis para outro — isso também remete a cerimônias de cremação.

  • Faça barulho ao comer ramen: é sinal de que está gostando!

🍱 Dica Bellacosa: se não quiser mais comida, não vire a tigela de cabeça pra baixo. Basta colocar os hashis sobre ela.


🗣️ 4. Silêncio é ouro

Falar alto em público, especialmente em trens, é malvisto. No Japão, os vagões parecem bibliotecas.
💬 Use o modo “otaku discreto”: sussurre, observe e sorria.


💴 5. Dinheiro é coisa séria

Entregue o dinheiro com as duas mãos, de preferência usando uma bandejinha (sashi-zara).
📦 Mesmo notas pequenas são tratadas com respeito — afinal, cada iene é fruto de disciplina quase samurai.


♻️ 6. Lixo? Boa sorte!

O Japão é tão limpo que parece um cenário pós-apocalíptico sem humanos.
Mas não há lixeiras por todo lado! Cada pessoa leva seu lixo até casa.
Separe recicláveis, queimeis e não queimeis (sim, é assim mesmo).


🧘‍♂️ 7. Templos, santuários e respeito espiritual

  • Lave as mãos antes de entrar (na fonte chamada chōzuya).

  • Não fotografe tudo — especialmente orações e cerimônias.

  • Faça silêncio, mesmo que o cosplay esteja incrível demais pra conter a empolgação.


🎌 8. Trens: o dojo da paciência

  • Espere todos saírem antes de entrar.

  • Forme fila e não bloqueie portas.

  • Evite mochilas nas costas (carregue à frente).

🚄 O shinkansen é tão pontual que parece programado em COBOL — então, respeite o horário!


💡 Curiosidades otakus de sobrevivência

  • “Itadakimasu” antes da refeição e “Gochisousama deshita” depois — é etiqueta e gratidão.

  • Evite dar presentes em número de 4: o número é associado à morte (shi).

  • Nunca escreva o nome de alguém em vermelho — é considerado amaldiçoado.


🎯 Dica final Bellacosa:

O segredo é simples — observe antes de agir. Os japoneses valorizam o respeito e o esforço. Mesmo que você erre, se demonstrar humildade, será perdoado com um sorriso sincero.

Seja o visitante que deixa boas lembranças — e não o protagonista do episódio “O Gaijin que Pisou no Tatame Sagrado”. 😆

Boa viagem, otaku-sensei! 🌸
E lembre-se: educação é o verdadeiro poder oculto de qualquer protagonista.


sábado, 9 de julho de 2022

John Malkovich, Rua Garrett e o Autógrafo que Eu Não Pedi

 

Bellacosa Mainframe e o dia que vi John Malkovich

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

John Malkovich, Rua Garrett e o Autógrafo que Eu Não Pedi

Ou: como encontrei um dos meus atores favoritos descendo o Chiado, tive alguns segundos para fazer exatamente aquilo que qualquer fã faria — e resolvi simplesmente sorrir

Há histórias que sobrevivem porque alguém tirou uma fotografia.

Outras porque existe uma carta.

Um ingresso amarelado.

Uma assinatura num guardanapo.

Uma fotografia tremida com metade de um dedo na frente da lente.

Um recibo esquecido dentro de um livro.

Algumas sobrevivem porque alguém teve a extraordinária previdência de escrever uma data atrás da foto:

Lisboa, 2003.

E existem aquelas que não possuem absolutamente nada.

Nenhuma fotografia.

Nenhum autógrafo.

Nenhuma testemunha.

Nenhum vídeo.

Nenhum registro.

Nenhum metadata.

Nenhum backup.

Nada.

Apenas alguns segundos gravados dentro da cabeça de alguém.

Esta é uma dessas histórias.

E talvez justamente por isso eu ainda me lembre dela.

Pegue um café.

Porque certa tarde eu estava subindo a Rua Garrett, em Lisboa, quando encontrei John Malkovich.

E decidi não conhecê-lo.


🇵🇹 Primeiro precisamos subir o Chiado

Quem conhece Lisboa sabe que certas ruas não servem apenas para levar alguém de um ponto A até um ponto B.

Elas atrapalham deliberadamente o percurso.

A Rua Garrett é uma delas.

Você pode ter compromisso.

Pode estar atrasado.

Pode ter alguém esperando.

Pode inclusive jurar que desta vez vai simplesmente atravessar o Chiado sem olhar para os lados.

Boa sorte.

Lisboa tem outros planos.

Há turistas.

Lisboetas.

Cafés.

Livrarias.

Sebos.

Montras.

Prédios que obrigam você a levantar a cabeça.

Gente entrando e saindo dos Armazéns do Chiado.

E, naturalmente, Fernando Pessoa tranquilamente instalado diante d'A Brasileira, observando há décadas aquela humanidade passar como se soubesse de alguma coisa que nós ainda não descobrimos.

Eu conhecia aquele caminho.

Naquele dia estava subindo a Rua Garrett para encontrar Carmen, que trabalhava no Largo do Calhariz.

Era uma caminhada cotidiana.

Nada de particularmente extraordinário deveria acontecer.

Eu caminhava do meu jeito habitual: suficientemente depressa para parecer que tinha destino, mas suficientemente devagar para continuar olhando tudo.

Tenho esse defeito.

Ou qualidade.

Nunca consegui decidir.

Olho prédios.

Olho placas.

Olho vitrines.

Olho carros.

Olho detalhes arquitetônicos.

E olho pessoas.

Principalmente pessoas.

Uma cidade sem pessoas é apenas infraestrutura.

E foi olhando as pessoas que meu sistema encontrou uma anomalia.



⚠️ CELEBRITY DETECTED

Ele vinha no sentido contrário.

Talvez meia dúzia de passos.

Não houve apresentação.

Não houve segurança abrindo caminho.

Não houve flashes.

Não houve tapete vermelho.

Não houve ninguém gritando:

— Senhoras e senhores, diretamente de Hollywood...

Nada.

Era simplesmente um homem descendo uma rua de Lisboa.

E então nossos olhares se cruzaram.

Meu cérebro precisou de uma fração ridiculamente pequena de segundo.

É ELE.

John Malkovich.

Não alguém parecido com John Malkovich.

Não um português careca que depois de três copos de vinho lembraria vagamente John Malkovich.

John Malkovich.

O ator.

Aquele ator cujo nome, para mim, sempre funcionou praticamente como certificado de interesse.

Se aparecesse nos créditos:

John Malkovich

eu assistiria.

Filme bom?

Assistiria.

Filme ruim?

Assistiria também.

Filme esquisito?

Melhor ainda.

Porque existem atores que interpretam personagens e existem atores cuja simples presença faz você prestar atenção.

Malkovich sempre pertenceu à segunda categoria.

E agora o sujeito estava ali.

Na minha frente.

Descendo a Rua Garrett.


🖥️ O mainframe entrou imediatamente em estado de exceção

Internamente, a operação foi mais ou menos assim:

IDENTIFY MALKO

Resultado:

RC=0000

Confiança:

99.999999%

Imediatamente várias subtarefas foram disparadas.

PEDIR_AUTOGRAFO

FALAR_QUE_SOU_FÃ

PERGUNTAR_SOBRE_FILMES

ARRANJAR_FOTO

NÃO_DEIXAR_ELE_ESCAPAR

Todas requisitando prioridade máxima.

O fã dentro de mim estava completamente alucinado.

Eu queria correr.

Queria falar.

Queria dizer que admirava seu trabalho.

Queria pedir um autógrafo.

Talvez dois.

Talvez dezessete.

E havia ainda a fotografia.

Hoje qualquer pessoa colocaria a mão no bolso, puxaria o telefone e:

— Mister Malkovich, selfie?

Mas precisamos lembrar que estamos falando de outra época.

O telefone celular ainda não havia transformado cada ser humano num correspondente fotográfico permanente de sua própria existência.

Para conseguir uma fotografia seria necessário possuir uma câmera naquele momento, encontrar alguém para fotografar ou improvisar alguma solução.

E eu sempre fui louco por fotografias.

Portanto, alguma coisa eu inventaria.

O problema não era técnico.

O problema apareceu quando faltavam talvez três ou quatro passos.


👀 Ele percebeu

Esse é o pedaço da história que nenhuma fotografia poderia registrar.

John Malkovich percebeu que eu o reconhecera.

Tenho certeza disso.

Porque existe uma expressão específica no rosto de alguém quando ocorre esse reconhecimento.

Meu olhar provavelmente entregou tudo.

Por alguns milissegundos deixei de ser um transeunte qualquer da Rua Garrett.

Virei:

FÃ DETECTADO.

E acredito que ele conhecesse muito bem aquele protocolo.

Afinal, devia acontecer constantemente.

O olhar.

A hesitação.

O sorriso.

A pessoa decidindo se aproxima.

Ele me viu processando aquilo.

E aconteceu algo curioso.

Não senti nele aquela reação de quem pensa:

"Lá vem mais um."

Pelo contrário.

Houve uma pequena abertura.

Uma simpatia.

Aquela disponibilidade educada de quem provavelmente teria parado caso eu falasse alguma coisa.

Eu poderia abordar.

Ele permitiria.

Talvez conversássemos durante alguns minutos.

Eu teria meu autógrafo.

Talvez minha fotografia.

Talvez hoje tivesse uma bela prova material desta história.

Foi exatamente aí que alguma outra coisa assumiu o controle.


🧠 O WLM humano mudou a prioridade

Olhei para ele.

Olhei para a rua.

E percebi uma coisa muito simples.

O homem estava passeando.

Só isso.

Não era John Malkovich numa estreia.

Não era John Malkovich num festival.

Não era John Malkovich numa sessão de autógrafos.

Não era John Malkovich diante de jornalistas.

Era um sujeito caminhando por Lisboa.

Exatamente como eu.

Eu estava apreciando a cidade.

Ele aparentemente também.

E naquele instante aconteceu uma pequena disputa interna entre o fã e o ser humano.

O fã dizia:

VAI!

O outro respondia:

Deixa o homem em paz.

O fã:

MAS É JOHN MALKOVICH!

O outro:

Eu sei.

É justamente por isso.


🙂 Então eu simplesmente sorri

Não disse nada.

Não pedi nada.

Não bloqueei seu caminho.

Não puxei papel.

Não procurei caneta.

Não tentei encontrar uma câmera.

Apenas olhei para ele e dei provavelmente o sorriso mais sincero que poderia dar.

Depois fiz um pequeno aceno com a cabeça.

E aquele gesto dizia tudo.

Não sei se existe um protocolo internacional para encontros ocasionais entre fãs e atores de Hollywood nas ruas de Lisboa.

Mas, se existe, naquele momento utilizamos a versão mais econômica possível.

Meu gesto dizia:

"Eu sei quem você é."

"Sou seu fã."

"Admiro seu trabalho."

"Fiquei absurdamente feliz de encontrar você aqui."

"Mas não vou atrapalhar seu passeio."

E então aconteceu a melhor parte.

Ele entendeu.

John Malkovich sorriu.

Não o sorriso profissional da fotografia.

Não aquele sorriso automático que pessoas famosas provavelmente aprendem depois da milionésima abordagem.

Foi um pequeno sorriso de cumplicidade.

Quase agradecido.

E respondeu com o olhar.

Durante talvez dois segundos aconteceu uma conversa inteira sem uma única palavra.

— É você.

— Sou eu.

— Sou muito seu fã.

— Percebi.

— Não vou te incomodar.

— Obrigado.

— Aproveite Lisboa.

— Você também.

E continuamos andando.


🚶 Dois turistas

Ele desceu.

Eu subi.

E foi isso.

Nenhuma multidão percebeu.

Nenhum jornalista registrou.

Fernando Pessoa permaneceu sentado.

Os cafés continuaram servindo bicas.

As pessoas continuaram entrando nas livrarias.

Os elétricos continuaram fazendo aquele barulho de Lisboa.

Provavelmente alguém reclamava de alguma coisa num balcão próximo, porque afinal estávamos em Portugal e certas instituições nacionais precisam ser preservadas.

E dois homens que jamais haviam se encontrado continuaram andando em direções opostas.

Um deles era John Malkovich.

O outro estava indo encontrar Carmen no Largo do Calhariz.

Durante alguns segundos, porém, éramos simplesmente duas pessoas passeando pela mesma cidade.


📸 A fotografia que não existe

Naturalmente, depois veio o arrependimento.

Porque o fã continua sendo fã.

PORRA, VAGNER!

ERA JOHN MALKOVICH!

Você poderia ter pedido um autógrafo!

Poderia ter conseguido uma fotografia!

Poderia ter falado com ele!

Poderia hoje mostrar para todo mundo:

— Olha aqui eu com John Malkovich em Lisboa.

Não tenho.

Não existe.

Não tenho sequer um guardanapo dizendo:

To Vagner, best wishes, John Malkovich.

Nada.

Do ponto de vista documental, esta história possui uma infraestrutura lamentável.

Auditoria reprovaria imediatamente.

Evidência material:

ZERO.

Testemunhas conhecidas:

ZERO.

Fotografia:

FILE NOT FOUND

Autógrafo:

DATASET NOT CATALOGED

Vídeo:

NO RECORDS FOUND

Logs:

expirados há décadas.

Se isso fosse um incidente de produção, ninguém aceitaria meu RCA.


☕ Mas talvez eu tenha trazido algo melhor

Com o passar dos anos comecei a perceber que talvez eu não tenha perdido coisa alguma.

Um autógrafo seria um objeto.

Uma fotografia seria uma fotografia.

Talvez estivesse numa caixa.

Talvez num álbum.

Talvez digitalizada.

Talvez eu já nem soubesse onde estava.

Mas aquele momento continua perfeitamente armazenado.

A rua.

O movimento.

A direção em que eu caminhava.

A surpresa.

A distância diminuindo.

O reconhecimento.

O olhar.

A decisão.

Meu sorriso.

O sorriso dele.

E cada um seguindo seu caminho.

Curiosamente, não pedir o autógrafo transformou aqueles segundos em algo muito mais interessante.

Porque não tenho uma história sobre:

"o dia em que tirei uma fotografia com John Malkovich."

Tenho uma história sobre:

"o dia em que encontrei John Malkovich e decidi não interromper John Malkovich."

É diferente.


🎭 Existe uma pessoa atrás dos créditos

Talvez essa tenha sido a pequena lição daquela tarde.

Nós transformamos artistas em personagens.

Eles vivem dentro das telas.

Nos créditos.

Nas entrevistas.

Nas fotografias.

Nos cartazes.

E esquecemos facilmente que, quando termina o filme, aquela pessoa continua existindo.

Come.

Anda.

Viaja.

Entra numa livraria.

Toma café.

Olha uma vitrine.

Passeia por uma rua.

Talvez queira passar alguns minutos sendo absolutamente ninguém.

E existe algo estranhamente bonito em reconhecer alguém justamente oferecendo-lhe o direito de continuar anônimo.

Eu poderia ter recebido um autógrafo de John Malkovich.

Em vez disso recebi durante dois segundos o sorriso de um homem que percebeu:

"Ele me reconheceu e vai me deixar continuar andando."

Foi pouco.

E foi muito.


🗄️ O arquivo que nunca foi apagado

Décadas depois aquela memória continua aqui.

Sem fotografia.

Sem papel.

Sem assinatura.

Sem cloud.

Sem backup externo.

Apenas naquele storage absurdamente pouco confiável chamado cérebro humano.

E, ironicamente, alguns arquivos desaparecem enquanto outros parecem possuir DISP=KEEP eterno.

Esse ficou.

Talvez porque nunca tenha sido concluído da maneira convencional.

Não houve clímax.

Não houve diálogo.

Não houve fotografia.

Ficou uma pequena operação pendurada no tempo.

John Malkovich descendo.

Eu subindo.

Dois olhares se encontrando.

Dois sorrisos.

E Lisboa continuando ao redor.


🧙 O velho barbudo finalmente documenta o incidente

Agora, tantos anos depois, finalmente existe um registro.

Não o autógrafo.

Não a fotografia.

Mas esta história.

Talvez daqui a muitas décadas algum arqueólogo digital encontre este texto perdido num canto da Internet e pense:

"Naturalmente não existe nenhuma prova disso."

Correto.

Não existe.

E está tudo bem.

Porque algumas das melhores coisas que aconteceram conosco ocorreram antes de termos uma câmera permanentemente apontada para nossa própria vida.

Elas simplesmente aconteceram.

Nós vimos.

Sentimos.

Guardamos.

E seguimos andando.


☕ Epílogo — RETURN CODE 0000

Às vezes penso novamente naquela tarde.

Imagino o que teria acontecido se tivesse parado.

Provavelmente Malkovich teria sido gentil.

Eu teria dito alguma bobagem de fã.

Ele assinaria alguma coisa.

Talvez conseguíssemos improvisar uma fotografia.

Eu agradeceria.

Ele continuaria descendo.

Eu continuaria subindo.

Seria uma ótima lembrança.

Mas não seria esta lembrança.

Prefiro a que ficou.

Porque durante alguns segundos não houve estrela de Hollywood e fã brasileiro.

Havia dois sujeitos numa rua de Lisboa.

Um reconheceu o outro.

O outro percebeu.

O primeiro decidiu não incomodar.

O segundo agradeceu sorrindo.

Nenhuma palavra foi necessária.

Então John Malkovich continuou descendo a Rua Garrett.

Eu continuei subindo para encontrar Carmen no Largo do Calhariz.

E Lisboa, absolutamente indiferente à importância cinematográfica do acontecimento, continuou fazendo aquilo que Lisboa faz maravilhosamente bem:

acontecendo.

O fã perdeu o autógrafo.

O fotógrafo perdeu a fotografia.

Mas o homem ganhou um sorriso.

Décadas depois, ainda acho que fiz um excelente negócio.

IEF142I VAGNER MALKO - STEP WAS EXECUTED

COND CODE 0000

Arquivo mantido.

DISP=KEEP.

☕

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2022

Parma: fui procurar Verdi e acabei num aniversário italiano

  

Bellacosa Mainframe memorias de Parma

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

🍷 PARMA — O DIA EM QUE FUI PROCURAR VERDI E ACABEI CANTANDO PARABÉNS PARA UM DESCONHECIDO

Ou: como uma pizza no café da manhã, alguns italianos lutando contra uma massa de macarrão, uma lombriga chamada Brigitte e uma jarra de vinho transformaram um almoço qualquer numa das minhas melhores lembranças da Europa

Há viagens que planejamos.

Compramos passagem, estudamos mapas, escolhemos museus, anotamos endereços, calculamos horários de trem e fazemos uma lista quase militar daquilo que precisamos conhecer.

E existem as outras.

As viagens que acontecem enquanto estamos ocupados executando o roteiro.

Minha história em Parma pertence à segunda categoria.

Eu fui até lá por causa de Giuseppe Verdi.

Voltei carregando a lembrança de um velhinho cujo nome provavelmente nem guardei.

E, décadas depois, ainda consigo descer aquelas escadas.



🎼 O MOTIVO ERA VERDI

Minha ida a Parma não começou pela gastronomia.

Não fui caçar restaurante famoso.

Não havia uma lista de estabelecimentos recomendados.

Não estava procurando estrelas Michelin.

Meu interesse era outro.

Eu queria conhecer um pouco mais do universo de Giuseppe Verdi.

E havia ainda uma conexão brasileira que tornava aquilo especialmente interessante para mim: Antônio Carlos Gomes, nosso grande compositor, viveu e trabalhou na Itália e pertenceu àquele extraordinário universo musical italiano do século XIX.

Portanto, naquele dia meu programa era essencialmente cultural.

Verdi.

Carlos Gomes.

Igrejas.

Ruelas.

Arquitetura.

História.

E andar.

Principalmente andar.

Eu sempre conheci cidades dessa maneira.

Coloco os pés na rua e começo a zanzar.



🍕 NOVE DA MANHÃ E O CAFÉ DA MANHÃ DOS CAMPEÕES

Cheguei de trem.

Era cedo, aproximadamente nove horas da manhã.

E eu já havia tomado aquilo que considero um café da manhã perfeitamente defensável:

pizza de trancio.

Nada de cereal integral.

Nada de iogurte cuidadosamente fotografado ao lado de três morangos.

Pizza.

Afinal, estávamos na Itália.

Alimentado e feliz, comecei a andar pelas ruas.

Foi então que passei diante de um restaurante.

Nada particularmente espetacular do lado de fora.

Não me lembro de estrelas.

Não parecia pertencer àquela categoria de estabelecimentos diante dos quais turistas fazem peregrinação.

Estava meio fora de mão.

E estava fechado.

Mas havia uma vitrine.

E atrás daquela vitrine acontecia uma guerra.


🍝 OS BRAVOS ITALIANOS LUTANDO CONTRA O MACARRÃO

Parei.

Lá dentro havia pessoas trabalhando com massa.

Não estavam montando pratos bonitos para Instagram.

O restaurante nem tinha aberto.

Era preparação.

Farinha.

Massa.

Bancada.

Braços trabalhando.

Italianos travando uma batalha corpo a corpo contra aquilo que algumas horas depois seria servido aos clientes.

Fiquei olhando.

Tirei fotografia.

Passei alguns minutos diante daquela vitrine simplesmente acompanhando o trabalho.

Talvez para eles fosse apenas mais uma manhã.

Para mim havia alguma coisa fascinante naquilo.

Era possível ver o back-end da cozinha funcionando antes da abertura do front-end.

O batch gastronômico estava em plena execução.

09:00

RESTAURANT = CLOSED
CUSTOMERS = 0
PASTA_BATCH = RUNNING
BRAZILIAN_OBSERVER = DETECTED

Guardei mentalmente o lugar.

E continuei andando.


⛪ VERDI, IGREJAS E QUILÔMETROS DEPOIS

Fui cumprir minha missão.

Visitei lugares ligados a Verdi.

Entrei em igrejas.

Observei prédios.

Atravessei ruas.

Fotografei.

Andei sem pressa.

Esse sempre foi um dos meus maiores prazeres viajando pela Europa: permitir que a cidade aparecesse entre um destino e outro.

Não apenas chegar.

Percorrer.

O problema é que existe um componente biológico que invariavelmente interfere nos grandes projetos culturais da humanidade.

A fome.

Por volta das treze horas, minha barriga começou a apresentar os primeiros alertas operacionais.

E então acordou uma velha companheira de viagem.

Brigitte.

Minha lombriga de estimação.

Brigitte é responsável por importantes decisões gastronômicas da minha vida.

Naquele momento ela assumiu o controle da navegação.

WARNING: FUEL LEVEL CRITICAL

BRIGITTE:
"Vagner..."

VAGNER:
"Que foi?"

BRIGITTE:
"Lembra daqueles italianos fazendo macarrão?"

VAGNER:
"..."

BRIGITTE:
"VOLTA."

Obedeci.


🪜 DESCENDO PARA OUTRA PARMA

Retornei ao restaurante.

Agora estava aberto.

Entrei.

E imediatamente veio aquele aroma.

Desci as escadas porque a sala onde se comia ficava no porão.

Lá embaixo encontrei exatamente o tipo de lugar que adoro descobrir viajando.

Poucas pessoas.

Nenhuma multidão.

Nenhum grupo turístico.

Nenhuma juventude fazendo fila para fotografar o prato da moda.

Havia principalmente gente de idade.

Rostos de quem parecia morar ali.

Pessoas que não haviam viajado milhares de quilômetros para conhecer Parma.

Elas eram Parma.

Conversei com o garçom.

Expliquei que era brasileiro.

Um andarilho.

E fiz talvez o melhor pedido possível naquele lugar:

— Me surpreenda.

O homem abriu um baita sorriso.

Anotou alguma coisa.

Foi embora.

Naquele instante percebi que havia cometido algo maravilhoso:

eu tinha entregado meu almoço aos italianos.


🍷 O SUMO DOS DEUSES

Pedi vinho da casa.

Veio numa jarra.

Nada de cerimônia.

Nada de uma garrafa acompanhada de uma palestra de quinze minutos sobre notas de carvalho, frutas vermelhas colhidas durante determinada fase da Lua ou o estado emocional das uvas.

Era vinho.

Na jarra.

Sumo dos deuses.

Chegou uma entrada.

Comecei a comer.

E observar.

Os clientes conversavam.

Os garçons circulavam.

O porão tinha vida.

Eu estava sozinho, mas não me sentia isolado.

E então chegou a comida.

Aquela mesma cozinha que eu havia espionado através do vidro às nove da manhã finalmente havia terminado seu processamento batch.

Era hora de consumir a produção.


🏛️ O LEGIONÁRIO VOLTOU DA GÁLIA

Aqui preciso confessar que provavelmente abandonei parte da elegância.

Estava com fome.

Tinha caminhado.

A comida estava maravilhosa.

O vinho estava ajudando.

Em algum momento comecei a comer com as mãos aquilo que permitia ser comido com as mãos.

Eu devia estar com uma expressão parecida com a de um legionário romano depois de marchar 25 quilômetros e finalmente receber comida.

Não estava degustando.

Estava mandando ver.

HUNGER_LEVEL = LEGIONARY
WINE_BUFFER = LOADED
CUTLERY = OPTIONAL
CUSTOMER_HAPPINESS = 100%

E foi aí que percebi uma mesa ao lado.

Havia dois velhinhos.

Pela minha observação rápida, concluí:

casados.

Um casal de idosos almoçando tranquilamente.

Eles começaram a me observar.

E aparentemente estavam se divertindo bastante vendo aquele brasileiro travar sua própria batalha contra a comida.

Vieram os primeiros olhares.

Sorrisos.

Até que puxaram conversa.


🇧🇷🤝🇮🇹 COMEÇA A DIPLOMACIA BRASIL–PARMA

Conversa vai.

Conversa vem.

Descobrem que sou brasileiro.

Explico minha peregrinação.

Falamos sobre coisas que hoje já não consigo reconstruir completamente.

Mas a barreira entre as duas mesas começa a desaparecer.

Até que eles oferecem:

— Quer experimentar isto?

Era o prato deles.

Agora havia um problema diplomático gravíssimo.

Recusar poderia provocar um incidente internacional entre Brasil e Itália.

Como patriota responsável, aceitei.

E descobri mais um sabor de Parma.

Aquilo não havia sido escolhido pelo garçom para o brasileiro.

Era aquilo que eles próprios estavam comendo.

De repente eu já não tinha apenas meu almoço.

Tinha acesso ao almoço da mesa vizinha.

Continuamos conversando.

Então veio outra oferta.

Vinho.

O vinho deles.

Aceitei novamente, desta vez já um pouco sem graça.

Mas integrado.

Comida atravessava a fronteira das mesas.

Vinho atravessava.

Histórias atravessavam.

Eu havia entrado naquele porão como um desconhecido.

Pouco tempo depois estava compartilhando comida com duas pessoas que jamais tinha visto na vida.


🎭 O PRIMEIRO PLOT TWIST

Foi durante a conversa que descobri que minha capacidade de investigação antropológica precisava de manutenção urgente.

Eles não eram casados.

A mulher era filha daquele senhor.

E havia mais.

Ela estava ali porque aquele dia era...

aniversário do pai.

Parei mentalmente por alguns segundos.

Então aquela não era simplesmente uma refeição cotidiana.

Eu havia entrado acidentalmente numa pequena celebração familiar.

A filha tinha levado o pai para almoçar.

E, no meio daquela comemoração, apareceu na mesa vizinha um brasileiro faminto comendo como se tivesse acabado de atravessar os Alpes com Aníbal.

Por alguma razão, eles resolveram conversar comigo.

Depois dividir a comida.

Depois dividir o vinho.

Eu estava sendo progressivamente absorvido por uma festa para a qual jamais havia sido convidado.

E ainda não tinha acontecido a melhor parte.


🎂 ENTÃO O GARÇOM APARECEU COM UMA TORTA

A refeição estava chegando ao fim.

Eu já havia comido maravilhosamente.

Bebido.

Conversado.

Rido.

Conhecido sabores que nem estavam no meu pedido.

Foi então que o garçom apareceu.

Carregava uma torta de aniversário.

Era para o velhinho.

E aconteceu uma dessas pequenas coisas que parecem insignificantes quando descritas rapidamente, mas que ficam armazenadas em algum lugar estranho da memória durante décadas.

Nós cantamos parabéns para ele.

A filha.

As pessoas do restaurante.

E aquele brasileiro que algumas horas antes estava do lado de fora fotografando homens fazendo macarrão através de uma vitrine.

Eu também cantei.

Para um homem cujo nome talvez eu nem tenha guardado.

Num porão em Parma.


❤️ NÃO ESTAVA NO SCRIPT

É aqui que a história deixa de ser sobre comida.

Eu tinha ido a Parma para procurar Verdi.

Queria história.

Música.

Carlos Gomes.

Igrejas.

Arquitetura.

E encontrei tudo isso.

Mas nenhuma dessas coisas estava naquele momento diante de mim.

Diante de mim havia apenas um senhor comemorando mais um ano de vida ao lado da filha.

E eu, um completo desconhecido, havia sido incorporado por alguns minutos àquela memória familiar.

Não estava no roteiro.

Não estava no bilhete do trem.

Não estava num guia turístico.

Não havia reservado aquela experiência pela internet.

Ninguém me vendeu um pacote chamado:

“Authentic Parma Experience — Lunch With Locals.”

Aconteceu.

Só isso.

Aconteceu.


🍝 A MELHOR COMIDA DA EUROPA?

Durante muitos anos, quando penso nas melhores refeições que tive na Europa, Parma aparece imediatamente.

Faço apenas uma exceção.

A comida caseira da Dona Gui, minha sogra.

Essa joga em outra categoria.

Mas, fora dela, Parma permanece em algum lugar muito especial da memória.

E hoje percebo que talvez eu tenha cometido um erro durante anos dizendo:

“Foi uma das melhores comidas que comi na Europa.”

Porque não consigo mais separar o sabor daquilo que aconteceu ao redor.

Quanto daquele macarrão era realmente macarrão?

Quanto daquele vinho era realmente vinho?

Quanto do sabor vinha do porão?

Dos velhinhos?

Da conversa?

Do prato que atravessou de uma mesa para outra?

Da jarra?

Da caminhada?

Da fome?

Da surpresa?

Do aniversário?

Da torta?

Não sei.

Talvez memória gastronômica seja justamente isso.

Comemos também o momento.


🧠 O BANCO DE DADOS QUE NÃO GUARDA APENAS SABORES

Décadas depois, algumas coisas desapareceram.

Não lembro cada palavra.

Não lembro necessariamente o nome de todos os pratos.

Talvez não consiga reconstruir perfeitamente o restaurante.

Mas consigo lembrar da sensação.

Curiosamente, enquanto escrevia esta história tantos anos depois, meus olhos ficaram marejados.

E isso talvez seja a melhor avaliação gastronômica que aquele restaurante jamais receberá de mim.

Não cinco estrelas.

Não dez pontos.

Não uma fotografia bonita.

Uma lembrança que ainda consegue provocar lágrimas décadas depois.


🚶 VIAJAR NÃO É APENAS CHEGAR

Talvez seja por isso que sempre gostei tanto de zanzar.

Quando seguimos apenas o roteiro, encontramos aquilo que fomos procurar.

Quando caminhamos sem tanta pressa, às vezes encontramos aquilo que não sabíamos que existia.

Se eu tivesse escolhido outro caminho naquela manhã, não teria visto a vitrine.

Se não tivesse parado, talvez não tivesse guardado o restaurante.

Se Brigitte não tivesse começado a reclamar às treze horas, talvez tivesse almoçado em outro lugar.

Se tivesse pedido apenas aquilo que conhecia, talvez o garçom não tivesse aberto aquele sorriso.

Se estivesse olhando para o telefone enquanto comia, talvez os dois nunca tivessem puxado conversa.

Se tivesse recusado o prato por educação, perderia um sabor.

Se tivesse recusado o vinho por vergonha, perderia outro pedaço da conversa.

Uma sequência absurda de pequenos IFs.

IF passeio = curioso
AND fome = verdadeira
AND restaurante = aquele
AND garcom = inspirado
AND mesas_vizinhas = abertas
AND viajante = disposto
THEN
    memoria = inesquecivel
END-IF

Nenhum deles isoladamente significa muita coisa.

Juntos produziram uma tarde que atravessou décadas.


🍷 EPÍLOGO — O VELHINHO DE PARMA

Não sei o que aconteceu depois com aquele senhor.

Não sei quantos outros aniversários ele comemorou.

Não sei se a filha alguma vez se lembrou daquele brasileiro estranho que apareceu no almoço do pai.

Provavelmente fui apenas uma pequena curiosidade daquele dia.

Talvez tenham voltado para casa e comentado:

— Aquele brasileiro estava com fome, hein?

E dado risada.

Mas existe algo bonito nisso.

Porque eles provavelmente nunca souberam que, muitos anos depois, do outro lado do Atlântico, aquele brasileiro ainda contaria a história.

Ainda lembraria do vinho.

Ainda lembraria da comida passando de uma mesa para outra.

Ainda lembraria da torta chegando.

Ainda lembraria de cantar parabéns.

Eu fui até Parma procurar a memória de homens famosos.

Giuseppe Verdi.

Antônio Carlos Gomes.

E acabei trazendo comigo a memória de um homem anônimo.

Talvez essa seja a maior ironia daquela viagem.

Verdi entrou para a História.

Carlos Gomes entrou para a História.

Mas aquele velhinho...

entrou na minha.

E talvez seja exatamente por isso que Parma continua tendo um sabor que nenhum restaurante conseguiu reproduzir.

Porque certas receitas precisam de ingredientes que não existem numa cozinha:

fome, acaso, curiosidade, generosidade, duas mesas, uma filha, um pai, uma torta e um brasileiro que simplesmente estava passando por ali.

🍷

Buon compleanno, signore.

Onde quer que o tempo tenha levado você.

Eu ainda me lembro daquele almoço.


☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Porque algumas das melhores histórias da vida nunca passaram pelo ambiente de homologação.


domingo, 14 de março de 2021

Meu sonho possivel...



Esse é o sonho possível, e é lindo — mistura de contemplação e curiosidade, o equilíbrio exato entre o Japão tradicional e o futurista.

Imagino você caminhando por uma vila nas montanhas de Hakone, o vapor das águas termais subindo no ar frio, depois descendo para Tokyo à noite e vendo os letreiros de Shinjuku piscando como se fosse outro mundo.

segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

Aventureiros em São Tomé das Letras

Uma cidade fantástica.


Imagine uma cidade construída em lages de pedra, com ruas estreitas e cheia de lendas e mistérios, Com igrejas mal assombradas e coisas bem curiosas.

Um cruzeiro e uma visão panorâmica com as serra e muito verde para animar os aventureiros, trilhas, estatuas e criaturas saídas dos contos de fadas.

Magos, duendes, gnomos e fadas para uns... Ets, ovnis e discos voadores para os mais modernos, neste vídeo iremos apresentar a igreja de Nossa Senhora do Rosario, a Igreja Matriz, a Toca do Leão, a Gruta de São Tomé, a Piramide e muitos outras coisas.

Imagine uma pista de skate escondidinha num pequeno plato,, belas aves e muitas plantas de serrado, aventure-se em nosso canal e descubra estes e muitos mais tesouros.

#MinasGerais #SãoToméDasLetras #Piramide #IgrejaRosario #Mirante #Cruzeiro #PistaSkate #Panorama #Serra #Monte #Plato #Aventura #Caminhada #Casas #Arqueologia #Historia


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quarta-feira, 24 de abril de 2019

The Hichhicker In Spain : Facebook

Viaje a España



Vivendo por mais de uma decada na Europa, tive a oportunidade de conhecer a Espanha, um país rico em tradição e cultural, esta página é parte do meu testemunho através de fotos, videos no youtube, reportagens e materias de jornal, que venho postar aqui para partilhar um pouco de minhas viagens, espero que goste, deixe seu like, comentario, partilhe com os amigos e contribua. Obrigado: gracias y saludos...
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terça-feira, 23 de abril de 2019

Exposição Aquário Gigante no Shopping Dom Pedro de Campinas nossa viagem ao Fundo do Mar

Uma exposição interativa simulando uma viagem ao fundo do mar...


No espaço alameda dentro do Shopping Dom Pedro em Campinas adentramos em uma caverna repleta de corais e no seu interior, podemos imergir no fundo do mar, através de realidade virtual.

Em diversos monitores espalhados no ambiente podemos assistir diversos videos em realidade estendida que representam criaturas marinhas.

Em um deles uma baleia jubarte exibe seu impressionante ballet, nadando, mergulhando, subindo e saltando sobre as ondas com sons em uma show único.

Mais a frente assistimos uma tartaruga nadando em um monitor de 55 polegadas nos agraciando com seu  belo bater de nadadeiras, no solo outro monitor exibe a vida continua em um coral, com inúmeras criaturas que nadam e circulam pelo ambiente.

Em nosso vídeo tentamos capturar um pouco de tudo, inclusive com as replicas expostas no exterior um tubarão branco, golfinhos, polvo, tartaruga e arraia.

Se gostou deixe um joinha e se inscreva-se em nosso canal. Obrigado

#Campinas #ShoppingDomPedro #AquarioGigante #ViagemAoFundodoMar #aquario #exposição #baleia #tubarao #coral #tartaruga #vidamarinha #oceano #mar #aventura #aquatica

quinta-feira, 4 de abril de 2019

Vinhos e Vinícolas em Itatiba - Facebook

Divulgação de produtores artesanais de vinho em Itatiba




Devido a forte imigração italiana a Itatiba, aproveitando o clima, a terra e as colinas, alguns colonos começaram a plantar uvas e a produzir vinho, atualmente mais de 10 famílias produzem vinhos artesanais e tem suas adegas prontas a servir aqueles que desejam experimentar novos sabores, produzem também grapa, cachaça, licores e vinagre. 

Desde tempos imemoriais o homem produz vinho, atualmente São Paulo vem perdendo a força como polo produtor de Vinho. Cidades como Jundiaí e São Roque que eram referencia na produção de vinho deveriam investir mais em divulgação para que todos os pequenos produtores sejam beneficiados e possam produzir mais e melhor VINHO.

Ajude-nos a divulgar. Participe de nossa comunidade.

Esta página é dedicada a divulgar estes produtores e falar um pouco de VINHO. Venha conhecer nossa página. Participe, curta e conheça.

Visite as adegas de São Roque, Jundiaí, Vinhedo e Itatiba

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terça-feira, 2 de abril de 2019

The Hitchhikers in Portugal - Facebook

Aventuras em Portugal 


Em 2002 fui estudar na Universidade Técnica de Lisboa, gostei tanto daquela terra, que mesmo após a conclusão dos meus estudos, ainda fiquei por lá 11 anos, aproveitei para conhecer uma terra fantástica, cheia de cultura, historia antiga e medieval, muitos castelos e palácios... 

Desde  2002 até nossos dias...


Museus e vilas fantásticas, quintas que parecem saídas de contos de Eça de Queiroz ou Camilo Castelo Branco. Provei dos famosos vinhos, provei da fabulosa culinária e visitei varias dezenas de cidades e fotografei cada minimo detalhe. 


Conheci quase todos os distritos de Portugal continental, subi as montanhas e desci ao litoral, fiz o caminho português de Santiago de Compostela e me emocionei em Fátima.



Espero que goste, curta nossa página, partilhe as fotos e comente. Se tiver tempo assista os videos. Obrigado pela visita.


Visite nossa página no Facebook


#thehitchhikersInPortugal #eljefemidnightlunch #vagnerbellacosa #andarilho #viagens #portugal #turismo #aventura #viagem #lisboa #porto #vinho #bacalhau #sardinha #vinhoverde #alentejo #fotos

https://www.facebook.com/the.hitchhikers.in.Portugal/

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

SP 070 - Rodovia Carvalho Pinto e seus tuneis

Rumo aos túneis da SP 070


Após nossa prolongada parada no Frango Assado onde tomamos nosso café da manha, bom mas caro, podemos apreciar as varias motocicletas que estavam estacionadas ali.

Inclusive o formiguinha viu a moto do capitão América e um veiculo militar que estava ali estacionado e ansiosos para pegar estrada, partimos.

Estamos de volta a Rodovia Carvalho Pinto rumo a Caçapava e Taubaté de onde iremos prosseguir via Rodovia Tamoios rumo a Ubatuba.

Estamos a bastante tempo na estrada, saímos de Itatiba e passamos por muitos caminhos até aqui chegar, vejam os outros vídeos da viagem.

Espero que gostem de engenharia civil, pois esta estrada tem varias obras de arte: uma ponte sobre o Rio Paraíba do Sul e uma sequencia de vários tuneis.




sexta-feira, 6 de outubro de 2017

O Alfa-Pendular viajando rumo ao Entroncamento

As Viagens velozes a bordo do Alfa-pendular

Este trem já foi tema de outros vídeos de nosso canal, mas não me canso de criar materiais para ele, se esta vendo pela primeira vez, leia abaixo o resumo desta máquina veloz.

Estamos viajando no Alfa-pendular rumo a estação do Entroncamento, uma viagem rápida num trem rápido, este vídeo apresenta alguns detalhes da viagem, da carruagem de passageiro, da estação e do museu do Entrocamento.

Eu e meu filho partilhamos do mesmo amor por trens e ferrovias, sempre que podemos estamos fazendo algum tipo de aventura que envolva trens. O apito do revisor, o sinal de bandeira e mesmo o grito todos a bordo, fazem parte do imaginário popular, algo que dificilmente os ônibus iram tirar.

O corre corre na plataforma, os carrinhos de mala, pessoas nas janelas se despedindo dos parentes e amigos. Trem é nostalgia, viajar de trem é romântico, único e precioso. Nossa viagem começou em Corroios onde pegamos o Fertagus até Sete Rios em Lisboa, depois pegamos o metro até Santa Apolônia e nesta estação histórica pegamos o Alfapendular até Entrocamento.

A elefantinha Elly estava conosco nesse passeio, um aperte em nossa viagem, a Elly sempre nos acompanhava nos passeios, era divertido ver o Luis correndo para pegar a sua mascote e guarda-la na bolsa.

Um pouco de historia

Este comboio veloz é composto por 6 carruagens, sendo 2 de primeira classe, 3 de segunda classe e 1 vagão restaurante, com serviço de bordo, tv e radio em cada poltrona, esse trem é um luxo só, sem contar na velocidade, capaz de atingir mais de 200 quilômetros por hora.




quinta-feira, 14 de setembro de 2017

SP 075: Passando por Itu Rumo a Sorocaba

Viajando pela rodovia SP 075


Nossa viagem como sempre começou em Itatiba, passando pelas terras de Valinhos e Campinas, estradas que usamos cotidianamente e já foram temas de outros vídeos do nosso canal, após um dia agradável em Indaiatuba visitando a antiga estação central da cidade, lembranças da época áurea da cafeicultura e participamos da festa na Colônia Helvetia,  rumamos a Sorocaba e desta vez, passando por terras de Salto e Itu.

Estamos falando de nossa viagem pela rodovia SP 075, praticamente percorremos todo a sua extensão, do final dela em Campinas até o seu inicio em Sorocaba. Viajando pela Rodovia Engenheiro Ermínio de Oliveira Penteado foi bem tranquilo, apesar de achar meio caro o pedágio e este trecho ter alguns buracos e calombos na pista, que acredito não ser justo pelo atual estado de conservação desta rodovia.

Em toda a sua extensão ela é duplicada e podemos dirigir em maior velocidade, passamos por ferrovias, fazendas, fabricas, centros de logística que indicam como esta região é prospera e gera muitos empregos.

A parte mais encantadora é quando passamos por Salto/Itu com suas antigas chaminés das olarias que margeavam o rio Tietê, produzindo telhas e tijolos usadas para o crescimento de São Paulo, temos também o Rio Tietê, um grande rio poluído, próximos a estrada, relembrando o longo caminho que os bandeirantes fizeram partindo da longínqua São Paulo de Paraitinga em pequenas canoas e mulas para adentrarem ao interior do país.

Notem o transito na estrada é perturbador, pois estamos num sábado a tarde e veja a quantidade de veículos trafegando para lá e cá e lúdico ver as lanternas vermelhas e os faróis altos, vejam também os diversos modelos de pontes e viadutos em nosso caminho.



sábado, 12 de agosto de 2017

SP 125: Começando a descer a serra do Mar

As curvas da estrada descendo a serra

Estamos ansiosos por chegar a praia, saímos de casa as 06 da manhã e ainda estamos na estrada, são quase 11:30, foram feitas 2 paradas para um breve descanso, a primeira em São José dos Campos para tomar café no Frango Assado e mais para frente fizemos um pit stop em São Luis do Paraitinga.

Agora voltamos a Rodovia Oswaldo Cruz e começamos a descer a Serra do Mar, começa a descida da serra e a estrada esta começando a ficar sinuosa, toda a atenção esta na pista, começamos a ficar em silêncio, receosos com a pista e a dificuldade em desce-la.

O ar esta fresco, perfumado pelo doce aroma da vegetação, o nosso amigo formiguinha esta atento a paisagem, participando desta super aventura. Para os amantes de direção a SP 125 esta cheia de curvas e é um grande teste a direção e a mecânica do seu carro: câmbio e freios começam a ser cobrados em nossa viagem.



sábado, 5 de agosto de 2017

SP 070: passando por um túnel

Lembranças de infância ao passar no túnel.

Estamos rumo a Ubatuba e após sairmos da Rodovia Dom Pedro, paramos em São José dos Campos para um café da manhã no Frango Assado, e de volta a estrada agora estamos na Rodovia Carvalho Pinto.

Animados por vencer mais uma etapa de nossa viagem, estamos cada vez mais perto, apesar que ainda faltam uns 200 quilômetros, acordados após o café da manhã, vamos prestando atenção na paisagem, esta rodovia para ser mais reta, tem diversos tuneis em seu trajeto.

Entramos no primeiro e vieram as memorias de infância, quando meu pai descia a Rodovia Imigrantes e naquela época a maior diversão da garotada era fazer o buzinaço dentro do túnel, aquele eco, a barulheira era extremamente divertido.

Hoje as regras de transito são mais duras e rígidas, porém essas lembranças da direção automobilística do passado são divertidas comparativamente aos dias atuais, naquela época viajar era uma aventura cheia de percalços, nunca sabíamos o que iriamos ter pela frente, sem gps, sem telefones celulares, apenas um guia de estradas guardado no porta luvas e sempre consultado em caso de duvidas.

Ei amigo, você tem lembrança semelhante? Seus pais ou parentes também faziam buzinaços nos túneis?



quinta-feira, 3 de agosto de 2017

SP 065: A neblina dominando todo o horizonte


Bellacosa Mainframe e a neblina na sp 065

SP 065:  A neblina dominando todo o horizonte

Manhã de inverno na Rodovia Dom Pedro.


Saindo de Itatiba em direção a leste, pegamos a Rodovia Dom Pedro e seguimos rumo a Jacareí, neste trecho estamos próximos a Jarinu e Atibaia.

Estamos numa manha fria e a nevoa cobre toda a paisagem, nos deixando com uma visibilidade bem baixa, acompanhem um bocadinho deste trecho, onde com a pista molhada e escorregadia e baixa visibilidade coloca a prova todos os reflexos de um bom motorista.

Para quem não conhece a nossa região estamos situados na Serra da Mantigueira, somos as colinas que iniciam a elevação, neste trecho ultrapassamos os 650 metros de altitude e a tendencia e sempre a subir.

Iremos passar por diversos reservatórios de água pertencentes ao Sistema Cantareira.





quarta-feira, 2 de agosto de 2017

SP 065: Uma viagem com forte neblina

Bellacosa Mainframe e a neblina na sp 065

SP 065: Uma viagem com forte neblina

Experiencias para motorista, neblina e a baixa visibilidade

Nossa viagem rumo a Ubatuba continua, a neblina começa perder força e os raios solares começam a surgir lá longe.

A viagem esta divertida com o Formiga perguntando sobre tudo, curiosidade tipica da idade, nosso pequeno amigo tagarela descobre sobre represas e lagos, vendo os viadutos sobre os grandes lagos que começam a se encherem, após o longo período de estiagem que nosso estado atravessou.

A seca foi tão grande que diversos municípios tiveram interrupção do fornecimento de água, sofrendo com rodízios e mesmo abastecimento por carro pipa. Por sorte 2016 e 2017 trouxeram chuvas e gradualmente o Sistema Cantareira vem repondo sua cota d´água e as diversas represas começam a encherem.

Depois desse bla bla bla, nossa viagem pela Rodovia Dom Pedro esta quase terminando e em breve chegaremos a Jacareí onde iremos pegar a Rodovia Dutra. Até la amigos.





Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

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